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Álbuns para Sempre, 159

Existem músicas que permanecem. São mais do que prazeres. São memórias. Nossas e dos outros. 

Como em nenhuma outra arte, a Música é comunhão. Quer por estarmos num concerto, quer por a ouvirmos no conforto de casa.

Todos os fins-de-semana vão poder ouvir um álbum que me marcou. Esta semana é de Agnes Obel e do LP Aventine. 

Cliquem na imagem para ouvi-lo no Spotify.

Ou podem deslocar-se a lojas em Lisboa como a Louie Louie, Flur, Carpets & Snares, Carbono, Groovie Records, Discolecção, Vinil Experience, Glam-O-Rama, Magic Bus, Sound Club Vynil Store, e comprar, que os artistas agradecem ainda mais (cliquem nos nomes para irem à loja ou página online).

Álbuns para Sempre, 50

Existem álbuns e músicas que permanecem. São mais do que prazeres. São memórias.  São pedaços de um momento, feliz ou triste. São nossos mas também dos outros. Como em nenhuma outra arte a música é comunhão. Quer por estarmos num concerto, quer porque ouvimos um mesmo álbum, cada um no conforto de casa.

Todos os fins-de-semana vão poder ouvir um álbum que me marcou. Esta semana cabe aos Nick Cave & The Bad Seeds e ao LP Push the Sky Away.





Álbuns para Sempre, 38

Existem álbuns e músicas que permanecem. São mais que prazeres. São memórias.  São pedaços de um tempo, um momento, feliz ou triste. São resultado de existirmos e, por isso, nossos - mas também de outros. Como nenhuma outra arte, a música é comunhão. Quer por estarmos juntos num concerto, quer porque ouvimos um mesmo álbum, cada qual no conforto da sua casa.

Todos os fins-de-semana vão poder ouvir um álbum que me marcou. Esta semana cabe às Savages e ao LP Silence Yourself.



Álbuns para Sempre, 22

Existem álbuns e músicas que permanecem. São mais que prazeres. São memórias.  São pedaços de um tempo, um momento, feliz ou triste. São resultado de existirmos e, por isso, nossos - mas também de outros. Como nenhuma outra arte, a música é comunhão. Quer por estarmos juntos num concerto, quer porque ouvimos um mesmo álbum, cada qual no conforto da sua casa.

Todos os fins-de-semana vão poder ouvir um álbum que me marcou. Esta semana cabe a Justin Timberlake e ao LP 20/20 Experience.


Rapidinhas de Música - SOHN e Disclosure


Tremors de SOHN

Quando começou e continuou, a música não conseguia parar de tocar na cabeça e nos braços. Gritava que era urgente alguém deixar-me saber o meu nome, antes que eu me desse. A bateria continuava e o tremor misturava corpo e movimentos numa única dança.

SOHN é inglês e trabalha em Viena. faz música electrónica e este Artifice é uma das mais belas canções que ouvi nos últimos tempos.




Settle de Disclosure

Depois de pensar com a dança vem o abandonar-me na música. A noite é tão amiga do movimento quanto o som que a seduz. Na rua feita de pedras oiço, vindo de dentro de uma porta perto dos meus ouvidos, um riso de alegria cantado em coro. Pelos sons e pelos corpos.

Disclosure são um duo de ingleses que faz música electrónica da boa. 

Ó Alfredo, olha as músicas que não consigo parar de ouvri! - les derniéres

Alfredo, amigo, cheguei ao final. Fiz um pouco de suspense nestes últimos dias porque é mesmo assim. Eu sei que estavas cheio de vontade e portanto quis fazer durar a pílula.

Primeiro, os portugueses que dizem vir da Buraca e fazem um som que é de sistema, quer dizer, da ausência dele. Com eles cantou a deliciosa Sara Tavares neste bora-rebentar-o-chão-da-sala-a-saltar Voodoo Love.


Finalmente, em último e - garanto-vos - não o de menos importância, os grandes Shearwater com a sua versão de Natural One, originalmente dos Folk Implosion. Esta é PARA COLOCAR AOS ALTOS BERROS.


Então, amigo Alfredo, estou aprovado?


Ó Alfredo, olha a música que não consigo parar de ouvir! - Indie Extravanganza

Alfredo, a saga continua, mas desta vez por coisas mais independentes. Uma delas é até mais que isso, se gostares de rótulos. É portuguesa! São os deliciosos Peixe Avião com o primeiro single do seu novo álbum. Chama-se Avesso. 


Esta amiga, Agnes Obel, dinamarquesa de origem e voz doce de coração, foi uma descoberta feita ao acaso por outro alguém com a qual,  generosamente, me presenteou. Segue-se a minha favorita... The Curse.

Ó Alfredo, olha a música que não consigo parar de ouvir! - pop-attack

Ó Alfredo, estas coisas de gostar de música não pode ter fronteiras, não é? Não pode ter gostos melhores que outros, pois não? Encontram-se pérolas espalhadas por lojas Cartier, mas também em pocilgas ou no banco do jardim onde se respira cheiro a papoilas. Por isso é que, nas duas canções de 2013 que se seguem, está também o exemplo de um malandro que faz umas coisas consideradas mais mainstream mas que eu... sim... não consigo parar de ouvir. É o primo Justino com o Tunnel Vision.


De outro lado, ainda com credenciais Pop, Soul e R&B, mas já a meter um pezinho na malta mais urbano-cosmopolita-hippie-chic  surge a fabulosa Janelle Monae com este Givin em what they love. Assim dá gosto ouvir música.


Ó Alfredo, olha a música que não consigo parar de ouvir! - o contra-ataque

Ó Alfredo, e estes? Que achas destes? 

Não consigo parar de ouvir isto! Um deles, há já mutos anos. Outro, apenas muito recentemente, mas também já o deveria ouvir há muitos anos. Está descansado que já me redimi e ouvi a maravilhosa discografia completa. De quem falo? Do Tio Nick e deste superior Jubillee Street.


Os outros já são meus conhecidos desde o tempo do Songs for the Deaf (eu deveria tê-los mesmo visto no Paradise Garage em Lisboa) e, este ano, lançaram mais um livro de barulhos. I appear missing é o que não consigo de parar de oferecer aos ouvidos.


Ó Alfredo, olha a música que não consigo parar de ouvir! - a saga continua

Amigo Alfredo, pensavas que eram apenas duas? Pensavas que te livravas de mim? Pois claro que não… ainda faltam uma quantidade delas. Era capaz de ser um pouco chato eu estar sempre a ouvir apenas duas músicas. 

Este menino de cognome The Field, que adoro, continuou em 2013 com o seu 4.º álbum chamado The Cupid's Head e, deste , a canção que não consigo para de ouvir é They won't see me. Será freudiano?

  

Os The Frightened Rabbit conheci apenas em 2013 e The Woodpile é hino de cimento em fileiras de apartamentos, grito de voragem por liberdade.

Ó Alfredo, olha a música que não consigo parar de ouvir!

Ó Alfredo, amigo, tu que gostas tanto de música e vais me dizendo coisas tão boas para eu gostar (e, geralmente, acertas) vê lá se gostas destas que não consigo deixar de ouvir, algumas por tua culpa.

Esta vai ser a minha lista do que gostei mais de ouvir em 2013. Aqui tens as primeiras. 

Esta é, inteiramente, por tua culpa. Inteiramente! E, para tua enorme inveja, já as vi duas vezes ao vivo. Malta, as meninas Savages com "Shut up"..


Estes meninos, macacos do ártico, voltaram à forma em 2013 e este, este é fenomenal. Apresento-vos Why'd You Only Call Me When You're High?

O que vou ouvindo! - Arctic Monkeys and Janelle Monae

Arctic Monkeys – AM 

Ora cá está uma coisa muito boa. Estes “bifes” conseguiram outra vez e estamos a falar do 5.º LP da carreira dos meninos, o que nestas coisas da música é apenas reservado a alguns. O anterior Suck It and See não me tinha enchido as medidas mas este AM é exatamente o oposto. A voz de Alex Turner continua a ser a do sedutor brincalhão, ponto e contraponto a saltitar na voz, mas o resto do som é mais direto ao assunto, sem rodriguinhos (que eram fantásticos), sem tantos momentos de partir a coluna em espasmos involuntários. Será que a contribuição e Josh Homme dos Queens of the Stone Age teve alguma coisa a ver com isso? Será que a dose cavalar de Macho Texano teve alguma influência neste som assumidamente escola antiga do rock & roll? Se sim, ainda bem, porque isto, volto a dizê-lo, é mesmo muito bom. 

E já agora, Why'd You Only Call Me When You're High?, é mesmo espetacular. Basta ouvir aqui em baixo!



Janelle Monae – Electric Lady
 
Sem dúvida eléctrica, conclusão a que já tinha chegado depois de ouvir o seu fabuloso primeiro álbum e de a ter visto no Tivoli no Vodafone Mexefest (obrigado, Ípsilon do Público, de vez em quando vocês lá acertam). Esta coelhinha elétrica do R&B vale bem o entusiasmo que desperta em muita gente, com o ritmo Quebra-Costas, hinos à discoteca e ao hedonismo, usando à pele toda a herança de dezenas de anos da música contemporânea. Cá está ela de volta com Electric Lady, retomando o literato estilo de contar uma história usando o formato LP. No anterior The ArachAndroid dávamos uma passagem pela Metropolis de Fritz Lang e neste regressamos a um futuro diferente mas com as mesmas melodias, com o mesmo compasso. 


O que vou ouvindo! - The Weeknd e Alunageorge


The Weeknd – Kiss land

Ele está de volta. O trovador do sexo, o narrador da luxúria, o cantador das rimas vermelhas e das noites em motéis baratos. O autor R&B que se anunciou ao mundo com três maravilhosos álbuns de estreia, estes todos disponibilizados gratuitamente na internet, volta a singrar pelos altos e pelos baixos da arte de Mozart, mas com um som e rimas impregnados de século XXII.

Num primeira (e segunda, e terceira) audição, a surpresa dos álbuns de estreia não é igualada, mas digamos que Wicked Games de House of Ballons e The Zone de Thursday eram difíceis de superar. Mesmo assim, Professional e The Town, logo as primeiras faixas deste Kiss Land, prometem começar a rodar ad infinitum no leitor de MP3. É que o desespero continua a ser o reflexo do desencanto deste apaixonado.




Alunageorge – Body Music

Esta dupla inglesa de estilo electrónico bebe influências ao saudoso estilo Trip-Hop que “imperou” na década de 90, com a voz de Aluna Francis em doce comentário aos ritmos digitais do companheiro George Reid. Nada de novo mas suficientemente agradável para uma audição despreocupada. Existem ainda a intenção de apresentar sons gordos e audíveis com reminiscências de R&B bons para passar na rádio, mas nada que ofende, muito pelo contrário. Easy-listening para os movimentos de teclado no emprego.





A vitória do algoritmo - Blockhead


O real tem o defeito de ser um entretecer de números caóticos que se conjugam num todo uniforme, uma equação de melodia harmónica e dissonante, uma frase sussurrada por deus e pelo demónio.

No universo digital binário, no ecrã computadorizado dos nossos gostos e das nossa vidas, vão aparecendo novos gostos no efeito dominó criado pelos outros gostos. Assim é o hoje tal como o foi o ontem e será o dia a seguir. 

James Anthony Simon é Blockhead, produtor norte-americano de álbuns hip-hop, mas o pouco que ouvi parece-me uma evolução de trip-hop. Seja o que fôr é muito bom, dança-se, ouve-se enquanto se descontrai a fazer o que o lazer obriga.

O álbum é de 2009 e chama-se Music Scene. 

Primavera Sound – Don’t let the fuckers get you down



Este é o meu Primavera Sound. O do Porto, que começou Quinta, dia 30 de Maio e acabou ontem, dia 1 de Junho. E que foi fenomenal! 

(leiam também o excelente relato da Cassete Riscada... acho que vale mesmo a pena fazerem-no).

Já sou galo semi-velho nestas coisas de andar pelos festivais à caça de música. Já virei alguns frangos, para trocar de metáfora e continuar pelos aviários. Por burrice, não fui ao Primavera do ano passado, ainda que estivessem a passar por lá nomes que, na altura, estava doido para ver (The Weeknd era um deles). Por esperteza, não falhei ao deste ano e tive a sorte de ter estado num dos melhores festivais da minha vida - apesar de, como já disse, ter visto uns quantos ao longo dos anos. Foi por causa da música, foi por causa da companhia, foi por causa do espaço, foi por causa do ambiente, tudo combinado para que tenha desfrutado e gozado de bom som, com calma, amplitude, tranquilidade, sem o frenesim adolescente de ir ver este cantor e mais aquele grupo, de uma forma tão caótica que tudo se misturava numa confusão de cor e sons que acabavam por serem esquecidos (excepto pelos verdadeiramente memoráveis). No Primavera não foi assim. Foi relaxe e salto, misturados num único local e por alguns dias.

E, claro, houveram os momentos memoráveis de música, que é para isso que lá vamos.

No primeiro dia, no meio de tantos concertos, houve um que, sem esforço, se colocou acima de todos os outros: Nick Cave and The Bad Seeds. Em jeito de confissão, nunca fui um fã, nunca ouvi nenhum álbum até este – e excelente - último e, claro que estão à vontade para dizê-lo, fui incrivelmente burro. Como posso descrever um dos melhores concertos que já vi na vida? Como se reduz às palavras a arte dos sons, daquele corpo franzino do Tio Nick a esticar-se e a convulsionar-se enquanto dedicava canções “to everybody”? Como dizer que Jubilee Street, que é celestial em LP, é deliciosamente diferente e igualmente boa em palco? Como dizer que ele podia ter cantado mais duas horas que nós não nos cansávamos? Depois dele, todo o dia se apagou, ainda que os Wild Nothing tivessem se esforçado, que os saudosos Dead can Dance me tivessem recordado dos tempos de liceu ou que James Blake tenha sido vaporoso e magnífico.

(para vossa informação lembro-me sempre de Moloko no Sudoeste, ela grávida e frenética, de Nitin Sawhney da altura do Prophesy na Aula Magna, de Lamb, quando Portugal os idolatrava, também na Aula Magna, de Moby, da primeira vez que cá veio, quando o Play ainda não tocava ad nauseum; isto para forçar a memória de apenas alguns)

O segundo dia foi todo ele Blur que, graças a deus, voltaram a ser quatro e que tocaram, sem esforço, em modo frenesim, em êxtase, quase todos os álbuns da sua carreira. Parece que quiseram agradar a todos, ainda que se tenham esquecido de mim (adorava ter ouvido Ambulance, mas pronto, não se pode querer tudo). Não houve palco, espaço, relva, ar o suficiente para conter 20 anos de canções e idolatria acumulada. Ali todos se juntaram na música Blur, sem idades e gerações. Que tudo se foda, o que interessa é a música.

Este dia não podia estar completo sem o antes de Blur, porque eles não existiram sozinhos neste lugar e neste dia. Houve (para mim) Local Natives (boa novidade, não conhecia e estou a ouvi-los no momento em que vos escrevo isto), Grizzly Bear (talvez noutro lugar goste mais deles ao vivo, mas se calhar gostar deles em álbum é suficiente) e Four Tet (momento chill out com vontade de sair e dançar. Devia tê-lo feito).

Chegou o último dia! Depois de dormir num banco de jardim no Porto (a idade é lixada), ainda que a cama do hotel fosse mais confortável, lá se foi, pela margem do Douro, autocarro 500, para o encontro com o segundo melhor concerto de todo o Primavera (sim, o Tio Nick não foi destronado). Antes DELAS ouvi estes: Paus (gosto, foi a minha terceira vez em dois anos, mas já não era altura de terem qualquer coisa nova?); The Sea and the Cake (agradável mas sem rasgos); Explosions in the Sky (baterias em modo tribal levam-me sempre na certa).

E. Finalmente. Savages. Graças a um bom amigo meu, tive a sorte de conhecer o álbum destas londrinas há umas semanas atrás e estava com vontade de as ver. Punk-rock cheio de guitarra, bateria e suor, uma coisa que faz lembrar tantos outros sons e tantos outros tempos mas que é, mesmo assim, cheio de novidade (ou será nostalgia?). E ao vivo elas são destruidoras, sexy sem ser sexuais, loucas, grandes e sólidas como um murro. A baterista, meu deus, a baterista! Essa pulguinha eléctrica que obrigava a que o seu instrumento tivesse que ser recolocado, colado com fita, aparafusado repetidas vezes, esse menina vai me pagar a próxima conta do médico da coluna. 

O Primavera acabou com a melhor frase com que poderia ter acabado, com a vocalista, a francesa Jehnny Beth, a gritar “Don’t let the fuckers get you down”. Amen, sister!

E agora...de volta ao trabalho.

(PS – porque elas merecem, vejam o vídeo de baixo com as meninas Savages a cantar deliciosos 8 minutos de Fuckers)




O que vou ouvindo! The Chromatics e Nick Cave and the Bad Seeds


Chromatics – Kill for love

Por este tenho de agradecer á Laura e Alfredo.

Álbum de 2012 deste grupo electrónico natural de Portland, EUA, é de facto com muita pena minha que o tenha ouvido apenas agora, porque é verdadeiramente excelente. Música electrónica esparsamente tocada pela voz, estende-se minimalista pelos segundos de audição como um fogo-fátuo. Ideal para um fim de tarde de pôr-do-sol farto e radiante molhado pelas águas quentes de um dia de verão. Fabuloso!


Nick Cave and The Bad Seeds – Push the Sky Away

Este é daqueles grupos que dispensam apresentações. O que acaba por ser mais uma razão para ficar espantado quando ainda têm talento, inspiração e energia para produzir esta pérola, provavelmente já um dos melhores LP de 2013 (ui, o exagero!). Já existem aqui alguns dos sons que não consigo deixar de ouvir, como o ébrio Jubilee Street ou o maravilhosamente intitulado Higgs Boson Blues. Que delícia! Há amplo espaço entre notas, demorando cada frase e cada palavra a serem entregues, cada poesia a ser declamada. E que notas! E que poesia! Bem-vindos de volta, Nick Cave and The Bad Seeds, e bem-vindos a Portugal quando vos (ou)virmos no Porto.



O que vou ouvindo! - Lord Huron, Thao & The Get Down Stay Down, Foals


Lord Huron – Love some Dreams

Banda Indie Folk de Los Angeles na veia de Grizzly Bear e Fleet Foxes, este seu primeiro LP é de 2012. Os sons da música de abertura do álbum, Ends of the Earth, evocam as alturas geladas matizadas de grandes e frios lagos do Alaska, enquanto Time to Run apropriadamente suscita fugas pelas florestas dos arredores frescos de Seattle. As vozes são quentes como o chá é quente. Reconfortantes como o cobertor é reconfortante. Tudo aqui é catarse pela harmonia.  Tudo aqui são memórias de um lado de lá mais quente, mais cheio de um lado ameno da vida.


Thao and The Get Down Stay Down – We the Common

Antes de mais nada, Laura, obrigado pela sugestão.

Natural de San Francisco, Thao Nguyen parece que desde cedo percebeu a sua vocação (12 anos), acabando por formar junto com uns colegas esta banda de som jovial, divertido e completamente descomprometido. We the Common de 2013 é já o quinto LP e assume este faceta livre e alegre de forma clara e aberta em grande parte dos temas do álbum, como na canção que lhe dá nome, ou em We don’t call e Holly Roller. Em Move junta-se à parada Mardi Gras pelas ruas de Nova Orleães, e em Clouds for Brains deambula pelo torpor embriagado de uma noite bem? mal? passada. Neste desatino há muito som para a festa que nunca mais acaba. Para antes, durante e depois do vinho.


Foals – Holy Fire

Ainda nem tinham lançado este seu 3.º longa duração e já de certeza era impossível o álbum desapontar, depois da amostra do excelente 1º single, Inhaler. Como se isso não bastasse, entram a matar com o apropriadamente intitulado Prelude, canção sem voz , de riff contagiante de guitarra, bateria marcial, empurrando-nos violentamente para a barragem de sons puramente rock and roll dançável e mochável. E não se ficam. Seguem com o hino de My number, outro mote para a dança hipster de clube cavernoso, o lamento de Bad Habit, o apelo de Late Night. Um álbum que do princípio ao fim está cheio de momentos certos, mais que certos, para uma noite, um dia, um fim.