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Tenho participado de uma brincadeira no Facebook: enumerar uma BD por dia até 2020. Começou há alguns meses, e agora dou-me ao trabalho de aqui a reproduzir. Mostro, hoje, as escolhas desta semana, com link na imagem para o texto que escrevi sobre o livro, ou um nhónhózinho, caso ainda não tenha falado dele.

E, na recta final, BDs e leituras para todos os gostos e uma coisinha especial.

Coleção Levoir/Público Marvel 2014 – 20.º Volume: Vingadores e X-Men parte II

(Prometo informar os menos conhecedores acerca da acessibilidade desta coleção de BD, ou seja, se é fácil ou não ler sem saber mais coisas)

Grau de acessibilidade: Difícil mas…

Sai amanhã, Quinta-feira, dia 20 de Novembro, junto com Público e custa 8,9€


Quando os heróis já enfrentaram por diversas vezes os seus habituais inimigos fica difícil inovar. Ao mesmo tempo, uma das histórias com quase tanta barba quanto a do aparecimento do super-herói é a do confronto entre dois ou mais super-heróis. Quantas e quantas vezes o Super-Homem encontrava-se com, por exemplo, o Capitão Marvel (não sabem quem é? Para o efeito, não interessa), e a primeira reação de ambos era a de desentendimento, seguida do confronto e, só depois, da junção para enfrentar o verdadeiro problema, geralmente um super-vilão. Existe um lado muito atraente para os fãs em ver personagens que são geralmente aliados a lutarem um contra o outro. Não só ajuda a responder à juvenil pergunta de “quem é o mais forte?” como possui uma carga dramática verdadeiramente cativante.

A editora Marvel, nos últimos 10 anos, tem levado este confronto para um lado inesperado, não se cingido aos eventuais desentendimentos mas indo mais longe, para o lado das diferenças filosóficas entre heróis. Este rol de encontros começou com Dinastia M, onde os Vingadores estavam de um lado diferente do dos X-Men. Continuou, desta vez só com os Vingadores, com a Guerra Civil (ambas estas histórias foram publicadas pela Levoir) e com as consequências da mesma – e que, ao que parece, serão adaptadas no terceiro filme do Capitão América, já que a base da titular guerra era a do confronto entre o Sentinela da Liberdade e o seu colega Vingador, o Homem de Ferro. Alguns anos e muitas histórias e sagas depois, eis que surge um confronto paradoxal mas esperado entre duas das maiores equipas da Marvel. Esta é a história que imediatamente antecede as publicadas nas revistas mensais da Panini Portugal, nomeadamente as dos Vingadores e dos X-Men, e funciona como importante complemento para perceber o ponto onde se encontra, principalmente, a equipa de mutantes.

São vários os escritores e desenhistas que trabalharam nesta saga, que sofre de vários defeitos, ainda que tenha importantes virtudes. Algo pelo qual não tenho particular afinidade é exatamente o facto de ser trabalhada por vários autores que, ainda que detentores de enorme talento, acabam por contribuir para um todo incoerente – cheira ao trabalho de encomenda que na realidade é. Por outro lado, é o culminar de uma multitude de outras histórias vindas de outros volumes (como Dinastia M), obrigando a um enciclopédico conhecimento dos meandros em que estes estes personagens se movimentaram na última década. Não que isso não deva funcionar como detrimento, como aliás sempre digo no final de cada um destes posts. Por outro lado, as vantagens residem nas mesmas características que são também defeitos. Não só estamos defronte do trabalho de alguns dos mais interessantes escritores e desenhistas de BD de super-heróis, como muita da magia da mitologia dos personagens reside no conturbado historial que os rodeia. Em suma, uma maneira curiosa de culminar esta coleção da Marvel de 2014: não com um Fim mas sim com um Continua…

Nota final – Eu não partilho da opinião que se tem de saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.


Coleção Levoir/Público Marvel 2014 – 19.º Volume: Vingadores e X-Men parte I

(Prometo informar os menos conhecedores acerca da acessibilidade desta coleção de BD, ou seja, se é fácil ou não ler sem saber mais coisas)

Grau de acessibilidade: Difícil mas…

Sai amanhã, Quinta-feira, dia 13 de Novembro, junto com Público e custa 8,9€


Quando os heróis já enfrentaram por diversas vezes os seus habituais inimigos fica difícil inovar. Ao mesmo tempo, uma das histórias com quase tanta barba quanto a do aparecimento do super-herói é a do confronto entre dois ou mais super-heróis. Quantas e quantas vezes o Super-Homem encontrava-se com, por exemplo, o Capitão Marvel (não sabem quem é? Para o efeito, não interessa), e a primeira reação de ambos era a de desentendimento, seguida do confronto e, só depois, da junção para enfrentar o verdadeiro problema, geralmente um super-vilão. Existe um lado muito atraente para os fãs em ver personagens que são geralmente aliados a lutarem um contra o outro. Não só ajuda a responder à juvenil pergunta de “quem é o mais forte?” como possui uma carga dramática verdadeiramente cativante.

A editora Marvel, nos últimos 10 anos, tem levado este confronto para um lado inesperado, não se cingido aos eventuais desentendimentos mas indo mais longe, para o lado das diferenças filosóficas entre heróis. Este rol de encontros começou com Dinastia M, onde os Vingadores estavam de um lado diferente do dos X-Men. Continuou, desta vez só com os Vingadores, com a Guerra Civil (ambas estas histórias foram publicadas pela Levoir) e com as consequências da mesma – e que, ao que parece, serão adaptadas no terceiro filme do Capitão América, já que a base da titular guerra era a do confronto entre o Sentinela da Liberdade e o seu colega Vingador, o Homem de Ferro. Alguns anos e muitas histórias e sagas depois, eis que surge um confronto paradoxal mas esperado entre duas das maiores equipas da Marvel. Esta é a história que imediatamente antecede as publicadas nas revistas mensais da Panini Portugal, nomeadamente as dos Vingadores e dos X-Men, e funciona como importante complemento para perceber o ponto onde se encontra, principalmente, a equipa de mutantes.

São vários os escritores e desenhistas que trabalharam nesta saga, que sofre de vários defeitos, ainda que tenha importantes virtudes. Algo pelo qual não tenho particular afinidade é exatamente o facto de ser trabalhada por vários autores que, ainda que detentores de enorme talento, acabam por contribuir para um todo incoerente – cheira ao trabalho de encomenda que na realidade é. Por outro lado, é o culminar de uma multitude de outras histórias vindas de outros volumes (como Dinastia M), obrigando a um enciclopédico conhecimento dos meandros em que estes estes personagens se movimentaram na última década. Não que isso não deva funcionar como detrimento, como aliás sempre digo no final de cada um destes posts. Por outro lado, as vantagens residem nas mesmas características que são também defeitos. Não só estamos defronte do trabalho de alguns dos mais interessantes escritores e desenhistas de BD de super-heróis, como muita da magia da mitologia dos personagens reside no conturbado historial que os rodeia. Em suma, uma maneira curiosa de culminar esta coleção da Marvel de 2014: não com um Fim mas sim com um Continua…


Nota final – Eu não partilho da opinião que se tem de saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.

Coleção Levoir/Público Marvel 2014 – 6.º Volume: Homem de Ferro

(Prometo informar os menos conhecedores acerca da acessibilidade desta coleção de BD, ou seja, se é fácil ou não ler sem saber mais coisas)

Grau de acessibilidade: Fácil.

Sai amanhã, Quinta-feira, dia 14 de Agosto, junto com Público e custa 8,9€

Para mim nunca foi fácil gostar do Homem de Ferro. Acompanhei várias das histórias do personagem mas sempre com um certo distanciamento. Gostava do trabalho dos artistas mas pouco me relacionava com o protagonista. Devo confessar que isso, até hoje, continua igual. As histórias que mais me interessaram foram, por exemplo, as do recente trabalho de Matt Fraction e Salvador Larroca (sobre a qual já aqui escrevi), o de Warren Ellis e Adi Granov (publicada na anterior coleção da Levoir dedicada à Marvel) ou o de John Byrne e John Romita JR que, recentemente, teve um volume da Epic Collection a si dedicado. E, claro, existe o que é agora publicado pela Levoir neste 6.º volume da coleção 2014 dedicada à Marvel.

O conjunto de histórias incluídas neste volume ficou conhecido como “Demon in a bottle”. Publicadas em 1979, escritas por David Michelinie e desenhadas por John Romita JR, representam um daqueles momentos na Marvel dos finais da década de 70, princípios de 80, em que a editora não se recusava a arriscar material diferente e “mais adulto”. Estávamos no final de uma época que, para os EUA, foi marcada pela destruição de ídolos e de uma certa inocência. Uma década onde os EUA tinham perdido uma guerra e um Presidente. Os heróis tinham pés de barro. Existia a predisposição para tirar os super-heróis do casulo em que os haviam colocado, começar a tirar as camadas de uniforme colorido e ver o tom de pele bem humano. O que Michelinie e Romita fizeram parece pouco arriscado aos olhos de hoje, mas a BD americana mainstream muito dificilmente revelava uma faceta tão negra de um dos seus mais conhecidos personagens: o alcoolismo. Apesar dos vilões serem uma presença obrigatória na história, o verdadeiro inimigo de Tony Stark é ele próprio, a sua personalidade e o seu vício. Quando li estas histórias alguns anos mais tarde nas versões da Editora Abril, o personagem Homem de Ferro nunca me tinha parecido tão interessante e imagino que para muitos outros que, como eu, pouco se identificavam com o magnata super-herói, o mesmo tenha acontecido. Ainda que tivesse lido anteriores trabalhos com o alter-ego de Tony Stark, foi este aquele que mais me informou acerca do mesmo e aquele sobre o qual tem sido erigida a sua mitologia, para o bem e para o mal.

Todos os trabalhos que se lhe seguiram, de uma forma ou de outra, muito devem ao que Michelinie e Romita aqui fizeram, não tanto pelo conteúdo mas mais por terem revelado o potencial e a forma deste personagem. Recentemente, não só na BD (com a crescente importância advinda de histórias como Civil War, por exemplo) como, claro, no cinema, Tony Stark é, ironicamente, um dos porta-estandartes da Marvel, um dos mais conhecidos no mundo inteiro. Isto deve-se não só ao referido filme, ao trabalho de Robert Downey JR mas também a este pequeno conjunto de histórias, escritas há mais de 30 anos, que revelaram ao mundo (mesmo aos que pouco gostam dele) quem é Tony Stark. Por isso e pela sua qualidade, este é dos mais interessantes e imprescindíveis volumes desta coleção.

Nota final – Eu não partilho da opinião que se tem de saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.


Kick-Ass 2 de Jeff Wadlow

A máxima “O primeiro é que era bom!” aplica-se a este filme na perfeição. No que o anterior funcionava, com certeza por causa da batuta de Matthew Vaughn, neste, meus amigos, é sem sal, desapaixonado. O argumento corre mais ou menos parecido com as duas BD’s em que se inspira (e das quais falei neste post) mas em modo tarefeiro. Jeff Wadlow, perdoa-me, mas até eu que nem gosto muito de dizer mal das coisas, tenho a declarar que tu não tiveste lá muito inspirado. Eu sei que esta BD não se oferece a diatribes autorais e filosóficas sobre o significado do que estamos aqui a fazer, mas uma telenovela de violência orgástica como Kick-Ass 2 mereceria um trabalho mais divertido e leve (se de leve se pode chamar às litradas de sangue e teatro sado-maso que é o enredo do filme).

No artigo da Maxim que escrevi há uns dias trás (leiam-no aqui) já discorri sobre a BD e sobre a filosofia de Kick-Ass (desculpem os filósofos por esticar tanto o termo), portanto no que respeita a isso apenas posso reiterar que se trata de um filme que gosta do estilo narrativa catártica, em que podemos, de uma forma ou de outra, nos identificar com aqueles personagens que se vingam, das formas mais inspiradas, daqueles “que lhes fizeram mal”. Existem momentos particularmente interessantes e muitos deles (ou todos eles) não envolvem o titular mas antes a coadjuvante (Hit-Girl) e o vilão (The Motherfucker e ainda bem que este post é em português). Aliás, um dos personagens menos interessantes é mesmo Kick-Ass, tão sensaborão que, mesmo com todas as desgraças que lhe acontecem, pouco simpatizamos com os seus dilemas. Pergunto-me se a culpa é mais da equipa do filme ou mesmo de Mark Millar, o escritor da BD. 

Resumindo, o filme pouco mais oferece que 2 horas de porrada que não digo ser descontextualizada e desinteressante mas pouco para lá falta. Mas sempre podemos esperançar por uma aventura a solo de Hit-Girl que, se alguma coisa boa veio desta série, é ela de certeza.

Kick-Ass 2 : se lhe apetecer magoar alguém, não culpe o filme - artigo Maxim

Esta semana, lá porque estreia um novo filme baseado em BD não estavam a pensar que eu ia escrever qualquer coisa sobre ele, pensavam?

Pois... tive mesmo de o escrever. 

Leiam-no aqui.


Hit-Girl e Kick-Ass 2 de Mark Millar (escritor) e John Romita JR (desenhista)


Estas duas BD são a sequela do Kick-Ass original, dos mesmo autores, que teve honras de adaptação cinematográfica. O filme teve sucesso o suficiente para justificar também ele uma sequela (a estrear ainda em 2013)  e estes dois volumes são – à partida – a fonte de inspiração para a mesma.

O maior elogio e também a maior critica que se pode fazer a Hit-Girl e Kick-Ass 2 é que é mais do mesmo.

Um rapaz decide, num mundo “real” como o nosso, imitar os super-heróis que idolatra da BD. Veste um uniforme feito em casa e sai à rua, munido de dois bastões, para fazer valer a sua forma de justiça. Este é Kick-Ass. 

Hit-Girl é a única que neste universo se pode considerar uma verdadeira super-heroína. Treinada nas artes de combate desde a infância por um pai sociopata, mas munido de um sentido de justiça em modo hiperbólico, torna-se na única força, no sentido mais literal do termo, de combate ao crime no mundo de Kick-Ass. Juntem o facto de estarmos a falar de uma miúda de 14 anos com uma boca de peixeira de Alfama e temos a combinação perfeita para um personagem memorável (tanto que mereceu um volume só para si, mesmo sendo um personagem secundário).

O que temos neste dois volumes é a escalada da violência estilizada e hiperbolizada, onde o sangue jorra aos litros, os vilões e heróis são submetidos aos mais cruéis castigos imagináveis, tudo culminado por batalhas campais onde a cor vermelha é mais abundante que no ato final de Hamlet. Isto amarrado ao belo laço de palavrões metralhados a 1000 à hora mas, diga-se de passagem, metidos em diálogos mega-divertidos, isto para quem consegue acompanhar a boca desregrada dos vários personagens. Basicamente, o universo de Kick-Ass é catarse pura e dura. Gostavas de sair à rua e dar porrada valente e sádica a criminosos? Estes livros são para ti.

Mark Millar, escritor e escocês, deve-se divertir à grande a congeminar estas histórias. Para isso evoca o anão violento e sádico que habita no fundo das tripas e dá-lhe imaginação, palavras, punhos e armas grandes e mega-violentas. John Romita JR, o lendário e excelente desenhista de BD, faz muito mais que acompanhá-lo, antes torna-se num verdadeiro colaborador e coautor, contribuindo com uma linha clara e fluída. Romita é um consumado contador de histórias em BD, capaz de partir o argumento em páginas e quadradinhos dotados de uma leveza reservada apenas aos verdadeiramente talentosos.

Hit-Girl e Kick-Ass 2 estão longe de serem as melhores obras destes dois autores e não será para os mais leves de barriga, mas é também entretenimento no sentido mais puro. Só por isso vale a pena lê-las. E sempre podemos expurgar alguns demônios. É que, hoje em dia, deve haver muita pessoa que gostaria de sair à rua vestido de super-herói e com dois bastões desatar à porrada a muito boa gente. 

Demolidor... Ler sem medo!


A maior queixa legítima que os que querem entrar na BD americana de super-heróis podem fazer é conhecida: “Se ler este livro tenho a história toda?”. Para os apreciadores e, principalmente, para os que a seguem há muito (35 anos no meu caso), parte do prazer reside exatamente na chamada continuidade, na interminável telenovela interconectada de várias décadas e vários títulos. Mas, para a maior parte das pessoas que não têm tempo, vida ou nenhum interesse, isso não interessa para nada – passo a redundância mas tinha de citar esse ícone da cultura popular, a Teresa Guilherme.  E daí estes pequenos posts neste vosso Blog em que vou tentar guiar-vos por uma leitura equilibrada e balizada de alguns dos melhores personagens da BD americana. Começo pelo mais fácil porque sou um cobarde e um preguiçoso: o Demolidor (Daredevil no Original).

Para começar a leitura de qualquer super-herói que se preze temos de entrar pela sua origem e, raramente, uma foi tão bem re-imaginada como a do Demolidor pela parceria entre o mais importante dos seus autores, Frank Miller, e um dos mais prestigiados desenhadores do panorama americano, John Romita JR. A história chama-se Daredevil, the man without fear e foi originalmente publicada entre 1993 e 1994, relatando os primeiros anos da vida de Matthew Murdock, o jovem residente de um dos piores bairros de Nova Iorque, Hell’s Kitchen, a sua adolescência, o acidente que o cegou e lhe deu poderes sobrenaturais, o  primeiro encontro com um dos seus maiores inimigos e, principalmente, a história do seu primeiro amor, Elektra Natchios, a boémia grega filha de um embaixador que deu nova cor à vida do protagonista.

A história, que na década de 60 havia sido relatada de forma sintética, é espraiada ao longo de mais de 100 páginas, com a claríssima assinatura de Frank Miller que, à data, já havia se afirmado como um dos maiores auteurs do panorama da BD americana em geral e do Demolidor em particular, tendo sido o exclusivo responsável pelo renascimento do personagem no início da década de 80. Frank Miller desenha diálogos e um ambiente saídos dos contos pulp e filmes noir que tanto apreciava enquanto criança, ao mesmo tempo que sublinha a vertente cristã que já havia introduzido em contos anteriores de Matt Murdock. A Nova Iorque de Miller é a uma Big Apple pré-Giuliani, a cidade de Taxi Driver de Martin Scorcese, suja de sangue humano misturado com a fuligem dos carros e despejado nas ruas de concreto gretado. Os homens são americanos do sonho republicano, com vidas marcadas pelo trabalho e pela honra, o suor que escorre de costas lavradas pelos ventos agrestes do tempo. E no meio disto tudo surge um homem cego que, ainda inocente, levanta os punhos da justiça para fazer jus a um voto eterno. Como companheiro de copos de bourbon em bares esconsos, Miller tem o impressionante contador de histórias John Romita JR, que vai para muito para além do mero trabalho por encomenda.

Acreditem em mim que ao ler esta têm o caminho aberto para, caso vos interesse, continuar a ler o Demolidor. Mas não desesperem que estarei aqui para vos guiar por mais umas coleções que considero essenciais.