Todos os Domingos (ou quase todos) deixamos uma pequena sugestão de grupo ou artista de Música. Algo que podem ou não conhecer. Assim, têm com que se entreterem durante a semana.
Esta semana sugerimos o Punl Rock das Savages.
Cliquem na imagem para visitarem a página dele no Spotify. Ou então podem deslocar-se a lojas em Lisboa como a Louie Louie, Flur, Carpets & Snares, Carbono, Groovie Records, Discolecção, Vinil Experience, Glam-O-Rama, Magic Bus, Sound Club Vynil Store, e comprar, que os artistas agradecem ainda mais.
Existem álbuns e músicas que permanecem. São mais que prazeres. São memórias. São pedaços de um tempo, um momento, feliz ou triste. São resultado de existirmos e, por isso, nossos - mas também de outros. Como nenhuma outra arte, a música é comunhão. Quer por estarmos juntos num concerto, quer porque ouvimos um mesmo álbum, cada qual no conforto da sua casa.
Todos os fins-de-semana vão poder ouvir um álbum que me marcou. Esta semana cabe às Savages e ao LP Silence Yourself.
"There are things I know we should Better not do but I know you could Sleep with me And we'd still be friends Or I know I'll go insane Love is the answer I'll go insane".
Confissão: com esta última presença no Lux Frágil, dia 8 de Outubro de 2015, já vi as Savages cinco vezes. A primeira foi no Primavera Sound de 2013 e fiquei complemente viciado. Seguiram-se o Mexefest de Lisboa, um concerto a solo no Porto, outro no festival Superbock deste ano de 2015 e, finalmente, ontem, no Lux Frágil. As quatro meninas vêm gravar um teledisco em Portugal e decidiram, em cima da hora, "oferecer" aos portugueses uma presença bem intimista na famosa discoteca lisboeta. O que dizer que eu próprio já não tenha dito ou que outros não o tenham feito? Como é possível reproduzir para os que não apreciam ou ainda não as viram a sensação de as ver repetidamente ao vivo? Gostos não se discutem e a descrição de experiências é apenas província dos mestres da escrita como Tolstoy.
Eu sou um fã da secção de ritmo do grupo. A baterista e a baixista, mais resguardadas, são sempre as que observo com mais atenção, porque é delas que nasce a onda que arrasta os sons violentamente melodiosos das Savages. Uma vez mais e na (sempre) última música do alinhamento, Fuckers, é a linha de baixo de Ayse Hassan que anuncia os oito a dez minutos que se seguem, os dos famosos "Don't Let the Fuckers Get You Down", quase todos sublinhados pela bateria forte, inventiva e primal da brilhante Fay Milton. Passar a noite na primeira fila a ver estas duas músicas a esticar pela batida sincopada e seca do som punk das Savages é uma obra de arte em sim mesma. E que vale, só por si, todo o dinheiro que se paga para as ver.
Um dos elementos mais discretos do grupo é a guitarrista Gemma Thompson mas , também ela, passo a passo, estica a corda e subverte o silêncio até que, em canções como Shut Up, o dedilhar contorcionista toma a sala. E, claro, a mais que carismática Jehnny Beth consegue (literalmente) arrastar a multidão a fazer tudo o que ela comanda. Um dos momentos altos da noite de ontem foi quando Beth obriga os que estavam mais atrás a espremerem os que estavam mais à frente (eu incluído), para poderem experimentar todo o grito, todo o salto, toda a euforia. E o grito, o salto e a euforia foram gerais, totais e reais.
A noite teve muitas surpresas mesmo para quem já as viu várias vezes. Muitos temas novos foram apresentados, alguns deles ainda mais punk, ainda mais capazes de colocar a multidão a saltar ao estilo Song 2 dos Blur. E as Savages fizeram algo que, na sua vida como músicas, apenas ofereceram duas vezes, esta incluída: um encore. Contudo, mesmo que o alinhamento deste concerto fosse exactamente igual ao da primeira noite do Primavera Sound valeria todos os minutos, todos os segundos. Porque quem gosta das Savages, gosta das Savages. Porque todas as noites em que nos presenteiam com a sua performance são uma bênção.
Ó Alfredo, amigo, tu que gostas tanto de música e vais me dizendo coisas tão boas para eu gostar (e, geralmente, acertas) vê lá se gostas destas que não consigo deixar de ouvir, algumas por tua culpa.
Esta vai ser a minha lista do que gostei mais de ouvir em 2013. Aqui tens as primeiras.
Esta é, inteiramente, por tua culpa. Inteiramente! E, para tua enorme inveja, já as vi duas vezes ao vivo. Malta, as meninas Savages com "Shut up"..
Estes meninos, macacos do ártico, voltaram à forma em 2013 e este, este é fenomenal. Apresento-vos Why'd You Only Call Me When You're High?
Este é o meu Primavera Sound. O do Porto, que começou Quinta, dia 30 de Maio e
acabou ontem, dia 1 de Junho. E que foi fenomenal!
(leiam também o excelente
relato da Cassete Riscada... acho que
vale mesmo a pena fazerem-no).
Já sou galo semi-velho nestas coisas de
andar pelos festivais à caça de música. Já virei alguns frangos, para trocar de
metáfora e continuar pelos aviários. Por burrice, não fui ao Primavera do ano
passado, ainda que estivessem a passar por lá nomes que, na altura, estava
doido para ver (The Weeknd era um
deles). Por esperteza, não falhei ao deste ano e tive a sorte de ter estado num
dos melhores festivais da minha vida - apesar de, como já disse, ter visto uns
quantos ao longo dos anos. Foi por causa da música, foi por causa da companhia,
foi por causa do espaço, foi por causa do ambiente, tudo combinado para que tenha desfrutado e gozado de bom som, com calma, amplitude, tranquilidade,
sem o frenesim adolescente de ir ver este cantor e mais aquele grupo, de uma forma tão caótica que tudo se misturava numa confusão de cor e sons que
acabavam por serem esquecidos (excepto pelos verdadeiramente memoráveis). No
Primavera não foi assim. Foi relaxe e salto, misturados num único local e por
alguns dias.
E, claro, houveram os momentos memoráveis
de música, que é para isso que lá vamos.
No primeiro dia, no meio de tantos
concertos, houve um que, sem esforço, se colocou acima de todos os outros: Nick Cave and The Bad Seeds. Em jeito de
confissão, nunca fui um fã, nunca ouvi nenhum álbum até este – e excelente -
último e, claro que estão à vontade para dizê-lo, fui incrivelmente burro. Como
posso descrever um dos melhores concertos que já vi na vida? Como se reduz às
palavras a arte dos sons, daquele corpo franzino do Tio Nick a esticar-se e a convulsionar-se enquanto dedicava canções “to everybody”? Como dizer que Jubilee Street, que é celestial em LP, é
deliciosamente diferente e igualmente boa em palco? Como dizer que ele podia
ter cantado mais duas horas que nós não nos cansávamos? Depois dele, todo o dia
se apagou, ainda que os Wild Nothing
tivessem se esforçado, que os saudosos Dead
can Dance me tivessem recordado dos tempos de liceu ou que James Blake tenha sido vaporoso e magnífico.
(para vossa informação lembro-me sempre de Moloko no Sudoeste, ela grávida e
frenética, de Nitin Sawhney da altura
do Prophesy na Aula Magna, de Lamb, quando Portugal os idolatrava,
também na Aula Magna, de Moby, da
primeira vez que cá veio, quando o Play
ainda não tocava ad nauseum; isto
para forçar a memória de apenas alguns)
O segundo dia foi todo ele Blur que, graças a deus, voltaram a ser
quatro e que tocaram, sem esforço, em modo frenesim, em êxtase, quase todos os
álbuns da sua carreira. Parece que quiseram agradar a todos, ainda que se
tenham esquecido de mim (adorava ter ouvido Ambulance,
mas pronto, não se pode querer tudo). Não houve palco, espaço, relva, ar o
suficiente para conter 20 anos de canções e idolatria acumulada. Ali todos se
juntaram na música Blur, sem idades e
gerações. Que tudo se foda, o que interessa é a música.
Este dia não podia estar completo sem o
antes de Blur, porque eles não
existiram sozinhos neste lugar e neste dia. Houve (para mim) Local Natives (boa novidade, não
conhecia e estou a ouvi-los no momento em que vos escrevo isto), Grizzly Bear (talvez noutro lugar goste
mais deles ao vivo, mas se calhar gostar deles em álbum é suficiente) e Four Tet (momento chill out com vontade de sair e dançar. Devia tê-lo feito).
Chegou o último dia! Depois de dormir num
banco de jardim no Porto (a idade é lixada), ainda que a cama do hotel fosse
mais confortável, lá se foi, pela margem do Douro, autocarro 500, para o
encontro com o segundo melhor concerto de todo o Primavera (sim, o Tio Nick não foi destronado). Antes DELAS
ouvi estes: Paus (gosto, foi a minha
terceira vez em dois anos, mas já não era altura de terem qualquer coisa
nova?); The Sea and the Cake
(agradável mas sem rasgos); Explosions in
the Sky (baterias em modo tribal levam-me sempre na certa).
E. Finalmente. Savages. Graças a um bom amigo meu, tive a sorte de conhecer o
álbum destas londrinas há umas semanas atrás e estava com vontade de as ver. Punk-rock cheio de guitarra, bateria e
suor, uma coisa que faz lembrar tantos outros sons e tantos outros tempos mas
que é, mesmo assim, cheio de novidade (ou será nostalgia?). E ao vivo elas são
destruidoras, sexy sem ser sexuais, loucas, grandes e sólidas como um murro. A
baterista, meu deus, a baterista! Essa pulguinha eléctrica que obrigava a que o seu instrumento tivesse que ser recolocado, colado com fita, aparafusado
repetidas vezes, esse menina vai me pagar a próxima conta do médico da coluna.
O Primavera acabou com a melhor frase com que poderia ter acabado, com a
vocalista, a francesa Jehnny Beth, a
gritar “Don’t let the fuckers get you
down”. Amen, sister!
E agora...de volta ao trabalho.
(PS – porque elas merecem,
vejam o vídeo de baixo com as meninas Savages
a cantar deliciosos 8 minutos de Fuckers)