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Tenho participado de uma brincadeira no Facebook: enumerar uma BD por dia até 2020. Começou há alguns meses, mas só agora dou-me ao trabalho de aqui a reproduzir. Mostro, hoje, as escolhas desta semana, com link na imagem para o texto que escrevi sobre o livro, ou um nhónhózinho, caso ainda não tenha falado dele.

Esta semana temos, por um lado, sugestões para todos os gostos e sensibilidades e, por outro, o inicio de mais uma homenagem à minha editora de BD favorita, a DC Comics, e, especificamente, à Liga da Justiça de Grant Morrison.

Uma BD aqui, outra BD ali, 9

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Dark Nights Metal número 5 de Scott Snyder e Greg Cappulo (DC Comics)


Ainda falta um capítulo (e um especial) para Dark Nights Metal chegar ao fim. A promessa é que será em Março. No que a mim diz respeito, esta é provavelmente uma mini-série/evento/saga que será uma marca no historial da DC... mas não só. Será o critério pelo qual muitas outras mini-séries/eventos/sagas serão julgadas. Ainda falta um capítulo (e um especial) e estou convencido disso. Será que a DC aprendeu com todos os erros do passado e daqui para a frente adoptarão esta metodologia? (Doomsday Clock parece ser outro excelente passo no bom caminho). Apenas o futuro o dirá mas espero que tenham aprendido a lição. Para que os leitores se sintam motivados, na carteira e na vontade, é urgente as editoras de super-heróis perceberam que os seus fãs não precisam de fazer assaltos a bancos para seguir as histórias das suas personagens favoritas. Também existiram pequenos crossovers e alguns especiais em Dark Nights Metal mas não só não eram imprescindíveis como, se os lessem (e eu li todos), eram recompensados com (imaginem só esta revolução) qualidade.

Como já disse em análises anteriores, Dark Night Metal NÃO é para o leitor ocasional da DC. Poderão divertir-se mas nunca será a mesma coisa. Lamento, mas a DC, Scott Snyder e Greg Cappulo parece que não se importam com isso. Aqui não existe a versão Politicamente Correcta da BD dos EUA: que todo o leitor tem de ser apaparicado e perceber o que se passa. Impossível! Este é apenas mais um episódio de uma longa novela. Ainda bem. E que episódio! Tudo o que interessa a quem gosta da DC está aqui: os super-heróis bastiões da luz e de virtudes; apoteoses da moralidade Humana; lutarem contra tudo, mesmo quando não há esperança aparente; enfrentarem vilões sem uma réstia de cinzento, eles próprios a apoteose do Mal; o Super-Homem, o Batman e a Mulher-Maravilha como os representantes máximos de heroísmo, perseverança e Bondade. Este é um filme blockbuster como nunca será feito. É entretenimento puro e duro, sem remorsos ou concessões. É aquilo que BD (também) deve ser!

The Flash Annual (2018) número 1 de Joshua Williamson e vários (DC Comics)

Continuando no leit motif "histórias-apenas-para-ser-consumidas-por-quem-adora-a-DC-e-é-doutorado-na-editora": The Flash. Sou fã da versão pós-Crise, a de Wally West (já comecei a ser hermético). Sou fã do trabalho que Mike Baron, Bill Messner-Loebs, Mark Waid, Grant Morrison e Geoff Johns fizeram no velocista. Li apenas parcialmente o que seguiu-se ao último escritor que mencionei.  Fiquei curioso com a saga que começa neste Anual e que se intitula Flash War. Achei que poderia ter tudo aquilo que gosto da mitologia da personagem: a noção de legado; os melhores vilões depois do Batman e do Homem-Aranha; viagens temporais; paradoxos temporais; Flash Reverso; Wally West; a arte de Howard Porter; e ligação forte ao DC Rebirth. Tem, de facto, tudo isto. E é bom?

É entretido, lá isso é. Mas Joshua Williamson não é nenhum dos escritores que mencionei e isso nota-se. Não existe, pelo menos neste seu trabalho, a inventividade que caracterizava cada um dos seus antecessores. Existe, isso sim, uma certa deferência a esse maravilhoso passado mas (e eu sei que pareço estar a contradizer-me) isso não é suficiente. Podemos regressar a casa mas devemos ir com roupas diferentes, nem que seja para termos o elemento de surpresa do nosso lado. Não me interpretem mal. Eu gostei muito de ler este Anual e adorei rever alguns antigos conhecidos. Foi delicioso voltar a ver Wally West como protagonista de uma revista do Flash. Foi excitante folhear e ser surpreso por alguns regressos. Mas, na realidade, já vimos isto tudo. Falta o golpe de asa para que esta saga não seja mais que um retorno ao status quo. Geoff Johns está a fazê-lo no Doomsday Clock. A ver se Williamson consegue sentir-se inspirado por ele. Continuarei a ler mas preciso de mais. O Flash de Wally West merece.

Colecção Liga da Justiça da Levoir, vol. 1: Nova Ordem Mundial de Grant Morrison e Howard Porter

(podem também ler este post onde já faziamos uma pequena resenha sobre esta versão da Liga da Justiça)

Aproveitando o lançamento do filme homónimo, a editora Levoir irá publicar uma colecção de cinco volumes deste grupo de super-heróis entre o dia 9 de Novembro e 7 de Dezembro. Aqui no Acho que Acho, porque adoramos a DC e a Liga, queremos que vocês não se sintam perdidos na História, Cosmologia e Cosmogonia da editora. Por isso, vamos tentar dar-vos um pequeno Travel Guide. A Lonely Planet que se roa.


A Liga Justiça da América é a união dos maiores personagens da BD dos EUA. Quando foi criada em 1960 no número 28 da revista Brave and The Bold da DC Comics, reunia sete dos mais relevantes nomes dessa editora: Super-Homem; Batman; Mulher-Maravilha; Aquaman; Flash, Lanterna Verde e Caçador de Marte. Os dois primeiros, os mais relevantes e conhecidos, nem sempre fariam parte das aventuras da Liga nos seus primeiros anos mas, ao longo do tempo,  foram estando mais e mais presentes. Também à medida que os anos passaram, o número de membros foi aumentando até transformar-se num verdadeiro exército, o maior e mais poderoso do universo da 9.ª Arte. 

Muitas foram as iterações desta equipa, com algumas das mais conhecidas e apreciadas a serem desvios da formação inicial dos Big 7. Uma acontece depois da famosa saga Crise nas Terras Infinitas (quando a DC decidiu recomeçar o seu universo de super-heróis do zero), em que os autores Keith Giffen, J.M.DeMatteis e Kevin Maguire, ao não conseguir "brincar" com os principais personagens da Liga, invertem para uma abordagem ao estilo sitcom que parecia arriscada mas que transformou-se numa das mais memoráveis sequências de histórias desta equipa de super-heróis. Qualquer coisa como cinco anos depois a DC decide voltar ao ritmo habitual mas sem o sucesso quer da versão humorística quer da saudosa que reunia os Big 7 e outros.

Em 1997, quando a Liga estava num ciclo descendente de qualidade e vendas, surge o escritor escocês Grant Morrison, que a DC já tinha publicado na imprint adulta Vertigo. A sua abordagem era um misto de regresso às origens e do injectar de sensibilidades modernas. Do lado das origens, Morrison mina a sua adorada Idade da Prata (o período da BD dos EUA que vai da década de 60 até início da de 70), onde as histórias eram deliciosamente escabrosas. Da modernidade, buscaria a sua própria sensibilidade carnavalesca, maior que a vida, operática, na tangente do teatral, para orquestrar sagas que ficariam para a História da Liga. As ameaças que a equipa tinha de enfrentar eram ridiculamente macro-cósmicas e multiuniversais. Deuses eram apontamentos nas vidas destes super-heróis. Convenhamos: quando Morrison consegue, pela primeira vez em muitos anos, voltar a reunir os Big 7, que mais poderia-se-ia esperar? Só podíamos ter adversários que apenas o Super-Homem, o Batman, a Mulher-Maravilha, o Aquaman, o Flash, o Lanterna Verde e o Caçador de Marte tinham capacidade de derrotar.

Os menos versados na História da DC poderão entrar nestas aventuras e não conhecer certas caras. Claro que sabem quem é o Super-Homem, o Batman e a Mulher-Maravilha. Eles são o Clark Kent/Kal-El, o Bruce Wayne e a Diana que todos conhecem. O Aquaman continua a ser Arthur Curry, filho de mãe atlanteana e pai humano, rei da Atlântida e do maior país do mundo, o dos sete mares. À altura desta BD, era escrito por Peter David, que decidiu cortar-lhe a mão e substituí-la por um arpão e que, acima de tudo, transformou-o num rei decidido e duro.  Mas o Flash não é Barry Allen mas antes Wally West, o parceiro que, após a morte do mentor na Crise nas Terras Infinitas, deixa cair a sua identidade de Kid Flash para se transformar no maior velocista do universo da DC. O Lanterna também não é Hal Jordan mas Kyle Rayner. Hal havia invertido para o lado do mal e Kyle era agora o único ser no universo a usar o famoso anel verde - ou, como Morrison o chamaria nesta Liga, a mais poderosa máquinas de desejos do mundo. O Caçador de Marte continua a ser o mesmo mas poucos, fora dos fãs da DC, o conhecem. É o ultimo sobrevivente do planeta Marte, possuidor da maior variedade de poderes de qualquer personagem da DC; voo; invulnerabilidade; intangibilidade; telepatia; metamorfose; super-força; visão marciana. Tudo isto e apenas uma franqueza: o fogo. O Super-Homem considera-o um dos poucos capaz de o derrotar no corpo a corpo e o Batman respeita-o pela sua inteligência, capacidade estratega e por corporizar "o verdadeiro espírito da Liga" (foi membro de todas as suas iterações).

Este volume colecciona alguns dos primeiros números da Liga de Grant Morrison e Howard Porter. Numa das histórias enfrentam o Hiperclã, uma misteriosa equipa de super-heróis disposta a corrigir os problemas do mundo e a tornar a Liga obsoleta. Na outra, a escala de ameaça sobe e confrontam nada mais nada menos que os anjos da mitologia cristã. Nesta última, os leitores vão ser confrontados com uma versão bem diferente do Super-Homem: um Homem de Aço eléctrico. Mérito seja feito a Morrison que consegue fazer limonada com o mais azedo dos limões, ao aproveitar esta estranha evolução e extrair não um mas dois dos momentos mais antológicos da vida do último sobrevivente de Krypton.

O trabalho de Morrison e de Porter continuaria por mais anos com sagas como Rock of Ages, DC One Million ou World War III e, na opinião deste vosso bloguista, ambos entregariam as maiores e mais relevantes aventuras da História da Liga da Justiça. É rezar para que o resto seja editado cá por terras Lusas. Tudo depende de vocês.

Seguem em baixo previews.




Libertem o Geek! JLA de Grant Morrison e Howard Porter Deluxe Editon Vol. 1

Quando escolhem o vosso herói preferem os que fazem justiça pelas próprias mãos, os vigilantes, aqueles que não esperam pela mão da lei? Ou preferem os que inspiram à bondade, os que não nos carregam no caminho mas antes dão a mão quando tropeçamos? Estas duas perguntas não vêm com truques. Podem escolher ou uma ou outra. Podem mesmo achar que as perguntas não são estas. Até podem decidir escolher as duas - o que do ponto de vista da consistência talvez seja questionável. No que a mim diz respeito tenho preferência pelos segundos. 

Os heróis que regem-se por princípios morais elevados são considerados uni-dimensionais, aborrecidos. Para muitos não interessa ler ou ver aqueles que aparentam não possuir falhas. O meu segredo está em ter a certeza que apenas aparentam ser assim e que tentam todos os dias ser a imagem que lhes construíram à volta. Não por eles. Pelos outros. Para que a Humanidade não caia. Aqui não faço mais que parafrasear um diálogo do Super-Homem no fim da primeira história de Grant Morrison e Howard Porter, quando iniciaram um dos mais memoráveis conjunto de histórias (chamemos-lhe run) da Liga da JustiçaRun esta que é uma das minhas BD's favoritas de sempre.

A Liga da Justiça é a equipa de super-heróis por excelência. Nela estão reunidos os maiores arquétipos da mitologia: Super-Homem; Mulher-Maravilha; Batman; Flash; Lanterna Verde; Aquaman; Caçador de Marte. Contudo, em 1997 (sim, já passaram 20 anos), esta assembleia olímpica fazia décadas que não se reunia sob o mesmo título. Por esta ou por aquela razão a DC Comics tinha escolhido outras combinações de personagens para as várias iterações da Liga. Grant Morrison decidiu pôr um fim a essa dieta e sonhou grande. Iria (literalmente) brincar com os maiores, melhores e mais conhecidos brinquedos da sala de jogos da editora. Assim nasceu JLA (acrónimo para Justice League of America). Seguir-se-iam das mais inesquecíveis histórias com este emblemático panteão de semi-deuses, alienígenas, deuses-morcego, velocistas. Em cada aventura, a escala de ameaça subia a um nível que era, julgávamos nós, pobres mortais, intransponível.  Eram Marcianos Brancos, eram cientistas loucos com o poder de criar corpos e cérebros artificias tão perfeitos que simulavam vida, eram anjos (os verdadeiros, os que expulsaram-nos do paraíso) e eram vilões cujas drogas expandiam a mente para lá dos limites do universo. Tudo isto apenas neste primeiro volume, o que colecciona os primeiros oito números da revista e um especial.

Mas desenganem-se os que acham a minha admiração pelo trabalho de Morrison e Porter pouco mais que deslumbramento ao ver representadas em papel as aventuras de tão ilustre reunião de personagens. O enredo é operático, rápido, como se tudo se passasse no espaço de três segundos e as decisões fossem relógios loucamente oleados (leiam o fim do terceiro capítulo e a transição para o quarto).  Os inimigos não vivem no cinzento da ambiguidade moral, são profundamente negros e tenebrosos. As frases são tão citáveis que torna-se ridículo enumerá-las todas. As "aventuras", os "contos", são ao mesmo tempo entretenimento deliciosamente pop e reflexões sobre a natureza do herói (achavam que o primeiro parágrafo deste post era só meu?).

Este primeiro volume da Deluxe Edition (a única que vale a pena comprar e ler - é como ir ver um filme à sala de cinema) tem uma coleção deliciosa de grandes momentos que tocaram e ainda tocam todas as notas certas neste fã: Super-Homem enfrenta um anjo; uma carruagem angélica encontra o poder da Mulher-Maravilha; quatro marcianos são cilindrados pelo humano Batman; Flash enfrenta outro velocista chamado Zum; Hitman vê a Mulher-Maravilha nua e já pode morrer feliz (só lido); a gramática impecável da Mulher-Maravilha; o Super-Homem sublinha que o Batman é o homem mais perigoso da Terra; o brinde aos bons velhos tempos; etc. 

Tenho a plena noção que o trabalho de Morrison e Porter na JLA é insular, que é necessário gostar de super-heróis em geral e dos da DC em particular. Contudo, se eu não posso, neste blog, falar daquilo que, verdadeiramente, me dá prazer, então falo onde? Portanto, para quando a edição completa destes contos em português de Portugal? 

Banda Desenhada. Porque vale a pena ler e ler e ler...

JLA de Grant Morrison e Howard Porter

Uma estrela do mar do tamanho de um continente que deseja ardentemente roubar os sonhos de crianças para construir um império.

Descendentes do século 853 que viajaram até o nosso presente onde esperam convencer-nos a participar em jogos celebrativos da nossa herança.

Um Sol Tirano e o homem imortal reunem-se sob a madrugada de um planeta vermelho e planeia o fim de dois séculos.

Um Deus déspota que vê o paraíso como um tempo e um espaço onde todos são cegos, surdos e mudos a tudo, excepto à Sua palavra.

Uma arma todo poderosa do universo que existiu antes do nosso.

Um anjo que segue a herança rebelde do Lucífer Estrela-da-Manhã.

Está convencido? As histórias atraem? Se sim, JLA (acrónimo de Justice League of América) é para si. Mas mais particularmente a JLA do mago escocês louco que é Grant Morrison e da tinta titânica de Howard Porter.

Esta JLA é como se um filme blockbuster injectado de drogas psicotrópicas saísse a cada 6 meses. É como se Shakespeare e Spielberg desejassem ter um filho juntos. É como o relato mesmerizado de um repórter que ousou escrever de perto – tão de perto – as batalhas de DEUSES.

E os Deuses em causa são dos maiores ícones da BD americana e da editora DC: Super-Homem; Batman; Mulher-Maravilha; Flash; Lanterna Verde; Aquaman; Martian Manhunter.

É como se Mozart, Beatles, Ali Farka Touré, Alpha, U2 e os Radiohead se juntassem para escrever o concerto de aniversário de Deus. É como se Homero, Shakespeare, Proust, Joyce, Saramago e Cervantes partilhassem a escrita do livro verdadeiro. É como se Camões, Pessoa e Andrade escrevessem o hiper-poema. É assim que se deve ver a aliança destes mega-seres, destas estátuas clássicas de perfeição humana, desta máquina oleada de defesa do puro.

Durou pouco mais que 40 capítulos e está tudo coleccionado. Procurem-nos na Amazon ou na loja mais próxima que venda BD. E já agora, se puderem, comprem a Deluxe Edition, ou vocês não gostam de ver os vossos filmes preferidos num ecrã gigante?