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Traço de Giz de Miguelanxo Prado na Colecção Novelas Gráficas III da Levoir/Público



Traço de Giz é o segundo volume da colecção Novela Gráfica, foi escrito e desenhado por Miguelanxo Prado, um dos mais premiados autores espanhóis e autor de Presas Fáceis editado pela Levoir na colecção Novel Gráfica de 2016, galardoado com o Prémio do melhor livro estrangeiro no último Amadora BD.

Traço de Giz foi um dos seus maiores sucessos críticos e comerciais e a sua obra mais premiada, entre os quais, com o prémio de Melhor Álbum no Salão do Comic de Barcelona e o de Melhor Álbum Estrangeiro em Angoulême. Esta nova edição em capa dura, inclui uma extensa galeria de extras e páginas de BD inéditas, assim como um posfácio do autor.

Raul atraca o seu barco numa pequena ilha no meio do oceano depois de dois dias de tempestade. Ali vai encontrar uma pequena estalagem sem clientes, um longo pontão, um velho farol que não funciona e um muro onde são deixadas estranhas mensagens.

Na ilha, Raul encontra mais um barco atracado no cais, o da bela e misteriosa Ana, por quem este se sente imediatamente atraído, mas ela conta-lhe que está à espera de um homem.

Ao passear pela ilha, Raul encontra diversas gaivotas mortas, trespassadas por uma seta, o que o leva a desconfiar de Dimas o estranho filho de Sara a dona da estalagem.

À medida que o mistério vai aumentando um terceiro barco chega à ilha e Sara afirma que sempre que mais de duas embarcações ali aportam há problemas.
Traço de Giz, é uma obra surpreendente onde Miguelanxo Prado alia o melhor do seu traço ao melhor da sua escrita. É um livro de leitura obrigatória, não apenas uma vez, como os leitores terão oportunidade de verificar.

Em banca a 7 de Julho com o PVP de 9,99€.





Presas Fáceis de Miguelanxo Prado

Sempre achei que existe uma ligação entre a Estatística e a Arte. Será apenas na minha cabeça e, mesmo nela, é labiríntica. A Estatística é, de forma muito simples, o levantamento exaustivo ou amostral de informações de diferentes naturezas e sobre elas apurar tendências, padrões, realidades, através de diferentes métodos quantitativos. A Arte não tem definição fácil mas pode ser, entre tantas e tantas coisas, uma das formas que nós, enquanto Humanidade, encontramos para lidar e interpretar o Real. A primeira tem a capacidade de ajudar a sintetizar este Real, de ajudar a perceber de onde veio e para onde, tendencialmente, poderá ir. A média é um dos seus métodos mais utilizados mas não é o único e está longe de ser o mais complexo. Mas qualquer que seja a volta que dêmos à Estatística o individuo é, na maior parte das vezes, dissolvido na multidão do total ou da amostra. A Arte permite-se ser diferente. A Arte pode agarrar na média, no desvio padrão, na excepção, na regra, analisar uma, muitas, todas, tudo cozinhado com narrativa e com ponto de vista e voilá.  Se o talento e a sorte foram muitos ou apenas apropriados então teremos uma obra que revela tanto do Real quanto a Estatística. Essa revelação está longe de ser quantitativa ou, se quiserem analogias arquitecturais, uma linha recta. Mas é nesse emaranhado que reside o Belo e o Verdadeiro - um dos verdadeiros, não O verdadeiro. Eu bem vos disse que a relação era labiríntica

Presas Fáceis é o mais recente livro de Miguelanxo Prado e foi lançado em Portugal na fabulosa colecção Novelas Gráficas II, que está a sair junto com o jornal Público todas as quintas-feiras. Conta uma história plenamente imersa no actual zeitgeist. A crise financeira de 2008 arrastou consigo múltiplas consequências que afectaram de forma variada as populações. Como é sempre nestes casos, são os mais frágeis os que sofrem mais, os alvos fáceis dos predadores. Uns chamariam a isso Darwinismo. Prado não. O enredo mistura, como o próprio autor o afirma, casos reais com ficção, começando no suicídio de um casal de idosos e continuando numa investigação policial envolvendo o assassinato em série de altos quadros de vários Bancos da Galiza, terra natal do autor. O posicionamento de Prado, ainda que dissolvido pelas perguntas que levanta através da narrativa, não parece deixar muito espaço para dúvidas. Deixo ao vosso cargo descobri-lo, mas envolve a tal tangente entre Estatística e Arte.  A tal capacidade que uma e outra têm em interpretar o Real, em o destilar. A tal forma de ver que cada um de nós escolhe. Porque a nossa Humanidade, a nossa Empatia, reside, por vezes, na relação que temos com os acontecimentos, que pode ser estatística e/ou artística. 

Não sendo, para mim, um dos melhores trabalhos do autor, não deixa de ser uma obra ímpar e de leitura obrigatória. A escolha do preto e branco é particularmente feliz e a capacidade de Prado em contar uma história  é cativante e fluída, como não poderia deixar de ser. 

Crónica A Minha Primeira Comic Con em Portugal


A "marca" Comic Con existe nos EUA há várias décadas. Como é do conhecimento geral, a palavra Comic é a designação oficial para Banda Desenhada em terras estado-unidenses. As Cons, por seu lado, não são mais que conferências, reuniões entre fãs e artistas, produtores, editoras, etc. Ou seja, um ponto de encontro entre os que ou amam, ou gostam ou têm apenas curiosidade pela Arte, e aqueles que a produzem. Porque estamos a falar de algo criado por norte-americanos, estamos também a falar de algo com um sabor muito especial, regional se assim quisermos. Há extravagância, envolvimento, comércio, uma partilha comunal em volta de uma Arte que, para muitos, é também um modo e filosofia de vida.

Pela primeira vez apareceu em Portugal uma Comic Con e tive o prazer de comungar no Sábado, dia 6 de Dezembro de 2014, com 32 mil outros loucos nesta celebração que não se cinge apenas à BD, mas extrapola-se para outras Artes da cultura dita popular (Pop para quase toda a gente): cinema de género; Séries de TV; jogos de computador; etc.

Confesso que fiz parte dos cépticos quanto à capacidade de Portugal ser palco de um evento deste género. Faz parte da genética do país desconfiar da nossa capacidade de organização e da nossa vontade de adesão. É um fado e uma tragédia (passo o pleonasmo) que nos persegue e que faz de nós aquilo que somos. Dito isto, dizer que fiquei agradavelmente surpreso com a dimensão e qualidade do evento é ser, no mínimo, eufemístico. Estava a pensar numa festa de vão de escada e sai-me uma rave no Mosteiro do Jerónimos. 

Como disse anteriormente, fui apenas no Sábado. Não me arrependo e fiquei com o sabor apurado para os anos que se seguirão. Entrei à tarde no recinto e dirigi-me imediatamente para o painel que tinha vontade de ver: Brian K. Vaughn e Marcos Martin a falar da sua nova BD digital, Private Eye. Enquanto caminhava para o dito evento apercebi-me de enormes filas para entrar em outros painéis e depressa comecei a aperceber-me que as minhas expectativas baixas poderiam ter sido  fruto do código genético. A muito esperada "conversa" com Vaughn e Martin foi tudo o que eu poderia esperar mas com sabor a casa. A plateia, não estando a abarrotar, estava devidamente composta. Falou-se  da dita colaboração entre os dois, do futuro da BD, do conflito entre o papel e o digital, de trabalhar para a Marvel e a DC versus ser independente, etc. 

Acabado o painel, era "urgente" encaminhar-me para a área de autógrafos para recolher uma pequena assinatura de Vaughn, Martin e Carlos Pacheco (este último conhecido por trabalhos nos Vingadores, X-Men, Quarteto Fantástico, etc.). Do primeiro autografei o primeiro volume de Y: The Last Man e também o primeira compilação da minha BD favorita da actualidade, Saga. Do segundo, o seu primeiro trabalho no Homem-Aranha e do terceiro os seis primeiros números de Avengers Forever. Missão cumprida sem soluços, de forma ordeira e sem stresses. 

Segue-se o périplo pelo recinto e a surpresa pela dimensão consolidou-se em granito (pedra apropriada à zona do país, para quem não está dentro destas coisas da geomorfologia). Gente e mais gente e mais gente em deleite completo numa enorme catedral dedicada à religião da cultura popular. Uma das maiores e mais deliciosas celebrações residiu na forma dos dedicados cosplayers, que enfeitavam com tons de carnaval e amor o espaço, gritando aos sete ventos o que, porventura, já guardavam à anos.  

Todos se passeavam e amontoavam, os olhares roubavam maravilhas. A zona comercial era vibrante. Os visitantes amontoavam-se a comprar tudo desde livros, a DVD's, a porta-chaves, algo que envergasse a imagem ou o símbolo dos seus personagens favoritos, daquela cultura que, secretamente, sorviam no sossego do quarto ou da sala. Tive ainda a sorte de encontrar um outro ídolo da BD, Miguelanxo Prado, que me fez um desenho e uma dedicatória em Árdalen (ficou apenas a faltar Pia Guerra que, apenas por preguiça,  não consegui). Dificilmente poderia ter-me corrido melhor.

Obviamente que um evento desta dimensão e que é organizado pela primeira vez em Portugal terá de ter os seus soluços, os seus problemas mas, sinceramente, na minha experiência eles não aconteceram. Antes vi apenas um sucesso de adesão, algo que, dificilmente, se vê em Portugal a não ser em feiras gastronômicas ou de noivos. Apenas posso ficar maravilhado com a quantidade de outros como eu, assoberbados por uma paixão (claro que nem todos  os visitantes e, se calhar, nem a maioria). Curiosamente, fez-me lembrar de outro evento, o MoteLx, festival de cinema de terror em Lisboa. De facto, a cultura geek, popular - tudo termos que não aprecio, mas adiante -, estas Artes... estão a tomar conta do mundo. 

Há algo de primordial nisto. Um regresso aos personagens maiores que a vida, fantásticos, que nos transportam para mundos que não existem mas cujas lições e psicologia são mais reais que muitas outras histórias.  Homero estaria orgulhoso.

PS - Estive várias vezes na Comic Con de Nova Iorque e posso afirmar que não me senti, nem por um segundo, envergonhado pelo que vi. Parabéns, Portugal.

PS II - O Porto é a cidade perfeita para este evento. E olhem que sou ferrenho lisboeta. A proximidade a Espanha mais do que justifica que a Comic Con continue a fazer-se aqui.


Rapidinhas BD – Ardalén; Avengers Epic Collection vol. 9; East of West vol. 1

Ardalén de Miguelanxo Prado

Miguelanxo Prado está de volta e não precisava de ser perdoado, principalmente depois de um livro desta qualidade. Mistura de sonho e memória ou de sonho com memória, Aldarèn é onirismo narrativo, onde um velho recorda-se de vidas que não a sua, graças ao sabor salgado de ventos provindos do oceano. Desenho irrepreensível, provando que a BD pode ser tanto mais que aquilo que muitos julgam ela ser, pode ser pintura narrada em pequenos quadros que entretecem uma história vaga mas mais real que um sonho.

Avengers Epic Collection vol. 9: the Final Threat com vários

Um dia falo deste num post mais longo e será por duas razões: por causa da Epic Collection da Marvel, uma das melhores coleções de BD a sair nos últimos tempos; por ser uma das melhores fases dos Vingadores, uma que guardo com memória de juventude. Uma quantidade apreciável das histórias contidas neste volume de 400 páginas fazem parte dos meus anos 80 a ler BD no formatinho da Editora Abril: as saudosas Heróis da TV e Grandes Heróis Marvel. Que bem que envelheceram! Os autores que na altura trabalhavam nos Vingadores (as histórias são de 1976-1977), estavam no início de carreira… e que início: George Pérez; John Byrne; Jim Shooter; Jim Starlin; etc. Que coleção de aventuras: Noiva de Ultron; Regresso de Magnum (Wonder Man no original); Confronto com o Conde Nefária (que nome!); Primeiro grande encontro com Thanos, que os que viram o filme do ano passado sabem que será o grande inimigo no terceiro filme, ainda a sair; etc. Só coisas do melhor!


East of West vol. 1 de Jonathan Hickman e Nick Dragotta


A Image, sossegadinha no seu canto, lá vai fazendo uma nova revolução no panorama da BD americana, dando rédea solta a alguns dos mais inventivos e inovadores criadores da atualidade. Hickman ficou recentemente conhecido pelo trabalho no Quarteto Fantástico e Vingadores mas é no mundo da produção independente e com as suas próprias criações que ele melhor dá aso à sua inacreditável imaginação, como se prova por este excelente primeiro volume de East of West. Cavaleiros do Apocalipse adolescentes, cowboys que são a corporização da Morte Bíblica, um mundo muito diferente do nosso mas, ainda assim, a nossa Terra, os Estados Unidos separados em diferentes reinos – um para índios; outro para europeus; outro ainda para asiáticos. Tudo misturado e servido com o temperozito da escrita barroca de Hickman. Fabuloso!