Existem álbuns e músicas que permanecem. São mais que prazeres. São memórias. São pedaços de um tempo, um momento, feliz ou triste. São resultado de existirmos e, por isso, nossos - mas também de outros. Como nenhuma outra arte, a música é comunhão. Quer por estarmos juntos num concerto, quer porque ouvimos um mesmo álbum, cada qual no conforto da sua casa.
Todos os fins-de-semana vão poder ouvir um álbum que me marcou. Esta semana cabe aos Queens of the Stone Age e ao LP Songs for the Deaf.
"Sometimes the same is different, but mostly it's the same these mysteries of life, that just ain't my thing if I told you that I knew about the sun and the moon, I'd be untrue, The only thing I know for sure Is what I wanna do, anytime, anywhere (...)"
Make It Wit Chu, Queen of the Stone Age
Bop English - Dani's Blues It Was Beyond Our Control
Não consigo parar de ouvir isto! Um deles, há já mutos anos. Outro, apenas muito recentemente, mas também já o deveria ouvir há muitos anos. Está descansado que já me redimi e ouvi a maravilhosa discografia completa. De quem falo? Do Tio Nick e deste superior Jubillee Street.
Os outros já são meus conhecidos desde o tempo do Songs for the Deaf (eu deveria tê-los mesmo visto no Paradise Garage em Lisboa) e, este ano, lançaram mais um livro de barulhos. I appear missing é o que não consigo de parar de oferecer aos ouvidos.
Prometeu, Buda e Cristo sentaram-se no canto do bar.
A noite estava fria, depois do dia tórrido no deserto cortado pela estrada longa e dispersa. O empregado do bar, que na realidade era Einstein de dia e contador de histórias ao entardecer, perguntou pelo veneno de cada. “Algo que arranhe a garganta!”, disseram, cada um da sua maneira e feitio. “Bushmills, então!”, sugeriu o empregado sem sequer pensar que alguém objectasse.
A noite foi longa, pelo fogo que aquece, pelas árvores acarinhadas e pelas moedas espalhadas na mesa.
Verse 1 Take a song from the first time you made me introduce them She was looking, her mind just oblique She called me baby, and was a mean lady with the song on the radio So I told her I was rich, then she asked could I use a dirty bitch (of course)
Chorus 2 Then she said, 'No one loves me... neither do I' You get what you give, And give goodbye 'N if I should vanish Don't get caught off guard Don't hold it against me Unless it gets her
Verse 2 Well if sex is a weapon, then smash, boom, pow, How do you like me now? You can't always do it right, you can always do what's left So I told her I was trash, she wait til after and said 'I already know... I've got a beautiful place to put your face' and she was right,
Chorus 2 And I said, 'No one loves me... neither do I' It makes perfect sense, So I heard her ask 'why?' I've got tomorrow 'Cuz life doesn't wait You can keep your soul I don't wanna soul mate http://www.elyricsworld.com/nobody_loves_me_and_neither_do_i_lyrics_them_crooked_vultures.html
Cutting her loose, I'm ready to go People in the world, your gonna lose control Cut me a noose, I'm ready to go People in the world, your gonna lose control Cut me a noose, I'm ready to go People in the world, your gonna lose control Cut me a noose, I'm ready to go People in the world, your gonna lose...
I know how to burn with passion Hope nothing backfolds future ration Give all you are, to not make haste Save our revery, single taste
You get... cut
I know how to be controlled Do what they said so, what your told Quick to react, to break the box Turn on queue, as your cell door locks
Behind you
I know how to be lost in lust Not because you should, but because you must It burns white hot, and so climbs the mile This lightening strike isn't always cut
Wanna see my past in flames, Don't waste a drop baby, I ain't fussed. Where I was born, no escape, There, there ain't even no good/bad drugs. In the city is it true? If you don't, you act like you do? Feast of fools. I can't wait, Give 'em a taste of my misfit love. Complicate. Encarcerate. Feel my heart wake up?
Ain't born to lose baby, I'm born to win, I'm so goddamn slick baby, it's a sin, It's a Sin.
Transforming is becoming on me, Do me first, do your worst. Gimmie what I want some of. One track mind, no time to waste. Sidewalks, feel me strut so good? Gutter, don't forget this face, Let 'em taste my misfit love. I'll show you all my dirty tricks, Then show 'em again, I'm so proud of em. It's cruel to be constantly, Feel my heart play dumb.
Ain't born to lose baby, I'm born to win, I'm so goddamn sick baby, it's a sin, It's a Sin.
Just a dead man, walking through the dead of night, And if you are going anywhere tonight? Just a dead end, Walking through the dead of night and if you are going, Can I get a ride? Just a dead man walking through the dead of night, Its impossible to wait until the light, Cause, I'm already gone, If you bet on me, you've won
Estou sentado num canto da sala do bar, uma precária mesa de madeira à minha frente, a segurar o copo onde, insaciável, despejo sucessivas goladas do liquido rouco que vem da garrafa de aguardente deixada à minha frente por uma diligente empregada. O nome em inglês de aguardente é tão melhor. Brilho da Lua. Luar.
Na viscosa nuvem de fumo que enche a sala do bar vejo, no meio do torpor do álcool, homens tapetados de cabedal da cabeça aos pés numa dança em volta da mesa de bilhar, os tacos brandidos e usados com destreza, decididos no seu jogo, enquanto baforadas vigorosas de tabaco exalam de seu nariz e boca, envolvendo-os em abraços voluptuosos de serpentil sensualidade. Despejam quantidades pecadoras de álcool pela goela abaixo, os olhos selvaticamente perdidos no absorto do jogo.
A enjoativa luz vermelha e amarela não me deixa focar as figuras que vão e passam e deslizam pela minha frente, tudo não parecendo mais que um sonho, um devaneio açucarado da realidade. O meu coração começa a saltar num ritmado bater que acompanha a sala em prefeita sincronia, as paredes afastando-se e aproximando-se umas das outras, sincopadamente, seguramente, violentamente. Depressa me apercebo do palco, mais ao longe, mais dentro da neblina, e nele vejo homens empunhado guitarras, microfones, baixos, brandindo-os, esquecidos da sala, do bar, do deserto onde estamos. O bater ritmado era a bateria. Depressa se lhe juntam o baixo militar, a guitarra rasgada, a voz segura de verdade.
Não resisto e levanto-me para dançar e cambalear e deslizar na corrente de sons, de batidas brutas, de tempestades de areia que queimam o rosto e rasgam a pele. Sinto-me violento. Aguerrido. Forte.
E a noite passa e acordo com o delicado beijo do sol que, suavemente, passa pelas persianas mal fechadas do quarto de motel que aluguei, ao lado da bomba de gasolina perdida no deserto. Levanto-me, a tosse exalando o doce-amargo sabor da aguardente. Aproximo-me da janela e raspo a barba de 1 semana pela mão áspera e gretada. Faço algum barulho e um pequeno gemido é balbuciado no lusco-fusco do quarto. Olho para a cama e vejo-a. O corpo nu da empregada que desde o inicio me pareceu bonita demais para aquele bar sujo. Bonita demais para mim.
(E aqui está. Tudo isto para quê, perguntam vocês? Esta cansativa tentativa de criar uma narrativa com algum “ambiente” serve apenas para vos tentar passar a ideia de como podem ser as sensações de ouvir Queens of the Stone Age, um dos meus grupos de rock & roll preferidos. Rock puro. Duro. Sem desculpas. Álbuns, perguntam vocês? Experimentem Rated R, Songs for the Deaf, Era Vulgaris. E antes de irem embora daqui oiçam, por favor, o vídeo abaixo).