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Once Upon a Time In... Hollywood de Quentin Tarantino

Um filme de Tarantino é um acontecimento. As salas enchem-se para ver o que o realizador tem de novo para dizer. Nos dias que correm, de franquias, dos super-heróis, dos remakes e das sequelas, é um caso raro. Nos últimos anos, parece estarmos sujeitos a uma barragem de publicidade a merchadise e a outros produtos que nada têm a ver com Cinema.  A cada ida às salas, parece estarmos mais longe da obra autoral. Não quero com isso dizer que não podemos ter entretenimento, mas a hegemonia do produto concebido para agradar a adolescentes, a crianças e a investidores é avassaladora. Associe-se o facto da narrativa na TV estar a criar histórias mais plurais e, muitas delas, direccionadas a um público adulto, e criou-se um ambiente de crise criativa na sétima arte. E isso é ainda mais visível em Hollywood, nem que seja pelo número elevado de filmes a que estamos sujeitos vindos dessas geografias.

Avengers Endgame dos Irmãos Russo

Escrever sobre Avengers Endgame é uma dança entre os pingos da chuva. Como é que se fala sobre um filme, que, entre outras coisas, foca-se no enredo e na surpresa, sem estragar o que quer que seja? Não se preocupem que eu vou conseguir dizer o que necessito dizer, sem que, para isso, estrague o prazer que (inevitavelmente) terão ao ir ao cinema. Resumindo... não há spoilers neste artigo.

O que é achei deste filme?

Diamantino de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt

O cinema português não é muito querido pelos seus conterrâneos. Consideram-no hermético, difícil e intelectual. Raramente gosto de entrar em polémicas neste Blogue, e não vai ser agora que vou começar. Não vou meter-me nos meandros desta discussão, que vale o que vale. No que a mim diz respeito, quando é lançado um filme que me atrai (independentemente da origem geográfica), faço o que posso para o ir ver ao cinema. Assim foi com este Diamantino, um passo divertido, sem perder personalidade, na boa direcção do cinema luso (ou não! Se calhar, já não sou capaz de o avaliar). 

Shazam! de David F. Sandberg

Os filmes da DC atravessaram um período conturbado. A interpretação de Zack Snyder do Super-Homem e do confronto entre este e o Batman, seguido da mescla de visões deste mesmo realizador e da de Joss Whedon na Liga da Justiça, trouxeram dissabores devido a uma recepção pouco consensual por parte do público e da crítica. Este que vos escreve gosta do Man of Steel e do Batman v Superman, e tem sentimentos mistos em relação à Liga, similares às visões divergentes que regeram o filme. Antes da Liga ainda houve a Mulher-Maravilha de Patty Jenkins e depois tivemos o Aquaman de James Wan. Estes dois tiveram recepções calorosas, que se reflectiram em sucessos de bilheteira. O último, principalmente, significava uma aproximação completamente diferente ao universo dos supers deste editora, mais solarengo e sem vergonha de assumir-se como entretenimento puro. Em suma, descartava a visão mais negra e discutivelmente madura de Snyder, e apostava na luz e no humor mais aproximados à concorrente, a Marvel

E Shazam!? O que é?

Captain Marvel (Capitão Marvel) de Anna Boden e Ryan Fleck

Desde 2008 que a Marvel tem tomado conta do cinema de entretenimento. Filme após filme, tem crescido em ambição e na construção de um universo único e coeso, que aproveita um dos elementos mais viciantes dos super-heróis, a partilha de um mesmo mundo. Agora que se aproxima o fim de um primeiro grande ciclo, com o filme Avengers Endgame, a produtora tem procurado por soluções para continuar a explorar estas personagens. Em breve, provavelmente, veremos o fim de Chris Evans como Capitão América e de Robert Downey JR como o Homem de Ferro, e há que encontrar substitutos. Para o primeiro, a Marvel escolheu explorar a Capitão Marvel, uma super-heroína na matriz de um Super-Homem. Infelizmente, o filme fica aquém do legado que quer continuar.

Battle Angel Alita de Robert Rodriguez

Battle Angel Alita, Gunnm no original japonês, é um dos meus mangás favoritos. O primeiro contacto com estes livros aconteceu há duas décadas e meia, em volumes publicados pela editora francesa Glénat. Recentemente, em modo de preparação para este filme, reli o primeiro grande arco de história da epopeia de Alita. A qualidade permaneceu inalterada e provou-me que Yukito Kishiro, o autor, tinha em mãos uma obra intemporal (leiam aqui o que achei desta releitura). 

E o que dizer do filme?

Green Book de Peter Farrely

Já com certeza repararam que os lançamentos de filmes vindos de Hollywood obedecem a um cuidado escalonamento. Entre Dezembro e Março, vão aparecendo, a conta-gotas, aqueles que têm maior possibilidade de serem candidatos a Óscar. Biopics. Histórias de luta contra diferentes adversidades, sejam elas racismo, homofobia, misoginia. Grandes dramas históricos. Depois desses, voltamos à silly season do espectáculo pirotécnico de super-heróis, ficção científica e outros mundos de fantasia. Mas, até esse momento, somos presenteados, à hora marcada e ciclicamente, por aquele Cinema que Hollywood considera mais "sério", mais "humano", mais "realista". Porque... convenhamos... são esses os únicos que merecem ser premiados (existem excepções, claro, mas que servem para confirmar a regra). Independentemente da qualidade deste Green Book, ele faz parte desta última categoria.

The Favourite (A Favorita) de Yorgos Lanthimos

A ascensão do realizador grego Yorgos Lanthimos tem sido nada menos que meteórica. Começou com filmes trabalhados na sua terra natal, Dogtooth e Alps, para logo ser reconhecido no além-fronteiras e lançar outros dois, The Lobster e The Killing of a Sacred Deer, que o fixaram como um dos realizadores a acompanhar. Nestes dois últimos já figuravam alguns actores conhecidos internacionalmente, com Colin Farrel a bisar, acompanhado de Rachel Weisz no primeiro e de Nicole Kidman no segundo. Ambas estas obras eram esforços surrealistas, que não se enquadravam no cinema mainstream, antes devendo méritos à inspiração de lendas como Buñuel e até a um David Lynch mais contido.