Quantas e quantas vezes os fãs de BD ouvem a frase "isso é coisa de miúdos"? Pode acontecer quando estamos sossegados a ler na esplanada ou quando queremos sugerir algo e convencer que BD é Arte como outra qualquer. Às vezes, até dentro dos fãs de BD, existe a eterna divisão entre os que gostam de super-heróis ou da Disney e os outros que consideram que, uma vez mais, "isso é coisa de miúdos".
Quantas e quantas vezes os fãs de BD ouvem a frase "isso é coisa de miúdos"? Pode acontecer quando estamos sossegados a ler na esplanada ou quando queremos sugerir algo e convencer que BD é Arte como outra qualquer. Às vezes, até dentro dos fãs de BD, existe a eterna divisão entre os que gostam de super-heróis ou da Disney e os outros que consideram que, uma vez mais, "isso é coisa de miúdos".
No longo e serpenteante caminho de um leitor de BD, passamos por muitos lugares diferentes, divergências que acabam por revelar-se surpreendentes. É o caso do Sandman de Neil Gaiman, um dos mais importantes marcos da minha história de ler BD. Foi um amigo da faculdade quem me convenceu a ler, em troca do X-Men: Age of Apocalypse. Dizer que este trabalho do escritor inglês foi uma revelação é um eufemismo parecido com dizer que Shakespeare é um excelente escritor de Teatro. Graças a esta descoberta, portas que já estavam entreabertas escancararam-se, a mais importante delas a da certeza de que a BD era muito mais do que entretenimento (e não seria mau se o fosse). Durante anos, Sandman foi mesmo a minha BD favorita e o volume Brief Lives o meu livro preferido da nona arte (que tenho assinado pelo Gaiman e pela Jill Thompson, a artista desse livro).
Tenho participado de uma brincadeira no Facebook: enumerar uma BD por dia até 2020. Começou há alguns meses, e agora dou-me ao trabalho de aqui a reproduzir. Mostro, hoje, as escolhas desta semana, com link na imagem para o texto que escrevi sobre o livro, ou um nhónhózinho, caso ainda não tenha falado dele.
Esta semana acabamos a miscelânea de obras e passamos para, até dia 18 de Novembro, histórias do Renascimento da DC que acho (que acho) valerem a pena.
Neil Gaiman está de volta. O coleccionador de prémios, Hugo, Nebula, Locus e Eisner, e escritor de Sandman, obra já editada em 2016 pela Levoir é o autor de Os Livros da Magia que sai em banca com o jornal Público a 25 de Agosto.
Ilustrado pelos aclamados artistas John Bolton, Scott Hampton, Charles Vess e Paul Johnson. Esta edição de capa dura com o formato de 170 x 240 mm e 200 páginas tem prefácio de Roger Zelazny.
Timothy Hunter é um garoto inglês aparentemente comum, mas com grande potencial para a magia. Ciente do potencial do garoto, a “brigada dos encapotados” - formada por John Constantine, Doutor Oculto, Mister Io e Vingador Fantasma decide guiá-lo através da história e do futuro da magia, além de o apresentar a magos e “mundos além da razão”. O objectivo é dar oportunidade para que Timothy escolha se quer ou não entrar para esse universo fascinante e ao mesmo tempo perigoso.
A história está dividida em quatro capítulos, onde cada capítulo mostra a aventura de Tim descobrindo o mundo da magia, cada parte tem um guia diferente.
Os Livros da Magia são como um retorno à infância, a história é muito envolvente e Neil Gaiman devolve-nos a nós adultos um pouco daquele universo já esquecido do prazer da descoberta de novas possibilidades.
Estava com medo que a Era de Ouro podia estar a acabar. Desde o início do século XXI que uma das narrativas mais estimulantes da modernidade, a da série de TV, tem oferecido pérolas atrás de obras-primas. Os que lêem este blog mais atentamente já devem ter percebido as minhas favoritas: The Wire; The Sopranos; Breaking Bad;Guerra dos Tronos - listadas por assumida ordem de preferência (apenas uma nota para sublinhar que, antes destas, também houve Seinfeld e Twin Peaks).
O ano de 2017 andava pobre. Séries mais leves como as do Universo DC Comics da CW (Arrow, Legends of Tomorrow, Supergirl, Flash) andam pouco estimulantes, mesmo repetitivas, ao ponto de, excepto pela última, já as ter largado. Existiram outras mais interessantes como The Night Manager ou o prazer pop que é a portuguesa Sim, Chef, mas não enchiam-me as medidas. Faltava um enlevo. O não aguentar mais não ver o próximo episódio.
Eis que, num espaço de poucas semanas, o panorama muda por completo. Começa a terceira temporada de Fargo, a segunda de Sense8 e a novidade American Gods - também foi lançada a sexta temporada de Veep, mas já falei tanto desta que parece-me desnecessário chover no molhado.
Começo pela última, a única com apenas dois episódios lançados para um total de oito desta temporada: AmericanGods. Baseada no livro homónimo de um dos meus autores favoritos, Neil Gaiman (o mesmo do essencial Sandman), à altura tinha entusiasmado com as mesmas temáticas (e manias) da lendária obra de BD, de deuses e humanos a co-habitarem um mundo onde os segundos pouco uso já fazem dos primeiros. Era a história de Shadow e Wednesday, dois companheiros de viagem pouco amistosos um para com o outro (não faço nenhum spoiler para não estragar quem não leu o livro, mas aconselho-o). A série é produzida e escrita por um conhecido "monstro" da TV, Bryan Fuller, o mesmo da tenebrosa Hannibal. A conjugação deste dois homens de singular visão artística promete (depois de ver apenas o primeiro episódio) algo muito especial e único. Adulta, sangrenta, quente e cheia de deuses esquecidos pela fé.
Sense8 estreou todos os 10 episódios na Netflix no passado dia 5 de Maio e é, oficialmente, o vício do mês. A história dos sensates, um grupo de oito pessoas espalhadas pelo mundo que partilham de uma poderosa e complexa ligação extra-sensorial e emocional é das minhas maiores drogas narrativas dos últimos tempos. A complexidade e profundidade dos muitos personagens, a robustez das relações e uma realização de ritmo viciante torna-a, no que a mim diz respeito, impossível de largar. As Irmãs Wachowski e J. Michael Straczynski conseguiram criar um universo palpável mas, acima de tudo, com personagens construídos no limite do real, capazes de emocionar velhos empedernidos.
Em último mas, decididamente, não a menos importante, Fargo. No terceiro parágrafo citei as minhas séries de TV favoritas de sempre. Faltou esta que, tendo em consideração as duas temporadas e um terço que já saíram, está lá em cima com o nirvana que são The Wire e The Sopranos. Noah Hawley, o escritor, consegue extrapolar da atmosfera construída pelos Irmãos Coen no filme em que é baseada a série e edificar algo digno da mais alta literatura. Tem conseguido captar actores conhecidos da 7.ª Arte como Martin Freeman, Kirsten Dunst e, nesta, Ewan McGregor (a fazer o papel de dois irmãos gémeos) mas esta obra é muito mais que isso. É uma cinematografia impecável que ombreia com os melhores filmes. É um argumento complexo e cheio do humor gelado do estado do Minnesota, onde a acção ocorre. É, acima de tudo, a prova de que as séries de TV não são, decididamente, o que eram no tempo dos nossos pais e e avós.
No passado dia 10 de Março a Levoir apresentou no Festival de BD de Coimbra parte do seu plano editorial para 2017, vimos agora acrescentar algumas novidades ao mesmo que ainda não foram comunicadas.
MULHER-MARAVILHA
Teremos o lançamento de uma colecção de 5 volumes da Mulher-Maravilha, personagem que acaba de celebrar o seu 75.º aniversário. São cinco títulos inéditos em português de Portugal, edição de capa dura com a qualidade que nos é habitual, e que estará disponível no final de Maio.
Títulos:
Mulher-Maravilha: Homens e Deuses (George Pérez)
Mulher-Maravilha: Deuses de Gotham (Phil Jimenez)
Mulher-Maravilha: A Hiketeia(Greg Rucka e J.G.Jones)
Mulher-Maravilha: Terra Um (Grant Morrison e Yanick Paquette )
Mulher-Maravilha: Um por todos (Christopher Moeller)
A Levoir já editou dois títulos desta personagem: Quem é a Mulher-Maravilha na colecção de 2013 (George Pérez, Phil Jimenez, Allan Heinberg, Terry Dodson ) e Super-Homem & Mulher Maravilha, Par Perfeito (Charles Soule, Tony S. Daniel) mais recentemente em 2016.
NOVELAS GRÁFICAS
Ainda no primeiro semestre de 2017, teremos o lançamento de uma nova colecção de Novela gráfica, sendo que podemos anunciar 3 títulos do selo Vertigo:
- RONIN de Frank Miller
- Dark night true story de Paul Dini e ilustrações de Eduardo Risso, presente também nas nossas edições no Batman Noir e no Parque Chas.
- The books of Magic de Neil Gaiman, autor da nossa colecção SANDMAN.
A BD franco-belga marcará também presença na nova série, de entre os quais destacamos:
- Os Ignorantes de Étienne Davodeau; autor com extensa obra e galardoado com vários prémios entre os quais destacamos o Prémio do melhor argumento e o Prémio do Público do Festival de BD de Angoûleme em 2012.
- Polina do jovem autor francês Bastien Vivès que se tem vindo a afirmar em França e conta já com vários títulos editados. Polina recebeu o Prémio dos livreiros de BD em 2011 e o Grand Prix de l´ACBD (Associations des critiques et des journalistes de BD) em 2012, sendo que a obra foi adaptada ao cinema e tem estreia prevista em Portugal ainda este ano.
E como em todas as nossas colecções de Novela Gráfica, teremos um título do que de melhor se faz nos fumetti (nome dado à Banda Desenhada em Itália)Dylan Dog, o investigador do oculto vegetariano, abstémio e com vertigens, criado porTiziano Sclavi para a editora Bonelli. Iremos publicar Mater Morbi, escrita por Roberto Recchionni, o actual responsável pela coordenação da série Dylan Dog é uma reflexão sombria sobre a doença e das melhores histórias do detective do pesadelo das últimas décadas, muito bem ilustrada por Massimo Carnevale. Esta obra ganhou em 2016, ano do seu 30º aniversário, o Prémio de melhor novela gráfica de terror pelos prestigiadosThe Ghastly Award.
A partir do próximo dia 6 de Outubro, numa parceria jornal Público e editora Levoir, no integra e pela primeira vez em Portugal, será publicado o Sandman de Neil Gaiman. Este é, junto com a colecção Novelas Gráficas II, o acontecimento editorial do ano no que à publicação de Banda Desenhada em terras lusas diz respeito. Esta BD é uma das minhas favoritas de sempre e o sétimo volume, Vidas Breves, é mesmo um dos mais importantes livros da minha vida. Corram a reservar os vossos exemplares. Deixo-vos com umas palavras que escrevi há uns anos sobre esta obra-prima não só da BD como da Literatura (só assim, sim, sem mais nada).
No final da década de 80, a casa mãe de personagens tão famosos como o Super-Homem, o Batman e a Mulher-Maravilha, a DC Comics, vivia uma profunda revolução no formato da narrativa dos seus personagens. O ano de 1986 (considerado por alguns como o melhor ano da História da BD Americana) foi palco de importantes eventos nesta casa editorial, com histórias como Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons, The Dark Knight Returns, de Frank Miller, e Crise nas Terras Infinitas, de Marv Wolfman e George Pérez. As duas primeiras foram responsáveis pela assumida maturidade desta Arte, a terceira pela reformulação do universo de super-heróis da DC Comics. Neste panorama destacou-se a Senhora Editora Karen Berger, que tinha como missão recrutar novos autores para que, com novos prismas, com diferentes pontos de vista, ajudassem a revitalizar a velha casa, seguindo a linha de Watchmen e The Dark Knight Returns, que haviam atingido impressionante sucesso crítico e comercial. Berger procurou do outro lado do oceano nomes que lhe pudessem ajudar nessa tarefa, à semelhança de Alan Moore e Dave Gibbons, ambos ingleses. Dentre esses autores surge um jovem de nome Neil Gaiman, que viria a transformar-se num dos nomes mais sonantes da chamada “invasão britânica” dos Comics.
A ideia para Sandman surgiria de uma única imagem concebida pelo autor e da liberdade criativa que Karen Berger deu a Gaiman. Ofereceu-lhe carta branca para usar o nome de um personagem obscuro da década de 70 detido pela DC e, a partir dele, criar universos e conceitos completamente novos. Assim, da tal imagem de “um homem, novo, pálido e nú, prisioneiro numa cela, à espera que os seus captores morram (...), morbidamente magro, com longo cabelo negro, e estranhos olhos” nasceu a história do Senhor dos Sonhos, o de muitos nomes, Dream, Morpheus, Sandman (em português o João Pestana). A sua publicação começaria em Outubro de 1988, duraria 75 capítulos até 1996 e viria a transformar-se numa das mais premiadas séries de BD de sempre, arrebatando honras fora do mundo dos Comics como o World’s Fantasy Award em 1991 e o New York Times Best Seller List.
A importância de Sandman não pode ser menosprezada. Não só introduziu a primeira série longa de autor com um princípio, meio e fim (na altura, um feito raro numa Arte controlada pelas intermináveis telenovelas dos super-heróis), como daria origem a uma Imprint da DC, a Vertigo, liderada por Karen Berger, que seria a residência dos mais idiossincráticos trabalhos de autor, e que mesmo hoje continua a ser das maiores e mais literárias referências do panorama criativo da BD mundial. Sandman seria também uma das primeiras BD americanas em que as colecções dos seus capítulos (serão 11 no total na edição da Levoir) acabariam por tornar-se volumes sempre disponíveis, ajudando à percepção de tratar-se de um trabalho finito e de autor.
A série foi também palco para o aparecimento de inúmeros outros personagens, tão famosos como o protagonista, dos quais obviamente destaca-se a irmã mais velha, Death, uma antropomorfização sexy, gótica e infinitamente sábia da Morte, que ajudaria a cimentar a profunda visão pessoal de Neil Gaiman. Os pedaços de sabedoria debitados pelas aparições esporádicas deste personagem são parte de algumas das mais memoráveis passagens da obra.
Gaiman não limita-se a ser um mero contador de histórias, ainda que o execute de forma exímia, antes imprime uma qualidade intelectual até ao momento com muito poucos exemplos na BD dos EUA. As frases que saem quer da boca dos seus personagens, quer das longas descrições que ocorrem amiúde nos vários capítulos, são profundamente citáveis, mantras capazes de transformar ou sintetizar vidas e pensamentos (existe mesmo um livro chamado “The Quotable Sandman: Memorable Lines from the Acclaimed Series”). Independentemente de todas as hipérboles que possam tecer-se acerca do trabalho de Gaiman em Sandman a realidade é que trata-se de uma obra sem par, que não só inspirou a carreira de inúmeros autores como também marcou a vida de leitores de diferentes gerações. O meu livro favorito de sempre é Brief Lives, o sétimo da colecção, um dos poucos a que regresso inúmeras vezes para procurar um pouco de encanto.
"Before the beginning was the night. And the night was without boundaries and the night was without end.
In the beginning was time. The relentless beat in which things could happen, in which everything could become, dust could coalesce, matter could exist."
Capítulo quatro de Sandman Overture, escrito por Neil Gaiman.
É muito difícil descrever o impacto de Sandman na minha vida como leitor. Provavelmente foi com ele que comecei uma abordagem diferente à BD. Foi com o épico de Neil Gaiman, na década de 90, que tive um mais profundo contacto com o arrebatamento não só vindo do espanto mas também do intelecto. Devo estar a exagerar, certamente, mas, quando tive a oportunidade de ler os Trade Paperbacks que iam coleccionando os vários volumes da saga, cada momento de pausa (seria mesmo uma pausa ou um play verdadeiro?) era de puro e inviolado prazer. As palavras de Gaiman eram mantras. Os diálogos filosofias para a vida. Até hoje, Brief Lives continua a ser um dos meus livros de referência, aquele que teima em ser um dos meus preferidos de sempre (a minha cópia assinada por Neil Gaiman e com um desenho de Jill Thompson é um dos meus orgulhos de biblioteca). Contudo, ao contrário do que possa parecer, o regresso do criador à sua mais emblemática obra de BD não era algo que quisesse e o anuncio deste volume, Overture, não me chegou como algo ansiosamente esperado. Sempre senti que a obra estava encerrada. Pouco mais haveria a acrescentar.
O que vou dizer a seguir soará a sacrilégio. A estrela deste Overture é J. H. Williams III. O desenhador é um virtuoso do lápis, pincel, o que quer que queiram chamar. Este senhor consegue transformar a mais banal das cenas (e este Sandman não as tem) num concerto, numa ópera, num carnaval, num épico jogo de futebol. Williams estica e dobra a arte de fazer BD para lá dos limites do convencional. Melhor: ele já deixou o convencional há 10 anos atrás e agora, pura e simplesmente, não consegue regressar. Desde Promethea com Alan Moore que surpreende de projeto em projeto, inovando não só no desenho como também na construção da página de BD, no modo como quebra o argumento dos vários autores com que vai trabalhando. Sem dúvida um dos maiores talentos da 9.ª Arte dos EUA (nesta linha, Yannick Paquette começa a revelar-se um talento a acompanhar - esperem pelo seu Wonder Woman: Earth One). O trabalho de Williams neste Overture é de tirar o fôlego, tantos são os pormenores e as idiossincrasias dos desenhos, que bailam sem esforço pelos múltiplos e diversos cenários que Neil Gaiman constrói para o elenco. No final, apenas apetece aplaudir de pé.
E quanto a Gaiman? Como se porta? Como Gaiman. Ponto final. Não existe aqui nada de novo nesse sentido. A escrita continua igualmente onírica, poética e surreal. Não cedeu um centímetro de controlo sobre as vozes do enorme e operático elenco que criou em Sandman. Consegue ir buscar pormenores memoráveis da obra original e entretecê-las no enredo, não só enriquecendo esta obra como a que nos surpreendeu anos atrás. Consegue também enriquecer a mitologia ao nos apresentar (desculpem este spoiler) os progenitores dos Endless. Esse é dos grandes momentos de Overture, onde a escrita de Gaiman sobressai e os desenhos de Williams explodem. O escritor quis regressar a casa e, apesar de ser uma das melhores obras que saíram este ano, para mim o impacto da run original é tão gigante que este capitulo quase, quase, quase que sabe a redundante (mas não é).
"Destruction - She (Death) said we all not only could know everything. We do. We just tell ourselves we don't to make it more bearable.
Dream - That seems unlikely.
Destruction - That was what I said to her. I said, if they do that, why do they keep wandering around and falling down manholes and tripping banana skins. Why does it seem like none of us... Endless or mortal, ghost or god ... knows what we're doing?
Dream - And she said?
Destruction - I told you. She said everyone knows everything. We just pretend to ourselves we don't. I never knew what to make of that.
Delirium - She Is. Um. RiGhT. KIND of. Not KNOWING EVERYthIng is aLL thAt makeS IT OK." - Sandman, Brief Lives, escrito por Neil Gaiman
“Is there a word for forgetting the name of someone when you want to introduce them to someone else at the same time you realize you've forgotten the name of the person you're introducing them to as well?"
"No.” ― Neil Gaiman, The Sandman, Vol. 7: Brief Lives
Letitia Lerner, Superman's babysitter por Kyle Baker, Elseworlds 80-Page Giant, DC Comics