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Uma BD aqui, outra BD ali, 31 - Liga da Justiça

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei.  Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Este post foi possível graças ao trabalho da Lost World Comics
(cliquem no nome para irem à página de FB deles e façam as vossas encomendas)

JLA Incarnations números 1 a 7 (2001) de John Ostrander e Val Semeiks (DC Comics)

O Uma BD Aqui, Outra BD ali de hoje é um pouco diferente. Hoje decidi não fazer incursões por BDs recentes, mas antes viajar ao passado (2001-02) e falar-vos de uma mini-série que há anos andava a querer ler. Este JLA Incarnations fez parte de um período áureo do historial da Liga, quando era escrita, no título principal, pelo escocês Grant Morrison. De modo a capitalizar desse sucesso, iam saindo vários títulos paralelos, mini-séries, maxi-séries, one-shots, etc, tudo o que desse para esmifrar a carteira de fãs incautos (sim, eu sou um deles).  No meio dessa barragem de títulos, vários tinham uma qualidade bastante aceitável - recordo-me do DC 2000, por exemplo, um crossover entre a Liga e a Sociedade da Justiça. Este que aqui vos trago tinha-se-me escapado (ou a carteira esmifrado), mas graças aos fabulosos préstimos da loja Lost World Comics, e à sua capacidade de encontrar números antigos dos EUA, pude finalmente o ler. E que delícia de leitura foi esta.

Uma BD aqui, outra BD ali, 30 - Doomsday Clock

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei.  Não são nem melhor nem pior que outras coisas.


Doomsday Clock número 9 de Geoff Johns e Gary Frank (DC Comics)

A série que é a continuação dos Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons vai entrar no seu último quarto. Faltam agora três números para o final, e Geoff Johns e Gary Frank começam a resolver os mistérios que têm assolado não só esta série como também o universo de super-heróis da DC desde 2016 (ou 2011, se quisermos ser verdadeiros). É uma tarefa difícil, já que os autores construíram uma gigantesca expectativa e uma malha narrativa complexa. É uma tarefa difícil também para mim, porque fazer uma análise sem spoilers é particularmente complicado. Como não o posso assegurar, aqui fica o aviso: haverá spoilers. Eu não quero lucrar cliques no meu blog à conta do trabalho de outrem. Por isso, façam um favor a vocês mesmos e vão ler o Doomsday Clock nove. Eu espero.

Uma BD aqui, outra BD ali, 29 - Quarteto Fantástico

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei.  Não são nem melhor nem pior que outras coisas.


Fantastic Four (2018) número 5 ou Fantastic Four (1961) número 650 de Dan Slott, Mike Allred, Adam Hughes e Aaron Kuder (Marvel)

Tenho um segredo para vos contar: eu adoro o Quarteto Fantástico. Quase que arrisco a dizer que é a minha equipa favorita de super-heróis. Quem me conhece e lê este Blog, sabe da minha forte inclinação para a DC. Mas o que não sabem é que comecei a ler BD graças ao Homem-Aranha e as personagens da Marvel foram, durante muitos anos, companheiros fiéis e favoritos. Um desses foi o Quarteto Fantástico, que conheci, pela primeira vez, na aventura onde conhecem os Inumanos, criada pelos eternos Stan Lee e Jack Kirby

Uma BD aqui, outra BD ali, 28 - Comics favoritos de 2018, parte 2

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei.  Não são nem melhor nem pior que outras coisas.



Também tinha de fazer uma lista dos comics que, mensalmente, número após número, mais me entusiasmam. Estes são aqueles que migram para o topo da pilha que chega todos os meses, religiosamente, da minha loja de BD. 

Não é, nem de longe nem de perto, uma tentativa de dizer que são os melhores. São aqueles que são escolhidos pelo meu gosto e pelas minhas manias e que, ainda assim, destacam-se de todos os restantes dessa pilha. Notem que há muito DC (nesta segunda parte há uma excepção), pela simples razão que é a editora que mais leio neste formato.

Hoje publicamos a segunda e última parte.

Uma BD aqui, outra BD ali, 27 - Comics favoritos de 2018, parte 1

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei.  Não são nem melhor nem pior que outras coisas.



Também tinha de fazer uma lista dos comics que, mensalmente, número após número, mais me entusiasmam. Estes são aqueles que migram para o topo da pilha que chega todos os meses, religiosamente, da minha loja de BD. 

Não é, nem de longe nem de perto, uma tentativa de dizer que são os melhores. São aqueles que são escolhidos pelo meu gosto e pelas minhas manias e que, ainda assim, destacam-se de todos os restantes dessa pilha. Notem que há muito DC (hoje é tudo da DC), pela simples razão que é a editora que mais leio neste formato.

Hoje publicamos a primeira parte.

Uma BD aqui, outra BD ali, 26 - Doomsday Clock 8 e Shazam 1

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei.  Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Doomsday Clock número 8 de Geoff Johns e Gary Frank (DC Comics)


Já passámos a marca do meio e Doomsday Clock continua a ser uma viagem que tem tudo para agradar a fãs - e não só. O número oito avança de forma significativa a narrativa, ao finalmente introduzir, de forma mais clara, um dos mais importantes intervenientes da mesma (não, não vos vou estragar revelando quem é). Depois do anúncio de que o dia 11 de Junho de 2019 será relevante para esta história e para o universo DC como um todo (provavelmente será publicado o número 11 de DClock), teríamos de, obrigatoriamente, ter avanços no enredo. Geoff Johns afasta-se um pouco do mundo dos Watchmen e entra decididamente no da DC, com o aparecimento de várias das suas mais emblemáticas personagens, despoletando um momento importante de consequências inesperadas. O escritor não só usa essas mesmas personagens como as faz interagir com indivíduos do nosso mundo muito real e importantes no panorama político internacional. Desta forma, atira a narrativa para a esfera do relevante e sério, sem perder um átomo do valor de entretenimento. 

Uma BD aqui, outra BD ali, 25 - Universo DC



Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei.  Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Doomsday Clock número 7 de Geoff Johns e Gary Frank,
Batman Damned número 1 de Brian Azzarello e Lee Bermejo e
Heroes in Crisis número 1  de Tom King e Clay Mann

(com alguns spoilers)

É-me difícil ser imparcial. Desde há mais de 30 anos que a DC Comics e as suas personagens são as minhas favoritas da BD. Nesse tempo, existiram altos e baixos. O final da década de 80, princípios da de 90 e algum do início do século XXI foram anos de muitos prazeres. Depois, estes foram diminuindo gradualmente até atingir o ponto mais baixo, sempre com excepções, por volta de 2016. Mas em meados desse ano, surge o selo DC Rebirth, onde a editora inicia um lento plano de recuperação do lustro que muito de nós sabiam existir. Os três títulos dos quais venho falar são belíssimos exemplos deste renascimento.

Uma BD aqui, outra BD ali, 25 - Liga da Justiça

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei. Só isso: gostado. Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Justice League (2018) número 7 de Scott Snyder e Jim Cheung (DC Comics)

Chega ao fim o primeiro grande arco de história do escritor Scott Snyder na Liga da Justiça. Nos desenhos teve a colaboração de Jim Cheung e Jorge Jiménez e, num interlúdio, o argumento de James Tynion IV com Doug Mahnke na arte. E como é que se safou nestes primeiros números? 

Uma BD aqui, outra BD ali, 24 - Batman

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! É um prazer que rezo para nunca acabar. De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei. Só isso: gostado. Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Batman (2016) números 51 a 53 de Tom King e Lee Weeks (DC Comics)


O Batman é das personagens da BD americana com um dos mais gloriosos historiais da 9.ª Arte e, quem sabe, de qualquer Literatura. Nela trabalharam alguns dos maiores desenhadores e escritores da Arte. Não deixa, portanto, de ser impressionante, que Tom King esteja a construir uma das melhores sequências da já longa carreira do Homem-Morcego. Começada em 2016 na alvorada do DC Rebirth (uma tentativa da editora de energizar a sua linha de publicações), King não tem parado de explorar o universo gótico da personagem, com uma aproximação que não se cola tanto aos eventos surpreendentes ou catastróficos (uma muleta tantas vezes utilizada por outros escritores), mas mais pela exploração do lado psicológico.

Uma BD aqui, outra BD ali, 23 - Homem-Aranha



Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! É um prazer que rezo para nunca acabar. De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei. Só isso: gostado. Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Amazing Spider-Man (2018) número 1 de Nick Spencer, Ryan Ottley e Humberto Ramos (Marvel)


Dez anos é muito tempo. E é um sinal da idade quando parecem ter passado apenas metade deles. O escritor Dan Slott guiou os destinos da trupe do Trepador de Paredes durante uma década, marcando a personagem e, mais importante, uma geração de leitores, que se habituou à sua versão e apenas à sua versão. Alguns de nós que andam nestas andanças das leituras de BD há mais tempo têm outras visões - não somos nem melhores nem piores, somos apenas mais velhos. 

Uma BD aqui, outra BD ali, 22 - Batman

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! É um prazer que rezo para nunca acabar. De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei. Só isso: gostado. Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Batman (2016) números 48 a 50 de Tom King, Mikel Janin e outros (DC Comics)



Uma das críticas que mais se faz à literatura de super-heróis é a permanência do status quo. Quanto mais as coisas mudam, mais permanecem iguais - sim, eu citei O Leopardo. Essa critica talvez seja verdade no longo prazo, mas no curto e médio existem várias mudanças que acontecem e que permanecem. Por exemplo, o Super-Homem casou-se há mais de duas décadas com Lois Lane e o matrimónio mantem-se. Têm um filho em comum desde há dois anos e, até agora, essa realidade permanece. Isto apenas para falar de um dos maiores ícones da BD dos EUA. O outro é aquele que vos traz este post: o Batman, que, desde há um ano, pediu em casamento uma das suas maiores adversárias/amigas, a Mulher-Gato.

Uma BD aqui, outra BD ali, 21 - Liga da Justiça

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! É um prazer que rezo para nunca acabar. De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei. Só isso: gostado. Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Justice League (2018) número 1 de Scott Snyder e Jim Cheung (DC Comics)

Os super-heróis são uma novela interminável. Uma história que nunca acaba verdadeiramente. É algo que faz parte da mitologia e que funciona a seu favor e contra. Os artistas que trabalham neles têm que lidar com esta realidade - que se tem agravado nos últimos tempos. Quer a DC, quer a Marvel, para estimular as vendas, perpetuam essa novela, aliciando a próxima história no final de outra. É um ciclo autofágico que, por vezes, tem bons resultados e, por outras, não. Tudo depende da qualidade  da história e do talento dos artistas.

Uma BD aqui, outra BD ali, 20

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! É um prazer que rezo para nunca acabar. De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei. Só isso: gostado. Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Justice League: No Justice números 1 a 4 de vários (DC Comics) e Amazing Spider-Man número 800 de vários (Marvel)


Os leitores de BD debatem-se com a questão do que é mais importante: a escrita ou o desenho. É uma variação do que é melhor para a pizza: a massa ou o que vai para cima dela. Este debate leva a situações interessantes, como o facto de na França o nome do desenhador aparecer primeiro que o do escritor e nos EUA ser o contrário.

Uma BD aqui, outra BD ali, 19

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! É um prazer que rezo para nunca acabar. De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei. Só isso: gostado. Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

The Terrifics número 4 de Jeff Lemire e Evan "Doc" Shaner (DC Comics)

O conceito por detrás deste The Terrifics é familiar para os fãs de BD. São uma muito pouco discreta homenagem (ou plágio, ou cópia) do Quarteto Fantástico da Marvel.

Uma BD aqui, outra BD ali, 18

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! É um prazer que rezo para nunca acabar. De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei. Só isso: gostado. Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Doomsday Clock número 5 de Geoff Johns e Gary Frank (DC Comics)

Doomsday Clock pretende ser a continuação dos Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons. Ainda não chegamos a metade dos 12 números planeados e qualquer tipo de julgamento é apressado.

Uma BD aqui, outra BD ali, 17

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! É um prazer que rezo para nunca acabar. De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei. Só isso: gostado. Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Avengers (2018) número 1 (ou 691) de Jason Aaron e Ed McGuiness (Marvel)

Jason Aaron tem construído a sua fama de forma calma e decidida. Deu-se a conhecer com o excelente Scalped da DC/Vertigo e foi invertendo para os super-heróis sem descurar a veia mais "independente". Na Marvel, continuou com uma inclinação que oscilava entre o humorístico soft de Wolverine & The X-Men, o másculo do Wolverine ou o divino cósmico do Thor. Este último abriu-lhe as portas do universo mais mainstream dos super-heróis da editora e, especificamente, o dos Vingadores, que estreia a escrever neste primeiro número de uma nova versão da revista da equipa.

Ed McGuiness é o desenhista que mistura influências mangá, cartoonescas e épicas e que tão bem lhe serviram no Deadpool, no Hulk ou no Super-Homem. É capaz de desenhar a "grandiloquência colossal" de forma divertida e entusiasmante, com um traço carnavalesco e hiperbólico tão bem adaptado à ópera cósmica que (também) são os super-heróis e, especificamente, os Vingadores da Marvel.

Ora, estes dois talentos começaram a trabalhar na mais famosa equipa da BD. O resultado só poderia ser o esperado: bom, muito bom. Escolhem seguir o caminho do cósmico e do divino, sendo diferente de outros autores como Bendis (que preferia os seus Vingadores mais terra-a-terra) e parecido ao de Jonathan Hickman. Por outro lado, não se esquecem que estão numa revista da Marvel, em que as personagens principais podem não dar-se particularmente  bem, como é ilustrado na conversa da trindade que são o Capitão América, o Thor e o Homem de Ferro. Estes são três amigos com marcadas diferenças de opinião (exacerbadas, é verdade, nos últimos 20 anos) e que, ainda assim, encontram suficientes pontos em comum para juntarem-se e enfrentar perigos e adversários cuja escala é impensável para a maior parte dos colegas de profissão. Sim, os Vingadores são a Liga da Justiça da Marvel.

Aaron e McGuiness conseguem, ao mesmo tempo, transmitir a enormidade da ameaça e a dinâmica entre as personalidades. O que poderia perder-se no cósmico incompreensível é antes alicerçado pela familiaridade de quem se parece connosco e com os nossos amigos. Esta capacidade é equilibrada pelos textos e diálogos do primeiro e pela destreza do desenho maior-que-a-vida-mas-cartoonesco do segundo. Nos dias de hoje, em que, infelizmente, o desenhista raramente consegue aguentar mais que seis números seguidos, há que aproveitar esta oportunidade e nos deliciarmos num espectáculo ainda maior que o que aparece nas salas de cinema. 

Uma BD aqui, outra BD ali, 16

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Amazing Spider-Man número 799 de Dan Slott e Stuart Immonen (Marvel)

O caminho inexorável para mais um histórico número do Homem-Aranha continua. Dan Slott, que escreve a personagem há 10 anos, está na recta final deste seu canto do cisne, Go Down Swinging. Neste (e a partir de aqui há spoilers), Peter Parker enfrenta o seu maior adversário, Norman Osborn, o Duende Verde. Esta é uma inimizade antiga, que já deu fruto a enormes tragédias, a maior das quais a morte de uma das namoradas do herói. O conflito tem sido explorado até às últimas consequências, ou assim o pensávamos.  Slott concebeu uma nova perspectiva ao aumentar o já significativo nível de ameaça que Osborn representa. O escritor fundiu-o a um outro vilão, o alienígena Carnage, um parasita de forma viscosa e tendências (ultra) psicopatas. Assim nasceu Red Goblin, cem vezes mais louco que o Duende Verde e 1000 vezes mais mortífero. Uma máquina de matar sem remorsos e perto do imbatível.

O nível de perigo foi apropriadamente aumentado para níveis ridículos. O vilão é invencível e maníaco, sabe a identidade secreta do nosso herói e a combinação destes dois factos só pode significar uma gigantesca dor de cabeça para o Homem-Aranha, que terá de fazer das tripas coração para salvar os seus e a própria pele. 

Como já o disse nesta rubrica, Slott está a recuperar de um certo e determinado arrufo que havia provocado com alguns fãs. O Homem-Aranha de Go Down Swinging é O Homem-Aranha. Colocado numa situação desesperada, Peter Parker evoca todas os seus recursos, não só como super-herói mas também como cientista e indivíduo. Ao mesmo tempo, o vilão, mais poderoso fisicamente, é uma espada de Damocles prestes a cair no mundo pessoal do herói, evocando tragédias passadas e preparando os leitores para uma possível nova. Sinceramente, não se deveria pedir muito mais de uma história do Aranhiço.

Action Comics número 1000 de vários (DC Comics)

Oitenta. É este o número de anos que acumularam-se desde que o Super-Homem viu, pela primeira vez, a luz do dia em 1938. É ele o arquétipo-base de todo um estilo literário. É ele o molde do qual nasceram todos os outros. Até o Batman

Ontem, a revista que o viu nascer atingiu o histórico número 1000, a primeira de toda a BD americana a chegar a esse histórico marco. Um momento tão importante teria de ser aproveitado de forma exemplar e única. Foram vários os artistas convidados para criar pequenas homenagens ao maior de todos os super-heróis. Todos trouxeram o melhor das suas habilidades para produzir pequenos elogios ao Homem de Aço. Como não poderia deixar de ser, o produto final depende da inspiração e do talento.

Tom King destaca-se. O escritor de títulos lendários como Batman, Mr. Miracle ou Vision consegue, uma vez mais, retirar da cartola um sentido e emocional elogio, desta vez ao Super-Homem. Coloca-o no futuro longínquo, nos últimos dias da Terra, para que deseje um último adeus a quem deu-lhe tudo o que ele é. King percebe, nestas simples cinco páginas tudo o que faz esta personagem: um homem, apenas um homem, com os poderes de um deus. 

Outros conseguem obras também relevantes, como a já costumeira parelha Tomasi/Gleason, que transportam o nosso herói para múltiplas evoluções de si mesmo. Ou Scott Snyder e Rafael Albuquerque, que escolhem focar-se na inimizade com Lex Luthor, o seu maior adversário. Também Paul Dini e o maravilhoso José Luis Garcia-Lopez fazem uma homenagem através de um outro dos vilões históricos do Super, ao ponto de parecer estarmos a ler uma história escrita por Alan Moore. Meltzer e Cassaday são parcimoniosos, e abordam os incríveis poderes desta personagem maior que a vida. 

Muitos outros juntaram-se à festa, mas, antes de terminar, terei de destacar a inauguração da sequência de histórias de Brian Michael Bendis, que aqui é acompanhado por Jim Lee no desenho. Bendis é quem escreverá o Homem de Aço no futuro próximo e a DC tem feito bastante questão de o publicitar aos quatro ventos. É ainda cedo para qualquer julgamento, nem que seja porque muito pouco é esclarecido. A descompressão e diálogos típicos do escritor estão lá e, claro, uma revelação bombástica (que de bombástico tem muito pouco porque já tinha sido revelada na net). Os fãs do Super-Homem querem que continue a ser o que ele foi neste últimos 80 anos. Seja bem-vindo Sr. Bendis e que nos dê o que de melhor o Homem de Aço é capaz. 

Uma BD aqui, outra BD ali, 15

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Immortal Men número 1 de James Tynion IV, Jim Lee e Ryan Benjamin (DC Comics)

Depois da mini-série Dark Nights: Metal, a DC Comics decidiu apostar num conceito inovador. As duas grandes editoras dos EUA têm sofrido, de algumas décadas a esta parte, de um grave problema: raramente apostam em novas criações. Devido à política de direitos exercidos sobre conceitos que habitam os universos partilhados de super-heróis, muitos autores não têm vantagem em fornecer boas ideias, quando não são eles a lucrar com elas. Depois de exemplos como Siegel e Shuster, os criadores do Super-Homem, ou de Jack Kirby, uma das mentes que originou a BD nos EUA, é normal que os seus herdeiros artísticos refugiem o melhor da imaginação no domínio do privado. 

Esperemos que algo se tenha modificado neste contexto para que tantas novas personagens aparecessem na DC - ainda que exista algo de estranhamente familiar nelas. Já falei aqui do The Terrifics, ou aqui de Damage. Ambos são homenagens mal disfarçadas ao Quarteto FantásticoHulk, respectivamente, e estes Immortal Men, ainda que tangencialmente, fazem lembrar os X-Men (estes também já eram inspirados na Doom Patrol da DC, portanto "ladrão que rouba a ladrão"...). Ainda assim, o conceito por detrás deste grupo aborda ideias já antigas intrínsecas à DC, como o Immortal Man, o Vandal Savage, etc., mas com uma maior abrangência tentacular na História Secreta do Universo. Tynion cria novas ideias e novas personagens e alicerça-as numa luta que dura há milénios no interstício escondido do mundo. O resultado é divertido q.b., ainda que denso, dificultando um pouco o entretenimento. Teremos de esperar pelos números que se seguem mas, do que aqui é mostrado, e tendo em consideração o trabalho do escritor na revista Detective Comics, estou disposto a dar o benefício da dúvida.

Um dos selling points desta nova leva de revistas pós-Dark Nights:Metal era a aposta nos desenhistas. Seriam o centro das atenções. A eles seria seria dada carta de alforria para descarrilar a imaginação. Neste Immortal Men a tarefa cabe ao lendário Jim Lee. Acontece que ele desenha apenas parte do título, partilhando muitas páginas com Ryan Benjamin, que não tem o mesmo talento. Depois de tanto alarido, parece que as promessas da DC caíram em saco roto, o que, infelizmente, não fornece muita confiança no produto e no seu futuro. Provavelmente, será melhor confiar no escritor, já que estes artistas não são, de todo, Jack Kirby.

Captain America número 700 de Mark Waid e Chris Samnee (Marvel)

Infelizmente, está a chegar ao fim a terceira leva de histórias do escritor Mark Waid para o Capitão As duas primeiras têm já quase 20 anos e eram, na opinião deste fã, do melhor que foi produzido para o Sentinela da Liberdade. Waid tem inclinação para escrever super-heróis à moda antiga, não só porque é um uber-geek com talento, mas também porque possui um optimismo vincado e militante (leiam o seu Kingdom Come, por exemplo). Os seus homens de collants são bastiões de bondade e de verdade, constantemente na luta pelo que é Bom e Belo - percebem porque escrevi super-heróis à antiga?

Esta terceira tentativa não é diferente. 

Waid recorre a um dos mais antigos e usados clichés da BD: o distópico futuro alternativo (inaugurado no essencial X-Men: Days of Future Past dos lendários Claremont e Byrne). Sobre este faz uma pequena modificação, usada para analisar a personalidade daquela que é repetida e injustamente considerada como a personagem mais canastrona da Marvel (muito à semelhança do que acham ser o Super-Homem). A história segue à velocidade de um Tintin de Hergé, com rapidez de acção e determinação no enredo, não desviando-se do propósito que é seu desde o início: descrever quem é o Capitão América.

Auxiliado pela linha clássica e clara de Samnee, temos em mãos uma saga que poderá vir a figurar no melhor que já foi feito sobre a personagem e que ficará bem na prateleira numa edição Deluxe. Aliás, declaro minha esta previsão e este pedido: façam um filme desta história, quem sabe até um último hino de Chris Evans, se convencido a ficar ou se sobreviver à Infinity War - que estreia nos cinemas no próximo dia 25 de Abri.

Uma BD aqui, outra BD ali, 14

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Action Comics número 999 de Dan Jurgens e Will Conrad (DC Comics)

Às portas do histórico número 1000 da mais antiga revista de super-heróis do mundo, aquela onde, em 1938, nasceu a mais importante personagem desse estilo, Dan Jurgens, também ele um histórico escritor e desenhista do Homem de Aço, oferece-nos uma coda para a sua segunda sequência de histórias com o Super-Homem. Ainda haverá um especial, mas este número tem um sabor diferente, um sabor a fim.

Jurgens é conhecido mais pelo seu trabalho que pelo nome. No número 75 da versão da revista do Super da altura (1992), foi o responsável pela mediática morte do maior de todos os super-heróis - fez capa do jornal O Público, entre outros. Bastou isso para entrar no panteão dos grandes que trabalharam no Homem de Aço. Regressou recentemente (em 2016) e parecia voltar a algumas velhas histórias e conceitos da sequência de histórias da década de 90. E se havia algumas dúvidas, este número 999 dissipou-as a todas.

O autor escreve uma carta de adeus disfarçada de enredo gordo: um vilão que ajudou a criar encontra um tipo de redenção; Lois Lane confronta-se filosoficamente com o pai; e o Super-Homem prova porque ser bondoso nunca deveria sair de moda. Não é um prodígio de escrita (Jurgens nunca almejou a essas alturas), mas funciona como uma forma elegante de despedir-se de uma personagem cuja História ajudou a escrever. Esta sequência teve muitos altos e baixos e, de uma forma geral, nunca excedeu o mediano. Contudo, o número 999 é surpreendentemente bom e um tributo elegante à verdadeira mensagem do Homem de Aço.

Amazing Spider-Man número 798 de Dan Slott e Stuart Immonen (Marvel)


A frase "just when I thought I was out... they pull me back in" é apropriada. A mais recente fase de Slott no Aranha não era do meu agrado (depois de 10 anos consecutivos a escrevê-lo). Peter era um homem de negócios de sucesso, o seu uniforme um prodígio tecnológico. Em suma, uma versão do Homem de Ferro. Não era o Trepador com que cresci, o de Lee/Ditko, de Lee/Romita, de Wein/Andru. Um Peter com problemas de dinheiro, cujo uniforme por vezes tresandava ou tinha de ser remendado. Os vilões eram mais que antagonistas, eram ameaças à sua vida pessoal, aos seus amigos, às suas namoradas (uma delas morre nas mãos do seu pior adversário, o Duende Verde). A vida de super-herói do Homem-Aranha era o oposto de glamorosa. No piadas que usava para lidar com os temíveis inimigos escondia-se um sofrimento e uma tragédia prestes a acontecer. A vida de Peter parecia estar sempre a um segundo de descambar numa irremediável hecatombe. E quando esta acontecia (e aconteceu várias vezes) a força dos seus princípios e do seu carácter impulsionavam-no a lutar mais um segundo com aquela réstia de força que afinal ainda tinha. Peter era o homem comum que sobrevive a tudo. Essa é e sempre será a verdadeira força do Homem-Aranha, provavelmente a melhor criação da Marvel.

Slott estava a guardar esta última saga para o final. É verdade que já tinha dado provas de que sabia lidar com a personagem mas, no que a mim diz respeito, parou de o fazer antes do Dr. Octopus tomar conta do corpo do Aranhiço (não que tenha sido uma fase que desgoste totalmente). O escritor escolhe focar o confronto entre Peter e o seu maior inimigo, Norman Osborn, o Duende Verde, que, nesta história, foi transformado numa ameaça ainda maior. Provavelmente a maior parte de vós já sabe do que se trata, mas não irei aqui estragar a surpresa a quem não navega sofregamente pelos sites de fãs de comics. A ideia por detrás desta ameaça é particularmente criativa e cria a expectativa de um confronto aterrador (a revelação da dita ameaça deixa o herói sem palavras, ou melhor, com umas poucas mas coloridas). Ao mesmo tempo, paira sobre a sua família e amigos um manto de tragédia. Digamos que deveremos esperar o pior do histórico número 800. Como já perceberam é assim que, para este vosso fã, se escreve uma história do Homem-Aranha.

Uma BD aqui, outra BD ali, 13


Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Dark Nights: Metal número 6 de Scott Snyder e Greg Cappullo (DC Comics)

Nos últimos tempos a DC ou ficou descarada ou desesperada. Abraçaram todas as idiossincrasias e contradições da sua linha editorial, desde o universo de super-heróis até à Vertigo (onde publicaram o Sandman), e  enveredaram pela junção de ambas num todo narrativo. Dark Nights: Metal de Snyder e Cappullo é isso, com uma carrada de divertimento metido pelo meio. É grande, é barulhento, é garrido, é, como dizem os autores, um concerto rock à antiga com o som puxado à séria para cima.

DN:M é descaradamente e sem remorsos uma história de pura pornografia super-heroística DC. A narrativa pode ser desfrutada por todos mas integralmente percebida apenas por alguns "iluminados", geeks como eu, que conhecem cada minúcia da História, histórias, cosmologia e cosmogonia da editora. É uma salada russa com multiversos, versões alternativas de super-heróis, um Mal Maior Que Qq Coisa Já Vista, heroísmo  à antiga, sem concessões ou ambivalências, em suma, uma história de super-heróis como elas merecem ser.

DN:M chegou ao final com este número seis e agora posso dizer, sem reservas, que é um daqueles raros eventos de super-heróis que merecem o hype. Prometeu ser um terramoto para o multiverso da DC e assim o foi. Saímos da última página com os olhos abertos para uma imensidão de oportunidades e terreno por desbravar. Como escreve Snyder: o actual multiverso DC é um aquário despejado num Oceano. E agora vamos explorar essa imensidão. Mas desenganem-se se pensam que DN:M é apenas um monte de enredos sem coração. Esse fica a cargo, primeiro, da minha Diana, a Mulher-Maravilha, que tem um dos grandes momentos do seu historial, e depois, claro, do Batman, o catalisador narrativo de Metal. Ambos têm momentos inesquecíveis e clássicos instantâneos. 

Nas últimas páginas somos presenteados com uma promessa e um elogio. A promessa é a do oceano à espera dos nossos heróis. O elogio é à antiga DC, aquela dos super-amigos, dos sorrisos e do companheirismo entre heróis. DN:M começou com as notas da música celestial e acaba com os acordes de uma canção clássica rock 'n' roll. Vamos ouvir e dançar todos juntos.