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Os gostos têm tendência em unir pessoas na amizade. Eu e o Filipe Faria - escritor extraordinaire da saga Crónicas de Allaryia e tradutor incansável - temos uma devoção imortal pelos mundos da DC Comics. Ele é fã incontestável do Super-Homem e eu devoto da igreja da Diana de Themyscira. O Filipe tem uma colecção de momentos curiosos dos 80 anos de publicações desta editora. Todas as Sextas ele vai tentar colocar aqui um. Eu apenas publico e nada mais. 

Hoje temos um inDCência à séria, não as fofinhas das páginas das BDs. Para os que não conhecem a história, envolve o Capitão Marvel original (que hoje é conhecido por Shazam!), o facto de a revista deste vender mais, na década de 40, que a do querido Super-Homem, e de a DC, à altura, ter cilindrado judicialmente a editora Fawcett ao ponto do cancelamento e posterior compra dos direitos de publicação.

Shazam! de David F. Sandberg

Os filmes da DC atravessaram um período conturbado. A interpretação de Zack Snyder do Super-Homem e do confronto entre este e o Batman, seguido da mescla de visões deste mesmo realizador e da de Joss Whedon na Liga da Justiça, trouxeram dissabores devido a uma recepção pouco consensual por parte do público e da crítica. Este que vos escreve gosta do Man of Steel e do Batman v Superman, e tem sentimentos mistos em relação à Liga, similares às visões divergentes que regeram o filme. Antes da Liga ainda houve a Mulher-Maravilha de Patty Jenkins e depois tivemos o Aquaman de James Wan. Estes dois tiveram recepções calorosas, que se reflectiram em sucessos de bilheteira. O último, principalmente, significava uma aproximação completamente diferente ao universo dos supers deste editora, mais solarengo e sem vergonha de assumir-se como entretenimento puro. Em suma, descartava a visão mais negra e discutivelmente madura de Snyder, e apostava na luz e no humor mais aproximados à concorrente, a Marvel

E Shazam!? O que é?

Uma BD aqui, outra BD ali, 26 - Doomsday Clock 8 e Shazam 1

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei.  Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Doomsday Clock número 8 de Geoff Johns e Gary Frank (DC Comics)


Já passámos a marca do meio e Doomsday Clock continua a ser uma viagem que tem tudo para agradar a fãs - e não só. O número oito avança de forma significativa a narrativa, ao finalmente introduzir, de forma mais clara, um dos mais importantes intervenientes da mesma (não, não vos vou estragar revelando quem é). Depois do anúncio de que o dia 11 de Junho de 2019 será relevante para esta história e para o universo DC como um todo (provavelmente será publicado o número 11 de DClock), teríamos de, obrigatoriamente, ter avanços no enredo. Geoff Johns afasta-se um pouco do mundo dos Watchmen e entra decididamente no da DC, com o aparecimento de várias das suas mais emblemáticas personagens, despoletando um momento importante de consequências inesperadas. O escritor não só usa essas mesmas personagens como as faz interagir com indivíduos do nosso mundo muito real e importantes no panorama político internacional. Desta forma, atira a narrativa para a esfera do relevante e sério, sem perder um átomo do valor de entretenimento. 

Multiversity # 5 - Thunderworld por Grant Morrison e Cameron Stewart

Leiam sobre os números anteriores aqui.

O Capitão Marvel - também conhecido por Shazam - foi criado na década de 40 e depressa tornou-se no mais popular super-herói dessa época, eclipsando mesmo o Super-Homem. Muito desse sucesso dever-se-á à essência do personagem, que representava uma fantasia infanto-juvenil ainda mais conseguida que a do primeiro dos super-heróis. Billy Batson, um miúdo órfão de tenra idade, ao proferir o nome do mítico feiticeiro Shazam, transformava-se no apolónico e adulto Capitão Marvel, capaz de voar, munido de invulnerabilidade e força extraordinária. Em suma, um rapaz podia transformar-se no Super-Homem. Além disso, as aventuras deste herói eram imaginativas e munidas de candura e inocência nostálgicas que apelavam aos leitores para lá da simples fantasia de poder. 

A DC Comics, dona do Super-Homem, já na década de 40, vê-se "obrigada" a colocar um processo em tribunal contra o Capitão Marvel e a sua editora, alegando que este personagem era bastante similar ao seu Homem de Aço. Após alguns anos de contenda judicial, a DC acaba por vencer a Fawcett e os personagens do universo de Shazam são integrados no cada vez maior multiverso de super-heróis da gigante de BD estadu-unidense. As aventuras do alter-ego de Billy Batson irão continuar de uma forma ou de outra, quer em revistas próprias, quer como membro de equipas como a Liga da Justiça, quer ainda como convidado de outros personagens. 

Quando Grant Morrison é incumbido de reavivar o multiverso da DC para este nosso século XXI, não poderia deixar escapar à sua atenção o universo da editora Fawcett, que havia desaparecido junto com tantos outros na famosa Crise nas Terras Infinitas e se fundido ao mundo ficcional regular da editora. Este Thunderworld é um seguimento apropriado ao anterior número desta série Multiversity. Enquanto Pax Americana era um homenagem e uma reflexão acerca da BD Watchmen, que tanto alterou e amadureceu a 9.ª Arte nos EUA, esta é uma viagem nostálgica a uma época e universos mais inocentes. O Capitão Marvel e a sua equipe vivem num mundo onde não acontecem mortes violentas, onde os vilões são terrivelmente perigosos mas, no final da história, inconsequentes. É um mundo onde os super-heróis não são poços de problemas existenciais e sorumbáticos, mas têm antes a certeza que o Bem vencerá sempre . Será por isso que neste Thunderworld os heróis tem sempre um sorriso na cara quando avançam para a acção?  E é exactamente neste sorriso que reside a essência do que Morrison capta neste mais recente numero de Multiversity.  Esta é uma história de bravura, onde o Bem vence sempre o Mal de forma simples e sem consequências, onde, apesar de todos os esforços do herói, a namorada não morre de forma trágica às mãos do vilão. O mundo de Thunderworld é uma aventura de super-heróis para todas as crianças, dos 8 aos 80. 

Como já tem sido hábito em Multiversity, o desenhista é escolhido a dedo. Cameron Stewart, com um estilo cartoonesco e de linha clara, adapta-se perfeitamente ao universo de desenho animado de Thunderworld, acompanhado a narrativa (desta vez) linear de Morrison. 

Volto a dizê-lo, esta série vai se transformar, com o passar dos anos, num dos grande clássicos da Arte.