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The Favourite (A Favorita) de Yorgos Lanthimos

A ascensão do realizador grego Yorgos Lanthimos tem sido nada menos que meteórica. Começou com filmes trabalhados na sua terra natal, Dogtooth e Alps, para logo ser reconhecido no além-fronteiras e lançar outros dois, The Lobster e The Killing of a Sacred Deer, que o fixaram como um dos realizadores a acompanhar. Nestes dois últimos já figuravam alguns actores conhecidos internacionalmente, com Colin Farrel a bisar, acompanhado de Rachel Weisz no primeiro e de Nicole Kidman no segundo. Ambas estas obras eram esforços surrealistas, que não se enquadravam no cinema mainstream, antes devendo méritos à inspiração de lendas como Buñuel e até a um David Lynch mais contido.

Birdman de Alejandro González Iñárritu

Iñarritu é conhecido pelas opções inesperadas que faz nos seus filmes. A surpresa pode passar por histórias aparentemente simples, personagens complexos ou narração idiossincrática. Um dos seus melhores filmes, Amor Cão, optava por uma forma de ver a passagem do tempo muito semelhante à de Tarantino. Babel seguia pelo caminho de que "todos as histórias do mundo estão ligadas" e de que "o bater de asas de uma borboleta no Japão cria um tufão no meio do Pacífico". Birdman, por seu lado, estará no rol do cinema mais conseguido do realizador.

Um actor de filmes de super-heróis, o apropriado Michael Keaton (bem vistas as coisas, ele foi o primeiro actor da "era moderna" do super-herói do Cinema, com o Batman de Tim Burton), está à procura de ressuscitar velhas glórias ao mesmo tempo que tenta livrar-se do estigma de Hollywood e filmes pipoca. Opta por escrever e protagonizar uma peça de teatro na Broadway em Nova Iorque. Um tentativa para, paradoxalmente, capitalizar da fama que ainda tem por ter sido Birdman e estrelar numa peça digna de actores "sérios".  O tema não é universal, ou seja, cinge-se a um microcosmos que por mais conhecido que seja da opinião mainstream não deixa de focar em problemas que não afectam a maior parte de todos nós. Contudo, a acessibilidade do conflito dos personagem, o argumento envolvente e as prestações excepcionais dos actores mais do que compensam essa fraca relação. 

Iñarritu escolhe disparar para todos os lados na arte de ser actor e de ser realizador na Hollywood dos dias de hoje, governada pelos franchises e pelos super-heróis. Mas o pedantismo dos que odeiam ou invejam a máquina hollywoodesca também não escapa ao olhar do realizador, que esgrime argumentos e provocações também para este outro lado do espectro.

O que é ser actor num filme de efeitos especiais? O que é ser actor quando um filme é feito de múltiplos takes e múltiplos ângulos e onde a voz do realizador é a última palavra? Onde o actor não tem controle sobre qual o melhor take , qual a melhor entoação de voz, onde tudo é decidido na sala de montagem pelos devaneios da história e ditames do realizador? Será por querer não esquecer o actores que Iñarritu escolhe para este Birdman uma opção narrativa muito pouco convencional? O filme simula uma peça de teatro. É filmado num único e longuíssimo plano, a câmara perpetuamente a seguir os actores de sala para sala, de cena para cena. Durante as duas horas de duração. Só assim nos apercebemos do trabalho excepcional dos atores, que carregam o filme às costas do seu talento. Claro que Iñarritu não está ausente, porque ao optar por esta forma de "escrever" a história assina de forma sólida o seu nome e a sua visão. Uma visão que constrói um filme verdadeiramente singular.

Magic in the Moonlight de Woody Allen (Magia ao Luar)

Ano após ano, Woody Allen continua a pôr para fora do seu sistema filme atrás de filme. Umas vezes saem piores, outras melhores. Uns mais dramáticos, outros mais sérios e pessimistas. Mas todos sempre com uma pitada (grande no primeiro caso, mais pequena no segundo) de humor. Magia no Luar cai no estilo do primeiro. Servido com muito do já bastante conhecido estilo de riso e sorriso com que há mais de quatro décadas presenteia quem o segue religiosamente. Aqui no nosso Portugal, por uma razão ou por outra, quando sai um novo de Allen ocorre uma certa romaria religiosa às salas de cinema, feita por mais do que um perfil socio-económico. Este novo filme não deverá ser excepção, porque tudo o que atrai em Woody está lá: um protagonista ranzinza e egocêntrico cheio de humor caustico; uma panóplia de personagens coadjuvantes na fronteira do sublime e patético, mas todos deliciosos; uma situação ridiculamente estranha. 

Nem todos os filmes do Woody Allen são sublimes. Apenas uns poucos conseguem subir à estratosfera. Mas, como acho que já o disse neste Blog em relação a ele e a outros realizadores, um mau filme deste senhor continua a ser um bom filme quando comparado com o produto esforçado de tantos outros. E, ainda por cima, este Magia ao Luar é bom cinema. Nota-se sabedoria na forma como a história está contada. Confesso que tenho particular atração pela sabedoria anciã (o Woody que me desculpe este termo) temperada por grandes doses de humor. Não levar as coisas a sério parece-me uma abordagem saudável e, acima de tudo, inteligente. O Senhor Allen tem disto em doses cavalares. No meio de tanto trocadilho e esgrima de galhardetes entre personagens o realizador vai passando pedaços de conhecimento que acha serem úteis. Mesmo que banais, mesmo que senso comum, são apresentados de forma tão profunda e humorística que tendem a ficar gravados (pelo menos em mim) mais depressa do que uma mensagem servida com carga mais dramática.  Além disso, a arte de contar histórias é já de tal forma uma segunda natureza para Allen que nem nos apercebemos que, no meio daquele capacidade maravilhosa de entreter que tantos dos grandes autores têm, foi-nos ensinado qualquer coisa de útil. Mesmo que apenas mais um pequeno tijolo no grande edifício.

Os atores parecem não deixar de acorrer aos magotes para fazer um filme com o realizador. Colin Firth e Emma Stone são apenas os mais recentes e generosamente presenteados pelas maravilhosas palavras de Allen e pela complexidade dramática dos personagens que têm de apresentar. Já mais do que uma atriz deve o seu Óscar ao realizador e Emma Roberts, apesar de não ter (ainda) um papel tão gordo como o tiveram Penelope Cruz ou Cate Blanchett (apenas para citar as mais recentes), já tem muito com que degustar. Colin Firth está também maravilhoso, revelando para os mais distraídos o excelente ator que é, robusto o suficiente para fazer papéis dramáticos e humorísticos. 

Parabéns, Woody Allen. E obrigado.