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Os gostos têm tendência em unir pessoas na amizade. Eu e o Filipe Faria - escritor extraordinaire da saga Crónicas de Allaryia e tradutor incansável - temos uma devoção imortal pelos mundos da DC Comics. Ele é fã incontestável do Super-Homem e eu devoto da igreja da Diana de Themyscira. O Filipe tem uma colecção de momentos curiosos dos 80 anos de publicações desta editora. Todas as Sextas ele vai tentar colocar aqui um. Eu apenas publico e nada mais. 

No inDCências de hoje, visitamos a ilha de Themyscira (quando era conhecia por Paraíso), e entramos nos seus curiosos métodos de defesa pessoal,  desenhados de forma, digamos, apontada para um específico público-alvo.

Os gostos têm tendência em unir pessoas na amizade. Eu e o Filipe Faria - escritor extraordinaire da saga Crónicas de Allaryia e tradutor incansável - temos uma devoção imortal pelos mundos da DC Comics. Ele é fã incontestável do Super-Homem e eu devoto da igreja da Diana de Themyscira. O Filipe tem uma colecção de momentos curiosos dos 80 anos de publicações desta editora. Todas as Sextas ele vai tentar colocar aqui um. Eu apenas publico e nada mais. 

Hoje voltamos a uma amiga de longa data, Diana, Princesa de Themyscira, conhecida no mundo como a Mulher-Maravilha.

Os gostos têm tendência em unir pessoas na amizade. Eu e o Filipe Faria - escritor extraordinaire da saga Crónicas de Allaryia e tradutor incansável - temos uma devoção imortal pelos mundos da DC Comics. Ele é fã incontestável do Super-Homem e eu devoto da igreja da Diana de Themyscira. O Filipe tem uma colecção de momentos curiosos dos 80 anos de publicações desta editora. Todas as Sextas ele vai tentar colocar aqui um. Eu apenas publico e nada mais. 

Hoje regressamos à Mulher-Maravilha, ao seu criador, William Moulton Marston, e às suas...digamos... curiosas idiossincrasias.

Os gostos têm tendência em unir pessoas na amizade. Eu e o Filipe Faria - escritor extraordinaire da saga Crónicas de Allaryia e tradutor incansável - temos uma devoção imortal pelos mundos da DC Comics. Ele é fã incontestável do Super-Homem e eu devoto da igreja da Diana de Themyscira. O Filipe tem uma colecção de momentos curiosos dos 80 anos de publicações desta editora. Todas as Sextas ele vai tentar colocar aqui um. Eu apenas publico e nada mais. 

Hoje o Filipe começa com aquela que merece começar tudo. Meus amigos, a Mulher-Maravilha.

Injustice Gods Among Us: Year Three Complete Collection de Tom Taylor, Brian Buccelatto, Bruno Redondo e Mike S. Miller

Depois de mais de um ano sem visitar esta narrativa distópica do universo dos super-heróis da DC Comics, regressamos para ler os novos pesadelos de alto valor de entretenimento que os autores conseguiram sonhar. Para quem não sabe do que esta série trata, podem sempre ler as análises que fizemos aos anos um (aqui) e dois (aqui).

Filmes favoritos baseados em BDs (parte 2 de 2)

Vejam a primeira parte desta lista aqui.

Esta é uma lista pessoal, como não poderia deixar de ser. Misturam-se inclinações, preferências, uma pitada de coração, algum cérebro e, acima de tudo, a vontade de os querer rever sempre. Seguem em baixo, por ordem alfabética.

Podem consultar aqui uma lista de todos os filmes, passados e futuros, baseados em BD. Escusado será dizer que vi apenas uma pequena parcela deles.

Man of Steel de Zack Snyder (2013)

Tinham passados apenas sete anos desde o mal-fadado Superman Returns de Bryan Singer, quando o também odiado Zack Snyder decide revisitar a mitologia do Homem de Aço.

Uma BD aqui, outra BD ali, 13


Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Dark Nights: Metal número 6 de Scott Snyder e Greg Cappullo (DC Comics)

Nos últimos tempos a DC ou ficou descarada ou desesperada. Abraçaram todas as idiossincrasias e contradições da sua linha editorial, desde o universo de super-heróis até à Vertigo (onde publicaram o Sandman), e  enveredaram pela junção de ambas num todo narrativo. Dark Nights: Metal de Snyder e Cappullo é isso, com uma carrada de divertimento metido pelo meio. É grande, é barulhento, é garrido, é, como dizem os autores, um concerto rock à antiga com o som puxado à séria para cima.

DN:M é descaradamente e sem remorsos uma história de pura pornografia super-heroística DC. A narrativa pode ser desfrutada por todos mas integralmente percebida apenas por alguns "iluminados", geeks como eu, que conhecem cada minúcia da História, histórias, cosmologia e cosmogonia da editora. É uma salada russa com multiversos, versões alternativas de super-heróis, um Mal Maior Que Qq Coisa Já Vista, heroísmo  à antiga, sem concessões ou ambivalências, em suma, uma história de super-heróis como elas merecem ser.

DN:M chegou ao final com este número seis e agora posso dizer, sem reservas, que é um daqueles raros eventos de super-heróis que merecem o hype. Prometeu ser um terramoto para o multiverso da DC e assim o foi. Saímos da última página com os olhos abertos para uma imensidão de oportunidades e terreno por desbravar. Como escreve Snyder: o actual multiverso DC é um aquário despejado num Oceano. E agora vamos explorar essa imensidão. Mas desenganem-se se pensam que DN:M é apenas um monte de enredos sem coração. Esse fica a cargo, primeiro, da minha Diana, a Mulher-Maravilha, que tem um dos grandes momentos do seu historial, e depois, claro, do Batman, o catalisador narrativo de Metal. Ambos têm momentos inesquecíveis e clássicos instantâneos. 

Nas últimas páginas somos presenteados com uma promessa e um elogio. A promessa é a do oceano à espera dos nossos heróis. O elogio é à antiga DC, aquela dos super-amigos, dos sorrisos e do companheirismo entre heróis. DN:M começou com as notas da música celestial e acaba com os acordes de uma canção clássica rock 'n' roll. Vamos ouvir e dançar todos juntos.

Uma BD aqui, outra BD ali, 10

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Brave And The Bold Batman And Wonder Woman número 1 de Liam Sharp (DC Comics)

Liam Sharp foi o desenhista responsável por metade das histórias mais recentes que Greg Rucka escreveu para a Mulher-Maravilha. Veterano do lápis e tinta da china (perdoem a minha ignorância no mundo do desenho), decide tentar a sua sorte (não sei se pela primeira vez) na arte da escrita. A DC Comics tem recentemente arriscado mini-séries com Diana como co-protagonista. Uma primeira junto com o conhecido Conan, O Bárbaro (comprem, porque vale a pena) e agora com o ainda mais conhecido Batman, o seu companheiro de armas na Liga da Justiça

No que respeita à escrita, Liam vai soberbo, conseguindo equilíbrio entre a exposição necessária para trazer o leitor para dentro do mundo fantástico do Folclore Irlandês (peça central da história), e momentos mais intimistas, principalmente com a super-heroína. Para quem leu a sua colaboração com Rucka, este primeiro número representa uma pequena recompensa. A primeira cena com Diana é poderosa a reveladora do amor do desenhista à personagem mas também da imagem que ela representa dentro do mundo fictício da DC. O Batman aparece parcimoniosamente, mas o suficiente para revelar o controlo que Sharp tem sobre a sua personalidade. 

Finalmente, no que respeita à arte, o autor excede-se, entregando uma BD francamente bela e bem estruturada. O seu traço é particularmente apropriado ao mundo de Fadas da mitologia irlandesa e cada página merece ser um poster - mas sem perder um átomo do storytelling. A continuar assim teremos em mãos uma das minhas BDs favoritas do ano (e não só porque tem a Diana como co-protagonista). Já agora, Sharp continua a desenhar uma das mais expressivas e bonitas interpretações de Diana, ao ponto de eu, como fã, ter dificuldade em não a considerar como uma favorita (ao lado da de George Pèrez). 

Defenders (2017) número 10 de Brian Michael Bendis e David Marquez (Marvel)


Chega ao fim a Era Bendis da Marvel. Depois de 17 anos de uma produção polémica mas profícua, um dos mais importantes escritores a trabalhar na auto-professa Casa das Ideias muda-se para a Distinta Concorrência (DC, para os que não estão dentro destes acrónimos). Ficou conhecido pelo trabalho em várias personagens, mas em nenhuma mais do que nos conhecidos como street-level heroes. O Demolidor. Luke Cage. Jessica Jones (que co-criou). Homem-Aranha. É, portanto, apropriado, que termine com este Defenders, que reúne na mesma equipa os três primeiros mais o Punho de Ferro (que escreveu nos Vingadores). E, mais ainda, junto com o desenhista David Marquez, com quem tinha previamente trabalhado em Miles Morales e em Civil War II.

Como já referi em posts anteriores, Bendis não poderia acabar a sua prestação na Marvel de melhor forma. Defenders é das obras mais conseguidas do autor, ombreando com trabalhos como o Demolidor (talvez o seu ponto alto), Ultimate Spider-Man e New Avengers (os meus três favoritos). Parece que Bendis tirou da cartola mais um conjunto de ferramentas de storytelling para impressionar os detractores e os fãs. "Eu ainda sou capaz de vos surpreender pela qualidade, estão a ver?!". Quem gosta do seu trabalho, apesar de saber que ele ainda tinha muito para dar, não esperava que a qualidade da sua escrita ainda pudesse brilhar tanto, mesmo empregando muitos dos seus cartões de visita: a verborreia; os plot-twists; a reinterpretação de velhos vilões e de antigos heróis; o baralhar de geografias e conceitos do universo da Marvel. Bendis brilha em cada página e em cada frase destes 10 números dos  Defenders 2017, defendendo o seu legado sem egoísmos, dizendo um sentido adeus e deixando a página aberta aos que se seguem. 

Mas nenhum elogio aos Defenders pode estar completo sem falar de David Marquez, um dos seus recentes colaboradores e que nestes 10 números brilhou como nunca. Cada rosto é único, cada cena de acção coreografada de forma belíssima, cada enquadramento apropriado.

Bendis diz adeus e eu sigo-o para o Super-Homem. Até mais logo, Marvel.

Uma BD aqui, outra BD ali, 9

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Dark Nights Metal número 5 de Scott Snyder e Greg Cappulo (DC Comics)


Ainda falta um capítulo (e um especial) para Dark Nights Metal chegar ao fim. A promessa é que será em Março. No que a mim diz respeito, esta é provavelmente uma mini-série/evento/saga que será uma marca no historial da DC... mas não só. Será o critério pelo qual muitas outras mini-séries/eventos/sagas serão julgadas. Ainda falta um capítulo (e um especial) e estou convencido disso. Será que a DC aprendeu com todos os erros do passado e daqui para a frente adoptarão esta metodologia? (Doomsday Clock parece ser outro excelente passo no bom caminho). Apenas o futuro o dirá mas espero que tenham aprendido a lição. Para que os leitores se sintam motivados, na carteira e na vontade, é urgente as editoras de super-heróis perceberam que os seus fãs não precisam de fazer assaltos a bancos para seguir as histórias das suas personagens favoritas. Também existiram pequenos crossovers e alguns especiais em Dark Nights Metal mas não só não eram imprescindíveis como, se os lessem (e eu li todos), eram recompensados com (imaginem só esta revolução) qualidade.

Como já disse em análises anteriores, Dark Night Metal NÃO é para o leitor ocasional da DC. Poderão divertir-se mas nunca será a mesma coisa. Lamento, mas a DC, Scott Snyder e Greg Cappulo parece que não se importam com isso. Aqui não existe a versão Politicamente Correcta da BD dos EUA: que todo o leitor tem de ser apaparicado e perceber o que se passa. Impossível! Este é apenas mais um episódio de uma longa novela. Ainda bem. E que episódio! Tudo o que interessa a quem gosta da DC está aqui: os super-heróis bastiões da luz e de virtudes; apoteoses da moralidade Humana; lutarem contra tudo, mesmo quando não há esperança aparente; enfrentarem vilões sem uma réstia de cinzento, eles próprios a apoteose do Mal; o Super-Homem, o Batman e a Mulher-Maravilha como os representantes máximos de heroísmo, perseverança e Bondade. Este é um filme blockbuster como nunca será feito. É entretenimento puro e duro, sem remorsos ou concessões. É aquilo que BD (também) deve ser!

The Flash Annual (2018) número 1 de Joshua Williamson e vários (DC Comics)

Continuando no leit motif "histórias-apenas-para-ser-consumidas-por-quem-adora-a-DC-e-é-doutorado-na-editora": The Flash. Sou fã da versão pós-Crise, a de Wally West (já comecei a ser hermético). Sou fã do trabalho que Mike Baron, Bill Messner-Loebs, Mark Waid, Grant Morrison e Geoff Johns fizeram no velocista. Li apenas parcialmente o que seguiu-se ao último escritor que mencionei.  Fiquei curioso com a saga que começa neste Anual e que se intitula Flash War. Achei que poderia ter tudo aquilo que gosto da mitologia da personagem: a noção de legado; os melhores vilões depois do Batman e do Homem-Aranha; viagens temporais; paradoxos temporais; Flash Reverso; Wally West; a arte de Howard Porter; e ligação forte ao DC Rebirth. Tem, de facto, tudo isto. E é bom?

É entretido, lá isso é. Mas Joshua Williamson não é nenhum dos escritores que mencionei e isso nota-se. Não existe, pelo menos neste seu trabalho, a inventividade que caracterizava cada um dos seus antecessores. Existe, isso sim, uma certa deferência a esse maravilhoso passado mas (e eu sei que pareço estar a contradizer-me) isso não é suficiente. Podemos regressar a casa mas devemos ir com roupas diferentes, nem que seja para termos o elemento de surpresa do nosso lado. Não me interpretem mal. Eu gostei muito de ler este Anual e adorei rever alguns antigos conhecidos. Foi delicioso voltar a ver Wally West como protagonista de uma revista do Flash. Foi excitante folhear e ser surpreso por alguns regressos. Mas, na realidade, já vimos isto tudo. Falta o golpe de asa para que esta saga não seja mais que um retorno ao status quo. Geoff Johns está a fazê-lo no Doomsday Clock. A ver se Williamson consegue sentir-se inspirado por ele. Continuarei a ler mas preciso de mais. O Flash de Wally West merece.

Mulher-Maravilha de Azzarello, Chiang, Adkins e Sudzuka




(publicado em Wonder Woman New 52 (2011) 0, 1-35, Faces of Evil: First Born)

(contém spoilers)

Esta não é a Mulher-Maravilha a que estão habituados. A versão é visceral e violenta, bebendo das lendas e mitos dos deuses gregos para além da filosofia do criador de Diana, William Moulton Marston. Existe mais guerra e menos paz. Gail Simone, uma das mais conhecidas escritoras da Mulher-Maravilha, diz não ser fã de uma modificação basilar ao mito de Diana introduzida por Azzarello: a mãe não a esculpiu do barro a que, posteriormente, os deuses deram vida. Diana é agora uma semi-deusa, nascida da luxúria entre Hipólita, a rainha das Amazonas, e Zeus, o Deus dos deuses. Segundo a autora, a introdução de um lado masculino na mitologia da Princesa Amazona diminui a mensagem feminista de Marston. Qualquer que seja o lado para que pendam, esta é a origem que passou para o cinema, pela realizadora Patty Jenkins.

Azzarello, ao introduzir uma nova versão do nascimento de Diana, modifica o mito e aproxima-o dos heróis e semi-deuses da mitologia grega, muitos deles nascidos das indiscrições do pai dos deuses. Todos sabemos de Perseu, de Hércules. Diana junta-se a eles, a uma linhagem que pertence à História da Cultura Ocidental e à Literatura Clássica - Homero e Ovídio ficariam orgulhosos. Azzarello reinterpreta a personagem e adapta-a ao seu olhar e é nesta perspectiva que a sua versão deve ser avaliada. Claro que isso não invalida os que se sentem defraudados pela interpretação desviar-se do que julgam ser essencial à personagem. Contudo, segundo a minha perspectiva, o que é basilar a Diana continua na versão de Azzarello. 

Mais do que uma vez, Diana prefere o uso da conciliação e da não-violência para resolver um conflito. Quando confrontada com Hera, a deusa responsável, num assomo de ciúmes, pela transformação das suas conterrâneas e mãe em cobras e pedra, respectivamente, decide o caminho do perdão e da redenção (já agora, um aparte: Azzarello, consciente ou inconscientemente, alude às Metamorfoses de Ovídio, ao escolher o modo de castigo a que Hera recorre na sua vingança). Quando se vê forçada a casar com Hades, ela ilude o deus usando da sua inteligência e compaixão. Num momento que encapsula a sua motivação, Diana afirma "que ama todos", mesmo o deus dos infernos. Azzarello, por mais que pinte com as suas próprias cores esta narrativa da Mulher-Maravilha, não foge das bases da personalidade da personagem. Diana é uma força de amor, de poder guerreiro e, acima de tudo, uma personalidade resoluta. Cada passo é raramente noutra direcção que não seja para a frente. Sem dúvidas.

É nas intrigas entre os deuses do panteão grego que o escritor se centra. Desde cedo elimina do enredo tudo o que considera supérfluo ou redundante. Steve Trevor, o eterno namorado, não existe. As Amazonas são, como já o disse, retiradas de campo pela mão vingativa de Hera, a esposa desonrada de Zeus, o que está em acordo com a versão que todos conhecemos na História. A acção começa não só pelo abandono, por parte de Zeus, do trono do Olimpo, como pela gravidez e posterior nascimento de mais um bastardo deste deus, colocando a perpetuamente sofredora esposa como uma antagonista de Diana. Paralelamente, os filhos do Deus desaparecido, bem como Hades e Poseidon, seus irmãos, degladiam-se pelo trono abandonado. A Mulher-Maravilha é colocada neste palco, entre a defesa da mãe da criança, do seu meio-irmão, e as lutas palacianas. É arrastada para cada enredo e conluio contra a sua vontade mas depressa toma as rédeas do destino, não o deixando por mãos alheias. 

O enredo irá culminar em dois eventos. Assistimos, desde cedo, à caminhada do First Born, o primeiro filho de Zeus e Hera, rejeitado pelo pai por, tal como com Cronos,  ser o seu possível futuro assassino. Do conflito com este ser movido apenas pelo ódio, Diana ascende à divindade, ao matar o Ares, O Deus da Guerra (que nesta versão não é seu opositor mas mestre), e herdando o título. É aqui que Azzarello deixa vincada a sua marca, num claro desvio da mensagem de paz de Marston. Contudo, acredito que é apenas na forma, porque no cerne da personagem, esta transformação serve para sublinhar a mensagem pacífica de Diana. Nesta escolha do extremo oposto, Azzarello prova, pelos actos de compaixão levados a cabo pela Mulher-Maravilha, que ela é a escolha certa para a divindade da guerra e do conflito.

Para terminar um post já longo, não posso deixar de sublinhar o trabalho dos desenhadores, principalmente o de Cliff Chang e de Goran Sudzuka. Com uma linha minimalista e cartoonesca, são o complemento perfeito para a parcimónia e honestidade brutal das palavras de Azzarello. Fora fica o tom clássico de George Pérez, com a sua fiel e rebuscada pintura do mundo helénico de Diana. Themyscira, a ilha das Amazonas, assemelha-se mais às casas da Grécia moderna do que às representações idealizadas da antiga.  Fora ficam as figuras de toga dos deuses gregos e surgem visualizações metafóricas e simbólicas dos mesmos.  O Olimpo fica desnudado de arquitecturas escherianas e dá lugar à sobriedade e soturnidade do minimalismo.

A Diana de Azzarello, Chiang, Sudzuka e Adkins é a prova de que os arquétipos mais antigos podem ser re-imaginados, sem perder o seu núcleo e a sua mensagem. É a prova de que a Mulher-Maravilha é um dos mais perenes e primordiais. 

5.º volume da Colecção Mulher-Maravilha Levoir/Público: Deuses de Gotham de Phil Jimenez

Tudo o que é bom acaba. A colecção que marcou o ano para o Acho que Acho chega hoje ao último volume. A nossa Diana deixa-nos, desta vez pela imaginação de um dos seus maiores admiradores e um dos maiores artistas que trabalharam as suas histórias: Phil Jimenez. 

E, mais uma vez (e perdoem-me por estar a ser chato e repetitivo) fui convidado a escrever umas palavras para a introdução.

Novamente, quero agradecer à Levoir e José Hartvig de Freitas pela honra e previlégio que me deram por participar e escrever para esta colecção. Um bem hajam!



Chegou ao fim de mais uma colecção DC COMICS da Levoir e do jornal Público. Neste último volume, o quinto da colecção, Mulher-Maravilha: Deuses de Gotham, escrita por Phil Jimenez e J. M. DeMatteis, e ilustrada pelo próprio Jimenez e Andy Lanning pode ser apreciada uma das melhores histórias deste grupo criativo.

Este volume inclui as 3 ilustrações vencedoras do Concurso Mulher-Maravilha, cujos autores são:
- Filipe Dias

-Joel Sousa

-Nuno Rodrigues


Os mais terríveis deuses gregos regressam ao mundo, os deuses da discórdia, medo e terror, e combinam a sua essência com a dos piores supervilões de Gotham City, Joker, Espantalho e Hera Venenosa. Batman irá nesta história necessitar de toda a ajuda da Mulher-Maravilha para os derrotar, mas quando os deuses também conseguem possuir Batman, a Princesa Amazona descobre que mesmo a ajuda de outros protectores de Gotham, como o Asa Nocturna e o Robin, bem como da sua própria protegida, Donna Troy, a Wonder Girl, podem não ser suficientes para acabar com o reinado maligno dos deuses do submundo. 

Sabias que:
O conhecido logotipo da Mulher-Maravilha, com o duplo WW, foi criado em 1982 pelo famoso designer Milton Glaser, criador do icónico I ❤ NY. Não foi essa a única colaboração de Glaser com a DC, pois o designer foi também responsável pelo mais duradouro logotipo da DC Comics, conhecido.





Colecção Mulher-Maravilha Levoir/Público - 4.º volume: Homens e Deuses de George Pérez, Len Wein e Greg Potter



Existem momentos que valem a pena recordar e permanecer para sempre na memória. Um desses momentos foi aquele em que li, pela primeira vez, a Mulher-Maravilha de George Pérez - numa das saudosas revistinhas da Editora Abril. Foi a partir daí que o meu amor pela personagem começou, já lá vão 30 anos. Por isso, Diana continua a ser a minha favorita da BD.

Foi, portanto, com orgulho, honra e um outro indefinível e grande sentimento, que fui convidado para participar na colecção da Levoir/Público da Diana e a data de hoje é muito especial. 

Houve alguma falta de juízo a quem disse para eu escrever a introdução do volume que sai hoje, o dedicado a essas histórias e a esse autor que tanto marcaram o meu percurso na BD - e na vida, não o vou diminuir. Desculpam a falta de modéstia, mas este é um momento particularmente especial.

Contudo, o que interessa mesmo é vocês também se apaixonarem pela Diana de George Pérez. Espero que o consigam mas, se não conseguirem, não se apoquentem: tudo a seu tempo.

E agora o press-release da Levoir.

O volume de Mulher-Maravilha: Homens e Deuses é o terceiro da colecção e sai em banca a 15 de Junho, por mais 11,90€ com o jornal Público e na FNAC.


Na mítica ilha de Temiscira, uma orgulhosa e feroz raça guerreira de amazonas criou uma filha de beleza, graça e força inauditas – a princesa Diana, também conhecida como Mulher-Maravilha. Quando um piloto de caça do Exército, Steve Trevor, pára na ilha, a rebelde e obstinada Diana desafia a lei das amazonas ao acompanhar Trevor de volta à civilização. Enquanto isso, Ares (o deus da guerra) escapou de sua prisão nas mãos das Amazonas e decidiu exigir a sua vingança: uma guerra mundial que não só durará séculos como acabará com todos os seres vivos do planeta! Cabe à Princesa Diana salvar seu povo e o mundo, usando os seus poderes para provar que merece o nome de Mulher-Maravilha. O início da épica e incontornável remodelação da Mulher-Maravilha, levada a cabo por George Pérez na sequência das alterações no Universo DC provocadas pela saga Crise nas Terras Infinitas.





Mulher-Maravilha de Lauren Montgomery: Edição Comemorativa

Pode encontrar-se nas lojas em Portugal este DVD, uma re-edição comemorativa da animação produzida em 2009 pela DC e protagonizada por Diana, Princesa de Themyscira, a Mulher-Maravilha. Obviamente que o propósito é capitalizar no filme live-action que passa nas salas do cinema, e constitui uma diferente interpretação do mito que, em termos filosóficos, permanece fiel aos princípios inerentes do mundo de Diana.

O filme segue o enredo criado por William Moulton Marston, o criador da Mulher-Maravilha, mas com algumas modificações para melhor alicerçá-lo na narrativa de um filme animado de uma hora e um quarto e também no mundo moderno. As Amazonas são vistas como guerreiras eficientes que lutaram, na Antiguidade Clássica, para libertarem-se do jugo e escravidão a que estiveram impostas pelo Deus da Guerra, Ares. É ele o antagonista desta narrativa, servindo como motor e propósito das Amazonas e de Diana. Surge ainda Steve Trevor, o homem que despenha-se na Ilha de Themyscira (o lar das Amazonas) e é ele que enceta o desejo, junto com Ares, de Diana abandonar o seu lar. 

Este filme não é para crianças, ainda que esteja marcado para Maiores de 6 Anos e vendido na secção infantil de DVD's (da FNAC, por exemplo). Os temas, a violência e modo de contar a história, são menos infantis do que se poderia esperar e, assumidamente, não é aconselhável a crianças impressionáveis (estamos muito longe de Frozen e de produtos do género). Ainda assim, é um filme que pode (e deve) ser apreciado pela maior parte da família, com momentos que oscilam entre a acção e o humor e com uma mensagem feminista sublinhada (tão importante ao mito da Diana). A história apresenta algumas falhas e a interpretação de Diana não é a minha favorita, mas esta possui peso o suficiente para suportar a narrativa. Esta versão da Mulher-Maravilha não tem a ver com os olhos inocentes com que Patty Jenkins e Gal Gadot a desenharam no filme live-action (e inspirado em George Pérez, o escritor/desenhador que reformulou a personagem em 1987).

Uma das forças deste DVD são os extras. Poderemos ver uma elucidativa biografia do seu criador (que, ainda assim, escapa-se a abordar temas mais lascivos), vários criadores a falar (alguns, de forma muito emotiva) sobre o que faz esta personagem respirar e ser o ícone que é, entre outros momentos que ilustram de forma clara o significado de Diana no contexto da Banda Desenhada, da História e da sua relevância enquanto símbolo.

Um DVD para perceber quem é a Mulher-Maravilha enquanto mito e enquanto personagem de ficção.

Colecção Mulher-Maravilha Levoir/Público - 3.º volume: Hiketeia de Greg Rucka e J. G. Jones


Sai hoje, dia 8 de Junho, o terceiro volume da colecção da Levoir/Público dedicada ao maior personagem da BD: Diana, Princesa de Themyscira, filha de Hipólita, a Mulher-Maravilha. Este reproduz a primeira história que Greg Rucka, confesso apaixonado pela personagem, fez para Diana, auxiliado pelos desenhos de J. G. Jones.

Este volume, tem, para o Acho que Acho, outro motivo de orgulho. Ajudamos a fazer a cronologia da personagem que foi incluída num caderno inédito nestas colecções. Houve quem achasse que a Diana merecia e ficamos felizes por contribuir.

Para além disso (e muito mais importante), João Miguel Lameiras do Blog Por Um Punhado de Imagens, faz uma deliciosa introdução ao livro

Sinopse
A Mulher-Maravilha aceita tomar sob sua protecção uma jovem humana, Danielle Wellys, de acordo com a Hiketeia, um antigo ritual consagrado pelos deuses, e terá de a proteger contra todos os que a perseguem, mesmo contra o Batman, que a quer prender por assassinato e, como sempre, não está disposto a deixar escapar a sua presa, mesmo que isso implique defrontar a sua amiga e companheira da Liga da Justiça.

Toca a comprar!

Colecção Mulher-Maravilha Levoir/Público - 2.º volume: Um por Todos de Christopher Moeller


O volume de Mulher-Maravilha: Um Por todos é o segundo da colecção e vai para a banca a 1 de Junho no mesmo dia que o filme é estreado, por mais 11,90€ com o jornal Público e na FNAC.

Esta é uma história sensacional onde Diana de Temiscira mostra a importância que os amigos têm na sua vida e também o seu forte carácter.

Através do oráculo das amazonas, Diana fica a saber de uma profecia a respeito do despertar de um antigo e maléfico dragão, que atingirá os seus amigos da Liga da Justiça e que quem o derrotar morrerá no processo. Decidida a não perder nenhum dos seus amigos a Mulher-Maravilha tem de os impedir de confrontar esse inimigo tendo para isso de os colocar fora de acção um por um, pois só assim poderá enfrentar o dragão sozinha.

O argumento e os desenhos são de Christopher Moeller, que começou a sua carreira na Innovation Comics e ganhou nome na Dark Horse ilustrando capas da série Star Wars.

Sabia que: Embora só agora, em 2017, chegue ao grande ecrã, pelas mãos de Patty Jenkins, a Mulher-Maravilha esteve muito perto de ser adaptada ao cinema 10 anos antes, num filme escrito e dirigido por Joss Whedon, o criador da série televisiva Buffy de Vampire Killer que, frustrado este projecto, acabou por realizar o primeiro filme dos Vingadores, da Marvel.





Colecção Mulher-Maravilha Levoir/Público - 1.º volume: Terra Um de Grant Morrison e Yannick Paquette

Antes de passar ao press-release da Levoir, queríamos aqui no Acho que Acho dizer umas coisinhas.

Desde que a Editora Abril, em 1987 (sim, há 30 anos atrás), publicou a Mulher-Maravilha de George Pérez, que sou um fã incondicional da personagem - é a minha favorita da BD e, quem sabe, da Literatura (perdoem os excessos de paixão). O primeiro contacto, contudo, tinha acontecido algures no início da década de 80, no Super-Homem vs Mulher-Maravilha da EBAL, comprado e lido na Ericeira, publicado num formato grande, com escrita de Gerry Conway e desenho de José Luís Garcia-Lopez.

É, portanto, fabuloso, ver editadas, finalmente, em português do nosso Portugal, algumas das histórias mais relevantes da Princesa Diana de Temiscira (como é conhecida pelos fãs e, em breve, por vocês).

Mas esta colecção tem outro ponto que é, para este blog, motivo de honra. Houve quem achasse que achasse que teria alguma coisa de interessante a dizer sobre a personagem e, vai daí, convidou-me para escrever a intro desde volume (e não só). Escusado será dizer que (depois de saltar de alegria e essas coisas menos dignas) aceitei. 

Espero ter feito jus à personagem porque ela merece.

(já agora, podem clicar neste link para ler o que escrevi sobre este volume quando ele saiu no original).



A Levoir junto com o Público celebra os 75 Anos da Mulher-Maravilha com o lançamento de uma colecção, um concurso de ilustração e um passatempo para os seguidores de Facebook para assistir à antestreia do filme dedicado a esta heroína em colaboração com a Warner Bros. Portugal-NOS Audiovisuais.

"Mulher-Maravilha" é a nova colecção da Levoir em conjunto com o jornal Público que sai em banca a 25 de Maio. É uma edição de coleccionador composta por 5 volumes (livros em capa dura ) que incluirá prefácios e materiais extra, uma introdução à história da personagem e cronologia detalhada.

Por 11,90€, os leitores podem conhecer a história da Princesa Diana de Temiscira, a Mulher-Maravilha. Diana vive na Ilha Paraíso, com a sua mãe a rainha Hipólita. Durante milénios as amazonas habitantes da ilha contruíram uma próspera sociedade longe da maligna influência dos homens.  Mas a jovem Diana não está satisfeita com sua vida reclusa, sabe que há mais mundo para além da ilha e resolve explorá-lo mesmo que tenha de ir contra os desejos de sua mãe e esta não concorde com os seus planos.

Escrita por Grant Morrison e ilustrada por Yanick Paquette chega a mais provocativa das origens da Mulher-Maravilha – uma leitura sem igual que honra a rica história da personagem!

Os livros da colecção são:

Volume 1 - Mulher-Maravilha: Terra Um – Argumento Grant Morrison, desenhos Yanick Paquette
Volume 2 – Mulher-Maravilha: Um por Todos – Argumento e desenhos Christopher Moeler
Volume 3 - Mulher-Maravilha:  A Hiketeia – Argumento Greg Rucka, desenhos J. G. Jones
Volume 4 - Mulher-Maravilha: Homens e Deuses - Argumento Len Wein, desenhos George Pérez
Volume 5 – Deuses de Gotham - Argumento Phil Jiménez e J. M. De Matteis,  desenhos Phil Jiménez

O primeiro volume da colecção incluirá a oferta dum postal com a imagem oficial do filme da Mulher-Maravilha com a colaboração da "Warner Bros. Portugal e NOS Audiovisuais"

Sabias que: Durante dois meses a Mulher-Maravilha foi Embaixatriz das Nações Unidas?  E que o português Miguel Mendonça desenhou a Mulher-Maravilha durante a fase final da linha Novos 52 escrita por Meredith Finch?





O que vou lendo! Legend of Wonder Woman de Renae de Liz e Ray Dillon

É uma pena. É uma pena que a excelente série Legend of Wonder Woman de Renae de Liz e Ray Dillon tenha sido cancelada. Não vou entrar nas coscuvilhices do desaguisado entre a DC e os autores mas não posso deixar de expressar o meu descontentamento. Este volume, que colecciona todos os números online, não é apenas uma das melhores histórias feitas com o meu personagem de BD favorito, Diana de Themyscira, a Mulher-Maravilha, mas um bom livro de mérito próprio. 

Renae de Liz, escritora, escolhe (ou a DC escolheu por ela), uma vez mais, contar a história da origem de Diana, transportando o personagem de regresso ao seu período original, a Segunda Guerra Mundial. No entanto, existem diferenças notáveis ​​entre esta interpretação e anteriores, tanto na forma como na intenção. 

Ranae muda o enredo apenas o suficiente para não parecer derivado e o suficiente para ser fresco. Existem alterações subtis, pormenores de enredo que são diferentes, não apenas para que sejam novidade mas porque os autores querem contar uma narrativa interessante e divertida. Hippolyta, a mãe de Diana e rainha das Amazonas, não é exactamente a mesma, Themyscira, a terra-mãe do personagem, também não - não vou enumerar ou descrever todas as mudanças porque quero que descubram por vocês mesmos. 

O ritmo lento mas seguro com que desenvolve os primeiros dias na vida de Diana é uma lufada de ar fresco. Desenvolve personalidades, acrescenta -lhes pequenas peculiaridades, mantém-se fiel aos arquétipos e diverte-se nas longas e relevantes trocas de diálogo. Além de Diana, a escritora passa algum tempo a desenvolver Etta Candy, transformando-a em muito mais do que um personagem coadjuvante da Mulher-Maravilha.

Ritmo lento não significa, por outro lado, descompressão da história. Cada momento está repleto de world-building, de personagens ricos e de situações triviais elevadas a um status quase mítico, simplesmente pela qualidade do cuidado dedicado a cada detalhe. Ranae também esculpe (pun intended) uma cosmogonia diferente da de encarnações anteriores da Mulher-Maravilha e que é, ao mesmo tempo, original e uma piscadela de olho aos antigos fãs de DC. É notável que tente fazer um conto de Diana para a posteridade (reparem que uso ainda presente, em jeito de esperança). E nesta compilação cumpre essa promessa. 

Tudo o que é relevante para a mitologia da Princesa de Themyscira é, de alguma forma, abordado nestas páginas. A Verdade é, acima de tudo, uma das mais importantes partes da mensagem da Mulher-Maravilha e esta brilha no conto. A dicotomia Guerra / Paz, tão integral à MM, é sublinhada e justificada. De facto, Ranae conhece em profundidade ao personagem. 

Legend of Wonder Woman é uma obra excepcional. Deveria continuar, principalmente porque a Diana merece mas essencialmente porque este nível de amor e de dedicação à mitologia da Mulher-Maravilha deve ser apreciada e encorajada. DC, por favor, deixe os autores terminarem a história.

O que vou lendo! Injustice Gods Among Us, Year Two, The Complete Collection de Tom Taylor e vários

A queda de um anjo, o maior do universo da DC, continua. Depois de aqui vos ter falado do primeiro ano, continua o conto de um mundo alternativo onde o Super-Homem, mercê de uma tragédia que recaiu sobre a sua família, transformou-se no maior vilão da História. Como todos os vilões, ele não se vê como talo. Ele o salvador, o polícia da ordem que imporá regras e paz num mundo caótico e sem justiça. Heróis juntam-se à sua cruzada, outros opõem-se. Estes últimos inspirados e liderados por Batman, anátema do sonho despótico. Injustice Gods Among Us é inspirado no jogo de computador com o mesmo nome e conta os eventos que deram origem ao futuro distópico nele relatado.

Prosseguindo o trabalho do primeiro ano, Tom Taylor continua a escrever as linhas trágicas deste mundo negro. O escritor australiano segue a mesma fórmula, confortando-se no conhecimento das personalidades destes ícones da DC, ao mesmo tempo que os interpreta à luz de um enredo e de um objectivo: contar uma história empolgante e, desde o primeiro capítulo, cheia de surpresas. Fazendo pleno uso das premissas do jogo e da liberdade que as mesmas lhe permitem, Taylor deixa o leitor (principalmente se não tiver jogado) viciado e agarrado ao virar de página. O que vai acontecer a seguir é sempre a pergunta. E raramente ele nos desaponta.

O enredo deste segundo ano trás-nos o envolvimento do Corpo dos Lanternas Verdes (sigo a tradução da Levoir) e dos seus mentores e criadores, os Guardiões do Universo, seres omnipotentes e omniscientes quase tão velhos quanto o universo. Como todos os fãs da DC sabem, os Lanternas Verdes são os polícias do universo e a ascensão fascista de um actor tão poderoso como o Super-Homem obriga à sua intervenção. As consequências acontecem à escala cósmica.

Injustice Gods Among Us é divertimento para fãs (e não só) da DC Comics. É descomprometido e empolgante. Não posso pedir muito mais disto. Venha o ano três.

O que vou lendo! Injustice Gods Among Us, Year One, The Complete Collection de Tom Taylor e vários

Ideias simples e novas são as mais difíceis. A frase "já tudo foi inventado" é provável que seja verdadeira - mas tenho dificuldades em acreditar. Desviar-nos para um novo ponto de vista poderá ser o proverbial "ovo de Colombo". Basta inclinar a cabeça, a perspectiva muda e conseguimos algo inovador. Basta abraçarmos a nossa personalidade para vermos algo nunca visto. Alan Moore, o famoso escritor (também) de BD, conseguiu-o na década de 80 e em duas obras consideradas essenciais: Miracleman e Watchmen (ambas publicadas em Portugal pela GFloy e Levoir, respectivamente). Moore importou o "mundo real" para o do super-heróis e transformou-o. Desde então, muitos foram os autores que de alguma forma o copiaram, e outros tantos os que, em oposição, tentaram repor o maravilhamento da fantasia juvenil. Frank Miller, escritor e desenhador americano de Comics, fez algo a uma escala diferente mas que, a par do anterior autor, também significou uma mudança de paradigma na BD dos EUA. Injustice Gods Among Us é um estranho filho das sensibilidades e histórias destes dois gigantes da 9.ª Arte.

Injustice Gods Among Us nasceu de um jogo de computador com o mesmo nome e trata-se de uma reinterpretação pós-apocalíptica do universo dos super-heróis - é a Chris Claremont e a John Byrne que deve-se a primeira iteração destes distopias com o seu X-MenDays of Future Past, já transposto para o cinema. Nestas histórias, que de serem já tantas são parte integrante da mitologia dos super-heróis (ou um cliché, se preferirem), os personagens vivem numa paisagem subjugada a um dos seus inúmeros inimigos (X-Men: Age of Apocalypse, por exemplo), ou são eles próprios os causadores desse futuro distópico (Kingdom Come). Esta obra está integrada na segunda categoria. Neste universo alternativo, e na sequência de um evento catastrófico, o Super-Homem transforma-se num dos piores vilões da História. Constituem-se facções, uma de apoio ao Homem de Aço e outra contra, liderada por Batman - reflexos de Frank Miller e do seu Dark Knight Returns. Esta queda do anjo evolui para uma cruzada do Super-Homem e dos seus aliados para livrar o mundo de todos os conflitos, uma empreitada cheia de boas intenções e um caminho que apenas pode levar à derrocada moral dos envolvidos - pequenas inspirações de Watchmen.

Ao contrário da seminal obra de Alan Moore, Injustice Gods Among Us de Tom Taylor afasta-se (mas não totalmente) da profundidade intelectual e escolhe o espectáculo pirotécnico, o enredo surpreendente e a força das personalidades destes ícones da BD dos EUA. As versões dos personagens nem sempre são facilmente reconhecíveis para os fãs mais radicais (a queda do Super-Homem parece precipitada e a Mulher-Maravilha nada tem a ver com versões mais consensuais) mas não deixa de ser uma interpretação valorosa e, acima de tudo, cativante. Virar a página com sofreguidão para descobrir "o que vem a seguir" é um dos maiores atractivos desta série e do seu primeiro ano, compilado neste único volume. Não deixa de ser uma versão negra do universo DC, onde é difícil conseguir encontrar luz de esperança por detrás de motivações tão despóticas e sombrias. Contudo, os fãs da DC anseiam por este tipo de versões - aliás, para o bem e para o mal (mais para mal, pelo que dizem mas eu não sou um deles), foi desta visão que Zack Snyder partilhou para conceber o seu Batman v Superman. É óbvio que o prazer desta obra muito se deve à familiaridade que o leitor tem com a DC Comics mas, mesmo que tangencialmente, todos temos uma ideia de quem são o Super-Homem e o Batman. Conhecer este dois é ponte mais que suficiente para embrenharem-se na história.

Injustice Gods Among Us pode ser e é uma visão sombria do universo da DC, mas, devido a um enredo com muitas surpresas e a um conhecimento único das personalidades destes personagens, transforma-se numa leitura viciante.