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Melhores Músicas de 2012 - 5.ª a 1.ª


5 – No to Love de Jessie Ware, LP Devotion

Mais uma inglesa a entrar pelo campo tão americano do Soul e mais uma inglesa a estrear-se em 2012 com o primeiro longa duração. O embalo deste No to Love corre pelas veias como relaxante natural, como o lânguido restolhar de dias quentes de Outono.


4  - Inhaler de The Foals, LP Holy Fire

O álbum só sai em Fevereiro mas este primeiro single já antevê o que esperamos vir a ser um excelente terceiro longa duração, depois de Antidotes e Total Live Forever. O Rock deste quinteto de Oxford, Inglaterra, é frenético, adolescente, epiléptico. Inhaler é apenas, o que não é em nada um pequeno feito, o sucessor desse som. Catártico!




3 – Pushing the River de Shearwater, LP Animal Joy

O ano começou e logo tínhamos como presente o mais recente álbum desta banda indie, os texanos Shearwater. A característica voz grave de Jonathan Meiburg é uma forte marca registada desta banda que anda por estas andanças desde 2001, com o álbum de estreia The Dissolving Room. Mas, uma vez mais, é o incrível loop de bateria e o contagiante espasmo que convence. Coluna sofre!


2 – When we Sing de School of Seven Bells, LP Ghostory

Que dizer desta ode à dança, ao abandono numa noite de discoteca, ao tribalismo urbano? Nada! Apenas oiçam no som mais alto que puderem, fechem as luzes e os olhos e dançem, dançem, dançem, dançem, dançem, dançem, dançem, dançem, sem parar, sem pensar, sem cabeça, apenas movimento, apenas o suor, apenas a fadiga, apenas o coração e os ouvidos em ligação directa.


1 – Hanging On de Active Child, LP You Are All I See

Acho que já fui suficientemente esclarecedor quanto às razões que me levam a eleger esta como a melhor canção que ouvi em 2012, apesar do LP ser de 2011 (leiam-na aqui). Mas mesmo que o não tenha sido, acho que a música é-o. E, não, a versão que Ellie Goulding fez deste tema não é melhor. Ponto. Final.



Melhores Músicas de 2012 - 8.ª a 6.ª


8 – Seneca de Patti Smith, LP Banga

Os lamentos gélidos das florestas do Alaska desenham o ronronar adormecido da mítica Patti Smith, a trovadora americana. Um cobertor preenche o frio das pernas enquanto adormecemos em harmonia com as notas de Seneca. “Run, run my little one/ Run out to sea / Run, run my little one / What do you seek?”.


7 – Is your love big enough? de Lianna La Havas , LP Is your Love Big Enough?

Soul catártico e refrões gordos como “Is your love big enough / For what's to come?” sempre me encheram as medidas, perdoem-me o trocadilho. Esta canção de Lianne la Havas, cantora britânica que lançou o primeiro LP no ano de 2012, cativou pela celebração em movimento que evoca. Toca a pôr aos altos berros!


6 – Default de Django Django, LP Django Django

Um dos melhores LP do ano, o primeiro dos escoseses Django Django, em álbum e ao vivo que, sim, eu tive o prazer de os ver. Energia folk permeia os poros de cada acorde, de cada nota. Há uma alegria embriagada, um desejo de entrar no avião e viajar para terras solarengas como o nosso Alentejo ou a Jamaica de outros. Viciante em álbum mas absoluto êxtase ao vivo.


Melhores músicas de 2012 - 11.ª a 9.ª

Porquê fazer uma lista com 11? E porque não?

11 - Why? de Alpines, EP Collaborations



Pouco me recordo do original de 1980 da Carly Simon mas mal ouvi na Rádio Oxigénio esta versão da canção Why? tocada pelos Alpines, duo trip-hop inglês, vi-me forçado a ouvir repetidamente e, nem tinha dado por isso, já se tinha entranhado nas favoritas do ano. Com um número apreciável de EP e Singles esperamos ser 2013 o ano do primeiro LP dos Alpines.

10 - Ghost de Efterklang, LP Piramida





Para mim existe sempre algo de viciante numa bateria que se entranha pela música adentro, tornando-se o ditador da melodia.  Este Ghost dos dinamarqueses Efterklang é apenas mais uma, um crescendo tribal vindo destas terras frígidas, uma homenagem art pop a uma ilha ártica desnuda de nome Spitsbergen. Um anti-Ainda dos Madredeus. Mas (também) infinitamente delicioso. 

9 - Handshake dos Two Door Cinema Club, LP Beacon




 Tudo o que poderia dizer sobre este viciante e dançável Handshake já o disse por aqui. 


Melhores do Cinema 2012 - 5.º a 1.º


Calma, o 5.º está aqui, não me esqueci de nada.

4 – La Source des Femmes de Radu Mihaileanu (A Fonte das Mulheres) ex-aequo
Os dois filmes que ocupam simultaneamente o 4º lugar tem muito em comum mas o ponto de toque mais importante é, sem duvida, o retrato que pintam da força da Mulher. La Source des Femmes centra-se na sua luta numa aldeia perdida no árido Norte de África, onde os homens, sem trabalho, acomodaram-se a papéis antigos, enquanto as mulheres continuam a viajar, arduamente e à custa da sua saúde, para encontrar água numa fonte longínqua à aldeia. Umas das mulheres, letrada, educada e casada com um marido obviamente diferente dos restantes, decide iniciar uma luta utilizando a única arma que estas mulheres parecem ter à sua disposição... o sexo. Ao fazer greve, acaba por convencer as restantes mulheres e, ajudada por uma das anciãs, inicia uma lenta modificação que acaba por alastrar-se para fora das fronteiras do pequeno lugarejo. A força da história do filme tem reverberações numa atualidade infraestruturada em longínquos e datados pensamentos, que a força da segunda metade do século XX parecia, se não eliminado, pelo menos sido palco da determinada modificação de mentalidades. Não parece ser assim! E a Arte tem de ter um sinal de alerta ligado aos circuitos da realidade. Por isso estes La Source des Femmes e...


4 – Et maintenant ont vá oú? de Nadine Labaki (E Agora onde Vamos?) ex-aequo
Aqui a história é outra. Num aldeia do Líbano convivem duas fés, a islâmica e a cristã, imaturamente defendidas por homens belicosos e orgulhosos, também eles agarrados  à monotonia alicerçada na cegueira da tradição. Ainda que laços de amizade filial e humana liguem os vários membros da aldeia, estes não são suficientes para os juntar na inimizade religiosa. Pequenos mal-entendidos forçam às mulheres dos dois lados da barricada a ardilosamente conceber planos atrás de planos para juntar os homens em detrimento de si mesmos. Até o genial plano final. Nadine Labaki já nos havia presenteado com o não mais leve Caramel, mas este Et maintenant ont vá oú? uma vez mais representa a força da história sobre todos os outros argumentos que uma forma de Arte pode apresentar.


3 – Young Adult de Jason Reiman (Jovem Adulta)
Os escombros de Beleza que aparecem espalhados neste filme são totais. Tanto a física como a imaterial aparece descarnada, quer pela artificialidade desmascarada, quer pela crueza da realidade exposta. E tudo feito através de Charlize Theron, que não se coíbe (em sequências extraordinárias e prenhes de ironia) de explicitar como pode a Beleza ser construída, artificializada, teatralizada por fumo e espelhos. Masoquismo auto irónico. Diablo Cody, a argumentista, volta para as mãos do realizador que a tornou numa das mais requisitadas obreiras de scripts de Hollywood depois de Juno e, enquanto este falava de crianças-adultas, Young Adult fala, apropriadamente, de adultos-crianças. Um cautionary tale para este século XXI cheio de entretenimento escapista para adultos escapistas.


2 – Tabu de Miguel Gomes
O Tabu de Miguel Gomes é um filme extraordinário e, sim, é português. Nos últimos anos, sem concessões, a filmografia portuguesa tem descaradamente entrado nos meus filmes favoritos (Sangue do meu Sangue, Mistérios de Lisboa) e este, de tão sublinhadamente bom, é apenas o mais recente. Uma homenagem ao Cinema, quer pelo preto e branco, quer pela sequência semi-muda, quer pela estrutura reflexo de um outro Tabu, este de Murnau, é também um filme em si extraordinário, belo, arrebatador, nas sequências clássicas das planícies de África, da história de amor que morreu, décadas mais tarde, nas ruas de Lisboa. Uma análise pós-colonialista da psique portuguesa mas sem descurar, como todas as boas histórias, a universalidade tão necessária. Viva o Cinema português neste profundo ano de crise (e não falo da financeira)!


1 – Shame de Steve McQueen (Vergonha)
Primeiro foi a Fome e agora a Vergonha. Assim vai a colaboração entre um realizador e um ator. Pouco é dito, quase nada é revelado, neste belíssimo filme em que antes tudo é exposto na “clareza” opaca da película cinematográfica, dos longos planos expiatórios, das expressões cruas de um extraordinário Michael Fassbender. Que passado está por detrás do distanciamento da realidade experienciado pelos personagens? O que levou ao comportamento limite de Fassbender, um espectador da sua própria existência? Não sabemos e, porque o Mistério perdura, teremos que ver e rever o filme as vezes necessárias até o compreender. Ou não, porque ainda que os olhos sejam o espelho da nossa alma, os de Fassbender não contam histórias completas, apenas rasgos de uma realidade. Cinema em estado elevado.


Melhores do Cinema 2012 - 10.º a 6.º


10– Detachment de Tony Kaye (O Substituto) - ex-aequo


Adrian Brody há muito que não escolhia um filme onde as suas excelentes capacidades como actor fossem tão óbvias. O filme, relato de um professor substituto num liceu americano perdido nos problemáticos subúrbios americanos, incha-se de pequenas e grandes histórias de sacrifícios diários desta classe, ao mesmo tempo que a realização dança pelas imagens, diálogos e solidões de forma virtuosa. Um pedaço de redentora maestria. Incorre num problema ao provavelmente concentrar demasiados episódios num único espaço e tempo, mas não em detrimento da suspensão da descrença. Um pérola ainda em exibição.

10– Holy Motors de Léos Carax - ex-aequo
Um dos queridos da crítica neste ano, a início saí do filme com um amargo de boca. Contudo, esta colecção de sketchs profundamente cinematográficos, esta parada alegórica e surrealista de momentos do cinema, ganhou consistência, como um sonho mal recordado, e recuperou-se como um dos meus favoritos do ano. Existem momentos que dançam a perigosa valsa da beleza e da repulsa, mas sem cair, sem descompassar. Episódios como o do motion capture da cópula entre serpentes-demónio ou do Quasímodo e da Bela Eva Mendes, ficaram-se indelevelmente. E qualquer filme está de bem comigo quando consegue, sem preconceitos e no meio desta nuvem surreal, aludir ao filme Cars da Pixar.



9 – Avengers Assemble de Joss Whedon (Vingadores)
Podem achar estranho a listagem deste filme mas, ainda que reconheça alguma descriminação positiva, não consigo deixar de o considerar como um dos mais interessantes e divertidos filmes de 2012. O tema abordado é do meu profundo conhecimento (acompanho estes personagens na BD há 35 anos) mas Joss Whedon conseguiu a proeza de surpreender e entusiasmar este leitor ávido da 9.ª Arte. Verdadeiramente, os Vingadores ganharam vida, a transição de papel para movimento foi suave, sem soluços e taxativamente enternecedora, pelo amor dedicado, pelo (claríssimo) conhecimento das personalidades que estavam a ser transpostas. Desculpem o lugar-comum, mas queria eu que todos os filmes de acção, os chamados tent-pole, fossem assim, com o coração do lado certo do dinheiro.



8 – Enter the Void de Gaspar Noé
O sucessor de Irréversible de 2002 demorou a sair quer da cabeça do realizador argentino Gaspar Noé quer nas salas de cinema portuguesas (este Enter the Void é de 2009), mas ainda que não tenha conseguido reproduzir-me a inacreditável sensação de ver o primeiro no Festival do Cinema Francês de 2002, não deixa de ser um pedaço corajoso de estética cinematográfica. Um filme longo (161 minutos), ainda mais se nos for estranha a escolha de Noé em filmar exclusivamente na primeira pessoa, sempre o mesmo personagem, primeiro vivo e depois morto. Quando uma troca de droga em Tóquio corre mal e o protagonista é abatido pela polícia, o que se segue é uma viagem geográfica e induzida de realismo mágico, enquanto acompanhamos o fantasma num voo pelas ruas, prédios e pessoas da capital japonesa. Nunca a filosofia da reencarnação foi tão explicitamente retratada. Vejam-no e compreenderão melhor esta minha última frase.



6 - Un Amour de Jeunesse de Mia Hansen-Love (Um Amor de Juventude) - ex-aequo
Que nome tão banal. Que história tão corriqueira. Mas a execução? Essa é sublime. Não sei porque uma história tão simples de um amor que começa jovem para se fazer velho me tocou tanto (algo arrasta-se na minha mente). Talvez porque é um elogio à mulher e à rendição que dedicam ao Amor? Porque nos ternos olhos da protagonista já se desenha o fim, nunca triste mas profundamente realista, por causa dos personagens desenhados. Os filmes de amor adolescente não podem ser todos assim, e ainda bem que o não são, mas este, este é transcendente.



6 – Amour de Michael Haneke (Amor) - ex-aequo
Não consegui resistir a colocar estes dois filmes, tão díspares, tão o reflexo um do outro, na mesma posição. Incrivelmente diferentes, pela maturidade dos protagonistas, do realizador e da abordagem, se fossem vistos em sequência não se perderia em nada (uma double feature de lovexploitation). Ambos abordam o Amor (sim, com letra grande), o que ele na realidade significa, o que na realidade obriga, o que na realidade impõe. E, também interessante, um retrata a Mulher enquanto na ausência do Homem amado e o segundo, este de Haneke, trata do Homem enquanto na ausência (esta não tanto física mas mental) da Mulher amada. Há um lado voyeurista e paulatinamente intimista deste retrato que o realizador faz da entrega e sacrifício do marido ao sofrimento da mulher, numa longa sequência que explica o que acontece depois do “e viveram felizes para sempre”. Ainda que se “limite” ao retrato obsessivamente realista duma situação, não deixa de sair desse seu auto-imposto limite e transcender-se para a universalidade dos sentimentos e das situações. Um filme de crueza desconcertante mas arrebatadoramente envolvente.





Melhores de 2012 pelo Eu cá…Acho que Acho!


Um aviso antes de começar: existem duas limitações para os meus escolhidos como os melhores de 2012.

A primeira, de tão óbvia, sinto-me um pleonasmo ao dizê-la (mas mesmo assim aqui vai disto!). Os “felizes” contemplados reflectem o meu gosto, único e indissociável. Este deveria ser o mantra de todos os críticos antes de teceram qualquer julgamento sobre o que quer que seja. Uma nota introdutória e obrigatória. Uma marca registada, se quiserem. Para evitar confusões.

A segunda provém da situação de não ser um crítico profissional, não ter como trabalho remunerado escrever para jornal/revista/escolham opção, ou seja, a escolha limita-se ao que vi, ouvi ou li, no limite do meu tempo e, acima de tudo, dos recursos financeiros.

Dito isto…