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Uma BD aqui, outra BD ali, 25 - Universo DC



Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei.  Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Doomsday Clock número 7 de Geoff Johns e Gary Frank,
Batman Damned número 1 de Brian Azzarello e Lee Bermejo e
Heroes in Crisis número 1  de Tom King e Clay Mann

(com alguns spoilers)

É-me difícil ser imparcial. Desde há mais de 30 anos que a DC Comics e as suas personagens são as minhas favoritas da BD. Nesse tempo, existiram altos e baixos. O final da década de 80, princípios da de 90 e algum do início do século XXI foram anos de muitos prazeres. Depois, estes foram diminuindo gradualmente até atingir o ponto mais baixo, sempre com excepções, por volta de 2016. Mas em meados desse ano, surge o selo DC Rebirth, onde a editora inicia um lento plano de recuperação do lustro que muito de nós sabiam existir. Os três títulos dos quais venho falar são belíssimos exemplos deste renascimento.

Colecção DC Levoir/Público – 5.º Volume: Joker

(Prometo tentar informar aos menos conhecedores de BD acerca da acessibilidade desta colecção, ou seja se é fácil ou não ler sem saber muito mais coisas)

Grau de acessibilidade: Fácil

Sai amanhã, Quinta-feira, dia 8 de Agosto, junto com Público e custa 8,9€

O que podem ter nas mãos, com este quinto volume da coleção da Levoir/Público, é um clássico da literatura.

Estamos a falar da história pela qual todas as outras que protagonizaram o Joker e o Batman seriam julgadas - Batman, the Killing Joke. Publicada em 1988, reúne dois titãs, Alan Moore na escrita e Brian Bolland nos desenhos, naquele que seria o derradeiro contributo do primeiro às ordens da DC Comics (Alan Moore saíria acusando a editora de censura). Este conto, que define o termo qualidade nesta arte, relata um dos múltiplos confrontos entre estes dois personagens maiores da cultura popular do século XX, mas com complexidade psicológica e narrativa poucas vezes vista até à data. Este é o Joker de Alan Moore, não apenas o palhaço psicopata genocida, um vulcão de comportamentos caóticos, mas antes um acutilante comentador da sociedade, um pivot que, do alto da sua superioridade intelectual, tece diatribes julgadas insanas pelos comuns mortais, mas a quem a eternidade e a posteridade darão razão. Este Joker, à falta de melhor termo, é o super-vilão assassino filósofo e o Batman apenas vive no seu mundo.

O conto de Brian Azzarello (escrita) e Lee Bremejo (desenhos) é de 2008, e conta uma perspectiva diferente de Joker mas, ainda assim, emersa nas idiossincrasias dos autores e não apenas na imagem popular associada ao vilão. Este Joker é o complexo criminoso herdeiro de Moore e também um agente noir (como convém à escrita de Azzarello) da cidade rei desse estilo literário, Gotham City. Esta é uma história exclusiva de Joker e, a título de curiosidade, utiliza o mesmo efeito dramático dos lábios rasgados que Heath Ledger e Christopher Nolan utilizaram no seu Dark Knight. Azzarello afirmou, em entrevista, que a decisão de utilizar esse truque visual poderoso nada teve a ver com o filme, antes foi uma feliz coincidência (deixo ao critério de cada um tecer a sua versão deste acontecimento).

Nota final – Eu não partilho da opinião que se tem de saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.