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Tenho participado de uma brincadeira no Facebook: enumerar uma BD por dia até 2020. Começou há alguns meses, e agora dou-me ao trabalho de aqui a reproduzir. Mostro, hoje, as escolhas desta semana, com link na imagem para o texto que escrevi sobre o livro, ou um nhónhózinho, caso ainda não tenha falado dele.

Esta semana continuamos, até dia 18 de Novembro, histórias do Renascimento da DC que acho (que acho) valerem a pena. 


Tenho participado de uma brincadeira no Facebook: enumerar uma BD por dia até 2020. Começou há alguns meses, e agora dou-me ao trabalho de aqui a reproduzir. Mostro, hoje, as escolhas desta semana, com link na imagem para o texto que escrevi sobre o livro, ou um nhónhózinho, caso ainda não tenha falado dele.

Esta semana acabamos a miscelânea de obras e passamos para, até dia 18 de Novembro, histórias do Renascimento da DC que acho (que acho) valerem a pena. 

Uma BD aqui, outra BD ali, 25 - Universo DC



Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei.  Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Doomsday Clock número 7 de Geoff Johns e Gary Frank,
Batman Damned número 1 de Brian Azzarello e Lee Bermejo e
Heroes in Crisis número 1  de Tom King e Clay Mann

(com alguns spoilers)

É-me difícil ser imparcial. Desde há mais de 30 anos que a DC Comics e as suas personagens são as minhas favoritas da BD. Nesse tempo, existiram altos e baixos. O final da década de 80, princípios da de 90 e algum do início do século XXI foram anos de muitos prazeres. Depois, estes foram diminuindo gradualmente até atingir o ponto mais baixo, sempre com excepções, por volta de 2016. Mas em meados desse ano, surge o selo DC Rebirth, onde a editora inicia um lento plano de recuperação do lustro que muito de nós sabiam existir. Os três títulos dos quais venho falar são belíssimos exemplos deste renascimento.

Uma BD aqui, outra BD ali, 24 - Batman

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! É um prazer que rezo para nunca acabar. De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei. Só isso: gostado. Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Batman (2016) números 51 a 53 de Tom King e Lee Weeks (DC Comics)


O Batman é das personagens da BD americana com um dos mais gloriosos historiais da 9.ª Arte e, quem sabe, de qualquer Literatura. Nela trabalharam alguns dos maiores desenhadores e escritores da Arte. Não deixa, portanto, de ser impressionante, que Tom King esteja a construir uma das melhores sequências da já longa carreira do Homem-Morcego. Começada em 2016 na alvorada do DC Rebirth (uma tentativa da editora de energizar a sua linha de publicações), King não tem parado de explorar o universo gótico da personagem, com uma aproximação que não se cola tanto aos eventos surpreendentes ou catastróficos (uma muleta tantas vezes utilizada por outros escritores), mas mais pela exploração do lado psicológico.

Super-Heróis DC, o Vício - Fevereiro 2017




Já são muitos anos a virar frangos. Desde os cinco anos de idade a ler Banda Desenhada em geral e de super-heróis em particular. Começou pelo Homem-Aranha e progrediu para todos os outros. Transformou-se em mais do que um vício, que continua até hoje. Todos os meses desloco-me à minha loja de BD favorita e de lá venho com A Pilha. Alguns dos livros dessa pilha leio com mais prazer do que outros, é verdade, mas leio tudo.

Hoje falo da DC e Segunda-Feira da Marvel.

Mulher-Maravilha

Wonder Woman # 14-15

Wonder Woman de Rucka, Sharp e Scott é, sistematicamente, uma das melhores publicações da DC todos os meses. Rucka e Scott acabam o seu Ano Um, uma nova versão da origem da Princesa de Themyscira com a dose certa de evocação à versão que todos idolatramos, a de George Pérez. Focam-se no confronto físico e filosófico entre Diana e o seu maior némesis, o Deus Grego da Guerra, Ares. Por seu lado, Rucka e Sharp decidem colocar a Mulher-Maravilha no manicómio na nova saga The Truth, que promete reintroduzir alguns dos maiores inimigos de Diana ao mesmo tempo que aprofunda A Mentira que é a vida do personagem até este momento. Esta parceira de criadores continua a ser um dos melhores e mais atmosféricos trabalhos alguma vez realizados na Amazona.

Batman

Batman # 14-15-16
Detective Comics # 948-949

Batman de Tom King permanece em crescendo de qualidade e, este mês, recupera o parceiro inicial, o desenhista David Finch, para o que promete ser mais um interessante confronto com o arqui-inimigo Bane - sim, o do filme e o responsável pelo afastamento "definitivo" do Cavaleiro das Trevas na década de 90. Mas antes de passar a essa saga, King explora o relacionamento de Batman com a sua eterna por-vezes-namorada-outra-vezes-vilã: a Mulher-Gato. Os dois capítulos intitulados Rooftops são particularmente felizes, ao explorarem de forma ao mesmo tempo nova e reciclada o relacionamento entre estes dois personagens maiores da BD de super-heróis. Quanto ao confronto com Bane é esperar pelo mês que se segue para perceber o real alcance da saga que, a DC promete, será relevante na vida de Batman

Do lado de Detective Comics temos uma pequena paragem na programação oficial para focar Batwoman e preparar o lançamento da revista homónima da personagem no próximo mês.

Super-Homem

Action Comics # 971-972
Superman # 14-15-16 

Superman de Tomasi é a maior desilusão do mês. Foi a primeira revista que li d'a Pilha, à espera de uma história à minha medida, uma aventura cósmica com os vários Super-Homens do Multiverso. Prometia ser uma sequela ao brilhante Multiversity de Grant Morrison, mas apesar do talento envolvido (Ivan Reis no desenho do primeiro capítulo, por exemplo)  pareceu pouco mais que uma maneira forçada de extorquir dinheiro aos leitores fãs da DC. História apressada. Desenhos apressados. Sem qualquer tipo de pathos e interesse.

Action Comics de Dan Jurgens ganha este mês a Superman apenas porque continua na linha nostálgica e banal que não aquece nem arrefece. Funciona mas pouco mais se espera do trabalho dos artistas envolvidos. Um dos mais importantes personagens da DC merece (muito) mais.

Liga da Justiça

Justice League # 12-13-14
Justice League of America Special: Atom # 1
Justice League of America Special: Vixen # 1
Justice League of America Special: Killer Frost # 1
Justice League of America Special: Ray # 1
Justice League v Suicide Squad # 3-4-5-6 

E enquanto o Super-Homem foi a decepção do mês, a revista principal da Liga, Justice League, foi a maior surpresa. Não só o trabalho de substituição do escritor Tim Seeley foi superior à média de meses anteriores, como Brian Hitch escreve (e, este mês, felizmente, desenha) a sua melhor história, até ao momento, na revista. Seeley foca-se no evento Justice League vs Suicide Squad, escolhendo histórias com o vilão Maxwell Lord e o namorado da Mullher-Maravilha, Steve Trevor.  Hitch aproveita uma invasão à escala macro-cósmica para analisar as personalidades e dinâmicas entre os vários membros da Liga, com resultados bastante positivos. Espero que continue nesta veia.

A saga Justice League vs Suicide Squad acaba de forma divertida mas não reveladora ou excepcional.  O final apresenta surpresas que de surpresa nada têm e acaba por ser um belíssimo representante de "a montanha pariu um rato". A DC poderia ter vendido este evento apenas como uma boa história mas decidiu classificá-la como um "Acontecimento". Acabou por prejudicar.

Os especiais Justice League of America, com enfoque nos membros do grupo que estreia para o próximo mês, Killer Frost, Atom, Vixen e Ray, foram também uma boa surpresa, principalmente pelo trabalho de Steve Orlando no argumento. Nada de excepcional mas uma exploração interessante e agradável das personalidades e passados dos personagens.

Young Animal

Cave Carson has a Cibernetic Eye # 4
Doom Patrol # 4
Shade, the Changing Girl # 04 

A linha de substituição da Vertigo continua com grande força. Doom Patrol é a a melhor das quatro revistas, com Gerard Way e Nick Derrigton a excederem-se na qualidade do trabalho, com enredos surreais q.b., evocativos de Grant Morrison e altamente viciantes. Um dos melhores títulos da DC neste momento.

Cave Carson has a Cibernetic Eye, por seu lado, está apenas uns poucos furos abaixo de Doom Patrol. A aventura subterrânea continua, adensando o mistério, não perdendo a forte sensibilidade estilo Era de Prata mas com uma visão bastante mais madura. Outra vitória da linha Young Animal.

Finalmente, Shade, the Changing Girl, que, no meu entender, perpetua alguns dos tiques menos interessantes de uma escrita "adulta" e "literária" na BD. Diálogos truncados que podem querer veicular confusão mas que criam um fluxo narrativo soluçado. A história continua a acompanhar a jovem alienígena que alojou-se no corpo de uma adolescente suburbana dos EUA mas de forma, a meu ver, pouco entusiasmante.

Outros

Kamandi Challenge # 1
Earth 2: Society # 21
Trinity # 5

Estreou este mês a excentricidade Kamandi Challenge. O conceito assenta em todos os meses uma equipa criativa diferente resolver o cliffhanger elaborado pela equipa do mês anterior.  A revista serve para celebrar os 100 anos do nascimento do rei dos Comics, Jack Kirby, através do regresso a uma dos suas mais queridas e perenes criações para a DC: Kamandi, O Último Rapaz. Estamos num mundo pós-apocalíptico em que animais antropomorfizados governam, divididos por clãs, uma paisagem devastada. História divertida que convida talentos de primeira água para a sua elaboração. 

Earth 2: Society é pornografia para os fãs da DC. A promessa do regresso da Sociedade da Justiça original é um dos pilares do enredo e quase apenas a única razão porque a acompanho. O trabalho do escritor inglês Dan Abnett é, contudo, eficiente, ainda que longe de momentos mais geniais da sua carreira como os Guardiões da Galáxia.

Trinity é uma oportunidade perdida. Poderia ser um dos melhores títulos da DC ao reunir, nas suas páginas, a Santíssima Trindade, mas o trabalho de Francis Manapul é mediano (excepto no desenho onde, aí sim, excede-se). O vilão que acompanha esta aventura desde o primeiro número é, finalmente, revelado, mas sem grande surpresa. O enredo revolve à volta da (outra vez) reciclagem de um outro criado pelo brilhante Alan Moore mas sem a inventividade e maturidade do mesmo.

O que mais gostei de 2016! Super-heróis DC e Marvel, primeira parte

No mundo dos super-heróis das duas maiores editoras do género, este foi um ano de Renascimentos e Guerras Civis. São já banais os eventos "world-shattering" e "reality-unraveling", ao ponto dos fãs (pelos menos os mais velhos... como eu) os receberem com uma elevada dose de cepticismo. Bem vistas as coisas, quando uma saga tão sísmica como Crise nas Terras Infinitas de 1986 (spoiler) pode ser desfeita em Convergence então tudo é possível. Ou seja, por maiores que sejam as mudanças sabemos que, mais tarde ou mais cedo, tudo volta ao seu estado anterior - poderá é demorar décadas. É a natureza dos super-heróis da DC e da Marvel: quanto mais mudam, mais permanecem iguais. Dito isto, este ano teve os seus altos e baixos, como é natural, e na rubrica O Vício do Mês fui dando-vos conta das minhas leituras da Eterna Novela - não sei se alguma vez chagaram a esta conclusão, mas as telenovelas brasileiras são coisa de meninos comparadas com as dos super-heróis que permanecem, algumas, há sete décadas. Depois de tantas e tantas páginas existe sempre a vontade de fazer um balanço do que mais gostei de ler. Sendo assim, bem vindos às leituras com que mais delirei em 2016 no mundo dos super-heróis da DC e da Marvel.  Começo pelos maravilhosos mas não celestiais. 

As muito, muito, muito, excelentemente boas


Cave Carson has a Cibernetic Eye (DC Rebirth) - Começou há apenas dois meses mas já reside, quentinha, no meu coração. A imprint Young Animal, da DC, promete ser uma Vertigo para esta segunda década do século XXI e a história do explorador das profundezas da crosta terrestre é um dos seus melhores títulos. Cave Carson faz parte daqueles personagens deliciosamente nostálgicos da DC das décadas de 50 e 60 que, com um twist moderno, transformam-se em algo que os autores podem explorar, ao mesmo tempo, o seu lado infantil e esotericamente adulto. O trabalho de Jon Rivera & Gerard Way, na escrita, e Michael Avon Oeming, no desenho, é, até o momento, cheio de intriga, mistério e uma pitada de noir

Dr. Strange (Marvel) - Quem diria que um dos mais antigos mas menos utilizados dos personagens da Marvel teria o sucesso de que goza hoje em dia? Existe desde da década de 60, criado por Steve Ditko e Stan Lee, os mesmos que deram ao mundo o Homem-Aranha, mas sempre teve dificuldades em suster uma revista mensal. Por causa disso, passou a ser utilizado como membro de grupos de super-heróis (Defensores e Vingadores) ou como recurso Deus Ex-Machina para eventos místicos ou outros tão catastróficos que teriam de ser resolvidos com um passe de mágica. Mas o impossível aconteceu e Jason Aaron junto com Chris Bachalo injectaram não só nova vida mas legítimo interesse no universo místico do Dr. Estranho. Para isso recorreram não só às roupagens normais das aventuras do Mestre das Artes Místicas mas também ao humor e excentricidade típicos de Jason Aaron, que nos deu também algumas das melhores aventuras dos X-Men e de Thor.

Ms. Marvel (Marvel) - quando alguém como eu, que já lê super-heróis há quase quatro décadas, consegue ficar entusiasmado com um personagem novo, alguma coisa poderá estar a correr bem. Kamala Khan é, ao mesmo tempo, parte do molde Marvel e também um (muito mais que) piscar de olho a este mundo novo de diversidade étnica e cultural - ou melhor, sempre existiu mas só agora lembraram-se de reconhecê-lo. Kamala é uma jovem muçulmana a viver em Nova Jérsia e também uma amante da velha filosofia dos super-heróis: fazer o bem e salvaguardar os fracos. No que a mim diz respeito, esta mensagem deverá sempre ser incentivada e sublinhada porque o cepticismo do mundo a isso o obriga. Criada por Sana Amanat, Stephen Wacker, G. Willow Wilson e Adrian Alphona Ms. Marvel é uma necessária lufada de ar fresco - e, para os mais pseudo, vejam lá que até ganhou prémios em Angoulême (já a podem ler, estão autorizados).

Scarlet Witch (Marvel) - A início não esperava muito mas o trabalho de James Robinson na escrita, de quem guardo boas recordações do maravilhoso Starman, espicaçou a curiosidade. A uma escala (infelizmente) menor, o autor está a fazer com a Feiticeira o mesmo que fez com o Homem das Estrelas. Não esquece o passado, antes o utiliza para moldar um futuro brilhante e interessante, cheio de idiossincrasias que não se sabia fazerem falta a este personagem. Ao mesmo tempo, usa os talentos de diferentes desenhistas em cada capítulo, para cada utilizando um estilo e aventura adaptadas, sem perder o fio da meada da história principal. O único defeito é que o plano final de Robinson, neste século de tanta oferta, não excede a vintena de capítulos.

Spider-Man (Marvel) - se existe um título que deve tudo ao escritor Brian Michael Bendis é este. Começou quando ainda fazia parte do universo alternativo Ultimate, com uma versão moderna, século XXI, de Peter Parker. Seguiu (spoiler) com a morte deste e a continuação do legado com Miles Morales, o novo Homem-Aranha do universo Ultimate. Depois de Secret Wars, este universo fundiu-se ao "normal" e Morales passou a ser parte integrante de uma herança de décadas. A linguagem é a mesma há 16 anos. O sentimento é o mesmo. Não poderia ser outro porque é o mesmo escritor desde 2000. Não há novidade, certo, mas há qualidade, coração, e o trabalho de um escritor que ama os personagens como seus filhos - e que o são. Se existe um trabalho "de autor" dentro do universo Marvel este é um deles.

Spider-Woman (Marvel) - outra surpresa à lá Dr. Strange. Um personagem que viu uma recuperação na primeira década deste século graças a Bendis mas que outros autores agarraram para este versão mais recente: Dennis Hopeless na escrita com Javier Rodriguez e Veronica Fish no desenho. Rodriguez é responsável por alguma da melhor estética e design da BD nos últimos tempos, principalmente nos cinco primeiros números deste título. Hopeless excede-se na escrita, conseguindo trazer, de forma carinhosa, os dramas de uma mãe recente ao mundo dos super-heróis. Disso o melhor exemplo é o número cinco: aliás, um dos meus favoritos do ano. Ao desenhista Rodriguez segue-se Veronica Fish que já conseguiu um capítulo 12 muito bom e que promete para o futuro.

Superman (DC Rebirth) - não é a versão New 52 mas a da DC Rebirth (a primeira vou, educadamente, esquecer). Tomasi, Gleason e Manhke estão a conseguir algo que parecia impossível acontecer: tornar interessante a vida de um Super-Homem pai. Esta versão do Homem de Aço é aquela com que cresci, a da pós-Crise, a casada com Lois Lane e, agora, com um filho, Jon Kent, uma versão nova do Superboy. A série não deixa de estar no centro do mistério DC Rebirth mas, ao mesmo tempo, dedica-se a desenvolver a relação pai/filho e a personalidade do segundo, já um dos mais divertidos novos personagens da DC. Aventura, ternura e mistério. Nada mau para um Super-Homem já com 75 anos.

Libertem o Geek! - As Crises Infinitas!


(para o Gonçalo e o Vasco, que percebem o porquê deste post)

Um amigo que, como eu, é fã do universo de super-heróis da DC Comics disse-me uma vez e parafraseio: "parecem estar a repetir sempre as mesmas histórias, mas a gente gosta!".  Achei lindo, naquela forma que apenas os fãs podem achar lindo. Aqueles que adoram certas coisas de forma irrepreensível. Não falo de saber todo e qualquer pormenor do multiverso da DC (se sabem o que é o multiverso da DC parece-me, contudo, que estão no bom caminho). Não falo de coleccionar todas as revistas, de possuir saber enciclopédico sobre os heróis, os vilões e a geografia - ainda que possa ajudar. Falo, como sempre quando refiro estas paixões, de gosto e de amor. De estarem a borrifar-se para quem não aprecia, de ficarem entusiasmados de forma infantil, juvenil, imatura (como quiserem), com um desenvolvimento de uma história, com o aparecimento inesperado de um personagem que amávamos e estava fora de cena há muito tempo. Mas também é ficar irritado quando algo que se adora já não tem o mesmo lustro, está chato e aborrecido. Pode também ser esperar ansiosamente pela estreia do Batman v Superman, mal conseguir aguentar a estreia da Wonder Woman em 2017 e ficar entusiasmado com a sequela do Man of Steel do Zack Snyder.

Recentemente, essa nossa editora favorita decidiu renascer. Chamou-lhe, de forma pouco imaginativa (ou será pós-moderna?), Rebirth e, numa revista escrita pelo grande Geoff Johns e chamada de DC Rebirth, devolveu aos fãs (ou começou a devolver) o universo de que tinham saudades. Já existiam pistas no Multiversity de Grant Morrison e na Justice League: Darkseid War também de Johns, mas é neste Rebirth que a editora assume o "erro". Erro porque esta história de Johns é um pedido de desculpa pelos mais recentes anos da DC mas também algo mais meta-textual: uma reflexão sobre o mundo dos super-heróis dos EUA pós-Watchmen, a seminal obra de Alan Moore e Dave Gibbons.  Mas não é sobre isto que vos queria falar.

Desde 1986 que a editora repete a mesma história de forma cíclica e gere as expectativas dos seus leitores de maneira quase cruel. Nesse ano fundiu o seu multiverso num único mundo na conclusão da Crise nas Terras Infinitas e este evento parece, desde então, reger todos os outros. O que, a nosso ver (sim, o dos fãs), é lindo e pode acontecer quantas vezes a editora quiser. Foi a Crise Infinita, a Infinita Crise, a Crise Final, o Hipertempo, o 52, a Multiversidade, agora o Renascimento. Iterações do mesmo conceito, teases de quem sabe que basta vestir uma lingerie comprada na loja dos trezentos para nos fazer salivar litradas.  Mas no meio de tanto entretenimento pop existe também algo mais profundo - pelo menos para nós. Uma hiper-história que começou em 1938 com a publicação do Super-Homem, que foi evoluindo num misto de atabalhoado, orgânico e ...vejam lá bem... pensado. Que continua a crescer e a acrescentar camadas cada vez mais ricas,  ao ponto de parecer estar criado um universo (um multiverso) que ...nós temos a certeza... vive lá fora algures, separado pela vibração da imaginação. É world-building mas também é uma filosofia. Quem olhar para a estrutura do multiverso da DC criada por Grant Morrison vê uma Mandala e vê um Belo. Não seria fantasticamente terrível que existisse, perdidos nas infinitas e prováveis realidades, um Darkseid, uma Source Wall e uma Speed Force? Mas divago!

A DC repete, para nosso bel-prazer, a História do Multiverso e, em cada nova variação, se estávamos perdidos voltamos a ela e, se nunca a abandonámos, somos justificados. Por isso, quando neste Rebirth vejo plantadas as sementes do regresso de algo que adoramos só posso escrever algo tão inútil quanto este post.  

"Parece estar a repetir sempre as mesmas histórias, mas a gente gosta!" - disse o tal meu amigo. Sim, é lindo e nós adoramos!

Momentos FO**-SE! Justice League 50 e DC Universe Rebirth de Geoff Johns e vários



(este post contém SPOILERS)

Já tiveram momentos "foda-se" nas vossas vidas? Sabem do que falo? Daqueles onde são apanhados de tal forma desprevenidos que, apesar do controlo e pudor imposto pelo vosso cérebro, é desenhada pelos músculos do vosso rosto a palavra "foda-se". Pode acontecer a qualquer momento, como é óbvio, mas aqui refiro-me à Arte. Aquela que sublima, que entretém, que eleva. Arte que adoramos mais do que admitimos àquela mulher de quem gostamos. E falo de histórias. Das que são contadas nos livros, na película, nas notas de música. Falo de Banda Desenhada, falo de super-heróis, falo da Mulher-Maravilha, do Super-Homem, do Batman, de todos os personagens da DC Comics.