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Colecção Salvat Graphic Novels da Marvel, volume 43 - Ultimate Homem-Aranha

ULTIMATE HOMEM-ARANHA: A MORTE DO HOMEM-ARANHA
Argumento de BRIAN MICHAEL BENDIS, arte de David LaFuente & Mark Bagley

Seis dos mais perigosos inimigos do Homem-Aranha - Norman Osborn, o Dr. Otto Octavius, Electro, Kraven o Caçador, o Homem-Areia e o Abutre – escaparam à custódia da S.H.I.E.L.D. Unidos pelo seu ódio ao Aranha, este grupo sinistro está determinado a fazer Peter Parker pagar por todas as derrotas que ele lhes infligiu. E com as pessoas que ele mais adora na mira dos vilões, o Homem-Aranha poderá ter de fazer o derradeiro sacrifício para deter os criminosos de uma vez por todas.” 

Ultimate Homem-Aranha foi uma das mais ousadas experiências da Marvel, concebida por Bill Jemas e Joe Quesada, à qual o argumentista Brian Michael Bendis e o artista Mark Bagley deram forma ao longo de muito tempo: planeada para ser uma série limitada que atualizasse as origens do Aranha para a idade moderna, acabou por tornar-se em muito mais que isso. Ao longo dos seus 10 primeiros anos, Ultimate Homem-Aranha reinterpretou grande parte do elenco da série original – tanto vilões como aliados – e introduziu uma série de novos conceitos. No entanto, depois de mais de 150 números, tinha chegado a hora do Ultimate Peter Parker pendurar os seus lança-teias. E a história com que os autores decidiram tornar isso em realidade, foi uma história da morte do Aranha...

Diz o escritor, Bendis: “...Um dia, olhámos para a linha Ultimate e pensámos: ‘OK, de que histórias estamos mais orgulhosos?' ...E eram todas histórias que não eram adaptações Ultimate de histórias clássicas da Marvel... Eram momentos que não tinham sido criados no Amazing Spider-Man [o título original do escalador de paredes]... No seguimento daquela conversa, questionámo-
nos: ‘Que outras histórias nunca puderam ser contadas em Amazing Spider-Man?’ E a maioria delas envolviam a morte do Peter e deixar outra pessoa tornar-se o Homem-Aranha.... Outro elemento era que o Peter não tinha sido capaz de salvar o tio Ben, mas ao morrer a tentar salvar a tia May, então esse círculo ficaria completo... Tínhamos uma personagem que, apesar da morte trágica, não tinha uma vida trágica.

Mas embora o destino de Peter estivesse determinado, isso não significava necessariamente o cancelamento do título Ultimate Homem-Aranha. Longe do olhar dos fãs, um novo herói estava à espera nos bastidores, pronto para assumir as responsabilidades do Aranha (alguém que o leitor irá descobrir num próximo livro, no volume 52 desta coleção). Mas por agora, é hora de nos despedirmos de Peter Parker, que vai aprender uma lição final e desoladora sobre poder e responsabilidade.

Inclui dossier sobre o escritor e o desenvolvimento da história, e uma extensa galeria de capas.

Volume 43: A MORTE DO HOMEM-ARANHA
Argumento de BRIAN MICHAEL BENDIS, arte de DAVID LAFUENTE & MARK BAGLEY
Este volume reúne os números 153 a 160 da revista Ultimate Spider-Man (vol. 1).
208 páginas.



 

O que vou lendo! - Spider-Men e Ultimate Comics Spider-Man vol.3 de Brian Michael Bendis (escritor) e Sara Pichelli e David Marquez (desenhistas)


No início deste século XXI a Marvel (para quem não sabe a maior editora de BD dos EUA), esteve a recuperar de uma catastrófica década de 90 que tinha culminado na insolvência da mesma. Encontrar todos os caminhos para que os leitores voltassem tornou-se urgente e, tal como em todos os momentos de desespero, as ideias começaram a brotar das fontes mais insuspeitas. Uma delas resultou numa nova linha de super-heróis chamada Ultimate Universe. A premissa era que conhecidos personagens da Marvel, Homem-Aranha, Vingadores, X-Men, Quarteto Fantástico, iniciavam a sua carreira apenas neste princípio do século XXI sem, portanto, todo o peso de História que os do seu universo congénere possuíam.

Passados já 13 anos depois desta criação, estes personagens não só ganharam um pouco mais de histórias como os respectivos caminhos divergiram fortemente dos equivalentes no universo regular da Marvel. Uma das maiores modificações (spoiler alert para quem quiser ter o prazer de ler as histórias deste universo Ultimate) foi que Peter Parker, o muito conhecido Homem-Aranha, faleceu em batalha, tendo sido substituído por Miles Morales, um muito jovem descendente de Afro-Americanos e Latino-Americanos.

Brian Michael Bendis foi o único escritor de Ultimate Homem-Aranha nos seus 13 anos de vida e também um dos responsáveis pela morte de Peter Parker e pelo aparecimento de Miles Morales. Os dois volumes de que aqui falamos são os mais recentes contributos do autor para a mitologia do novo Homem-Aranha. Enquanto Bendis se encarrega das palavras, no lado dos desenhos temos a italiana Sara Pichelli (co-criadora de Miles Morales) em Spider-Men e David Marquez em Ultimate Comics Spider-Man vol. 3.

O primeiro (Spider-Men) representa um marco importante nestas coisas da BD: relata o primeiro encontro entre o Homem-Aranha do universo original (aquele que existe desde a década de 60) e Miles Morales. Ainda que a história possua momentos emocionais particularmente tocantes, principalmente para aqueles que acompanham o Homem-Aranha quase desde o seu início, sofre de um problema de excesso de descompressão, uma técnica narrativa adorada por Bendis e que consiste em esticar ao máximo todos os momentos da narrativa. Segundos transformam-se em várias páginas de história. Ainda que seja um modo de contar que eu aprecie até bastante e que Bendis tem explorado eficazmente ao longo destes anos, aqui achei particularmente exagerado. As 116 páginas que compõe o volume vão-se num ápice. Apesar disso, temos uma história de ressonância emocional forte, onde presenciamos o encontro entre dois fortíssimos e carismáticos personagens, que Bendis, com a sua incrível capacidade para escrever diálogos, explora muito bem. Existem momentos particularmente recompensadores e não são aqueles das obrigatórias batalhas contra os super-vilões. Como é apanágio deste autor são os mais pessoais os que emprestam a gravidade necessária à história.

Ultimate Comics Spider-Man é o melhor destes dois volumes. Por um lado completa a primeira grande história de Miles Morales em que tem que se confrontar com o seu tio, num típico problema de todos os que envergam o nome Homem-Aranha, o eterno conflito entre  dever e os laços familiares e de amizade. Por outro, envolve-se num conflito nacional que envolve os Vingadores deste universo Ultimate, enquanto estes tentam salvar a América de um grupo terrorista composto por cidadãos cessionários da união dos Estados Unidos. Ainda que a início entrasse nesta segunda história com receio de a não conseguir acompanhar (já que o relato principal ocorre numa revista que não leio), depressa esses medos esvaíram-se. Bendis consegue nos fornecer toda a informação necessária acerca deste conflito para que acompanhemos sem soluços a pequena odisseia de Morales  pelo palco de guerra. E temos o prazer de ver o amadurecimento de um personagem robusto, bem estruturado, rico e emocionalmente tocante. Miles Morales é um digno herdeiro do nome Homem-Aranha. O escritor consegue transformar uma história que não é sua num novo passo na evolução do personagem, tudo complementado pelos desenhos do excelente David Marquez, cuja amplitude no retrato de emoções e momentos pessoais o tornam na escolha certa para o Ultimate Comics Spider-Man.

Mesmo depois de 13 anos ininterruptos a escrever o Homem-Aranha, Bendis continua com uma inacreditável vitalidade, talvez por neste universo Ultimate poder livremente fazer e desfazer dos seu personagens como bem entende. Ou então porque, pura e simplesmente, é um rapaz com bastante talento.