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Um bom mês de Janeiro de 2015

Adults...struggle desperately with fiction, demanding constantly that it conform to the rules of everyday life. Adults foolishly demand to know how Superman can possibly fly, or how Batman can possibly run a multibillion-dollar business empire during the day and fight crime at night, when the answer is obvious even to the smallest child: because it's not real.”  ― Grant Morrison, Supergods: What Masked Vigilantes, Miraculous Mutants, and a Sun God from Smallville Can Teach Us About Being Human.

Fantastic Four, aka Quarteto Fantástico

Mês de Janeiro de 1981 do Calendário Marvel, desenhos de Bill Sienkiewcz e Joe Sinnott 

Nota - Porque estou eu a publicar imagens de um calendário de Janeiro de 1981? Acontece que os dias da semana para cada mês são iguais aos deste nosso novo de 2015. Por isso, todos os inícios de mês vou publicar uma imagem relativa a esse mesmo mês.



Ler Sem Medo! - X-Men: New Mutants Classic volumes 1 a 7 e Magik

Os conhecedores da mitologia sabem perfeitamente que ler qualquer história protagonizada pelos X-Men ou outro dos personagens derivados é um exercício complicado. Desde que foram reiniciados em meados da década de 70, e, especialmente, desde que passaram a ser escritos por Chris Claremont, que o universo cresceu para dimensões inacreditáveis e os enredos tornaram-se labirínticos – isto junto com parceiros de crime como John Byrne, Dave Cockrum, Paul Smith, et al. Durante mais de 17 anos o escritor construir um mundo de tal forma complexo que o mais desavisado ou casual dos leitores terá uma tarefa hercúlea se quiser entrar neste mundo.

Uns anos depois de os X-Men serem já um valor seguro, Claremont experimentou com a fórmula e criou uma equipa de mutantes adolescentes a quem deu o “imaginativo” nome de Novos Mutantes. Não só capitalizava na fama do grupo principal como também nos Novos Titãs da Distinta Concorrência (A DC, perceberam?), outros dos valores seguros de venda no início da década de 80. Nasciam um grupo de cinco jovens mutantes: Danni Moonstar, a nativo-americana conhecida por Mirage; Rahne Sinclair, a escocesa e lupina Wolfsbane; Sam Guhtrie, rapaz all-american, o Cannonball; Roberto da Costa, brasileiro, o Sunspot; e Xian Coy Mahn, vietnamita de cognome Karma. Durante quase cinco anos, 54 capítulos e mais umas coisas aqui e acolá, Claremont imprimiu o seu muito particular carimbo num grupo de jovens que se portavam de acordo com a idade, isto enquanto lidavam com o facto de fazerem parte de uma raça ostracizada pelo resto da sociedade e, já agora, com sombrios inimigos. Os oito volumes que acabei de ler englobam a totalidade deste trabalho.



Os primeiros volumes desta coleção são, sem dúvida, os mais fortes. Nos dois últimos já se nota algum esforço em ir ao encontro da fabulosa tour de force que foi o princípio. Com a ajuda de desenhistas de primeira água como Bob McLeod, Sal Buscema, Bill Sienkiewicz, Arthur Adams, apenas para citar os mais fortes, assistiu-se a um dos mais imaginativos “world-building” que a editora de BD Marvel teve o prazer de incluir nos seus anais. Especialmente nos três primeiros volumes, somos bombardeados com novos conceitos atrás de novos conceitos, introduzindo mundos, personagens e enredos a uma velocidade estonteante: Nova Roma; Urso Demônio; Legião, o filho do Professor Xavier; Hellions; etc. Quase que me arrisco a dizer que este foi o último “world-building” desta magnitude a acontecer na Marvel. Desde então a editora e os seus criadores limitam-se a jogar com os brinquedos que homens como Claremont, Lee, Kirby, Ditko, Starlin, etc., tiveram a ingenuidade de criar para um patrão que lhe ficou com os dividendos do trabalho.

Foi especialmente gratificante ler no original a lendária colaboração Claremont/ Sienkiewicz, um dos pontos altos da BD mainstream nos EUA. Muito dificilmente voltamos a ver um escritor tão comercial a trabalhar de forma tão produtiva com um desenhista de margem do gabarito deste. Os conturbados argumentos de Claremont eram imediatamente colocados num outro nível quando o muito pouco “realista” traço de Sienkiewicz tornava físicas as palavras do primeiro, de uma forma que devia mais ao onirismo que ao fantástico típico do mundo dos super-heróis.

Outras das mais interessantes colaborações ocorrem nas aventuras Asgardianas dos Novos Mutantes (sim, o mundo mítico de Thor), com o traço e imaginação de Arthur Adams. Este é um dos momentos altos da imaginação do escritor, que mistura os dilemas existenciais do universo Mutante com a mitologia de Asgard, uma combinação estranha mas com resultados deliciosos. É pena que o trabalho de coloração nestes volumes seja o original, porque o traço de Adams necessita urgentemente de um esforço muito melhor.


Também foram muitos os parceiros a juntar-se à luta dos cinco originais; Magma; Warlock; Cypher; e Illyana Rasputin, Magik, irmã do X-Man Colossus e estrela da única minissérie paralela feita por Claremont, e que contava a história do personagem antes de se juntar aos Novos Mutantes. Uma história que, a meu saber, nunca foi publicada em Portugal. Sim, porque estas aventuras foram quase todas lançadas pela saudosa editora brasileira Abril, nos seus saudosos formatinhos. Reler foi, obviamente, um prazer nostálgico, mas não seria nada de extraordinário se a qualidade não estivesse de acordo com esse peso. Conseguiram sobreviver com o passar dos anos, isso posso vos garantir, e ganham muito em folhear estas páginas na sua língua original. Sem divida para fãs e, espero, não só.




Demolidor – Ler sem medo! – parte última – The End of Days

(leiam anteriores Ler Sem Medo do Demolidor aqui)

Esta deambulação pela leitura essencial do Demolidor está longe de acabar, mas a aquisição recente deste The End of Days, que conta a última das histórias do personagem, é demasiado urgente para deixar passar.

A Marvel tem por hábito contar a derradeira história de alguns dos seus mais famosos personagens. Uma espécie de ponto final na interminável telenovela. Ao longo dos anos têm-no feito para alguns dos nomes mais conhecidos, geralmente recorrendo aos artistas mais emblemáticos que trabalharam nos mesmos. Para o Quarteto Fantástico até fizeram duas, uma escrita e desenhada por Alan Davis (na minha opinião a melhor), e uma segunda, escrita por um dos criadores, Stan Lee, e desenhada pelo não menos lendário John Romita JR. Os X-Men foram alvo de um gigantesco épico (que não li) fruto da imaginação do homem por detrás do todo o sucesso dos mutantes mais famosos do mundo, o inimitável Chris Claremont.

Chegou a vez do Demolidor, que caiu nas mãos de cinco dos seus mais importantes artistas: Brian Michael Bendis; David Mack; Klaus Janson; Bill Sienkiewicz; Alex Maleev. Infelizmente, não foi possível ter a presença do “mestre-absoluto-do-Demolidor”, Frank Miller, mas Klaus Janson, o desenhista principal de The End of Days, marcou a comparência dessa saudosa fase, já que ele colaborou com Miller. Com estes nomes será que a entrega esteve de acordo com a promessa? Na minha opinião, a resposta é um enorme sim.

Não vou, de modo algum, estragar o prazer da surpresa de folhear, desde a primeira à última página, cada novo evento cuidadosamente inserido para fazer jus à enorme história que este personagem tem construído ao longo de 5 décadas. Mas posso adiantar que todos e (principalmente) todas as suspeitas do costume fazem parte da tapeçaria. Sim, as mulheres. Aquelas que foram a mais importante constante na vida de Matt Murdock, desde a mãe até à assassina que foi o primeiro grande amor de Demolidor, Elektra Natchios. Por aqui passam, além destas duas, Natasha Romanoff, a Viúva Negra (agora bastante conhecida por ser interpretada nos filmes dos Vingadores por Scarlett Johansson), Typhoid Mary, Echo, etc. Cada qual uma peça no puzzle imenso que foi a conturbada vida do Homem sem Medo.

Também aqui estão os vilões, mas apenas os essenciais: o Kingpin; Bullseye; Gladiador; a organização secreta ninja de nome A Mão. E, finalmente, um dos seus maiores amigos, Ben Urich, o repórter do Clarim Diário incumbido de uma missão pessoal bastante importante para a história deste The End of Days.


Estamos na posse de uma novela onde os artistas dão forma a uma ode ao amor que nutrem por um personagem que tanto marcou as suas carreiras. Uma espécie de quid pro quo. O Demolidor permitiu que alguns tivessem uma carreira impressionante. Eles decidem dar-lhe um remate final apropriado, de qualidade inquestionável. Uma gigantesca obra que permite algo tão pouco comum na BD americana, algo apenas reservado a alguns personagens e a alguns autores: um fecho; um puxar de cortinas. Lidas todas as anteriores histórias do Demolidor, esta é um mais que apropriado “The End”.