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Uma BD aqui, outra BD ali, 20

Há quem diga que os floppies estão a morrer - panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem. Espero que não porque adoro devorá-los! É um prazer que rezo para nunca acabar. De vez em quando, escrevo umas breves palavras sobre alguns que gostei. Só isso: gostado. Não são nem melhor nem pior que outras coisas.

Justice League: No Justice números 1 a 4 de vários (DC Comics) e Amazing Spider-Man número 800 de vários (Marvel)


Os leitores de BD debatem-se com a questão do que é mais importante: a escrita ou o desenho. É uma variação do que é melhor para a pizza: a massa ou o que vai para cima dela. Este debate leva a situações interessantes, como o facto de na França o nome do desenhador aparecer primeiro que o do escritor e nos EUA ser o contrário.

Uma BD aqui, outra BD ali, 16

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Amazing Spider-Man número 799 de Dan Slott e Stuart Immonen (Marvel)

O caminho inexorável para mais um histórico número do Homem-Aranha continua. Dan Slott, que escreve a personagem há 10 anos, está na recta final deste seu canto do cisne, Go Down Swinging. Neste (e a partir de aqui há spoilers), Peter Parker enfrenta o seu maior adversário, Norman Osborn, o Duende Verde. Esta é uma inimizade antiga, que já deu fruto a enormes tragédias, a maior das quais a morte de uma das namoradas do herói. O conflito tem sido explorado até às últimas consequências, ou assim o pensávamos.  Slott concebeu uma nova perspectiva ao aumentar o já significativo nível de ameaça que Osborn representa. O escritor fundiu-o a um outro vilão, o alienígena Carnage, um parasita de forma viscosa e tendências (ultra) psicopatas. Assim nasceu Red Goblin, cem vezes mais louco que o Duende Verde e 1000 vezes mais mortífero. Uma máquina de matar sem remorsos e perto do imbatível.

O nível de perigo foi apropriadamente aumentado para níveis ridículos. O vilão é invencível e maníaco, sabe a identidade secreta do nosso herói e a combinação destes dois factos só pode significar uma gigantesca dor de cabeça para o Homem-Aranha, que terá de fazer das tripas coração para salvar os seus e a própria pele. 

Como já o disse nesta rubrica, Slott está a recuperar de um certo e determinado arrufo que havia provocado com alguns fãs. O Homem-Aranha de Go Down Swinging é O Homem-Aranha. Colocado numa situação desesperada, Peter Parker evoca todas os seus recursos, não só como super-herói mas também como cientista e indivíduo. Ao mesmo tempo, o vilão, mais poderoso fisicamente, é uma espada de Damocles prestes a cair no mundo pessoal do herói, evocando tragédias passadas e preparando os leitores para uma possível nova. Sinceramente, não se deveria pedir muito mais de uma história do Aranhiço.

Action Comics número 1000 de vários (DC Comics)

Oitenta. É este o número de anos que acumularam-se desde que o Super-Homem viu, pela primeira vez, a luz do dia em 1938. É ele o arquétipo-base de todo um estilo literário. É ele o molde do qual nasceram todos os outros. Até o Batman

Ontem, a revista que o viu nascer atingiu o histórico número 1000, a primeira de toda a BD americana a chegar a esse histórico marco. Um momento tão importante teria de ser aproveitado de forma exemplar e única. Foram vários os artistas convidados para criar pequenas homenagens ao maior de todos os super-heróis. Todos trouxeram o melhor das suas habilidades para produzir pequenos elogios ao Homem de Aço. Como não poderia deixar de ser, o produto final depende da inspiração e do talento.

Tom King destaca-se. O escritor de títulos lendários como Batman, Mr. Miracle ou Vision consegue, uma vez mais, retirar da cartola um sentido e emocional elogio, desta vez ao Super-Homem. Coloca-o no futuro longínquo, nos últimos dias da Terra, para que deseje um último adeus a quem deu-lhe tudo o que ele é. King percebe, nestas simples cinco páginas tudo o que faz esta personagem: um homem, apenas um homem, com os poderes de um deus. 

Outros conseguem obras também relevantes, como a já costumeira parelha Tomasi/Gleason, que transportam o nosso herói para múltiplas evoluções de si mesmo. Ou Scott Snyder e Rafael Albuquerque, que escolhem focar-se na inimizade com Lex Luthor, o seu maior adversário. Também Paul Dini e o maravilhoso José Luis Garcia-Lopez fazem uma homenagem através de um outro dos vilões históricos do Super, ao ponto de parecer estarmos a ler uma história escrita por Alan Moore. Meltzer e Cassaday são parcimoniosos, e abordam os incríveis poderes desta personagem maior que a vida. 

Muitos outros juntaram-se à festa, mas, antes de terminar, terei de destacar a inauguração da sequência de histórias de Brian Michael Bendis, que aqui é acompanhado por Jim Lee no desenho. Bendis é quem escreverá o Homem de Aço no futuro próximo e a DC tem feito bastante questão de o publicitar aos quatro ventos. É ainda cedo para qualquer julgamento, nem que seja porque muito pouco é esclarecido. A descompressão e diálogos típicos do escritor estão lá e, claro, uma revelação bombástica (que de bombástico tem muito pouco porque já tinha sido revelada na net). Os fãs do Super-Homem querem que continue a ser o que ele foi neste últimos 80 anos. Seja bem-vindo Sr. Bendis e que nos dê o que de melhor o Homem de Aço é capaz. 

Uma BD aqui, outra BD ali, 14

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Action Comics número 999 de Dan Jurgens e Will Conrad (DC Comics)

Às portas do histórico número 1000 da mais antiga revista de super-heróis do mundo, aquela onde, em 1938, nasceu a mais importante personagem desse estilo, Dan Jurgens, também ele um histórico escritor e desenhista do Homem de Aço, oferece-nos uma coda para a sua segunda sequência de histórias com o Super-Homem. Ainda haverá um especial, mas este número tem um sabor diferente, um sabor a fim.

Jurgens é conhecido mais pelo seu trabalho que pelo nome. No número 75 da versão da revista do Super da altura (1992), foi o responsável pela mediática morte do maior de todos os super-heróis - fez capa do jornal O Público, entre outros. Bastou isso para entrar no panteão dos grandes que trabalharam no Homem de Aço. Regressou recentemente (em 2016) e parecia voltar a algumas velhas histórias e conceitos da sequência de histórias da década de 90. E se havia algumas dúvidas, este número 999 dissipou-as a todas.

O autor escreve uma carta de adeus disfarçada de enredo gordo: um vilão que ajudou a criar encontra um tipo de redenção; Lois Lane confronta-se filosoficamente com o pai; e o Super-Homem prova porque ser bondoso nunca deveria sair de moda. Não é um prodígio de escrita (Jurgens nunca almejou a essas alturas), mas funciona como uma forma elegante de despedir-se de uma personagem cuja História ajudou a escrever. Esta sequência teve muitos altos e baixos e, de uma forma geral, nunca excedeu o mediano. Contudo, o número 999 é surpreendentemente bom e um tributo elegante à verdadeira mensagem do Homem de Aço.

Amazing Spider-Man número 798 de Dan Slott e Stuart Immonen (Marvel)


A frase "just when I thought I was out... they pull me back in" é apropriada. A mais recente fase de Slott no Aranha não era do meu agrado (depois de 10 anos consecutivos a escrevê-lo). Peter era um homem de negócios de sucesso, o seu uniforme um prodígio tecnológico. Em suma, uma versão do Homem de Ferro. Não era o Trepador com que cresci, o de Lee/Ditko, de Lee/Romita, de Wein/Andru. Um Peter com problemas de dinheiro, cujo uniforme por vezes tresandava ou tinha de ser remendado. Os vilões eram mais que antagonistas, eram ameaças à sua vida pessoal, aos seus amigos, às suas namoradas (uma delas morre nas mãos do seu pior adversário, o Duende Verde). A vida de super-herói do Homem-Aranha era o oposto de glamorosa. No piadas que usava para lidar com os temíveis inimigos escondia-se um sofrimento e uma tragédia prestes a acontecer. A vida de Peter parecia estar sempre a um segundo de descambar numa irremediável hecatombe. E quando esta acontecia (e aconteceu várias vezes) a força dos seus princípios e do seu carácter impulsionavam-no a lutar mais um segundo com aquela réstia de força que afinal ainda tinha. Peter era o homem comum que sobrevive a tudo. Essa é e sempre será a verdadeira força do Homem-Aranha, provavelmente a melhor criação da Marvel.

Slott estava a guardar esta última saga para o final. É verdade que já tinha dado provas de que sabia lidar com a personagem mas, no que a mim diz respeito, parou de o fazer antes do Dr. Octopus tomar conta do corpo do Aranhiço (não que tenha sido uma fase que desgoste totalmente). O escritor escolhe focar o confronto entre Peter e o seu maior inimigo, Norman Osborn, o Duende Verde, que, nesta história, foi transformado numa ameaça ainda maior. Provavelmente a maior parte de vós já sabe do que se trata, mas não irei aqui estragar a surpresa a quem não navega sofregamente pelos sites de fãs de comics. A ideia por detrás desta ameaça é particularmente criativa e cria a expectativa de um confronto aterrador (a revelação da dita ameaça deixa o herói sem palavras, ou melhor, com umas poucas mas coloridas). Ao mesmo tempo, paira sobre a sua família e amigos um manto de tragédia. Digamos que deveremos esperar o pior do histórico número 800. Como já perceberam é assim que, para este vosso fã, se escreve uma história do Homem-Aranha.

Uma BD aqui, outra BD ali, 12

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Amazing Spider-Man número 797 de Dan Slott e Stuart Immonen (Marvel)

(com spoilers de números anteriores)

É por causa do Homem-Aranha que estou aqui. É por causa dele que escrevo sobre BD. É por causa dele que amo BD. 

Começou há quase 40 anos e não parou desde então. O meu apego à personagem é grande e é sempre com um peso no coração (que não deveria existir porque estamos a falar de alguém que não é real) que vejo quando os autores o desviam da essência do que eu acho que é uma história do Trepador de Paredes. Eu acompanhei a histórica sequência do escritor Dan Slott desde o seu começo, há 10 anos atrás. Parei quando decidiu transformar Peter Parker num CEO de sucesso, dono de uma empresa multinacional. Se calhar não deveria ter abandonado, mas tentei regressar pelo menos uma vez e as narrativas não me entusiasmaram (no fundo era só isso e existem tantas outras onde gastar dinheiro). Entretanto, aproxima-se o fim do trabalho de Slott no Aranha - irá acontecer no número 800 da revista Amazing Spider-Man (que leio desde o 157, versão portuguesa). Soube que Peter Parker já não era um CEO, que voltou a ter problemas de dinheiro e que o seu pior inimigo, Norman Osborn, fundiu-se com o maior psicopata da galeria de vilões do herói: Carnage. O meu interesse foi espicaçado para esta última grande celebração de Slott chamada Go Down Swinging, composta por quatro partes e que aparenta ser um clássico instantâneo.

Slott toca na perfeição todas as notas que escrevem uma boa história do Homem-Aranha. Uma ameaça, pessoal, tenebrosa e poderosa, espera nas sombras para cair sobre o seu mundo e sobre as pessoas que ama. Essa ameaça é Norman Orborn e Carnage, juntos numa entidade chamada Red Goblin. Sabemos que alguém poderá morrer no final destes quatro capítulos e a tensão desse medo é palpável. Sabemos que a resiliência de Peter Parker o ajudará, mas a tragédia é sempre uma constante espada de Damocles sobre a sua cabeça. Que mais é que o mundo colocará no seu caminho, depois de já tanta desgraça? Será que poderemos esperar por um pequeno, minúsculo, final feliz? Neste momento, é impossível saber. Apesar de as histórias de super-heróis serem conhecidas pela morte não ser definitiva, ainda assim somos arrastados pela tensão.

É com antecipação que leio esta última história de Slott (ou penúltima, já que haverá ainda uma no número 801). É com antecipação que quero que seja uma merecedora coda.

Savage Dragon número 232 de Erik Larsen (Image)

Provavelmente, um dia, Savage Dragon (SD) será a mais longa sequência de histórias de BD escritas e desenhadas de forma ininterrupta pelo mesmo autor. Esse título (penso) cabe a Dave Sim com o seu Cerebus, que durou 300 números.  SD não pretende atingir os níveis de intelectualismo (ou pedantismo, por vezes confundem-se) que esta última obra independente assumiu querer. Larsen deseja apenas uma BD entretida, hiperbólica, com muitas mamas, sexo, acção super-heroísta escabrosa e twists a torto e a direito. O estilo é o mesmo desde a primeira página do primeiro número da mini-série original e, fora um decréscimo de detalhe no desenho, assim tem sido há mais de 25 anos.

Um dos pormenores interessantes é que 25 anos no nosso mundo são também 25 anos na BD. As personagens envelheceram, casaram, tiveram filhos. Os filhos casaram e tiveram eles também filhos. No meio disso tudo existem os vilões e, ao contrário do que é costumeiro nos super-heróis, a morte tem o péssimo hábito de ser definitiva. Existe o "perigo real" de o leitor afeiçoar-se a uma personagem que Larsen, num assomo de fúria, mata no segundo a seguir - literalmente, já que a velocidade, crueza e surpresa dos acontecimentos é uma das marcas do seu SD. Convém vir preparado com um desfibrilador.

Neste número 232 continuamos a oscilar entre cenas da vida conjugal do filho do Dragon original, ele próprio com mulher e três filhos a viver em Toronto, uma dimensão paralela onde acompanhamos a mãe deste filho, agora uma vilã, e mais uns enredos paralelos. Tudo feito com a assinatura narrativa que descrevi acima. Tudo feito de forma divertida, descontraída e de leitura rápida (talvez rápida demais, isto será melhor em TPB). Em suma, uns cinco minutos bem passados ao custo de 3,99 dólares (pouco menos de 5€ numa loja portuguesa). A história acaba com dois twists interessantes que só fazem desejar pelo próximo mês. A ver onde isto vai dar!

Imperatriz vol. 1 de Mark Millar e Stuart Immonen (GFloy)

(a partir de 28 de Fevereiro nas bancas) 

A editora portuguesa GFloy adquiriu recentemente os direitos de publicação da Millarworld. Esta é a marca do escritor Mark Millar, escocês responsável por alguns blockbusters dos comics das duas últimas décadas, quer através da Marvel, quer da DC, quer desta incursão independente. Mas desenganem-se se acham que Millar entrou no mundo da publicação para perder. Muitas das suas BDs têm sido êxitos da 9.ª Arte mas também da 7.ª, com adaptações cinematográficas de sucesso garantido: Kick-Ass e Kingsmen. Consumado vendedor e encantador de serpentes, Millar tem conseguido convencer alguns dos maiores talentos artísticos dos comics para entrar em co-autoria de obras publicadas através da Millarworld. Estas são produções conjuntas, de esforço e recompensa partilhada. Para este Imperatriz escolheu Stuart Immonen, cinético desenhista que já trabalhou no Homem-Aranha, nos X-Men e no Super-Homem. Immonen possui uma composição e desenhos cativantes e atractivos, capazes de prender a atenção da mente mais distraída.

A história passa-se no passado distante do nosso planeta, há 65 milhões de anos, quando os nossos antecessores governavam as paisagens do planeta que viria a ser a nossa casa.  Envolve a fuga de uma rainha das mãos psicopatas de um governante ditatorial, o seu marido. Uma fuga que a levará, aos seus filhos e amigos aos quatro cantos do universo em busca de refúgio em civilizações alienígenas coloridas e multifacetadas.

Imperatriz é a definição de blockbuster. A velocidade é vertiginosa. Millar e Immonen não deixam o leitor respirar, obrigando ao frenético voltar de página, ao desespero de saber o que virá a seguir. O artista tem espaço para brilhar, ao inventar inúmeras paisagens extraterrestres, seres alienígenas, acção incontida. O escritor é parcimonioso nas palavras, estilo pelo qual é conhecido, o que contribui para a velocidade da leitura mas também da obra em si. Millar é um verdadeiro parceiro do desenhador, permitindo-o brilhar com a sua estética e design, sem limites e com o mínimo de intromissão. Digamos que é o anti-Alan Moore. As suas histórias são big concepts de diversão desregrada e (quase) acerebral. Diversão e entretenimento puros que prendem e relaxam. 

Acabamos Imperatriz com a sensação de ter visto um filme de alto orçamento. Entretidos desde a primeira à última página. E temos de agradecer à GFloy o prazer que nos dá ao imprimir as suas obras em formato maior que comic. Uns vêem televisão. Com estas edições vamos ao Cinema.

Uma BD aqui, outra BD ali, 8

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Doomsday Clock número 3 de Geoff Johns e Gary Frank (DC Comics)

A BD que todos esperam, quer sejam dos que a odeiam ou a adoram, tem um terceiro capítulo. Geoff Johns e Gary Frank continuam a explorar a incursão do mundo dos Watchmen de Alan Moore e Dave Gibbons no universo de super-heróis da DC Comics. Esta história é, ao mesmo tempo, a continuação oficial desta lendária BD da década de 80 e um comentário à sua influência nos trinta anos que se lhe seguiram na 9.ª Arte dos EUA. Os escritores e editores absorveram a mensagem de desespero e pessimismo dos Watchmen e verteram-na de forma sôfrega nas histórias de super-heróis, sem perceber que este livro era um produto da época e, acima de tudo, da personalidade dos autores. Geoff Johns quer comentar esta influência mas também o actual zeitgeist nos EUA, com a eleição de Trump e a confluência de factores que o levaram à presidência. Paralelamente, não deixa de estar profundamente imerso no universo dos homens de collants da DC, procura avançar esta mitologia e corrigir erros de percurso. É uma tarefa difícil que, até este terceiro capítulo, está a conseguir suplantar. 

Desenganem-se se acham que acho que DClock está ao mesmo nível de Watchmen. Apesar de ser a sua continuação, o propósito e autores são outros. As comparações são completamente inevitáveis e não totalmente injustas. Mas, ao mesmo tempo, é contraproducente fazerem-nas. Neste novo capítulo, o enredo avança e, acima de tudo, as personagens são analisadas à lupa, quer na interacção com o enredo, quer umas com as outras. É possível ter a sensação que estamos a ler uma obra com intenções de entretenimento mas também de comentário sério ao mundo. Johns e Frank decidiram adoptar um calendário bimensal a partir do número quatro e não parece mal. Eles estão a jogar num outro campeonato e é na leitura de todas as páginas da obra que a sua prestação será julgada.


Amazing Spider-Man número 794 de Dan Slott e Stuart Immonen (Marvel)

Dan Slott escreve o Homem-Aranha há 10 anos e está, finalmente, a chegar ao fim. Começa aqui a próxima saga catastrófica na vida do trepador de paredes. As consequências serão sentidas nos próximos meses e nos anos que se seguirão - ou então o próximo escritor irá esquecê-las mal pegue nas rédeas. Quer se goste ou não trabalho de Slott a sua influência no passado e futuro da personagem é relevante. Faço parte da equipa que gostou do seu trabalho até determinado ponto e abandonou-o quando achava que tinha excedido as boas-vindas. A mais recente fase do Peter Parker dono de uma multinacional tecnológica desmotivou-me - para mim ele tem que ter sempre problemas de dinheiro. Não o lia há algum tempo e fiquei surpreendido que, entretanto, Peter perdeu a fortuna e voltou aos dias de mendicidade. Acabou-se o uniforme versão Homem-de-Ferro e irá agora ser envolvido num enredo que trará de volta inimigos de longa data. 

A ideia-twist da última página parece interessante e apenas os próximos meses dirão se será muito mais que isso. Por enquanto, estou agarrado para ler os próximos capítulos. O Homem-Aranha foi a personagem que introduziu-me à BD. O apego emocional ao passado da personagem é muito grande - o trabalho de Lee/Ditko, Lee/Romita, Kane, Andru, Conway, Wein, etc, são referências da 9.ª Arte. Apesar de saber que é impossível regressar a esses primeiros tempos, em cada nova saga da vida de Peter Parker, espero sempre, estupidamente, por momentos nostálgicos. Vamos ver se Slott consegue acabar em alta uma sequência de histórias que já ia longa de mais. 

Coleção Levoir/Público Marvel 2014 – 14.º Volume: Thor e Capitão América

(Prometo informar os menos conhecedores acerca da acessibilidade desta coleção de BD, ou seja, se é fácil ou não ler sem saber mais coisas)

Grau de acessibilidade: Difícil mas...

Sai hoje, Quinta-feira, dia 9 de Outubro, junto com Público e custa 8,9€

O que começou e acabou tem de continuar. Essa é uma das filosofias da eterna telenovela dos super-heróis da Marvel e da DC Comics. A semana passada, esta maravilhosa coleção da Levoir publicou o último capítulo da saga que Brian Michael Bendis, escritor, fez para os seus Novos Vingadores. O que se lhe seguiu foi uma mini-Era Heróica, na qual os grande nomes desta equipa regressam: Thor; Capitão América; Homem de Ferro. Aventuras com sabor a outras épocas voltaram a agraciar as páginas de uma nova revista dos Vingadores (tout court) e, porque tinha de ser, os Novos Vingadores continuaram, mas apenas como equipa satélite.

No ano em que saíram os dois primeiros filmes de Thor e Capitão América, 2011, foi aquele em que a Marvel decide centrar o seu evento anual nestes dois personagens: Fear Itself, que é coleccionado neste volume sob o título A Essência do Medo. À semelhança de outras sagas anuais como Guerra Civil ou Invasão Secreta  (ambas publicadas pela Levoir), nesta também se reúnem a maior parte dos personagens da editora de super-heróis, apenas desta vez em volta de enredos e eventos que tocam mais directamente com o Deus do Trovão e o Sentinela da Liberdade: chama-se a isto mercantilismo. A história principal envolve dois temíveis vilões: uma a herdeira espiritual e genética do maior inimigo do Capitão América, o Caveira Vermelha; o outro, parte do passado negro dos Asgardianos, povo de Thor, e do seu pai, Odin, o Todo-Poderoso

Escrita pelo imaginativo Matt Fraction e desenhada pelo excelente Stuart Immonnen, é uma saga envolvente e divertida ainda que sofra de alguns dos males (há muito tempo) típicos destas grandes aventuras transversais: essa mesma transversalidade. Muitos dos enredos não começam ou terminam no livro principal, muitos dos autores preferem transportá-los para as revistas individuais de cada personagem.  Ao mesmo tempo, são histórias que, por mais que os artistas se esforcem, estão alicerçadas em várias décadas de continuidade, sendo muitas vezes necessário um conhecimento enciclopédico para apreciar o que se passa (ou não, tendo em conta a nota que coloco sempre no final de cada um destes posts). Por outro lado, estas sagas nunca acabam (verdadeiramente) na última página, mas esse é o preço a pagar pela "eterna telenovela" de que vos falei no primeiro parágrafo. E, muito sinceramente, esse é parte do charme da coisa.

Nota – Não partilho da opinião que tem de se saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.

Panini Portugal - X-Men # 1

À semelhança da semana passada, reponho um post que fiz acerca das BD que, neste momento, estão a ser publicadas pela alçada da Panini, num regresso das revistas mensais da Marvel no português do nosso Portugal. Na altura, fi-lo após a leitora das publicações originais. Esta semana é a vez do X-Men. 

Recordo que a revista sai na próxima Quarta.feira, dia 12 de Fevereiro.

All New X-Men 1 a 5 Brian Michael Bendis (argumento) e Stuart Immonen (desenhos)

(SPOILER: Desde já aviso que revelo parte do enredo. Quem quiser seguir, fá-lo em detrimento do prazer da surpresa na leitura)

Completei este mês os cinco primeiros números da mais recente adição às revistas mensais do universo dos famosos mutantes da Marvel, os X-Men. Parte da iniciativaMarvel Now, em que a editora regurgita novos números 1’s dos seus mais reconhecidos personagens, numa tentativa de captar novos interessados, este All New X-Men tenta seguir esta premissa lançada pela Casa das Ideias utilizando um conceito já antigo no universo de super-heróis mas aqui abordado de forma diferente: a viagem no tempo.

O estado da nação no universo mutante Marvel é mais ou menos este. Um dos X-Menoriginais, Ciclope, esqueceu parte importante dos preceitos pacíficos de coabitação entre a sua raça e o Homo Sapiens Sapiens, preceitos esses ensinados pelo seu mentor, Professor Xavier, o fundador da equipe e escola onde se iniciou. Essa cisão concluiu-se quando, possuído por uma entidade destrutiva, assassinou o seu mestre. A inocência adolescente desapareceu numa nuvem vermelha de ódio e de sucessivas derrotas advindas do preconceito ininterrupto. 

Dois dos seus mais antigos colegas, parte dos cinco X-Men originais, formulam en passant que o antigo Ciclope teria vergonha do seu estado actual e, acto contínuo, um deles faz algo apenas possível no universo do Fantástico: viaja ao passado e traz para este presente os cinco colegas, ele próprio incluído.

Todos os leitores dos mutantes da Marvel já ouviram falar ou leram a clássica históriaDays of Future Past de Chris Claremont e John Byrne (Levoir, que tal publicar?), em que os X-Men da década de 80 são confrontados com um futuro distópico (do longínquo ano de 2013) onde são perseguidos pelos diversos governos do mundo num fiel reflexo do Holocausto. Este All New X-Men segue a mesma premissa, ao mesmo tempo que a inverte. Aqui o futuro distópico é o hoje (curiosamente também 2013) e os cinco alunos originais vêem-se confrontados com o que o futuro lhes reserva.

A força do enredo engendrado reside exactamente nesta curiosa inversão, ao enquadrar olhos de um passado jovem no contexto de uma situação calamitosa derivada de anos de ininterrupto e crescente confronto, ódio e preconceito entre duas diferentes raças de seres humanos. Não descura os obrigatórios novelos telenovelescos tão típicos dos X-Men e mantém um nível e entretenimento satisfatório, ainda que não genial. Bendis é um escritor de diálogos eloquente e Immonen um desenhista francamente dinâmico. Não será o momento mais fácil para se entrar ou re-entrar neste universo mas, muito sinceramente, também está longe de ser dos mais complexos.


O que vou lendo! - All New X-Men


All New X-Men 1 a 5 Brian Michael Bendis (argumento) e Stuart Immonen (desenhos)

(SPOILER: Desde já aviso que revelo parte do enredo. Quem quiser seguir, fá-lo em detrimento do prazer da surpresa na leitura)


Completei este mês os cinco primeiros números da mais recente adição às revistas mensais do universo dos famosos mutantes da Marvel, os X-Men. Parte da iniciativa Marvel Now, em que a editora regurgita novos números 1’s dos seus mais reconhecidos personagens, numa tentativa de captar novos interessados, este All New X-Men tenta seguir esta premissa lançada pela Casa das Ideias utilizando um conceito já antigo no universo de super-heróis mas aqui abordado de forma diferente: a viagem no tempo.

O estado da nação no universo mutante Marvel é mais ou menos este. Um dos X-Men originais, Ciclope, esqueceu parte importante dos preceitos pacíficos de coabitação entre a sua raça e o Homo Sapiens Sapiens, preceitos esses ensinados pelo seu mentor, Professor Xavier, o fundador da equipe e escola onde se iniciou. Essa cisão concluiu-se quando, possuído por uma entidade destrutiva, assassinou o seu mestre. A inocência adolescente desapareceu numa nuvem vermelha de ódio e de sucessivas derrotas advindas do preconceito ininterrupto. 

Dois dos seus mais antigos colegas, parte dos cinco X-Men originais, formulam en passant que o antigo Ciclope teria vergonha do seu estado actual e, acto contínuo, um deles faz algo apenas possível no universo do Fantástico: viaja ao passado e traz para este presente os cinco colegas, ele próprio incluído.

Todos os leitores dos mutantes da Marvel já ouviram falar ou leram a clássica história Days of Future Past de Chris Claremont e John Byrne (Levoir, que tal publicar?), em que os X-Men da década de 80 são confrontados com um futuro distópico (do longínquo ano de 2013) onde são perseguidos pelos diversos governos do mundo num fiel reflexo do Holocausto. Este All New X-Men segue a mesma premissa, ao mesmo tempo que a inverte. Aqui o futuro distópico é o hoje (curiosamente também 2013) e os cinco alunos originais vêem-se confrontados com o que o futuro lhes reserva.

A força do enredo engendrado reside exactamente nesta curiosa inversão, ao enquadrar olhos de um passado jovem no contexto de uma situação calamitosa derivada de anos de ininterrupto e crescente confronto, ódio e preconceito entre duas diferentes raças de seres humanos. Não descura os obrigatórios novelos telenovelescos tão típicos dos X-Men e mantém um nível e entretenimento satisfatório, ainda que não genial. Bendis é um escritor de diálogos eloquente e Immonen um desenhista francamente dinâmico. Não será o momento mais fácil para se entrar ou re-entrar neste universo mas, muito sinceramente, também está longe de ser dos mais complexos.

Continuo a ler com expectativa.