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Avengers Endgame dos Irmãos Russo

Escrever sobre Avengers Endgame é uma dança entre os pingos da chuva. Como é que se fala sobre um filme, que, entre outras coisas, foca-se no enredo e na surpresa, sem estragar o que quer que seja? Não se preocupem que eu vou conseguir dizer o que necessito dizer, sem que, para isso, estrague o prazer que (inevitavelmente) terão ao ir ao cinema. Resumindo... não há spoilers neste artigo.

O que é achei deste filme?

Uma BD aqui, outra BD ali, 17

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! É um prazer que rezo para nunca acabar. De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei. Só isso: gostado. Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Avengers (2018) número 1 (ou 691) de Jason Aaron e Ed McGuiness (Marvel)

Jason Aaron tem construído a sua fama de forma calma e decidida. Deu-se a conhecer com o excelente Scalped da DC/Vertigo e foi invertendo para os super-heróis sem descurar a veia mais "independente". Na Marvel, continuou com uma inclinação que oscilava entre o humorístico soft de Wolverine & The X-Men, o másculo do Wolverine ou o divino cósmico do Thor. Este último abriu-lhe as portas do universo mais mainstream dos super-heróis da editora e, especificamente, o dos Vingadores, que estreia a escrever neste primeiro número de uma nova versão da revista da equipa.

Ed McGuiness é o desenhista que mistura influências mangá, cartoonescas e épicas e que tão bem lhe serviram no Deadpool, no Hulk ou no Super-Homem. É capaz de desenhar a "grandiloquência colossal" de forma divertida e entusiasmante, com um traço carnavalesco e hiperbólico tão bem adaptado à ópera cósmica que (também) são os super-heróis e, especificamente, os Vingadores da Marvel.

Ora, estes dois talentos começaram a trabalhar na mais famosa equipa da BD. O resultado só poderia ser o esperado: bom, muito bom. Escolhem seguir o caminho do cósmico e do divino, sendo diferente de outros autores como Bendis (que preferia os seus Vingadores mais terra-a-terra) e parecido ao de Jonathan Hickman. Por outro lado, não se esquecem que estão numa revista da Marvel, em que as personagens principais podem não dar-se particularmente  bem, como é ilustrado na conversa da trindade que são o Capitão América, o Thor e o Homem de Ferro. Estes são três amigos com marcadas diferenças de opinião (exacerbadas, é verdade, nos últimos 20 anos) e que, ainda assim, encontram suficientes pontos em comum para juntarem-se e enfrentar perigos e adversários cuja escala é impensável para a maior parte dos colegas de profissão. Sim, os Vingadores são a Liga da Justiça da Marvel.

Aaron e McGuiness conseguem, ao mesmo tempo, transmitir a enormidade da ameaça e a dinâmica entre as personalidades. O que poderia perder-se no cósmico incompreensível é antes alicerçado pela familiaridade de quem se parece connosco e com os nossos amigos. Esta capacidade é equilibrada pelos textos e diálogos do primeiro e pela destreza do desenho maior-que-a-vida-mas-cartoonesco do segundo. Nos dias de hoje, em que, infelizmente, o desenhista raramente consegue aguentar mais que seis números seguidos, há que aproveitar esta oportunidade e nos deliciarmos num espectáculo ainda maior que o que aparece nas salas de cinema. 

Avengers Infinity War (Vingadores: Guerra do Infinito) dos Irmãos Russo


O que começa tem de acabar. O primeiro grande arco de história do universo cinematográfico da Marvel chega ao fim neste Vingadores: Guerra do Infinito. O vilão, que apareceu, pela primeira vez, misterioso, no final do primeiro filme deste grupo de heróis, e depois em mais alguns momentos escolhidos, finalmente é revelado em toda a sua magnífica e terrível presença. Thanos, o titã louco, irá tentar reunir todas as seis jóias do infinito, objectos omnipotentes e omniscientes, e transformar-se em Deus. E, com isso, dizimar metade da vida consciente do universo.

Repararam que não fiz alusão aos personagens titulares? Os Vingadores são, claro, os heróis, mas é Thanos a estrela do filme, é dele a motivação e a tragédia, é ele o motor e o objectivo da narrativa. Depois de Loki, depois de Killmonger, a Marvel apresenta um novo vilão digno desse nome. Thanos é multifacetado e tridimensional. Thanos é compelido por uma missão terrível e de racionalidade abjecta. Thanos não é uma colecção de diálogos generalistas de demonstração de poder e sobranceria, mas antes o reflexo de uma personalidade complicada e capaz, até mesmo, de amar. Thanos é um dos melhores antagonistas da cultura pop, transformado em realidade pela magia da 7.ª Arte. Digo-o aqui já: Darth Vader tem um rival na História do Cinema.

Um filme desta envergadura, complexidade e expectativa poderia ter corrido muito mal. O número de personagens é gigantesco, as interacções múltiplas, a luta por atenção feroz e o enredo pesado. Contudo, depois de passarmos 11 anos a conhecer estas versões cinematográficas dos super-heróis da Marvel, estamos mais do que preparados para os absorver sem grandes explicações e com total familiaridade. A editora/produtora dos EUA fez um extraordinário trabalho de construir um universo coerente, de entretenimento e puro abandono. Entramos nesta geografia cósmica com os olhos de quem quer esquecer-se do real e mergulhar na fantasia.

Obviamente que a realização não é de autor, nem pretende ser. O espaço é todo dado ao enredo, à história e às personagens. É através delas que absorvemos a fantasia escabrosa que é o universo dos super-heróis, maior que a vida e de uma escala quase divina. A assinatura do estilo Marvel está em todo o lado e principalmente na picardia entre as diferentes personalidades (egos?), uma das marcas de água da editora, quando foi criada por Stan Lee, Jack Kirby e Steve Ditko na década de 60. Estes heróis não  têm de, necessariamente, dar-se bem. Existem confrontos de personalidade a cada virar de esquina espacial. E assim é que tem graça.

O divertimento cinematográfico de super-heróis não está morto, bem pelo contrário, muito para o desapontamento de alguns críticos, realizadores e afins. 

Avengers, The Age of Ultron de Joss Whedon (Vingadores, A Era de Ultron)


Quando começo a escrever estas palavras no ecrã vazio, ainda estou próximo em minutos dos créditos finais do novo filme da Marvel, os Vingadores, a Era de Ultron. Os que não são estranhos a este blog sabem o que a Banda Desenhada, principalmente a dos EUA, representa para mim. Apesar de ser também um enorme apreciador da arte de fazer Cinema, esta primeira e primal paixão suplanta todas as outras. É inevitável e incontornável. Portanto, ver um filme destes nada tem a ver com uma análise circunspecta e intelectual (que também há, mas contida), é muito do coração, do sangue e do corpo. É código genético.

Adorei este novo filme dos Vingadores mas, provavelmente, não tanto quanto o anterior ou que outros filmes de super-heróis que me tocam ainda mais fundo (falo do Man of Steel, por exemplo). É mais um sucesso garantido para a Marvel mas que não sabe à novidade, frescura e rebeldia que o anterior soube. Os pontos altos são, sem duvida, o desenvolvimento dos personagens. É nos momentos de troca de galhardetes, de confronto ou de partilha de personalidades que este Vingadores ganha mesmo em relação ao anterior. São os pedaços de sossego e calmaria, quando temos tempo para conhecer quem são, perdoem o cliché, as mulheres e os homens por detrás dos nomes e fatos coloridos, são esses os momentos gigantes do filme. O que é dizer muito, principalmente quando temos, parafraseando um personagem surpresa deste Vingadores, deuses a caminhar na terra.  É impossível falar-vos de pormenores sem vos estragar o prazer de ver e ouvir o que está no ecrã, portanto não vos vou fazer esse desserviço. Joss Whedon é um escritor de personagens e neste Vingadores tem espaço, tempo e orçamento para desenvolver essa sua qualidade. Mas é também no orçamento que as coisas se complicam.

O que vos vou dizer será, para muitos, estranho e paradoxal. As batalhas são maiores, mais coloridas, mais titânicas que no anterior filme. Terão oportunidade de ver heróis contra vilões, heróis contra heróis, num carnaval de violência e pirotecnia já costumeiro nestes filmes de Verão. No anterior esses momentos eram temperados com apontamentos de humor espalhados pelo campo de batalha mas, desta vez, são menos ou, pelo menos, menos impactantes. Ou talvez seja apenas uma impressão minha. Sim, as batalhas são impressionantes, belas e terríveis. Sim, existe espaço para os personagens brilharem mas senti qualquer coisa em falta. Talvez o elemento surpresa do primeiro tenha sido impossível de reproduzir.

A quantidade de novos personagens é impressionante. Alguns maiores, como o vilão titular, os irmãos Mercúrio e Feiticeira Escarlate, o Visão. Outros menores, como Klaw. Mas a maestria de Whedon arquiteta o argumento para que nada pareça rápido demais, subdesenvolvido. Há verdadeira orgânica e fluidez entre eventos, tudo se colando de forma subtil. No meio há muitos piscar de olhos aos fãs de muita longa data mas, claro, não vos vou estragar a delícia de os descobrir.

Outra vitória é o vilão, Ultron, com a voz interpretada pelo sempre brilhante James Spader. Um vilão que, à boa maneira dos grandes inimigos, é o reflexo distorcido dos próprios heróis e, neste caso, de um em particular. Ainda que eu preferisse o meu Ultron mais tenebroso e negro, percebo que a máquina imparável de ódio e destruição da BD seja complicada de passar no contexto da história deste filme.

Finalmente: Gavião Arqueiro; Viúva Negra; Hulk. São estes os nomes dos melhores Vingadores. Whedon dá-lhes muito mais que apenas o que fazer e dizer, dá-lhes uma profundidade dramática inesquecível, uma maturidade que constrói uma tapeçaria de contornos complexos. Nenhum foge à matriz já existente na BD mas evolui as suas personalidades para lados deliciosamente profundos. Tenho de tirar o chapéu a Scarlett Johansson. Eu sei que serão em parte as hormonas a falar mas a presença desta senhora no ecrã é absolutamente hipnotizante. Marvel, por favor, dêem-nos já, neste momento, um filme apenas da Viúva Negra. O vosso universo bem que precisa.

Em suma, um filme que, apesar das falhas, é mais uma vitória de Joss Whedon, dos actores, da Marvel.

Quem lê BD tem a cabeça na lua.

"- This isn't earth.
- How can you be sure?
- Because the moon looks wrong...the wrong color.
- Oh, that? No, that isn't the moon. It's the whole of creation, seen from the outside. In fact, this is why I brought you here. I'd like you to help me decide what to do with it." - Mike Carey, Lucifer volume 10 - Morningstar

Vários trabalhos por comissão de John Byrne.

Thanos vs Vingadores

Ultron vs Vingadores

Super-Homem vs Quarteto Fantástico vs Dr. Destino

Encontro entre personagens Marvel e DC das décadas de 40 e 70.

Crónica A Minha Primeira Comic Con em Portugal


A "marca" Comic Con existe nos EUA há várias décadas. Como é do conhecimento geral, a palavra Comic é a designação oficial para Banda Desenhada em terras estado-unidenses. As Cons, por seu lado, não são mais que conferências, reuniões entre fãs e artistas, produtores, editoras, etc. Ou seja, um ponto de encontro entre os que ou amam, ou gostam ou têm apenas curiosidade pela Arte, e aqueles que a produzem. Porque estamos a falar de algo criado por norte-americanos, estamos também a falar de algo com um sabor muito especial, regional se assim quisermos. Há extravagância, envolvimento, comércio, uma partilha comunal em volta de uma Arte que, para muitos, é também um modo e filosofia de vida.

Pela primeira vez apareceu em Portugal uma Comic Con e tive o prazer de comungar no Sábado, dia 6 de Dezembro de 2014, com 32 mil outros loucos nesta celebração que não se cinge apenas à BD, mas extrapola-se para outras Artes da cultura dita popular (Pop para quase toda a gente): cinema de género; Séries de TV; jogos de computador; etc.

Confesso que fiz parte dos cépticos quanto à capacidade de Portugal ser palco de um evento deste género. Faz parte da genética do país desconfiar da nossa capacidade de organização e da nossa vontade de adesão. É um fado e uma tragédia (passo o pleonasmo) que nos persegue e que faz de nós aquilo que somos. Dito isto, dizer que fiquei agradavelmente surpreso com a dimensão e qualidade do evento é ser, no mínimo, eufemístico. Estava a pensar numa festa de vão de escada e sai-me uma rave no Mosteiro do Jerónimos. 

Como disse anteriormente, fui apenas no Sábado. Não me arrependo e fiquei com o sabor apurado para os anos que se seguirão. Entrei à tarde no recinto e dirigi-me imediatamente para o painel que tinha vontade de ver: Brian K. Vaughn e Marcos Martin a falar da sua nova BD digital, Private Eye. Enquanto caminhava para o dito evento apercebi-me de enormes filas para entrar em outros painéis e depressa comecei a aperceber-me que as minhas expectativas baixas poderiam ter sido  fruto do código genético. A muito esperada "conversa" com Vaughn e Martin foi tudo o que eu poderia esperar mas com sabor a casa. A plateia, não estando a abarrotar, estava devidamente composta. Falou-se  da dita colaboração entre os dois, do futuro da BD, do conflito entre o papel e o digital, de trabalhar para a Marvel e a DC versus ser independente, etc. 

Acabado o painel, era "urgente" encaminhar-me para a área de autógrafos para recolher uma pequena assinatura de Vaughn, Martin e Carlos Pacheco (este último conhecido por trabalhos nos Vingadores, X-Men, Quarteto Fantástico, etc.). Do primeiro autografei o primeiro volume de Y: The Last Man e também o primeira compilação da minha BD favorita da actualidade, Saga. Do segundo, o seu primeiro trabalho no Homem-Aranha e do terceiro os seis primeiros números de Avengers Forever. Missão cumprida sem soluços, de forma ordeira e sem stresses. 

Segue-se o périplo pelo recinto e a surpresa pela dimensão consolidou-se em granito (pedra apropriada à zona do país, para quem não está dentro destas coisas da geomorfologia). Gente e mais gente e mais gente em deleite completo numa enorme catedral dedicada à religião da cultura popular. Uma das maiores e mais deliciosas celebrações residiu na forma dos dedicados cosplayers, que enfeitavam com tons de carnaval e amor o espaço, gritando aos sete ventos o que, porventura, já guardavam à anos.  

Todos se passeavam e amontoavam, os olhares roubavam maravilhas. A zona comercial era vibrante. Os visitantes amontoavam-se a comprar tudo desde livros, a DVD's, a porta-chaves, algo que envergasse a imagem ou o símbolo dos seus personagens favoritos, daquela cultura que, secretamente, sorviam no sossego do quarto ou da sala. Tive ainda a sorte de encontrar um outro ídolo da BD, Miguelanxo Prado, que me fez um desenho e uma dedicatória em Árdalen (ficou apenas a faltar Pia Guerra que, apenas por preguiça,  não consegui). Dificilmente poderia ter-me corrido melhor.

Obviamente que um evento desta dimensão e que é organizado pela primeira vez em Portugal terá de ter os seus soluços, os seus problemas mas, sinceramente, na minha experiência eles não aconteceram. Antes vi apenas um sucesso de adesão, algo que, dificilmente, se vê em Portugal a não ser em feiras gastronômicas ou de noivos. Apenas posso ficar maravilhado com a quantidade de outros como eu, assoberbados por uma paixão (claro que nem todos  os visitantes e, se calhar, nem a maioria). Curiosamente, fez-me lembrar de outro evento, o MoteLx, festival de cinema de terror em Lisboa. De facto, a cultura geek, popular - tudo termos que não aprecio, mas adiante -, estas Artes... estão a tomar conta do mundo. 

Há algo de primordial nisto. Um regresso aos personagens maiores que a vida, fantásticos, que nos transportam para mundos que não existem mas cujas lições e psicologia são mais reais que muitas outras histórias.  Homero estaria orgulhoso.

PS - Estive várias vezes na Comic Con de Nova Iorque e posso afirmar que não me senti, nem por um segundo, envergonhado pelo que vi. Parabéns, Portugal.

PS II - O Porto é a cidade perfeita para este evento. E olhem que sou ferrenho lisboeta. A proximidade a Espanha mais do que justifica que a Comic Con continue a fazer-se aqui.


Coleção Levoir/Público Marvel 2014 – 20.º Volume: Vingadores e X-Men parte II

(Prometo informar os menos conhecedores acerca da acessibilidade desta coleção de BD, ou seja, se é fácil ou não ler sem saber mais coisas)

Grau de acessibilidade: Difícil mas…

Sai amanhã, Quinta-feira, dia 20 de Novembro, junto com Público e custa 8,9€


Quando os heróis já enfrentaram por diversas vezes os seus habituais inimigos fica difícil inovar. Ao mesmo tempo, uma das histórias com quase tanta barba quanto a do aparecimento do super-herói é a do confronto entre dois ou mais super-heróis. Quantas e quantas vezes o Super-Homem encontrava-se com, por exemplo, o Capitão Marvel (não sabem quem é? Para o efeito, não interessa), e a primeira reação de ambos era a de desentendimento, seguida do confronto e, só depois, da junção para enfrentar o verdadeiro problema, geralmente um super-vilão. Existe um lado muito atraente para os fãs em ver personagens que são geralmente aliados a lutarem um contra o outro. Não só ajuda a responder à juvenil pergunta de “quem é o mais forte?” como possui uma carga dramática verdadeiramente cativante.

A editora Marvel, nos últimos 10 anos, tem levado este confronto para um lado inesperado, não se cingido aos eventuais desentendimentos mas indo mais longe, para o lado das diferenças filosóficas entre heróis. Este rol de encontros começou com Dinastia M, onde os Vingadores estavam de um lado diferente do dos X-Men. Continuou, desta vez só com os Vingadores, com a Guerra Civil (ambas estas histórias foram publicadas pela Levoir) e com as consequências da mesma – e que, ao que parece, serão adaptadas no terceiro filme do Capitão América, já que a base da titular guerra era a do confronto entre o Sentinela da Liberdade e o seu colega Vingador, o Homem de Ferro. Alguns anos e muitas histórias e sagas depois, eis que surge um confronto paradoxal mas esperado entre duas das maiores equipas da Marvel. Esta é a história que imediatamente antecede as publicadas nas revistas mensais da Panini Portugal, nomeadamente as dos Vingadores e dos X-Men, e funciona como importante complemento para perceber o ponto onde se encontra, principalmente, a equipa de mutantes.

São vários os escritores e desenhistas que trabalharam nesta saga, que sofre de vários defeitos, ainda que tenha importantes virtudes. Algo pelo qual não tenho particular afinidade é exatamente o facto de ser trabalhada por vários autores que, ainda que detentores de enorme talento, acabam por contribuir para um todo incoerente – cheira ao trabalho de encomenda que na realidade é. Por outro lado, é o culminar de uma multitude de outras histórias vindas de outros volumes (como Dinastia M), obrigando a um enciclopédico conhecimento dos meandros em que estes estes personagens se movimentaram na última década. Não que isso não deva funcionar como detrimento, como aliás sempre digo no final de cada um destes posts. Por outro lado, as vantagens residem nas mesmas características que são também defeitos. Não só estamos defronte do trabalho de alguns dos mais interessantes escritores e desenhistas de BD de super-heróis, como muita da magia da mitologia dos personagens reside no conturbado historial que os rodeia. Em suma, uma maneira curiosa de culminar esta coleção da Marvel de 2014: não com um Fim mas sim com um Continua…

Nota final – Eu não partilho da opinião que se tem de saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.


Coleção Levoir/Público Marvel 2014 – 19.º Volume: Vingadores e X-Men parte I

(Prometo informar os menos conhecedores acerca da acessibilidade desta coleção de BD, ou seja, se é fácil ou não ler sem saber mais coisas)

Grau de acessibilidade: Difícil mas…

Sai amanhã, Quinta-feira, dia 13 de Novembro, junto com Público e custa 8,9€


Quando os heróis já enfrentaram por diversas vezes os seus habituais inimigos fica difícil inovar. Ao mesmo tempo, uma das histórias com quase tanta barba quanto a do aparecimento do super-herói é a do confronto entre dois ou mais super-heróis. Quantas e quantas vezes o Super-Homem encontrava-se com, por exemplo, o Capitão Marvel (não sabem quem é? Para o efeito, não interessa), e a primeira reação de ambos era a de desentendimento, seguida do confronto e, só depois, da junção para enfrentar o verdadeiro problema, geralmente um super-vilão. Existe um lado muito atraente para os fãs em ver personagens que são geralmente aliados a lutarem um contra o outro. Não só ajuda a responder à juvenil pergunta de “quem é o mais forte?” como possui uma carga dramática verdadeiramente cativante.

A editora Marvel, nos últimos 10 anos, tem levado este confronto para um lado inesperado, não se cingido aos eventuais desentendimentos mas indo mais longe, para o lado das diferenças filosóficas entre heróis. Este rol de encontros começou com Dinastia M, onde os Vingadores estavam de um lado diferente do dos X-Men. Continuou, desta vez só com os Vingadores, com a Guerra Civil (ambas estas histórias foram publicadas pela Levoir) e com as consequências da mesma – e que, ao que parece, serão adaptadas no terceiro filme do Capitão América, já que a base da titular guerra era a do confronto entre o Sentinela da Liberdade e o seu colega Vingador, o Homem de Ferro. Alguns anos e muitas histórias e sagas depois, eis que surge um confronto paradoxal mas esperado entre duas das maiores equipas da Marvel. Esta é a história que imediatamente antecede as publicadas nas revistas mensais da Panini Portugal, nomeadamente as dos Vingadores e dos X-Men, e funciona como importante complemento para perceber o ponto onde se encontra, principalmente, a equipa de mutantes.

São vários os escritores e desenhistas que trabalharam nesta saga, que sofre de vários defeitos, ainda que tenha importantes virtudes. Algo pelo qual não tenho particular afinidade é exatamente o facto de ser trabalhada por vários autores que, ainda que detentores de enorme talento, acabam por contribuir para um todo incoerente – cheira ao trabalho de encomenda que na realidade é. Por outro lado, é o culminar de uma multitude de outras histórias vindas de outros volumes (como Dinastia M), obrigando a um enciclopédico conhecimento dos meandros em que estes estes personagens se movimentaram na última década. Não que isso não deva funcionar como detrimento, como aliás sempre digo no final de cada um destes posts. Por outro lado, as vantagens residem nas mesmas características que são também defeitos. Não só estamos defronte do trabalho de alguns dos mais interessantes escritores e desenhistas de BD de super-heróis, como muita da magia da mitologia dos personagens reside no conturbado historial que os rodeia. Em suma, uma maneira curiosa de culminar esta coleção da Marvel de 2014: não com um Fim mas sim com um Continua…


Nota final – Eu não partilho da opinião que se tem de saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.

Coleção Levoir/Público Marvel 2014 – 15.º Volume: Contos de Fadas Homem-Aranha e Vingadores

(Prometo informar os menos conhecedores acerca da acessibilidade desta coleção de BD, ou seja, se é fácil ou não ler sem saber mais coisas)

Grau de acessibilidade: Fácil

Sai amanhã, Quinta-feira, dia 16 de Outubro, junto com Público e custa 8,9€

A Marvel gosta de experimentar com outros géneros para além do dos super-heróis mas de uma forma muito particular. Para a larga maioria das aventuras fora da "zona de conforto" utiliza os seu catálogo de personagens e coloca-os em mundos diferentes. Reescreve a mitologia de cada um mas sem esquecer a batida que rege o ritmo dos seus heróis. Mesmo as experiências mais "radicais", geralmente não tem coragem de esquecer de utilizar ou o Homem-Aranha, ou o Quarteto Fantástico ou os Vingadores, por exemplo. Mesmo personagens que cria e que muitas vezes não têm cabimento na larga tapeçaria dos super-heróis, acabam por ser incorporados por ela. A necessidade de criar um todo coeso algumas vezes suplanta o bom senso e a criatividade. Digamos que é um modelo de negócio.

Neste contexto, temos este novo volume da Levoir que, digo desde já, nunca tive a oportunidade de ler. Desconheço de todo a qualidade que imagino ser boa, ademais tendo o contributo de artistas portugueses como João Lemos e Nuno Plati, um dos grandes atractivos deste novo livro da colecção, mesmo a tempo do Festival de Banda Desenhada da Amadora. Parece-me uma excelente aposta desta editora, ao contextualizar o mais recente lançamento da colecção Marvel 2014 neste festival, podendo abrir o apetite  a públicos de diferentes proveniências, públicos que raramente colocariam os olhos nos títulos ditos "normais" da editora americana de super-heróis. 

A escolha de dois nomes conhecidos como  Homem-Aranha  e Vingadores só poderá contribuir mais ainda para a fácil percepção. São ícones que, cada vez mais, têm um forte apelo para o público em geral, pelos filmes que têm sido um sucesso. A editora têm sido mestre na capacidade de vender o seu catálogo em diferentes media, revelando uma extraordinária capacidade de adaptação aos tempos modernos. A Banda Desenhada continua a ser o canto mais importante de produção de histórias originais mas a editora consegue exportá-la com sucesso e criar o gosto em diferentes públicos. Num mercado cada vez menor da BD é um importante método de sobrevivência. Os fãs de longa data ao mesmo que tempo que agradecem vivem com algum receio. Contudo, quando vejo que começam a aparecer outra vez crianças e adolescentes a ler BD, só posso ficar feliz. Espero que por muito tempo.

Coleção Levoir/Público Marvel 2014 – 13.º Volume: Vingadores

(Prometo informar os menos conhecedores acerca da acessibilidade desta coleção de BD, ou seja, se é fácil ou não ler sem saber mais coisas)

Grau de acessibilidade: Difícil mas...

Sai amanhã, Quinta-feira, dia 2 de Outubro, junto com Público e custa 8,9€



Os Vingadores de Brian Michael Bendis. Em posts anteriores já falei deste escritor, que conseguiu ressuscitar das cinzas este famoso grupo de super-heróis da Marvel ao fazer algo que, não sendo incomum na BD americana, foi, sem sombra de dúvidas, eficiente. Destruiu o antigo e criou um novo. Os Vingadores estavam chatos e previsíveis (ou melhor, mal escritos) e os seus Novos Vingadores eram surpreendentes e inesperados: nova equipa; adição de personagens até então de difícil associação a este grupo, o Homem-Aranha e Wolverine; novas ameaças. Mas tudo tem de acabar e Cerco, o trabalho compilado neste volume da Levoir, foi a conclusão de vários anos de Bendis nos seus Novos Vingadores (ou, pelo menos, o primeiro fim).

Num número anterior desta colecção, Invasão Secreta, a última página revelava que o salvador do mundo, Norman Osborn, que o governo americano havia recrutado como o novo director máximo de segurança, estava junto com alguns dos maiores inimigos dos heróis da Marvel, num conclave cujo propósito era óbvio. Entre o fim desta Invasão e Cerco foram contadas várias histórias, que não só envolveram os Novos Vingadores de Bendis como também os Vingadores Negros, equipa composta por novas iterações de heróis como Wolverine, Homem-Aranha, Ms. Marvel, etc, e liderados por Norman Osborn, o Patriota de Ferro. Não só Osborn assumia o papel de supremo defensor da liberdade, ao vestir uma armadura ao estilo do Homem-de-Ferro onde assumia as cores do Capitão América (que ainda estava morto nesta altura), como debaixo dos uniformes das novas versões dos Vingadores estavam vilões psicopatas. Este era o novo paradigma de heroísmo e liberdade no universo da Marvel pós-Invasão Secreta.

Cerco não é nada mais que o regresso dos heróis. Do Capitão América. Do Homem-de-Ferro. Do Thor. Desta santíssima trindade da Marvel e dos "verdadeiros" Vingadores. Desta forma, Bendis completa a seu arco de vários anos na mais importante equipa da editora de BD, com o regresso daquilo que ele "destruiu". O escritor continuaria a escrever os Vingadores durante mais dois anos mas não com o impacto e propósito que conseguiu nesta mega-saga. Só é pena que, em Portugal, tenhamos visto apenas os marcos mais relevantes. Quem sabe um dia tenhamos o resto.


Nota – Não partilho da opinião que tem de se saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.

O que vou lendo! - Thanos, The Infinity Revelation por Jim Starlin

(a bold podem encontrar links relevantes para antigos posts deste blog)


O personagem Thanos começa a ficar conhecido do público em geral, isto depois de brevíssimas aparições nos filmes dos Vingadores e Guardiões da Galáxia. Os fãs de BD sabem o que os espera. Vou fazer um esforço para daqui para a frente não estragar a surpresa para os outros, ainda que possam ir navegar na net e descobrir facilmente do que se trata. Mesmo assim, não me parece ser segredo para (quase) ninguém que a Marvel prepara Thanos para ser o Adversário (sim, com A capital) no filme que concluirá a primeira grande fase do seu universo cinematográfico: Vingadores 3 - até já se começa a falar em dividir este em dois.

Thanos é um dos maiores vilões do universo Marvel. Foi criado na década de 70 pela brilhante e criativa mente de Jim Starlin num conjunto de histórias que se tornaram lenda (neste link podem ler o que achei de uma colecção que as compila e que é de leitura obrigatória para se prepararem para este personagem). Desde então, tem sido usado variadíssimas vezes como um dos inimigos definitivos e mais temíveis aos heróis, sendo que as histórias mais relevantes foram quase sempre escritas pelo pai criativo de Thanos. Contudo, porque este é um personagem que é propriedade da Marvel, vários outros criadores colocaram os seus talentos ao serviço do Titã Louco (um dos epítetos do personagem), com diferentes graus de fidelidade para os fãs mas quase nenhuma para Jim Starlin. Ao contrário do que até é costume em monolíticas editoras como a Marvel e a DC, a primeira decidiu trazer de volta o original e devolver as rédeas criativas de Thanos ao seu pai para este mais novo volume de BD originais em formato mais devedor ao franco-belga, pelo menos em contenção e número de páginas (os volumes anteriores incluem os Vingadores, X-Men e Homem-Aranha). 

Ainda bem por esta decisão, porque Starlin continua a demonstrar enorme inclinação criativa para históricas de cariz cósmica e existencial, cujo ápice atingiu em Adam Warlock, também na década de 70. É no palco universal e cosmogónico que este artista parece movimentar-se com muito à vontade, não tendo perdido um átomo da sua força depois de quatro décadas. A falta de esforço é tal que parece que tudo estaria planeado desde há muito tempo e a evolução que agora se verifica no personagem ter sempre sido a prevista. Esta consistência é difícil e, mais ainda, sem parecer revisitação mercantilista (que, não tenhamos dúvidas, também o é). Particularmente complicado será também perpetuar algum sentimento de novidade, de "ainda não tinha visto isto", e desde as primeiras páginas nos apercebemos que existe qualquer coisa de diferente. Não só uma nova escala é introduzida no universo Marvel como, na conclusão da história, estamos perante um status quo diferente e que, com certeza, terá relevância para outros cantos do universo BD da editora. Mesmo os leitores da Panini em Portugal vão se aperceber que Thanos terá incrível importância para as histórias dos Vingadores de Jonathan Hickman. Imaginem para o futuro de 2015 nos EUA.

Este é um volume essencial não só para fãs, que começam a ver parte do complexo puzzle que se avizinha no futuro da Marvel, como para os iniciados, podendo, assim, melhor conhecer um dos mais complexos e importantes vilões da galeria da editora. 

Coleção Levoir/Público Marvel 2014 – 11.º Volume: Vingadores

(Prometo informar os menos conhecedores acerca da acessibilidade desta coleção de BD, ou seja, se é fácil ou não ler sem saber mais coisas)

Grau de acessibilidade: Difícil mas...

Sai amanhã, Quinta-feira, dia 18 de Setembro, junto com Público e custa 8,9€

Por esta altura muitos já sabem quem são os Vingadores: a coleção dos melhores super-heróis que o universo da Marvel tem para oferecer. O que talvez nem todos saibam é que a história deste grupo é antiga (remonta à década de 60) e extraordinariamente conturbada, como aliás manda que seja qualquer história de um super-herói que se preze. Ao longo de cinco décadas, os personagens que fizeram ou fazem parte das fileiras desta importante equipa, sofreram, evoluíram e, acima de tudo,  modificaram-se. Aqueles que tinham revistas homónimas onde, mensalmente, eram contadas as suas vidas "pessoais" (Capitão América, Thor, Homem de Ferro, por exemplo), para esses era difícil fazer grandes explorações na publicação mensal dos Vingadores. Mas os outros, cuja vida se cingia ao grupo, eram plasticina para ser moldada ao bel prazer dos múltiplos criadores.  Por vezes, o inevitável acontecia e um personagem era transformado ao ponto da contradição com histórias anteriores. Nada que não pudesse ser corrigido por uma história e criador subseqüentes. O que acabei de descrever constitui um dos pontos mais interessantes para nós fãs no que respeita à mitologia dos super-heróis: a da constante reinivenção. E a história compilada neste no anterior volume, Vingadores Para Sempre, tem disto.

Outras das grandes paixões dos verdadeiros amantes desta literatura são as sagas megalómanas, com o tecido espaço-temporal em constante ameaça. Para personagens como os Vingadores, habituados a confrontos no palco universal e temporal, este tipo de sagas são aquelas que melhor justificam a existência de uma assembleia de personagens que incluem deuses, semideuses, génios, super-soldados, feiticeiras, gigantes, andróides sencientes, etc.  É quando o destino de tudo está em cima da mesa, quando os vilões excedem a maldade e tornam-se verdadeiros tiranos que põe em perigo a própria existência, são nestes cenários que heróis como estes melhor demonstram as suas capacidades. E a história compilada neste no anterior volume, Vingadores Para Sempre, tem disto.

Finalmente, também é do gosto dos fãs, histórias que envolvem múltiplas versões de um mesmo personagem: de realidades paralelas utópicas; de realidades paralelas distópicas; de futuros paralelos distópicos; de futuros possíveis utópicos. E a história compilada neste no anterior volume, Vingadores Para Sempre, tem disto.

Este trabalho de Kurt Busiek (de quem já leram Marvels, também nesta coleção) e Carlos Pacheco está longe de ser o mais acessível dos volumes para o coleccionador ocasional de BD. Contudo, é umas das mais divertidas viagens de que tenho memória em relação aos Vingadores e uma que vale mesmo a pena acompanhar. Nem que seja pela sensação de confusão e vertigem.

Nota final – Eu não partilho da opinião que se tem de saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.

Coleção Levoir/Público Marvel 2014 – 10.º Volume: Vingadores

(Prometo informar os menos conhecedores acerca da acessibilidade desta coleção de BD, ou seja, se é fácil ou não ler sem saber mais coisas)

Grau de acessibilidade: Difícil mas...

Sai amanhã, Quinta-feira, dia 11 de Setembro, junto com Público e custa 8,9€

Por esta altura muitos já sabem quem são os Vingadores: a coleção dos melhores super-heróis que o universo da Marvel tem para oferecer. O que talvez nem todos saibam é que a história deste grupo é antiga (remonta à década de 60) e extraordinariamente conturbada, como aliás manda que seja qualquer história de um super-herói que se preze. Ao longo de cinco décadas, os personagens que fizeram ou fazem parte das fileiras desta importante equipa, sofreram, evoluíram e, acima de tudo,  modificaram-se. Aqueles que tinham revistas homónimas onde, mensalmente, eram contadas as suas vidas "pessoais" (Capitão América, Thor, Homem de Ferro, por exemplo), para esses era difícil fazer grandes explorações na publicação mensal dos Vingadores. Mas os outros, cuja vida se cingia ao grupo, eram plasticina para ser moldada ao bel prazer dos múltiplos criadores.  Por vezes, o inevitável acontecia e um personagem era transformado ao ponto da contradição com histórias anteriores. Nada que não pudesse ser corrigido por uma história e criador subseqüentes. O que acabei de descrever constitui um dos pontos mais interessantes para nós fãs no que respeita à mitologia dos super-heróis: a da constante reinivenção. E a história compilada nos próximos dois volumes, Vingadores Para Sempre, tem disto.

Outras das grandes paixões dos verdadeiros amantes desta literatura são as sagas megalómanas, com o tecido espaço-temporal em constante ameaça. Para personagens como os Vingadores, habituados a confrontos no palco universal e temporal, este tipo de sagas são aquelas que melhor justificam a existência de uma assembleia de personagens que incluem deuses, semideuses, génios, super-soldados, feiticeiras, gigantes, andróides sencientes, etc.  É quando o destino de tudo está em cima da mesa, quando os vilões excedem a maldade e tornam-se verdadeiros tiranos que põe em perigo a própria existência, são nestes cenários que heróis como estes melhor demonstram as suas capacidades. E a história compilada nos próximos dois volumes, Vingadores Para Sempre, tem disto.

Finalmente, também é do gosto dos fãs, histórias que envolvem múltiplas versões de um mesmo personagem: de realidades paralelas utópicas; de realidades paralelas distópicas; de futuros paralelos distópicos; de futuros possíveis utópicos. E a história compilada nos próximos dois volumes, Vingadores Para Sempre, tem disto.

Este trabalho de Kurt Busiek (de quem já leram Marvels, também nesta coleção) e Carlos Pacheco está longe de ser o mais acessível dos volumes para o coleccionador ocasional de BD. Contudo, é umas das mais divertidas viagens de que tenho memória em relação aos Vingadores e uma que vale mesmo a pena acompanhar. Nem que seja pela sensação de confusão e vertigem.

Nota final – Eu não partilho da opinião que se tem de saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.