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Opinião sobre livros: Os Detectives Selvagens de Roberto Bolaño

(apresento-vos L.P., um amigo que, a partir de hoje, sempre que lhe der na gana, tem aqui, no Acho que Acho, um espaço para as suas deambulações, diatribes e delírios. Bem vindo e vida longa!)

por L.P.

Contém desmancha prazeres – uma tradução livre da palavra spoilers
Este Verão decidi começar uma empreitada literária, e dos calhamaços que tinha lá em casa por ler, a escolha recaiu sobre o meio milhar de páginas d’Os Detectives Selvagens de Roberto Bolaño.


Roberto Bolaño :  2666, O espírito da ficção científica e Os Detectives Selvagens

Ouvi falar de Roberto Bolaño já depois da sua morte, que ocorreu em 2003, quando foi dado grande destaque ao seu romance 2666, que foi publicado, postumamente, no ano seguinte à sua morte e que nunca li, mas que me despertou muita curiosidade tanto pelo título como pelo destaque dado nas livrarias nesses tempos.

Guerra dos Tronos - contar histórias não desapareceu com os nossos avós (e ainda bem!)



É incrível como contar histórias ainda nos comove e preenche. Mesmo numa sociedade cada vez mais afastada da natureza, cada vez mais tecnológica. Mundos imaginários com dragões, princesas, príncipes, vilões e senhores das trevas. Mesmo que a forma seja mais adulta do que a que ouvíamos quando éramos crianças.  A aparente simplicidade das narrativas vicia mas, hoje em dia, a uma escala global. Antes esperávamos pelo boca-a-boca, pela tradução do livro, pela episódio passar àquela hora na TV. Hoje em dia, vemos todos ao mesmo tempo, longe uns dos outros e, logo a seguir, temos necessidade de partilhar o entusiasmo na Internet, nas redes sociais.  A série Guerra dos Tronos não é a primeira mas é a primeira a esta escala.

Muito se deve a uma arte que (na minha opinião) faz parte de todas as outras artes e que deveria ser considerada uma arte em si mesma: a de contar histórias. A habilidade com que uns poucos manejam os truques e cativam uma audiência é uma maravilha de se ver. Neste caso falamos, primeiro e sempre, de George R. R. Martin, um residente dos EUA que tornou-se mestre desta tradição milenar. Já são muitas as considerações sobre a capacidade deste senhor em tecer um bom conto. Eu partilho de muitas dessas opiniões. Martin, acima de tudo, começa por cativar-nos com personagens bem construídas e com as quais desenvolvemos uma relação de empatia, simpatia e amizade. Antes de passar à acção e às mortes ele consegue com que tenhamos sentimentos por cada um deles. Por vezes, bem definidos, como o amor ou o ódio, outras vez mais ambíguos, como se não soubéssemos se estamos a ler sobre um herói ou um vilão. As personalidades e motivações são delineadas e descritas ao pormenor, como se (lá está) estivéssemos a conhecer alguém. Por causa disso, relacionamo-nos com elas. Por causa disso (e mais umas coisas, já lá vou), sofremos de ansiedade com o seu destino.

O curioso de Martin é que muitas das suas personagens principais têm um tipo de impedimento, físico ou social. Tyrion é anão. Jon Snow é bastardo. Daenerys é mulher. Martin, aliás, assume o seu feminismo nesta personagem mas não só: também em Sansa, em Arya, em Brienne e mesmo Cersei. Todas vivem num mundo misógino e de expectativas castradas. O curioso é que, na fase da história em que a série de TV se encontra, três delas são as governantes do continente imaginário de Westeros. Após tantas provações são elas que lideram e governam (bem ou mal). Por outro lado, existem as personagens que passaram da força para a fraqueza, como é o caso de Jaime Lannister, cuja perspectiva mudou quando perdeu a mão direita, a que lhe permitia ser um espadachim único. Depois de uma longa jornada, Jaime atinge o seu apogeu na primeira batalha do seu exército contra o dragão de Daenerys, ao não a abandonar e ao estar pronto para se sacrificar. A lição da humildade é, para Martin, importante.

O mundo que o escritor construiu é demasiado real. A imprevisibilidade é comum. A surpresa da morte de personagens que julgávamos importantes tem cativado os leitores e espectadores. A ansiedade que cada nova cena provoca é impressionante. Em muitas outras histórias estamos totalmente seguros que nada iria acontecer à nossa personagem favorita. Quem é que acha que o Super-Homem ou o Indiana Jones vai morrer no final? Pelo menos permanentemente. Na Guerra dos Tronos estamos sempre agarrados à cadeira com medo que seja desta vez que Tyrion ou a Daenerys (ou mesmo o dragão) não se safem. E muitas vezes esse sentimento acontece nos dois lados de uma mesma batalha. Tão depressa não queremos que morra o Bronn como o Drogon. Martin perdeu tempo a explorar cada personalidade, a construir empatia com cada personagem. Envolveu-nos de tal forma que somos chantageados a sentir cada morte e cada ameaça constantemente. Não há descanso.

Porque estamos a acompanhar um livro (e uma série) muitas das personagens cresceram em frente dos nossos olhos. Acompanhamos cada experiência de Sansa, de Arya, de Jon, de Daenerys, ao longo de muitos episódios, capítulos e anos. Como se estivéssemos em confidência com o nosso melhor amigo. Como na vida real. Apercebemo-nos, mesmo sem o racionalizar, que as acções e personalidades são diferentes hoje do que eram ontem, por razões que sentimos como claras. Relativizamos cada opção, muitas vezes as mais criminosas (Tyrion mata o pai, Arya é uma assassina). Uma  das minhas favoritas é Sansa, que começa como uma típica princesa dos contos de fada, suspirando por um príncipe e por uma vida de sonho num longínquo reino maravilhoso. Mas o seu príncipe é um psicopata e o reino um ninho de víboras, umas das piores sendo a sua sogra. Aliás, Cersei e Sansa são o espelho uma da outra. Ambas sonharam com uma vida de Branca de Neve mas a realidade impregnou-se devagarinho e negra. Mas enquanto Sansa parece ter aprendido a apoiar-se na família e a não se ser tão má quanto as suas experiências, Cersei afasta-se até do irmão, quem mais a ama no mundo, e torna-se numa das mais atemorizantes personalidades de Westeros. Esta lenta a progressiva construção de personagens é apenas possível em literatura e na sua herdeira, a série de TV.

A arte de contar histórias é uma das mais antigas e mais importantes. A tecnologia não a matou. Está bem viva. E a Guerra dos Tronos é disso prova.

Guerra dos Tronos: com 10 minutos assim...


Como seria de esperar para quem lê este Blog, a probabilidade de eu ser fã da série de TV Guerra dos Tronos era elevada. Para que as minhas credenciais geek fiquem totalmente carimbadas, fui primeiro fã dos livros. Já sabia da existência d'As Crónicas de Gelo e Fogo de George R. R. Martin antes da publicação, em 2007, do primeiro volume pela Saída de Emergência, mas foi com esta editora que comecei a devorá-los (leiam aqui o que escrevi à altura, com ainda menos qualidade de escrita e um gosto imberbe pela obra).

Sou daqueles que preferia que Martin tivesse acabado esta obra e não estivesse a "lê-la" na série de TV. Contudo, com a qualidade que tem demonstrado, é uma irritação mínima (mas não totalmente apagada). Mas imaginem como se sentem os que começaram a ler as aventuras de Tyrion, Daenerys, Jon Snow, etc., quando o escritor publicou o primeiro volume da saga em 1996. Vinte anos depois ainda não sabem do fim da história e vão descobri-lo numa série de TV.

Sim, o episódio quatro da sétima temporada, agora em exibição, foi maravilhoso e empolgante. Principalmente os últimos dez minutos, os da batalha entre as forças (a partir de agora há spoilers, portanto, fujam os que ainda não viram o episódio) de Daenerys e de Jamie/Cersei Lannister. Dez minutos em que era impossível não estar sentado na beira do sofá enquanto o coração batia a mil, preocupado com o destino das muitas personagens que aprendemos a adorar ao longo destes anos todos. Um verdadeiro testamento à qualidade da escrita de Martin e dos que fazem a série de TV.

Houve o glorioso uso de Drogon, o gigantesco dragão de Daenerys, cuja chama incandescente varria o exército de Jaime Lannister. Houve a batalha sangrenta e incrivelmente violenta, como raramente aparece no Cinema e muito menos na TV. Houve a pirotecnia e o soberbo uso de efeitos especiais. Mas houve muito mais que isso e finalmente chego ao que vos quero dizer.

A cena começa nos diferentes diálogos de Jaime e Bronn com outros personagens mas principalmente com o jovem cavaleiro Dickon. A troca de palavras centra-se no facto da guerra não ter nada de glorioso, ao contrário do que professam os contos de cavalaria e a gabarolice dos cavaleiros (tema recorrente em George Martin). Falam do facto de Dickon ter morto ou visto morrer companheiros de caçada, outra característica inglória e desonrosa da guerra e da luta pelo poder. Estas afirmações sublinham a ideia de ausência de maniqueísmo simplista na narrativa de Martin, onde existem pessoas completas e ambivalentes em ambos os lados. A conversa funciona como prelúdio ao que se seguiria.

O escritor (ou escritores) tem realizado um extraordinário trabalho para que leitores e telespectadores estivessem preparados para empatizar com os dois lados desta batalha. Podemos roer as unhas em cada momento, num duelo esperança/receio de que alguém sairia morto no final (não esquecer que Martin tem feito gala de que "nenhuma personagem está a salvo", aumentando o nosso nível de ansiedade). Por um lado, queremos que Daenerys vença, que Drogon faça terra queimada do campo de batalha, mas por outro não queremos que Jaime ou Bronn sejam sacrificados (nem o dragão, já agora, que esteve perto de morrer).

O rosto e olhar de Tyrion são um espelho desta realidade. Preocupa-se ao mesmo tempo com o irmão e com Daenerys. Esse olhar espelhava a dicotomia que sentia ao ver uma batalha terrivelmente sangrenta. Pessoas calcinadas e nada mais que cinzas sopradas pelo vento. Violência desmedida. Não há glória ou honra nas batalhas e na guerra. Só nos contos delas. Guerra é inevitável. Honra e Glória é apenas para os que a tentam vender aos desgraçados que dão o corpo por ela. 

Jaime, por seu lado, prova que evoluiu como pessoa desde o primeiro episódio. Não abandona a batalha e quase (?) que dá a vida pela vitória e pelos companheiros de batalha. Faz lembrar o comentário da Diana (a Mulher-Maravilha) aos generais ingleses da 1.ª Guerra: que os verdadeiros generais estão junto com os seus soldados e não refugiados na distância e conforto das salas de mapas.

Dez brilhantes minutos que gritam bem alto pela qualidade da escrita, pela realização, pela alma e pelo planeamento desta obra. Aplausos de pé!

O que é a Arte? de Lev Tolstoy

Existem livros que devoramos e existem aqueles que nos devoram. E, claro, existem aqueles que são estas duas coisas ao mesmo tempo. Como se se tratasse de uma estranha forma de simbiose. Como se as palavras que entram pela retina sejam mais que frases e parágrafos e capítulos. Elas são estranhas e familiares verdades. Desejos há muito desejados. Lemos aquelas palavras entrelaçadas com voracidade e velocidade. O ar que respiramos é apenas uma forma de vivermos para acabar aquela leitura. Para quem não é religioso é o mais perto de deus que podemos estar. E O Que É A Arte? do maravilhoso Tolstoy fala muito de deus.

Quem apenas conhece este autor pelo nome não sabe o que perde. Como dizia Italo Calvino "um clássico é um livro que nunca acabou de dizer o que tem a dizer". Assim são os livros de Tolstoy. Pensamos que os conhecemos mas quando os lemos descobrimos que os conhecemos, sim, mas também que não fazíamos a mínima ideia de como eram na realidade. Li recentemente Ana Karenina e passei para A Sonata de Kreutzer e A Morte de Ivan Iliitch. Cada um era melhor que o outro, num ciclo deliciosamente viciante e vicioso. Quando, nas minhas passeatas por livrarias e títulos de livros, vi um que se chamava O Que É A Arte?, era escrito por este homem que depressa tornou-se num dos meus artistas favoritos, tinha de o ter e tinha de o ler. Devorei-o em dois dias. Existem nele palavras que concordo tanto quanto concordo que estou vivo. Existem outras que passam-me ao lado. Outras com as quais discordo tal como discordo de quaisquer preconceitos. Mas é impossível não sentir-me tocado ou identificado com o que nele está escrito do principio ao fim.

Raramente a força das palavras é justiçada. Apenas o é em quem delas sabe fazer uso e com elas sabe explanar as mais simples e claras ideias. Tolstoy era uma dessas pessoas. Este livro fala do que faz Arte, segundo o autor, Arte. Do que faz a Vida ser Vida. Do que faz a Humanidade ser Humanidade. Das suas virtudes e dos seus pecados. Dos seus desejos. Das suas esperanças. É filosofia, sim. Mas é tão mais do que isso. É Uma Verdade. A dele que também pode ser a nossa. Nem que seja nos momentos em que somos devorados pelas palavras. 

Garrido e n., estas são as leituras de que mais gostei em 2015

2011, da minha autoria - para quem não sabe SAM
Ao contrário das minhas escolhas de Cinema, os livros que mais gostei de ler em 2015 não são necessariamente de 2015. Os livros acumulam-se nas prateleiras e em qualquer outro espaço vazio da casa, os meses e anos vão passando e, de vez em quando, um ou outro chama-me à atenção. 

Na lista e à semelhança do que fiz para a 7.ª Arte, não existe nenhuma ordem em especial a não ser a alfabética e não existe nenhum critério a não ser o puro prazer de ter lido o que li. 

Já sabem: podem clicar nas imagens para ler ou reler o que escrevi sobre cada um deles - existe apenas um livro que, infelizmente, não terá link porque nada escrevi sobre ele. Quando o descobrirem vão a uma loja e comprem-no porque é verdadeiramente maravilhoso. 

  


  

   


  

 

     

 

(neste link podem saber mais algumas dos livros que mais gostei mas que não achei que deveriam ficar na lista de cima)

O que vou lendo! – Aprender a Rezar na Era da Técnica de Gonçalo M. Tavares

Acredito que a Arte de Contar Histórias é uma das mais esquecidas. Porque transversal a tantas outras artes é considerada como inata e obrigatória, algo em que não pensamos quando apreciamos uma peça – quer seja um livro, um quadro, um filme, uma BD. Contudo, também acredito ser das mais difíceis, das que requerem maior talento e artifício para que seja equilibrada. E falo não apenas de narrativas lineares mas também das ditas surreais, aquelas que, aparentemente, não parecem seguir outra linha de lógica que a da labiríntica personalidade do autor.

Uma história mal contada nota-se instintivamente. Será por isso que quase nem lhe ligamos? Pensamos: “este filme é chato”; “este quadro está mal pintado”. Muitas vezes deve-se à incapacidade do autor em não saber contar uma história, tal como o faziam os nossos avós ou pais junto a uma lareira antes de dormirmos (calma, não sou assim tão velho. São apenas imagens). Gosto de pensar que esta arte está gravada no nosso código genético. Não esqueçam que foi das primeiras formas de entretenimento. Antes mesmo da palavra escrita.

Não faço ideia de qual a melhor forma de contar uma história (acredito que existam várias metodologias) mas, qualquer que ela seja, Gonçalo M. Tavares é um criador que a tem domada. Aprender a Rezar na Era da Técnica é o meu segundo livro do escritor português e tanto neste como em Jerusalém fiquei surpreso não só pela complexidade temática e conceptual das obras mas também pelos artifícios narrativos de que se socorre. Os capítulos curtos. A escrita que incide nas observações do narrador omnisciente enquanto discursa sobre situações e personagens e menos na descrição redundante do ambiente. Aliás, estas descrições são esparsas e sintéticas, numa espécie de antagonismo ao conhecido gosto de Eça pela excessivo relato do ambiente. O olhar sintético do autor pelo banal e pelo gigante roça a genialidade reservada a poucos escritores. Existe um universo particular a Tavares, um universo onde reside sozinho mas, ao mesmo tempo, munido de portugalidade. Um "ser português" que nós compreendemos tão bem. Mas desenganem-se que isso o isola do resto do mundo. Não. A universalidade da portugalidade de Tavares é total, desculpem a mistura de conceitos (a bem ver, não sou uma grande especialista nestas coisas da Literatura). Ele não fala de Portugal mas escreve como o português que é. Ou então sou eu que o imagino.

Faltam-me ler os dois restantes livros da tetralogia do Reino: Um Homem: Klaus Klump e A Máquina de Joseph Walser. Mal posso esperar.

O Retrato de Dorian Gray deu boas vindas ao século XXI

No From Hell de Alan Moore e Eddie Campbell, o famoso Jack The Ripper é assombrado por uma visão enquanto esquarteja a última vítima. Um portal abre-se defronte de si mostrando imagens do século XX, um mundo tomado pela máquina, pelo progresso e pela luz. Jack fica com a certeza que a sua nobre missão daria lugar a uma era de maravilhas, que ele havia sido a parteira de um El Dorado. O personagem principal do único romance de Oscar Wilde, o titular Dorian Gray, é um animal do mesmo feitio sem, contudo, aperceber-se de que é o arauto, o precursor, de uma maravilhosa nova época. Uma época que não se cinge ao século XX mas também a este nosso XXI.

Este é um dos mais conhecidos, elogiados e estudados livros da literatura mundial, um dos tesouros que ficarão para a eternidade. Já não é a primeira vez que neste Blog tenho a audácia de imiscuir-me pelo campo da (Alta) Literatura, mas quero sossegar todos os que me lêem: não tenho intenção de fornecer-vos qualquer tipo de visão inovadora ou prisma singular sobre um livro que vale para lá de qualquer crítica e que já foi esquartejado (lá está esta palavra outra vez) vezes sem conta e por mentes mais experientes que a minha. Este é apenas o elogio particular a um livro que, sim, deveria ter lido mais cedo na vida e cuja descoberta cabe dentro do coloquial "mais vale tarde do que nunca". É caso para se dizer que os clássicos são clássicos por alguma razão.

Não me parece que uma história com mais de 100 anos caiba dentro da definição de spoiler. O enredo é bastante conhecido: um homem, Dorian Gray, possui um quadro que envelhece no seu lugar. Mas, por vezes, a mitologia em volta de uma obra muito conhecida parece se ater a determinados pormenores e esquecer outros. Este livro é um dos casos. O detalhe base do enredo é fantástico e original o suficiente para prender a admiração mesmo de quem nunca o tenha lido. A ponto de nos esquecermos de o folhear, pensando já conhecer tudo o que há para conhecer. Acontece que, por exemplo, o quadro escondido de Dorian Gray não assimila apenas as rugas que deveriam existir na face eternamente jovem do protagonista, mas também os pecados que vai somando na sua vida, desenhando não só uma figura idosa mas também hedionda, negra e odiosa. Arte mais realista que a vida. Um personagem esquecido (pelo menos por quem eu li ou ouvi acerca do assunto) é o delicioso Lord Henry, amigo de Dorian, reflexo da exuberante personalidade do autor da obra. Ele é uma espécie de Mefistófeles para o Fausto de Dorian, ao mesmo tempo que é uma voz cáustica, satírica e jocosa dotada de aforismos morais tão falaciosos que transformam-se em tangentes da verdade (ou pelo menos uma verdade). Ele é o arquétipo do façam como eu falo e não façam o que faço. Mas porque é ele o Diabo tentador de Dorian Gray? Na sequência inicial, quando o pintor, amigo de ambos e autor do famoso quadro, mostra a obra, Lord Henry pergunta a Dorian se este não gostaria de ser eternamente jovem como aquela sua representação iria sempre ser. O protagonista reconhece-se neste desejo e enceta um pacto informal, de que gostaria de ver o quadro envelhecer no seu lugar. Momentos antes, ambos tinham tido uma conversa que espelha a actual febre pela juventude, pela imortalidade da pele esticada, a única recompensa que merece ser conseguida. A influência da cativante personalidade e opiniões de Lord Henry inebriam Dorian a tal ponto que, sem pensar, acaba por fazer um pacto mefistofélico.

O livro é contado pela prosa florida, perfumada e exuberante de Wilde, toda ela cores garridas, excessos dos sentidos e do prazer físico e carnal. É um livro que, perdoem o cliché, foi, é e será sempre actual.

Os Maias - Cenas da Vida Romântica de João Botelho

O romance Os Maias é um dos maiores da língua portuguesa e também da literatura mundial, um dos expoentes máximos do Realismo – ou, pelo menos, assim mo dizem, a mim que não sou especialista na matéria. Os portugueses de todas as idades bem o conhecem, já que somos literalmente obrigados a lê-lo (ou pelo menos um resumo) no nosso período escolar. Escusado será dizer que qualquer adaptação de uma obra tão conhecida, mesmo que por um cineasta e artista da envergadura de João Botelho, será sempre um risco. Todos terão uma palavra a dizer. Todos tiveram uma sensação diferente ao ler o livro. A passagem para a 7.ª Arte de uma obra conhecida e superior como esta abre espaço para todos emitirem opiniões porque todos têm legitimidade de a ter – eu percebo a ironia do que acabei de escrever.

João Botelho, numa entrevista que tive a sorte de ouvir na Antena 3, é um homem com prazer especial em adaptar ao cinema obras da literatura portuguesa e mundial. É um dos mais acérrimos adoradores de Fernando Pessoa, tendo passado para cinema um dos mais difíceis e intransponíveis livros do autor, O Livro do Desassossego – um projeto que, na minha opinião, não sei se posso apelidar de cinema, mas antes de uma coleção de imagens em movimento com textos de um dos maiores escritores da humanidade, um OVNI que desafia qualquer tipo de classificação (e ainda bem). Obviamente que Os Maias escreve-se de uma forma mais convencional e adaptável, sendo uma das mais belas histórias alguma vez escritas, não só metida dentro do estilo literário que tem outros grandes nomes como Tolstoy e Dostoievski, como uma herdeira dos clássicos gregos, da tragédia, partilhando temas com obras como Rei Édipo, Medeia, etc.

Botelho filma de forma esplendorosa, buscando o famoso chiaroscuro de Caravaggio, que emula de forma assumida e revelada, fazendo-se valer da sua arte, da fotografia e da iluminação para suplantar obstáculos como a falta de orçamento, para adaptar de uma forma menos “sumptuosa”. Mas uma oportunidade destas não deve ser desperdiçada e Botelho não o faz, colocando a sua arte de décadas ao serviço da Literatura e do Cinema, conseguindo uma peça que não envergonha nenhuma delas. A solução dos cenários, da “falsidade”, é assumida logo no genérico mas também pelo facto de recorrer, nos exteriores, a pinturas. Aliás, a pintura, uma das grandes paixões do realizador, é omnipresente no filme, funcionando como cenário e mesmo como comentador ao enredo - uma das últimas cenas do brilhante João Perry é disso prova. Existe uma confluência de gostos de Botelho que o tornam, acima de tudo, um verdadeiro artista, alguém capaz de imprimir a sua visão pessoal em tudo o que toca.

Infelizmente, o filme tem, para mim, uma grande falha: os atores escolhidos para fazerem de Carlos da Maia e João da Ega. São estes os elos fracos numa tapeçaria que, de outra forma, seria uma obra de valor indiscutível. O casting falhou, e isso nota-se principalmente porque falamos dos personagens com mais tempo de ecrã e aqueles que funcionam como âncora não só do enredo como da “moral”, da “sub-textualidade”, da obra. Confesso que a apreciação do filme foi bastante prejudicada pela pouca complexidade dada pelos atores aos personagens. São eles a principal razão de uma primeira metade mais complicada. Felizmente, na segunda parte, a situação é corrigia pela entrada em cena de Maria Eduarda e, consequentemente, do enredo principal, da famosa história de amor incestuosa. A atriz brasileira consegue aquilo que os outros dois têm incapacidade para fazer: pegar em diálogos diretamente retirados do brilhante Eça de Queiroz (uma das soluções ganhadoras do filme) e dar-lhes alma e emoção. Monocórdicos substituídos por entoação. Existem outros atores que vão muito bem: o já mencionado João Perry; os pequenos papéis de Ana Moreira e Rita Blanco; Hugo Mestre Amaro. Todos contribuem para um todo bastante bom.


Este é um filme que deve ser visto e incentivado porque tem de existir espaço para obras deste género em Portugal, transversais aos vários sectores da sociedade e capazes de colocar portugueses a ver cinema português.

The Sword in the Storm – 1º Volume da série Rigante de David Gemmell

Nunca tinha ouvido falar de David Gemmell. Mas, por causa das felizes comunidades que se criam entre pessoas com gostos parecidos, foi-me aconselhado este livro. Depois de ter lido o primeiro volume da enorme saga Wheel of Time de Robert Jordan, foi sugerido que dedicasse algum tempo a este livro, o primeiro de quatro. Que bom conselho foi esse.

A saga dos Rigante, povo deste mundo imaginário construído por Gemmell, é um romance de fantasia à semelhança de O Senhor dos Anéis e Guerra dos Tronos (sim, eu sei que este é o nome do primeiro livro da Saga do Fogo e do Gelo de George Martin). Aliás, para ser mais preciso, no que respeita a estilo, está algures a meio destes dois livros. Primeiro, porque a construção do mundo não é tão pormenorizada ou obsessiva como o foi a de Tolkien. Segundo, é bastante mais fantasioso que a famosa saga de George Martin, não se afastando da matriz mágica e mítica que tantos fãs gostam nestes romances passados em mundo medievais imaginários. Por outro lado ainda, existe um nível de brutalidade que pode comparar-se a Westeros mas que, a meu ver, sabe mais ao estilo de Conan, o Bárbaro, de Robert E. Howard. Muita dessa impressão dever-se-á ao personagem principal, Connavar, guerreiro dotado, resoluto e implacável. Ele é também o típico escolhido pelo Destino para servir um propósito escondido do entendimento do próprio herói e de todos à sua volta. Aliás, se existe uma estética transversal, uma mensagem, se assim o quiserem, é exatamente a do caminho urdido pelos Deuses. Desde o primeiro momento tem-se a certeza (revelada e declarada) que a vida de Connavar é seguida de forma atenta pelos seres divinos que vigiam o caminho dos homens, deuses de matiz naturalista (à semelhança da mitologia celta, japonesa e alguns pormenores da grega), habitantes das árvores, rios e montanhas. Outro pormenor que sublinha este aspeto é de que a todos os habitantes deste mundo imaginário cedo é revelado por uma bruxa, uma xamã, quais os sinais que precederão a sua morte. Um aviso de que poderão escapar a esse destino se estiverem atentos.

Outra dos temas da Saga dos Rigante é também o da defesa de um estilo de vida rural, da pequena comunidade local e dos costumes tradicionais adaptados ao ambiente em que vivem. Este povo vive em harmonia com o dia-a-dia que segue há séculos, felizes nas tradições (digamos) anti-cosmopolitas. Contudo, descobrem que a defesa desse modo de vida exige sacrifícios. Materiais e não só.


Não sendo uma saga de originalidade impressionante, a escrita de Gemmell é empolgante, raramente se perdendo em descrições extenuantes de todos os pormenores. Antes foca-se no enredo, que se desenvolve a um passo bastante rápido (muito em oposição, por exemplo, ao de George Martin que é glacial) e cheio de reviravoltas, o que torna a leitura agradável e deixa-nos sempre com ansias para passar ao próximo capítulo. Recomendável.

O que vou lendo! - Anna Karénina de Lev Tolstoi

Nada do que vos disser acerca de Anna Karénina será novidade. O que eu escrever não será mais que um testamento do meu gosto. Será falar do prazer que foi lê-lo e reconhecer que, sim, é um romance maior, da primeira à última página. Melhores que eu já dele falaram copiosamente. Eu não vou acrescentar nada de relevante.

Afirmar que este é um dos maiores livros da Humanidade é algo que muitos já ouviram mas que reconhecem ser pouco mais que uma frase que meia dúzia de conhecedores de Literatura repete. Não conheço o suficiente para o debater de igual para igual, mas face à quantidade de livros que já tive o prazer de ler, este é, sem dúvida, um dos mais fabulosos que me passou pelos olhos. Não sei se ainda se fazem livros como este. Por exemplo, li há uns anos atrás Liberdade de Jonathan Franzen, autor estado-unidense que se diz inspirado pelos trabalhos de russos como Tolstoi, e nada do que ele fez nesse livro ou em Correções é, para mim, tão bom quanto o é Anna Karénina (gostei muito do Liberdade e quase nada do Correções). Anna é construído de forma soberba, definindo os personagens e acontecimentos através de um oposto, de um outro personagem ou acontecimento que os reflete. As histórias principais são duas (este é um livro sistematicamente composto por dicotomias): a da famosa e trágica história de amor entre a titular Anna Karénina e Vronsky; a outra, doce, entre Kitty e Levin, este, para mim, o grande herói do romance. Enquanto a primeira segue, de uma forma muito particular, os trâmites da tragédia, a segunda é, curiosamente, ao mesmo tempo idílica e realista.

Anna Karénina e Vronsky são a pedra de toque e o alvo principal de Tolstoi, mas Kitty e Levin são aquilo a que ambiciona. Ambas as histórias têm inícios problemáticos, mas a primeira é mais voluptuosa e carnal que a segunda, esta mais romântica, carinhosa e alicerçada na personalidade de Levin, um homem do campo, latifundiário. Enquanto Levin é um homem habituado ao duro trabalho da agricultura e pecuária, cujas virtudes são fortemente enaltecidas pela prosa de Tolstoi, todos os restantes personagens são animais da cidade, muitos deles parte da nobreza russa, que vive acima das suas possibilidades e em constante serviço do hedonismo (principalmente os homens). Este confronto entre o trabalho honesto e a busca do prazer é um tema recorrente e, aliás, enfoque de uma das mais fantásticas passagens do livro, envolvendo duas belíssimas epifanias de Levin: mesmo sendo o patrão decide partilhar do trabalho físico dos seus empregados; nesse mesmo dia, conclui que Kitty é a mulher da sua vida, por quem lutará sem medo da vergonha. Estes dois novelos são misturados de forma soberba pela escrita de Tolstoi numa das mais belas sequências da Literatura (caso não tenham ainda percebido, a minha história favorita de Anna Karénina não é a da titular).

Um aspeto importante é também a insurgência de diferentes pontos de vista sobre diferentes assuntos que preocupavam a época. Também a filosofia e crenças do escritor são, subtilmente e por vezes não tão subtilmente, colocadas entre textos e diálogos. Existem reflexões sobre os amores dos homens versus o amor das mulheres, a diferença entre artista e apreciador de arte. Existe um episódio com um cão que acho particularmente delicioso, tendo em conta o facto de Tolstoi ter sido vegetariano e naturalista.


Poderia escrever inúmeras palavras acerca deste livro mas, como já o disse em relação a tantas outras coisas, o melhor não é ler sobre mas ler. E, já agora, nem se atrevam a ver o filme mais recente que adapta o livro. Pouco ou nada tem a ver com a superior prosa do autor. Aqui, declaradamente, o livro é muito, mas mesmo muito, melhor que o filme.


O que vou lendo! – The Eye of The World – 1. º Volume de The Wheel of Time de Robert Jordan

O livro estava a ganhar pó e amarelo no papel há mais de uma década. A ganhar corpo e sabor. Para que, quando finalmente o lesse, o pudesse saborear com o vintage da idade. Isto tudo para justificar tê-lo parado na prateleira. Já o deveria ter lido. Alguém me incentivou a ler, numa daquelas conversas em que um assunto leva outro. Começou pela BD (belo lugar onde começar), invadiu o terreno do romance de Alta Fantasia, deslizou por George Martin e acabou neste Robert Jordan, percursor do primeiro.

Desde que soube o peso de toda a saga fiquei um pouco acabrunhado e achei que seria uma pesada empreitada. Catorze volumes no total. Cada um tão grande ou maior que este primeiro – cerca de 800 páginas. Ainda assim, decidido, arrisquei. E ainda bem. Divertido, empolgante e viciante são adjetivos bem apropriados. Há outros. O que vos posso dizer é que os dois próximos volumes já estão no carro de compras. Vamos ver se o entusiasmo continua e se consigo chegar ao final.

Como não poderia deixar de ser quando falamos de romances deste género literário, existem um conjunto de clichés que são sempre obrigatórios. Trata-se de um mundo parecido com o nosso, um ambiente semi-medieval, uma sombra que se aproxima, uma milenar luta entre as forças da escuridão e as da luz, um conjunto idiossincrático de pessoas que se juntam, um dentre eles o prometido Salvador. Tudo servido com decorações que variam entre línguas exóticas inventadas, criaturas fantásticas de mil e uma cores, paisagens de tirar o fôlego, civilizações tão antigas quanto o nascer do sol, etc. Em suma, tudo o que se espera encontrar neste tipo de livros desde que Tolkien os inaugurou. O que varia é sempre a forma como se cozinha e apimenta o preparado.

Robert Jordan dá-nos de tudo o que acima enumerei um pouco mas, necessariamente, de uma forma muito sua. Mistura diferentes religiões do nosso mundo para construir uma mitologia e cosmogonia que refletem o seu modo de pensar. A Roda do Mundo, um dos pilares deste mundo de fantasia, é uma mescla de budismo e mitologia grega, ao abordar os temas da ressurreição e do destino que é tecido por forças superiores alheias. Os senhores da Luz e Sombra são reflexos de um arquétipo que nos é familiar, o judaico-cristão. O enfoque num lado comunal com a natureza bebe a rituais pagãos que remontam ao druidismo. Também Tolkien construiu uma mitologia que absorvia diferentes influências, mas tal como George Martin da Guerra dos Tronos, cada qual pega numa das pontas do novelo disponível e constrói algo seu. É nessa construção que está parte do prazer da leitura. Outra fonte é sem dúvida a qualidade da narrativa e do enredo, o tipo de relação que se consegue construir para que o leitor se embrenhe com vontade nos destinos dos personagens. E, nisso, Jordan consegue com mestria.

Outro lado interessante neste romance e que surge em contraponto com o modo como Tolkien o abordou no seu Senhor dos Anéis, é o tratamento que Jordan faz das mulheres, quer como personagens, quer no seu papel no mundo fictício. Neste universo elas são omnipresentes na influência e no poder, numa alusão a outras mitologias, estas mais remotas e matriarcais, aquelas das primitivas sociedades humanas. Elas são curandeiras, místicas e símbolo de vida, com uma forte ligação à fonte de poder primordial. Por exemplo, o arquétipo Gandalf (que, por sua vez, vem de Merlin) é ocupado por uma mulher. O que, a bem ver, constitui-se como um exemplo positivo e a seguir.


Este primeiro volume, ainda que de modo algum seja revolucionário na escrita e no enredo, constitui-se como um pedaço de entretenimento bastante interessante. Para quem não sabe, infelizmente, o autor já faleceu, não tendo tido oportunidade de escrever a sua mega-saga até ao final. Contudo, quando soube da sua prevista morte, preparou o terreno todo, escreveu os últimos capítulos e entregou o resto às capazes mãos de um fã, Brandon Sanderson, que acabou o 14.º volume em 2012. Espero chegar a ele…

(PS - Para quem não tem controlo razoável da língua inglesa, será difícil acompanhar esta saga até o final. É que, em Portugal, foram publicados pela Bertrand apenas os quatro primeiros volumes da saga)

O Amuleto de Roberto Bolaño


Enquanto o mundo lá fora afogava-se, fechei-me no cubículo de minha casa onde os livros entornavam-se do chão até ao teto, o barulho ensurdecedor das vagas tremia nas paredes que se rachavam por todas as diagonais e por todos os recortes e, mesmo assim, a casa aguentava-se, como um monólito pré-histórico, um menir.

As ruas da cidade permaneceram submersas durante semanas e, enquanto a pouca comida e a pouca água aguentaram o meu corpo, os livros que retirava, um a um, despacharam as horas dos dias, despejadas para o passado pelas palavras dos que amo e pelas ações daqueles que acharam por bem escrever. Comecei pelo primeiro livro que me deram e percorri cronologicamente (a minha imaginação nunca foi tão boa como a daqueles que admirava) até quando pude, dei graças a cada partícula de pó acumulada nos volumes amontoados e respigados pela minha obsessão. Comecei pelas aves (que começo auspicioso, digo eu, voar com as asas catalogadas) e continuei me entretendo com as já antigas palavras de Homero, de Edith Hamilton, que o seguiu nos mitos e nos heróis e nos deuses, de Tolkien, que me lembro tão bem pelo filme mas, acima de tudo, pelas palavras.

Reli cada teia pendurada nos prédios de Nova Iorque, cada capa vermelha nos céus da cidade imaginada de Metrópolis, cada rua suja da gótica do homem de negro, do deus Byrne que de tantas e tantas páginas preencheu o vazio, do mestre Gaiman que com tantas e tantas palavras preencheu o nada.

No final ainda imaginei como seria bom o mundo literário ter nas suas prateleiras uma outra saga do Sandman escrita pelo Saramago, uma história dos múltiplos universos da DC pelo Pessoa ou 10 anos do Super-Homem escritos por Alan Moore.

O Amuleto de Bolaño é o meu primeiro livro deste autor. Conta a história da mãe de todos os poetas mexicanos, de como viveu fechada numa casa de banho da Faculdade de Filosofia e Letras da Cidade do México em 1968, de como nessa clausura reviveu o passado que aconteceu e o que não aconteceu, de como previu o que ainda iria viver ou do que ainda poderia viver, caso sobrevivesse.