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Os gostos têm tendência em unir pessoas na amizade. Eu e o Filipe Faria - escritor extraordinaire da saga Crónicas de Allaryia e tradutor incansável - temos uma devoção imortal pelos mundos da DC Comics. Ele é fã incontestável do Super-Homem e eu devoto da igreja da Diana de Themyscira. O Filipe tem uma colecção de momentos curiosos dos 80 anos de publicações desta editora. Todas as Sextas ele vai tentar colocar aqui um. Eu apenas publico e nada mais. 

Hoje variamos e visitamos o homem mais rápido do mundo e um dos seus inimigos mais, digamos, atrevidos.


Os gostos têm tendência em unir pessoas na amizade. Eu e o Filipe Faria - escritor extraordinaire da saga Crónicas de Allaryia e tradutor incansável - temos uma devoção imortal pelos mundos da DC Comics. Ele é fã incontestável do Super-Homem e eu devoto da igreja da Diana de Themyscira. O Filipe tem uma colecção de momentos curiosos dos 80 anos de publicações desta editora. Todas as Sextas ele vai tentar colocar aqui um. Eu apenas publico e nada mais. 

Hoje temos um momento sitcom do Flash, demonstrando as vantagens e agruras da velocidade.

Uma BD aqui, outra BD ali, 9

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Dark Nights Metal número 5 de Scott Snyder e Greg Cappulo (DC Comics)


Ainda falta um capítulo (e um especial) para Dark Nights Metal chegar ao fim. A promessa é que será em Março. No que a mim diz respeito, esta é provavelmente uma mini-série/evento/saga que será uma marca no historial da DC... mas não só. Será o critério pelo qual muitas outras mini-séries/eventos/sagas serão julgadas. Ainda falta um capítulo (e um especial) e estou convencido disso. Será que a DC aprendeu com todos os erros do passado e daqui para a frente adoptarão esta metodologia? (Doomsday Clock parece ser outro excelente passo no bom caminho). Apenas o futuro o dirá mas espero que tenham aprendido a lição. Para que os leitores se sintam motivados, na carteira e na vontade, é urgente as editoras de super-heróis perceberam que os seus fãs não precisam de fazer assaltos a bancos para seguir as histórias das suas personagens favoritas. Também existiram pequenos crossovers e alguns especiais em Dark Nights Metal mas não só não eram imprescindíveis como, se os lessem (e eu li todos), eram recompensados com (imaginem só esta revolução) qualidade.

Como já disse em análises anteriores, Dark Night Metal NÃO é para o leitor ocasional da DC. Poderão divertir-se mas nunca será a mesma coisa. Lamento, mas a DC, Scott Snyder e Greg Cappulo parece que não se importam com isso. Aqui não existe a versão Politicamente Correcta da BD dos EUA: que todo o leitor tem de ser apaparicado e perceber o que se passa. Impossível! Este é apenas mais um episódio de uma longa novela. Ainda bem. E que episódio! Tudo o que interessa a quem gosta da DC está aqui: os super-heróis bastiões da luz e de virtudes; apoteoses da moralidade Humana; lutarem contra tudo, mesmo quando não há esperança aparente; enfrentarem vilões sem uma réstia de cinzento, eles próprios a apoteose do Mal; o Super-Homem, o Batman e a Mulher-Maravilha como os representantes máximos de heroísmo, perseverança e Bondade. Este é um filme blockbuster como nunca será feito. É entretenimento puro e duro, sem remorsos ou concessões. É aquilo que BD (também) deve ser!

The Flash Annual (2018) número 1 de Joshua Williamson e vários (DC Comics)

Continuando no leit motif "histórias-apenas-para-ser-consumidas-por-quem-adora-a-DC-e-é-doutorado-na-editora": The Flash. Sou fã da versão pós-Crise, a de Wally West (já comecei a ser hermético). Sou fã do trabalho que Mike Baron, Bill Messner-Loebs, Mark Waid, Grant Morrison e Geoff Johns fizeram no velocista. Li apenas parcialmente o que seguiu-se ao último escritor que mencionei.  Fiquei curioso com a saga que começa neste Anual e que se intitula Flash War. Achei que poderia ter tudo aquilo que gosto da mitologia da personagem: a noção de legado; os melhores vilões depois do Batman e do Homem-Aranha; viagens temporais; paradoxos temporais; Flash Reverso; Wally West; a arte de Howard Porter; e ligação forte ao DC Rebirth. Tem, de facto, tudo isto. E é bom?

É entretido, lá isso é. Mas Joshua Williamson não é nenhum dos escritores que mencionei e isso nota-se. Não existe, pelo menos neste seu trabalho, a inventividade que caracterizava cada um dos seus antecessores. Existe, isso sim, uma certa deferência a esse maravilhoso passado mas (e eu sei que pareço estar a contradizer-me) isso não é suficiente. Podemos regressar a casa mas devemos ir com roupas diferentes, nem que seja para termos o elemento de surpresa do nosso lado. Não me interpretem mal. Eu gostei muito de ler este Anual e adorei rever alguns antigos conhecidos. Foi delicioso voltar a ver Wally West como protagonista de uma revista do Flash. Foi excitante folhear e ser surpreso por alguns regressos. Mas, na realidade, já vimos isto tudo. Falta o golpe de asa para que esta saga não seja mais que um retorno ao status quo. Geoff Johns está a fazê-lo no Doomsday Clock. A ver se Williamson consegue sentir-se inspirado por ele. Continuarei a ler mas preciso de mais. O Flash de Wally West merece.

DC Comics - Quando pensava que estava fora, eles voltam (definitivamente) a puxar-me!

(AVISO - Raramente faço-o, mas desta vez não quero escapar. Este post tem spoilers para o final da 1.ª Temporada do Flash, Multiversity, Free Comic Book Day de 2015 da DC Comics e Justice League número 40)


Uma das virtudes do universo de super-heróis da DC Comics que sempre me atraiu é o seu sentido de legado. De que a filosofia, inspiração e nome de um determinado herói passavam de geração em geração, desde a 2.ª Guerra Mundial, onde tinham iniciado a sua actividade, até ao presente. Começou quando, na Terra-1, a Terra que apareceu quando a DC faz o seu primeiro reboot em finais da década de 50 (vou passar a chamar-lhe reimaginação), o Flash desse universo, Barry Allen, inspirou-se em revistas de BD da sua infância, onde um outro Flash vivia as suas aventuras, Jay Garrick. Esta meta-homenagem foi particularmente inspirada porque, na "realidade", esse Flash tinha "existido" nas revistas da DC Comics da década de 40. Ora, Barry Allen acaba por conhecer Jay Garrick quando as Terras 1 e 2 se encontram. Ambos os Flashes conseguiram ultrapassar as barreiras dimensionais que separavam os dois universos e assim se descobriu, pela primeira vez, a existência de um esplendoroso multiverso. Abriu-se uma caixa de Pandora, com múltiplas e díspares versões de todos os grandes personagens do universo DC. Caixa que voltou a ser fechada em meados da década de 80, com a famosa Crise nas Terras Infinitas. A editora achou que todas estas versões do mesmo personagem confundiam o leitor, as vendas estavam a diminuir e decidiram destruir todas as Terras em excesso e ficar com apenas uma, onde coabitavam conceitos dos universos que tinham perecido. Nesse novo e único universo, contudo, o sentido de legado apurou-se e disseminou-se, principalmente nas mãos do autor Mark Waid quando trabalhou, sim, no Flash - mas essa é outra história.  

Depois de muitas tentativas e ameaças pouco veladas do regresso do multiverso, a DC, recentemente, decidiu assumir que este faz parte da sua História, a meta, a macro e a cosmogónica. Nas série Multiversity e depois em Justice League 40, os autores Grant Morrison e Geoff Johns reescreveram os livros cósmicos da grande história do universo. Todas as crises tinham acontecido. Todos os universos tinham, de facto, existido. Todos tinham, de facto, morrido. Tudo fazia parte de um colossal ciclo de morte e rejuvenescimento que governa o multiverso desde o seu início (re-início?). No centro estão os Novos Deuses de Jack Kirby, o Anti-Monitor e Metron, seres divinos que provocam e assistem a esta re-imaginação, num jogo inacreditavelmente gigantesco. Descobre-se que os personagens que tanto adoramos, as diferentes versões do Super-Homem, Mulher-Maravilha, Batman, Flash, não são mais que joguetes, vítimas destas guerra. A DC recuperou, assim, a minha esperança (pelo menos). 

Um dos factos mais curiosos é, a meu ver, e integração de meta-texto nesta reinterpretação do seu multiverso. Em Multiversity, tal como tinha acontecido com Barry Allen e Jay Garrick na década de 50, Morrison incorpora uma BD como alerta do mal que aflige o multiverso nessa série. Em Justice League # 40, Geoff Johns vai um pouco mais além do que Morrison e admite, finalmente, que todas as histórias alguma vez publicadas sempre existiram e que não tinham sido retroactivamente eliminadas na construção de uma tapeçaria que fizesse mais sentido para os leitores fanáticos de organização. Essa organização vai continuar a existir, claro, mas admitindo, ao mesmo tempo, diferentes versões e interpretações dos mesmo personagens. De repente, para mim, a DC recuperou o meu interesse.

Desta forma, a DC admite que tudo de facto aconteceu mas mais: admite que o multiverso é parte do seu legado, do seu conceito (a Marvel também tem um mas bastante diferente). Vejam, por exemplo, a série de TV Flash (uma vez mais ele, a chave do multiverso). No último episódio da primeira temporada, aparece um capacete com asas emergido de um portal de outra dimensão. Os fãs sabem bem do que se trata: é o famoso capacete de Hermes que Jay Garrick da Terra-2 usa. Até na TV a editora assume a existência do multiverso. Esperemos que seja para ficar. 



Colecção DC Levoir/Público – 11.º Volume: Flash


(Prometo tentar informar aos menos conhecedores de BD acerca da acessibilidade desta coleção, ou seja se é fácil ou não ler sem saber muito mais coisas)

Grau de acessibilidade: Difícil

Sai amanhã, Quinta-feira, dia 19 de Setembro, junto com Público e custa 8,9€

Este é complicado. Acompanhar a história do Flash é seguir o complexo novelo do Universo da DC desde o seu início. O velocista escarlate (um dos epítetos do personagem) tem sido um repetido marco das mudanças radicais que ocorreram ao longo de dezenas de anos neste mundo fictício. Tudo começou em 1959, no histórico Showcase número 4, onde é-nos apresentado o segundo Flash da história da BD, Barry Allen, um jovem cientista da polícia de Central City que, por um feliz acidente que apenas acontecem nas histórias de super-heróis, transforma-se no homem mais rápido do planeta. Este era também o início da primeira reinvenção do universo de super-heróis da DC, onde novas interpretações de nomes que já vinham das décadas de 30 e 40 eram dadas a conhecer.  

Flash foi também o primeiro dos personagens desta nova geração a conhecer a velha, a viajar entre universos paralelos e a conhecer o congénere da Terra-2 (para quem já começa a ter a cabeça a fumegar sempre podem ler este meu post). Com Flash nascia o multiverso da DC Comics e os dois acabariam por morrer juntos, 25 anos mais tarde, na saga Crise nas Terras Infinitas, já publicada nesta coleção.

Na história publicada neste volume, apropriadamente chamada de Flash Renasce, Barry Allen regressa do mundo dos mortos, outros 25 anos depois, sendo novamente o percursor de uma mudança de paradigma que ocorreria em 2011 com Os Novos 52, a mais recente reformatação do Universo DC. Entendem agora o pedigree e a dificuldade?

Vou ser claro: os autores, os excelentes Geoff Johns e Ethan Van Sciver, não ajudam a simplificar a história (nem tentam, o que não é, de todo, mau). De facto, como lidar com 50 anos de histórias de uma forma que, ao mesmo tempo, atraia leitores novos e não negligencie quer a riqueza destes universos quer os fãs? E isso interessa verdadeiramente? Não será antes relevante o carácter de entretenimento? Se um leitor mais desinformado conseguir se sentir entretido e curioso o suficiente para passar à procura de outras histórias e tentar reconstruir o puzzle, não podemos chamar a isso uma missão bem sucedida?

Como já venho dizendo desde o começo destes posts, parte da magia do universo de super-heróis reside exatamente neste ato e, meus caros, este é dos volumes mais desafiantes. 

Nota – Não partilho da opinião que tem de se saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.