Passaram-se dois anos desde a primeira parte da prometida trilogia escrita por Grant Morrison e desenhada por Yanick Paquette protagonizada por Diana, Princesa de Themyscira, a Mulher-Maravilha. Trata-se de uma nova interpretação da conhecida personagem da DC Comics, passada numa realidade paralela à linha normal da editora, com o objectivo de ser acessível ao público em geral, sem descurar uma visão autoral para leitores tendencialmente mais sofisticados.
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Colecção Mulher-Maravilha Levoir/Público - 1.º volume: Terra Um de Grant Morrison e Yannick Paquette
Antes de passar ao press-release da Levoir, queríamos aqui no Acho que Acho dizer umas coisinhas.
Desde que a Editora Abril, em 1987 (sim, há 30 anos atrás), publicou a Mulher-Maravilha de George Pérez, que sou um fã incondicional da personagem - é a minha favorita da BD e, quem sabe, da Literatura (perdoem os excessos de paixão). O primeiro contacto, contudo, tinha acontecido algures no início da década de 80, no Super-Homem vs Mulher-Maravilha da EBAL, comprado e lido na Ericeira, publicado num formato grande, com escrita de Gerry Conway e desenho de José Luís Garcia-Lopez.
É, portanto, fabuloso, ver editadas, finalmente, em português do nosso Portugal, algumas das histórias mais relevantes da Princesa Diana de Temiscira (como é conhecida pelos fãs e, em breve, por vocês).
Mas esta colecção tem outro ponto que é, para este blog, motivo de honra. Houve quem achasse que achasse que teria alguma coisa de interessante a dizer sobre a personagem e, vai daí, convidou-me para escrever a intro desde volume (e não só). Escusado será dizer que (depois de saltar de alegria e essas coisas menos dignas) aceitei.
Espero ter feito jus à personagem porque ela merece.
(já agora, podem clicar neste link para ler o que escrevi sobre este volume quando ele saiu no original).
A Levoir junto com o Público celebra os 75 Anos da Mulher-Maravilha com o lançamento de uma colecção, um concurso de ilustração e um passatempo para os seguidores de Facebook para assistir à antestreia do filme dedicado a esta heroína em colaboração com a Warner Bros. Portugal-NOS Audiovisuais.
"Mulher-Maravilha" é a nova colecção da Levoir em conjunto com o jornal Público que sai em banca a 25 de Maio. É uma edição de coleccionador composta por 5 volumes (livros em capa dura ) que incluirá prefácios e materiais extra, uma introdução à história da personagem e cronologia detalhada.
Por 11,90€, os leitores podem conhecer a história da Princesa Diana de Temiscira, a Mulher-Maravilha. Diana vive na Ilha Paraíso, com a sua mãe a rainha Hipólita. Durante milénios as amazonas habitantes da ilha contruíram uma próspera sociedade longe da maligna influência dos homens. Mas a jovem Diana não está satisfeita com sua vida reclusa, sabe que há mais mundo para além da ilha e resolve explorá-lo mesmo que tenha de ir contra os desejos de sua mãe e esta não concorde com os seus planos.
Escrita por Grant Morrison e ilustrada por Yanick Paquette chega a mais provocativa das origens da Mulher-Maravilha – uma leitura sem igual que honra a rica história da personagem!
Os livros da colecção são:
Volume 1 - Mulher-Maravilha: Terra Um – Argumento Grant Morrison, desenhos Yanick Paquette
Volume 2 – Mulher-Maravilha: Um por Todos – Argumento e desenhos Christopher Moeler
Volume 3 - Mulher-Maravilha: A Hiketeia – Argumento Greg Rucka, desenhos J. G. Jones
Volume 4 - Mulher-Maravilha: Homens e Deuses - Argumento Len Wein, desenhos George Pérez
Volume 5 – Deuses de Gotham - Argumento Phil Jiménez e J. M. De Matteis, desenhos Phil Jiménez
O primeiro volume da colecção incluirá a oferta dum postal com a imagem oficial do filme da Mulher-Maravilha com a colaboração da "Warner Bros. Portugal e NOS Audiovisuais"
Sabias que: Durante dois meses a Mulher-Maravilha foi Embaixatriz das Nações Unidas? E que o português Miguel Mendonça desenhou a Mulher-Maravilha durante a fase final da linha Novos 52 escrita por Meredith Finch?
Visão do paraíso, Wonder Woman Earth One de Grant Morrison e Yannick Paquette
Não é surpresa para ninguém que lê este blog que uma das minhas personagens favoritas de toda a Banda Desenhada e mesmo da Literatura é a Diana de Themyscira, mais conhecida por todos como a Mulher-Maravilha, a mítica super-heroína da editora DC Comics, parte da santíssima trindade da BD dos EUA (os outros são Super-Homem e Batman, para quem ainda não sabe). Este longo amor começou em 1987 quando, na revista da editora brasileira Abril, Super-Homem n.º 39, era publicado o primeiro capítulo da história de George Pérez e Greg Potter que iria para sempre modificar a maior e melhor das heroínas. Com altos e baixos ao longo de 30 anos, este personagem tem permanecido no cume da minha preferência.
Grant Morrison, escritor de origem escocesa, foi responsável pelas histórias que considero um dos pináculos do que a mitologia dos super-heróis, quando desregrada, quando deixada ao abandono da imaginação, é capaz: JLA.
Yannick Paquette é um desenhista que, por acaso, já trabalhou com a Mulher-Maravilha no passado, e que recentemente tem desabrochado como um artesão da BD ao nível de pessoas que admiro como J.H. Williams III.
Juntar estes três numa única história escusado será dizer que era mais que um sonho molhado. Era um oceano de expectativa. Que não foi de modo algum defraudada.
A versão de Diana que tem vingado na BD nos últimos anos, segundo Morrison, não é aquela que acha ser a versão moldada pelo criador da personagem, William Moulton Marston. Os artistas Azzarello e Chiang recentemente escreveram uma mulher guerreira capaz de exigir a paz sob o punho cerrado no cabo de uma espada. Essa versão passou, inclusive, para o grande ecrã e para o corpo da excelente Gal Gadot. Mas Marston sempre escreveu a sua Mulher-Maravilha como o apogeu do sexo feminino, não só na sua figura mas, acima de tudo, na capacidade de pacificação do mundo patriarcal (o do homem), bélico, beligerante e devassado por urgências violentas. Marston era um homem moldado por mulheres do início do século XX que foram parte participante e criadora do movimento sufragista nos EUA. Inclusive casou com duas delas, com quem viveu num relação bígama consentida por todas as partes (sobre a vida de Marston e das suas mulheres queiram perder tempo neste longo e maravilhoso artigo). Era, portanto, a pessoa ideal para ser o criador de uma super-heroína num mundo literário que começava já a ser dominado pela testosterona. Infelizmente, morreu cedo (1947), e a sua Mulher-Maravilha depressa seria relegada para o plano de uma dedicada dona de casa e de secretária dos outros super-heróis (todos eles homens, claro).
Morrison quis repescar esta criação original e deu-nos uma interpretação de Diana que, ao mesmo tempo, deve ao seu arquétipo original e reveste-o de novas pulsações, deste nosso mundo novo onde a mulher não é mais a figura de segundo plano que o homem a tinha forçado a ocupar. Diana é símbolo disso mas também de muito mais, neste maravilhosa história de Morrison e Paquette. Ela é também símbolo de união entre estes universos tão dispares e profundamente separados, o da masculinidade e da feminilidade. Pela força de carácter que demonstra e pelo seu nascimento, ela é uma força da natureza, um tufão que não pode sequer ser represado pelo paraíso (onde vive). Para Diana, a perfeição de 3000 anos de vida idílica não é suficiente, isto quando o sangue pulsa e arde pelo mundo de fora, esse ainda um poço de imperfeições, guerra e escravidão. A Mulher-Maravilha de Morrison está perto da perfeição. Ela é um olhar ainda inocente num mundo novo tão diferente do seu. Contudo, não se perde nele, antes o vergará à sua vontade, se preciso for.
Pelo que escrevo, devem ter percebido que adorei este Wonder Woman: Earth One e que mal posso esperar pelos dois capítulos que seguir-se-ão. Finalmente, não quero deixar de elogiar a decisão de assumir-se a bissexualidade das Amazonas e de Diana. Desde da década de 40 que já desconfiávamos. E também por transformar esta BD numa reflexão sobre a objectificação sexual e artística de que a Mulher tem sido alvo desde sempre e fazendo-o pela inversão dos papéis. Aplausos! A Mulher-Maravilha, símbolo da emancipação e culminar pop do movimento sufragista prova, pelas mãos de Morrison e Paquette, que é um arquétipo tão forte e (mais?) relevante que os seus companheiros da 9.ª Arte.
BD é um exemplo.
"Artemis - No, Ares, violence will make man fear us, not follow us. Our current intent with this new race is to set an example... to show man and woman's true place with each other...as Gaea had meant to be."
Wonder Woman, volume 2, número 1, escrito George Pérez, Len Wein, Greg Potter.
Diana de Themyscira, aka Wonder Woman, aka Mulher-Maravilha, por vários desenhadores.
José Luis Garcia-Lopez
George Pérez
Cliff Chang
Eduardo Risso
Cliff Chang
Yannick Paquette
John Byrne
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