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Uma BD aqui, outra BD ali, 28 - Comics favoritos de 2018, parte 2

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei.  Não são nem melhor nem pior que outras coisas.



Também tinha de fazer uma lista dos comics que, mensalmente, número após número, mais me entusiasmam. Estes são aqueles que migram para o topo da pilha que chega todos os meses, religiosamente, da minha loja de BD. 

Não é, nem de longe nem de perto, uma tentativa de dizer que são os melhores. São aqueles que são escolhidos pelo meu gosto e pelas minhas manias e que, ainda assim, destacam-se de todos os restantes dessa pilha. Notem que há muito DC (nesta segunda parte há uma excepção), pela simples razão que é a editora que mais leio neste formato.

Hoje publicamos a segunda e última parte.

Uma BD aqui, outra BD ali, 27 - Comics favoritos de 2018, parte 1

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei.  Não são nem melhor nem pior que outras coisas.



Também tinha de fazer uma lista dos comics que, mensalmente, número após número, mais me entusiasmam. Estes são aqueles que migram para o topo da pilha que chega todos os meses, religiosamente, da minha loja de BD. 

Não é, nem de longe nem de perto, uma tentativa de dizer que são os melhores. São aqueles que são escolhidos pelo meu gosto e pelas minhas manias e que, ainda assim, destacam-se de todos os restantes dessa pilha. Notem que há muito DC (hoje é tudo da DC), pela simples razão que é a editora que mais leio neste formato.

Hoje publicamos a primeira parte.

BDs favoritas lidas em 2018


Esta não é uma lista do que de melhor se publicou na BD e pela primeira vez em 2018. É apenas do que, misturando gosto, sugestões e acaso, apareceu na minha prateleira e nas minhas mãos. São aqueles livros que são impossíveis eu não sugerir que os leiam. Não é garantia de que gostem, apenas de que eu gostei (e muito). 

Dans Mes Yeux de Bastien Vivès - Casterman

Depois do surpreendente Uma Irmã, publicado em português de Portugal pela Levoir, a vontade de investigar outras leituras de Bastien Vivès era muita. Já conhecíamos Last Man, um registo pop/manga do autor francês,  mas foi necessária a insistência de um amigo para folhear este Dans Mes Yeux, inédito nas nossas terras. Trata-se de uma experiência narrativa em formato BD, colocando o leitor nos olhos do protagonista, enquanto se apaixona por uma jovem mulher.

The Flintstones e Exit Stage Left: The Snaglepuss Chronicles de Mark Russel - DC Comics/Hanna Barbera


Quem dissesse que os Flintstones e um leão-de-montanha cor de rosa seriam duas das melhores BDs lidas este ano teria uma resposta: vai te f***r. Mas os rumores e as sugestões começaram, paulatinamente, a aparecer aqui e acolá, e a curiosidade por produtos pop reinventados através de um prisma adulto foi mais forte. Lá teve de se ler e (vejam bem) quem descrevia estas duas obras como "algo do melhor que já leram em 2018", ou outros hiperbolismos, não estava a exagerar. Tudo por causa do enorme talento do escritor Mark Russel e da coragem da DC Comics em reinventar produtos que pertencem ao catálogo da Hanna Barbera (HB), ambas detidas pela Warner Bros. Aliás, para os mais distraídos, a editora DC tem publicado histórias a solo de muitas das personagens da HB, bem como usado e abusado de crossovers com supers como Super-Homem, Mulher-Maravilha, Batman, Joker, Lex Luthor, etc.

Uma BD aqui, outra BD ali, 26 - Doomsday Clock 8 e Shazam 1

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei.  Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Doomsday Clock número 8 de Geoff Johns e Gary Frank (DC Comics)


Já passámos a marca do meio e Doomsday Clock continua a ser uma viagem que tem tudo para agradar a fãs - e não só. O número oito avança de forma significativa a narrativa, ao finalmente introduzir, de forma mais clara, um dos mais importantes intervenientes da mesma (não, não vos vou estragar revelando quem é). Depois do anúncio de que o dia 11 de Junho de 2019 será relevante para esta história e para o universo DC como um todo (provavelmente será publicado o número 11 de DClock), teríamos de, obrigatoriamente, ter avanços no enredo. Geoff Johns afasta-se um pouco do mundo dos Watchmen e entra decididamente no da DC, com o aparecimento de várias das suas mais emblemáticas personagens, despoletando um momento importante de consequências inesperadas. O escritor não só usa essas mesmas personagens como as faz interagir com indivíduos do nosso mundo muito real e importantes no panorama político internacional. Desta forma, atira a narrativa para a esfera do relevante e sério, sem perder um átomo do valor de entretenimento. 

Monster de Naoki Urasawa vols. 1 a 9 - Viz

Existe preconceito em relação ao Mangá, a Banda Desenhada japonesa. Advém, por exemplo, dos desenhos animados (Anime, na verdade) que víamos quando éramos crianças. "São aqueles dos bonecos que são todos iguais, os dos olhos grandes, não é?!" é uma pergunta repetida mais vezes do que seria desejável. Quem lê este tipo de BD sabe que, ao longo de mais de meio século de existência, criaram-se livros extraordinários. Um deles é este que aqui vos venho falar: Monster de Naoki Urasawa, publicado em nove volumes de capa mole, edição de luxo, pela editora dos EUA Viz.

5000 km por segundo de Manuele Fior - Devir

Um dos nossos livros de BD do ano já tem uns anos. Publicado em 2010, venceu vários prémios, inclusive o de Melhor Álbum Fauve d’Or no Festival de BD de Angoulême de 2011. Demorou a chegar a terras lusas com as palavras de Camões e de Pessoa, mas, como diz o ditado, mais vale tarde do que nunca. Esta aclamada obra veio ajudar a preencher um ano editorial que já tem dado algumas pérolas a todos os que são fãs da nona arte, mas, principalmente, aos que não são.

BD é Cinema e Documentário: Trilhos do Acaso de Paco Roca e Uma Irmã de Bastien Vivès - Levoir


Quero contar-vos um segredo: a BD não é só para crianças. Talvez um dia tenha sido. Talvez isso fosse apenas uma insistência do senso comum. Mas a BD tem de tudo, como a farmácia. Tem histórias para crianças. Tem histórias para pré-adolescentes. Tem histórias para adolescentes. E para adultos. E dentro desta já incrível panóplia, tem histórias de todos os géneros e feitios, cuja variedade é apenas limitada pelo artista, pelo mercado e pelo editor. Prova disso são estes dois extraordinários exemplos de como a BD, como arte, é capaz de atingir níveis de excelência que não a colocam num gueto intelectual, mas antes a atiram para dentro do ringue das grandes obras de Literatura mundial.

Wonder Woman Earth One vol. 2 de Grant Morrison e Yanick Paquette

Passaram-se dois anos desde a primeira parte da prometida trilogia escrita por Grant Morrison e desenhada por Yanick Paquette protagonizada por Diana, Princesa de Themyscira, a Mulher-Maravilha. Trata-se de uma nova interpretação da conhecida personagem da DC Comics, passada numa realidade paralela à linha normal da editora, com o objectivo de ser acessível ao público em geral, sem descurar uma visão autoral para leitores tendencialmente mais sofisticados. 

David Rubín - Beowulf, Hero e Sherlock Frankenstein


Nos últimos tempos, o nosso vizinho da Galiza, David Rubín, tem demonstrado uma certa e determinada ubiquidade  - ou então foram os nossos olhos que abriram-se para ele. Os seus desenhos têm estado presentes em obras em nome próprio publicadas deste e do outro lado do Atlântico, em colaborações com colegas de Espanha e em parceria com autores a trabalhar para os EUA. O seu estilo cartoonesco, dinâmico e cheio de velocidade narrativa é atraente, divertido e capaz de contar a história de forma fluída. É impossível não admirar a síntese da sua composição narrativa, misturada com cor e explosão de movimento. É uma forma comum a muitos artistas que fizeram a transição da animação para a Banda Desenhada e que prova que esta última é, antes de mais nada, não uma sequência de desenhos bonitos mas antes uma arte onde deve ser privilegiada o contar da história. A habilidade do artista em "partir a história" em quadradinhos pode ensinar-se - como tudo -,  mas existem aqueles que o fazem melhor que outros. David Rubín é um deles.

Uma BD aqui, outra BD ali, 24 - Batman

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! É um prazer que rezo para nunca acabar. De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei. Só isso: gostado. Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Batman (2016) números 51 a 53 de Tom King e Lee Weeks (DC Comics)


O Batman é das personagens da BD americana com um dos mais gloriosos historiais da 9.ª Arte e, quem sabe, de qualquer Literatura. Nela trabalharam alguns dos maiores desenhadores e escritores da Arte. Não deixa, portanto, de ser impressionante, que Tom King esteja a construir uma das melhores sequências da já longa carreira do Homem-Morcego. Começada em 2016 na alvorada do DC Rebirth (uma tentativa da editora de energizar a sua linha de publicações), King não tem parado de explorar o universo gótico da personagem, com uma aproximação que não se cola tanto aos eventos surpreendentes ou catastróficos (uma muleta tantas vezes utilizada por outros escritores), mas mais pela exploração do lado psicológico.

Injustice Gods Among Us: Year Three Complete Collection de Tom Taylor, Brian Buccelatto, Bruno Redondo e Mike S. Miller

Depois de mais de um ano sem visitar esta narrativa distópica do universo dos super-heróis da DC Comics, regressamos para ler os novos pesadelos de alto valor de entretenimento que os autores conseguiram sonhar. Para quem não sabe do que esta série trata, podem sempre ler as análises que fizemos aos anos um (aqui) e dois (aqui).

Uma BD aqui, outra BD ali, 22 - Batman

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! É um prazer que rezo para nunca acabar. De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei. Só isso: gostado. Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Batman (2016) números 48 a 50 de Tom King, Mikel Janin e outros (DC Comics)



Uma das críticas que mais se faz à literatura de super-heróis é a permanência do status quo. Quanto mais as coisas mudam, mais permanecem iguais - sim, eu citei O Leopardo. Essa critica talvez seja verdade no longo prazo, mas no curto e médio existem várias mudanças que acontecem e que permanecem. Por exemplo, o Super-Homem casou-se há mais de duas décadas com Lois Lane e o matrimónio mantem-se. Têm um filho em comum desde há dois anos e, até agora, essa realidade permanece. Isto apenas para falar de um dos maiores ícones da BD dos EUA. O outro é aquele que vos traz este post: o Batman, que, desde há um ano, pediu em casamento uma das suas maiores adversárias/amigas, a Mulher-Gato.

Uma BD aqui, outra BD ali, 21 - Liga da Justiça

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! É um prazer que rezo para nunca acabar. De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei. Só isso: gostado. Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Justice League (2018) número 1 de Scott Snyder e Jim Cheung (DC Comics)

Os super-heróis são uma novela interminável. Uma história que nunca acaba verdadeiramente. É algo que faz parte da mitologia e que funciona a seu favor e contra. Os artistas que trabalham neles têm que lidar com esta realidade - que se tem agravado nos últimos tempos. Quer a DC, quer a Marvel, para estimular as vendas, perpetuam essa novela, aliciando a próxima história no final de outra. É um ciclo autofágico que, por vezes, tem bons resultados e, por outras, não. Tudo depende da qualidade  da história e do talento dos artistas.

Uma BD aqui, outra BD ali, 19

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! É um prazer que rezo para nunca acabar. De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei. Só isso: gostado. Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

The Terrifics número 4 de Jeff Lemire e Evan "Doc" Shaner (DC Comics)

O conceito por detrás deste The Terrifics é familiar para os fãs de BD. São uma muito pouco discreta homenagem (ou plágio, ou cópia) do Quarteto Fantástico da Marvel.

Uma BD aqui, outra BD ali, 18

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! É um prazer que rezo para nunca acabar. De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei. Só isso: gostado. Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Doomsday Clock número 5 de Geoff Johns e Gary Frank (DC Comics)

Doomsday Clock pretende ser a continuação dos Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons. Ainda não chegamos a metade dos 12 números planeados e qualquer tipo de julgamento é apressado.

Uma BD aqui, outra BD ali, 16

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Amazing Spider-Man número 799 de Dan Slott e Stuart Immonen (Marvel)

O caminho inexorável para mais um histórico número do Homem-Aranha continua. Dan Slott, que escreve a personagem há 10 anos, está na recta final deste seu canto do cisne, Go Down Swinging. Neste (e a partir de aqui há spoilers), Peter Parker enfrenta o seu maior adversário, Norman Osborn, o Duende Verde. Esta é uma inimizade antiga, que já deu fruto a enormes tragédias, a maior das quais a morte de uma das namoradas do herói. O conflito tem sido explorado até às últimas consequências, ou assim o pensávamos.  Slott concebeu uma nova perspectiva ao aumentar o já significativo nível de ameaça que Osborn representa. O escritor fundiu-o a um outro vilão, o alienígena Carnage, um parasita de forma viscosa e tendências (ultra) psicopatas. Assim nasceu Red Goblin, cem vezes mais louco que o Duende Verde e 1000 vezes mais mortífero. Uma máquina de matar sem remorsos e perto do imbatível.

O nível de perigo foi apropriadamente aumentado para níveis ridículos. O vilão é invencível e maníaco, sabe a identidade secreta do nosso herói e a combinação destes dois factos só pode significar uma gigantesca dor de cabeça para o Homem-Aranha, que terá de fazer das tripas coração para salvar os seus e a própria pele. 

Como já o disse nesta rubrica, Slott está a recuperar de um certo e determinado arrufo que havia provocado com alguns fãs. O Homem-Aranha de Go Down Swinging é O Homem-Aranha. Colocado numa situação desesperada, Peter Parker evoca todas os seus recursos, não só como super-herói mas também como cientista e indivíduo. Ao mesmo tempo, o vilão, mais poderoso fisicamente, é uma espada de Damocles prestes a cair no mundo pessoal do herói, evocando tragédias passadas e preparando os leitores para uma possível nova. Sinceramente, não se deveria pedir muito mais de uma história do Aranhiço.

Action Comics número 1000 de vários (DC Comics)

Oitenta. É este o número de anos que acumularam-se desde que o Super-Homem viu, pela primeira vez, a luz do dia em 1938. É ele o arquétipo-base de todo um estilo literário. É ele o molde do qual nasceram todos os outros. Até o Batman

Ontem, a revista que o viu nascer atingiu o histórico número 1000, a primeira de toda a BD americana a chegar a esse histórico marco. Um momento tão importante teria de ser aproveitado de forma exemplar e única. Foram vários os artistas convidados para criar pequenas homenagens ao maior de todos os super-heróis. Todos trouxeram o melhor das suas habilidades para produzir pequenos elogios ao Homem de Aço. Como não poderia deixar de ser, o produto final depende da inspiração e do talento.

Tom King destaca-se. O escritor de títulos lendários como Batman, Mr. Miracle ou Vision consegue, uma vez mais, retirar da cartola um sentido e emocional elogio, desta vez ao Super-Homem. Coloca-o no futuro longínquo, nos últimos dias da Terra, para que deseje um último adeus a quem deu-lhe tudo o que ele é. King percebe, nestas simples cinco páginas tudo o que faz esta personagem: um homem, apenas um homem, com os poderes de um deus. 

Outros conseguem obras também relevantes, como a já costumeira parelha Tomasi/Gleason, que transportam o nosso herói para múltiplas evoluções de si mesmo. Ou Scott Snyder e Rafael Albuquerque, que escolhem focar-se na inimizade com Lex Luthor, o seu maior adversário. Também Paul Dini e o maravilhoso José Luis Garcia-Lopez fazem uma homenagem através de um outro dos vilões históricos do Super, ao ponto de parecer estarmos a ler uma história escrita por Alan Moore. Meltzer e Cassaday são parcimoniosos, e abordam os incríveis poderes desta personagem maior que a vida. 

Muitos outros juntaram-se à festa, mas, antes de terminar, terei de destacar a inauguração da sequência de histórias de Brian Michael Bendis, que aqui é acompanhado por Jim Lee no desenho. Bendis é quem escreverá o Homem de Aço no futuro próximo e a DC tem feito bastante questão de o publicitar aos quatro ventos. É ainda cedo para qualquer julgamento, nem que seja porque muito pouco é esclarecido. A descompressão e diálogos típicos do escritor estão lá e, claro, uma revelação bombástica (que de bombástico tem muito pouco porque já tinha sido revelada na net). Os fãs do Super-Homem querem que continue a ser o que ele foi neste últimos 80 anos. Seja bem-vindo Sr. Bendis e que nos dê o que de melhor o Homem de Aço é capaz. 

Rapidinhas de BD - Astro City vol. 14 e Thor By Jason Aaron & Russell Dauterman Vol. 2

A parceira de Kurt Busiek, Brent Anderson e Alex Ross na série Astro City dura há 20 anos, sem sinais de abrandar na qualidade e produtividade. Começaram na editora Image e na label de Jim Lee, a Wildstorm, mas desde então passaram para a DC Comics, quando esta adquiriu a primeira. Ultimamente têm sido publicados debaixo do selo da lendária Vertigo, ainda que a temática e a abordagem nada tenham a ver com a inclinação sobrenatural e com o terror sofisticado que classificaram esta durante mais de duas décadas.

Astro City é um mundo de super-heróis inteiramente concebido pelos autores, com o propósito de comentário meta-textual ao original da Marvel e da DC. Por outro lado, procuram a perspectiva do man on the street, do comum mortal, ainda que essa visão seja menos presente nos volumes mais recentes. Agora também procuram outros pontos de vista, desde vilões a seres extra-terrestres, passando, claro, pelos heróis propriamente ditos. Interessa aos autores a visão sobre eventos que são lugar comum na mitologia dos super-heróis. Kurt Busiek, o escritor, é um assumido geek destes universos e faz bom uso dessa inclinação, ao explorar de forma inventiva cada pormenor que passaria de outra forma despercebido nas histórias das duas grandes.

Neste 14.º volume não abranda este olhar clínico e inventivo, ao focar-se em seres que ajudam um ditador extra-dimensional na batalha contra análogos do Quarteto Fantástico, num casal de ex-vilões, agora com uma relação mais saudável com a Lei, e no também análogo do Super-Homem - esta última como comemoração dos 20 anos de publicação. Todas estas histórias enriquecem de forma independente a rica tapeçaria deste mundo criado do zero, que continua a ser uma das mais cativantes visitas a universos de fantasia. 

Entretanto, os autores já noticiaram a desistência da publicação mensal clássica para focarem-se em livros de contagem de páginas mais extensas ao estilo europeu.

A Marvel, do ponto de vista criativo, não anda a ter os seus melhores dias. Ainda assim, existem equipas que seguem a nobre tradição de clássicos como Lee/Kirby, Lee/Ditko, Claremont/Byrne, Simonson, etc. Jason Aaron no Thor é uma delas. Primeiro trabalhou com Esad Ribic e agora com Russell Dauterman, para produzir aquela que considero a mais interessante publicação mensal desta editora. Parece que a Marvel sabe disso e tem lançado estas edições formato grande a que chama Deluxe e que coleccionam, em média, cerca de 12 números da revista mensal. Valem a pena o preço e a (longa) espera entre volumes. É neste formato que as aventuras mitológicas da agora versão feminina do Deus do Trovão devem ser apreciadas. Num palco cósmico de grandiosidade épica.

Aaron mistura o mundo empresarial do mundo real com a mitologia Viking para criar ameaças ao mesmo tempo credíveis e fantasiosas. Concebe diálogos ricos que desenvolvem as personalidades dos protagonistas e que avançam a narrativa de forma sempre entretida. Constrói personalidades que vão para lá dos estereótipos e da bidimensionalidade a que estávamos habituados ao longo de décadas no Thor da Marvel (não sempre, claro, mas de forma recorrente). Acima de tudo, cria uma leitura que não conseguimos largar de tão entusiasmante que é. O único defeito que aponto é a velocidade com que queremos ler já o próximo volume - e nem noticia de para quando o seu lançamento.

Entretanto, a G.Floy publicou o volume que se segue ao lançado há uns anos pela Panini (infelizmente, os portugueses nunca verão a conclusão do Chacinador de Deuses) e a Goody irá, em breve, começar a fase da Thor versão feminina. 

Uma BD aqui, outra BD ali, 10

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Brave And The Bold Batman And Wonder Woman número 1 de Liam Sharp (DC Comics)

Liam Sharp foi o desenhista responsável por metade das histórias mais recentes que Greg Rucka escreveu para a Mulher-Maravilha. Veterano do lápis e tinta da china (perdoem a minha ignorância no mundo do desenho), decide tentar a sua sorte (não sei se pela primeira vez) na arte da escrita. A DC Comics tem recentemente arriscado mini-séries com Diana como co-protagonista. Uma primeira junto com o conhecido Conan, O Bárbaro (comprem, porque vale a pena) e agora com o ainda mais conhecido Batman, o seu companheiro de armas na Liga da Justiça

No que respeita à escrita, Liam vai soberbo, conseguindo equilíbrio entre a exposição necessária para trazer o leitor para dentro do mundo fantástico do Folclore Irlandês (peça central da história), e momentos mais intimistas, principalmente com a super-heroína. Para quem leu a sua colaboração com Rucka, este primeiro número representa uma pequena recompensa. A primeira cena com Diana é poderosa a reveladora do amor do desenhista à personagem mas também da imagem que ela representa dentro do mundo fictício da DC. O Batman aparece parcimoniosamente, mas o suficiente para revelar o controlo que Sharp tem sobre a sua personalidade. 

Finalmente, no que respeita à arte, o autor excede-se, entregando uma BD francamente bela e bem estruturada. O seu traço é particularmente apropriado ao mundo de Fadas da mitologia irlandesa e cada página merece ser um poster - mas sem perder um átomo do storytelling. A continuar assim teremos em mãos uma das minhas BDs favoritas do ano (e não só porque tem a Diana como co-protagonista). Já agora, Sharp continua a desenhar uma das mais expressivas e bonitas interpretações de Diana, ao ponto de eu, como fã, ter dificuldade em não a considerar como uma favorita (ao lado da de George Pèrez). 

Defenders (2017) número 10 de Brian Michael Bendis e David Marquez (Marvel)


Chega ao fim a Era Bendis da Marvel. Depois de 17 anos de uma produção polémica mas profícua, um dos mais importantes escritores a trabalhar na auto-professa Casa das Ideias muda-se para a Distinta Concorrência (DC, para os que não estão dentro destes acrónimos). Ficou conhecido pelo trabalho em várias personagens, mas em nenhuma mais do que nos conhecidos como street-level heroes. O Demolidor. Luke Cage. Jessica Jones (que co-criou). Homem-Aranha. É, portanto, apropriado, que termine com este Defenders, que reúne na mesma equipa os três primeiros mais o Punho de Ferro (que escreveu nos Vingadores). E, mais ainda, junto com o desenhista David Marquez, com quem tinha previamente trabalhado em Miles Morales e em Civil War II.

Como já referi em posts anteriores, Bendis não poderia acabar a sua prestação na Marvel de melhor forma. Defenders é das obras mais conseguidas do autor, ombreando com trabalhos como o Demolidor (talvez o seu ponto alto), Ultimate Spider-Man e New Avengers (os meus três favoritos). Parece que Bendis tirou da cartola mais um conjunto de ferramentas de storytelling para impressionar os detractores e os fãs. "Eu ainda sou capaz de vos surpreender pela qualidade, estão a ver?!". Quem gosta do seu trabalho, apesar de saber que ele ainda tinha muito para dar, não esperava que a qualidade da sua escrita ainda pudesse brilhar tanto, mesmo empregando muitos dos seus cartões de visita: a verborreia; os plot-twists; a reinterpretação de velhos vilões e de antigos heróis; o baralhar de geografias e conceitos do universo da Marvel. Bendis brilha em cada página e em cada frase destes 10 números dos  Defenders 2017, defendendo o seu legado sem egoísmos, dizendo um sentido adeus e deixando a página aberta aos que se seguem. 

Mas nenhum elogio aos Defenders pode estar completo sem falar de David Marquez, um dos seus recentes colaboradores e que nestes 10 números brilhou como nunca. Cada rosto é único, cada cena de acção coreografada de forma belíssima, cada enquadramento apropriado.

Bendis diz adeus e eu sigo-o para o Super-Homem. Até mais logo, Marvel.