Mostrar mensagens com a etiqueta Jason Fabok. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jason Fabok. Mostrar todas as mensagens

Colecção Liga da Justiça da Levoir, vol. 5: A Guerra de Darkseid II de Geoff Johns e Jason Fabok


Aproveitando o lançamento do filme homónimo, a editora Levoir está a publicar uma colecção de cinco volumes deste grupo de super-heróis entre o dia 9 de Novembro e 7 de Dezembro. Aqui no Acho que Acho, porque adoramos a DC e a Liga, queremos que vocês não se sintam perdidos na História, Cosmologia e Cosmogonia da editora. Por isso, vamos tentar dar-vos um pequeno Travel Guide. A Lonely Planet que se roa.

Para este volume e para o próximo vão precisar de paciência. Muita... mas da boa. Geoff Johns decidiu acabar a sua sequência de histórias na Liga da Justiça, versão Novos 52, com uma saga que deveria definir a própria palavra "épico" e que está completamente imersa na mitologiacosmologia cosmogonia da DC Comics. É possível apreciar este conto sem os olhos treinados de um leitor de décadas mas tê-los ajuda - e muito. Por outras palavras, este livro e o próximo são pura pornografia DC.

Ora bem... é impossível escapar a alguma(s) explicação(-ções). Podem partir para a ignorância e ler à bruta mas arriscam-se a andar a nadar na maionese. É só o que vos tenho a dizer. Ou então são como eu e, paradoxalmente, gostam de mistérios e de descortinar "O que raio foi isto que aconteceu? Pareço estar num sonho pop do Lynch. Não entendo mas sei que gosto." Se são destes, força, partam para ignorância e leiam à bruta. Se são dos outros, pode ser que o que escrevo em baixo vos ajude.

Multiverso DC: Tudo começou quando os fãs da década de 60 do Flash conheceram o Flash da década de 40 (Flash é aquele herói da DC que corre à velocidade da luz e, graças a isso, pode viajar no tempo e atravessar barreiras dimensionais). Nesse encontro de gerações, os fãs da editora souberam existirem várias Terras, a ocupar o seu lugar em universos paralelos e diferentes. Num universo os heróis tinham iniciado a sua carreira na 2.ª Guerra e noutro apenas na década de 60. O sucesso levou a que a DC se multiplicasse em universos paralelos e Terras Infinitas, o Multiverso. Até que em meados da década de 80 a confusão era muita;

As Crises: Para corrigir o rumo, a DC decide simplificar o seu multiverso e fundi-lo num só universo. Cria o evento Crise nas Terras Infinitas (publicado pela Levoir) que marca uma viragem na editora, conceptual e criativa. Seguir-se-iam outras Crises que corrigiriam alguns erros da primeira e que procuraram repetir o sucesso. Essas crises aparecem nos primeiros capítulos da Guerra de Darkseid relatadas por Metron (já explico quem é): a Hora Zero; a Crise Infinita; a Crise Final; o Flashpoint. O que importa reter é que foi recentemente estabelecido que, apesar das sucessivas Crises reinventarem o multiverso DC e aparentarem recomeçá-lo do zero, elas aconteceram de facto e contam;

O Anti-Monitor: o vilão que causa a Crise nas Terras Infinitas. Nessa história o seu intuito era destruir todos os universos "positivos" para que o seu, "negativo", fosse o único e ele o seu Deus. Terá ainda a mesma motivação na Guerra de Darkseid?

Novos 52: Em 2011, depois de Flashpoint, a DC voltou a reiniciar o seu multiverso do zero e chamou a esse evento Novos 52. A história de todas as suas personagens foi, uma vez mais, reinventada. A Guerra de Darkseid passa-se nesta realidade;

As Amazonas: lendárias guerreiras da Antiguidade Grega, exiladas pelos Deuses do Olimpo na ilha paradisíaca de ThemysciraHipólita, a rainha, é mãe da maior heroína do Universo DC, Diana, a Mulher-Maravilha, membro fundador da Liga da Justiça. No Novos 52, Diana nasceu do romance entre a Rainha das Amazonas e Zeus, o maior dos deuses gregos. Nas versões anteriores e na original nasceu de barro moldado pela mãe e dado vida pelos deuses;

Novos Deuses, Apokolips, Nova Génesis, Darkseid e Highfather: Em tempos já esquecidos pela memória do universo, os deuses antigos pereceram numa batalha apocalíptica. Dessa morte houve um renascimento. Surgiram os Novos Deuses, divididos entre os do Mal, habitantes do Planeta Apokolips, e os do Bem, residentes de Nova Génesis. Os líderes desses dois mundos são Darkseid Highfather, respectivamente. O intuito de Darkseid é encontrar a Equação Anti-Vida, que eliminará a vontade de todos os seres vivos do Multiverso, que passarão a adorar apenas uma palavra e uma vontade, a sua. Ele é o déspota supremo, o maior de todos os males do universo DC. É a razão porque, neste Novos 52, a Liga originalmente se juntou. Nessa altura, Darkseid veio à Terra na busca de alguém e, finalmente, vamos saber quem esse alguém é;

Metron: Nem de Apokolips, nem de Nova Génesis, sempre um observador frio e distante de eventos. Por vezes intervém, sempre segundo uma agenda misteriosa e escondida. A Cadeira Mobius é a fonte do seu poder e da sua quase omnisciente sabedoria;

Mr. Miracle: para evitar a guerra, Darkseid e Highfather fizeram um tratado de paz. Trocariam de filhos. Scott Free, filho de Highfather, sofreria nas mãos de Darkseid. Orion, filho do Deus do Mal, prosperaria em Nova Génesis. Após escapar de Apokolips, Scott Free transformar-se-ia em Mr. Miracleo super-artista da fuga, o Houdini dos Novos Deuses;

Caixas-Mãe: computadores ultra-sofisticados dos Novos Deuses, quase vivos, usados quer por Apokolips, quer por Nova Génesis;

Steppenwolf: o general supremo dos exércitos de Darkseid (reconhecem-no como o antagonista do filme da Liga da Justiça);

Kalibak: outro dos filhos de Darkseid, eternamente na senda da aprovação do pai;

Kanto: o principal assassino do grupo mais próximo de soldados e generais de Darkseid;

Lashina: uma das cinco Fúrias, grupo de guerreiras e assassinas ao serviço de Darkseid;

Desaad: o torturador sádico de Darkseid;

Black Racer: uma das personificações e antropomortfizações da Morte no Multiverso DC. É ele o assassino de deuses;

Big Barda: ex-Fúria de Darkseid, apaixonou-se por Scott Free, o Mr. Miracle, e fugiu com ele para a Terra, onde habitam. Uma das maiores guerreiras do Universo DC, a par de Diana;

Sindicato do Crime: versão maléfica da Liga oriunda da Terra-3. Fugiram para a nossa Terra após a sua ter sido destruída, por razões ainda desconhecidas, pelo Anti-Monitor. Foram o móbil da série Mal Eterno, publicado este ano pela Levoir;

Super-Mulher: versão maléfica da Mulher-Maravilha oriunda da Terra-3. Sabe-se que se encontra grávida da versão de Lex Luthor da Terra-3. Esse Luthor, do lado do Bem esteve imbuído do poder de Shazam, um herói tão poderoso quanto o Super-Homem na nossa Terra e maléfico na 3;

Ultra-Homemversão maléfica do Super-Homem oriundo da Terra-3, líder do Sindicato do Crime:

Owlmanversão maléfica do Batman oriundo da Terra-3;

Source Wall: o limite físico do Multiverso DC. Manifesta-se como uma gigantesca muralha, inultrapassável, ornada das estátuas gigantes daqueles que ousaram tentar passar. Esses são conhecidos como os Gigantes de Prometeus. Do outro lado, julga-se existir O Criador;

Rocha da Eternidade: o centro físico e metafórico do Multiverso DC. Fonte de magia, nele habita o feiticeiro Shazam, que conferiu poderes ao adolescente Billy Batson, conhecido como o super-herói do mesmo nome (antes o Capitão Marvel, mas a editora Marvel ficou com os direitos de uso desse epíteto);

Complicado, não é? Mas eu acho (que acho) que vale mesmo a pena. Divirtam-se! É o que importa...

(seguem-se previews mas antes podem ler aqui o que escrevi sobre o último capítulo desta Guerra de Darkseid (COM SPOILERS), à altura do seu lançamento)




Colecção Liga da Justiça da Levoir, vol. 4: A Guerra de Darkseid de Geoff Johns e Jason Fabok





Aproveitando o lançamento do filme homónimo, a editora Levoir está a publicar uma colecção de cinco volumes deste grupo de super-heróis entre o dia 9 de Novembro e 7 de Dezembro. Aqui no Acho que Acho, porque adoramos a DC e a Liga, queremos que vocês não se sintam perdidos na História, Cosmologia e Cosmogonia da editora. Por isso, vamos tentar dar-vos um pequeno Travel Guide. A Lonely Planet que se roa.

Para este volume e para o próximo vão precisar de paciência. Muita... mas da boa. Geoff Johns decidiu acabar a sua sequência de histórias na Liga da Justiça, versão Novos 52, com uma saga que deveria definir a própria palavra "épico" e que está completamente imersa na mitologia, cosmologia e cosmogonia da DC Comics. É possível apreciar este conto sem os olhos treinados de um leitor de décadas mas tê-los ajuda - e muito. Por outras palavras, este livro e o próximo são pura pornografia DC.

Ora bem... é impossível escapar a alguma(s) explicação(-ções). Podem partir para a ignorância e ler à bruta mas arriscam-se a andar a nadar na maionese. É só o que vos tenho a dizer. Ou então são como eu e, paradoxalmente, gostam de mistérios e de descortinar "O que raio foi isto que aconteceu? Pareço estar num sonho pop do Lynch. Não entendo mas sei que gosto." Se são destes, força, partam para ignorância e leiam à bruta. Se são dos outros, pode ser que o que escrevo em baixo vos ajude.

Multiverso DC: Tudo começou quando os fãs da década de 60 do Flash conheceram o Flash da década de 40 (Flash é aquele herói da DC que corre à velocidade da luz e, graças a isso, pode viajar no tempo e atravessar barreiras dimensionais). Nesse encontro de gerações, os fãs da editora souberam existirem várias Terras, a ocupar o seu lugar em universos paralelos e diferentes. Num universo os heróis tinham iniciado a sua carreira na 2.ª Guerra e noutro apenas na década de 60. O sucesso levou a que a DC se multiplicasse em universos paralelos e Terras Infinitas, o Multiverso. Até que em meados da década de 80 a confusão era muita;

As Crises: Para corrigir o rumo, a DC decide simplificar o seu multiverso e fundi-lo num só universo. Cria o evento Crise nas Terras Infinitas (publicado pela Levoir) que marca uma viragem na editora, conceptual e criativa. Seguir-se-iam outras Crises que corrigiriam alguns erros da primeira e que procuraram repetir o sucesso. Essas crises aparecem nos primeiros capítulos da Guerra de Darkseid relatadas por Metron (já explico quem é): a Hora Zero; a Crise Infinita; a Crise Final; o Flashpoint. O que importa reter é que foi recentemente estabelecido que, apesar das sucessivas Crises reinventarem o multiverso DC e aparentarem recomeçá-lo do zero, elas aconteceram de facto e contam;

O Anti-Monitor: o vilão que causa a Crise nas Terras Infinitas. Nessa história o seu intuito era destruir todos os universos "positivos" para que o seu, "negativo", fosse o único e ele o seu Deus. Terá ainda a mesma motivação na Guerra de Darkseid?

Novos 52: Em 2011, depois de Flashpoint, a DC voltou a reiniciar o seu multiverso do zero e chamou a esse evento Novos 52. A história de todas as suas personagens foi, uma vez mais, reinventada. A Guerra de Darkseid passa-se nesta realidade;

As Amazonas: lendárias guerreiras da Antiguidade Grega, exiladas pelos Deuses do Olimpo na ilha paradisíaca de Themyscira. Hipólita, a rainha, é mãe da maior heroína do Universo DC, Diana, a Mulher-Maravilha, membro fundador da Liga da Justiça. No Novos 52, Diana nasceu do romance entre a Rainha das Amazonas e Zeus, o maior dos deuses gregos. Nas versões anteriores e na original nasceu de barro moldado pela mãe e dado vida pelos deuses;

Novos Deuses, Apokolips, Nova Génesis, Darkseid e Highfather: Em tempos já esquecidos pela memória do universo, os deuses antigos pereceram numa batalha apocalíptica. Dessa morte houve um renascimento. Surgiram os Novos Deuses, divididos entre os do Mal, habitantes do Planeta Apokolips, e os do Bem, residentes de Nova Génesis. Os líderes desses dois mundos são Darkseid e Highfather, respectivamente. O intuito de Darkseid é encontrar a Equação Anti-Vida, que eliminará a vontade de todos os seres vivos do Multiverso, que passarão a adorar apenas uma palavra e uma vontade, a sua. Ele é o déspota supremo, o maior de todos os males do universo DC. É a razão porque, neste Novos 52, a Liga originalmente se juntou. Nessa altura, Darkseid veio à Terra na busca de alguém e, finalmente, vamos saber quem esse alguém é;

Metron: Nem de Apokolips, nem de Nova Génesis, sempre um observador frio e distante de eventos. Por vezes intervém, sempre segundo uma agenda misteriosa e escondida. A Cadeira Mobius é a fonte do seu poder e da sua quase omnisciente sabedoria;

Mr. Miracle: para evitar a guerra, Darkseid e Highfather fizeram um tratado de paz. Trocariam de filhos. Scott Free, filho de Highfather, sofreria nas mãos de Darkseid. Orion, filho do Deus do Mal, prosperaria em Nova Génesis. Após escapar de Apokolips, Scott Free transformar-se-ia em Mr. Miracleo super-artista da fuga, o Houdini dos Novos Deuses;

Caixas-Mãe: computadores ultra-sofisticados dos Novos Deuses, quase vivos, usados quer por Apokolips, quer por Nova Génesis;

Steppenwolf: o general supremo dos exércitos de Darkseid (reconhecem-no como o antagonista do filme da Liga da Justiça);

Kalibak: outro dos filhos de Darkseid, eternamente na senda da aprovação do pai;

Kanto: o principal assassino do grupo mais próximo de soldados e generais de Darkseid;

Lashina: uma das cinco Fúrias, grupo de guerreiras e assassinas ao serviço de Darkseid;

Desaad: o torturador sádico de Darkseid;

Black Racer: uma das personificações e antropomortfizações da Morte no Multiverso DC. É ele o assassino de deuses;

Big Barda: ex-Fúria de Darkseid, apaixonou-se por Scott Free, o Mr. Miracle, e fugiu com ele para a Terra, onde habitam. Uma das maiores guerreiras do Universo DC, a par de Diana;

Sindicato do Crime: versão maléfica da Liga oriunda da Terra-3. Fugiram para a nossa Terra após a sua ter sido destruída, por razões ainda desconhecidas, pelo Anti-Monitor. Foram o móbil da série Mal Eterno, publicado este ano pela Levoir;

Super-Mulher: versão maléfica da Mulher-Maravilha oriunda da Terra-3. Sabe-se que se encontra grávida da versão de Lex Luthor da Terra-3. Esse Luthor, do lado do Bem esteve imbuído do poder de Shazam, um herói tão poderoso quanto o Super-Homem na nossa Terra e maléfico na 3;

Ultra-Homemversão maléfica do Super-Homem oriundo da Terra-3, líder do Sindicato do Crime:

Owlmanversão maléfica do Batman oriundo da Terra-3;

Source Wall: o limite físico do Multiverso DC. Manifesta-se como uma gigantesca muralha, inultrapassável, ornada das estátuas gigantes daqueles que ousaram tentar passar. Esses são conhecidos como os Gigantes de Prometeus. Do outro lado, julga-se existir O Criador;

Rocha da Eternidade: o centro físico e metafórico do Multiverso DC. Fonte de magia, nele habita o feiticeiro Shazam, que conferiu poderes ao adolescente Billy Batson, conhecido como o super-herói do mesmo nome (antes o Capitão Marvel, mas a editora Marvel ficou com os direitos de uso desse epíteto);

Complicado, não é? Mas eu acho (que acho) que vale mesmo a pena. Divirtam-se! É o que importa...

(seguem-se previews mas antes podem ler aqui o que escrevi sobre o primeiro capítulo desta Guerra de Darkseid, à altura do seu lançamento)




Colecção Liga da Justiça da Levoir, vol. 2: O Virus Amazo de Geoff Johns e Jason Fabok



Aproveitando o lançamento do filme homónimo, a editora Levoir irá publicar uma colecção de cinco volumes deste grupo de super-heróis entre o dia 9 de Novembro e 7 de Dezembro. Aqui no Acho que Acho, porque adoramos a DC e a Liga, queremos que vocês não se sintam perdidos na História, Cosmologia e Cosmogonia da editora. Por isso, vamos tentar dar-vos um pequeno Travel Guide. A Lonely Planet que se roa.

Em 2011 a DC Comics estava em apuros. As vendas não andavam entusiasmantes. Sendo que os super-heróis são o pão que alimenta a casa, fez-se necessária uma injecção de adrenalina para espevitar os leitores a quererem ler as histórias das suas personagens. Surge o Novos 52. De uma forma nunca vista, a DC Comics reinicia do zero todo o seu universo dos homens de collants. Surgem uma batelada de números um (52, para ser exacto), mesmo para as duas mais antigas revistas da editora: Action Comics, onde, em 1938, nasceu o Super-Homem; Detective Comics onde, em 1939, apareceu o Batman.

A revista que deu o pontapé de saída a esta tão drástica "evolução" foi a da Liga da Justiça, escrita por Geoff Johns e desenhada por Jim Lee - e que a Levoir já publicou numa anterior colecção. Numa história de seis números (escrever para o Trade, como agora se gosta de fazer), as mais poderosas e relevantes personagens da editora encontraram uma razão para se juntarem. O vilão chamava-se Darkseid, o Deus do Mal, criação do eterno Jack Kirby. Os heróis eram o Super-Homem, o Batman, a Mulher-Maravilha, o Aquaman, Lanterna Verde, o Flash e o Cyborg. Os que ligam a estas coisas notam, desde logo, uma diferença: a ausência do Caçador de Marte, substituído pelo último da lista. 

Cyborg foi criado nos princípios da década de 80 por Marv Wolfman e por George Pérez como parte da equipa Novos Titãs. À altura era um adolescente transformado num ciborgue pela ciência do seu pai após ter sido vítima de um terrível acidente. Atormentado pela transformação que o desfigurou, sempre viveu consumido pelas cicatrizes que carregava - uma nova versão do Coisa da Marvel. A sequência de histórias de Wolfman e Pérez marcaria,  pela sua qualidade, uma época e uma geração. Geoff Johns terá sido um deles e decidiu, nesta reinvenção da Liga, mudar a sua já longa História e a formação original. Continuariam a ser os Big 7 mas com uma "pequena" modificação. Esta é a equipa que veremos no segundo volume desta colecção e também no filme que estreia hoje.

O adversário de O Virus Amazo também ele é uma evolução de um clássico inimigo da Liga. Amazo era um robô criado por outro antagonista, o Professor Ivo, que possuía a peculiar qualidade de duplicar qualquer super-poder. No fundo, era uma forma dos escritores contornarem o poder quase divino da Liga da Justiça: virar as suas próprias capacidades contra ela. Geoff Johns procura transformar um conceito considerado datado e adaptá-lo à paranóia do mundo moderno, para tal fazendo uso de Lex Luthor, o eterno némesis do Super-Homem, que assume um papel particularmente importante nesta história. Note-se que este volume segue-se imediatamente após a saga Mal Eterno, publicada na colecção da Levoir dedicada aos vilões da DC No Coração das Trevas. No final dessa, Lex passou a ser membro da Liga. Escusado será dizer que as tensões são mais que muitas.

(seguem previews)




Momentos FO**-SE! Justice League 50 e DC Universe Rebirth de Geoff Johns e vários



(este post contém fortes spoilers)

Já tiveram momentos foda-se nas vossas vidas? Sabem perfeitamente do que vos falo. Daqueles momentos onde são apanhados de tal forma desprevenidos que, a despeito do controlo e pudor imposto pelo vosso cérebro, é desenhada pelos músculos do vosso rosto a palavra "foda-se". Pode acontecer com qualquer momento, como é óbvio, mas, no que aqui quero falar-vos, refiro-me a arte que sublima, que entretém, que eleva. Arte que adoramos mais do que podemos admitir àquela mulher gira e interessante. E, ainda mais especificamente, falo de histórias. Das que são contadas em livros, em película, em notas de música. Falo de Banda Desenhada, falo de super-heróis, falo da Mulher-Maravilha, do Super-Homem, do Batman, de todos os personagens da DC Comics (que quem me lê sabe perfeitamente que amo).

Já há muitos meses (dez!) que esperava pelo fim da saga Darkseid War, que correu nas páginas da revista Justice League, escrita por Geoff Johns e desenhada por Jason Fabok (com uma pequena ajuda de Francis Manapul). Nela, a maior equipa de super-heróis de qualquer universo enfrentava dois dos maiores adversários da extravagante mitologia dos super-heróis: Darkseid e o Anti-Monitor (os menos familiares com estes nomes que me perdoem, mas acho que esqueci-me de avisar que este post não é para todos. Ou melhor, é para todos os que gostam de ver prazer na face dos outros). Como cereja no topo do bolo, a saga foi deliciosamente narrada pela minha personagem favorita de todas as personagens dos super-heróis: Diana de Themyscira, a Mulher-Maravilha. Face a este cenário, o entusiasmo era muito e a expectativa impossível de domar, o que dificulta sempre a vida a qualquer artista, porque superar a imaginação de um leitor é uma tarefa vã. Neste momento em que vos escrevo, em que a leitura está ainda quente na memória, falo-vos só em como me diverti. Falo-vos da voracidade com que as páginas eram folheadas e em como o fim não chegava suficientemente depressa e ao mesmo tempo receava que chegasse. Até que aconteceu e um "foda-se!" desenhou-se nos lábios, os olhos arregalaram-se e escapou-se-me "a Mulher-Maravilha tem um irmão gémeo?". Não, não tem importância nenhuma, é ridículo mesmo que um homem adulto possa dar importância a isto, mas quando leio aquelas palavras e vejo aqueles desenhos o mundo apaga-se à minha volta e desapareço na infância. É verdadeiramente fabuloso!

As últimas páginas de Justice League não servem para descansar (quê? Metron e Owlman morrem e deixam para trás uma Cadeira Mobius ensanguentada?). No rodapé do último quadradinho lê-se "continua em DC Universe Rebirth" e eis que sigo, acto contínuo, para essas outras páginas, também escritas por Geoff Johns e desenhadas por vários artistas. Este era O evento que os fãs da DC Comics tanto esperavam, onde era anunciado o regresso do optimismo, da luminosidade, do sentido de legado ao universo de super-heróis desta editora. A DC tem sido alvo de criticas pelo excesso de negritude, de soturnidade, como se a herança (involuntária) do seminal Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons ainda perdurasse. Essa obra incontornável, junto com The Dark Knight Returns, marcou uma viragem na BD dos EUA, originando cópias que confundiram a forma com o conteúdo e consolidaram a imagem do anti-herói. Esse tipo de narrativa foi, inclusive, a inspiração de Zach Snyder para a sua interpretação dos filmes Man of Steel  e Batman v Superman. Geoff Johns achou ser uma boa altura para inverter a tendência (as vendas não ajudavam a nada, para ser totalmente sincero). Assim surge DC Universe Rebirth, uma BD que não é só uma revista mas também uma declaração de intenções e uma montra para futuros enredos em outras (aliás, o facto de nenhuma linha de história ter resolução neste número é a maior fraqueza deste DC Rebirth).

O escritor consegue, uma vez mais, a proeza de contar uma história pop, sim, mas tocante, emocional, entusiasmante, cheia de momentos deliciosos, capazes de partir o coração empedernido dos fãs da DC. Wally West volta e é o móbil da acção? A Sociedade da Justiça e a Legião dos Super-Heróis afinal ainda existem? Foram roubados dez anos à história do universo DC? Por quem? A revelação do inimigo originou um segundo movimento incontrolável dos lábios ao som da palavra "foda-se!". O Dr. Manhattan dos Watchmen de Moore é o adversário? O vilão?

É neste momento que o trabalho de Johns eleva-se ao meta-textual. DC Universe Rebirth não é apenas uma tentativa mercantilista de inverter a decaída das vendas da editora mas também um comentário do escritor à influência (negativa) que Watchmen teve nos super-heróis. Não por culpa da obra ou dos artistas mas de quem a interpretou (mal!). Geoff Johns consegue uma proeza e deve ser louvado por isso. Não criou aqui uma obra a figurar nos anais da BD, claro, mas sim um belíssimo pedaço de entretenimento feito amor e carinho por mitologias e histórias que agarram alguns milhares de fãs (eu, inclusive). 

Mesmo com todo este entusiasmo, os anos que passei a virar frangos não deixam-me ainda descansar. Por mais interessantes que tenham sido estas duas revistas elas sofrem do maior problema das actuais histórias de super-heróis, quer falemos da Marvel, quer da DC: um evento é apenas o prelúdio de outro evento, uma infinita telenovela da qual não vislumbra-se qualquer final. Neste aspecto, este DC Universe Rebirth é pior porque, no meio do coração que foi a história de Wally West e a revelação do vilão, existe um sem número de teasers para outras histórias, muitas delas das quais desconhecemos onde acontecerá a continuação. Name of the game? Não necessariamente, porque se depois o que vem a seguir não satisfaz então nada valeu a pena. Por enquanto, têm a minha atenção. Venha de lá esse renascimento.

Justice League, número 41 por Geoff Johns e Jason Fabok

Todos procuramos momentos de prazer. Na comida que comemos. Nas pessoas com quem convivemos. Para os adoradores da leitura é um deleite supremo quando nos deparamos com algo que achamos particularmente bem escrito, bem estruturado e entusiasmante. Isso pode vir da arte de bem escrever ela própria  ou, pura e simplesmente, de um prazer pop que advém dos lugares mais íntimos. Ou, no melhor de todos os mundos, pode provir dos dois. E assim termino a introdução para este Justice League número 41 pelas mentes de Geoff Johns e Jason Fabok.

Geoff Johns não é um escritor de excepção. Ele não esconde não ter qualquer tipo de ambição para além de uma relação popular com o leitor de BD. Não é Alan Moore ou Jodorowsky. Nesse sentido, quando se lê o trabalho deste escritor não se espera muito para além de um controlo acima da média da arte de bem contar uma história de super-heróis. Quem já leu os poucos trabalhos de Johns fora deste tipo sabe do que falo. Contudo, ano após ano, trabalho após trabalho, tem conseguido merecer o título de um dos mais entusiasmantes escritores de BD das mulheres e homens de collants. Até recentemente o seu produto na já longa saga da Liga da Justiça não era dos melhores exemplos do que acabei de referir. Até chegar Darkseid War, a saga que começa em força neste número 41 e que os leitores deste blog já conhecem (leiam aqui o que escrevi) e conhecem o entusiasmo com que aguardava o seu despoletar.

Para os que não estão dentro da minha cabeça é difícil reproduzir a alegria infantil que foi finalmente poder ler esta história. Nela conjugam-se, para mim, quase todos os elementos que contribuem para uma boa história de super-heróis: uma ameaça cósmica que põe em risco toda a realidade; a junção dos maiores arquétipos do super-herói, os mais reconhecíveis, numa única equipa e contra a dita ameaça; enfoque num dos meus personagens favoritos deste mundo literário, Diana de Themyscira, a Mulher-Maravilha.  Claro que, facilmente, poderia descambar para um clássico caso de expectativas muito altas que saem defraudadas. Nada disso. Foram amplamente atingidas em esplendorosas 40 páginas da arte suprema de bem fazer BD de super-heróis. 

Existem todos os elementos que desenham a assinatura de Geoff Johns: o enfoque nas personalidades dos personagens, com momentos exemplares que envolvem Shazam, Super-Homem/Lex Luthor,  Darkseid, Mister Miracle e, claro, a Mulher-Maravilha; enredo cheio de surpresas; escala cosmogónica; em suma, momentos de tirar o fôlego. Isto é o que a BD de super-heróis deve (por vezes) almejar ser: alicerçada num longo historial sem detrimento de novos leitores mas também nunca dos velhos; orçamento ilimitado pela imaginação; seres arrebatadamente puros e bons a enfrentar outros tenebrosamente maléficos - uma ópera do Bem contra o Mal, com o destino do espaço-tempo nas mãos de ambos. A DC Comics quando quer, e porque tem os tais maiores arquétipos, os mais tenebrosos dos vilões, consegue isso de uma forma deliciosa. Este início da Darkseid War  é isso mesmo. Aplausos.