Depois de mais de um ano sem visitar esta narrativa distópica do universo dos super-heróis da DC Comics, regressamos para ler os novos pesadelos de alto valor de entretenimento que os autores conseguiram sonhar. Para quem não sabe do que esta série trata, podem sempre ler as análises que fizemos aos anos um (aqui) e dois (aqui).
Mostrar mensagens com a etiqueta Tom Taylor. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tom Taylor. Mostrar todas as mensagens
Injustice Gods Among Us: Year Three Complete Collection de Tom Taylor, Brian Buccelatto, Bruno Redondo e Mike S. Miller
O que vou lendo! Injustice Gods Among Us, Year Two, The Complete Collection de Tom Taylor e vários
A queda de um anjo, o maior do universo da DC, continua. Depois de aqui vos ter falado do primeiro ano, continua o conto de um mundo alternativo onde o Super-Homem, mercê de uma tragédia que recaiu sobre a sua família, transformou-se no maior vilão da História. Como todos os vilões, ele não se vê como talo. Ele o salvador, o polícia da ordem que imporá regras e paz num mundo caótico e sem justiça. Heróis juntam-se à sua cruzada, outros opõem-se. Estes últimos inspirados e liderados por Batman, anátema do sonho despótico. Injustice Gods Among Us é inspirado no jogo de computador com o mesmo nome e conta os eventos que deram origem ao futuro distópico nele relatado.
Prosseguindo o trabalho do primeiro ano, Tom Taylor continua a escrever as linhas trágicas deste mundo negro. O escritor australiano segue a mesma fórmula, confortando-se no conhecimento das personalidades destes ícones da DC, ao mesmo tempo que os interpreta à luz de um enredo e de um objectivo: contar uma história empolgante e, desde o primeiro capítulo, cheia de surpresas. Fazendo pleno uso das premissas do jogo e da liberdade que as mesmas lhe permitem, Taylor deixa o leitor (principalmente se não tiver jogado) viciado e agarrado ao virar de página. O que vai acontecer a seguir é sempre a pergunta. E raramente ele nos desaponta.
O enredo deste segundo ano trás-nos o envolvimento do Corpo dos Lanternas Verdes (sigo a tradução da Levoir) e dos seus mentores e criadores, os Guardiões do Universo, seres omnipotentes e omniscientes quase tão velhos quanto o universo. Como todos os fãs da DC sabem, os Lanternas Verdes são os polícias do universo e a ascensão fascista de um actor tão poderoso como o Super-Homem obriga à sua intervenção. As consequências acontecem à escala cósmica.
Injustice Gods Among Us é divertimento para fãs (e não só) da DC Comics. É descomprometido e empolgante. Não posso pedir muito mais disto. Venha o ano três.
O que vou lendo! Injustice Gods Among Us, Year One, The Complete Collection de Tom Taylor e vários
Ideias simples e novas são as mais difíceis. A frase "já tudo foi inventado" é provável que seja verdadeira - mas tenho dificuldades em acreditar. Desviar-nos para um novo ponto de vista poderá ser o proverbial "ovo de Colombo". Basta inclinar a cabeça, a perspectiva muda e conseguimos algo inovador. Basta abraçarmos a nossa personalidade para vermos algo nunca visto. Alan Moore, o famoso escritor (também) de BD, conseguiu-o na década de 80 e em duas obras consideradas essenciais: Miracleman e Watchmen (ambas publicadas em Portugal pela GFloy e Levoir, respectivamente). Moore importou o "mundo real" para o do super-heróis e transformou-o. Desde então, muitos foram os autores que de alguma forma o copiaram, e outros tantos os que, em oposição, tentaram repor o maravilhamento da fantasia juvenil. Frank Miller, escritor e desenhador americano de Comics, fez algo a uma escala diferente mas que, a par do anterior autor, também significou uma mudança de paradigma na BD dos EUA. Injustice Gods Among Us é um estranho filho das sensibilidades e histórias destes dois gigantes da 9.ª Arte.
Injustice Gods Among Us nasceu de um jogo de computador com o mesmo nome e trata-se de uma reinterpretação pós-apocalíptica do universo dos super-heróis - é a Chris Claremont e a John Byrne que deve-se a primeira iteração destes distopias com o seu X-Men: Days of Future Past, já transposto para o cinema. Nestas histórias, que de serem já tantas são parte integrante da mitologia dos super-heróis (ou um cliché, se preferirem), os personagens vivem numa paisagem subjugada a um dos seus inúmeros inimigos (X-Men: Age of Apocalypse, por exemplo), ou são eles próprios os causadores desse futuro distópico (Kingdom Come). Esta obra está integrada na segunda categoria. Neste universo alternativo, e na sequência de um evento catastrófico, o Super-Homem transforma-se num dos piores vilões da História. Constituem-se facções, uma de apoio ao Homem de Aço e outra contra, liderada por Batman - reflexos de Frank Miller e do seu Dark Knight Returns. Esta queda do anjo evolui para uma cruzada do Super-Homem e dos seus aliados para livrar o mundo de todos os conflitos, uma empreitada cheia de boas intenções e um caminho que apenas pode levar à derrocada moral dos envolvidos - pequenas inspirações de Watchmen.
Ao contrário da seminal obra de Alan Moore, Injustice Gods Among Us de Tom Taylor afasta-se (mas não totalmente) da profundidade intelectual e escolhe o espectáculo pirotécnico, o enredo surpreendente e a força das personalidades destes ícones da BD dos EUA. As versões dos personagens nem sempre são facilmente reconhecíveis para os fãs mais radicais (a queda do Super-Homem parece precipitada e a Mulher-Maravilha nada tem a ver com versões mais consensuais) mas não deixa de ser uma interpretação valorosa e, acima de tudo, cativante. Virar a página com sofreguidão para descobrir "o que vem a seguir" é um dos maiores atractivos desta série e do seu primeiro ano, compilado neste único volume. Não deixa de ser uma versão negra do universo DC, onde é difícil conseguir encontrar luz de esperança por detrás de motivações tão despóticas e sombrias. Contudo, os fãs da DC anseiam por este tipo de versões - aliás, para o bem e para o mal (mais para mal, pelo que dizem mas eu não sou um deles), foi desta visão que Zack Snyder partilhou para conceber o seu Batman v Superman. É óbvio que o prazer desta obra muito se deve à familiaridade que o leitor tem com a DC Comics mas, mesmo que tangencialmente, todos temos uma ideia de quem são o Super-Homem e o Batman. Conhecer este dois é ponte mais que suficiente para embrenharem-se na história.
Injustice Gods Among Us pode ser e é uma visão sombria do universo da DC, mas, devido a um enredo com muitas surpresas e a um conhecimento único das personalidades destes personagens, transforma-se numa leitura viciante.
Ao contrário da seminal obra de Alan Moore, Injustice Gods Among Us de Tom Taylor afasta-se (mas não totalmente) da profundidade intelectual e escolhe o espectáculo pirotécnico, o enredo surpreendente e a força das personalidades destes ícones da BD dos EUA. As versões dos personagens nem sempre são facilmente reconhecíveis para os fãs mais radicais (a queda do Super-Homem parece precipitada e a Mulher-Maravilha nada tem a ver com versões mais consensuais) mas não deixa de ser uma interpretação valorosa e, acima de tudo, cativante. Virar a página com sofreguidão para descobrir "o que vem a seguir" é um dos maiores atractivos desta série e do seu primeiro ano, compilado neste único volume. Não deixa de ser uma versão negra do universo DC, onde é difícil conseguir encontrar luz de esperança por detrás de motivações tão despóticas e sombrias. Contudo, os fãs da DC anseiam por este tipo de versões - aliás, para o bem e para o mal (mais para mal, pelo que dizem mas eu não sou um deles), foi desta visão que Zack Snyder partilhou para conceber o seu Batman v Superman. É óbvio que o prazer desta obra muito se deve à familiaridade que o leitor tem com a DC Comics mas, mesmo que tangencialmente, todos temos uma ideia de quem são o Super-Homem e o Batman. Conhecer este dois é ponte mais que suficiente para embrenharem-se na história.
Injustice Gods Among Us pode ser e é uma visão sombria do universo da DC, mas, devido a um enredo com muitas surpresas e a um conhecimento único das personalidades destes personagens, transforma-se numa leitura viciante.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


