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Tenho participado de uma brincadeira no Facebook: enumerar uma BD por dia até 2020. Começou há alguns meses, e agora dou-me ao trabalho de aqui a reproduzir. Mostro, hoje, as escolhas desta semana, com link na imagem para o texto que escrevi sobre o livro, ou um nhónhózinho, caso ainda não tenha falado dele.

Esta semana optamos pela miscelânea. Um pouco daqui, um pouco dali, e prova-se do que a BD é capaz.

Uma BD aqui, outra BD ali, 13


Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Dark Nights: Metal número 6 de Scott Snyder e Greg Cappullo (DC Comics)

Nos últimos tempos a DC ou ficou descarada ou desesperada. Abraçaram todas as idiossincrasias e contradições da sua linha editorial, desde o universo de super-heróis até à Vertigo (onde publicaram o Sandman), e  enveredaram pela junção de ambas num todo narrativo. Dark Nights: Metal de Snyder e Cappullo é isso, com uma carrada de divertimento metido pelo meio. É grande, é barulhento, é garrido, é, como dizem os autores, um concerto rock à antiga com o som puxado à séria para cima.

DN:M é descaradamente e sem remorsos uma história de pura pornografia super-heroística DC. A narrativa pode ser desfrutada por todos mas integralmente percebida apenas por alguns "iluminados", geeks como eu, que conhecem cada minúcia da História, histórias, cosmologia e cosmogonia da editora. É uma salada russa com multiversos, versões alternativas de super-heróis, um Mal Maior Que Qq Coisa Já Vista, heroísmo  à antiga, sem concessões ou ambivalências, em suma, uma história de super-heróis como elas merecem ser.

DN:M chegou ao final com este número seis e agora posso dizer, sem reservas, que é um daqueles raros eventos de super-heróis que merecem o hype. Prometeu ser um terramoto para o multiverso da DC e assim o foi. Saímos da última página com os olhos abertos para uma imensidão de oportunidades e terreno por desbravar. Como escreve Snyder: o actual multiverso DC é um aquário despejado num Oceano. E agora vamos explorar essa imensidão. Mas desenganem-se se pensam que DN:M é apenas um monte de enredos sem coração. Esse fica a cargo, primeiro, da minha Diana, a Mulher-Maravilha, que tem um dos grandes momentos do seu historial, e depois, claro, do Batman, o catalisador narrativo de Metal. Ambos têm momentos inesquecíveis e clássicos instantâneos. 

Nas últimas páginas somos presenteados com uma promessa e um elogio. A promessa é a do oceano à espera dos nossos heróis. O elogio é à antiga DC, aquela dos super-amigos, dos sorrisos e do companheirismo entre heróis. DN:M começou com as notas da música celestial e acaba com os acordes de uma canção clássica rock 'n' roll. Vamos ouvir e dançar todos juntos.

Colecção Liga da Justiça da Levoir, vol. 5: A Guerra de Darkseid II de Geoff Johns e Jason Fabok


Aproveitando o lançamento do filme homónimo, a editora Levoir está a publicar uma colecção de cinco volumes deste grupo de super-heróis entre o dia 9 de Novembro e 7 de Dezembro. Aqui no Acho que Acho, porque adoramos a DC e a Liga, queremos que vocês não se sintam perdidos na História, Cosmologia e Cosmogonia da editora. Por isso, vamos tentar dar-vos um pequeno Travel Guide. A Lonely Planet que se roa.

Para este volume e para o próximo vão precisar de paciência. Muita... mas da boa. Geoff Johns decidiu acabar a sua sequência de histórias na Liga da Justiça, versão Novos 52, com uma saga que deveria definir a própria palavra "épico" e que está completamente imersa na mitologiacosmologia cosmogonia da DC Comics. É possível apreciar este conto sem os olhos treinados de um leitor de décadas mas tê-los ajuda - e muito. Por outras palavras, este livro e o próximo são pura pornografia DC.

Ora bem... é impossível escapar a alguma(s) explicação(-ções). Podem partir para a ignorância e ler à bruta mas arriscam-se a andar a nadar na maionese. É só o que vos tenho a dizer. Ou então são como eu e, paradoxalmente, gostam de mistérios e de descortinar "O que raio foi isto que aconteceu? Pareço estar num sonho pop do Lynch. Não entendo mas sei que gosto." Se são destes, força, partam para ignorância e leiam à bruta. Se são dos outros, pode ser que o que escrevo em baixo vos ajude.

Multiverso DC: Tudo começou quando os fãs da década de 60 do Flash conheceram o Flash da década de 40 (Flash é aquele herói da DC que corre à velocidade da luz e, graças a isso, pode viajar no tempo e atravessar barreiras dimensionais). Nesse encontro de gerações, os fãs da editora souberam existirem várias Terras, a ocupar o seu lugar em universos paralelos e diferentes. Num universo os heróis tinham iniciado a sua carreira na 2.ª Guerra e noutro apenas na década de 60. O sucesso levou a que a DC se multiplicasse em universos paralelos e Terras Infinitas, o Multiverso. Até que em meados da década de 80 a confusão era muita;

As Crises: Para corrigir o rumo, a DC decide simplificar o seu multiverso e fundi-lo num só universo. Cria o evento Crise nas Terras Infinitas (publicado pela Levoir) que marca uma viragem na editora, conceptual e criativa. Seguir-se-iam outras Crises que corrigiriam alguns erros da primeira e que procuraram repetir o sucesso. Essas crises aparecem nos primeiros capítulos da Guerra de Darkseid relatadas por Metron (já explico quem é): a Hora Zero; a Crise Infinita; a Crise Final; o Flashpoint. O que importa reter é que foi recentemente estabelecido que, apesar das sucessivas Crises reinventarem o multiverso DC e aparentarem recomeçá-lo do zero, elas aconteceram de facto e contam;

O Anti-Monitor: o vilão que causa a Crise nas Terras Infinitas. Nessa história o seu intuito era destruir todos os universos "positivos" para que o seu, "negativo", fosse o único e ele o seu Deus. Terá ainda a mesma motivação na Guerra de Darkseid?

Novos 52: Em 2011, depois de Flashpoint, a DC voltou a reiniciar o seu multiverso do zero e chamou a esse evento Novos 52. A história de todas as suas personagens foi, uma vez mais, reinventada. A Guerra de Darkseid passa-se nesta realidade;

As Amazonas: lendárias guerreiras da Antiguidade Grega, exiladas pelos Deuses do Olimpo na ilha paradisíaca de ThemysciraHipólita, a rainha, é mãe da maior heroína do Universo DC, Diana, a Mulher-Maravilha, membro fundador da Liga da Justiça. No Novos 52, Diana nasceu do romance entre a Rainha das Amazonas e Zeus, o maior dos deuses gregos. Nas versões anteriores e na original nasceu de barro moldado pela mãe e dado vida pelos deuses;

Novos Deuses, Apokolips, Nova Génesis, Darkseid e Highfather: Em tempos já esquecidos pela memória do universo, os deuses antigos pereceram numa batalha apocalíptica. Dessa morte houve um renascimento. Surgiram os Novos Deuses, divididos entre os do Mal, habitantes do Planeta Apokolips, e os do Bem, residentes de Nova Génesis. Os líderes desses dois mundos são Darkseid Highfather, respectivamente. O intuito de Darkseid é encontrar a Equação Anti-Vida, que eliminará a vontade de todos os seres vivos do Multiverso, que passarão a adorar apenas uma palavra e uma vontade, a sua. Ele é o déspota supremo, o maior de todos os males do universo DC. É a razão porque, neste Novos 52, a Liga originalmente se juntou. Nessa altura, Darkseid veio à Terra na busca de alguém e, finalmente, vamos saber quem esse alguém é;

Metron: Nem de Apokolips, nem de Nova Génesis, sempre um observador frio e distante de eventos. Por vezes intervém, sempre segundo uma agenda misteriosa e escondida. A Cadeira Mobius é a fonte do seu poder e da sua quase omnisciente sabedoria;

Mr. Miracle: para evitar a guerra, Darkseid e Highfather fizeram um tratado de paz. Trocariam de filhos. Scott Free, filho de Highfather, sofreria nas mãos de Darkseid. Orion, filho do Deus do Mal, prosperaria em Nova Génesis. Após escapar de Apokolips, Scott Free transformar-se-ia em Mr. Miracleo super-artista da fuga, o Houdini dos Novos Deuses;

Caixas-Mãe: computadores ultra-sofisticados dos Novos Deuses, quase vivos, usados quer por Apokolips, quer por Nova Génesis;

Steppenwolf: o general supremo dos exércitos de Darkseid (reconhecem-no como o antagonista do filme da Liga da Justiça);

Kalibak: outro dos filhos de Darkseid, eternamente na senda da aprovação do pai;

Kanto: o principal assassino do grupo mais próximo de soldados e generais de Darkseid;

Lashina: uma das cinco Fúrias, grupo de guerreiras e assassinas ao serviço de Darkseid;

Desaad: o torturador sádico de Darkseid;

Black Racer: uma das personificações e antropomortfizações da Morte no Multiverso DC. É ele o assassino de deuses;

Big Barda: ex-Fúria de Darkseid, apaixonou-se por Scott Free, o Mr. Miracle, e fugiu com ele para a Terra, onde habitam. Uma das maiores guerreiras do Universo DC, a par de Diana;

Sindicato do Crime: versão maléfica da Liga oriunda da Terra-3. Fugiram para a nossa Terra após a sua ter sido destruída, por razões ainda desconhecidas, pelo Anti-Monitor. Foram o móbil da série Mal Eterno, publicado este ano pela Levoir;

Super-Mulher: versão maléfica da Mulher-Maravilha oriunda da Terra-3. Sabe-se que se encontra grávida da versão de Lex Luthor da Terra-3. Esse Luthor, do lado do Bem esteve imbuído do poder de Shazam, um herói tão poderoso quanto o Super-Homem na nossa Terra e maléfico na 3;

Ultra-Homemversão maléfica do Super-Homem oriundo da Terra-3, líder do Sindicato do Crime:

Owlmanversão maléfica do Batman oriundo da Terra-3;

Source Wall: o limite físico do Multiverso DC. Manifesta-se como uma gigantesca muralha, inultrapassável, ornada das estátuas gigantes daqueles que ousaram tentar passar. Esses são conhecidos como os Gigantes de Prometeus. Do outro lado, julga-se existir O Criador;

Rocha da Eternidade: o centro físico e metafórico do Multiverso DC. Fonte de magia, nele habita o feiticeiro Shazam, que conferiu poderes ao adolescente Billy Batson, conhecido como o super-herói do mesmo nome (antes o Capitão Marvel, mas a editora Marvel ficou com os direitos de uso desse epíteto);

Complicado, não é? Mas eu acho (que acho) que vale mesmo a pena. Divirtam-se! É o que importa...

(seguem-se previews mas antes podem ler aqui o que escrevi sobre o último capítulo desta Guerra de Darkseid (COM SPOILERS), à altura do seu lançamento)




Colecção Liga da Justiça da Levoir, vol. 4: A Guerra de Darkseid de Geoff Johns e Jason Fabok





Aproveitando o lançamento do filme homónimo, a editora Levoir está a publicar uma colecção de cinco volumes deste grupo de super-heróis entre o dia 9 de Novembro e 7 de Dezembro. Aqui no Acho que Acho, porque adoramos a DC e a Liga, queremos que vocês não se sintam perdidos na História, Cosmologia e Cosmogonia da editora. Por isso, vamos tentar dar-vos um pequeno Travel Guide. A Lonely Planet que se roa.

Para este volume e para o próximo vão precisar de paciência. Muita... mas da boa. Geoff Johns decidiu acabar a sua sequência de histórias na Liga da Justiça, versão Novos 52, com uma saga que deveria definir a própria palavra "épico" e que está completamente imersa na mitologia, cosmologia e cosmogonia da DC Comics. É possível apreciar este conto sem os olhos treinados de um leitor de décadas mas tê-los ajuda - e muito. Por outras palavras, este livro e o próximo são pura pornografia DC.

Ora bem... é impossível escapar a alguma(s) explicação(-ções). Podem partir para a ignorância e ler à bruta mas arriscam-se a andar a nadar na maionese. É só o que vos tenho a dizer. Ou então são como eu e, paradoxalmente, gostam de mistérios e de descortinar "O que raio foi isto que aconteceu? Pareço estar num sonho pop do Lynch. Não entendo mas sei que gosto." Se são destes, força, partam para ignorância e leiam à bruta. Se são dos outros, pode ser que o que escrevo em baixo vos ajude.

Multiverso DC: Tudo começou quando os fãs da década de 60 do Flash conheceram o Flash da década de 40 (Flash é aquele herói da DC que corre à velocidade da luz e, graças a isso, pode viajar no tempo e atravessar barreiras dimensionais). Nesse encontro de gerações, os fãs da editora souberam existirem várias Terras, a ocupar o seu lugar em universos paralelos e diferentes. Num universo os heróis tinham iniciado a sua carreira na 2.ª Guerra e noutro apenas na década de 60. O sucesso levou a que a DC se multiplicasse em universos paralelos e Terras Infinitas, o Multiverso. Até que em meados da década de 80 a confusão era muita;

As Crises: Para corrigir o rumo, a DC decide simplificar o seu multiverso e fundi-lo num só universo. Cria o evento Crise nas Terras Infinitas (publicado pela Levoir) que marca uma viragem na editora, conceptual e criativa. Seguir-se-iam outras Crises que corrigiriam alguns erros da primeira e que procuraram repetir o sucesso. Essas crises aparecem nos primeiros capítulos da Guerra de Darkseid relatadas por Metron (já explico quem é): a Hora Zero; a Crise Infinita; a Crise Final; o Flashpoint. O que importa reter é que foi recentemente estabelecido que, apesar das sucessivas Crises reinventarem o multiverso DC e aparentarem recomeçá-lo do zero, elas aconteceram de facto e contam;

O Anti-Monitor: o vilão que causa a Crise nas Terras Infinitas. Nessa história o seu intuito era destruir todos os universos "positivos" para que o seu, "negativo", fosse o único e ele o seu Deus. Terá ainda a mesma motivação na Guerra de Darkseid?

Novos 52: Em 2011, depois de Flashpoint, a DC voltou a reiniciar o seu multiverso do zero e chamou a esse evento Novos 52. A história de todas as suas personagens foi, uma vez mais, reinventada. A Guerra de Darkseid passa-se nesta realidade;

As Amazonas: lendárias guerreiras da Antiguidade Grega, exiladas pelos Deuses do Olimpo na ilha paradisíaca de Themyscira. Hipólita, a rainha, é mãe da maior heroína do Universo DC, Diana, a Mulher-Maravilha, membro fundador da Liga da Justiça. No Novos 52, Diana nasceu do romance entre a Rainha das Amazonas e Zeus, o maior dos deuses gregos. Nas versões anteriores e na original nasceu de barro moldado pela mãe e dado vida pelos deuses;

Novos Deuses, Apokolips, Nova Génesis, Darkseid e Highfather: Em tempos já esquecidos pela memória do universo, os deuses antigos pereceram numa batalha apocalíptica. Dessa morte houve um renascimento. Surgiram os Novos Deuses, divididos entre os do Mal, habitantes do Planeta Apokolips, e os do Bem, residentes de Nova Génesis. Os líderes desses dois mundos são Darkseid e Highfather, respectivamente. O intuito de Darkseid é encontrar a Equação Anti-Vida, que eliminará a vontade de todos os seres vivos do Multiverso, que passarão a adorar apenas uma palavra e uma vontade, a sua. Ele é o déspota supremo, o maior de todos os males do universo DC. É a razão porque, neste Novos 52, a Liga originalmente se juntou. Nessa altura, Darkseid veio à Terra na busca de alguém e, finalmente, vamos saber quem esse alguém é;

Metron: Nem de Apokolips, nem de Nova Génesis, sempre um observador frio e distante de eventos. Por vezes intervém, sempre segundo uma agenda misteriosa e escondida. A Cadeira Mobius é a fonte do seu poder e da sua quase omnisciente sabedoria;

Mr. Miracle: para evitar a guerra, Darkseid e Highfather fizeram um tratado de paz. Trocariam de filhos. Scott Free, filho de Highfather, sofreria nas mãos de Darkseid. Orion, filho do Deus do Mal, prosperaria em Nova Génesis. Após escapar de Apokolips, Scott Free transformar-se-ia em Mr. Miracleo super-artista da fuga, o Houdini dos Novos Deuses;

Caixas-Mãe: computadores ultra-sofisticados dos Novos Deuses, quase vivos, usados quer por Apokolips, quer por Nova Génesis;

Steppenwolf: o general supremo dos exércitos de Darkseid (reconhecem-no como o antagonista do filme da Liga da Justiça);

Kalibak: outro dos filhos de Darkseid, eternamente na senda da aprovação do pai;

Kanto: o principal assassino do grupo mais próximo de soldados e generais de Darkseid;

Lashina: uma das cinco Fúrias, grupo de guerreiras e assassinas ao serviço de Darkseid;

Desaad: o torturador sádico de Darkseid;

Black Racer: uma das personificações e antropomortfizações da Morte no Multiverso DC. É ele o assassino de deuses;

Big Barda: ex-Fúria de Darkseid, apaixonou-se por Scott Free, o Mr. Miracle, e fugiu com ele para a Terra, onde habitam. Uma das maiores guerreiras do Universo DC, a par de Diana;

Sindicato do Crime: versão maléfica da Liga oriunda da Terra-3. Fugiram para a nossa Terra após a sua ter sido destruída, por razões ainda desconhecidas, pelo Anti-Monitor. Foram o móbil da série Mal Eterno, publicado este ano pela Levoir;

Super-Mulher: versão maléfica da Mulher-Maravilha oriunda da Terra-3. Sabe-se que se encontra grávida da versão de Lex Luthor da Terra-3. Esse Luthor, do lado do Bem esteve imbuído do poder de Shazam, um herói tão poderoso quanto o Super-Homem na nossa Terra e maléfico na 3;

Ultra-Homemversão maléfica do Super-Homem oriundo da Terra-3, líder do Sindicato do Crime:

Owlmanversão maléfica do Batman oriundo da Terra-3;

Source Wall: o limite físico do Multiverso DC. Manifesta-se como uma gigantesca muralha, inultrapassável, ornada das estátuas gigantes daqueles que ousaram tentar passar. Esses são conhecidos como os Gigantes de Prometeus. Do outro lado, julga-se existir O Criador;

Rocha da Eternidade: o centro físico e metafórico do Multiverso DC. Fonte de magia, nele habita o feiticeiro Shazam, que conferiu poderes ao adolescente Billy Batson, conhecido como o super-herói do mesmo nome (antes o Capitão Marvel, mas a editora Marvel ficou com os direitos de uso desse epíteto);

Complicado, não é? Mas eu acho (que acho) que vale mesmo a pena. Divirtam-se! É o que importa...

(seguem-se previews mas antes podem ler aqui o que escrevi sobre o primeiro capítulo desta Guerra de Darkseid, à altura do seu lançamento)




Grant Morrison: Teatro na BD (primeira parte)

(este artigo contem spoilers ao trabalho de Morrison em Animal Man, Kingdom, Final Crisis, Superman Beyond, e a histórias como Infinite Crisis, 52)

Começa com o homem que copia animais

Uma das imagens mais emblemáticas do trabalho de Grant Morrison em Animal Man (1988-1990) é a da personagem principal, Buddy Baker/Animal Man, a virar-se para o público, num close-up de página inteira do seu rosto, e a proferir as palavras "Eu consigo ver-vos!". A ideia não era nova mas na BD de super-heróis foi, à altura, surpreendente. A personagem descobria fazer parte de uma história impressa numa revista a duas dimensões. A quarta parede era quebrada de forma bem sonora. 

O local onde Buddy o descobre era, também em si, estranho: um Limbo do universo da DC Comics, uma dimensão para onde Morrison imaginava gravitarem os personagens esquecidos da editora. 
A mega-saga Crise nas Terras Infinitas (1985-1986) era recente na memória e Morrison, acabado de chegar à DC, decidiu, ainda assim, homenagear as triliões de vidas (ficcionais) ceifadas nesse evento. A Crise fora utilizada pela DC para "limpar a casa" e transformar a confusão pluri-universal (o Multiverso) num único e simples universo, fácil de entender para os potenciais novos leitores. Milhões de universos morreriam e triliões de vidas extinguir-se-iam. Pior. Nunca existiram.

Apaixonado pela Idade de Prata da DC (histórias de finais da década de 50, década de 60 e princípios da de 70), Morrison decide homenageá-la numa elegia meta-textual. Buddy Baker passava a conhecer a Verdade: as suas aventuras eram o resultado dos ditames editoriais e do totalitarismo de fãs que o liam mês após mês. O que tinha começado, no número cinco da revista, com uma versão do Will E. Coyote (o do Bip-Bip) a questionar Deus sobre a sua vida de sofrimento, acabava numa conversa com a verdadeira entidade divina na BD: o escritor. No final e num momento Deus Ex Machina, Morrison apaga todos os eventos catastróficos a que tinha sujeito a personagem, fechando a reflexão meta sobre a narração e o poder das histórias.

Desenganem-se se acham que o escritor ficar-se-ia pelas páginas do Homem-Animal. A história estava apenas a começar. Não quero afirmar que Morrison tinha um plano (é certo que não, já que era ainda muito novo no mundo da BD). Não falo de uma intenção consciente mas de uma temática transversal e autoral. São os tiques e as manias que acontecem de forma recorrente, como um leit motif numa ópera. Morrison faz parte dos autores que têm algo mais a dizer. Uma intenção. Um misto de inconsciência e crença. Pode não ser boa, podemos não gostar, mas ela existe.

O tempo que era hiper

No que respeita ao universo dos super-heróis da DC, Morrison parece construir uma cosmogonia muito própria e que tem sido abraçada, de forma mais ou menos relutante e mais ou menos consciente, pela editora. Depois de Animal Man, ele voltaria, anos mais tarde, ao universo convencional da DC com JLA, considerada por muitos como a interpretação definitiva da maior equipa de super-heróis do mundo ficcional da BD: a Liga da Justiça. Estas temáticas esotéricas não apareceriam nesta sequência de histórias mas dariam o ar da sua graça numa outra que Morrison ajudou a criar: Kingdom. Nesta, é dado o primeiro indício de uma ideia querida a ele e a outros escritores da editora, a de que todas as histórias da DC tinham de facto ocorrido, de que o multiverso não havia morrido na Crise. À altura chamaram-lhe Hipertempo. Pressupunha (e vou tentar ser simples) que existe uma linha temporal principal (imaginem o Tejo) e tributários e afluentes que entram e saem desse rio, ou que correm paralelamente a ele, influenciado o caudal com pequenas variações ou pura e simplesmente dando ar da sua graça, sem consequências de maior.

Esta ideia ficaria adormecida durante mais de uma década, com pequenas aparições em algumas histórias de uma ou outra personagem.



Uma e mais outra crise

O multiverso acabaria, finalmente, por regressar numa saga que nada tinha a ver com Morrison:  Infinite Crisis de Geoff Johns (2005-2006). Para além deste esperado regresso, Johns reintroduziu alguns personagens que os leitores DC não viam há 20 anos. Destacamos o que viria a ser conhecido como Superboy Prime. Esta versão jovem do Super-Homem era oriundo de uma Terra Paralela que existia antes da Crise nas Terras Infinitas chamada Terra-Prime. Esta versão do nosso mundo tinha uma peculiaridade: era mesmo o nosso mundo, aquele onde eu e tu e os escritores de BD da DC viviam. O Superboy Prime era o seu único super-herói, com os mesmos poderes do Homem de Aço e um conhecimento extra: era leitor assíduo das revistas da DC Comics publicadas na sua/nossa Terra. Geoff Johns transforma-o no vilão de Infinite Crisis e usa-o como comentário aos geeks da BD que a vivem e criticam de forma obsessiva. Não sendo uma criação de Morrison, Superboy-Prime partilha de algumas das suas (meta)manias. Voltarei a ele mais tarde.

Numa minissérie semanal que se seguiu chamada 52, era revelado que o multiverso era composto por 52 universos. À altura (2007) Morrison prometia explorá-los num trabalho futuro: chamar-se-ia Multiversity mas iria demorar nove anos a ficar completo. Antes teve tempo de escrever Final CrisisFinal Crisis era uma homenagem de Morrison à imaginação do Rei dos Comics, Jack Kirby, e às suas criações para o universo DC, principalmente os Novos Deuses e o maior adversário da tapeçaria da editora: Darkseid, o Deus Omega, O Aniquilador Definitivo. 

Numa minissérie paralela escrita por si e desenhada por Doug Mankhe, Superman Beyond, Morrison regressa aos conceitos que tinha introduzido em Animal Man, ao mesmo tempo que dava-nos alguns novos. Volta a visitar o limbo das personagens esquecidas (pelos leitores e escritores), mas desta vez com a sua favorita, o Super-Homem, que estaria predestinado a enfrentar, de acordo com esta narrativa, um mal absoluto, Mandrakk

Ao mesmo tempo, Morrison volta a visitar a noção de que o universo DC era criado/escrito num outro plano de existência (o nosso). Morrison liga esta Crise Final à Teoria-M da Física Quântica, que postula a possível existência de 11 dimensões (as nossas três, o tempo e mais sete - pelo menos é o que diz a wikipédia). Apesar da estranheza do conceito, interessa reter que qualquer universo pode ser a criação (e estar a ser lido) por um outro de dimensão superior. As nossas vidas podem ser as páginas de um livro. A ligação ao mundo da BD, lido em páginas coloridas, é óbvia. A noção de "quebrar a quarta parede" adquire uma nova interpretação. 

Uma curiosidade: esta BD era parcialmente lida em 3D, uma opção que era mais narrativa do que estética. O leitor e os personagens eram convidados a aceder a uma dimensão superior (a terceira) para conseguir ler a história.




Provavelmente já vos perdi mas existe ainda um outro conceito caro a este escritor e que é abordado, pela primeira vez, em Superman Beyond. Para Morrison as histórias são uma forma de acesso a uma dimensão superior, um reflexo de uma realidade além da percepção dos sentidos. Para acedermos a planos paralelos teremos de usar de linguagem nas suas diferentes formas, quer seja ela escrita ou cantada. Porque os universos são separados por diferentes vibrações, estes podem ser acedidos ao mudar o timbre de uma nota ou de uma canção.

O mal inominável que mencionei acima, o ser chamado Mandrakk, era também um Monitor Negro. Os Monitores são seres mais do que divinos que observam e preservam a realidade, a que chamam Orrery. Esta é uma estrutura metafísica que, segundo Morrison, alberga o Multiverso da DC. O opositor de Mandrakk era, acima de tudo, o super-herói original, o Super-Homem, mas também Nix Uotan, um jovem Monitor que, no final da Final Crisis, seria o último sobrevivente da sua espécie e subsequentemente exilado.

(to be continued eram as palavras no final de Superman Beyond, as que o Super-Homem escolheria para escrever no seu epitáfio. E são também as minhas até o próximo post sobre este assunto que só a mim interessa)

Libertem o Geek! - As Crises Infinitas!


(para o Gonçalo e o Vasco, que percebem o porquê deste post)

Um amigo que, como eu, é fã do universo de super-heróis da DC Comics disse-me uma vez e parafraseio: "parecem estar a repetir sempre as mesmas histórias, mas a gente gosta!".  Achei lindo, naquela forma que apenas os fãs podem achar lindo. Aqueles que adoram certas coisas de forma irrepreensível. Não falo de saber todo e qualquer pormenor do multiverso da DC (se sabem o que é o multiverso da DC parece-me, contudo, que estão no bom caminho). Não falo de coleccionar todas as revistas, de possuir saber enciclopédico sobre os heróis, os vilões e a geografia - ainda que possa ajudar. Falo, como sempre quando refiro estas paixões, de gosto e de amor. De estarem a borrifar-se para quem não aprecia, de ficarem entusiasmados de forma infantil, juvenil, imatura (como quiserem), com um desenvolvimento de uma história, com o aparecimento inesperado de um personagem que amávamos e estava fora de cena há muito tempo. Mas também é ficar irritado quando algo que se adora já não tem o mesmo lustro, está chato e aborrecido. Pode também ser esperar ansiosamente pela estreia do Batman v Superman, mal conseguir aguentar a estreia da Wonder Woman em 2017 e ficar entusiasmado com a sequela do Man of Steel do Zack Snyder.

Recentemente, essa nossa editora favorita decidiu renascer. Chamou-lhe, de forma pouco imaginativa (ou será pós-moderna?), Rebirth e, numa revista escrita pelo grande Geoff Johns e chamada de DC Rebirth, devolveu aos fãs (ou começou a devolver) o universo de que tinham saudades. Já existiam pistas no Multiversity de Grant Morrison e na Justice League: Darkseid War também de Johns, mas é neste Rebirth que a editora assume o "erro". Erro porque esta história de Johns é um pedido de desculpa pelos mais recentes anos da DC mas também algo mais meta-textual: uma reflexão sobre o mundo dos super-heróis dos EUA pós-Watchmen, a seminal obra de Alan Moore e Dave Gibbons.  Mas não é sobre isto que vos queria falar.

Desde 1986 que a editora repete a mesma história de forma cíclica e gere as expectativas dos seus leitores de maneira quase cruel. Nesse ano fundiu o seu multiverso num único mundo na conclusão da Crise nas Terras Infinitas e este evento parece, desde então, reger todos os outros. O que, a nosso ver (sim, o dos fãs), é lindo e pode acontecer quantas vezes a editora quiser. Foi a Crise Infinita, a Infinita Crise, a Crise Final, o Hipertempo, o 52, a Multiversidade, agora o Renascimento. Iterações do mesmo conceito, teases de quem sabe que basta vestir uma lingerie comprada na loja dos trezentos para nos fazer salivar litradas.  Mas no meio de tanto entretenimento pop existe também algo mais profundo - pelo menos para nós. Uma hiper-história que começou em 1938 com a publicação do Super-Homem, que foi evoluindo num misto de atabalhoado, orgânico e ...vejam lá bem... pensado. Que continua a crescer e a acrescentar camadas cada vez mais ricas,  ao ponto de parecer estar criado um universo (um multiverso) que ...nós temos a certeza... vive lá fora algures, separado pela vibração da imaginação. É world-building mas também é uma filosofia. Quem olhar para a estrutura do multiverso da DC criada por Grant Morrison vê uma Mandala e vê um Belo. Não seria fantasticamente terrível que existisse, perdidos nas infinitas e prováveis realidades, um Darkseid, uma Source Wall e uma Speed Force? Mas divago!

A DC repete, para nosso bel-prazer, a História do Multiverso e, em cada nova variação, se estávamos perdidos voltamos a ela e, se nunca a abandonámos, somos justificados. Por isso, quando neste Rebirth vejo plantadas as sementes do regresso de algo que adoramos só posso escrever algo tão inútil quanto este post.  

"Parece estar a repetir sempre as mesmas histórias, mas a gente gosta!" - disse o tal meu amigo. Sim, é lindo e nós adoramos!

O que vou lendo! - Multiversity Deluxe Edition de Grant Morrison e vários

Dizem que está disponível o volume Deluxe que colecciona uma das mais entusiasmantes BD's a sair da imaginação de autores de BD (pelo menos no que a mim diz respeito): Multiversity, escrita por Grant Morrison e apoiado pelo traço de alguns dos melhores desenhadores que esta arte tem para oferecer.

Quem lê este blog sabe da devoção que dediquei aos capítulos que saíram entre a segunda metade do ano passado e o princípio deste. Escrevi sobre todos eles e com enorme prazer. Por isso, convido todos aqueles que não têm plena consciência do que se trata este Multiversity  a lerem os vários posts e a estarem preparados para a glória do maravilhoso multiverso da DC Comics:









Multiverso DC - o calvário da ressurreição – segunda parte

(termina o que comecei ontem na primeira parte)

(contem muitos spoilers)

Earth 2 volume 1: The Gathering TPB (the New 52) – reconheço que este não será tão importante quanto os anteriores. Contudo, incluo-o porque neste volume é reintroduzida a nostálgica Terra-2 ainda que com enormes diferenças em relação à original. A Terra-2 era mais do que só a original, era A ORIGINAL, ou seja, aquela onde apareceram, nas décadas de 30 e 40, as primeiras versões de quase todos os personagens da DC. Desapareceu na Crise e regressa neste volume. Ou seja, a editora assume, uma vez mais, a existência de mais do que um universo, mais do que uma versão dos seus personagens, muito à semelhança do que era a sua realidade pré-Crise. Por outro lado, os cinco primeiros volumes desta série valem a pena ler, pela sua qualidade. Posteriormente, quiseram ligá-la a um outro evento, Convergence (que faz parte da lista deste post), e a qualidade decresceu vertiginosamente.


Multiversity Deluxe Edition (ainda a sair) – O que Grant Morrison prometia há anos finalmente acontece: os seus contos do multiverso DC. Cada número passa-se numa Terra diferente e, ao mesmo tempo, a DC assume que estas não são histórias “imaginárias” (como se não fossem todas) mas parte da tapeçaria da sua “verdadeira” realidade. No número conhecido por Guidebook é, pela primeira vez, assumido que tudo o que aconteceu desde 1938 até hoje efetivamente ocorreu. Todas as Crises, todos os reboots, tudo. Nasce o meta-multiverso DC (já falei extensivamente de cada capítulo desta maravilhosa série – leiam aqui).



Convergence números 1 a 8 e as 40 minisséries auxiliares (estas não tão essenciais) – Acabaram-se os reboots. Todos os reboots aconteceram. Apesar de se tratar de ume série cuja qualidade várias vezes questionei, não deixa de ser um marco relevante neste caminho. Não só regressamos, nas minisséries auxiliares, a realidades passadas às quais ansiávamos regressar como, no final, o já falado maior evento catastrófico da DC, a Crise nas Terras Infinitas (spoiler, spoiler, spoiler), é anulado. Tudo regressa e é explicado porquê. Ou quase, porque ainda restam muitas dúvidas. Contudo, a partir de agora, poderemos regressar à Terra-2 pré-Crise, porque ela ainda existe. Nada mais é interdito. A potencialidade de exploração é multiuniversal.


Justice League (The New 52) 40 e Free Comic Book Day DC 2015 – E chegamos ao fim (por enquanto). Em Justice League número 40 é apresentado o prólogo de Darkseid War, que começará no próximo, a sair neste mês de Maio. Nas suas páginas, aquilo que era já parcialmente revelado no Guidebook de Multiversity é destapado na sua meta-glória. Os reboots aconteceram e os universos que morreram foram retroativamente ressuscitados. Ao mesmo tempo, finalmente sabemos quem é a filha de Darkseid, aquela que ele procurava nos “idos” de 2011 na primeira aventura da Liga da Justiça. O melhor de tudo, contudo, é descobrimos a verdadeira origem do Anti-Monitor, quem estava com ele no final de Forever Evil, tudo interligado com os Novos Deuses de Jack Kirby e com a estrutura do multiverso da DC criada por Grant Morrison (que já publiquei aqui). Escusado será dizer que esta aventura ainda não tem o seu TPB já que há que esperar pela conclusão da Darkseid War. É esse O evento que todos os fãs da DC esperam. Cá estarei para vos pôr ao corrente.

Existem outros aperitivos para a ressurreição do multiverso da DC mas, na minha opinião, não essenciais. Contudo, se quiserem poderão ler: Godhand, a saga que, há pouco tempo, envolveu vários títulos dos Lanterna Verde e que os enrolava numa guerra com os Novos Deuses de Jack Kirby; o recente regresso de Doomsday nos títulos do Super-Homem e, especialmente, a última página da história; The Wrath of the First Lantern TPB – esta ligação é, ainda, muito ténue, mas já que foi idealizado por Geoff Johns não me espantaria que alguma coisa ainda possa daqui advir. 

Multiverso DC - o calvário da ressurreição – primeira parte

A BD norte-americana de super-heróis é, desde quase sempre, palco de uma tendência: a do eterno ciclo da morte e ressurreição. Raras são as mortes que perduram. Raros são os conceitos que não voltam a ser revisitados, mesmo que abandonados durante décadas. Faz parte da mitologia, desde que editores e criadores chegaram à conclusão que ou as ideias novas faltavam ou que o desaparecimento de um personagem ou conceito foram produto de fraca inspiração. O recente regresso (de forma assumida) do multiverso da DC é a mais nova iteração deste fenómeno. E ainda bem, porque há muito que deveria ter acontecido. De cada vez que existia uma ameaça do retorno a internet (esse pulso dos desejos dos fãs) brilhava com as muitas trocas de bits e bites de conjeturas e anseios. Os teclados ardiam com a velocidade da escrita. Com Convergence, Multiversity e a Justice League de Geoff Johns o que era suspeita é agora parte do cânone.

Mas qual o caminho percorrido? Como é que se chegou aqui? A pedido de uma família (sim, Nuno, tu), aqui fica uma lista do que acho ser interessante ler para perceber como se regressou a este velho/novo multiverso. Sempre que puder remeto para o Trade Paperback. Não irei falar de Infinite Crisis, Final Crisis, 52, etc., mas apenas do novo universo que existe desde 2011, conhecido por Novo 52. Isto porque parece claro que o plano para esta ressurreição existe desde os primeiros momentos da nova iteração do mundo ficcionado da DC. Esta lista não pretende ser, de forma alguma, exaustiva ou definitiva. Estou aberto a colocar o que concordarmos que falte. Nem que seja porque não li tudo deste Novo 52.

A seguir apresento a primeira parte desta artigo.

(Escusado será dizer que, a partir daqui, existem muitos spoilers.)

Justice League volume 1: Origin TPB (The New 52) – Sim, começa no momento 0. Desde a primeira palavra que a intenção parece óbvia. Neste volume, por Geoff Johns e Jim Lee, dois dos diretores criativos da DC, temos a primeira batalha daquele que é o maior e mais importante ajuntamento de super-seres no universo da editora: a Justice League, Liga da Justiça para nós portugueses. Confrontam, pela primeira vez, Darkseid, o deus negro criado por Jack Kirby e, com ele, são imediatamente introduzidos os Novos Deuses que, nesta nova realidade, parecem ter um papel bastante mais importante que em anteriores. Para além disso, Darkseid visita a Terra na procura da sua filha, personagem da qual só anos mais tarde descobriremos a verdadeira identidade e importância.

Justice League: Trinity War TPB (The New 52) – Geoff Johns é perito em fazer-nos pensar numa coisa mas, na realidade, estar a contar outra. Assim foi com Trinity War. A brincadeira que faz com o conceito de trindade levava-nos a pensar, a início, nos eternos Super-Homem/Batman/Mulher-Maravilha, nas três versões da Liga da Justiça envolvidas e no grupo de três seres cósmicos que parecem estar no centro de vários mistérios – Pandora; Phantom Strange; Question. Contudo, o verdadeiro significado da palavra três está nas últimas páginas (spoiler, spoiler, spoiler): o glorioso regresso das versões maléficas da Liga da Justiça da Terra-3, o Sindicato do Crime. Pela primeira vez, neste Novo 52, é assumida existência de uma outra Terra. A primeira de muitas. Salta para…



Forever Evil e Justice League volume 5: Forever Heroes TPB (The New 52) – Este evento de 2014 introduziu um mundo onde os inimigos da Terra-3 vencem a Liga da Justiça e resta aos vilões do mundo de Novo 52 encontrarem uma forma de os derrotar. Resta a Lex Luthor, provavelmente o maior de todos, a capacidade de procurar a fraqueza que derrubará o Sindicato do Crime. São dois volumes que contam diferentes lados da mesma história. Ficamos a saber que o Sindicato fugiu da sua Terra, destruída por um ser de enorme poder. Nas últimas páginas descobrimos de quem se trata (spoiler, spoiler, spoiler): o Anti-Monitor, um dos mais tenebrosos vilões do universo DC, a causa do mais catastrófico evento da sua História, a Crise nas Terras Infinitas. Mas ele não está sozinho…

      

DC Comics - Quando pensava que estava fora, eles voltam (definitivamente) a puxar-me!

(AVISO - Raramente faço-o, mas desta vez não quero escapar. Este post tem spoilers para o final da 1.ª Temporada do Flash, Multiversity, Free Comic Book Day de 2015 da DC Comics e Justice League número 40)


Uma das virtudes do universo de super-heróis da DC Comics que sempre me atraiu é o seu sentido de legado. De que a filosofia, inspiração e nome de um determinado herói passavam de geração em geração, desde a 2.ª Guerra Mundial, onde tinham iniciado a sua actividade, até ao presente. Começou quando, na Terra-1, a Terra que apareceu quando a DC faz o seu primeiro reboot em finais da década de 50 (vou passar a chamar-lhe reimaginação), o Flash desse universo, Barry Allen, inspirou-se em revistas de BD da sua infância, onde um outro Flash vivia as suas aventuras, Jay Garrick. Esta meta-homenagem foi particularmente inspirada porque, na "realidade", esse Flash tinha "existido" nas revistas da DC Comics da década de 40. Ora, Barry Allen acaba por conhecer Jay Garrick quando as Terras 1 e 2 se encontram. Ambos os Flashes conseguiram ultrapassar as barreiras dimensionais que separavam os dois universos e assim se descobriu, pela primeira vez, a existência de um esplendoroso multiverso. Abriu-se uma caixa de Pandora, com múltiplas e díspares versões de todos os grandes personagens do universo DC. Caixa que voltou a ser fechada em meados da década de 80, com a famosa Crise nas Terras Infinitas. A editora achou que todas estas versões do mesmo personagem confundiam o leitor, as vendas estavam a diminuir e decidiram destruir todas as Terras em excesso e ficar com apenas uma, onde coabitavam conceitos dos universos que tinham perecido. Nesse novo e único universo, contudo, o sentido de legado apurou-se e disseminou-se, principalmente nas mãos do autor Mark Waid quando trabalhou, sim, no Flash - mas essa é outra história.  

Depois de muitas tentativas e ameaças pouco veladas do regresso do multiverso, a DC, recentemente, decidiu assumir que este faz parte da sua História, a meta, a macro e a cosmogónica. Nas série Multiversity e depois em Justice League 40, os autores Grant Morrison e Geoff Johns reescreveram os livros cósmicos da grande história do universo. Todas as crises tinham acontecido. Todos os universos tinham, de facto, existido. Todos tinham, de facto, morrido. Tudo fazia parte de um colossal ciclo de morte e rejuvenescimento que governa o multiverso desde o seu início (re-início?). No centro estão os Novos Deuses de Jack Kirby, o Anti-Monitor e Metron, seres divinos que provocam e assistem a esta re-imaginação, num jogo inacreditavelmente gigantesco. Descobre-se que os personagens que tanto adoramos, as diferentes versões do Super-Homem, Mulher-Maravilha, Batman, Flash, não são mais que joguetes, vítimas destas guerra. A DC recuperou, assim, a minha esperança (pelo menos). 

Um dos factos mais curiosos é, a meu ver, e integração de meta-texto nesta reinterpretação do seu multiverso. Em Multiversity, tal como tinha acontecido com Barry Allen e Jay Garrick na década de 50, Morrison incorpora uma BD como alerta do mal que aflige o multiverso nessa série. Em Justice League # 40, Geoff Johns vai um pouco mais além do que Morrison e admite, finalmente, que todas as histórias alguma vez publicadas sempre existiram e que não tinham sido retroactivamente eliminadas na construção de uma tapeçaria que fizesse mais sentido para os leitores fanáticos de organização. Essa organização vai continuar a existir, claro, mas admitindo, ao mesmo tempo, diferentes versões e interpretações dos mesmo personagens. De repente, para mim, a DC recuperou o meu interesse.

Desta forma, a DC admite que tudo de facto aconteceu mas mais: admite que o multiverso é parte do seu legado, do seu conceito (a Marvel também tem um mas bastante diferente). Vejam, por exemplo, a série de TV Flash (uma vez mais ele, a chave do multiverso). No último episódio da primeira temporada, aparece um capacete com asas emergido de um portal de outra dimensão. Os fãs sabem bem do que se trata: é o famoso capacete de Hermes que Jay Garrick da Terra-2 usa. Até na TV a editora assume a existência do multiverso. Esperemos que seja para ficar. 



Convergence, a sétima semana.


Quantas vezes preciso repetir-me para vocês, finalmente, se perguntarem: se ele não acha a série nada de especial porque é que continua a lê-la? Eu tenho a certeza que qualquer fã de BD de super-heróis que se preze sabe responder a esta questão: porque, às vezes, tem mesmo de se saber o que vai acontecer. É um desejo incontornável e incontrolável de saber o que se passa a seguir. Do que pode de tão monumental acontecer que o universo dos nossos personagens favoritos irá ficar tão diferente. Porque, apesar de refilarmos e refilarmos, muitas são as vezes que as editoras de BD (a DC Comics, neste caso) conseguem levar-nos à certa, a ler aquilo que, no coração dos nossos corações, sabemos que não vai ter qualidade ou, pior, não vai levar a lugar nenhum. Para efeitos de honestidade, acho que Convergence vai levar a um lugar, sim. Finalmente, vamos assistir ao regresso "definitivo" de versões de personagens queridos há muito desaparecidos. Que os universos pré-Crise, pré-Flashpoint, pré-Hora Zero, os Tangent, os dos Vampiros, irão regressar em toda a sua glória, como se nada tivesse ocorrido. Não que a obra de Morrison, Multiversity, já não o tivesse feito. Não que a futura Darkseid War de Geoff Johns e Jason Fabok na Justice League já não admitisse esse regresso. Mas estes dois meses de Convergence fizeram outra coisa, como já o disse em posts anteriores. Com esta série voltaram personagens e universos que muitos fãs (os mais antigos) ansiavam. Vamos ver se ficam.

A série principal continua no mesmo registo, ainda que estejamos numa fase assumida de, como diz o povo, "encher chouriço". Provavelmente, poderiam ter resolvido a história em menos números mas é necessário cumprir o calendário dos dois meses - a editora DC está a mudar-se da costa Este para costa Oeste dos EUA e necessitou suspender a sua programação regular e Convergence ajuda a preencher o tempo morto

As minisséries auxiliares, como não me canso de repetir, são o verdadeiro atractivo do evento e têm de tudo um pouco. Concluem, esta semana, as que envolvem os personagens pré-Crise da famosa Terra-1 (querem mesmo que explique? Leiam este post, por favor). Destaco: Hawkman, que conclui em alta o que já na semana passada era bastante bom; The Adventures of Superman, com um enfoque bastante saudosista à Supergirl pré-Crise e pré-sacrifício-que-salva-o-multiverso; Superboy and the Legion of Super-Heroes, que procura dar uma volta mais humanista à história principal, aliás algo que ocorre em mais números desta semana; Swamp Thing, que, depois de um número anterior fraco, consegue justificar o regresso do criador do personagem, Len Wein, e os desenhos do bem escolhido Kelley Jones; Wonder Woman, que apesar de não ter o desenhista do número um, oferece-nos um final amargo e trágico ao personagem, um pouco em contra-corrente com o evento. No número do Flash, apesar de não ser um história particularmente bem contada, ocorre um apontamento que poderá (ou não) ter relevância para toda a série ou para futuros eventos. Os fãs atentos irão, provavelmente, achar curioso, principalmente depois de terem notado o pequeno anacronismo do número anterior. É esperar!

Na próxima semana acaba e, finalmente, vamos poder ver se estas histórias levarão a algum lugar satisfatório.