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Uma BD por dia, não sabe o bem que lhe fazia - até ao primeiro dia de 2020!



Tenho participado de uma brincadeira no Facebook: enumerar uma BD por dia até 2020. Começou há alguns meses, mas só agora dou-me ao trabalho de aqui a reproduzir. Mostro, hoje, as escolhas desta semana, com link na imagem para o texto que escrevi sobre o livro, ou um nhónhózinho, caso ainda não tenha falado dele.

Neste momento, estou a escolher os meus momentos importantes do Quarteto Fantástico, aka Fantastic Four, uma das minhas equipas favoritas de supers na BD.

Uma BD por dia, não sabe o bem que lhe fazia - até ao primeiro dia de 2020!



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Neste momento, estou a escolher os meus momentos importantes do Quarteto Fantástico, aka Fantastic Four, uma das minhas equipas favoritas de supers na BD.

Uma BD por dia, não sabe o bem que lhe fazia - até ao primeiro dia de 2020!



Tenho participado de uma brincadeira no Facebook: enumerar uma BD por dia até 2020. Começou há alguns meses, mas só agora dou-me ao trabalho de aqui a reproduzir. Mostro, hoje, as escolhas desta semana, com link na imagem para o texto que escrevi sobre o livro, ou um nhónhózinho, caso ainda não tenha falado dele.

Neste momento, estou a escolher os meus momentos importantes do Quarteto Fantástico, aka Fantastic Four, uma das minhas equipas favoritas de supers na BD.


Iron Fist Epic Collection vol. 1: The Fury of Iron Fist

Muitos dos amantes de BD da minha geração recordam-se com mais do que mero afecto as revistas em formato pequeno que a Editora Abril, brasileira, começou a distribuir em Portugal em 1982 (salvo erro). A início eram duas: Capitão América e Heróis da TV. Ambas foram um salto quântico na quantidade (e qualidade) dos heróis da Marvel no nosso país. De repente, para mim em particular, deixei de ter apenas acesso ao Homem-Aranha e ao Hulk, para poder também ler o Capitão América, o Conan, os Vingadores, Warlock, Shang-Chi e o Punho-de-Ferro. O primeiro contacto com este personagem dificilmente poderia ser melhor. Na revista do Capitão América número 40 publicam o número três da edição original, Iron Fist. Em subsequentes publicações desta revista brasileira continuam as aventuras de Danny Rand (o nome verdadeiro do herói), Misty Knight e Colleen Wing, até que são transferidos para o Heróis da TV, no número 49 desta. Desculpem o entusiasmo mas estes são momentos que guardo com especial carinho. Todo esse carinho deve-se à idade, certo, mas também ao trabalho de dois autores que desconhecia na altura, mas de quem reconheci o talento, mesmo que de forma subconsciente: Chris Claremont na escrita e John Byrne no desenho. Estes senhores foram os responsáveis por uma das maiores revoluções da Marvel da década de 70 e mesmo da BD dos EUA, quando pegaram em mãos as vidas dos mutantes mais famosos do mundo, os X-Men (aliás, o facto de serem os mais famosos a estes senhores quase exclusivamente se deve). Mas antes dos X-Men houve Iron Fist.

Este volume da fabulosa Epic Collection da Marvel era dos mais aguardados desta colecção. Finalmente poderia ler, no formato e palavras originais, as aventuras do herói vindo da misteriosa terra de Kun Lun, mestre em artes marciais e dotado do poder do punho de ferro. Este volume da Epic Collection compila todos os números a solo do herói (e mais uma coisinhas) antes de se juntar a Luke Cage noutra mítica revista (com raras publicações em Portugal), Power Man & Iron Fist. A história de Danny Rand pode (e deve) ser dividida entre o antes-CC JB (Chris Claremont e John Byrne) e o pós-CC JB. As aventuras antes-CC JB são, muito sinceramente e aqui que ninguém nos ouve, para esquecer. O primeiro número, de Roy Thomas e Gil Kane, terá o valor da originalidade mas os talentos que se seguem, não sei se por culpa deles, dos editores ou da pressa, não envelheceram bem de forma alguma (se é que alguma vez tiveram boa forma). Eis que chega a era CC JB onde a qualidade cresce, a principio de forma tímida mas depois assumida. Depressa se notam um conjunto de assinaturas interessantes de, por exemplo, Claremont. As mulheres à volta de Danny Rand passam a ser tão relevantes quanto o herói, não damas em perigo  mas antes companheiras e, por vezes, salvadoras do personagem principal.  Os poderes do punho de ferro são explorados de forma mais pormenorizada, expandido-os. Os confrontos com os vilões são analisados de forma mais complexa, com ligações pessoais e histórias paralelas sólidas. O passado do herói é escalpelizado com o regresso de ameaças que não tinham sido reveladas na origem inicial. 

Infelizmente, mesmo os talentos e CC e JB não foram suficientes para salvar o Punho de Ferro e a revista foi cancelada no número 15. Os autores teriam mesmo de acabar alguns dos enredos noutra revista onde colaboravam, a Marvel Team-Up, onde Danny Rand tem um encontro obrigatório com o famoso Homem-Aranha. Com certeza já terei lido numa Back Issue da vida as razões por detrás deste cancelamento. Independentemente disso tudo, a leitura destes números de CC e JB provam que o talento verdadeiro envelhece bem. Um axioma que as duas grandes editoras de BD dos EUA têm muitas vezes dificuldade em perceber. Estão mais maduras do que na década de 70, quando tiravam de circulação trabalhos como este ou o de Jim Starlin em Warlock, mas ainda há caminho a percorrer. Ainda assim, ficamos com este Punho de Ferro e, isso, terá de ser suficiente.

BD é salada russa.

Crossovers de personagens da Marvel e da DC Comics que poderiam ter acontecido mas, infelizmente, ainda não aconteceram. 

Desenhos de John Byrne.

Mulher-Maravilha original e Capitão América.


Batman e Asa Nocturna vs Capitão América, Demolidor e Punho de Ferro.


Super-Homem e Batman vs Homem-Aranha e Wolverine


Liga da Justiça (espécie de versão da década de 70) vs Galactus.


BD é um exemplo.

"Artemis - No, Ares, violence will make man fear us, not follow us. Our current intent with this new race is to set an example... to show man and woman's true place with each other...as Gaea had meant to be."
Wonder Woman, volume 2, número 1, escrito George Pérez, Len Wein, Greg Potter.

Diana de Themyscira, aka Wonder Woman, aka Mulher-Maravilha, por vários desenhadores.

José Luis Garcia-Lopez

George Pérez


Cliff Chang


Eduardo Risso


Cliff Chang


Yannick Paquette


John Byrne


BD é paixão

"It is a poor critic who says that a lack of effect on them implies all others are insincere in their love." diálogo de Ananke, publicado em The Wicked and The Divine # 9, escrito por Kieron Gillen.

Universo do Fantastic Four, aka Quarteto Fantástico, desenhado por John Byrne

Quarteto "original" vs Quarteto de John Byrne

Inumanos vs Homem-Dragão

Galactus vs Esfinge

Coisa, Mulher-Invisível e Mulher-Hulk vs Hulk, Capitão América e Tocha Humana vs Caveira Vermelha, Sr. Fantástico e Homem-Aranha vs Dr. Destino e Dr. Octopus

Quarteto vs Terrax com Galactus e Surfista Prateado em segundo plano

Mulher-Invisível, aka Sue Storm





BD é sempre agora.

"I've enjoyed our dance. You were perfect, and I'm going to miss you. But spacetime is eternal, with everything in it. And you and me are always here, always now. You and me are forever." - Promethea, número 32, escrito por Alan Moore.


Diana de Themyscira, aka Wonder Woman, aka Mulher-Maravilha por John Byrne









Quem lê BD tem a cabeça na lua.

"- This isn't earth.
- How can you be sure?
- Because the moon looks wrong...the wrong color.
- Oh, that? No, that isn't the moon. It's the whole of creation, seen from the outside. In fact, this is why I brought you here. I'd like you to help me decide what to do with it." - Mike Carey, Lucifer volume 10 - Morningstar

Vários trabalhos por comissão de John Byrne.

Thanos vs Vingadores

Ultron vs Vingadores

Super-Homem vs Quarteto Fantástico vs Dr. Destino

Encontro entre personagens Marvel e DC das décadas de 40 e 70.

Nunca me tentem roubar as BD's.

Did you ever want to set someone's head on fire, just to see what it looked like? Did you ever stand in the street and think to yourself, I could make that nun go blind just by giving her a kiss? Did you ever lay out plans for stitching babies and stray cats into a Perfect New Human? Did you ever stand naked surrounded by people who want your gleaming sperm, squirting frankincense, soma and testosterone from every pore? If so, then you're the bastard who stole my drugs Friday night. And I'll find you. Oh, yes.” ― Warren Ellis, Transmetropolitan, Vol. 5: Lonely City

Dr. Doom, aka Dr Destino, contra a Justice League, aka Liga da Justiça - desenho de John Byrne por comissão

(NOTA - infelizmente, isto nunca "aconteceu")


Coleção Levoir/Público Marvel 2014 – 17.º Volume: Hulk

(Prometo informar os menos conhecedores acerca da acessibilidade desta coleção de BD, ou seja, se é fácil ou não ler sem saber mais coisas)

Grau de acessibilidade: Fácil

Sai amanhã, Quinta-feira, dia 30 de Outubro, junto com Público e custa 8,9€


O Hulk é um dos mais conhecidos personagens da editora de BD Marvel. Muitos já ouviram falar da monstruosa e selvagem figura de pele verde que não é mais que uma evolução super-heroística da história de Dr. Jeckyl e Mr. Hyde.  Um homem bom, cientista de profissão, génio de inclinação, esconde uma natureza selvagem, primal, que é libertada quando se transforma numa gigantesca figura esmeralda, toda ela id, toda ela fúria descontrolada e violência reprimida. O homem é Bruce Banner e o monstro é o Hulk. 

O que menos pessoas sabem (ou seja, ninguém fora do universo da BD) é que a cor de pele que Stan Lee (um dos criadores do personagem) originalmente queria para o Hulk não era o famoso verde mas antes o cinzento. Problemas de impressão obrigaram a optar antes pelo tom esmeralda e o resto, como diz o outro, é história. Contudo, nada nos contornos da BD americana é deitado fora. Na década de 80, o escritor e desenhista John Byrne, numa re-imaginação retro do personagem, decide incorporar na mitologia e na história este "erro" de impressão: o Hulk havia sido, nos absolutos primórdios da sua existência, cinzento e não verde. Não só isso mas essa encarnação era menos forte, mais pequena em estatura e mais inteligente, madura e sarcástica em personalidade. De facto, a argúcia de Byrne não é de desmerecer porque usou o seu amor pelas décadas anteriores da Marvel e construiu algo inovador.

O Hulk, tal como muitos outros personagens, depende da interpretação que diferentes autores fazem da sua personalidade. No início da sua carreira, escrito por Stan Lee, o Gigante Esmeralda era mais arguto e malicioso.  Na mão de autores subsequentes como Len Wein e Bill Mantlo passou a ser infantil, dócil e inocente, excepto quando provocado - no fundo, uma criança. Byrne tentou explicar estas "mudanças".

Depois de Byrne, Peter David, escritor que tomou conta dos destinos do monstro durante muitos anos, agarra nestas alterações de cor e personalidade e atribui-as à infância traumatizada de Bruce Banner - esta ideia é não só uma evolução do trabalho de Byrne como de Bill Mantlo, que idealizou que o monstro era a manifestação física dos problemas do alter-ego do personagem. Os Hulks de tez diferente eram, assim, diferentes personalidades criadas por esses traumas - o Hulk era re-imaginado como esquizofrénico - muito pós-modernista.

A dupla co-autora deste volume da coleção da Levoir, Jeph Loeb, escritor, e Tim Sale, desenhista, andava ocupada em escrever séries para a Marvel baseadas em cores. Haviam escolhido o Amarelo para o Demolidor e o Azul para o Homem-Aranha (ambas já publicadas pela Devir). Obviamente que para o Hulk teria de ser o cinzento. Assim, em Portugal, fica completa esta Trilogia das Cores, apenas parecida com a do Kieslowski por causa do nome. 

Coleção Levoir/Público Marvel 2014 – 9.º Volume: X-Men

(Prometo informar os menos conhecedores acerca da acessibilidade desta coleção de BD, ou seja, se é fácil ou não ler sem saber mais coisas)

Grau de acessibilidade: Médio para o Fácil

Sai amanhã, Quinta-feira, dia 4 de Setembro, junto com Público e custa 8,9€

Em 1981 foi previsto que 2013 seria o ano da morte dos X-Men, a famosa equipa de super-heróis da editora de BD americana, a Marvel. Todos eles mutantes que, segundo este universo ficcional, são o passo seguinte na evolução da humanidade, seriam exterminados num momento da história em nada diferente do Holocausto. A equipa estava no auge da popularidade, totalmente por culpa de dois artistas, Chris Claremont (escritor) e John Byrne (escritor e desenhista), que desde 1975 e 1977, respectivamente, produziam histórias que viriam a ser consideradas um marco, não só pela qualidade da colaboração, mas também por apresentarem alguns dos momentos mais relevantes, icónicos e transformadores da BD americana.

A parelha tinha acabado de sair de um desses momentos, ao produzir uma das suas mais importantes histórias, em que haviam sido forçados a matar um relevante personagem dos X-Men na intitulada “Saga da Fênix Negra” (publicada também Levoir-Público). O que poderia ser visto por qualquer outro como um apropriado canto do cisne, na realidade serviu como acha para uma fogueira que arderia ainda por mais alguns meses. Nasceria Days of Future Past.

O enredo à data era algo de particularmente inovador na BD americana. Durante dois números mensais, os 141 e 142 da revista Uncanny X-Men, a equipa dividiu o protagonismo das páginas da revista com uma sua versão futura. Daí a 30 anos, o governo norte-americano havia aprovado uma lei que bania a existência dos chamados mutantes, os homo superior, relegando-os a um papel de párias, perseguidos por todos em geral e por gigantescos robôs sentinelas em particular, caçadores implacáveis e velhos inimigos dos X-Men. Aquilo que representavam, as minorias, a luta pela afirmação da diferença, os direitos dos excluídos, era sublinhado e hiperbolizado, ao comparar a sua luta com o sofrimento infligido a tantos outros ao longo da História da humanidade. Comparava-os à perseguição e purga que havia sido sanguinariamente perpetrada a tantos outros no passado. Depois de caçados como sub-humanos, eram atirados para campos de concentração, forçados a viver em condições que espelhavam o racismo e desprezo que inspiravam nos seus semelhantes. Deste futuro distópico é trazida para o presente a mente de um dos X-Men, que tenta usar o seu corpo de 1981 para impedir que aquele 2013 tenha lugar.

A luta no presente adquiria um peso diferente. Os X-Men não lutavam apenas contra o vilão do momento ou o inimigo figadal, lutavam pelo futuro da sua raça, um futuro que se desenhava negro, o reflexo distorcido do sonho que os havia inspirado a unir-se, o da irmandade entre todos os homens. Este conflito era genialmente sublinhado pelos criadores, ao forçarem no presente de 1981 um combate tipicamente “super-heróico”, mas desta feita contra um grupo de mutantes terroristas que, não acreditando na filosofia pacifista dos X-Men, procuravam uma defesa mais militarista dos direitos que acreditavam ser seus. Deste modo, os protagonistas são colocados numa área cinzenta de moralidade, fornecendo diferentes pontos de vista e aproximações a um mesmo problema. A conclusão, à data, foi particularmente dura e surpreendente, porque as versões dos X-Men de 2013 sofriam um destino nada risonho. A luta dos principais personagens assumia-se, uma vez mais, como multidimensional e facetada. O futuro era verdadeiramente trágico e nessa dimensão Chris Claremont e John Byrne saíam vitoriosos e inovadores. Os X-Men assumiam-se como personagens de uma tragédia clássica, em que o destino inexoravelmente os dirigia para um fim negro, apesar de todos os esforços, apesar de todos os sacrifícios.

Este volume da Levoir coleciona esta história mas não só. Junta os derradeiros e históricos momentos da mítica colaboração entre Claremont e Byrne: o regresso de Wolverine à sua terra natal, o Canadá; as boas-vindas de Kitty Pryde ao escola dos X-Men; a elegia de Jean Grey, a Fênix Negra. Isto é para lá de essencial, é lendário e objecto de teses de doutoramento sobre a BD.


Nota final – Eu não partilho da opinião que se tem de saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.

X-Men: Days of Future Past de Bryan Singer (X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido)


(antes de lerem este post e se quiserem saber um pouco mais sobre a BD que inspirou o filme leiam aqui)

Neste ano de 2014, apesar de já ter visto uma apreciável quantidade de filme de super-heróis nenhum me tinha enchido as medidas. Até este. X-Men: Dias de um Futuro Esquecido é tudo o que um fã de BD poderia esperar. Uma história que nos agarra do primeiro ao último momento, personagens bem escritos e muito bem interpretados, pirotecnia quanto baste. Outros sites já fizeram o paralelismo entre este e o mais bem sucedido filme deste estilo, Os Vingadores, mas ao mesmo tempo que os compreendo também reconheço serem dois bichos diferentes. São igualmente divertidos mas os personagens pouco têm a ver uns com os outros.

Este X-Men, ao contrário do que seria de esperar, apesar de ter um número apreciável de personagens, centraliza a sua história em quatro: Charles Xavier (Professor X); Eric Lensherr (Magneto); Raven Darkholme (Mística); Logan (Wolverine). O enredo concentra-se quase exclusivamente neles (excepto pelo “vilão”, Bolivar Trask e os seus Sentinelas), ganhando não só em profundidade psicológica, ao analisar demoradamente as motivações de cada, como filosoficamente, ao contrapor de forma eloquente as diferenças que os separam. Entre Xavier e Lensherr. Entre Raven e Charles. Entre Raven e Lensherr. Entre Logan e todos. Existe um enredo, bastante forte, que envolve um futuro distópico onde os mutantes e a humanidade lutam pela sobrevivência, que envolve uma viagem no tempo para evitar este futuro, mas tudo fortemente alicerçado no que mais envolve o espectador, quer do ponto de vista emocional, quer racional: a humanidade dos personagens. Estes são seres maiores que a vida, com poderes sobre-naturais impressionantes, mas poderiam ser um de nós. Isto construído com diálogos de qualidade raramente vista neste tipo de filmes e com atores que se entregam de forma definitiva (familiar?).

Bryan Singer, que é um dos percursores dos filmes de super-heróis (com o primeiro e segundo X-Men, já nos idos da década de 90), rege tudo de forma não só segura como talentosa, imprimindo muito da sua personalidade. Alguns dos filmes da Marvel, por exemplo, pecam por pouco se diferenciarem entre eles. X-Men de Bryan Singer é apenas dele. Não só isso como também entende como fazer um filme dos X-Men e como fazer um filme para os fãs. O humor existe (o personagem Quicksilver é maravilhoso) mas não em detrimento do peso melodramático que é, aliás, uma das marcas destes personagens. Os X-Men raramente ganham. Sobre eles perdura uma espada de Damocles, a do racismo, a da extinção, a da perseguição, a da discriminação. Contra estes enormes obstáculos ergue-se um homem com uma filosofia de paz e fraternidade, uma mensagem de tal forma forte e transversal que apenas poderia transformar este heróis nos modelos e ícones que são pelo mundo inteiro.

Por seu lado, os fãs de BD raramente irão ver um argumento tão talhado para as suas sensibilidades. Como um deles posso dizer obrigado por este grande filme.


(já agora, não se esqueçam de ficar até depois dos créditos finais. Um dia destes explico de quem se trata o personagem. Não que não o possam saber num outro qualquer site).

2013: o ano do fim dos X-Men


Este artigo foi originalmente publicado em 2013 no site da revista Maxim e procurava preparar os leitores para a saída da segunda parte da segunda trilogia de filmes dos X-Men, filme que saiu esta semana pelo mundo inteiro. Já vi o filme e muito em breve escrevo, a quem interessar, sobre o mesmo. Mas, como o que interessa mesmo é irem ver o filme, acho que se lerem este post podem ficar melhor preparados para ele.

Em 1981 foi previsto que 2013 seria o ano da morte dos X-Men, a famosa equipa de super-heróis da editora de BD americana, a Marvel. Todos eles mutantes que, segundo este universo ficcional, são o passo seguinte na evolução da humanidade, seriam exterminados num momento da história em nada diferente do Holocausto. A equipa estava no auge da popularidade, totalmente por culpa de dois artistas, Chris Claremont (escritor) e John Byrne (escritor e desenhista), que desde 1975 e 1977, respectivamente, produziam histórias que viriam a ser consideradas um marco, não só pela qualidade da colaboração, mas também por apresentarem alguns dos momentos mais relevantes, icónicos e transformadores da BD americana.

A parelha tinha acabado de sair de um desses momentos, ao produzir uma das suas mais importantes histórias, em que haviam sido forçados a matar um relevante personagem dos X-Men na intitulada “Saga da Fênix Negra” (publicada no ano passado em Portugal numa edição mais do que recomendável da Levoir-Público). O que poderia ser visto por qualquer outro como um apropriado canto do cisne, na realidade serviu como acha para uma fogueira que arderia ainda por mais alguns meses. Nasceria Days of Future Past.

O enredo à data era algo de particularmente inovador na BD americana. Durante dois números mensais, os 141 e 142 da revista Uncanny X-Men, a equipa dividiu o protagonismo das páginas da revista com uma sua versão futura. Daí a 30 anos, o governo norte-americano havia aprovado uma lei que bania a existência dos chamados mutantes, os homo superior, relegando-os a um papel de párias, perseguidos por todos em geral e por gigantescos robôs sentinelas em particular, caçadores implacáveis e velhos inimigos dos X-Men. Aquilo que representavam, as minorias, a luta pela afirmação da diferença, os direitos dos excluídos, era sublinhado e hiperbolizado, ao comparar a sua luta com o sofrimento infligido a tantos outros ao longo da História da humanidade. Comparava-os à perseguição e purga que havia sido sanguinariamente perpetrada a tantos outros no passado. Depois de caçados como sub-humanos, eram atirados para campos de concentração, forçados a viver em condições que espelhavam o racismo e desprezo que inspiravam nos seus semelhantes. Deste futuro distópico é trazida para o presente a mente de um dos X-Men, que tenta usar o seu corpo de 1981 para impedir que aquele 2013 tenha lugar.

A luta no presente adquiria um peso diferente. Os X-Men não lutavam apenas contra o vilão do momento ou o inimigo figadal, lutavam pelo futuro da sua raça, um futuro que se desenhava negro, o reflexo distorcido do sonho que os havia inspirado a unir-se, o da irmandade entre todos os homens. Este conflito era genialmente sublinhado pelos criadores, ao forçarem no presente de 1981 um combate tipicamente “super-heróico”, mas desta feita contra um grupo de mutantes terroristas que, não acreditando na filosofia pacifista dos X-Men, procuravam uma defesa mais militarista dos direitos que acreditavam ser seus. Deste modo, os protagonistas são colocados numa área cinzenta de moralidade, fornecendo diferentes pontos de vista e aproximações a um mesmo problema. A conclusão, à data, foi particularmente dura e surpreendente, porque as versões dos X-Men de 2013 sofriam um destino nada risonho. A luta dos principais personagens assumia-se, uma vez mais, como multidimensional e facetada. O futuro era verdadeiramente trágico e nessa dimensão Chris Claremont e John Byrne saíam vitoriosos e inovadores. Os X-Men assumiam-se como personagens de uma tragédia clássica, em que o destino inexoravelmente os dirigia para um fim negro, apesar de todos os esforços, apesar de todos os sacrifícios.

A próxima iteração dos X-Men no cinema, a sair em 2014 pela mão de Bryan Singer, vai exactamente adaptar esta história mítica. X-Men: First Class II, que terá como actores Michael Fassbender, Jennifer Lawrence e James McAvoy, vai receber a visita dos X-Men da primeira versão em cinema, estando já confirmados para o futuro distópico a presença de Hugh Jackman como Wolverine e Ian McKellen como Magneto.

Felizmente, esta BD vai muito em breve ser publicada em Portugal, tendo como verdade os rumores que andam pela net de que a Levoir/Público vão lançar uma nova coleção de livros, estando esta histórias nela incluída.