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Uma BD aqui, outra BD ali, 30 - Doomsday Clock

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei.  Não são nem melhor nem pior que outras coisas.


Doomsday Clock número 9 de Geoff Johns e Gary Frank (DC Comics)

A série que é a continuação dos Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons vai entrar no seu último quarto. Faltam agora três números para o final, e Geoff Johns e Gary Frank começam a resolver os mistérios que têm assolado não só esta série como também o universo de super-heróis da DC desde 2016 (ou 2011, se quisermos ser verdadeiros). É uma tarefa difícil, já que os autores construíram uma gigantesca expectativa e uma malha narrativa complexa. É uma tarefa difícil também para mim, porque fazer uma análise sem spoilers é particularmente complicado. Como não o posso assegurar, aqui fica o aviso: haverá spoilers. Eu não quero lucrar cliques no meu blog à conta do trabalho de outrem. Por isso, façam um favor a vocês mesmos e vão ler o Doomsday Clock nove. Eu espero.

Uma BD aqui, outra BD ali, 26 - Doomsday Clock 8 e Shazam 1

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei.  Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Doomsday Clock número 8 de Geoff Johns e Gary Frank (DC Comics)


Já passámos a marca do meio e Doomsday Clock continua a ser uma viagem que tem tudo para agradar a fãs - e não só. O número oito avança de forma significativa a narrativa, ao finalmente introduzir, de forma mais clara, um dos mais importantes intervenientes da mesma (não, não vos vou estragar revelando quem é). Depois do anúncio de que o dia 11 de Junho de 2019 será relevante para esta história e para o universo DC como um todo (provavelmente será publicado o número 11 de DClock), teríamos de, obrigatoriamente, ter avanços no enredo. Geoff Johns afasta-se um pouco do mundo dos Watchmen e entra decididamente no da DC, com o aparecimento de várias das suas mais emblemáticas personagens, despoletando um momento importante de consequências inesperadas. O escritor não só usa essas mesmas personagens como as faz interagir com indivíduos do nosso mundo muito real e importantes no panorama político internacional. Desta forma, atira a narrativa para a esfera do relevante e sério, sem perder um átomo do valor de entretenimento. 

Uma BD aqui, outra BD ali, 25 - Universo DC



Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei.  Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Doomsday Clock número 7 de Geoff Johns e Gary Frank,
Batman Damned número 1 de Brian Azzarello e Lee Bermejo e
Heroes in Crisis número 1  de Tom King e Clay Mann

(com alguns spoilers)

É-me difícil ser imparcial. Desde há mais de 30 anos que a DC Comics e as suas personagens são as minhas favoritas da BD. Nesse tempo, existiram altos e baixos. O final da década de 80, princípios da de 90 e algum do início do século XXI foram anos de muitos prazeres. Depois, estes foram diminuindo gradualmente até atingir o ponto mais baixo, sempre com excepções, por volta de 2016. Mas em meados desse ano, surge o selo DC Rebirth, onde a editora inicia um lento plano de recuperação do lustro que muito de nós sabiam existir. Os três títulos dos quais venho falar são belíssimos exemplos deste renascimento.

Uma BD aqui, outra BD ali, 18

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! É um prazer que rezo para nunca acabar. De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei. Só isso: gostado. Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Doomsday Clock número 5 de Geoff Johns e Gary Frank (DC Comics)

Doomsday Clock pretende ser a continuação dos Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons. Ainda não chegamos a metade dos 12 números planeados e qualquer tipo de julgamento é apressado.

Uma BD aqui, outra BD ali, 8

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Doomsday Clock número 3 de Geoff Johns e Gary Frank (DC Comics)

A BD que todos esperam, quer sejam dos que a odeiam ou a adoram, tem um terceiro capítulo. Geoff Johns e Gary Frank continuam a explorar a incursão do mundo dos Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons no universo de super-heróis da DC Comics. Esta história é, ao mesmo tempo, a continuação oficial desta lendária BD da década de 80 e um comentário à sua influência nos trinta anos que se lhe seguiram na 9.ª Arte dos EUA. Os escritores e editores absorveram a mensagem de desespero e pessimismo dos Watchmen e verteram-na de forma sôfrega nas histórias de super-heróis, sem perceber que este livro era um produto da época e, acima de tudo, da personalidade dos autores. Geoff Johns quer comentar esta influência mas também o actual zeitgeist nos EUA, com a eleição de Trump e a confluência de factores que o levaram à presidência. Paralelamente, não deixa de estar profundamente imerso no universo dos homens de collants da DC, procura avançar esta mitologia e corrigir erros de percurso. É uma tarefa difícil que, até este terceiro capítulo, está a conseguir suplantar. 

Desenganem-se se acham que acho que DClock está ao mesmo nível de Watchmen. Apesar de ser a sua continuação, o propósito e autores são outros. As comparações são completamente inevitáveis e não totalmente injustas. Mas, ao mesmo tempo, é contraproducente fazerem-nas. Neste novo capítulo, o enredo avança e, acima de tudo, as personagens são analisadas à lupa, quer na interacção com o enredo, quer umas com as outras. É possível ter a sensação que estamos a ler uma obra com intenções de entretenimento mas também de comentário sério ao mundo. Johns e Frank decidiram adoptar um calendário bimensal a partir do número quatro e não parece mal. Eles estão a jogar num outro campeonato e é na leitura de todas as páginas da obra que a sua prestação será julgada.


Amazing Spider-Man número 794 de Dan Slott e Stuart Immonen (Marvel)

Dan Slott escreve o Homem-Aranha há 10 anos e está, finalmente, a chegar ao fim. Começa aqui a próxima saga catastrófica na vida do trepador de paredes. As consequências serão sentidas nos próximos meses e nos anos que se seguirão - ou então o próximo escritor irá esquecê-las mal pegue nas rédeas. Quer se goste ou não trabalho de Slott a sua influência no passado e futuro da personagem é relevante. Faço parte da equipa que gostou do seu trabalho até determinado ponto e abandonou-o quando achava que tinha excedido as boas-vindas. A mais recente fase do Peter Parker dono de uma multinacional tecnológica desmotivou-me - para mim ele tem que ter sempre problemas de dinheiro. Não o lia há algum tempo e fiquei surpreendido que, entretanto, Peter perdeu a fortuna e voltou aos dias de mendicidade. Acabou-se o uniforme versão Homem-de-Ferro e irá agora ser envolvido num enredo que trará de volta inimigos de longa data. 

A ideia-twist da última página parece interessante e apenas os próximos meses dirão se será muito mais que isso. Por enquanto, estou agarrado para ler os próximos capítulos. O Homem-Aranha foi a personagem que introduziu-me à BD. O apego emocional ao passado da personagem é muito grande - o trabalho de Lee/Ditko, Lee/Romita, Kane, Andru, Conway, Wein, etc, são referências da 9.ª Arte. Apesar de saber que é impossível regressar a esses primeiros tempos, em cada nova saga da vida de Peter Parker, espero sempre, estupidamente, por momentos nostálgicos. Vamos ver se Slott consegue acabar em alta uma sequência de histórias que já ia longa de mais. 

Uma BD aqui, outra BD ali, 2

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Doomsday Clock número 2 de Geoff Johns e Gary Frank (DC Comics)

Esta é daquelas BDs onde os apreciadores dividem-se. Escrita por Geoff Johns e desenhada por Gary Frank, é uma assumida sequela da "maior BD de sempre", os Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons. Este tipo de genealogia leva a que seja necessária uma enorme coragem - ou um gigantesco ego -  para prosseguir com a intenção. DClock vem também na senda do conceito-chapéu do universo de super-heróis da DC, DC Rebirth, iniciado em 2016 pelo próprio Johns e que tem como intenção reabilitar a esperança e a luminosidade dos homens de collants da editora. Assim sendo, esta mini-série de 12 números junta o universo distópico e realista dos Watchmen com a fantasia dos super-heróis DC, procurando uma análise de ambos à luz de cada um deles. Se os Watchmen eram uma reflexão, entre outras, sobre o que significa o conceito de super-herói, usando, para isso, arquétipos baseados no Super-Homem, no Batman, na Mulher-Maravilha, este DClock junta a matéria prima original com os análogos para uma análise meta-textual de ambos. Vou ser claro, Geoff Johns e Gary Frank não são Moore e Gibbons e esta mini-série não parece querer trilhar a mesma complexidade temática. Não é também - e de todo - só entretenimento, seguindo uma via mais reflectida e filosófica que espelha as preocupações dos autores. Por outro lado, Johns parece querer tecer uma complexa tapeçaria para o Universo DC, o que se pode depreender pelas quatro páginas de texto de noticias que fecham este segundo capítulo. É uma ambição interessante e cativante que, se der os frutos certos, poderá transformar este DClock numa obra seminal. A qualidade global desta história será difícil de avaliar antes da última página, o que acontecerá apenas daqui a dez meses, mas estamos num excelente começo. Até lá, mal posso esperar por cada novo número do que espero ser uma obra que, não sendo os Watchmen, fique, pelo menos, na sua sombra - o que não é um mau lugar onde se estar.

Hawkman Found número 1 de Jeff Lemire e Brian Hitch (DC Comics)

Não sei qual a razão porque gosto tanto do Hawkman. Será por causa de uma BD que li há muitos anos, The Shadow War of Hawkman, ou da sequência de histórias de Geoff Johns? Exista algo na mitologia da personagem que me atrai. O arqueólogo-guerreiro, o super-herói com asas ao estilo Conan, a história de dois amantes destinados a morrerem e ressuscitarem eternamente. Eu acho que acho que isto é material de primeira para um grande filme. E para uma fabulosa BD. Fiquei com pena que Johns tivesse abandonado a sua história a meio e adorava que James Robinson (do maravilhoso Starman) o escreve-se (com Rags Morales a regressar ao desenho do herói). É daquelas personagens que a DC possui no seu catálogo e que é repetidamente mal aproveitada - leia-se, mal escrita. Pode ser que seja desta. Hawkman é peça central da saga Dark Nights - Metal, de Scott Snyder e Greg Cappulo, e este especial procura dar algumas respostas (spoiler) à última página do número quatro dessa série. Infelizmente, apesar de bem executado pelos autores, respostas não são muitas. Não é de estranhar. Snyder já repetiu que toda a história está contida nas páginas da sua série (o que me parece muito bem). Apesar de ser um número apenas razoável mas bem feito, fica a esperança de que Hawkman venha a ver melhores dias, nas mãos de autores capazes de o levar às alturas (pois, estava mesmo a pedi-las) que ele merece.

Spider-Men II números 1 a 5 de Brian Michael Bendis e Sara Pichelli (Marvel)


Esperei que tivessem saído os cinco números desta mini-série para a ler de uma assentada, o que fiz em menos de trinta minutos - acho que alguns autores e editoras exageram na síntese (não que a qualidade se meça ao metro de palavras). É a sequela de uma primeira que une as duas personagens que actualmente usam o nome de Homem-Aranha no universo da Marvel: a versão que todos conhecemos e amamos, Peter Parker; e a criada  por Bendis, Miles Morales. Miles vem de uma terra paralela que, entretanto, fundiu-se com a "nossa" (sim, super-heróis é isto). Essa outra Terra fazia parte de uma linha editorial da Marvel que começou no início do século XXI chamada Ultimate e que procurava cativar novos leitores ao reiniciar a história do Homem-Aranha, dos Vingadores, dos X-Men, do zero, com novas versões e novas histórias. O trepa-paredes foi exclusivamente escrito por Bendis (sim, desde há 17 anos). A início era uma versão de Peter Parker mas, entretanto, morreu e foi substituído por Morales. As duas terras fundiram-se no evento Secret Wars e agora coexistem no mesmo universo (agora voltem a ler isto sem se rirem). Esta mini-série parece servir vários propósitos e todos ligados ao legado de Bendis na Marvel. Independentemente de se gostar ou não, este autor marcou o século XXI da editora, com histórias, conceitos e personagens que oscilaram entre o entusiasmante e o sofrível. Dois deles foram, sem dúvida, o Homem-Aranha Ultimate e o universo onde estava inserido. Antes de sair para a DC, o escritor parece querer deixar alguma arrumação na casa e uns presentes-surpresa aqui e acolá. As últimas páginas de Spider-Men II são exactamente isso. Abre portas que se julgavam fechadas e deixa o trabalho para os que quiserem aproveitar. 

De resto, é uma união de dois personagens ímpar, num confronto pessoal mas, em última análise, redundante. Muito mais interessante é o tratamento que Bendis faz aos antagonistas, dedicando-lhes um capítulo inteiro para explicar motivações, personalidades, etc. Esses, sim, são os verdadeiros heróis desta mini-série. Quem lê e gosta da mitologia da Marvel é obrigado a ler esta história. Os outros poderão encontrar interesse nos vilões mas pouco mais.

Momentos FO**-SE! Justice League 50 e DC Universe Rebirth de Geoff Johns e vários



(este post contém fortes spoilers)

Já tiveram momentos foda-se nas vossas vidas? Sabem perfeitamente do que vos falo. Daqueles momentos onde são apanhados de tal forma desprevenidos que, a despeito do controlo e pudor imposto pelo vosso cérebro, é desenhada pelos músculos do vosso rosto a palavra "foda-se". Pode acontecer com qualquer momento, como é óbvio, mas, no que aqui quero falar-vos, refiro-me a arte que sublima, que entretém, que eleva. Arte que adoramos mais do que podemos admitir àquela mulher gira e interessante. E, ainda mais especificamente, falo de histórias. Das que são contadas em livros, em película, em notas de música. Falo de Banda Desenhada, falo de super-heróis, falo da Mulher-Maravilha, do Super-Homem, do Batman, de todos os personagens da DC Comics (que quem me lê sabe perfeitamente que amo).

Já há muitos meses (dez!) que esperava pelo fim da saga Darkseid War, que correu nas páginas da revista Justice League, escrita por Geoff Johns e desenhada por Jason Fabok (com uma pequena ajuda de Francis Manapul). Nela, a maior equipa de super-heróis de qualquer universo enfrentava dois dos maiores adversários da extravagante mitologia dos super-heróis: Darkseid e o Anti-Monitor (os menos familiares com estes nomes que me perdoem, mas acho que esqueci-me de avisar que este post não é para todos. Ou melhor, é para todos os que gostam de ver prazer na face dos outros). Como cereja no topo do bolo, a saga foi deliciosamente narrada pela minha personagem favorita de todas as personagens dos super-heróis: Diana de Themyscira, a Mulher-Maravilha. Face a este cenário, o entusiasmo era muito e a expectativa impossível de domar, o que dificulta sempre a vida a qualquer artista, porque superar a imaginação de um leitor é uma tarefa vã. Neste momento em que vos escrevo, em que a leitura está ainda quente na memória, falo-vos só em como me diverti. Falo-vos da voracidade com que as páginas eram folheadas e em como o fim não chegava suficientemente depressa e ao mesmo tempo receava que chegasse. Até que aconteceu e um "foda-se!" desenhou-se nos lábios, os olhos arregalaram-se e escapou-se-me "a Mulher-Maravilha tem um irmão gémeo?". Não, não tem importância nenhuma, é ridículo mesmo que um homem adulto possa dar importância a isto, mas quando leio aquelas palavras e vejo aqueles desenhos o mundo apaga-se à minha volta e desapareço na infância. É verdadeiramente fabuloso!

As últimas páginas de Justice League não servem para descansar (quê? Metron e Owlman morrem e deixam para trás uma Cadeira Mobius ensanguentada?). No rodapé do último quadradinho lê-se "continua em DC Universe Rebirth" e eis que sigo, acto contínuo, para essas outras páginas, também escritas por Geoff Johns e desenhadas por vários artistas. Este era O evento que os fãs da DC Comics tanto esperavam, onde era anunciado o regresso do optimismo, da luminosidade, do sentido de legado ao universo de super-heróis desta editora. A DC tem sido alvo de criticas pelo excesso de negritude, de soturnidade, como se a herança (involuntária) do seminal Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons ainda perdurasse. Essa obra incontornável, junto com The Dark Knight Returns, marcou uma viragem na BD dos EUA, originando cópias que confundiram a forma com o conteúdo e consolidaram a imagem do anti-herói. Esse tipo de narrativa foi, inclusive, a inspiração de Zach Snyder para a sua interpretação dos filmes Man of Steel  e Batman v Superman. Geoff Johns achou ser uma boa altura para inverter a tendência (as vendas não ajudavam a nada, para ser totalmente sincero). Assim surge DC Universe Rebirth, uma BD que não é só uma revista mas também uma declaração de intenções e uma montra para futuros enredos em outras (aliás, o facto de nenhuma linha de história ter resolução neste número é a maior fraqueza deste DC Rebirth).

O escritor consegue, uma vez mais, a proeza de contar uma história pop, sim, mas tocante, emocional, entusiasmante, cheia de momentos deliciosos, capazes de partir o coração empedernido dos fãs da DC. Wally West volta e é o móbil da acção? A Sociedade da Justiça e a Legião dos Super-Heróis afinal ainda existem? Foram roubados dez anos à história do universo DC? Por quem? A revelação do inimigo originou um segundo movimento incontrolável dos lábios ao som da palavra "foda-se!". O Dr. Manhattan dos Watchmen de Moore é o adversário? O vilão?

É neste momento que o trabalho de Johns eleva-se ao meta-textual. DC Universe Rebirth não é apenas uma tentativa mercantilista de inverter a decaída das vendas da editora mas também um comentário do escritor à influência (negativa) que Watchmen teve nos super-heróis. Não por culpa da obra ou dos artistas mas de quem a interpretou (mal!). Geoff Johns consegue uma proeza e deve ser louvado por isso. Não criou aqui uma obra a figurar nos anais da BD, claro, mas sim um belíssimo pedaço de entretenimento feito amor e carinho por mitologias e histórias que agarram alguns milhares de fãs (eu, inclusive). 

Mesmo com todo este entusiasmo, os anos que passei a virar frangos não deixam-me ainda descansar. Por mais interessantes que tenham sido estas duas revistas elas sofrem do maior problema das actuais histórias de super-heróis, quer falemos da Marvel, quer da DC: um evento é apenas o prelúdio de outro evento, uma infinita telenovela da qual não vislumbra-se qualquer final. Neste aspecto, este DC Universe Rebirth é pior porque, no meio do coração que foi a história de Wally West e a revelação do vilão, existe um sem número de teasers para outras histórias, muitas delas das quais desconhecemos onde acontecerá a continuação. Name of the game? Não necessariamente, porque se depois o que vem a seguir não satisfaz então nada valeu a pena. Por enquanto, têm a minha atenção. Venha de lá esse renascimento.

O que vou lendo! - Colecção DC Levoir/Público – 19.º Volume: Super-Homem e a Legião dos Super-heróis e Legion of 3 Worlds

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Isto não é uma deambulação pela qualidade desta coleção da Levoir, que aqui e em outros lugares já defendi com veemência militante, mas antes uma declaração da surpresa (boa) que foi reler esta maravilhosa aventura escrita por Geoff Johns e desenhada por Gary Frank. Mesmo! Que delícia!
Tenho os livros originais que adquiri à altura, os chamados floppies mensais, mas porque tenho menos tempo para dedicar ao vício da BD do que desejaria, nunca os reli. Fi-lo agora com a coleção lançada pela Levoir neste seu 19.º volume dedicada à DC Comics e o conto de Johns e Frank só ganhou com isso.
A narrativa encontra-se estruturada de forma moderna, inspirando-se menos na serialização que tem pautado os comics quase desde sempre, mas antes no principio de finitude, ou seja, mesmo para os menos entendidos na convoluta história do Super-Homem e da Legião dos Super-Heróis, será relativamente (sublinhado) fácil entender o que se está a passar. Para isso Johns, inteligentemente, escolhe alguns temáticas sub-textuais que são facilmente apreendidas. Um dos mais interessantes aspectos disto que acabo de referir é a alusão ao significado que o figura histórica que é o Super-Homem assumiu na sociedade do século XXXI, estando associado a aspectos quase messiânicos. Por sua vez, este lado divino do mais antigo dos super-heróis é lido, na narrativa de Johns, de duas formas: por um lado, o facto de ter estado na origem de uma filosofia, propagada pela História, de fraternidade e respeito pela diferença, que não é diferente da mensagem de um MLK ou Gandhi; por outro lado, o facto de terem se passado 1000 anos e de a sua mensagem original poder ser deturpada ou mesmo subvertida. Este último aspecto é, aliás, um dos motores da narrativa.
Mas Johns não se fica por aqui. Para quem está atento aos desenvolvimentos recentes da sociedade norte-americana, encontrará ecos na história deste volume. Falo da forte polarização de uma nova/velha forma de ver a religião, a interpretação fanática (no caso da história desta BD, assumidamente deturpada) da filosofia, ou melhor, da liturgia – isto para usar termos religiosos – que terá sido passada pela figura messiânica em causa, o Super-Homem. Escolhe-se ver aquilo que se escolhe ver, usando termos mais coloquiais. Esta situação torna-se ainda mais “caricata” quando a própria figura messiânica em causa viaja 1000 anos para o futuro, e é desacreditada como charlatã e como desavisada dos preceitos que, pelos vistos, ele próprio teria criado.
Obviamente que tratando-se isto de uma aventura de super-heróis mais mainstream, muitas destas mensagens são abordadas de forma mais leve, mas Johns tem o condão de, sub-repticiamente, tornar relevantes aspectos que, à partida, seriam apenas adjacentes. Sim, porque este escritor excede-se no aspecto mais puro da BD de super-heróis, aludindo à continuidade de 50 anos da Legião, fazendo regressar velhos personagens que os fãs ansiavam ver regressar, tudo misturado com uma abordagem e prismas relevantes. Sem duvida umas das melhores escolhas que a Levoir poderia ter feito.
Inspirado por esta releitura decidi voltar a ler a história que vinha de seguida: Legion of 3 Worlds de Geoff Johns e George Pérez. Aqui a coisa já pia de forma diferente! Estamos perante aquilo que, coloquialmente e desculpem os mais sensíveis, apenas posso apelidar de puro “geekasm”. Não só é desenhado pelo ENORME George Pérez, que nesta história faz bom uso dos seus incríveis dotes de narrador e de deslumbrador, como é orgulhosamente imerso na (aqui sim, posso dizer sem pruridos) convolutíssima continuidade da Legião dos Super-Heróis e mesmo do Universo da DC Comics. Aparecem três, leram bem, três versões da Legião, aquelas que foram publicadas ao longo destes 50 anos, são referenciadas as duas grandes crises que abalaram o espaço-tempo deste universo, a Crise nas Terras Infinitas e Crise Infinita, aparecem diferentes versões do Super-Homem e a da sua versão mais nova, o Superboy, entre tantas outras maravilhosas delícias para os “verdadeiros” fãs, ou melhor, os únicos que poderão apreciar tudo isto de forma plena (infelizmente, digo eu). Não sei se poderei ir tão longe e ter esperança que esta história será publicada pela Levoir, por todas estas razões, mas posso pensar que haverão aqueles, mais fãs ou menos fãs, que não conheciam e agora fiquem curiosos de a ler. Nem que seja pelo puro sentido de entretenimento. 







Colecção DC Levoir/Público – 19.º Volume: Super-Homem e Legião de Super-Heróis

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(Prometo tentar informar aos menos conhecedores de BD acerca da acessibilidade desta coleção, ou seja se é fácil ou não ler sem saber muito mais coisas)
Grau de acessibilidade: Difícil mas...

Sai amanhã, Quinta-feira, dia 14 de Novembro, junto com Público e custa 8,9€

Quando a família do Super-Homem começou a crescer no final da década de 50, foi adicionado à mitologia do personagem um grupo de adolescentes vindos do futuro, que serviriam não só como testemunhas do legado do Homem de Aço, mas também como seus companheiros: A Legião de Super-Heróis.
Este grupo visitaria Clark Kent quando ainda era conhecido como Superboy e convidá-lo-ia para visitar o século XXX, onde era visto como uma imagem de tal forma inspiradora que havia servido de base à criação deste grupo de super-heróis, que reunia diferentes e múltiplas raças e seres de todos os cantos do universo. O Super-Homem ou Superboy, o derradeiro emigrante, aquele que havia permitido que alienígenas fossem bem vindos não só na Terra como também em todo o restante cosmos, tinha servido de inspiração para a criação da maior e mais relevante coleção de super-seres do século XXX. E eles convidaram-no para dela fazer parte.
A Legião cresceria ao longo das suas 5 décadas de vida para números que justificariam o nome, agregando inúmeras raças nas suas fileiras, destilando algumas das mais importantes mensagens da década de 60: confraternização e igualdade. Este grupo de jovens adolescentes cresceria ao longo dos anos (muito em contravapor à perenidade de alguns arquétipos como o Super-Homem, que parecem nunca envelhecer), e seriam também alvos de inúmeras iterações e interpretações, ao ponto de se tornarem relativamente ininteligíveis, mesmo quando um novo escritor ou editor da DC Comics decidia que era boa altura recomeçar tudo do 0. 
Geoff Johns, escritor conhecido por atualizar personagens através do historial dos mesmos, foi quem decidiu fazer algo quanto a isto. Agarrou na mais conhecida e amada das versões da Legião, a primeira, e reintroduziu-a à mitologia do Super-Homem com a história que é publicada neste volume da coleção da Levoir. Ajudado pelo fabuloso desenho de Gary Frank (que utiliza a semelhança de Christopher Reeve para o rosto do seu Super-Homem), conseguiu aquilo que muitos dos fãs da Legião almejavam (e tal como o grupo de super-heróis eles são imensos e muito ferranhos): o regresso da verdadeira Legião de Super-Heróis.
Nota – Não partilho da opinião que tem de se saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.