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Os gostos têm tendência em unir pessoas na amizade. Eu e o Filipe Faria - escritor extraordinaire da saga Crónicas de Allaryia e tradutor incansável - temos uma devoção imortal pelos mundos da DC Comics. Ele é fã incontestável do Super-Homem e eu devoto da igreja da Diana de Themyscira. O Filipe tem uma colecção de momentos curiosos dos 80 anos de publicações desta editora. Todas as Sextas ele vai tentar colocar aqui um. Eu apenas publico e nada mais. 

No inDCências de hoje, visitamos a ilha de Themyscira (quando era conhecia por Paraíso), e entramos nos seus curiosos métodos de defesa pessoal,  desenhados de forma, digamos, apontada para um específico público-alvo.

Os gostos têm tendência em unir pessoas na amizade. Eu e o Filipe Faria - escritor extraordinaire da saga Crónicas de Allaryia e tradutor incansável - temos uma devoção imortal pelos mundos da DC Comics. Ele é fã incontestável do Super-Homem e eu devoto da igreja da Diana de Themyscira. O Filipe tem uma colecção de momentos curiosos dos 80 anos de publicações desta editora. Todas as Sextas ele vai tentar colocar aqui um. Eu apenas publico e nada mais. 

Hoje voltamos a uma amiga de longa data, Diana, Princesa de Themyscira, conhecida no mundo como a Mulher-Maravilha.

Os gostos têm tendência em unir pessoas na amizade. Eu e o Filipe Faria - escritor extraordinaire da saga Crónicas de Allaryia e tradutor incansável - temos uma devoção imortal pelos mundos da DC Comics. Ele é fã incontestável do Super-Homem e eu devoto da igreja da Diana de Themyscira. O Filipe tem uma colecção de momentos curiosos dos 80 anos de publicações desta editora. Todas as Sextas ele vai tentar colocar aqui um. Eu apenas publico e nada mais. 

Hoje regressamos à Mulher-Maravilha, ao seu criador, William Moulton Marston, e às suas...digamos... curiosas idiossincrasias.

Os gostos têm tendência em unir pessoas na amizade. Eu e o Filipe Faria - escritor extraordinaire da saga Crónicas de Allaryia e tradutor incansável - temos uma devoção imortal pelos mundos da DC Comics. Ele é fã incontestável do Super-Homem e eu devoto da igreja da Diana de Themyscira. O Filipe tem uma colecção de momentos curiosos dos 80 anos de publicações desta editora. Todas as Sextas ele vai tentar colocar aqui um. Eu apenas publico e nada mais. 

Hoje o Filipe começa com aquela que merece começar tudo. Meus amigos, a Mulher-Maravilha.

Wonder Woman Earth One vol. 2 de Grant Morrison e Yanick Paquette

Passaram-se dois anos desde a primeira parte da prometida trilogia escrita por Grant Morrison e desenhada por Yanick Paquette protagonizada por Diana, Princesa de Themyscira, a Mulher-Maravilha. Trata-se de uma nova interpretação da conhecida personagem da DC Comics, passada numa realidade paralela à linha normal da editora, com o objectivo de ser acessível ao público em geral, sem descurar uma visão autoral para leitores tendencialmente mais sofisticados. 

Uma BD aqui, outra BD ali, 10

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Brave And The Bold Batman And Wonder Woman número 1 de Liam Sharp (DC Comics)

Liam Sharp foi o desenhista responsável por metade das histórias mais recentes que Greg Rucka escreveu para a Mulher-Maravilha. Veterano do lápis e tinta da china (perdoem a minha ignorância no mundo do desenho), decide tentar a sua sorte (não sei se pela primeira vez) na arte da escrita. A DC Comics tem recentemente arriscado mini-séries com Diana como co-protagonista. Uma primeira junto com o conhecido Conan, O Bárbaro (comprem, porque vale a pena) e agora com o ainda mais conhecido Batman, o seu companheiro de armas na Liga da Justiça

No que respeita à escrita, Liam vai soberbo, conseguindo equilíbrio entre a exposição necessária para trazer o leitor para dentro do mundo fantástico do Folclore Irlandês (peça central da história), e momentos mais intimistas, principalmente com a super-heroína. Para quem leu a sua colaboração com Rucka, este primeiro número representa uma pequena recompensa. A primeira cena com Diana é poderosa a reveladora do amor do desenhista à personagem mas também da imagem que ela representa dentro do mundo fictício da DC. O Batman aparece parcimoniosamente, mas o suficiente para revelar o controlo que Sharp tem sobre a sua personalidade. 

Finalmente, no que respeita à arte, o autor excede-se, entregando uma BD francamente bela e bem estruturada. O seu traço é particularmente apropriado ao mundo de Fadas da mitologia irlandesa e cada página merece ser um poster - mas sem perder um átomo do storytelling. A continuar assim teremos em mãos uma das minhas BDs favoritas do ano (e não só porque tem a Diana como co-protagonista). Já agora, Sharp continua a desenhar uma das mais expressivas e bonitas interpretações de Diana, ao ponto de eu, como fã, ter dificuldade em não a considerar como uma favorita (ao lado da de George Pèrez). 

Defenders (2017) número 10 de Brian Michael Bendis e David Marquez (Marvel)


Chega ao fim a Era Bendis da Marvel. Depois de 17 anos de uma produção polémica mas profícua, um dos mais importantes escritores a trabalhar na auto-professa Casa das Ideias muda-se para a Distinta Concorrência (DC, para os que não estão dentro destes acrónimos). Ficou conhecido pelo trabalho em várias personagens, mas em nenhuma mais do que nos conhecidos como street-level heroes. O Demolidor. Luke Cage. Jessica Jones (que co-criou). Homem-Aranha. É, portanto, apropriado, que termine com este Defenders, que reúne na mesma equipa os três primeiros mais o Punho de Ferro (que escreveu nos Vingadores). E, mais ainda, junto com o desenhista David Marquez, com quem tinha previamente trabalhado em Miles Morales e em Civil War II.

Como já referi em posts anteriores, Bendis não poderia acabar a sua prestação na Marvel de melhor forma. Defenders é das obras mais conseguidas do autor, ombreando com trabalhos como o Demolidor (talvez o seu ponto alto), Ultimate Spider-Man e New Avengers (os meus três favoritos). Parece que Bendis tirou da cartola mais um conjunto de ferramentas de storytelling para impressionar os detractores e os fãs. "Eu ainda sou capaz de vos surpreender pela qualidade, estão a ver?!". Quem gosta do seu trabalho, apesar de saber que ele ainda tinha muito para dar, não esperava que a qualidade da sua escrita ainda pudesse brilhar tanto, mesmo empregando muitos dos seus cartões de visita: a verborreia; os plot-twists; a reinterpretação de velhos vilões e de antigos heróis; o baralhar de geografias e conceitos do universo da Marvel. Bendis brilha em cada página e em cada frase destes 10 números dos  Defenders 2017, defendendo o seu legado sem egoísmos, dizendo um sentido adeus e deixando a página aberta aos que se seguem. 

Mas nenhum elogio aos Defenders pode estar completo sem falar de David Marquez, um dos seus recentes colaboradores e que nestes 10 números brilhou como nunca. Cada rosto é único, cada cena de acção coreografada de forma belíssima, cada enquadramento apropriado.

Bendis diz adeus e eu sigo-o para o Super-Homem. Até mais logo, Marvel.

Dark Nights: Metal # 1, Review (with spoilers)

It all starts here: DC Comics event Dark Nights: Metal, by the creative team of Scott Snyder and Greg Capullo. It's supposed to be an epic, multiversal roller-coaster ride filled with awe-inspiring moments.  In June and July we were treated with not one but two prologues, Dark Night: The Forge and Dark Night: The Casting, that put all the pieces on the table – or so we thought. The mythology was laid bare to prepare us for what was coming. However, what the authors gave us in this first issue was an even bigger canvas where we will be amazed and entertained in.

(from here on out there will be spoilers)

Let me say one thing before continuing: I’m a big fan of comics in general, super-heroes in particular and DC Comics is my favorite universe of this subgenre. I love the archetypical nuances of its characters and the religion-like cosmology that seems to tie all its stories together. Conscious or unconsciously, some of the storytellers that worked for this company in the past three decades want every single issue of its 75-year-plus history to count for the tapestry that is the DC multiverse. One of the biggest names is, of course, Grant Morrison, but also Geoff Johns, Mark Waid, et al. All of them tried, for lack of a better term, to tie everything together. Now you can add another author: Scott Snyder. He goes into full cosmology mode and it’s a wondrous sight to behold.

I love it when super-heroes go cosmic. Don’t get me wrong, I want to read Batman and Daredevil as much as the next guy, the street-level story, but when these characters travel to the end of time, battle impossibly-dark-and-evil-Gods and unravel reality, that’s when I love them the most. That’s why Morrison’s JLA is one of my all-time favorites. Speaking of the mad Scottish writer, he is one of the Snyder's spiritual gurus. He gets a lot of love in this first issue. Be it the Multiversity Map or the reference to Batman’s travel to the far past at the end of Final Crisis, Snyder references these cosmic stories in big and revealing ways. Hawkman’s lore is also a huge part of what it’s trying to be achieved here – don’t forget that this comic is called Metal and one the most important parts of it is the Nth Metal

It’s, of course, still too early to judge the story's quality. We’re at the beginning, but one thing is certain: this is not for the initiated in DC mythology. You have to be knee-deep into a lot of the cosmology minutiae that is part and parcel to this universe (or multiverse, if you want to be accurate). That is, of course, part of its charm but it will, for those less adventurous, be a strenuous read. Think of it like I did when I was on my early teens and read Crisis on Infinite Earths: marvel at the colorful menagerie of characters and geographies that populate the page; absorb every detail with child-like awe; maybe if you drop the adult-vision you’ll be rewarded.

Finally, that last page (huge spoiler ahead). Super-heroes comics revel in the use of surprise endings. Metal has a doozy of an ending, similar to last-year’s DC Rebirth Special: Neil Gaiman’s Sandman pays a visit to Batman – the Daniel version, not Morpheus. It is very similar to adding Alan Moore’s Watchmen to the regular DC multiverse (on the above mentioned DC Rebirth) but not as radical, though some people seem to think so. Don't get me wrong, it’s a huge thing and if done right adds gravitas to the story (I’ll judge its quality in the end). But, if you were paying attention to Grant Morrison’s Multiversity Map, you’ll find that the Endless and Sandman were already an integral part of DC’s cosmogony. Furthermore, Daniel was also used in Morrison’s JLA. So, there’s that.

Scott Snyder and Greg Capullo promised us a grand ride. If the following chapters are to be judged by this one, we’re in for one. So, please, fasten your seat belts. 

5.º volume da Colecção Mulher-Maravilha Levoir/Público: Deuses de Gotham de Phil Jimenez

Tudo o que é bom acaba. A colecção que marcou o ano para o Acho que Acho chega hoje ao último volume. A nossa Diana deixa-nos, desta vez pela imaginação de um dos seus maiores admiradores e um dos maiores artistas que trabalharam as suas histórias: Phil Jimenez. 

E, mais uma vez (e perdoem-me por estar a ser chato e repetitivo) fui convidado a escrever umas palavras para a introdução.

Novamente, quero agradecer à Levoir e José Hartvig de Freitas pela honra e previlégio que me deram por participar e escrever para esta colecção. Um bem hajam!



Chegou ao fim de mais uma colecção DC COMICS da Levoir e do jornal Público. Neste último volume, o quinto da colecção, Mulher-Maravilha: Deuses de Gotham, escrita por Phil Jimenez e J. M. DeMatteis, e ilustrada pelo próprio Jimenez e Andy Lanning pode ser apreciada uma das melhores histórias deste grupo criativo.

Este volume inclui as 3 ilustrações vencedoras do Concurso Mulher-Maravilha, cujos autores são:
- Filipe Dias

-Joel Sousa

-Nuno Rodrigues


Os mais terríveis deuses gregos regressam ao mundo, os deuses da discórdia, medo e terror, e combinam a sua essência com a dos piores supervilões de Gotham City, Joker, Espantalho e Hera Venenosa. Batman irá nesta história necessitar de toda a ajuda da Mulher-Maravilha para os derrotar, mas quando os deuses também conseguem possuir Batman, a Princesa Amazona descobre que mesmo a ajuda de outros protectores de Gotham, como o Asa Nocturna e o Robin, bem como da sua própria protegida, Donna Troy, a Wonder Girl, podem não ser suficientes para acabar com o reinado maligno dos deuses do submundo. 

Sabias que:
O conhecido logotipo da Mulher-Maravilha, com o duplo WW, foi criado em 1982 pelo famoso designer Milton Glaser, criador do icónico I ❤ NY. Não foi essa a única colaboração de Glaser com a DC, pois o designer foi também responsável pelo mais duradouro logotipo da DC Comics, conhecido.





Colecção Mulher-Maravilha Levoir/Público - 4.º volume: Homens e Deuses de George Pérez, Len Wein e Greg Potter



Existem momentos que valem a pena recordar e permanecer para sempre na memória. Um desses momentos foi aquele em que li, pela primeira vez, a Mulher-Maravilha de George Pérez - numa das saudosas revistinhas da Editora Abril. Foi a partir daí que o meu amor pela personagem começou, já lá vão 30 anos. Por isso, Diana continua a ser a minha favorita da BD.

Foi, portanto, com orgulho, honra e um outro indefinível e grande sentimento, que fui convidado para participar na colecção da Levoir/Público da Diana e a data de hoje é muito especial. 

Houve alguma falta de juízo a quem disse para eu escrever a introdução do volume que sai hoje, o dedicado a essas histórias e a esse autor que tanto marcaram o meu percurso na BD - e na vida, não o vou diminuir. Desculpam a falta de modéstia, mas este é um momento particularmente especial.

Contudo, o que interessa mesmo é vocês também se apaixonarem pela Diana de George Pérez. Espero que o consigam mas, se não conseguirem, não se apoquentem: tudo a seu tempo.

E agora o press-release da Levoir.

O volume de Mulher-Maravilha: Homens e Deuses é o terceiro da colecção e sai em banca a 15 de Junho, por mais 11,90€ com o jornal Público e na FNAC.


Na mítica ilha de Temiscira, uma orgulhosa e feroz raça guerreira de amazonas criou uma filha de beleza, graça e força inauditas – a princesa Diana, também conhecida como Mulher-Maravilha. Quando um piloto de caça do Exército, Steve Trevor, pára na ilha, a rebelde e obstinada Diana desafia a lei das amazonas ao acompanhar Trevor de volta à civilização. Enquanto isso, Ares (o deus da guerra) escapou de sua prisão nas mãos das Amazonas e decidiu exigir a sua vingança: uma guerra mundial que não só durará séculos como acabará com todos os seres vivos do planeta! Cabe à Princesa Diana salvar seu povo e o mundo, usando os seus poderes para provar que merece o nome de Mulher-Maravilha. O início da épica e incontornável remodelação da Mulher-Maravilha, levada a cabo por George Pérez na sequência das alterações no Universo DC provocadas pela saga Crise nas Terras Infinitas.





Mulher-Maravilha de Lauren Montgomery: Edição Comemorativa

Pode encontrar-se nas lojas em Portugal este DVD, uma re-edição comemorativa da animação produzida em 2009 pela DC e protagonizada por Diana, Princesa de Themyscira, a Mulher-Maravilha. Obviamente que o propósito é capitalizar no filme live-action que passa nas salas do cinema, e constitui uma diferente interpretação do mito que, em termos filosóficos, permanece fiel aos princípios inerentes do mundo de Diana.

O filme segue o enredo criado por William Moulton Marston, o criador da Mulher-Maravilha, mas com algumas modificações para melhor alicerçá-lo na narrativa de um filme animado de uma hora e um quarto e também no mundo moderno. As Amazonas são vistas como guerreiras eficientes que lutaram, na Antiguidade Clássica, para libertarem-se do jugo e escravidão a que estiveram impostas pelo Deus da Guerra, Ares. É ele o antagonista desta narrativa, servindo como motor e propósito das Amazonas e de Diana. Surge ainda Steve Trevor, o homem que despenha-se na Ilha de Themyscira (o lar das Amazonas) e é ele que enceta o desejo, junto com Ares, de Diana abandonar o seu lar. 

Este filme não é para crianças, ainda que esteja marcado para Maiores de 6 Anos e vendido na secção infantil de DVD's (da FNAC, por exemplo). Os temas, a violência e modo de contar a história, são menos infantis do que se poderia esperar e, assumidamente, não é aconselhável a crianças impressionáveis (estamos muito longe de Frozen e de produtos do género). Ainda assim, é um filme que pode (e deve) ser apreciado pela maior parte da família, com momentos que oscilam entre a acção e o humor e com uma mensagem feminista sublinhada (tão importante ao mito da Diana). A história apresenta algumas falhas e a interpretação de Diana não é a minha favorita, mas esta possui peso o suficiente para suportar a narrativa. Esta versão da Mulher-Maravilha não tem a ver com os olhos inocentes com que Patty Jenkins e Gal Gadot a desenharam no filme live-action (e inspirado em George Pérez, o escritor/desenhador que reformulou a personagem em 1987).

Uma das forças deste DVD são os extras. Poderemos ver uma elucidativa biografia do seu criador (que, ainda assim, escapa-se a abordar temas mais lascivos), vários criadores a falar (alguns, de forma muito emotiva) sobre o que faz esta personagem respirar e ser o ícone que é, entre outros momentos que ilustram de forma clara o significado de Diana no contexto da Banda Desenhada, da História e da sua relevância enquanto símbolo.

Um DVD para perceber quem é a Mulher-Maravilha enquanto mito e enquanto personagem de ficção.

Colecção Mulher-Maravilha Levoir/Público - 3.º volume: Hiketeia de Greg Rucka e J. G. Jones


Sai hoje, dia 8 de Junho, o terceiro volume da colecção da Levoir/Público dedicada ao maior personagem da BD: Diana, Princesa de Themyscira, filha de Hipólita, a Mulher-Maravilha. Este reproduz a primeira história que Greg Rucka, confesso apaixonado pela personagem, fez para Diana, auxiliado pelos desenhos de J. G. Jones.

Este volume, tem, para o Acho que Acho, outro motivo de orgulho. Ajudamos a fazer a cronologia da personagem que foi incluída num caderno inédito nestas colecções. Houve quem achasse que a Diana merecia e ficamos felizes por contribuir.

Para além disso (e muito mais importante), João Miguel Lameiras do Blog Por Um Punhado de Imagens, faz uma deliciosa introdução ao livro

Sinopse
A Mulher-Maravilha aceita tomar sob sua protecção uma jovem humana, Danielle Wellys, de acordo com a Hiketeia, um antigo ritual consagrado pelos deuses, e terá de a proteger contra todos os que a perseguem, mesmo contra o Batman, que a quer prender por assassinato e, como sempre, não está disposto a deixar escapar a sua presa, mesmo que isso implique defrontar a sua amiga e companheira da Liga da Justiça.

Toca a comprar!

Wonder Woman de Patty Jenkins (Mulher-Maravilha)


(não contém spoilers)

Já o disse várias vezes neste blog mas, porque acredito que muitos não querem saber da opinião de alguém perdido nas teias da net, volto a dizê-lo: Diana, princesa de Themyscira, a Mulher-Maravilha, é a minha personagem favorita de Banda Desenhada e (lá está o exagero) da Literatura. Se, por um lado, conheço-a relativamente bem, por outro sou bastante tendencioso. Se isto não vos faz confusão, por favor continuem.

Dizer que esperava por este filme há algum tempo é um eufemismo. Será desde há 30 anos, desde que li, pela primeira vez, o trabalho do escritor/desenhista George Pérez (que em breve poderão ler em português na colecção da Mulher-Maravilha da Levoir, que sai junto com o jornal Público às quintas)? Será desde que soube da escolha de Gal Gadot para o papel de Diana? Será desde por volta de 1980, quando li Super-Homem vs Mulher-Maravilha de Gerry Conway e José Luis Garcia-Lopez? Não interessa. Esperava com ansiedade.

Gadot já se tinha estreado na pele de Diana, mas é a primeira vez que protagoniza um filme, aliás também o primeiro exclusivamente dedicado à Mulher-Maravilha (76 anos depois da personagem ter sido criada). Antes tinha-mo-la visto no excelente (mas muito criticado) Batman v Superman e fora um dos seus maiores atractivos. O tempo de ecrã era pouco, as falas ainda menos mas o entusiasmo gerado (para fãs e, acredito, não só) tinha sido grande. Um ano depois, aparece este que, cronologicamente, ocorre muito antes de BvS. Aliás, uma das maiores "mudanças" (já explico as aspas) em relação às histórias da BD é que, no Cinema, Diana chega ao Mundo Patriarcal (nome pelo qual o seu povo, as Amazonas, nos conhece)  durante a Primeira Guerra Mundial (na BD varia mas, originalmente, era na 2.ª Grande Guerra). A razão, contudo, é maravilhosa (perdoem-me o trocadilho).

Qual o veredicto? Será que está perto da perfeição? Sim, está quase (a vontade que tenho é de escrever que é perfeito mas vocês não vão acreditar em mim).

Diana, neste filme e tal como contado pelo seu criador, William Moulton Marston, nasceu numa ilha chamada Themyscira (só depois do trabalho de Pérez adquiriu este nome), habitada pelas Amazonas da mitologia grega. Esta ilha encontra-se isolada do mundo e a Princesa vive uma vida de treino guerreiro intensivo mas protegida. Um dia, um avião despenha-se nas costas da sua ilha natal e nele viaja um homem, Steve Trevor. Steve é soldado e o mundo encontra-se em guerra. Numa sequência de eventos (que não importa relatar para não estragar a surpresa) Diana acaba por viajar junto com Trevor para Londres e para a frente da batalha da Primeira Grande Guerra.

Gal Gadot é Diana. Zack Snyder deve ser felicitado (e quem o ajudou), já que uma escolha que poderia ser considerada estranha, porque falamos de uma relativa desconhecida, acaba por ser perfeita. A actriz israelita encarna todos os momentos emotivos e físicos necessários para fazer-nos crer na Diana, na sua missão, na sua inocência, na sua força e na sua filosofia. Esta Mulher-Maravilha (que nunca assume o epíteto no filme) é um fenómeno da natureza, um bastião de esperança num campo de desespero. Em palavras mais claras, ela é uma boa pessoa num mundo onde faltam boas pessoas. Pessoas sem maldade, sem ironias, sem cinismos, pessoas opostas aos derrubados pelas próprias derrotas e por injustiças. É esta a Diana que entra no mundo patriarcal e que irá conhecer o caminho da guerra.

Uma das outras forças do filme é a maturidade da relação entre Diana e Steve Trevor, uma raridade em filmes de super-heróis (principalmente os da Marvel/Disney). Não só a dinâmica e sintonia emocional entre os dois actores é forte, como a troca de diálogos entre ambos é cativante. Chris Pine encarna um perfeito contraponto ao idealismo contagiante de Diana, sublinhado-o e fornecendo um necessário apego à realidade.

Themyscira é um paraíso onde queremos viver e as Amazonas guerreiras que queremos que estejam ao nosso lado. A Grande Guerra é vista em alguma da sua tenebrosa magnitude mas Diana funciona como um analgésico à mesma, sem desmerecer os sacrifícios e as atrocidades. Os vilões são, como já é apanágio na DC, uma das forças do filme ao invés de um detrimento. Gostaria de tecer mais considerações em relação a eles (e mesmo um reparo ou outro) mas terei de me conter para não vos estragar o prazer de os ver. Poderia ainda falar das várias modificações à mitologia da personagem, mas não vale a pena. Poderei, contudo, dizer que escolher a Primeira Grande Guerra como o momento em que Diana aparece no nosso mundo é perfeito e uma jogada que, em termos de História e história, faz todo o sentido. Esta mudança ao cânone não é descabida. É aplaudida.

Poderia continuar mas já vou longo no discurso. Foram anos à espera deste filme. Anos à espera de ver a Diana no grande ecrã. Valeu a espera mas, ao mesmo tempo, partilho da opinião de Hipólita, mãe da Mulher-Maravilha: vivemos num mundo que não a merece. Obrigado Patty Jenkins, Gal Gadot, Chris Pine e DC Comics. Obrigado William Moulton Marston, George Pérez, Phil Jimenez, Greg Rucka, Brian Azzarello. Obrigado por nos darem uma personagem luminosa. Vamos fazer por merecê-la.

Visão do paraíso, Wonder Woman Earth One de Grant Morrison e Yannick Paquette

Não é surpresa para ninguém que lê este blog que uma das minhas personagens favoritas de toda a Banda Desenhada e mesmo da Literatura é a Diana de Themyscira, mais conhecida por todos como a Mulher-Maravilha, a mítica super-heroína da editora DC Comics, parte da santíssima trindade da BD dos EUA (os outros são Super-Homem e Batman, para quem ainda não sabe). Este longo amor começou em 1987 quando, na revista da editora brasileira Abril, Super-Homem n.º 39, era publicado o primeiro capítulo da história de George Pérez e Greg Potter que iria para sempre modificar a maior e melhor das heroínas. Com altos e baixos ao longo de 30 anos, este personagem tem permanecido no cume da minha preferência. 

Grant Morrison, escritor de origem escocesa, foi responsável pelas histórias que considero um dos pináculos do que a mitologia dos super-heróis, quando desregrada, quando deixada ao abandono da imaginação, é capaz: JLA. 

Yannick Paquette é um desenhista que, por acaso, já trabalhou com a Mulher-Maravilha no passado, e que recentemente tem desabrochado como um artesão da BD ao nível de pessoas que admiro como J.H. Williams III. 

Juntar estes três numa única história escusado será dizer que era mais que um sonho molhado. Era um oceano de expectativa. Que não foi de modo algum defraudada.

A versão de Diana que tem vingado na BD nos últimos anos, segundo Morrison, não é aquela que acha ser a versão moldada pelo criador da personagem, William Moulton Marston. Os artistas Azzarello e Chiang recentemente escreveram uma mulher guerreira capaz de exigir a paz sob o punho cerrado no cabo de uma espada. Essa versão passou, inclusive, para o grande ecrã e para o corpo da excelente Gal Gadot. Mas Marston sempre escreveu a sua Mulher-Maravilha como o apogeu do sexo feminino, não só na sua figura mas, acima de tudo, na capacidade de pacificação do mundo patriarcal (o do homem), bélico, beligerante e devassado por urgências violentas. Marston era um homem moldado por mulheres do início do século XX que foram parte participante e criadora do movimento sufragista nos EUA.  Inclusive casou com duas delas, com quem viveu num relação bígama consentida por todas as partes (sobre a vida de Marston e das suas mulheres queiram perder tempo neste longo e maravilhoso artigo). Era, portanto, a pessoa ideal para ser o criador de uma super-heroína num mundo literário que começava já a ser dominado pela testosterona. Infelizmente, morreu cedo (1947), e a sua Mulher-Maravilha depressa seria relegada para o plano de uma dedicada dona de casa e de secretária dos outros super-heróis (todos eles homens, claro). 

Morrison quis repescar esta criação original e deu-nos uma interpretação de Diana que, ao mesmo tempo, deve ao seu arquétipo original e reveste-o de novas pulsações, deste nosso mundo novo onde a mulher não é mais a figura de segundo plano que o homem a tinha forçado a ocupar. Diana é símbolo disso mas também de muito mais, neste maravilhosa história de Morrison e Paquette. Ela é também símbolo de união entre estes universos tão dispares e profundamente separados, o da masculinidade e da feminilidade. Pela força de carácter que demonstra e pelo seu nascimento, ela é uma força da natureza, um tufão que não pode sequer ser represado pelo paraíso (onde vive). Para Diana, a perfeição de 3000 anos de vida idílica não é suficiente, isto quando o sangue pulsa e arde pelo mundo de fora, esse ainda um poço de imperfeições, guerra e escravidão. A Mulher-Maravilha de Morrison está perto da perfeição. Ela é um olhar ainda inocente num mundo novo tão diferente do seu. Contudo, não se perde nele, antes o vergará à sua vontade, se preciso for.

Pelo que escrevo, devem ter percebido que adorei este Wonder Woman: Earth One e que mal posso esperar pelos dois capítulos que seguir-se-ão. Finalmente, não quero deixar de elogiar a decisão de assumir-se a bissexualidade das Amazonas e de Diana. Desde da década de 40 que já desconfiávamos. E também por transformar esta BD numa reflexão sobre a objectificação sexual e artística de que a Mulher tem sido alvo desde sempre e fazendo-o pela inversão dos papéis. Aplausos! A Mulher-Maravilha, símbolo da emancipação e culminar pop do movimento sufragista prova, pelas mãos de Morrison e Paquette, que é um arquétipo tão forte e (mais?) relevante que os seus companheiros da 9.ª Arte.