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Uma BD aqui, outra BD ali, 16

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Amazing Spider-Man número 799 de Dan Slott e Stuart Immonen (Marvel)

O caminho inexorável para mais um histórico número do Homem-Aranha continua. Dan Slott, que escreve a personagem há 10 anos, está na recta final deste seu canto do cisne, Go Down Swinging. Neste (e a partir de aqui há spoilers), Peter Parker enfrenta o seu maior adversário, Norman Osborn, o Duende Verde. Esta é uma inimizade antiga, que já deu fruto a enormes tragédias, a maior das quais a morte de uma das namoradas do herói. O conflito tem sido explorado até às últimas consequências, ou assim o pensávamos.  Slott concebeu uma nova perspectiva ao aumentar o já significativo nível de ameaça que Osborn representa. O escritor fundiu-o a um outro vilão, o alienígena Carnage, um parasita de forma viscosa e tendências (ultra) psicopatas. Assim nasceu Red Goblin, cem vezes mais louco que o Duende Verde e 1000 vezes mais mortífero. Uma máquina de matar sem remorsos e perto do imbatível.

O nível de perigo foi apropriadamente aumentado para níveis ridículos. O vilão é invencível e maníaco, sabe a identidade secreta do nosso herói e a combinação destes dois factos só pode significar uma gigantesca dor de cabeça para o Homem-Aranha, que terá de fazer das tripas coração para salvar os seus e a própria pele. 

Como já o disse nesta rubrica, Slott está a recuperar de um certo e determinado arrufo que havia provocado com alguns fãs. O Homem-Aranha de Go Down Swinging é O Homem-Aranha. Colocado numa situação desesperada, Peter Parker evoca todas os seus recursos, não só como super-herói mas também como cientista e indivíduo. Ao mesmo tempo, o vilão, mais poderoso fisicamente, é uma espada de Damocles prestes a cair no mundo pessoal do herói, evocando tragédias passadas e preparando os leitores para uma possível nova. Sinceramente, não se deveria pedir muito mais de uma história do Aranhiço.

Action Comics número 1000 de vários (DC Comics)

Oitenta. É este o número de anos que acumularam-se desde que o Super-Homem viu, pela primeira vez, a luz do dia em 1938. É ele o arquétipo-base de todo um estilo literário. É ele o molde do qual nasceram todos os outros. Até o Batman

Ontem, a revista que o viu nascer atingiu o histórico número 1000, a primeira de toda a BD americana a chegar a esse histórico marco. Um momento tão importante teria de ser aproveitado de forma exemplar e única. Foram vários os artistas convidados para criar pequenas homenagens ao maior de todos os super-heróis. Todos trouxeram o melhor das suas habilidades para produzir pequenos elogios ao Homem de Aço. Como não poderia deixar de ser, o produto final depende da inspiração e do talento.

Tom King destaca-se. O escritor de títulos lendários como Batman, Mr. Miracle ou Vision consegue, uma vez mais, retirar da cartola um sentido e emocional elogio, desta vez ao Super-Homem. Coloca-o no futuro longínquo, nos últimos dias da Terra, para que deseje um último adeus a quem deu-lhe tudo o que ele é. King percebe, nestas simples cinco páginas tudo o que faz esta personagem: um homem, apenas um homem, com os poderes de um deus. 

Outros conseguem obras também relevantes, como a já costumeira parelha Tomasi/Gleason, que transportam o nosso herói para múltiplas evoluções de si mesmo. Ou Scott Snyder e Rafael Albuquerque, que escolhem focar-se na inimizade com Lex Luthor, o seu maior adversário. Também Paul Dini e o maravilhoso José Luis Garcia-Lopez fazem uma homenagem através de um outro dos vilões históricos do Super, ao ponto de parecer estarmos a ler uma história escrita por Alan Moore. Meltzer e Cassaday são parcimoniosos, e abordam os incríveis poderes desta personagem maior que a vida. 

Muitos outros juntaram-se à festa, mas, antes de terminar, terei de destacar a inauguração da sequência de histórias de Brian Michael Bendis, que aqui é acompanhado por Jim Lee no desenho. Bendis é quem escreverá o Homem de Aço no futuro próximo e a DC tem feito bastante questão de o publicitar aos quatro ventos. É ainda cedo para qualquer julgamento, nem que seja porque muito pouco é esclarecido. A descompressão e diálogos típicos do escritor estão lá e, claro, uma revelação bombástica (que de bombástico tem muito pouco porque já tinha sido revelada na net). Os fãs do Super-Homem querem que continue a ser o que ele foi neste últimos 80 anos. Seja bem-vindo Sr. Bendis e que nos dê o que de melhor o Homem de Aço é capaz. 

Uma BD aqui, outra BD ali, 10

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Brave And The Bold Batman And Wonder Woman número 1 de Liam Sharp (DC Comics)

Liam Sharp foi o desenhista responsável por metade das histórias mais recentes que Greg Rucka escreveu para a Mulher-Maravilha. Veterano do lápis e tinta da china (perdoem a minha ignorância no mundo do desenho), decide tentar a sua sorte (não sei se pela primeira vez) na arte da escrita. A DC Comics tem recentemente arriscado mini-séries com Diana como co-protagonista. Uma primeira junto com o conhecido Conan, O Bárbaro (comprem, porque vale a pena) e agora com o ainda mais conhecido Batman, o seu companheiro de armas na Liga da Justiça

No que respeita à escrita, Liam vai soberbo, conseguindo equilíbrio entre a exposição necessária para trazer o leitor para dentro do mundo fantástico do Folclore Irlandês (peça central da história), e momentos mais intimistas, principalmente com a super-heroína. Para quem leu a sua colaboração com Rucka, este primeiro número representa uma pequena recompensa. A primeira cena com Diana é poderosa a reveladora do amor do desenhista à personagem mas também da imagem que ela representa dentro do mundo fictício da DC. O Batman aparece parcimoniosamente, mas o suficiente para revelar o controlo que Sharp tem sobre a sua personalidade. 

Finalmente, no que respeita à arte, o autor excede-se, entregando uma BD francamente bela e bem estruturada. O seu traço é particularmente apropriado ao mundo de Fadas da mitologia irlandesa e cada página merece ser um poster - mas sem perder um átomo do storytelling. A continuar assim teremos em mãos uma das minhas BDs favoritas do ano (e não só porque tem a Diana como co-protagonista). Já agora, Sharp continua a desenhar uma das mais expressivas e bonitas interpretações de Diana, ao ponto de eu, como fã, ter dificuldade em não a considerar como uma favorita (ao lado da de George Pèrez). 

Defenders (2017) número 10 de Brian Michael Bendis e David Marquez (Marvel)


Chega ao fim a Era Bendis da Marvel. Depois de 17 anos de uma produção polémica mas profícua, um dos mais importantes escritores a trabalhar na auto-professa Casa das Ideias muda-se para a Distinta Concorrência (DC, para os que não estão dentro destes acrónimos). Ficou conhecido pelo trabalho em várias personagens, mas em nenhuma mais do que nos conhecidos como street-level heroes. O Demolidor. Luke Cage. Jessica Jones (que co-criou). Homem-Aranha. É, portanto, apropriado, que termine com este Defenders, que reúne na mesma equipa os três primeiros mais o Punho de Ferro (que escreveu nos Vingadores). E, mais ainda, junto com o desenhista David Marquez, com quem tinha previamente trabalhado em Miles Morales e em Civil War II.

Como já referi em posts anteriores, Bendis não poderia acabar a sua prestação na Marvel de melhor forma. Defenders é das obras mais conseguidas do autor, ombreando com trabalhos como o Demolidor (talvez o seu ponto alto), Ultimate Spider-Man e New Avengers (os meus três favoritos). Parece que Bendis tirou da cartola mais um conjunto de ferramentas de storytelling para impressionar os detractores e os fãs. "Eu ainda sou capaz de vos surpreender pela qualidade, estão a ver?!". Quem gosta do seu trabalho, apesar de saber que ele ainda tinha muito para dar, não esperava que a qualidade da sua escrita ainda pudesse brilhar tanto, mesmo empregando muitos dos seus cartões de visita: a verborreia; os plot-twists; a reinterpretação de velhos vilões e de antigos heróis; o baralhar de geografias e conceitos do universo da Marvel. Bendis brilha em cada página e em cada frase destes 10 números dos  Defenders 2017, defendendo o seu legado sem egoísmos, dizendo um sentido adeus e deixando a página aberta aos que se seguem. 

Mas nenhum elogio aos Defenders pode estar completo sem falar de David Marquez, um dos seus recentes colaboradores e que nestes 10 números brilhou como nunca. Cada rosto é único, cada cena de acção coreografada de forma belíssima, cada enquadramento apropriado.

Bendis diz adeus e eu sigo-o para o Super-Homem. Até mais logo, Marvel.

Uma BD aqui, outra BD ali, 2

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Doomsday Clock número 2 de Geoff Johns e Gary Frank (DC Comics)

Esta é daquelas BDs onde os apreciadores dividem-se. Escrita por Geoff Johns e desenhada por Gary Frank, é uma assumida sequela da "maior BD de sempre", os Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons. Este tipo de genealogia leva a que seja necessária uma enorme coragem - ou um gigantesco ego -  para prosseguir com a intenção. DClock vem também na senda do conceito-chapéu do universo de super-heróis da DC, DC Rebirth, iniciado em 2016 pelo próprio Johns e que tem como intenção reabilitar a esperança e a luminosidade dos homens de collants da editora. Assim sendo, esta mini-série de 12 números junta o universo distópico e realista dos Watchmen com a fantasia dos super-heróis DC, procurando uma análise de ambos à luz de cada um deles. Se os Watchmen eram uma reflexão, entre outras, sobre o que significa o conceito de super-herói, usando, para isso, arquétipos baseados no Super-Homem, no Batman, na Mulher-Maravilha, este DClock junta a matéria prima original com os análogos para uma análise meta-textual de ambos. Vou ser claro, Geoff Johns e Gary Frank não são Moore e Gibbons e esta mini-série não parece querer trilhar a mesma complexidade temática. Não é também - e de todo - só entretenimento, seguindo uma via mais reflectida e filosófica que espelha as preocupações dos autores. Por outro lado, Johns parece querer tecer uma complexa tapeçaria para o Universo DC, o que se pode depreender pelas quatro páginas de texto de noticias que fecham este segundo capítulo. É uma ambição interessante e cativante que, se der os frutos certos, poderá transformar este DClock numa obra seminal. A qualidade global desta história será difícil de avaliar antes da última página, o que acontecerá apenas daqui a dez meses, mas estamos num excelente começo. Até lá, mal posso esperar por cada novo número do que espero ser uma obra que, não sendo os Watchmen, fique, pelo menos, na sua sombra - o que não é um mau lugar onde se estar.

Hawkman Found número 1 de Jeff Lemire e Brian Hitch (DC Comics)

Não sei qual a razão porque gosto tanto do Hawkman. Será por causa de uma BD que li há muitos anos, The Shadow War of Hawkman, ou da sequência de histórias de Geoff Johns? Exista algo na mitologia da personagem que me atrai. O arqueólogo-guerreiro, o super-herói com asas ao estilo Conan, a história de dois amantes destinados a morrerem e ressuscitarem eternamente. Eu acho que acho que isto é material de primeira para um grande filme. E para uma fabulosa BD. Fiquei com pena que Johns tivesse abandonado a sua história a meio e adorava que James Robinson (do maravilhoso Starman) o escreve-se (com Rags Morales a regressar ao desenho do herói). É daquelas personagens que a DC possui no seu catálogo e que é repetidamente mal aproveitada - leia-se, mal escrita. Pode ser que seja desta. Hawkman é peça central da saga Dark Nights - Metal, de Scott Snyder e Greg Cappulo, e este especial procura dar algumas respostas (spoiler) à última página do número quatro dessa série. Infelizmente, apesar de bem executado pelos autores, respostas não são muitas. Não é de estranhar. Snyder já repetiu que toda a história está contida nas páginas da sua série (o que me parece muito bem). Apesar de ser um número apenas razoável mas bem feito, fica a esperança de que Hawkman venha a ver melhores dias, nas mãos de autores capazes de o levar às alturas (pois, estava mesmo a pedi-las) que ele merece.

Spider-Men II números 1 a 5 de Brian Michael Bendis e Sara Pichelli (Marvel)


Esperei que tivessem saído os cinco números desta mini-série para a ler de uma assentada, o que fiz em menos de trinta minutos - acho que alguns autores e editoras exageram na síntese (não que a qualidade se meça ao metro de palavras). É a sequela de uma primeira que une as duas personagens que actualmente usam o nome de Homem-Aranha no universo da Marvel: a versão que todos conhecemos e amamos, Peter Parker; e a criada  por Bendis, Miles Morales. Miles vem de uma terra paralela que, entretanto, fundiu-se com a "nossa" (sim, super-heróis é isto). Essa outra Terra fazia parte de uma linha editorial da Marvel que começou no início do século XXI chamada Ultimate e que procurava cativar novos leitores ao reiniciar a história do Homem-Aranha, dos Vingadores, dos X-Men, do zero, com novas versões e novas histórias. O trepa-paredes foi exclusivamente escrito por Bendis (sim, desde há 17 anos). A início era uma versão de Peter Parker mas, entretanto, morreu e foi substituído por Morales. As duas terras fundiram-se no evento Secret Wars e agora coexistem no mesmo universo (agora voltem a ler isto sem se rirem). Esta mini-série parece servir vários propósitos e todos ligados ao legado de Bendis na Marvel. Independentemente de se gostar ou não, este autor marcou o século XXI da editora, com histórias, conceitos e personagens que oscilaram entre o entusiasmante e o sofrível. Dois deles foram, sem dúvida, o Homem-Aranha Ultimate e o universo onde estava inserido. Antes de sair para a DC, o escritor parece querer deixar alguma arrumação na casa e uns presentes-surpresa aqui e acolá. As últimas páginas de Spider-Men II são exactamente isso. Abre portas que se julgavam fechadas e deixa o trabalho para os que quiserem aproveitar. 

De resto, é uma união de dois personagens ímpar, num confronto pessoal mas, em última análise, redundante. Muito mais interessante é o tratamento que Bendis faz aos antagonistas, dedicando-lhes um capítulo inteiro para explicar motivações, personalidades, etc. Esses, sim, são os verdadeiros heróis desta mini-série. Quem lê e gosta da mitologia da Marvel é obrigado a ler esta história. Os outros poderão encontrar interesse nos vilões mas pouco mais.

Uma BD aqui, outra BD ali, 1

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Dark Nights - Metal número 4 de Scott Snyder e Greg Cappulo (DC Comics)

Eu tenho uma paixão pela mitologia pura, não filtrada, dos super-heróis. Aquela em que a escala da luta é multi-universal, em que os vilões são a consumada encarnação do Mal, seres hiperpoderosos capazes de destruir a Realidade com um estalar dos dedos. Dark Nights  - Metal é isso e muito mais. É a Liga da Justiça, é o Super-Homem, é o Batman, é a Mulher-Maravilha, contra versões negras e maléficas do Homem-Morcego. É o palco escancarado da Cosmologia DC pronto a ser absorvido sem limites, como uma orgia em Las Vegas. Ou melhor, como um concerto metálico com todos as cabeças de cartaz dos vossos sonhos. Este número tem a  delícia de, uma vez mais, reescrever a Cosmogonia do multiverso da DC. Mas não é redundante, antes a evolução do trabalho de mestres como Marv Wolfman e Grant Morrison. Não é fácil de chegar a cada pormenor desta história porque é necessário ser doutorado em DC para perceber as implicações de cada palavra e de cada acção mas, ainda assim, é possível o leitor casual entreter-se (acho!). Scott Snyder e Greg Cappulo estão a divertir-se à brava e eu com eles. Nunca mais chegam os números cinco e seis, com a conclusão deste delírio orgiástico protagonizado pelos homens de collants.

Defenders (2017) número 8 de Brian Michael Bendis e David Marquez (Marvel)

Eu gosto do Bendis. Não de tudo, claro. Adorei o seu Ultimate Spider-Man, New Avengers e Demolidor. Não gostei dos seus Guardiões da Galáxia (o maior pecado na Marvel). Defenders é a sua praia. Tem Luke Cage, o seu herói favorito. Tem o Demolidor, que escreveu de forma soberba. Tem Jessica Jones, que criou para  Marvel. Tem o Punho de Ferro. É acção e intriga ao nível da rua, da criminalidade organizada. E, neste número oito, tem ainda Deadpool, com cuja voz Bendis safa-se muito bem. Defenders vai ser um dos adeus de Bendis à Marvel quando migrar para a DC. Ao ler estes primeiros oito números fico com uma gigantesca pena que não continue. Têm sido perfeitos, no que a mim diz respeito. Equilíbrio entre acção e a verborreia que caracteriza o escritor. Claro que é ajudado pelo traço e talento de David Marquez, que depois de Ultimate Spider-Man e Guerra Civil II atinge aqui outros níveis de excelência. De perfeição. Não tem existido, até à data, um único número abaixo de uma elevada fasquia de qualidade. É o canto do cisne apropriado para a Marvel de Bendis.




X-Men - The Grand Design número 1 de Ed Piskor (Marvel)

Um dos grande dramas de quem gosta dos X-Men é tentar convencer a namorada, namorado ou amigos a lerem-nos. Invariavelmente, terá de dizer: "aquilo lê-se muito bem mas é complicado". X-Men é O teste definitivo de resiliência dos que querem entrar na BD dos EUA. Os 50 anos de história(s) cresceram para um nível de complexidade apenas equiparável à Teoria Quântica. Ed Piskor é conhecido da BD alternativa com a obra Hip-Hop Family Tree mas, como o próprio o diz, antes de entrar no mundo autoral (termo que não gosto mas assim simplifico-vos a vida) adorava X-Men. Principalmente os 300 primeiros números da revista Uncanny X-Men. Quando foram escritos e desenhados por mestres como Stan Lee, Jack Kirby, Neal Adams, Roy Thomas, Len Wein, Dave Cockrum, Chris Claremont, John Byrne, Paul Smith, John Romita Jr., Marc Silvestri, Jim Lee, Arthur Adams, etc, etc, etc. Chris Claremont, principalmente, escreveu durante 16 anos a revista dos mutantes da Marvel e construiu uma mitologia incomparável. Complexa mas sedutora. Complicada mas inebriante. A ele a Marvel e a cultura pop devem uma dívida gigantesca. Ed Piskor propõe-se resumir, ao longo de seis números, esses 300 números de histórias. Se este primeiro é prova do que aí vem, os fãs já não terão desculpas para não introduzir novos leitores aos X-Men. Ed Piskor está a tratar disso, numa BD que será de leitura obrigatória para fãs destes mutantes, de BD e de world building. Mitologia moderna é isto. Venham os números que seguem (um obrigado ao Gonçalo pela sugestão).

Colecção Salvat Graphic Novels da Marvel, volume 43 - Ultimate Homem-Aranha

ULTIMATE HOMEM-ARANHA: A MORTE DO HOMEM-ARANHA
Argumento de BRIAN MICHAEL BENDIS, arte de David LaFuente & Mark Bagley

Seis dos mais perigosos inimigos do Homem-Aranha - Norman Osborn, o Dr. Otto Octavius, Electro, Kraven o Caçador, o Homem-Areia e o Abutre – escaparam à custódia da S.H.I.E.L.D. Unidos pelo seu ódio ao Aranha, este grupo sinistro está determinado a fazer Peter Parker pagar por todas as derrotas que ele lhes infligiu. E com as pessoas que ele mais adora na mira dos vilões, o Homem-Aranha poderá ter de fazer o derradeiro sacrifício para deter os criminosos de uma vez por todas.” 

Ultimate Homem-Aranha foi uma das mais ousadas experiências da Marvel, concebida por Bill Jemas e Joe Quesada, à qual o argumentista Brian Michael Bendis e o artista Mark Bagley deram forma ao longo de muito tempo: planeada para ser uma série limitada que atualizasse as origens do Aranha para a idade moderna, acabou por tornar-se em muito mais que isso. Ao longo dos seus 10 primeiros anos, Ultimate Homem-Aranha reinterpretou grande parte do elenco da série original – tanto vilões como aliados – e introduziu uma série de novos conceitos. No entanto, depois de mais de 150 números, tinha chegado a hora do Ultimate Peter Parker pendurar os seus lança-teias. E a história com que os autores decidiram tornar isso em realidade, foi uma história da morte do Aranha...

Diz o escritor, Bendis: “...Um dia, olhámos para a linha Ultimate e pensámos: ‘OK, de que histórias estamos mais orgulhosos?' ...E eram todas histórias que não eram adaptações Ultimate de histórias clássicas da Marvel... Eram momentos que não tinham sido criados no Amazing Spider-Man [o título original do escalador de paredes]... No seguimento daquela conversa, questionámo-
nos: ‘Que outras histórias nunca puderam ser contadas em Amazing Spider-Man?’ E a maioria delas envolviam a morte do Peter e deixar outra pessoa tornar-se o Homem-Aranha.... Outro elemento era que o Peter não tinha sido capaz de salvar o tio Ben, mas ao morrer a tentar salvar a tia May, então esse círculo ficaria completo... Tínhamos uma personagem que, apesar da morte trágica, não tinha uma vida trágica.

Mas embora o destino de Peter estivesse determinado, isso não significava necessariamente o cancelamento do título Ultimate Homem-Aranha. Longe do olhar dos fãs, um novo herói estava à espera nos bastidores, pronto para assumir as responsabilidades do Aranha (alguém que o leitor irá descobrir num próximo livro, no volume 52 desta coleção). Mas por agora, é hora de nos despedirmos de Peter Parker, que vai aprender uma lição final e desoladora sobre poder e responsabilidade.

Inclui dossier sobre o escritor e o desenvolvimento da história, e uma extensa galeria de capas.

Volume 43: A MORTE DO HOMEM-ARANHA
Argumento de BRIAN MICHAEL BENDIS, arte de DAVID LAFUENTE & MARK BAGLEY
Este volume reúne os números 153 a 160 da revista Ultimate Spider-Man (vol. 1).
208 páginas.



 

Jessica Jones, a Série de TV da Marvel/Netflix.


A série de TV não é, de todo, um fenómeno recente mas, nos últimos 15 anos, amadureceu e transformou-se numa das grandes formas de entretenimento. A culpa recai, como acontece em tantas outras coisas, na necessidade. Aquela que é a mãe de todas as invenções. Gosto de pensar que a criatividade e a inovação artística estavam a perder lastro em outras formas visuais como o Cinema. Apesar de existirem muitos exemplos de liberdade e invenção criativa na 7.ª Arte, por motivos que variam entre o financeiro e o de formato (bem vistas as coisas, um filme dura, em média, 2 horas), muitos autores tinham a imaginação um pouco limitada. Principalmente o escritor, conhecido por ser apenas como uma das partes do processo de fazer Cinema, sendo sempre a voz do realizador aquela que dá a última palavra. Ora, a Série de TV (notem como já escrevo em letras capitais) possui algo que é parco no Cinema: tempo. Uma Série poderá estender-se por longas horas, desenvolvendo enredos, analisando personagens ao detalhe da loucura, criando um tecido pormenorizado. Basta, para isso, que o escritor assim o deseje e tenha talento para tal. A Série já foi considerada por melhores pensadores que eu como a Literatura do Tempo Moderno, o Romance em forma visual. Quem viu Os Sopranos, The Wire, Breaking Bad, etc., sabe do que falo. 

Ora, era apenas uma questão de tempo para que a BD, outra forma de arte que gosta de demorar o seu raciocínio, procurasse formas alternativas de espalhar as suas histórias e, apesar do Cinema oferecer o arcaboiço financeiro para o Efeito Visual, é na TV que está, a meu ver, o formato perfeito para as histórias rocambolescas, longas e labirínticas da 9.ª Arte. Já existiram muitos e muitos exemplos de séries de TV baseadas em BD mas, na maior partes das vezes, escolhiam o enredo episódico ou infanto-juvenil (não que haja nada de mal com isso). Esse panorama parece estar a mudar, principalmente com o negócio que a Marvel fez com a Netflix, com o intuito de produzir histórias mais adultas e que não deixam de estar alicerçadas no seu universo cinematográfico. Começou com o excelente Daredevil (Demolidor em português) no início deste ano e continua com este Jessica Jones.  

Ao contrário do Demolidor, a personagem de Jessica Jones é practicamente desconhecida do púbico em geral. Criada em 2001 pelo prolífico escritor Brian Michael Bendis e pelo desenhador Michael Gaydos, foi protagonista de duas séries de curta existência (para os padrões dos EUA): Alias e Pulse. A primeira é mais conhecida e adulta e aquela onde a mulher que dá nome à série de TV teve um prolongado desenvolvimento pela imaginação dos seus dois criadores. No início do século, a Marvel tinha uma necessidade: sair do buraco financeiro e criativo criado pela tenebrosa década de 90. Joe Quesada, o editor-chefe, foi buscar o talento de um escritor independente, Bendis, para dar nova vida a várias personagens antigos (os Vingadores), ao mesmo tempo que lhe deu liberdade para criar novos conceitos que, contudo, não deixassem de estar alicerçados no universo de super-heróis da Marvel. Assim nasceu Alias, onde criava Jessica Jones e, ao mesmo tempo, dava nova vida a um antigo personagem da Marvel, Luke Cage, por quem Bendis nutria um amor profundo (depois utilizou-o na sua reinvenção dos Vingadores). É deste DNA que nasce a excelente série de TV Jessica Jones, com a parceira Marvel/Netflix. 

São apenas cinco os homens que fazem parte de um elenco totalmente feminino. Desses, dois são abusadores e violentos. O terceiro é Luke Cage. Os outros dois vítimas de uma forma ou de outra. Esta é uma série sobre controlo e sobre o abuso que dele se faz ou não fosse o vilão principal Killgrave, conhecido na BD por Homem-Púrpura (na série afastam-se desse tom de pele), capaz de ordenar quem quer que seja a fazer o que ele quer apenas pelo uso da voz. Jessica Jones é um investigadora privada nas ruas de Hell's Kitchen, bairro nova-iorquino onde também reside o Demolidor, e marcada por um encontro com Killgrave. À sua volta orbitam outros fabulosos personagens femininos, construindo um todo forte capaz de carregar, sem esforço, o enredo.  Os treze episódios vêem-se sem problemas (pelo menos para mim) e foi uma boa forma de começar a aproveitar o meu mês gratuito da Netflix. Não pretendo fazer mais considerações para vos dar o prazer de apreciar, virgens, mais uma excelente série desta parceira entre a Marvel e a Netflix. A continuar assim, os filmes não são necessários. Façam tudo na TV. A BD merece. 

Coleção Levoir/Público Marvel 2014 – 20.º Volume: Vingadores e X-Men parte II

(Prometo informar os menos conhecedores acerca da acessibilidade desta coleção de BD, ou seja, se é fácil ou não ler sem saber mais coisas)

Grau de acessibilidade: Difícil mas…

Sai amanhã, Quinta-feira, dia 20 de Novembro, junto com Público e custa 8,9€


Quando os heróis já enfrentaram por diversas vezes os seus habituais inimigos fica difícil inovar. Ao mesmo tempo, uma das histórias com quase tanta barba quanto a do aparecimento do super-herói é a do confronto entre dois ou mais super-heróis. Quantas e quantas vezes o Super-Homem encontrava-se com, por exemplo, o Capitão Marvel (não sabem quem é? Para o efeito, não interessa), e a primeira reação de ambos era a de desentendimento, seguida do confronto e, só depois, da junção para enfrentar o verdadeiro problema, geralmente um super-vilão. Existe um lado muito atraente para os fãs em ver personagens que são geralmente aliados a lutarem um contra o outro. Não só ajuda a responder à juvenil pergunta de “quem é o mais forte?” como possui uma carga dramática verdadeiramente cativante.

A editora Marvel, nos últimos 10 anos, tem levado este confronto para um lado inesperado, não se cingido aos eventuais desentendimentos mas indo mais longe, para o lado das diferenças filosóficas entre heróis. Este rol de encontros começou com Dinastia M, onde os Vingadores estavam de um lado diferente do dos X-Men. Continuou, desta vez só com os Vingadores, com a Guerra Civil (ambas estas histórias foram publicadas pela Levoir) e com as consequências da mesma – e que, ao que parece, serão adaptadas no terceiro filme do Capitão América, já que a base da titular guerra era a do confronto entre o Sentinela da Liberdade e o seu colega Vingador, o Homem de Ferro. Alguns anos e muitas histórias e sagas depois, eis que surge um confronto paradoxal mas esperado entre duas das maiores equipas da Marvel. Esta é a história que imediatamente antecede as publicadas nas revistas mensais da Panini Portugal, nomeadamente as dos Vingadores e dos X-Men, e funciona como importante complemento para perceber o ponto onde se encontra, principalmente, a equipa de mutantes.

São vários os escritores e desenhistas que trabalharam nesta saga, que sofre de vários defeitos, ainda que tenha importantes virtudes. Algo pelo qual não tenho particular afinidade é exatamente o facto de ser trabalhada por vários autores que, ainda que detentores de enorme talento, acabam por contribuir para um todo incoerente – cheira ao trabalho de encomenda que na realidade é. Por outro lado, é o culminar de uma multitude de outras histórias vindas de outros volumes (como Dinastia M), obrigando a um enciclopédico conhecimento dos meandros em que estes estes personagens se movimentaram na última década. Não que isso não deva funcionar como detrimento, como aliás sempre digo no final de cada um destes posts. Por outro lado, as vantagens residem nas mesmas características que são também defeitos. Não só estamos defronte do trabalho de alguns dos mais interessantes escritores e desenhistas de BD de super-heróis, como muita da magia da mitologia dos personagens reside no conturbado historial que os rodeia. Em suma, uma maneira curiosa de culminar esta coleção da Marvel de 2014: não com um Fim mas sim com um Continua…

Nota final – Eu não partilho da opinião que se tem de saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.


Coleção Levoir/Público Marvel 2014 – 19.º Volume: Vingadores e X-Men parte I

(Prometo informar os menos conhecedores acerca da acessibilidade desta coleção de BD, ou seja, se é fácil ou não ler sem saber mais coisas)

Grau de acessibilidade: Difícil mas…

Sai amanhã, Quinta-feira, dia 13 de Novembro, junto com Público e custa 8,9€


Quando os heróis já enfrentaram por diversas vezes os seus habituais inimigos fica difícil inovar. Ao mesmo tempo, uma das histórias com quase tanta barba quanto a do aparecimento do super-herói é a do confronto entre dois ou mais super-heróis. Quantas e quantas vezes o Super-Homem encontrava-se com, por exemplo, o Capitão Marvel (não sabem quem é? Para o efeito, não interessa), e a primeira reação de ambos era a de desentendimento, seguida do confronto e, só depois, da junção para enfrentar o verdadeiro problema, geralmente um super-vilão. Existe um lado muito atraente para os fãs em ver personagens que são geralmente aliados a lutarem um contra o outro. Não só ajuda a responder à juvenil pergunta de “quem é o mais forte?” como possui uma carga dramática verdadeiramente cativante.

A editora Marvel, nos últimos 10 anos, tem levado este confronto para um lado inesperado, não se cingido aos eventuais desentendimentos mas indo mais longe, para o lado das diferenças filosóficas entre heróis. Este rol de encontros começou com Dinastia M, onde os Vingadores estavam de um lado diferente do dos X-Men. Continuou, desta vez só com os Vingadores, com a Guerra Civil (ambas estas histórias foram publicadas pela Levoir) e com as consequências da mesma – e que, ao que parece, serão adaptadas no terceiro filme do Capitão América, já que a base da titular guerra era a do confronto entre o Sentinela da Liberdade e o seu colega Vingador, o Homem de Ferro. Alguns anos e muitas histórias e sagas depois, eis que surge um confronto paradoxal mas esperado entre duas das maiores equipas da Marvel. Esta é a história que imediatamente antecede as publicadas nas revistas mensais da Panini Portugal, nomeadamente as dos Vingadores e dos X-Men, e funciona como importante complemento para perceber o ponto onde se encontra, principalmente, a equipa de mutantes.

São vários os escritores e desenhistas que trabalharam nesta saga, que sofre de vários defeitos, ainda que tenha importantes virtudes. Algo pelo qual não tenho particular afinidade é exatamente o facto de ser trabalhada por vários autores que, ainda que detentores de enorme talento, acabam por contribuir para um todo incoerente – cheira ao trabalho de encomenda que na realidade é. Por outro lado, é o culminar de uma multitude de outras histórias vindas de outros volumes (como Dinastia M), obrigando a um enciclopédico conhecimento dos meandros em que estes estes personagens se movimentaram na última década. Não que isso não deva funcionar como detrimento, como aliás sempre digo no final de cada um destes posts. Por outro lado, as vantagens residem nas mesmas características que são também defeitos. Não só estamos defronte do trabalho de alguns dos mais interessantes escritores e desenhistas de BD de super-heróis, como muita da magia da mitologia dos personagens reside no conturbado historial que os rodeia. Em suma, uma maneira curiosa de culminar esta coleção da Marvel de 2014: não com um Fim mas sim com um Continua…


Nota final – Eu não partilho da opinião que se tem de saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.

Coleção Levoir/Público Marvel 2014 – 13.º Volume: Vingadores

(Prometo informar os menos conhecedores acerca da acessibilidade desta coleção de BD, ou seja, se é fácil ou não ler sem saber mais coisas)

Grau de acessibilidade: Difícil mas...

Sai amanhã, Quinta-feira, dia 2 de Outubro, junto com Público e custa 8,9€



Os Vingadores de Brian Michael Bendis. Em posts anteriores já falei deste escritor, que conseguiu ressuscitar das cinzas este famoso grupo de super-heróis da Marvel ao fazer algo que, não sendo incomum na BD americana, foi, sem sombra de dúvidas, eficiente. Destruiu o antigo e criou um novo. Os Vingadores estavam chatos e previsíveis (ou melhor, mal escritos) e os seus Novos Vingadores eram surpreendentes e inesperados: nova equipa; adição de personagens até então de difícil associação a este grupo, o Homem-Aranha e Wolverine; novas ameaças. Mas tudo tem de acabar e Cerco, o trabalho compilado neste volume da Levoir, foi a conclusão de vários anos de Bendis nos seus Novos Vingadores (ou, pelo menos, o primeiro fim).

Num número anterior desta colecção, Invasão Secreta, a última página revelava que o salvador do mundo, Norman Osborn, que o governo americano havia recrutado como o novo director máximo de segurança, estava junto com alguns dos maiores inimigos dos heróis da Marvel, num conclave cujo propósito era óbvio. Entre o fim desta Invasão e Cerco foram contadas várias histórias, que não só envolveram os Novos Vingadores de Bendis como também os Vingadores Negros, equipa composta por novas iterações de heróis como Wolverine, Homem-Aranha, Ms. Marvel, etc, e liderados por Norman Osborn, o Patriota de Ferro. Não só Osborn assumia o papel de supremo defensor da liberdade, ao vestir uma armadura ao estilo do Homem-de-Ferro onde assumia as cores do Capitão América (que ainda estava morto nesta altura), como debaixo dos uniformes das novas versões dos Vingadores estavam vilões psicopatas. Este era o novo paradigma de heroísmo e liberdade no universo da Marvel pós-Invasão Secreta.

Cerco não é nada mais que o regresso dos heróis. Do Capitão América. Do Homem-de-Ferro. Do Thor. Desta santíssima trindade da Marvel e dos "verdadeiros" Vingadores. Desta forma, Bendis completa a seu arco de vários anos na mais importante equipa da editora de BD, com o regresso daquilo que ele "destruiu". O escritor continuaria a escrever os Vingadores durante mais dois anos mas não com o impacto e propósito que conseguiu nesta mega-saga. Só é pena que, em Portugal, tenhamos visto apenas os marcos mais relevantes. Quem sabe um dia tenhamos o resto.


Nota – Não partilho da opinião que tem de se saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.