Música à Quarta!


Todas as semanas, todos os dias e, quem sabe, todas as horas, são lançados inúmeros LP'sEP'sSingles. Não sou melómano, apenas um ouvinte. Selecciono o que oiço pelo estilo, pelos nomes de artistas que conheço, pelo que oiço na rádio, pelos algoritmos do Spotify e pelos gostos e sugestões dos amigos. Sei que apenas oiço uma pequena parte do que existe.

Neste Blogtodas as quartas-feiras, compilo uma lista de álbuns que ouvi durante a semana e faço um post com ligação ao Spotify  onde podem ouvir o que ouvi. Em baixo podem encontrar a lista. Destaco a bold os álbuns que mais gostei.

À esquerda e em cima no Blog podem ouvir os álbuns da semana.


What If de Hauschka - 2017 (Electronica)
Cousins de Kim Jansesen - 2017 (Indie Pop)
Us de Ozark Henry - 2017 (Indie Pop)
Jet Black de PLS PLS - 2017 (Indie Rock)
Whiteout Conditions de The New Pornographers - 2017 (Indie Rock)
Good Evening de Deorro - 2017 (Electronica)
The Far Field de Future Islands - 2017 (Indie Pop)
For Show de Linnea Olsson - 2017 (Indie Pop)
My November My de Nick & June - 2017 (Indie Folk)
Altar de The Gift - 2017 (Indie Pop)
Sweet Dreamer de Will Joseph Cook - 2017 (Indie Pop)

O que vou lendo! Le Club des Divorcés, vol. 2 de Kazuo Kamimura

Este segundo volume do Le Club des Divorcés de Kazuo Kamimura fecha a história iniciada no primeiro tomo (leia aqui), recital da vida de uma jovem mulher de 25 anos, Yuko, divorciada, dona de um bar de alterne no bairro de Ginza, Tóquio, durante a década de 70. Esta obra, publicada em França pela editora Kana, permanece inédita em Portugal. É o espelho de uma época e de uma civilização pelos olhos de uma mulher numa sociedade fortemente machista como o é a japonesa.

Para tentar perceber o impacto de um livro chamado O Clube das Divorciadas teremos de ter noção de algumas questões relativas à cultura japonesa e ao peso da palavra "divorciada" na sua sociedade. Até o século XIX, o divórcio não era aceite no Japão, com consequências muito mais negativas para a mulher. Veja-se, por exemplo, o filme Os Amantes Crucificados de Kenji Mizoguchi (em exibição num ciclo deste realizador no Nimas), onde, (spoiler do filme) tanto homem como mulher praticam o adultério, mas enquanto ele é apenas destituído dos seus bens (não pelo facto de ter amante) ela é crucificada junto com o seu amante. Depois de 300 anos do período Edo, onde o Japão esteve sob o jugo de um shogunato ditatorial, serão necessárias gerações e vincadas cisões civilizacionais para vencer tiques societais.

Kazuo Kamimura relata-nos a história desta jovem mulher em pequenos episódios, enquanto tenta adaptar-se a esta vida, vencer o lado social e emocional do divórcio e contornar os muitos amores que desperta. Cada um dos contos é narrado com a leveza de uma bafo de cigarro na noite fria de Inverno, os sentimentos e os gestos mais subentendidos que declarados, espelhando não só a sensibilidade do autor mas, acima de tudo, a sua herança cultural.

Kamimura (que também aparece na história a frequentar o clube da protagonista)  enceta um manifesto feminista engajado, escrito e desenhado com a subtileza dos jardins invernais nipónicos e que permanece relevante mesmo que volvidos 40 anos desde que foi feito. Leitura essencial!

Álbuns para Sempre, 16

Existem álbuns e músicas que permanecem. São mais que prazeres. São memórias.  São pedaços de um tempo, um momento, feliz ou triste. São resultado de existirmos e, por isso, nossos - mas também de outros. Como nenhuma outra arte, a música é comunhão. Quer por estarmos juntos num concerto, quer porque ouvimos um mesmo álbum, cada qual no conforto da sua casa.

Todos os fins-de-semana vão poder ouvir um álbum que me marcou. Esta semana cabe a Tom Waits e ao LP Nighthawks at the Diner.



Colecção No Coração das Trevas DC - volume 7: Super-Homem & Apocalipse: Caçador e Presa

Para juntar à lista de vilões do universo da DC que a Levoir e o Público têm vindo a apresentar, esta semana temos mais um, Apocalipse (Doomsday, no original), um dos mais temíveis vilões do Universo DC, que se tornou conhecido por ter sido o responsável (spoiler) pela morte de Super-Homem - quer em livro, quer no Cinema.

Para quem ainda não o conhece, Apocalipse é uma das criaturas mais perigosas do Universo. É irracional,  sobrevive em qualquer ambiente hostil e possui uma força física quase ilimitada. O Super-Homem vai ter de percorrer a galáxia para o conseguir caçar, mas à medida que se vai aproximando, descobre que é ele mesmo que se vai tornar em presa.

Do argumentista Dan Jurgens, e com a arte magnífica do mesmo e de Brett Breeding, Super-Homem & Apocalipse: Caçador e Presa é o sétimo volume da Colecção No Coração das Trevas DC e vai para a banca hoje.






Lançamento Arte de Autor - DRUUNA – TOMO 1 MORBUS GRAVIS | DELTA de Paolo E. Serpieri

ÁLBUM DUPLO  que contem as histórias Morbus Gravis e Delta  e um dossier com ilustrações inéditas.

Um trabalho de referência a ser redescoberto.

Num futuro pós-apocalíptico, um perigoso vírus transforma os homens em monstruosos mutantes sanguinários . Só o soro permite aos sobreviventes escaparem. Neste mundo corrompido pelo sexo, a doença e a violência,  a jovem e bela Druuna parte em busca deste remédio para salvar Schastar, gravemente atingido, por quem nutre uma paixão . Tão destemida como sensual, ela , vai usar todos os seus atributos para atingir o seu fim...

Druuna, série de referência da banda desenhada erótica dos anos oitenta foi originalmente publicada em 8 volumes. Este álbum reúne os primeiros 2 episódios da saga, onde redescobrimos o trabalho de um de mestres da Banda desenhada italiana:  Serpieri, cujo talento  e fascínio pelas mulheres se equipara a Milo Manara.

FICÇÃO CIENTÍFICA, TERROR E EROTISMO: UMA COMBINAÇÃO EXPLOSIVA PARA UMA OBRA-PRIMA DA BANDA DESENHADA RESERVADA A ADULTOS.

Argumento e Desenho:  Paolo E. Serpieri
Edição: Cartonada
Número de páginas: 160
Impressão:  cores
Formato: 21 x 28,5 cm
Editor: Arte de Autor
ISBN:  978-989-99674-5-8
PVP: 21,00€

Paolo Eleuteri Serpieri, nasceu em Veneza, em 1944. 

Começa a sua carreira profissional como pintor em 1966, antes de se virar para a Banda Desenhada, o que acontece em 1975. Grande apaixonado por Westerns, co-escreve L'Histoire du Far-West, série sobre o oeste americano com argumento de Raffaele Ambrosio, a qual é publicada em França pelas edições Larousse.

A partir de 1980 trabalha para diferentes projectos, tais como  Découvrir la Bible (também para a Larousse), e numa série de histórias curtas para diferentes revistas.

Em 1985 cria a série Druuna, a qual foi originalmente publicada entre 1985 e 2003.

Serpieri trabalhou igualmente no design do jogo de vídeo Druuna : Morbus Gravis, baseado na sua famosa heroína.

Pintor, músico, escultor, e professor no Instituto de Artes de Roma, Serpieri prepara neste momento mais um álbum de Druuna.



Lançamento Arte de Autor - O Rei Macaco de Milo Manara e Silverio Pisu

Baseando-se em Jornada para o Oeste, um dos grandes textos clássicos da literatura chinesa, Silverio Pisu e Milo Manara recriam nesta obra as aventuras do Rei Macaco, transformando-o simultaneamente numa aventura épica e numa referência  clara ao contexto sócio-político da China dos anos setenta.

Nascido da fecundação de uma rocha pelas essências puras da terra, o Jovem Macaco, farto da idílica felicidade do seu reino, em breve abandona o seu povo em busca da imortalidade. Autoritário, sedutor e ambicioso, troça de deuses e de Reis para atingir os seus objectivos.

Marco incontornável na história da Banda Desenhada, esta é uma das primeiras obras de Milo Manara.

Álbum inédito em Portugal.
  • Argumento: Silverio Pisu
  • Desenho:  Milo Manara 
  • Edição: Cartonada
  • Número de páginas: 88 
  • Impressão:  preto e branco
  • Formato: 210 x 285 mm
  • Editor: Arte de Autor
  • ISBN: 978-989-99674-4-1
  • PVP: 19,95€

Autor

Milo Manara nasceu em Itália em 1945 e é um dos grandes nomes da 9.ª Arte. Publicou a sua primeira Banda Desenhada quando estudava arquitectura em Veneza, a cidade de Hugo Pratt. É precisamente  com Pratt que acabaria por trabalhar em 1983 em Verão Índio e, mais tarde, em El Gaucho

Assina a solo o argumento e o desenho de obras como a série Clic ou obras como O Perfume do Invisível, tendo igualmente colaborado com outros argumentistas, como aconteceu na série sobre os Borgia que desenvolveu em parceria com  Jodorowsky.

Manara trabalhou ainda para grandes editoras norte-americanas como a Marvel e a DC Comics.

Música à Quarta!



Todas as semanas, todos os dias e, quem sabe, todas as horas, são lançados inúmeros LP'sEP'sSingles. Não sou melómano, apenas um ouvinte. Selecciono o que oiço pelo estilo, pelos nomes de artistas que conheço, pelo que oiço na rádio, pelos algoritmos do Spotify e pelos gostos e sugestões dos amigos. Sei que apenas oiço uma pequena parte do que existe.

Neste Blogtodas as quartas-feiras, compilo uma lista de álbuns que ouvi durante a semana e faço um post com ligação ao Spotify  onde podem ouvir o que ouvi. Em baixo podem encontrar a lista. Destaco a bold os álbuns que mais gostei.

À esquerda e em cima no Blog podem ouvir os álbuns da semana.


Careless People de Charlotte OC - 2017 (Pop)
Crawl Space de Tei Shi - 2017 (Indie Pop)
White Flag de Branches - 2017 (Indie Folk)
Skin: The Remixes de Flume - 2017 (Electronica)
Kid We Own the Summer de H-Burns - 2017 (Indie Folk)
Vulcanosis de Sundial Aeon - 2017 (Electronica)
Impressions de Tall Ships  - 2017 (Indie Pop)
Glass Beach de of Verona - 2017 (Indie Pop)
Belong de San Fermin - 2017 (Chamber Pop)
Sincerily, Future Pollution de Timber Timber - 2017 (Indie Folk)
Migration Blues de Eric Bibb - 2017 (Blues)
As Long As Your Eyes Are Wide de Said the Whale - 2017 (Indie Pop)

Ghost in the Shell de Rupert Sanders

Um dos mais míticos anime (desenhos animados japoneses) estreou em 1995 e chamava-se Ghost in the Shell. Realizado por Mamoru Oshii, era baseado no mangá (BD japonesa) do mesmo nome da autoria de Masamune Shirow. A versão de animação acabaria por transformar-se num dos mais celebrados e elogiados trabalhos desta Arte, pela complexidade dos temas e pela abordagem sofisticada. Num ano onde a internet começava a dar os primeiros passos, Ghost in the Shell antevia o que hoje esta revolução na comunicação humana é: uma complexa rede de troca e dependência de informação, onde o ser humano navega num prodigioso e imenso oceano de conhecimento - quer o aceda para adquiri-lo, quer se dedique ao lado mais lúdico.

No século XXI das adaptações cinematográficas de BD dos EUA, era só dar tempo para que as produtoras ocidentais começassem a minar a inesgotável fonte de criatividade desta Arte nas terras nipónicas. Claro que não é nenhuma novidade, mas as tentativas, até agora, aconteciam essencialmente no Japão ou, quando aqui chegavam, eram de cariz mais autoral - lembro o incontornável Oldboy de Park Chan-wook (recuso-me a falar de coisas como Dragonball). Ghost in the Shell era aquilo que alguns chamariam de um no-brainer: uma das mais celebradas anime/mangá; atmosférico e complexo; uma evolução do famoso Blade Runner de Ridley Scott. Resultou?

Para mim, sim e não. Sim, porque o visual são é sofisticado e inventivo, cada frame, cada mise en scéne, cada décor, um prodígio de design e imaginação. Verdade que o anime já o era, mas não só esta adaptação live-action copia onde deve copiar (a belíssima criação da heroína; a emblemática perseguição nas ruas que acaba num "lago" urbano; a queda da protagonista de um prédio; o mergulho nocturno) como inova onde deve inovar. Em suma, é criado um mundo rico em termos estéticos. 

Onde ele falha (mas não tanto quanto estou a dar a entender) é na história. Esta difere substancialmente do original, em ternos de enredo, e não assume a profundidade filosófica de forma tão autoral. No que respeita ao enredo não ofereço tanta resistência, mas no que respeita à reflexão que o anime inspirava poderiam ter dedicado um pouco mais de tempo e palavras. Outros dirão que faltará acção ao blockbuster que este live-action de Ghost in the Shell tenta ser. Os fracos resultados de bilheteira serão disso, provavelmente, prova - polémicas de whitewashing à parte. Mas a fonte original nunca foi um filme de tiros e de perseguições no sentido mais americano do termo. Esperar isso ou fazê-lo seria abastardar a obra-prima que é o original.

Ainda que incorra o risco de alguma ira, fiquei impressionado com a prestação de Scarlett Johansson como protagonista. A actriz possui a força necessária para a profundidade dramática e para as cenas de acção. O olhar distante e melancólico que é uma sua marca adapta-se à narrativa de Ghost in te Shell e, em mais do que um filme, já provou que é um herói de acção taco a taco com os melhores - já repararam que com Wonder Woman e Atomic Blonde podemos estar a presenciar o Ano Um dos filmes de acção protagonizados por mulheres?

Não sendo um filme perfeito é, contudo, uma adaptação divertida, profunda e relativamente fiel. Apesar de não ser um sucesso comercial, no que a mim diz respeito, não envergonha nenhuma das versões anteriores. 

Álbuns para Sempre, 15

Existem álbuns e músicas que permanecem. São mais que prazeres. São memórias.  São pedaços de um tempo, um momento, feliz ou triste. São resultado de existirmos e, por isso, nossos - mas também de outros. Como nenhuma outra arte, a música é comunhão. Quer por estarmos juntos num concerto, quer porque ouvimos um mesmo álbum, cada qual no conforto da sua casa.

Todos os fins-de-semana vão poder ouvir um álbum que me marcou. Esta semana cabe a Aqua Bassino e ao LP Beats n Bobbs.



Colecção No Coração das Trevas DC - volume 6: Joker & Harley Quinn

No sexto volume da colecção No Coração das Trevas DC, hoje nas bancas junto com o jornal O Público,  vão conhecer um amor... louco. 

Joker & Harley Quinn: Amor Louco, conta a história de Harley, uma antiga psiquiatra que trabalhava no Asilo Arkham, onde o Joker foi seu paciente. Habilmente, ele consegue manipulá-la emocionalmente e fazer com que se apaixone por ele, levando-a a ajudá-lo nos seus planos malignos, ganhando assim um novo aliado na luta sem fim que o opõe a Batman.

O argumentista e produtor televisivo Paul Dini, e o ilustrador Bruce Timm, criadores da série televisiva Batman Adventures - onde Harley Quinn se estreou - assinam esta história, que transpõe para o papel a sua famosa história animada, e outras duas histórias incluídas neste volume, que traz o Batman do mundo dos desenhos animados para a BD.

Em 1994, Amor Louco recebeu um prémio Eisner, sendo considerada a Melhor História desse ano. Também Frank Miller a considerou como uma das melhores histórias do Batman que já leu.