Um filme de Tarantino é um acontecimento. As salas enchem-se para ver o que o realizador tem de novo para dizer. Nos dias que correm, de franquias, dos super-heróis, dos remakes e das sequelas, é um caso raro. Nos últimos anos, parece estarmos sujeitos a uma barragem de publicidade a merchadise e a outros produtos que nada têm a ver com Cinema. A cada ida às salas, parece estarmos mais longe da obra autoral. Não quero com isso dizer que não podemos ter entretenimento, mas a hegemonia do produto concebido para agradar a adolescentes, a crianças e a investidores é avassaladora. Associe-se o facto da narrativa na TV estar a criar histórias mais plurais e, muitas delas, direccionadas a um público adulto, e criou-se um ambiente de crise criativa na sétima arte. E isso é ainda mais visível em Hollywood, nem que seja pelo número elevado de filmes a que estamos sujeitos vindos dessas geografias.
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The Hateful Eight de Quentin Tarantino (Os Oito Odiados)
Hoje não sinto-me particularmente inspirado e só apetece-me dizer um lugar comum: este não é, de longe, o melhor filme de Tarantino; não é, sequer, um dos seus melhores; mas queria muito realizador fazer filmes com esta qualidade.
No Inverno gelado de Wyoming, EUA, um caçador de recompensas (Kurt Kussel) capturou uma mulher com a cabeça a prémio (Jennifer Jason Leigh). O seu destino é a aldeia de Red Rock, onde ela será julgada e enforcada. A caminho, encontra um outro caçador de recompensas (Samuel L. Jackson) e o futuro Xerife da dita aldeia (Walton Goggins), a quem, de forma muito relutante, oferece boleia até uma "retrosaria", onde esperam abrigar-se de uma tempestade. Chegados à dita retrosaria (que é mais um mercearia/pousada/bar), onde terão de ficar por dois ou três dias, ao invés de encontrarem os donos, que conhecem, dão de caras com um mexicano, um velho, um escritor e um carrasco. O cenário está composto, o palco montado, o pano pode levantar-se. Esta minha pobre analogia ao Teatro tem um propósito que, tanto quanto eu sei, nem sequer é original: Tarantino construiu, com Os Oito Odiados, uma peça de teatro.
Tarantino é, sem esforço, um dos actuais grandes realizadores do mundo. Tem uma assinatura, um estilo imediatamente tão reconhecível que já deu origem a um adjectivo. Um filme pode ser Tarantinesco sem ser do Tarantino. Uma das suas tarantinesadas são os diálogos: verborreicos, redondos, ricos, profanos. No fundo, já seguia a longa tradição shakespeariana de dar importância ao que sai da boca dos personagens porque, ao contrário da prosa, são (também) neles que revelam-se as personalidades (é claro que o outro factor são os actores, tão ou mais importantes). Ora, nada mais natural que Tarantino tenha feito o seu primeiro filme assumidamente teatral e que tenha já referido que, no futuro, fará apenas mais dois filmes e passará a encenar peças de Teatro como expressão da sua Arte.
Nesta forma de filmar o seu argumento, Tarantino prova, uma vez mais, ser um realizador de excepção. O filme, a início, esforça-se demais e (confesso) cheguei a temer que adormeceria. Nos primeiros momentos da "retrosaria" não reconheci o realizador que tanto gosto. Contudo, quando começa a matança (e vocês sabem que num filme de Tarantino tem de existir matança) o palco parece não ser suficiente para conter aquelas personalidades maiores que a vida. Reflecte-se os EUA de hoje e de sempre num western encenado como peça de teatro. Uma vez mais o racismo é abordado mas, desta vez, Tarantino mistura as terras sem lei da fronteira, a posse de armas (que compreende-se aqui porque existe na Constituição dos EUA) e a história de uma carta. Tudo para construir um filme que é seu, sem dúvida, mas que acrescenta algo de novo no seu extraordinário currículo.
Para mim, já tenho um dos filmes de 2016.
O desnecessário: escolher o que se gosta mais. Desta vez, filmes.
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| Movie Theatre-Trylon Theatre, NYC, 1976, de Hiroshi Sugimoto da série Salas de Cinema |
Apenas porque adoro estas listas decidi fazer uma dos filmes que são, vá lá, "top of the mind". Não há pretensões intelectuais (tenho quase a certeza). São filmes que gosto mesmo. Que vejo e revejo com prazer. A lista não é, nem de longe ou de perto, definitiva. É apenas a lista de hoje, deste segundo. À medida que escrevo vou lembrando-me de mais este e mais aquele. Não vale a pena dizerem-me, inflamados, "Como é possível não escolheres o"preencher com o que acharem melhor". Que brutal falta de gosto. Vai mas é pastar bacalhaus!". "Escolheste esta m****? É pá, eu que nunca te veja aí na rua que limpo-te o sebo!". Dizer estas coisas faz mal ao fígado, meninas e meninos. Relaxem! Dito isto, esta é a minha lista (ainda agora acrescentei um que não estava, só para verem):
2001, Odisseia no Espaço de Stanley Kubrick
Apocalypse Now de Francis Ford Coppola
Aurora de Murnau
Deathproof de Tarantino
High Fidelity de Stephen Frears
In the Mood for Love de Wong Kar Wai
La Vie D'Àdéle de Abdellatif Kechiche
Man of Steel de Zack Snyder
O Segredo do Cus-Cus de Abdellatif Kechiche
Pássaros de Hitchcock
Psycho de Hitchcock
Senhor dos Anéis (toda a trilogia) de Peter Jackson
The Descent de Neil Marshall
The Shining de Stanley Kubrick
Enquanto estava a fazer a lista, houve duas coisas que achei curiosas: há mais filmes dos EUA do que suspeitaria; vi todos em sala de cinema. Será que gosto de americanadas mais do que pensava? Mas, mais importante, será que o facto de os ver em sala influencia o gosto? Espero bem que sim, porque isso quer dizer que ando a fazer alguma coisa bem. Cinema, minhas amigas e amigos, é para ser visto na tela grande. O conforto do lar que me perdoe.
E porquê estes filmes? Kubrick e Hitchcock são dois realizadores que adoro (todos nós adoramos) e estes são os meus filmes favoritos deles. 2001 é essencial, certo, é um filme brutalmente bem realizado, correcto, e é daqueles que qualquer cinéfilo e ser humano tem de ver um dia. The Shining é um enorme filme de terror, com actores e atmosfera perfeitos (curioso que não há quase nenhuma morte, lembrem-se disso), arquitectado ao milímetro com engenharia de génio. Os Pássaros e Psycho são também, por assim dizer, dois filmes de terror (há aqui um padrão?), dois filmes onde a sensibilidade comercial e intelectual do realizador vem completamente à tona. Em cada um deles há um pormenor que sempre chamou-me mais à atenção: em Psycho é o facto de durante meia hora não estarmos nunca com o protagonista do filme (já não se faz nada de tão corajoso hoje em dia); N'Os Pássaros é o maravilhoso e vago final. Por falar em filmes de terror, à última lembrei-me do The Descent, que vi com dois amigos amantes do estilo no Alvaláxia. Acho que tenho de agradecer à revista Empire tê-lo ido ver e, até hoje, pelo ambiente claustrofóbico (única razão porque nunca irei fazer espeleologia), pelo puro terror sanguinolento, é dos meus filmes de sempre.
Tarantino e Kechiche. Estes são, para moi, dois dos maiores realizadores em trabalho, aqueles dos quais só espero coisas divinas. Vi todos os seus filmes e nenhum, sublinho, nenhum, decepcionou-me. Mas primeiro escrevo sobre o segundo. Os que lêem este Blog sabem da minha história de amor com La Vie D'Àdéle, um filme que considero estar perto da perfeição: o voyeurismo e obsessão de Kechiche por Adèle Exarchopoulous é palpável e contagiante. A história é simples e deliciosa. A realização natural e bela. O mesmo pode dizer-se de O Segredo do Cus-Cus, o meu primeiro filme do realizador e um do qual saí da sala em êxtase. Nunca esquecerei o almoço de cus-cus, o desespero da mulher enganada e a dança da jovem na noite de abertura do restaurante.
Sobre o Tarantino podem fazer-me uma pergunta: porque não pões mais filmes dele? Pois, deveria mas ainda não sei se devo escolher mais um ou dois ou todos. Estive quase, quase a colocar o Inglourious Basterds mas, por enquanto, fico-me pelo meu favorito: Deathproof. Não será o que tem mais "qualidade" mas, para mim, é aquele onde noto mais a assinatura do autor que é Tarantino: os pés; a comida; os diálogos musicais, fúteis e desnecessários; as belas mulheres tarantinianas; etc. Tudo é deliciosamente dele. E, mais importante, é um filme divertido como o caraças.
O Aurora de Murnau é o filme mais antigo nesta lista e também o único mudo. Tive o prazer de o ver, pela primeira vez, numa sessão no Nimas e fiquei siderado com a simplicidade dramática do que pode fazer-se apenas com imagens em movimento. Bastam actores, sentimentos, uma história intemporal e uma realização primal. Tudo é certo, tudo é verdadeiro neste filme que é também muito importante na História da 7.ª Arte.
Outro importante marco histórico é o Apocalypse Now de Francis Ford Coppola - em cada uma das suas duas versões é o meu filme favorito sobre guerra (quase, quase que também aqui meto o Thin Red Line do Mallick e o Vem e Vê de Elem Klimov). Uma literal viagem entre um ponto a e um ponto b transforma-se numa reflectiva metáfora. Um filme gigante que é um prazer ver.
In the Mood for Love. Ah, o In the Mood for Love. Quem o viu sabe do que falo. Um filme belo, romântico até doer, trágico como todas as boas histórias de amor se calhar são. Já o vi várias vezes, já vi Kar Wai a falar do seu processo de criação (é uma lição em como se fazer cinema. Vejam-no aqui) e já construí diferentes versões da narrativa na minha cabeça. Pena Kar Wai nunca mais ter feito algo assim. Mas, se calhar, não é necessário. Este já existe no mundo e é delicioso.
Finalmente, não poderiam faltar os filmes que apelam ao meu lado mais puro, mais ligado à Banda Desenhada e a tudo o que, graças a ela, li, vi e ouvi . Comecemos por um que a maior parte das pessoas devem perguntar-se "que raios?" (mesmo os fãs de BD devem fazer essa pergunta): Man of Steel de Zack Snyder. Todos os anos, pelo menos uma vez por ano, tenho estado a rever este filme, na secreta esperança de que não envelheça e nunca me decepcione. Até agora, muito pelo contrário. Acho (quase) tudo bom. Todas as vezes noto um novo pormenor como, por exemplo, o olhar do Super-Homem quando pela primeira vez cruza-se com Lois Lane. Não é isso que pensam. É o olhar de conforto, serenidade e paz que transparece. Este é o meu Super-Homem - sim (spoiler), ele mata o vilão no final mas querem falar sobre a última história de John Byrne na sua run em BD? E mesmo que consigam convencer-me do contrário em relação a este desenvolvimento este continua a ser o meu filme favorito do personagem (pelo menos até Batman vs Superman).
Outro filme que acredito ser estranho para muitos de vós é o High Fidelity de Stephen Frears. Certo, não é uma obra-prima de Cinema. Certo, é comercial e simplista e romântico e lamechas. Mas quem gosta do universo dos fanáticos de alguma coisa (música, BD, etc.) sabem que aquele universo existe e é lindo. Fui claro porque gosto tanto e já o vi tantas vezes?
Last but definitely not the least: Senhor dos Anéis do Peter Jackson. Aqui não há um truque para não ter de escrever os três. Tal como Tolkien escreveu apenas um livro que o editor partiu em três (leiam a História, amigos, e confirmem-no), também Peter Jackson realizou um único filme dividido em três partes. Li o livro por volta da idade em que os GNR dizem que se deve ler o Senhor dos Anéis e, quando soube que iam (finalmente) fazer o filme, entrei em delírio. Estava na sala grande do São Jorge quando no final da Irmandade do Anel ouviu-se um suspiro colectivo porque muitos não sabiam que a história ia continuar em mais dois filmes. Vi mais do que uma vez cada um deles, em sala e em casa. Vi e tenho as versões alargadas (as únicas que interessam). Quase que chorei quando descobri que Jackson sabia filmar (ou pintar, se quiserem ser poéticos e verdadeiros) o universo mitológico da Terra Média. Não há muito mais que pedir (a não ser pelo Silmarillion).
Bem, é tudo. Agora vou ali rever cada um destes filmes porque a saudade aperta.
Outro importante marco histórico é o Apocalypse Now de Francis Ford Coppola - em cada uma das suas duas versões é o meu filme favorito sobre guerra (quase, quase que também aqui meto o Thin Red Line do Mallick e o Vem e Vê de Elem Klimov). Uma literal viagem entre um ponto a e um ponto b transforma-se numa reflectiva metáfora. Um filme gigante que é um prazer ver.
In the Mood for Love. Ah, o In the Mood for Love. Quem o viu sabe do que falo. Um filme belo, romântico até doer, trágico como todas as boas histórias de amor se calhar são. Já o vi várias vezes, já vi Kar Wai a falar do seu processo de criação (é uma lição em como se fazer cinema. Vejam-no aqui) e já construí diferentes versões da narrativa na minha cabeça. Pena Kar Wai nunca mais ter feito algo assim. Mas, se calhar, não é necessário. Este já existe no mundo e é delicioso.
Finalmente, não poderiam faltar os filmes que apelam ao meu lado mais puro, mais ligado à Banda Desenhada e a tudo o que, graças a ela, li, vi e ouvi . Comecemos por um que a maior parte das pessoas devem perguntar-se "que raios?" (mesmo os fãs de BD devem fazer essa pergunta): Man of Steel de Zack Snyder. Todos os anos, pelo menos uma vez por ano, tenho estado a rever este filme, na secreta esperança de que não envelheça e nunca me decepcione. Até agora, muito pelo contrário. Acho (quase) tudo bom. Todas as vezes noto um novo pormenor como, por exemplo, o olhar do Super-Homem quando pela primeira vez cruza-se com Lois Lane. Não é isso que pensam. É o olhar de conforto, serenidade e paz que transparece. Este é o meu Super-Homem - sim (spoiler), ele mata o vilão no final mas querem falar sobre a última história de John Byrne na sua run em BD? E mesmo que consigam convencer-me do contrário em relação a este desenvolvimento este continua a ser o meu filme favorito do personagem (pelo menos até Batman vs Superman).
Outro filme que acredito ser estranho para muitos de vós é o High Fidelity de Stephen Frears. Certo, não é uma obra-prima de Cinema. Certo, é comercial e simplista e romântico e lamechas. Mas quem gosta do universo dos fanáticos de alguma coisa (música, BD, etc.) sabem que aquele universo existe e é lindo. Fui claro porque gosto tanto e já o vi tantas vezes?
Last but definitely not the least: Senhor dos Anéis do Peter Jackson. Aqui não há um truque para não ter de escrever os três. Tal como Tolkien escreveu apenas um livro que o editor partiu em três (leiam a História, amigos, e confirmem-no), também Peter Jackson realizou um único filme dividido em três partes. Li o livro por volta da idade em que os GNR dizem que se deve ler o Senhor dos Anéis e, quando soube que iam (finalmente) fazer o filme, entrei em delírio. Estava na sala grande do São Jorge quando no final da Irmandade do Anel ouviu-se um suspiro colectivo porque muitos não sabiam que a história ia continuar em mais dois filmes. Vi mais do que uma vez cada um deles, em sala e em casa. Vi e tenho as versões alargadas (as únicas que interessam). Quase que chorei quando descobri que Jackson sabia filmar (ou pintar, se quiserem ser poéticos e verdadeiros) o universo mitológico da Terra Média. Não há muito mais que pedir (a não ser pelo Silmarillion).
Bem, é tudo. Agora vou ali rever cada um destes filmes porque a saudade aperta.
Quentin Tarantino, o cromo que venceu - artigo Maxim
Django Unchained de Quentin Tarantino
Adoro começar sem
rodeios, o que geralmente acontece quando é de pele, de sangue, de
entranhas. Quando se gosta de algo sem pretensões, sem lugares comuns, sem
desejo de pertencer. Dito isso... Eu adoro tudo que o Tarantino faz. E este Django
Unchained não é exceção. Apenas mais uma entrada num currículo até agora
imaculado (e, sim, incluo o para mim soberbo Death Proof). Mais um filme extraordinário de um realizador que,
espero, venha a fazer parte do canto do céu reservado não tanto aos génios, mas
aqueles que fazem poucos mas muito bons filmes (já lá canta Kubrick, por exemplo).
Muito dificilmente poderei ver este Django sem o enquadrar com Inglorious Basterds. Enquanto o segundo
criava (spoiler) um fim alternativo
para a 2.ª Guerra Mundial, em que Hitler
e a sua clique morria às mãos de judeus num cinema em Paris e não alegadamente
sob os escombros da bombardeada Berlim, este Django conta a mesma história de vingança desta vez perpetrada por
negros contra o opressor branco norte-americano pré-guerra de secessão. E,
ironicamente, o negro vingador é pupilo de um alemão fortemente
anti-esclavagista.
Tarantino não usa luvas de pelica para mostrar as feridas deixadas abertas pelas
hediondas ações desta América, mas também não se assume como moralizador ou
sequer comparador entre os dois massacres. Apenas relata estes factos como um
documentarista, sem deixar de contar a história de vingança, o lado de
entretenimento, que tem de contar. Há quem possa afirmar tratar-se de uma
diluição da verdade mas duvido que alguém possa dizer isso quando confrontado
com alguns dos episódios mais violentos deste Django. E não falo dos jorros de litros de sangue dos obrigatórios
duelos de pistola, tão próprios de Westerns.
Não é apenas a velha América ou sequer apenas
a América que aqui é chamada à atenção. Também a nova, que continua a perpetuar
raciocínios preguiçosos e racismos datados. Um país onde os eloquentes
defensores do radicalismo comparam o atual presidente a Hitler, por razões tão lógicas como o sistema de saúde ou a
necessidade de regulação de posse de armas. Mas também sublinha-se que todos
temos um lado negro da História, uma verdade oculta por detrás de outras
verdades.
Este impressionante Django toca todas as notas típicas de um filme deste realizador,
mas sem repetição, sem criar um sabor a redundância no já longo repertório. Os
diálogos esticam-se como melodias, em longas sequências que nunca cansam, os
atores parecem-se possuídos, tão imersos que estão à entrega na cadência e
ritmo acertados. A violência (tirando a já anteriormente descrita) é desenhada
com copiosas doses de ironia e estética, para nos distanciarmos desta e
aproximarmo-nos da outra (essa documental, precisa, factual). Os fetiches de
pés e comida voltam a estar presentes. Em suma, Tarantino volta a tocar os mesmo instrumentos, apenas desta vez num
cenário Western Spaghetti, estilo que
teve o apogeu na década de 70, uma do cinema que mais fontes de inspiração tem
fornecido a este realizador norte-americano. E as referências estão lá todas,
nos atores convidados, nos longos planos de planícies ou montanhas geladas, na
cor saturada, nos personagens maiores que a vida, em Enrio Morricone que foi convencido a uma nova prestação do estilo
musical que ajudou a criar.
Sem reservas, um grande filme.
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