Mostrar mensagens com a etiqueta Tom King. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Tom King. Mostrar todas as mensagens

O que vou lendo! - Superman, Up In The Sky de Tom King e Andy Kubert


Tom King é um dos escritores do momento na BD de super-heróis e não só. A sua sequência na revista homónima do Batman é uma das melhores da História da personagem (e da revista). O trabalho que fez para o Visão da Marvel (do qual foi publicado apenas metade em Portugal) é adulto e sofisticado. O seu Mr. Miracle para a DC interpreta os Novos Deuses de Jack Kirby de forma moderna e humana. Isto para não falar do Xerife da Babilónia (publicado pela Levoir), Omega Men, Grayson e mesmo o menos querido Heroes in Crisis (talvez o maior passo em falso). Para alguém que entrou há tão pouco tempo na BD (é ex-agente da CIA), o trabalho exibido é de uma qualidade muito acima da média. Ser ele a escrever uma história do Super-Homem é sempre algo que cria alguma expectativa. Trata-se, a bem ver, de uma das maiores figuras da cultura pop dos EUA e do mundo, com 80 anos, explorados ao milímetro por algumas das maiores mentes criativas da arte. 

E como se sai King?


Tenho participado de uma brincadeira no Facebook: enumerar uma BD por dia até 2020. Começou há alguns meses, e agora dou-me ao trabalho de aqui a reproduzir. Mostro, hoje, as escolhas desta semana, com link na imagem para o texto que escrevi sobre o livro, ou um nhónhózinho, caso ainda não tenha falado dele.

Esta semana acabamos a miscelânea de obras e passamos para, até dia 18 de Novembro, histórias do Renascimento da DC que acho (que acho) valerem a pena. 

Uma BD aqui, outra BD ali, 25 - Universo DC



Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei.  Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Doomsday Clock número 7 de Geoff Johns e Gary Frank,
Batman Damned número 1 de Brian Azzarello e Lee Bermejo e
Heroes in Crisis número 1  de Tom King e Clay Mann

(com alguns spoilers)

É-me difícil ser imparcial. Desde há mais de 30 anos que a DC Comics e as suas personagens são as minhas favoritas da BD. Nesse tempo, existiram altos e baixos. O final da década de 80, princípios da de 90 e algum do início do século XXI foram anos de muitos prazeres. Depois, estes foram diminuindo gradualmente até atingir o ponto mais baixo, sempre com excepções, por volta de 2016. Mas em meados desse ano, surge o selo DC Rebirth, onde a editora inicia um lento plano de recuperação do lustro que muito de nós sabiam existir. Os três títulos dos quais venho falar são belíssimos exemplos deste renascimento.

Uma BD aqui, outra BD ali, 24 - Batman

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! É um prazer que rezo para nunca acabar. De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei. Só isso: gostado. Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Batman (2016) números 51 a 53 de Tom King e Lee Weeks (DC Comics)


O Batman é das personagens da BD americana com um dos mais gloriosos historiais da 9.ª Arte e, quem sabe, de qualquer Literatura. Nela trabalharam alguns dos maiores desenhadores e escritores da Arte. Não deixa, portanto, de ser impressionante, que Tom King esteja a construir uma das melhores sequências da já longa carreira do Homem-Morcego. Começada em 2016 na alvorada do DC Rebirth (uma tentativa da editora de energizar a sua linha de publicações), King não tem parado de explorar o universo gótico da personagem, com uma aproximação que não se cola tanto aos eventos surpreendentes ou catastróficos (uma muleta tantas vezes utilizada por outros escritores), mas mais pela exploração do lado psicológico.

Uma BD aqui, outra BD ali, 22 - Batman

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! É um prazer que rezo para nunca acabar. De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei. Só isso: gostado. Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Batman (2016) números 48 a 50 de Tom King, Mikel Janin e outros (DC Comics)



Uma das críticas que mais se faz à literatura de super-heróis é a permanência do status quo. Quanto mais as coisas mudam, mais permanecem iguais - sim, eu citei O Leopardo. Essa critica talvez seja verdade no longo prazo, mas no curto e médio existem várias mudanças que acontecem e que permanecem. Por exemplo, o Super-Homem casou-se há mais de duas décadas com Lois Lane e o matrimónio mantem-se. Têm um filho em comum desde há dois anos e, até agora, essa realidade permanece. Isto apenas para falar de um dos maiores ícones da BD dos EUA. O outro é aquele que vos traz este post: o Batman, que, desde há um ano, pediu em casamento uma das suas maiores adversárias/amigas, a Mulher-Gato.

Uma BD aqui, outra BD ali, 11

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

The Terrifics número 1 de Jeff Lemire e Ivan Reis (DC Comics)


Sempre tive dificuldade em perceber porque é que o Quarteto Fantástico da Marvel tem problemas em afirmar-se nos tempos modernos. Porque é que tem problemas para encontrar uma equipa criativa estimulante. Será porque os associamos de tal forma aos autores originais, Stan Lee e Jack Kirby, e à sua lendária sequência de histórias, que todos os outros ficam aquém em comparação? No que a mim diz respeito, John Byrne, na década de 80, conseguiu replicar o trabalho desses dois génios da BD, mas e os outros? Que dificuldades existem para que um dos conceitos mais originais da 9.ª Arte, mais estimulantes e multifacetados, tão próximo das infinitas possibilidades desta Arte, para que esse conceito falhasse ao ponto de não termos uma revista mensal há quase dois anos?

A DC Comics, em jeito de provocação, decide preencher esse vácuo com os Terrifics, uma equipa construída sob o mesmo conceito: exploradores do desconhecido compostos por um génio, um homem elástico, um homem-forte de aspecto monstruoso e coração puro e uma mulher intangível (uma variação de invisível). Na sequência da ainda incompleta série Dark Knight Metal surge esta nova equipa de super-heróis, com o objectivo de explorar os cantos desconhecidos do Multiverso e do Multiverso Negro, fazendo-se valer de tecnologia fantástica e de personagens maiores que a vida com olhar curioso. Este primeiro número segue o espírito do Quarteto Fantástico, com apontamentos de homenagem a essa equipa - um quadrado de duas páginas faz lembrar uma amálgama de Galactus e da história de Ego, O Planeta Vivo escrita e desenhada por John Byrne; o portal para o Multiverso Negro lembra a entrada para a Zona Negativa.

Quer Lemire, quer Reis, estão ao seu mais alto nível, especialmente este último. O brasileiro continua a afirmar-se como um dos mais cativantes desenhadores a trabalhar nos super-heróis. Se há um apontamento negativo a fazer a este número é que sabemos que Reis apenas trabalhará nos três primeiros meses desta revista - segue para o Super-Homem de Bendis. Fora isso, Terrifics é perfeito.

Batman (2016) número 41 de Tom King e Mike Janin (DC Comics)


Quem diria que seria a Hera Venenosa a fazer o Batman duvidar de si mesmo. Tom King continua a sua aclamada sequência de histórias no Cavaleiro das Trevas, desta vez focado-se em mais um embate entre o herói e uma das suas mais antigas adversárias. Contudo, a vilã manipuladora de plantas e dos corações dos homens não é apenas mais um vilão du jour, afirmando-se, antes, como uma antagonista à escala global. Não mais uma piada sexista, a Hera cresce em estatuto de forma orgânica (hum... há uma piada aqui algures) e, ao mesmo tempo, prova que o Batman, apesar de estar sempre bem preparado, não o está para todas as eventualidades.

Tom King continua a escrever argumentos cativantes e únicos. O monólogo interno de Hera é o anzol que nos agarra e, ao mesmo tempo, é o comentário às cenas que se desenrolam - sabemos que é ela mas, ao mesmo tempo, a revelação final da sua aparição como vilã é uma surpresa: pela frieza; pelo poder; pela escala da ameaça. O escritor também prossegue o desenvolvimento da relação do Batman com a Mulher-Gato, procurando transpor a sua experiência pessoal para as vidas destas personagens (como também está a fazer com o essencial Mr. Miracle). Neste entrelaçar de aventura e relações pessoais, King tem se revelado um exímio contador de histórias.

A seu lado, volta a estar Mike Janin como desenhista. E que desenhista. Não só fotografa personagens com alma e carácter, como o faz de forma entusiasmante. A sua Hera é de uma terrível e temível beleza. 

Este é o primeiro capítulo de Everybody Loves Ivy. Mais uma vitória de King e de Janin. 

Rapidinhas de BD - Robôs também irão ser humanos: Vision e Battle Angel Alita: The Last Order vol. 1


(NOTA de blogger - Antes de mais nada, calma. Os puristas que se acalmem que eu sei que o Visão dos Vingadores da Marvel é um sintozóide e a Alita/Gally de Yukito Kishiro é uma ciborgue)

O que é ser humano? Esta pergunta parece fácil de responder. Para todos nós bastaria olhar para o espelho. Mas será suficiente? A Religião, a Filosofia, a Ciência e a Literatura todos os dias tentam responder. Elaborar e complexificar a resposta, a solução, a verdade. Mas ao virar da esquina está o advento da inteligência artificial (IA). O que acontecerá a partir daí? A resposta será assim tão menos complicada? Bastará continuar a olhar apenas para o espelho? Ou, seguindo a via cartesiana, bastará pensar para existir?

A Literatura primeiro e o Cinema depois têm sido profícuas em narrativas acerca de IA. Nomes como Isaac Asimov, Arthur C. Clarke, Stanislaw Lem, Philip K. Dick, Stanley Kubrick, Ridley Scott, Alex Garland, Denis Villeneuve, etc, têm explorado de forma inventiva e filosófica as implicações do aparecimento do pensamento robótico. Como não poderia deixar de ser, a Banda Desenhada tem seguido um caminho similar, que oscila entre o existencial e o entretenimento ou, ainda, uma mistura dos dois. Eis então que surgem estes dois exemplares: Vision de Tom King Gabriel Hernandez Walta e Battle Angel Alita: The Last Order Omnibus vol. 1 de Yukito Kishiro

Visão é um sintozóide criado na década de 60 por Roy Thomas e John Buscema, sendo, a início, antagonista dos Vingadores, que acaba por transformar-se, logo na primeira história, num dos seus mais relevantes membros. Muitas das narrativas à sua volta tinham a ver com a óbvia dualidade de ser uma forma de vida artificial com pensamentos (e sentimentos) muito humanos. Nesse balançar, vários autores encontraram ouro para minar, resultando em variadíssimas histórias, dentre as quais uma delas resultava no casamento da personagem com a Feiticeira Escarlate, humana. Tom King vai mais longe e planta na alma cibernética do Visão a necessidade de ter uma vida ao estilo Norman Rockwell. Para isso cria uma família (já divorciado da Feiticeira - não vou elaborar porquê). O que segue é, nas mãos inspiradas de King, uma reflexão existencialista do que significa "ser um humano". O escritor recorre não tanto a solilóquios verborreicos (leia-se, a personagem falar pelos cotovelos de forma teatral), mas antes a pequenas acções, que somadas revelam a verdadeira alma das personagens. No início do quarto capítulo, por exemplo, possui um dos momentos mais belos da BD moderna, com uma subtil e arquitectada ligação entre uma conhecida cena da cultura popular, a revelação de personalidade das personagens e um comentário à pergunta maior desta obra. O final segue de forma brilhante os trâmites da tragédia clássica, escolhendo antes a inteligência e a emotividade do leitor para que ele descortine o climáx da história. Visão é uma das mais cativantes leituras dos últimos anos e um dos melhores livros que li na vida. Quase que afirmo que temos aqui os Watchmen da Marvel (em breve será editado em Portugal pela Goody).

Battle Angel Alita: The Last Order é a continuação da primeira "temporada" desta conhecida Mangá, marco da BD e do ciberpunk (já falei neste link da primeira temporada). Neste ano da adaptação para o Cinema nas mãos de James Cameron e Robert Rodriguez, decidi revisitar a leitura desta obra, que tinha iniciado na década de 90. The Last Order retoma onde a anterior história havia acabado e expande o universo e o alcance da mensagem de Gunnm (o nome original japonês da obra). Yukito Kishiro prova que, mesmo passados 20 anos, o mundo actual está ainda a apanhar a sua visão distópica e reflectida do mundo tecnológico que continua a ser construído. Os seus conceitos são tão poderosos que muitas obras ainda minam a inspiração que suscita (a recente série Carbono Alterado da Netflix parece dever também muito a Gunnm). No meio de vertiginosa e (muito) violenta acção, o autor japonês reflecte, uma vez mais, sobre o que significa essa coisa de ser um homem. Será o corpo ou a mente que nos torna mais reais? Será a combinação dos dois? Serão as nossas memórias? O verdadeiramente interessante é a assustadora previsão do que o futuro poderá ser, se não controlarmos o fascínio que temos pela tecnologia. No Japão, que está décadas à frente (para o bem e para o mal) em relação à prática destas questões, Gunnm tem a virtude da auto-análise. Para os restantes, é um conto que alerta para os dilemas que se avizinham.

As BD Vision e Battle Angel Alita, usando personagens robóticas, reflectem sobre a questão "o que é ser um humano?". Dificilmente irão encontrar melhor resposta a essa pergunta e, ainda por cima, em obras que escolhem focar-se na vida artificial (será assim tão artificial?).

Uma BD aqui, outra BD ali, 4

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Batman (2016) números 36 e 37 de Tom King a Clay Mann (DC Comics)

É desta matéria que as boas histórias são feitas. É por causa de números como estes que as personagens da DC são-me tão queridas. Já muitos sabem que Tom King está a construir uma das mais interessantes sequências de histórias com o Homem-Morcego. O ex-agente da CIA tem-se revelado, no relativo pouco tempo em que escreve BD, como um dos escritores de maior imaginação e inteligência a trabalhar na 9.ª Arte. A perspectiva fresca com que escreve este maior ícone da DC tem revelado pormenores do Cavaleiro das Trevas que persistentemente escaparam a outros. I Am Suicide, The War of Jokes and Riddles, Batman Annual #2, Batman/Elmer Fudd, foram alguns dos momentos mais altos. Aos quais agora se juntam estes dois números.

Batman e Super-Homem há décadas que dançam pelos interstícios de uma relação de amizade e conflito. A início eram amigos, mas desde 1986 que Frank Miller e depois John Byrne decidiram que seria mais empolgante se fossem lados opostos de uma mesma questão filosófica. Esse conflito definiu a  relação mas também a personalidade de ambos. Eis que, no presente, o Homem de Aço está há muito casado com o amor da sua vida, Lois Lane, e o Batman pediu em casamento a anti-vilã, uma vezes amante, outras inimiga, Catwoman. Esse pedido leva a que ambos os casais decidam sair num double date (número 37), antecedido de uma análise do respeito que as duas figuras maiores da mitologia de super-heróis nutrem uma pela outra (número 36). 

Tom King é um homem adulto e isso é espelhado na riqueza dos diálogos entre as personagens. É revelado, em todo o seu esplendor, a tridimensionalidade de quatro figuras que fazem parte da cultura pop há 80 anos. Isto não é para quem nasceu há menos de 20 anos (mas também o é). Isto não é para a geração Disney, assexuada e sem humor (calma que também gosto de algumas coisas da Disney). Isto é para personalidades maduras, hetero ou homossexuais, de pensamento complexo e indefinido, visto pelo prisma de quatro arquétipos, que também são, acima de tudo e o mais importante, pessoas que respiram ar de papel. É por isto que adoro o Super-Homem, o Batman, a Lois Lane, a Catwoman e a DC Comics. Perfeição.

Exit Stage Left: The Snagglepuss Chronicles número 1 de Mark Russel e Mike Feehan (DC Comics)


A DC Comics, através da empresa accionista, a Time Warner, tem acesso a um conjunto de propriedades intelectuais da cultura pop bastante conhecidas. Os Looney Toons e as personagens da Hanna Barbera, por exemplo. Os portugueses de uma determinada geração conhecem o Top Cat, o Yogi Bear, os Jetsons e os Flintstones. Fazem parte de uma infância colectiva de desenhos animados dos fins-de-semana de manhã. Recentemente, a editora de BD tem resgatado algumas destas personagens e as reinventado através de um prisma adulto. Perderam-se os desenhos cartoonescos e as temáticas são agora maduras e complexas. Nunca tinha lido nada até este Snagglepuss e a surpresa foi significativa. 

A história ocorre na década de 50 dos EUA, durante um período da História deste país com relevantes convulsões sociais. Estávamos em plena Guerra Fria e esta foi usada como justificação de algumas agendas mais tradicionalistas para procederem a uma caça às bruxas mais ideológica que política. Snagglepuss é  um conhecido artista de Teatro que tem de esconder a sua preferência sexual. Ele é gay, um actor conhecido, mas o clima social e político não são propícios à sua liberdade pessoal.

Mark Russel escreve um enredo complexo e cativante, com diálogos inteligentes e adultos. Apesar da forma - os protagonistas são personagens antropomorfizados -, a história flui sem problemas e de forma séria. Não existe nenhuma necessidade de suspensão da descrença apesar de estarmos a falar de um leão das montanhas cor-de-rosa. Apesar de ainda muito no início, pela amostra deste primeiro capítulo, podemos já aqui ter uma das melhores BDs de 2018.

Captain America número 697 de Mark Waid e Chris Samnee (Marvel)


O Capitão está de volta. The All-American, applepie version. E ainda bem. Desde há uns anos a esta parte que esta personagem apenas sobrevive no ranking das competitivas vendas do EUA quando passa por um evento catastrófico. Primeiro pelas mãos de Ed Brubaker, que o matou e ressuscitou. Depois por Rick Remender, que lhe deu um filho e envelheceu-o. E mais recentemente pela versão nazi escrita por Nick Spencer. Depois desta última controvérsia, a Marvel decidiu regressar às origens da personagem, adoptando a fórmula DC Rebirth: os seus heróis, o Capitão inclusive, regressariam às versões clássicas (e, já agora, as revistas às numerações iniciais - como podem comprovar pelo número 697). Para que isso ocorresse de forma suave, ninguém melhor para escrever que Mark Waid, que não só é conhecido pelo seu gosto e talento clássico como também por ter escrito uma das melhores sequências de histórias do passado da personagem. Regressa com o auxílio de um  seu colaborador recente, Chris Samnee, com quem trabalhou no Demolidor e Viúva Negra.

Já estamos com três números no total com esta equipa criativa e, no que a mim diz respeito, é com este capítulo que Waid e Samnee entram no groove. Deixamos de lado a Real America e entramos na vertente super-heroística, com o conflito com Kraven, O Caçador, vilão do Homem-Aranha. A premissa é perfeitamente banal e a surpresa inexistente mas é uma história bem executada. Waid deixa a capacidade de storytelling de Samnee respirar, abstendo-se de diálogos e deixando a acção falar por si. A leitura torna-se parcimoniosa mas entretida e sem pretensões. Um conto de super-heróis sem grandes metáforas. Apenas uma aventura à antiga. Ou seja, ainda que não ofereça nada de inovador também não procura ser a próxima grande modificação do status quo para fazer aumentar as vendas. Duvido que a Marvel resista por muito mais tempo. É que a editora está viciada em reboots e grandes mudanças.