Música à Quarta!


Todas as semanas, todos os dias e, quem sabe, todas as horas, são lançados inúmeros LP'sEP'sSingles. Não sou melómano, apenas um ouvinte. Selecciono o que oiço pelo estilo, pelos nomes de artistas que conheço, pelo que oiço na rádio, pelos algoritmos do Spotify e pelos gostos e sugestões dos amigos. Sei que apenas oiço uma pequena parte do que existe.

Neste Blogtodas as quartas-feiras, compilo uma lista de álbuns que ouvi durante a semana e faço um post com ligação ao Spotify  onde podem ouvir o que ouvi. Em baixo podem encontrar a lista. Destaco a bold os álbuns que mais gostei.

À esquerda e em cima no Blog podem ouvir os álbuns da semana.


Her Live Tape#2 de Her - 2017 (Indie Pop)
Klyne de Klyne - 2017 (Indie Pop)
Heat de Poolside  - 2017 (Electronica)
Rival de Ruelle - 2017 (Indie Pop)
Mister Mellow de Washed Out - 2017 (Electronica)
Revelation for Personal use de Anneli Drecker - 2017 (Indie Pop)
Cultivations de Au.Ra - 2017 (Indie Pop)
The Mountain Has Fallen de DJ Shadow - 2017 (Electronica)
Purple Evenings de Jerry Folk - 2017 (Electronica)
LANY de LANY - 2017 (Indie Pop)
Undefined de Last Midas - 2017 (Indie Pop)
Postcards de Meadowlark - 2017 (Indie Pop)
Somewhere Between the Light de NuLogic - 2017 (Electronica)
The Triad de Pantha Du Prince - 2017 (Electronica)
Don't You Worry, Honey de Sir Sly - 2017 (Indie Rock)
Spiral Revelation de Steve Roach - 2017 (Electronica)
Saw You In A Dream de The Japaense House - 2017 (Indie Pop)

Dunkirk de Christopher Nolan


Christopher Nolan faz parte de um número reduzido de realizadores com uma rara qualidade. Aqueles que conseguem agradar a críticos e a espectadores. Deu-se a conhecer ao mundo com Memento, um exercício de estilo sobre o tempo (uma das suas "manias"), e continuou com um misto de filmes pessoais e de blockbusters cerebrais, dos quais os mais conhecidos e aplaudidos são o Dark Knight e Inception.

Muitas das suas obras são reflexos fractais e multicamadas sobre o tempo, a realidade e a psique. Existe um jogo de espelhos que parece dever mais a Hitchcock e Welles do que aos filmes-pipoca com que nos entretemos. Foi com Nolan que o filme de super-heróis atingiu uma certa maturidade, ao provar que é possível ser capaz de contar uma história sobre esta mitologia popular americana de forma ao mesmo tempo entretida e profunda. Falo, claro, outra vez, de Dark Knight. A trilogia dos filmes dedicada a Batman possibilitaram que pudesse entreter-se, entre películas, com projectos mais pessoais mas que não deixavam de ser rentáveis (desculpem o atalho de lógica). Assim surgem The Prestige e Inception. Depois de acabada a referida trilogia seguiram-se Interstellar e agora Dunkirk.

De todos os seus filmes este é, provavelmente, dos mais lineares em termos narrativos, ainda que jogue com a noção de tempo e da sua relatividade. Dunkirk é parco em diálogos e em sons, situação que é logo apresentada nos minutos iniciais. Existe uma simplicidade na forma como Nolan apresenta a história, como que a pontuar a também "simplicidade" da situação apresentada nas praias de Dunquerque durante a 2.ª Guerra Mundial: os soldados ingleses estão aí cercados pelos nazis, entre esse exército e o mar, e apenas podem esperar pela salvação que os liberte da morte certa e cada vez mais próxima. O mundo é reduzido ao seu estado mais primitivo, o da linear sobrevivência.

Partilhamos das dificuldades dos protagonistas enquanto a narrativa oscila entre a praia de Dunquerque, os barcos de civis, que navegam desde a costa inglesa até esta outra, e o ar, enquanto acompanhamos três pilotos que tentam, a todo o custo, defraudar as tentativas assassinas da força aérea inimiga. Tudo reduzido ao mínimo essencial. Talvez por isso, e porque esperamos sempre algo mais de Nolan, muitos saíssem defraudados do filme. Não sendo um dos meus favoritos dele (oscilo entre o Dark Knight e Inception) também não partilho do desânimo. Confesso que na linearidade e simplicidade dos planos e narrativa, no seu espartano enquadramento, vi um pouco de Full Metal Jacket de Kubrick. 

Álbuns para Sempre, 29

Existem álbuns e músicas que permanecem. São mais que prazeres. São memórias.  São pedaços de um tempo, um momento, feliz ou triste. São resultado de existirmos e, por isso, nossos - mas também de outros. Como nenhuma outra arte, a música é comunhão. Quer por estarmos juntos num concerto, quer porque ouvimos um mesmo álbum, cada qual no conforto da sua casa.

Todos os fins-de-semana vão poder ouvir um álbum que me marcou. Esta semana cabe a Sting e ao LP Bring On The Night.



Batman, Uma História Verdadeira de Paul Dini e Eduardo Risso na Colecção Novelas Gráficas III da Levoir/Público

(o Acho que Acho teve a honra de ser convidado para fazer a introdução deste volume)


Batman, Uma História Verdadeira de Paul Dini e Eduardo Risso está nomeado para o Prémio Eisner como melhor história autobiográfica 2017, poderá ser adquirida a partir de 21 de Julho, em versão de capa dura, pelo PVP de 9,99€ em conjunto com o jornal Público.

Paul Dini é o criador de Harley Quinn, a carismática namorada de Joker, que esteve em grande destaque no filme Esquadrão Suicida, Batman, Uma História Verdadeira. Eduardo Risso, desenhador argentino já conhecido do público português graças aos títulos editados pela Levoir, como Parque Chas e Batman Noir, dá aqui provas de uma versatilidade inesperada, adaptando o seu traço às necessidades específicas dos diferentes momentos da história. Mestre do preto e branco, como Batman Noir demonstra à saciedade, Risso ocupa-se pela primeira vez também da cor de uma história que desenhou, com resultados deslumbrantes, mas também extraordinariamente eficazes em termos narrativos.

Esta não é uma narrativa comum. É uma novela gráfica, contada pelo próprio autor a partir de um momento crucial da sua vida. Em 1993 ele foi brutalmente espancado e deixado em estado crítico perto de sua casa em West Hollywood. Além dos danos físicos que as agressões deixaram, Paul Dini lutou com as consequências psicológicas e o desafio de continuar a escrever sobre Batman e seus vilões.

A utilização dos personagens de Batman são a chave para o sucesso desta obra. Mesmo que esta história seja sobre a ideia do Batman, isso não significa que o Cavaleiro das Trevas e dos seus inimigos não apareçam na história como personagens reais. Cada vilão de Gotham aparece como uma manifestação da personalidade e psique de Paul Dini. Pinguim representa a tentação para beber álcool. Espantalho encarna o terror que Paul encara durantes os dias. Joker é a voz de cada pensamento sombrio que representa um atraso para a sua vida e carreira. Batman representa a esperança que ele pode inspirar nas pessoas que passam pelos momentos mais desesperantes.

A sinergia entre a escrita de Paul Dini e a arte de Eduardo Risso é impressionante. Sendo o resultado uma obra que fica entre uma realidade aterradora e momentos surreais e fantásticos. É uma obra de uma sensibilidade ímpar. É uma leitura obrigatória para todos os que são fãs de Batman. Mais do que isso, é uma leitura essencial para quem precisa urgentemente voltar a inspirar-se na vida.





Lady Macbeth de William Oldroyd

(para quem estiver interessado, o realizador estará presente hoje, dia 20 de Julho, na Sala 4 do Cinema Monumental em Lisboa, para falar sobre este seu primeiro filme) 

Desenganem-se os que se guiam pelo título. Este filme não é sobre a conhecida esposa do Macbeth da peça de teatro de Shakespeare. Esta mulher, como o realizador o diz, não é movida pela ambição de poder. Esta é uma jovem, em fins do século XIX na Inglaterra rural, forçada a casar-se com um homem vários anos mais velho e a habitar uma casa, quase em forma de clausura, e a ser pouco mais que um pedaço de mobília e uma produtora de prole para prosseguir o nome da família na qual se casou.

Baseado no romance homónimo do russo Nikolai Leskov, este é um filme sobre mulheres. Sobre a revolta que as força a serem mais do que o destino aparentemente lhes reservou. Mas também é sobre uma pessoa, uma personalidade, e o modo espontâneo como reage ao seu mundo e ao seu tempo.  Como se uma mulher moderna se rebelasse contra a prisão onde via-se obrigada a viver. Uma rebelião violenta, assassina, de moralidade questionável. Uma explosão de individualidade, de querer viver, que quebra as barreiras da justiça e do correcto. Uma busca incessante por liberdade, por liderança no próprio destino, mesmo contra o bom senso. Nessa força libertadora encontramos a Lady Macbeth do titulo (a personagem chama-se Katherine). Uma força da natureza, cruel, apática à moral, apenas com um intuito: ser ela própria, viver e não apenas sobreviver.

Esta é a primeira longa-metragem de William Oldroyd, realizador vindo do Teatro. Mas a passagem para a 7.ª Arte é feita sem soluços, como se o palco o tivesse preparado, de forma exemplar, para o Cinema. Existe atenção ao trabalho do actor mas também ao décor, ao mise en scéne. Cada plano é estudado sem o parecer, como se a câmara procurasse, sem pensar, a forma perfeita para ali estar. Não existe banda sonora que, o realizador afirma, serve para que o espectador não tenha refúgio emocional ou indicador de como deve pensar. A interpretação das acções das personagens deve ser decidido pelos códigos de cada um que as vê.  A cor é fria, gelada. Sentimos o vento do norte de Inglaterra, como na Escócia de Macbeth. Uma frieza apropriada à tempestade que é a personalidade de Katherine, um prodígio de trabalho da actriz Florence Pugh, cujos olhos não escondem, desde o primeiro momento, a rebeldia, o desafio e a luxúria de viver.

Um extraordinário filme sobre a rebeldia feminina, sobre a luta contra a clausura.

Música à Quarta!


Todas as semanas, todos os dias e, quem sabe, todas as horas, são lançados inúmeros LP'sEP'sSingles. Não sou melómano, apenas um ouvinte. Selecciono o que oiço pelo estilo, pelos nomes de artistas que conheço, pelo que oiço na rádio, pelos algoritmos do Spotify e pelos gostos e sugestões dos amigos. Sei que apenas oiço uma pequena parte do que existe.

Neste Blogtodas as quartas-feiras, compilo uma lista de álbuns que ouvi durante a semana e faço um post com ligação ao Spotify  onde podem ouvir o que ouvi. Em baixo podem encontrar a lista. Destaco a bold os álbuns que mais gostei.

À esquerda e em cima no Blog podem ouvir os álbuns da semana.


O que é a Arte? de Lev Tolstoy

Existem livros que devoramos e existem aqueles que nos devoram. E, claro, existem aqueles que são estas duas coisas ao mesmo tempo. Como se se tratasse de uma estranha forma de simbiose. Como se as palavras que entram pela retina sejam mais que frases e parágrafos e capítulos. Elas são estranhas e familiares verdades. Desejos há muito desejados. Lemos aquelas palavras entrelaçadas com voracidade e velocidade. O ar que respiramos é apenas uma forma de vivermos para acabar aquela leitura. Para quem não é religioso é o mais perto de deus que podemos estar. E O Que É A Arte? do maravilhoso Tolstoy fala muito de deus.

Quem apenas conhece este autor pelo nome não sabe o que perde. Como dizia Italo Calvino "um clássico é um livro que nunca acabou de dizer o que tem a dizer". Assim são os livros de Tolstoy. Pensamos que os conhecemos mas quando os lemos descobrimos que os conhecemos, sim, mas também que não fazíamos a mínima ideia de como eram na realidade. Li recentemente Ana Karenina e passei para A Sonata de Kreutzer e A Morte de Ivan Iliitch. Cada um era melhor que o outro, num ciclo deliciosamente viciante e vicioso. Quando, nas minhas passeatas por livrarias e títulos de livros, vi um que se chamava O Que É A Arte?, era escrito por este homem que depressa tornou-se num dos meus artistas favoritos, tinha de o ter e tinha de o ler. Devorei-o em dois dias. Existem nele palavras que concordo tanto quanto concordo que estou vivo. Existem outras que passam-me ao lado. Outras com as quais discordo tal como discordo de quaisquer preconceitos. Mas é impossível não sentir-me tocado ou identificado com o que nele está escrito do principio ao fim.

Raramente a força das palavras é justiçada. Apenas o é em quem delas sabe fazer uso e com elas sabe explanar as mais simples e claras ideias. Tolstoy era uma dessas pessoas. Este livro fala do que faz Arte, segundo o autor, Arte. Do que faz a Vida ser Vida. Do que faz a Humanidade ser Humanidade. Das suas virtudes e dos seus pecados. Dos seus desejos. Das suas esperanças. É filosofia, sim. Mas é tão mais do que isso. É Uma Verdade. A dele que também pode ser a nossa. Nem que seja nos momentos em que somos devorados pelas palavras. 

Álbuns para Sempre, 28

Existem álbuns e músicas que permanecem. São mais que prazeres. São memórias.  São pedaços de um tempo, um momento, feliz ou triste. São resultado de existirmos e, por isso, nossos - mas também de outros. Como nenhuma outra arte, a música é comunhão. Quer por estarmos juntos num concerto, quer porque ouvimos um mesmo álbum, cada qual no conforto da sua casa.

Todos os fins-de-semana vão poder ouvir um álbum que me marcou. Esta semana cabe a Hooverphonic e ao LP Magnificent Tree.




Os Ignorantes de Étienne Davodeau na Colecção Novelas Gráficas III da Levoir/Público


Os Ignorantes – Relato de uma Iniciação Cruzada. O que têm em comum um produtor de vinho biológico e um autor de BD? Esta obra relata a experiência de dois amigos, Étienne Davodeau,  um dos maiores autores de banda desenhada francesa actual, que não sabe nada de vinhos e Richard Leroy, viticultor que quase nunca leu BD. Juntos irão descobrir a ligação entre duas áreas aparentemente tão distintas.

O vinho e a BD vão servir de base a esta obra nomeada para a selecção oficial do Festival de Angoulême e mostrar que para a produção de vinhos e para a criação de um livro são necessárias dedicação, paixão e amor para que o trabalho seja bem realizado. Davodeau convida Leroy a partilhar a sua vida de viticultor em Anjou, França. Étienne foi trabalhar nas vinhas e na adega de Richard, durante mais de um ano, e este mergulhou no mundo do autor aprendendo como se produz um livro, como se promove nos Festivais, como é a relação com os fãs, com a editora e descobrindo que existem tantas maneiras de o fazer quantas as de produzir um vinho.

O leitor vai encontrar ao longo das páginas deste livro de belas ilustrações, resultado do traço rápido, quase caligráfico bem servido por um acabamento em aguada de guache que dá profundidade às páginas, uma história de amizade e novas descobertas.

No final da edição há uma lista apresentando todos os vinhos e leituras degustadas pelos dois amigos, nas leituras destacamos o  Watchmen do Alan Moore, Em busca de Peter Pan de Cosey, Fogos de Mattotti e a Guerra das Trincheiras de Tardi, editados pela Levoir em séries anteriores. 

Em banca a 14 de Julho pelo PVP de 9,99€.





Música à Quarta


Todas as semanas, todos os dias e, quem sabe, todas as horas, são lançados inúmeros LP'sEP'sSingles. Não sou melómano, apenas um ouvinte. Selecciono o que oiço pelo estilo, pelos nomes de artistas que conheço, pelo que oiço na rádio, pelos algoritmos do Spotify e pelos gostos e sugestões dos amigos. Sei que apenas oiço uma pequena parte do que existe.

Neste Blogtodas as quartas-feiras, compilo uma lista de álbuns que ouvi durante a semana e faço um post com ligação ao Spotify  onde podem ouvir o que ouvi. Em baixo podem encontrar a lista. Destaco a bold os álbuns que mais gostei.

À esquerda e em cima no Blog podem ouvir os álbuns da semana.


Sunny Hills de All We Are - 2017 (Indie Pop)
In The Still de Come On Live Long - 2017 (Indie Folk)
The Space Between de Fyfe - 2017 (Indie Pop)
The Journey Man de Goldie - 2017 (Electronica)
All the Troubled Hearts de Hiatus - 2017 (Electronica)
Ti Amo de Phoenix - 2017 (Indie Pop)
Slow Time de RG Lowe - 2017 (Indie Pop)
Boabab de Rodriguez Jr. - 2017 (Electronica)
Hard to Sleep, Easy to Dream de Airing - 2017 (Electronica)
Animal de Animal Youth - 2017 (Indie Pop)
Jenks de DBFC - 2017 (Indie Rock)
Expectations de Harvey Sutherland - 2017 (Electronica)
To the Bone de Hattie Webb - 2017 (Indie Pop)
In Other Words de Paper Tiger - 2017 (Electronica)
Planetarium de Sufjan Stevens, Nico Muhly, Bryce Dessner And James McAlister - 2017 (Electronica)
From the Top de Sunset Spirit - 2017 (Indie Pop)
All Change de Tom Williams - 2017 (Indie Rock)