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Avengers Endgame dos Irmãos Russo

Escrever sobre Avengers Endgame é uma dança entre os pingos da chuva. Como é que se fala sobre um filme, que, entre outras coisas, foca-se no enredo e na surpresa, sem estragar o que quer que seja? Não se preocupem que eu vou conseguir dizer o que necessito dizer, sem que, para isso, estrague o prazer que (inevitavelmente) terão ao ir ao cinema. Resumindo... não há spoilers neste artigo.

O que é achei deste filme?

Avengers Infinity War (Vingadores: Guerra do Infinito) dos Irmãos Russo


O que começa tem de acabar. O primeiro grande arco de história do universo cinematográfico da Marvel chega ao fim neste Vingadores: Guerra do Infinito. O vilão, que apareceu, pela primeira vez, misterioso, no final do primeiro filme deste grupo de heróis, e depois em mais alguns momentos escolhidos, finalmente é revelado em toda a sua magnífica e terrível presença. Thanos, o titã louco, irá tentar reunir todas as seis jóias do infinito, objectos omnipotentes e omniscientes, e transformar-se em Deus. E, com isso, dizimar metade da vida consciente do universo.

Repararam que não fiz alusão aos personagens titulares? Os Vingadores são, claro, os heróis, mas é Thanos a estrela do filme, é dele a motivação e a tragédia, é ele o motor e o objectivo da narrativa. Depois de Loki, depois de Killmonger, a Marvel apresenta um novo vilão digno desse nome. Thanos é multifacetado e tridimensional. Thanos é compelido por uma missão terrível e de racionalidade abjecta. Thanos não é uma colecção de diálogos generalistas de demonstração de poder e sobranceria, mas antes o reflexo de uma personalidade complicada e capaz, até mesmo, de amar. Thanos é um dos melhores antagonistas da cultura pop, transformado em realidade pela magia da 7.ª Arte. Digo-o aqui já: Darth Vader tem um rival na História do Cinema.

Um filme desta envergadura, complexidade e expectativa poderia ter corrido muito mal. O número de personagens é gigantesco, as interacções múltiplas, a luta por atenção feroz e o enredo pesado. Contudo, depois de passarmos 11 anos a conhecer estas versões cinematográficas dos super-heróis da Marvel, estamos mais do que preparados para os absorver sem grandes explicações e com total familiaridade. A editora/produtora dos EUA fez um extraordinário trabalho de construir um universo coerente, de entretenimento e puro abandono. Entramos nesta geografia cósmica com os olhos de quem quer esquecer-se do real e mergulhar na fantasia.

Obviamente que a realização não é de autor, nem pretende ser. O espaço é todo dado ao enredo, à história e às personagens. É através delas que absorvemos a fantasia escabrosa que é o universo dos super-heróis, maior que a vida e de uma escala quase divina. A assinatura do estilo Marvel está em todo o lado e principalmente na picardia entre as diferentes personalidades (egos?), uma das marcas de água da editora, quando foi criada por Stan Lee, Jack Kirby e Steve Ditko na década de 60. Estes heróis não  têm de, necessariamente, dar-se bem. Existem confrontos de personalidade a cada virar de esquina espacial. E assim é que tem graça.

O divertimento cinematográfico de super-heróis não está morto, bem pelo contrário, muito para o desapontamento de alguns críticos, realizadores e afins. 

Captain America: Winter Soldier de Joe Russo e Anthony Russo (Capitão América: O Soldado do Inverno)

Eu gostava de poder dizer que adorei este filme. Infelizmente, não o posso. Justiça seja feita, também não posso afirmar que não atingiu totalmente as (elevadas) expectativas. Que estava tudo mal. Que não entreteu. Não é, de todo, verdade. Teve momentos bastante bons, entreteve, mas faltou, acima de tudo, alguma contenção por parte de quem escreveu a história.

Para quem entende destas coisas da BD, sabe que o titulo do filme vem do início de uma das mais elogiadas fases do herói, escrita por Ed Brubaker e desenhada por Steve Epting. O conjunto de histórias pelas quais estes dois autores ficariam conhecidos e que culminaram na muito mediática morte do personagem titular, iniciou-se exatamente com um volume chamado The Winter Soldier.  Ora é aqui que a coisa começa mal. Apesar de um ou outro pormenor ser fiel ao original, em muitos outros distancia-se. Antes que os que não são fãs comecem a pensar “Lá estão os cromos da BD!”, a minha critica não tem nada a ver com o afastamento em relação à obra. Nota-se o amor que é já apanágio de todos os filmes que vêm da Marvel. O mal vem de tentarem colocar histórias a mais, ficando um todo demasiadamente “ocupado”. Existem demasiadas coisas a acontecer, sem que muitos pormenores sejam devidamente explorados com calma e descontração. A meu ver, a história que dá titulo ao filme acaba por ser uma nota de pé de página. Tudo o resto que acontece é bastante mais importante – e obviamente que não o vou revelar aqui. Este excesso de bagagem acaba por prejudicar o filme, que fica sem um centro profundamente definido. Mesmo a mensagem central (segurança vs. liberdade) desaparece no meio da pirotecnia (sim, os efeitos especiais são abundantes... talvez demais), da grandiloquência e, uma vez mais, da história demasiadamente ocupada.

Ainda assim, existem momentos fortes no filme. Não apenas daqueles dedicados aos fãs, mas também para todos os restantes. Aparecem vários personagens da mitologia do Capitão América que são sempre deliciosos de ver na tela gigante. A Viúva Negra de Scarlett Johansson merece urgentemente um filme. A energia supranatural física do Capitão é muito bem explorada, mostrando claramente tratar-se de um ser num apogeu desconcertante para o comum dos mortais.


Em suma, um filme que entretém mas não deslumbra. Não como, para mim, aconteceu com o Thor e os Vingadores.