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Uma BD por dia, não sabe o bem que lhe fazia - até ao primeiro dia de 2020!



Tenho participado de uma brincadeira no Facebook: enumerar uma BD por dia até 2020. Começou há alguns meses, mas só agora dou-me ao trabalho de aqui a reproduzir. Mostro, hoje, as escolhas desta semana, com link na imagem para o texto que escrevi sobre o livro, ou um nhónhózinho, caso ainda não tenha falado dele.

Neste momento, estou a escolher os meus momentos importantes do Quarteto Fantástico, aka Fantastic Four, uma das minhas equipas favoritas de supers na BD.


Titans, temporada 1, episódios 2 a 4


Já falamos aqui do primeiro episódio da série inaugural do serviço de streaming da DC Comics, Titans, que interpreta, com um tom maduro e negro, a famosa BD criada na década de 80 pelo escritor Marv Wolfman e pelo desenhador George Pérez. À altura, foi um dos maiores sucessos comerciais da DC, competindo e, por vezes, superando o sucesso que eram os X-Men da Marvel. Não deixa de ser, ao mesmo tempo, surpreendente e entusiasmante que a editora escolha estas personagens como porta-estandarte do seu serviço ao estilo Netflix. O primeiro episódio já tinha sido um bom começo, mas estes três seguintes parecem solidificar a série de TV como uma tentativa séria em produzir um programa uns patamares acima do costumeiro produto de super-heróis.

Titans temporada 1, episódio 1


No início a década de 80, a DC Comics encontrava-se em sérios apuros. As suas personagens, apesar de conhecidas, estavam a ser trucidadas pela Marvel nas vendas. O que tinha se iniciado cerca de 20 anos antes, atingira o ponto de ruptura em 1978, com o cancelamento de inúmeros títulos - num momento que ficou conhecido como a DC Implosion. Eis que aparecem o escritor Marv Wolfman e o desenhador George Pérez, ambos vindos da Marvel. O segundo já carregava consigo uma aura de excepção e era seu sonho desenhar a Liga da Justiça. Contudo, enquanto essa oportunidade não se apresentava, decidiu juntar-se a Wolfman para recriar um conceito antigo da DC: os Teen Titans (Turma Titã). 

5.º volume da Colecção Mulher-Maravilha Levoir/Público: Deuses de Gotham de Phil Jimenez

Tudo o que é bom acaba. A colecção que marcou o ano para o Acho que Acho chega hoje ao último volume. A nossa Diana deixa-nos, desta vez pela imaginação de um dos seus maiores admiradores e um dos maiores artistas que trabalharam as suas histórias: Phil Jimenez. 

E, mais uma vez (e perdoem-me por estar a ser chato e repetitivo) fui convidado a escrever umas palavras para a introdução.

Novamente, quero agradecer à Levoir e José Hartvig de Freitas pela honra e previlégio que me deram por participar e escrever para esta colecção. Um bem hajam!



Chegou ao fim de mais uma colecção DC COMICS da Levoir e do jornal Público. Neste último volume, o quinto da colecção, Mulher-Maravilha: Deuses de Gotham, escrita por Phil Jimenez e J. M. DeMatteis, e ilustrada pelo próprio Jimenez e Andy Lanning pode ser apreciada uma das melhores histórias deste grupo criativo.

Este volume inclui as 3 ilustrações vencedoras do Concurso Mulher-Maravilha, cujos autores são:
- Filipe Dias

-Joel Sousa

-Nuno Rodrigues


Os mais terríveis deuses gregos regressam ao mundo, os deuses da discórdia, medo e terror, e combinam a sua essência com a dos piores supervilões de Gotham City, Joker, Espantalho e Hera Venenosa. Batman irá nesta história necessitar de toda a ajuda da Mulher-Maravilha para os derrotar, mas quando os deuses também conseguem possuir Batman, a Princesa Amazona descobre que mesmo a ajuda de outros protectores de Gotham, como o Asa Nocturna e o Robin, bem como da sua própria protegida, Donna Troy, a Wonder Girl, podem não ser suficientes para acabar com o reinado maligno dos deuses do submundo. 

Sabias que:
O conhecido logotipo da Mulher-Maravilha, com o duplo WW, foi criado em 1982 pelo famoso designer Milton Glaser, criador do icónico I ❤ NY. Não foi essa a única colaboração de Glaser com a DC, pois o designer foi também responsável pelo mais duradouro logotipo da DC Comics, conhecido.





Colecção Mulher-Maravilha Levoir/Público - 4.º volume: Homens e Deuses de George Pérez, Len Wein e Greg Potter



Existem momentos que valem a pena recordar e permanecer para sempre na memória. Um desses momentos foi aquele em que li, pela primeira vez, a Mulher-Maravilha de George Pérez - numa das saudosas revistinhas da Editora Abril. Foi a partir daí que o meu amor pela personagem começou, já lá vão 30 anos. Por isso, Diana continua a ser a minha favorita da BD.

Foi, portanto, com orgulho, honra e um outro indefinível e grande sentimento, que fui convidado para participar na colecção da Levoir/Público da Diana e a data de hoje é muito especial. 

Houve alguma falta de juízo a quem disse para eu escrever a introdução do volume que sai hoje, o dedicado a essas histórias e a esse autor que tanto marcaram o meu percurso na BD - e na vida, não o vou diminuir. Desculpam a falta de modéstia, mas este é um momento particularmente especial.

Contudo, o que interessa mesmo é vocês também se apaixonarem pela Diana de George Pérez. Espero que o consigam mas, se não conseguirem, não se apoquentem: tudo a seu tempo.

E agora o press-release da Levoir.

O volume de Mulher-Maravilha: Homens e Deuses é o terceiro da colecção e sai em banca a 15 de Junho, por mais 11,90€ com o jornal Público e na FNAC.


Na mítica ilha de Temiscira, uma orgulhosa e feroz raça guerreira de amazonas criou uma filha de beleza, graça e força inauditas – a princesa Diana, também conhecida como Mulher-Maravilha. Quando um piloto de caça do Exército, Steve Trevor, pára na ilha, a rebelde e obstinada Diana desafia a lei das amazonas ao acompanhar Trevor de volta à civilização. Enquanto isso, Ares (o deus da guerra) escapou de sua prisão nas mãos das Amazonas e decidiu exigir a sua vingança: uma guerra mundial que não só durará séculos como acabará com todos os seres vivos do planeta! Cabe à Princesa Diana salvar seu povo e o mundo, usando os seus poderes para provar que merece o nome de Mulher-Maravilha. O início da épica e incontornável remodelação da Mulher-Maravilha, levada a cabo por George Pérez na sequência das alterações no Universo DC provocadas pela saga Crise nas Terras Infinitas.





BD é um cobertor velho e aconchegante parte 2.

A DC Comics desenhada por George Pérez.

Batman vs Joker.


Batman, Asa Nocturna e Robin.


Batman e Mulher-Maravilha.


Batman e inimigos.


Mulher-Maravilha pré-Crise nas Terras Infinitas. 


Liga da Justiça da década de 70.


Crise nas Terras Infinitas.


BD é um exemplo.

"Artemis - No, Ares, violence will make man fear us, not follow us. Our current intent with this new race is to set an example... to show man and woman's true place with each other...as Gaea had meant to be."
Wonder Woman, volume 2, número 1, escrito George Pérez, Len Wein, Greg Potter.

Diana de Themyscira, aka Wonder Woman, aka Mulher-Maravilha, por vários desenhadores.

José Luis Garcia-Lopez

George Pérez


Cliff Chang


Eduardo Risso


Cliff Chang


Yannick Paquette


John Byrne


BD é a guerra e a paz.

"Atena - What are you afraid of, Ares? That Olympus shall be represented  on earth by women? Or that these mortals  shall be able to resist even your base influence?" - Greg Potter e George Pérez, Wonder Woman, volume dois, número 1, Fevereiro de 1987.

Vários personagens desenhados por Eduardo Risso.

Mulher-Maravilha, aka Diana de Themyscira


Batman e Joker


Catwoman.


Super-Homem.


Sonja, a guerreira. 

BD é a filha perfeita.

Words and pictures are yin and yang. Married, they produce a progeny more interesting than either parent.” - Dr. Seuss

Diana de Themyscira, aka Wonder Woman, aka Mulher-Maravilha

Capa de Wonder Woman, volume 2, número 1, datada de 1986, por George Pérez



O que vou lendo! – Avengers Epic Collection vol. 9: The Final Threat

Não sei se será igual para todos, mas quando releio algo que, na juventude ou infância, teve um especial significado para mim, tenho uma de duas sensações: desapontamento ou encantamento. Com este 9.º volume da coleção da Marvel, Epic Collection, dedicada aos Vingadores, estive totalmente subjugado à segunda.

Os leitores mais velhos de BD lembrar-se-ão da publicação, deste período da vida dos Vingadores, nas saudosas revistas Heróis da TV e Grandes Heróis Marvel da Editora Abril. Na altura, terão sido dos primeiros contactos com alguns grandes desenhistas da BD americana: George Pérez e John Byrne (já tínhamos tido contacto com este último no Iron Fist, pelo menos). Contudo, o valor deste período não reside exclusivamente na qualidade dos desenhistas, mas nas histórias, que acabaram por marcar gerações e calcificar-se como A época da vida dos Vingadores. Estas são afirmações perigosamente radicais, mas reler os números individuais aqui compilados (do 150 ao 166 e mais umas coisitas), permitiu-me concluir algo muito importante: as histórias envelheceram bastante bem.

Já há muitos anos que andava a namorar a possibilidade de ter os originais das BD que me haviam causado tão boa impressão nos idos da década de 80. Aquelas maravilhosas histórias que envolviam os Vingadores clássicos como o Capitão América, o Thor, o Homem de Ferro, o Visão, a Feiticeira Escarlate, etc. Histórias onde defrontaram inimigos como o Conde Nefária, Ultron, Thanos, em suma, alguns dos mais tenebrosos nomes da galeria de vilões da Marvel. Tudo engendrado pelas mentes de Gerry Conway e Jim Shooter e pelas mãos artísticas de Byrne e Pérez, como já referi, mas também do grande John Buscema, o seu irmão Sal Buscema e o maravilhoso Jim Starlin. Estas mentes conseguiram agarrar na impressionante fundação lançada por Stan Lee, Jack Kirby, Roy Thomas e, novamente, John Buscema,  e construir uma das mais memoráveis runs destes heróis do Universo Marvel. Perguntam vocês, os que nunca as leram: mas por que é que estas histórias são assim tão boas? O conselho mais óbvio que vos posso dar é... leiam-nas e concluam por vocês mesmos. Contudo, também vos posso dizer que se tratam de momentos que ficaram para sempre gravados na minha memória, essa coisa que parece transparente quando nos lembramos de momentos da juventude: a saga da noiva de Ultron, um dos primeiros esforços de Jim Shooter com os Vingadores e um dos mais ricos e adultos, misturando a tragédia de Édipo Rei com uma outra, a de Hank Pym / Janet Van Dyne / Ultron (e quem é que não quer saber como é que é o vilão do próximo filme dos Vingadores?); o tempestuoso regresso de Wonder Man, que tantos dissabores trouxe para os recém-casados Visão e Feiticeira Escarlate (Wonder Man era Magnum em português... não o gelado, claro); o épico confronto com o proto-Super-Homem, Conde Nefária, numa batalha tão gigante que foi necessária a intervenção do Deus do Trovão, Thor, para pôr cobro aos avanços terroristas do vilão.

Este volume tem, ainda, uma outra curiosidade, principalmente para nós, leitores da Abril. A editora escolhia não publicar todas as histórias que saíam nos EUA, e esta época dos Vingadores foi particularmente vilipendiada. Quem de vocês não quer saber como se passou o confronto tripartido do supergrupo contra Attuma, Dr. Destino e Namor? Ou como foi o primeiro encontro com o enormemente poderoso Graviton, também criado por Jim Shooter que, junto com o já mencionado Conde Nefária, parecia determinado em crirar inimigos à altura do poderio desta coleção impressionante de super-heróis?

O volume acaba da melhor forma possível, com o primeiro grande confronto entre os Vingadores e aquele que certamente será o vilão do terceiro filme estrelando estes personagens: Thanos, o Titã Louco, enamorado pela personificação da Morte (quem viu a cena no meio dos créditos do primeiro filme já sabe de quem eu falo). É ele a Ameaça Final do título deste volume. É ele que representa o zénite das ameaças que os Vingadores  nasceram para prevenir. Os dois capítulos aqui incluídos, escritos e desenhados pelo grande Jim Starllin, criador de Thanos, são o culminar de uma outra saga, a de Warlock, e representa outro dos pontos altos das minhas leituras da década de 80.


Que gozo extraordinário foi reler estas histórias! É disto que o prazer é feito! Não preciso de muito mais! Que venham os próximos volumes da coleção Epic, uma das melhores ideias da Marvel dos últimos anos.

Colecção DC Levoir/SOL – 3.º Volume: Novos Titãs


(Prometo tentar informar aos menos conhecedores de BD acerca da acessibilidade desta coleção, ou seja se é fácil ou não ler sem saber muito mais coisas)
Grau de acessibilidade: Difícil mas…
Sai Sexta-feira, dia 13 de Dezembro, junto com jornal SOL e custa 8,9€

Para desenjoar um pouco, a Levoir afasta-se dos dois maiores ícones da DC Comics e decide-se por nomes menos conhecidos do mainstream, à semelhança do que já tinha feito na coleção anterior. Desta vez, a sorte coube aos Novos Titãs, a equipe de adolescentes por excelência da editora, para onde não só gravitam os vários discípulos dos grandes nomes da Liga da Justiça, como funciona como campo de treino para futuras membros desta, a maior equipe de super-heróis do Universo DC. Contudo, como qualquer adolescente que se preze, a rebeldia contra figuras paternais de qualquer espécie é uma obrigatoriedade, mesmo que essas figuras sejam o Super-Homem, o Batman, a Mulher-Maravilha, e estes Novos Titãs não escaparam ao lugar-comum.
Nascida na década de 60, a equipa teve várias encarnações, a mais conhecida nascida em 1980 pelas mãos e mentes de Marv Wolfman e George Pérez, os mesmos da Crise nas Terras Infinitas, tornando-se desde cedo no maior êxito da DC Comics e dos comics da época, apenas superados em vendas pelos X-Men da Marvel. Esta foi também a época de mais sucesso para a equipa de adolescentes, tendo a fama decrescido depois da saída do desenhista Pérez, mas existindo sempre uma versão dos Titãs nos relatos do Universo DC. Esta encarnação, cuja primeira aparição é a incluída neste volume, a escrita por Geoff Johns e desenhada por Mike McKone, apesar de nunca atingir os mesmos níveis de fama e sucesso não só comercial como de crítica que a de 1980, não deixou de funcionar como uma homenagem à concebida por Wolfman e Pérez, uma mistura de nostalgia e mercantilismo tão típico da BD americana. Os dois autores desta versão moderna vão buscar membros às variadas encarnações dos Titãs, nomeadamente à já referida, em que três dos mentores dos adolescentes são aqueles que uma vez também o foram, e a uma mais recente, a Young Justice, onde se juntavam os discípulos de Super-Homem, Batman, Mulher-Maravilha e Flash, o Superboy, Robin, Wonder Girl e Impulse, respetivamente.
Deste modo, Johns vai buscar, por um lado, a missão original dos Titãs, a do clube onde os jovens membros da equipa tentam ter uma vida própria fora da sombra dos gigantes que são os sues mentores e, por outro, piscar o olho á mais conhecida das versões. Acompanhado pelo traço comercial e apelativo de Mike McKone esta tornou-se num relativo sucesso de vendas que, contudo, acabou relativamente cedo, já que ambos os criadores acabariam por abandonar a revista parcos 2 anos depois – isto tendo em consideração que Pérez e Wolfman partilharam cerca de cinco anos da sua vida com a sua versão ou que Peter David e Todd Nauck dedicaram outros tantos a Young Justice.
Nota – Não partilho da opinião que tem de se saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.

Mulher-Maravilha: O Mito


Primeiro: não é Super-Mulher. É Mulher-Maravilha! A sério! Aparentemente, um nome é tão bom ou tão mau quanto o outro, mas o original é Wonder Woman e, se o dicionário não me engana, Wonder traduz-se como Maravilha e não Super, OK? Mas como raios é que uma má tradução fica tanto tempo?
Segundo: Ainda estão interessados? Eu sei, eu sei. A Mulher-Maravilha não é muito estimulante (hum, má escolha de palavras) num universo literário geralmente direcionado para homens, não é testosterona aos saltos enquanto esmurra discricionariamente o vilão du jour (às vezes ela também o faz). É uma mulher, poderosa em mais sentidos do que um, algo mal visto numa arte que, já aqui falei numa coluna anterior, inclina-se a enquadrar o género num de dois prismas: femme fatale ou interesse romântico (este, muitas vezes, indefeso). Tenho perfeita consciência que não é bem assim e não o é (totalmente) há já muito tempo, mas ainda existem alguns exemplos sonantes. Adiante!
O nome é Diana de Themyscira, princesa nascida numa ilha inteiramente povoada por mulheres, as Amazonas da mitologia grega – curiosamente, a ilha tem o epíteto de Ilha Paraíso. Exiladas pelo deuses do panteão grego, depois de serem ludibriadas por servos do deus da guerra, Ares, a cometer crimes atrozes, viveram durante milénios sob a égide da paz e de uma missão, a de proteger o mundo de um mal inominável sepultado no submundo da ilha de Themyscira. Ares, contudo, com o decorrer dos milénios e o crescente domínio da guerra, desenvolve-se em poder e influência, obrigando à escolha de uma mensageira da paz a ser enviada ao mundo patriarcal (o nome dado pelas Amazonas ao nosso). Das suas fileiras e à revelia de uma mãe protetora, emerge Diana, a primeira e única criança a nascer na ilha de Themyscira, concebida imaculadamente através do barro moldado pela mãe nas praias da sua terra e soprado à vida com dádivas dos deuses - uma melhor concepção ao estilo de salvador-religioso é difícil. Diana vence um conjunto de provas e viaja para o nosso mundo, onde enfrenta os desígnios de Ares e, através mais da verdade e menos dos punhos, consegue prevalecer ao deus insano.
Vencida a prova, é escolhida pelos deuses e pelas Amazonas como embaixadora, não apenas da sua terra natal mas acima de tudo da paz, mensagem esta que prevalece sobre todas as demais tradições themyscirianas e que evoca os textos e filosofias da cultura grega, da qual a sua é uma evolução (e não somos todos nós, ocidentais, gregos?). Diana não é tanto uma super-heroína nos moldes mais tradicionais, mas antes uma mensageira de fraternidade, democracia e igualdade, alguém que escolhe a palavra e o diálogo ao invés do punho e da violência. E ainda se perguntam porque tem tão pouca fama no universo dos super-heróis.
Os leitores experimentados de BD reconhecem, nos dois parágrafos anteriores, não a Mulher-Maravilha mas antes uma das suas versões, a concebida por George Pérez, o desenhista/escritor a quem foi dada a missão de reintroduzir o personagem já nos idos de 1986. Esta é a versão pela qual conheci Diana e aquela que reconheço como a interpretação mais interessante do mito. Acontece que o personagem é já bastante mais antigo, tendo sido criada por William Moulton Marston em 1941 para a editora DC Comics. Marston é também conhecido por ser o criador do polígrafo e praticante de filosofias matrimoniais bastante liberais, mesmo para os dias de hoje.
O paralelismo entre a vida do autor e o personagem que criou é absolutamente delicioso. Passo a explicar e começo pelo segundo facto. Marston era “casado” e vivia com duas mulheres, com quem alegadamente praticava bondage. Muitas das primeiras histórias da Mulher-Maravilha continham várias cenas em que ela era sensualmente amarrada e tal era a frequência que, às tantas, o editor pediu para as minimizar. O primeiro facto, o de ter sido criador do polígrafo, é também bastante interessante. Muitos sabem que a única arma que Diana brande é um mero laço forjado por Hefaestus, um dos deuses do panteão grego, e esse mesmo laço tem uma característica muito particular: todos os a si amarrados são impelidos a dizer apenas a verdade (outra vez uma alusão ao bondage). Autores mais tardios racionalizaram que não era o laço que impelia as pessoas a dizer a verdade mas antes a própria Diana, que usava o instrumento apenas como um canal da sua influência. Inclusive, noutra evolução do personagem, John Byrne chegou a matar Diana e a ressuscitá-la como a Deusa da Verdade (ah, os fabulosos anos 90, onde todos os super-heróis morriam ou eram mortalmente aleijados).
Mas voltemos a Pérez! Nas mãos deste autor e durante cerca de 5 anos, Diana foi mais do que a Deusa da Verdade, não tanto beligerante mas antes pregadora, a voz de uma mulher belíssima mas inocente aos modos dos homens. Ainda que aparentasse ser o cordeiro abandonado aos lobos, este era um cordeiro com poderes doados pelos deuses e talentos forjados por uma personalidade pura e desinteressada, conseguindo preservar a sua missão, mesmo que exposta às contrariedades humanas. Conseguindo preservar a inspiração que criava no coração do Homem, quer fosse ele humano ou sobre-humano. A princesa Diana de Themyscira era realeza com o intuito de nos ensinar os valores da cultura grega e da paz. Dificilmente, neste mundo em que vivemos, a sua natureza, pureza e missão poderiam ser bem recebidos e interpretados. Dificilmente, num mundo de cínicos e numa arte principalmente lida e criada por e para homens, uma mulher bela, emocional e, ao mesmo tempo, racional, detentora da palavra e da força do diálogo, poderia ser recebida sem preconceitos. E, à semelhança do Super-Homem, acaba por não ser dos personagens de BD mais bem aceites. O que, a meu ver e caso ainda não tenham percebido, é mesmo muita pena.
Numa interpretação mais recente, do escritor Brian Azzarello e desenhista Cliff Chang, Diana é agora uma semideusa, filha de Zeus. Esta evolução foi bastante contestada por alguns leitores de BD mas, se virmos bem, estamos a falar de um dos mais conhecidos aspectos da mitologia grega. As indiscrições de Zeus para com Hera, a sua mulher, são bastante conhecidas, tendo originado outros semideuses como Héracles, Helena de Tróia ou Perseu, ou tendo envolvido casos bastante conhecidos, como o de Europa. Acho que esta é uma companhia que merece Diana.