Existem álbuns e músicas que permanecem. São mais do que prazeres. São memórias. São pedaços de um momento, feliz ou triste. São nossos mas também dos outros. Como em nenhuma outra arte a música é comunhão. Quer por estarmos num concerto, quer porque ouvimos um mesmo álbum, cada um no conforto de casa.
Todos os fins-de-semana vão poder ouvir um álbum que me marcou. Esta semana cabe aos Nick Cave & The Bad Seeds e ao LP Push the Sky Away.
Existem álbuns e músicas que permanecem. São mais que prazeres. São memórias. São pedaços de um tempo, um momento, feliz ou triste. São resultado de existirmos e, por isso, nossos - mas também de outros. Como nenhuma outra arte, a música é comunhão. Quer por estarmos juntos num concerto, quer porque ouvimos um mesmo álbum, cada qual no conforto da sua casa.
Todos os fins-de-semana vão poder ouvir um álbum que me marcou. Esta semana cabe às Savages e ao LP Silence Yourself.
Existem álbuns e músicas que permanecem. São mais que prazeres. São memórias. São pedaços de um tempo, um momento, feliz ou triste. São resultado de existirmos e, por isso, nossos - mas também de outros. Como nenhuma outra arte, a música é comunhão. Quer por estarmos juntos num concerto, quer porque ouvimos um mesmo álbum, cada qual no conforto da sua casa.
Todos os fins-de-semana vão poder ouvir um álbum que me marcou. Esta semana cabe a Justin Timberlake e ao LP 20/20 Experience.
Quando começou e continuou, a música não conseguia parar de tocar na cabeça e nos braços. Gritava que era urgente alguém deixar-me saber o meu nome, antes que eu me desse. A bateria continuava e o tremor misturava corpo e movimentos numa única dança.
SOHN é inglês e trabalha em Viena. faz música electrónica e este Artifice é uma das mais belas canções que ouvi nos últimos tempos.
Settle de Disclosure
Depois de pensar com a dança vem o abandonar-me na música. A noite é tão amiga do movimento quanto o som que a seduz. Na rua feita de pedras oiço, vindo de dentro de uma porta perto dos meus ouvidos, um riso de alegria cantado em coro. Pelos sons e pelos corpos.
Disclosure são um duo de ingleses que faz música electrónica da boa.
Alfredo, amigo, cheguei ao final. Fiz um pouco de suspense nestes últimos dias porque é mesmo assim. Eu sei que estavas cheio de vontade e portanto quis fazer durar a pílula.
Primeiro, os portugueses que dizem vir da Buraca e fazem um som que é de sistema, quer dizer, da ausência dele. Com eles cantou a deliciosa Sara Tavares neste bora-rebentar-o-chão-da-sala-a-saltar Voodoo Love.
Finalmente, em último e - garanto-vos - não o de menos importância, os grandes Shearwater com a sua versão de Natural One, originalmente dos Folk Implosion. Esta é PARA COLOCAR AOS ALTOS BERROS.
Alfredo, a saga continua, mas desta vez por coisas mais independentes. Uma delas é até mais que isso, se gostares de rótulos. É portuguesa! São os deliciosos Peixe Avião com o primeiro single do seu novo álbum. Chama-se Avesso.
Esta amiga, Agnes Obel, dinamarquesa de origem e voz doce de coração, foi uma descoberta feita ao acaso por outro alguém com a qual, generosamente, me presenteou. Segue-se a minha favorita... The Curse.
Ó Alfredo, estas coisas de gostar de música não pode ter fronteiras, não é? Não pode ter gostos melhores que outros, pois não? Encontram-se pérolas espalhadas por lojas Cartier, mas também em pocilgas ou no banco do jardim onde se respira cheiro a papoilas. Por isso é que, nas duas canções de 2013 que se seguem, está também o exemplo de um malandro que faz umas coisas consideradas mais mainstream mas que eu... sim... não consigo parar de ouvir. É o primo Justino com o Tunnel Vision.
De outro lado, ainda com credenciais Pop, Soul e R&B, mas já a meter um pezinho na malta mais urbano-cosmopolita-hippie-chic surge a fabulosa Janelle Monae com este Givin em what they love. Assim dá gostoouvir música.
Não consigo parar de ouvir isto! Um deles, há já mutos anos. Outro, apenas muito recentemente, mas também já o deveria ouvir há muitos anos. Está descansado que já me redimi e ouvi a maravilhosa discografia completa. De quem falo? Do Tio Nick e deste superior Jubillee Street.
Os outros já são meus conhecidos desde o tempo do Songs for the Deaf (eu deveria tê-los mesmo visto no Paradise Garage em Lisboa) e, este ano, lançaram mais um livro de barulhos. I appear missing é o que não consigo de parar de oferecer aos ouvidos.
Amigo Alfredo, pensavas que eram apenas duas? Pensavas que te livravas de mim? Pois claro que não… ainda faltam uma quantidade delas. Era capaz de ser um pouco chato eu estar sempre a ouvir apenas duas músicas.
Este menino de cognome The Field, que adoro, continuou em 2013 com o seu 4.º álbum chamado The Cupid's Head e, deste , a canção que não consigo para de ouvir é They won't see me. Será freudiano?
Os The Frightened Rabbit conheci apenas em 2013 e The Woodpile é hino de cimento em fileiras de apartamentos, grito de voragem por liberdade.
Ó Alfredo, amigo, tu que gostas tanto de música e vais me dizendo coisas tão boas para eu gostar (e, geralmente, acertas) vê lá se gostas destas que não consigo deixar de ouvir, algumas por tua culpa.
Esta vai ser a minha lista do que gostei mais de ouvir em 2013. Aqui tens as primeiras.
Esta é, inteiramente, por tua culpa. Inteiramente! E, para tua enorme inveja, já as vi duas vezes ao vivo. Malta, as meninas Savages com "Shut up"..
Estes meninos, macacos do ártico, voltaram à forma em 2013 e este, este é fenomenal. Apresento-vos Why'd You Only Call Me When You're High?
Ora cá está uma coisa muito boa.
Estes “bifes” conseguiram outra vez e estamos a falar do 5.º LP da carreira dos
meninos, o que nestas coisas da música é apenas reservado a alguns. O anterior Suck It and See não me tinha enchido as
medidas mas este AM é exatamente o
oposto. A voz de Alex Turner continua
a ser a do sedutor brincalhão, ponto e contraponto a saltitar na voz, mas o
resto do som é mais direto ao assunto, sem rodriguinhos (que eram fantásticos),
sem tantos momentos de partir a coluna em espasmos involuntários. Será que a
contribuição e Josh Homme dos Queens of the Stone Age teve alguma
coisa a ver com isso? Será que a dose cavalar de Macho Texano teve alguma influência neste som assumidamente escola
antiga do rock & roll? Se sim,
ainda bem, porque isto, volto a dizê-lo, é mesmo muito bom.
E já agora, Why'd
You Only Call Me When You're High?, é mesmo espetacular. Basta ouvir aqui
em baixo!
Janelle Monae – Electric
Lady
Sem dúvida eléctrica, conclusão a
que já tinha chegado depois de ouvir o seu fabuloso primeiro álbum e de a ter
visto no Tivoli no Vodafone Mexefest
(obrigado, Ípsilon do Público, de vez em quando vocês lá acertam). Esta coelhinha
elétrica do R&B vale bem o
entusiasmo que desperta em muita gente, com o ritmo Quebra-Costas, hinos à
discoteca e ao hedonismo, usando à pele toda a herança de dezenas de anos da música
contemporânea. Cá está ela de volta com Electric
Lady, retomando o literato estilo de contar uma história usando o formato
LP. No anterior The ArachAndroid dávamos
uma passagem pela Metropolis de Fritz Lang e neste regressamos a um
futuro diferente mas com as mesmas melodias, com o mesmo compasso.
Ele está de volta.
O trovador do sexo, o narrador da luxúria, o cantador das rimas vermelhas e das
noites em motéis baratos. O autor R&B
que se anunciou ao mundo com três maravilhosos álbuns de estreia, estes todos
disponibilizados gratuitamente na internet, volta a singrar pelos altos e pelos
baixos da arte de Mozart, mas com um
som e rimas impregnados de século XXII.
Num primeira (e
segunda, e terceira) audição, a surpresa dos álbuns de estreia não é igualada,
mas digamos que Wicked Games de House of Ballons e The Zone de Thursday eram
difíceis de superar. Mesmo assim, Professional
e The Town, logo as primeiras
faixas deste Kiss Land, prometem
começar a rodar ad infinitum no
leitor de MP3. É que o desespero continua a ser o reflexo do desencanto deste
apaixonado.
Alunageorge – Body Music
Esta dupla inglesa
de estilo electrónico bebe influências ao saudoso estilo Trip-Hop que “imperou” na década de 90, com a voz de Aluna Francis em doce comentário aos
ritmos digitais do companheiro George
Reid. Nada de novo mas suficientemente agradável para uma audição
despreocupada. Existem ainda a intenção de apresentar sons gordos e audíveis
com reminiscências de R&B bons
para passar na rádio, mas nada que ofende, muito pelo contrário. Easy-listening para os movimentos de
teclado no emprego.
O real tem o defeito de ser um entretecer de números caóticos que se conjugam num todo uniforme, uma equação de melodia harmónica e dissonante, uma frase sussurrada por deus e pelo demónio.
No universo digital binário, no ecrã computadorizado dos nossos gostos e das nossa vidas, vão aparecendo novos gostos no efeito dominó criado pelos outros gostos. Assim é o hoje tal como o foi o ontem e será o dia a seguir.
James Anthony Simon é Blockhead, produtor norte-americano de álbuns hip-hop, mas o pouco que ouvi parece-me uma evolução de trip-hop. Seja o que fôr é muito bom, dança-se, ouve-se enquanto se descontrai a fazer o que o lazer obriga.
Este é o meu Primavera Sound. O do Porto, que começou Quinta, dia 30 de Maio e
acabou ontem, dia 1 de Junho. E que foi fenomenal!
(leiam também o excelente
relato da Cassete Riscada... acho que
vale mesmo a pena fazerem-no).
Já sou galo semi-velho nestas coisas de
andar pelos festivais à caça de música. Já virei alguns frangos, para trocar de
metáfora e continuar pelos aviários. Por burrice, não fui ao Primavera do ano
passado, ainda que estivessem a passar por lá nomes que, na altura, estava
doido para ver (The Weeknd era um
deles). Por esperteza, não falhei ao deste ano e tive a sorte de ter estado num
dos melhores festivais da minha vida - apesar de, como já disse, ter visto uns
quantos ao longo dos anos. Foi por causa da música, foi por causa da companhia,
foi por causa do espaço, foi por causa do ambiente, tudo combinado para que tenha desfrutado e gozado de bom som, com calma, amplitude, tranquilidade,
sem o frenesim adolescente de ir ver este cantor e mais aquele grupo, de uma forma tão caótica que tudo se misturava numa confusão de cor e sons que
acabavam por serem esquecidos (excepto pelos verdadeiramente memoráveis). No
Primavera não foi assim. Foi relaxe e salto, misturados num único local e por
alguns dias.
E, claro, houveram os momentos memoráveis
de música, que é para isso que lá vamos.
No primeiro dia, no meio de tantos
concertos, houve um que, sem esforço, se colocou acima de todos os outros: Nick Cave and The Bad Seeds. Em jeito de
confissão, nunca fui um fã, nunca ouvi nenhum álbum até este – e excelente -
último e, claro que estão à vontade para dizê-lo, fui incrivelmente burro. Como
posso descrever um dos melhores concertos que já vi na vida? Como se reduz às
palavras a arte dos sons, daquele corpo franzino do Tio Nick a esticar-se e a convulsionar-se enquanto dedicava canções “to everybody”? Como dizer que Jubilee Street, que é celestial em LP, é
deliciosamente diferente e igualmente boa em palco? Como dizer que ele podia
ter cantado mais duas horas que nós não nos cansávamos? Depois dele, todo o dia
se apagou, ainda que os Wild Nothing
tivessem se esforçado, que os saudosos Dead
can Dance me tivessem recordado dos tempos de liceu ou que James Blake tenha sido vaporoso e magnífico.
(para vossa informação lembro-me sempre de Moloko no Sudoeste, ela grávida e
frenética, de Nitin Sawhney da altura
do Prophesy na Aula Magna, de Lamb, quando Portugal os idolatrava,
também na Aula Magna, de Moby, da
primeira vez que cá veio, quando o Play
ainda não tocava ad nauseum; isto
para forçar a memória de apenas alguns)
O segundo dia foi todo ele Blur que, graças a deus, voltaram a ser
quatro e que tocaram, sem esforço, em modo frenesim, em êxtase, quase todos os
álbuns da sua carreira. Parece que quiseram agradar a todos, ainda que se
tenham esquecido de mim (adorava ter ouvido Ambulance,
mas pronto, não se pode querer tudo). Não houve palco, espaço, relva, ar o
suficiente para conter 20 anos de canções e idolatria acumulada. Ali todos se
juntaram na música Blur, sem idades e
gerações. Que tudo se foda, o que interessa é a música.
Este dia não podia estar completo sem o
antes de Blur, porque eles não
existiram sozinhos neste lugar e neste dia. Houve (para mim) Local Natives (boa novidade, não
conhecia e estou a ouvi-los no momento em que vos escrevo isto), Grizzly Bear (talvez noutro lugar goste
mais deles ao vivo, mas se calhar gostar deles em álbum é suficiente) e Four Tet (momento chill out com vontade de sair e dançar. Devia tê-lo feito).
Chegou o último dia! Depois de dormir num
banco de jardim no Porto (a idade é lixada), ainda que a cama do hotel fosse
mais confortável, lá se foi, pela margem do Douro, autocarro 500, para o
encontro com o segundo melhor concerto de todo o Primavera (sim, o Tio Nick não foi destronado). Antes DELAS
ouvi estes: Paus (gosto, foi a minha
terceira vez em dois anos, mas já não era altura de terem qualquer coisa
nova?); The Sea and the Cake
(agradável mas sem rasgos); Explosions in
the Sky (baterias em modo tribal levam-me sempre na certa).
E. Finalmente. Savages. Graças a um bom amigo meu, tive a sorte de conhecer o
álbum destas londrinas há umas semanas atrás e estava com vontade de as ver. Punk-rock cheio de guitarra, bateria e
suor, uma coisa que faz lembrar tantos outros sons e tantos outros tempos mas
que é, mesmo assim, cheio de novidade (ou será nostalgia?). E ao vivo elas são
destruidoras, sexy sem ser sexuais, loucas, grandes e sólidas como um murro. A
baterista, meu deus, a baterista! Essa pulguinha eléctrica que obrigava a que o seu instrumento tivesse que ser recolocado, colado com fita, aparafusado
repetidas vezes, esse menina vai me pagar a próxima conta do médico da coluna.
O Primavera acabou com a melhor frase com que poderia ter acabado, com a
vocalista, a francesa Jehnny Beth, a
gritar “Don’t let the fuckers get you
down”. Amen, sister!
E agora...de volta ao trabalho.
(PS – porque elas merecem,
vejam o vídeo de baixo com as meninas Savages
a cantar deliciosos 8 minutos de Fuckers)
Álbum de 2012 deste
grupo electrónico natural de Portland,
EUA, é de facto com muita pena minha que o tenha ouvido apenas agora,
porque é verdadeiramente excelente. Música electrónica esparsamente tocada pela
voz, estende-se minimalista pelos segundos de audição como um fogo-fátuo. Ideal
para um fim de tarde de pôr-do-sol farto e radiante molhado pelas águas quentes
de um dia de verão. Fabuloso!
Nick Cave and The Bad Seeds – Push
the Sky Away
Este é daqueles
grupos que dispensam apresentações. O que acaba por ser mais uma razão para
ficar espantado quando ainda têm talento, inspiração e energia para produzir
esta pérola, provavelmente já um dos melhores LP de 2013 (ui, o exagero!). Já
existem aqui alguns dos sons que não consigo deixar de ouvir, como o ébrio Jubilee Street ou o maravilhosamente
intitulado Higgs Boson Blues. Que
delícia! Há amplo espaço entre notas, demorando cada frase e cada palavra a serem
entregues, cada poesia a ser declamada. E que notas! E que poesia! Bem-vindos
de volta, Nick Cave and The Bad Seeds,
e bem-vindos a Portugal quando vos (ou)virmos no Porto.
Banda Indie Folk de Los Angeles na veia de Grizzly
Bear e Fleet Foxes, este seu primeiro
LP é de 2012. Os sons da música de abertura do álbum, Ends of the Earth, evocam as alturas geladas matizadas de grandes e
frios lagos do Alaska, enquanto Time to Run apropriadamente suscita fugas
pelas florestas dos arredores frescos de Seattle. As vozes são quentes como o
chá é quente. Reconfortantes como o cobertor é reconfortante. Tudo aqui é
catarse pela harmonia. Tudo aqui são
memórias de um lado de lá mais quente, mais cheio de um lado ameno da vida.
Thao and The Get Down Stay Down – We the Common
Antes de mais nada,
Laura, obrigado pela sugestão.
Natural de San Francisco, Thao Nguyen parece que desde cedo percebeu a sua vocação (12 anos),
acabando por formar junto com uns colegas esta banda de som jovial, divertido e
completamente descomprometido. We
the Common de 2013 é já o quinto LP e assume este faceta livre e alegre de
forma clara e aberta em grande parte dos temas do álbum, como na canção que lhe
dá nome, ou em We don’t call e Holly Roller.
Em Move junta-se à parada Mardi Gras pelas ruas de Nova Orleães, e
em Clouds for Brains deambula pelo
torpor embriagado de uma noite bem? mal? passada. Neste desatino há muito som
para a festa que nunca mais acaba. Para antes, durante e depois do vinho.
Foals – Holy Fire
Ainda nem tinham
lançado este seu 3.º longa duração e já de certeza era impossível o álbum
desapontar, depois da amostra do excelente 1º single, Inhaler. Como se isso não bastasse, entram a matar com o apropriadamente intitulado
Prelude, canção sem voz , de riff contagiante de guitarra, bateria
marcial, empurrando-nos violentamente para a barragem de sons puramente rock and roll dançável e mochável. E não
se ficam. Seguem com o hino de My number, outro
mote para a dança hipster de clube
cavernoso, o lamento de Bad Habit, o
apelo de Late Night. Um álbum que do princípio
ao fim está cheio de momentos certos, mais que certos, para uma noite, um dia,
um fim.