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Tenho participado de uma brincadeira no Facebook: enumerar uma BD por dia até 2020. Começou há alguns meses, mas só agora dou-me ao trabalho de aqui a reproduzir. Mostro, hoje, as escolhas desta semana, com link na imagem para o texto que escrevi sobre o livro, ou um nhónhózinho, caso ainda não tenha falado dele.

Esta semana temos cinco sugestões para celebrar o filme do Joker (Sem A Piada Mortal do Moore e Bolland, porque essa é tão importante que nem vale a pena chover no molhado) e duas de leitura para todos os gostos e sensibilidades.

Corto Maltese está de volta: o novo e o velho!



Depois de, no mês de Abril,  a Arte de Autor ter apresentado obras de dois dos maiores autores de Banda Desenhada Italianos (Manara e Serpieri), chegou agora a vez de lhe confirmar que também passará a editar em Portugal o personagem Corto Maltese.

Este personagem, considerado por alguns a criação maior do autor italiano Hugo Pratt (e que foi publicado pela primeira vez na revista Sgt Kirk a 10 de Julho de 1967) comemora este ano 50 anos.

Mas 2017 é, no que refere a Pratt e a Corto Maltese, um ano de dupla efeméride, pois, se Pratt fosse vivo, completaria no próximo dia 15 de Junho 90 anos. 

Para comemorar este duplo evento, serão publicados, em simultâneo, dois livros: 

A BALADA DO MAR SALGADO, em edição cartonada, a preto e branco com capa mate e verniz cartonado; esta edição, que conta com o prefácio de Umberto Eco e um caderno introdutório com aguarelas a cores, é limitada a 1000 exemplares.

Sou o Oceano Pacífico e sou o Maior. É assim que me chamam há já muito tempo, embora não seja verdade que eu seja sempre pacífico”.  

É com esta frase que começa A BALADA DO MAR SALGADO, a obra onde surge pela primeira vez Corto Maltese. 

Estamos a 1 de Novembro de 1913, quando algures no Pacífico, entre o meridiano 155º e o paralelo 6º Sul, os primos Pandora e Cain Groovesnore são resgatados como únicos sobreviventes do naufrágio do navio “A Jovem de Amesterdão”. 

O catamarã que os resgata, tripulado por nativos, é comandado por um estranho e rude homem branco, de longas barbas e olhar sombrio a quem chamam Rasputine. Este aceita manter os dois jovens a bordo pois, aparentando pertencer a famílias abastadas, acredita que  poderão valer-lhe um avultado resgate.

Mas no seu trajecto rumo a Kaiserine, o catamarã  fará outro estranho encontro com alguém à deriva. Trata-se de Corto Maltese, um velho conhecido de Rasputine e do Monge, amarrado a uma jangada e lançado ao mar por uma tripulação amotinada.

Corto é um marinheiro sem pátria, um aventureiro que não se fixa a um território nem defende outras ideologias a não ser as suas. O barco em que navegava encalhara há alguns anos na ilha do “monge”, e ele acabou por estabelecer uma ligação à enigmática figura encapuzada. Mas embora se movimente no seio de um grupo de piratas, Corto tem um código de conduta e de honra muito próprios, que por várias vezes o oporão a Rasputine.

Corto Maltese, considerado por alguns a criação maior do autor italiano Hugo Pratt, foi publicado pela primeira vez na revista Sgt. Kirk a 10 de Julho de 1967, comemorando este ano 50 anos.

Argumento e Desenho: Hugo Pratt
Edição: Cartonada
Número de páginas: 184
Impressão: Preto e branco com prefácio a cores
Data de Edição: Maio de 2017
Editor em Portugal: Arte de Autor
ISBN: 978-989-99674-6-5
PVP: 26,95€

SOB O SOL DA MEIA NOITE, o último título assinado por Canales e Pellejero, o qual terá uma primeira edição a cores.

1915. Acabado de chegar ao Panamá acompanhado por Rasputine, Corto Maltese está novamente de partida! O destino é São Francisco e a sua Exposição Internacional onde espera encontrar um amigo de longa data, o escritor Jack London. Mas o autor de O Apelo da Selva dirige-se já para o México, a fim de efectuar uma reportagem sobre a revolução de Pancho Villa e ambos desencontram-se. Deixou no entanto uma mensagem pedindo a Corto que entregasse uma carta a uma certa Waka Yamada; esta, uma  antiga estrela de ‘saloon’ em Dawson City durante a corrida para o ouro, havia-se convertido em militante contra o tráfego de brancas no Alasca. 

Em troca de lhe fazer chegar essa carta, London promete a Corto uma nova aventura... e um misterioso tesouro!

Corto Maltese inicia assim um longo périplo pelas vastas extensões geladas do Grande Norte, numa viagem pautada por inúmeros perigos e ameaças. Porque, sob o sol da meianoite, há outros predadores que rondam para além dos lobos e dos ursos…

Criada pelos espanhóis Juan Díaz Canales e Ruben Pellejero, a obra é a primeira história do personagem Corto Maltese escrita sem a participação de Hugo Pratt, e foi inicialmente publicada em França em Setembro de 2015.

Argumento: Juan Díaz Canales
Desenho: Rúben Pellejero
Edição: Cartonada
Número de páginas: 88
Impressão: Cor
Data de Edição: Maio de 2017
Editor em Portugal: Arte de Autor
ISBN: 978-989-99674-7-2
PVP: 18,65€


Juan Díaz Canales

Nasceu em Madrid em 1972. Desde muito novo que gosta de banda desenhada. Aos 18 anos, começou a trabalhar num estúdio de desenhos animados de nome “Lápiz Azul”, onde conhece Juanjo Guarnido, com quem trava uma grande amizade. Juan continuou a viver em Espanha enquanto Juanjo é contratado pelo novo estúdio que a Disney abriu em Paris. 

Apesar da distância, começam ambos a realizar um projecto comum que obtém um êxito fulgurante: Blacksad, série da qual acabam por publicar cinco volumes e a qual obteve, em Espanha, o Prémio Nacional del Comic 2014.

Entretanto, Canales estuda Belas Artes na Universidade Complutense de Madrid, tendo decidido, em 1996, fundar a sociedade “Tridente Animación” juntamente com Teresa Valero e outros dois amigos.

Desde então, a sua actividade profissional divide-se entre a sua faceta de desenhador de pré-produção para séries de televisão e longas-metragens de animação, e a de argumentista de banda desenhada, a qual inclui obras como Los Patricios (desenhos de Gabor), ou Fraternity, (desenhos de José Luis Munuera).

Rúben Pellejero

Nasceu em Badalona (Barcelona – Espanha), em 1952. Desenhador profissional desde 1970, dedica-se à BD a partir de 1982 com a publicação de Historias de una Barcelona. Com argumento de Jorge Zentner, assina as histórias As Memórias de Mr. Griffaton e, mais tarde, FM em Frequência Modulada. Dieter Lumpen surge em 1985. Em 1996, publica O Silêncio de Malka obra que no ano seguinte obtem, em Angoulême,  o Alph’Art para o Melhor Álbum Estrangeiro. Publica ainda  L’Impertinence d’un été (com Denis Lapière) e Loup de pluie (com Jean Dufaux), antes de retomar  Corto Maltese  em parceria com Juan Diaz Canales.



Lançamento Arte de Autor - DRUUNA – TOMO 1 MORBUS GRAVIS | DELTA de Paolo E. Serpieri

ÁLBUM DUPLO  que contem as histórias Morbus Gravis e Delta  e um dossier com ilustrações inéditas.

Um trabalho de referência a ser redescoberto.

Num futuro pós-apocalíptico, um perigoso vírus transforma os homens em monstruosos mutantes sanguinários . Só o soro permite aos sobreviventes escaparem. Neste mundo corrompido pelo sexo, a doença e a violência,  a jovem e bela Druuna parte em busca deste remédio para salvar Schastar, gravemente atingido, por quem nutre uma paixão . Tão destemida como sensual, ela , vai usar todos os seus atributos para atingir o seu fim...

Druuna, série de referência da banda desenhada erótica dos anos oitenta foi originalmente publicada em 8 volumes. Este álbum reúne os primeiros 2 episódios da saga, onde redescobrimos o trabalho de um de mestres da Banda desenhada italiana:  Serpieri, cujo talento  e fascínio pelas mulheres se equipara a Milo Manara.

FICÇÃO CIENTÍFICA, TERROR E EROTISMO: UMA COMBINAÇÃO EXPLOSIVA PARA UMA OBRA-PRIMA DA BANDA DESENHADA RESERVADA A ADULTOS.

Argumento e Desenho:  Paolo E. Serpieri
Edição: Cartonada
Número de páginas: 160
Impressão:  cores
Formato: 21 x 28,5 cm
Editor: Arte de Autor
ISBN:  978-989-99674-5-8
PVP: 21,00€

Paolo Eleuteri Serpieri, nasceu em Veneza, em 1944. 

Começa a sua carreira profissional como pintor em 1966, antes de se virar para a Banda Desenhada, o que acontece em 1975. Grande apaixonado por Westerns, co-escreve L'Histoire du Far-West, série sobre o oeste americano com argumento de Raffaele Ambrosio, a qual é publicada em França pelas edições Larousse.

A partir de 1980 trabalha para diferentes projectos, tais como  Découvrir la Bible (também para a Larousse), e numa série de histórias curtas para diferentes revistas.

Em 1985 cria a série Druuna, a qual foi originalmente publicada entre 1985 e 2003.

Serpieri trabalhou igualmente no design do jogo de vídeo Druuna : Morbus Gravis, baseado na sua famosa heroína.

Pintor, músico, escultor, e professor no Instituto de Artes de Roma, Serpieri prepara neste momento mais um álbum de Druuna.



Lançamento Arte de Autor - O Rei Macaco de Milo Manara e Silverio Pisu

Baseando-se em Jornada para o Oeste, um dos grandes textos clássicos da literatura chinesa, Silverio Pisu e Milo Manara recriam nesta obra as aventuras do Rei Macaco, transformando-o simultaneamente numa aventura épica e numa referência  clara ao contexto sócio-político da China dos anos setenta.

Nascido da fecundação de uma rocha pelas essências puras da terra, o Jovem Macaco, farto da idílica felicidade do seu reino, em breve abandona o seu povo em busca da imortalidade. Autoritário, sedutor e ambicioso, troça de deuses e de Reis para atingir os seus objectivos.

Marco incontornável na história da Banda Desenhada, esta é uma das primeiras obras de Milo Manara.

Álbum inédito em Portugal.
  • Argumento: Silverio Pisu
  • Desenho:  Milo Manara 
  • Edição: Cartonada
  • Número de páginas: 88 
  • Impressão:  preto e branco
  • Formato: 210 x 285 mm
  • Editor: Arte de Autor
  • ISBN: 978-989-99674-4-1
  • PVP: 19,95€

Autor

Milo Manara nasceu em Itália em 1945 e é um dos grandes nomes da 9.ª Arte. Publicou a sua primeira Banda Desenhada quando estudava arquitectura em Veneza, a cidade de Hugo Pratt. É precisamente  com Pratt que acabaria por trabalhar em 1983 em Verão Índio e, mais tarde, em El Gaucho

Assina a solo o argumento e o desenho de obras como a série Clic ou obras como O Perfume do Invisível, tendo igualmente colaborado com outros argumentistas, como aconteceu na série sobre os Borgia que desenvolveu em parceria com  Jodorowsky.

Manara trabalhou ainda para grandes editoras norte-americanas como a Marvel e a DC Comics.

O que vou lendo! - Eu, Assassino de Antonio Altarriba e Keko

Conheci Antonio Altarriba, escritor de BD, no ano passado. E em dois sentidos. Primeiro, li o Arte de Voar, belíssima obra sobre o pai do autor, onde este último recorda a sua conturbada vida enquanto cai para a morte num suicídio. Todas as palavras que possam escrever-se ou dizer-se sobre este livro ficam longe de lhe fazer justiça. Apenas a sua leitura é suficiente. Segundo, conheci-o pessoalmente, numa breve conversa, enquanto assinava a minha cópia do mesmo livro. Era um homem com entusiasmo e força, cada momento parecia uma dádiva. Nunca fui melancólico e inclinado a surtos de nostalgia reflectiva e, portanto, a personalidade de Altarriba cativou-me imediatamente. Apesar da pesada história que foi a vivência do seu pai o escritor aparentava alegria (nos 10 a 20 minutos em que partilhei o mesmo espaço com ele). Não sei porque escrevo estas palavras escusadas mas pareceu-me ser uma introdução aceitável para este segundo livro que li do autor: Eu, Assassino, publicado em Portugal pela novata editora Arte de Autor.

O tema deste livro é (como poderiam depreender do título) particularmente diferente do Arte de Voar. Um professor universitário de arte do País Basco cultiva, paralelamente, o prazer do assassinato. Prazer é a palavra correcta, porque fá-lo para preencher o vazio de uma certa terrível beleza. Escolhe as suas vítimas quase ao acaso e prepara o ritual de forma minuciosa, na procura de um acto anónimo de felicidade da produção artística. Num assomo de pedantismo intelectual, refugia-se neste acto hediondo para atingir uma espécie de êxtase que classifica de exclusivamente artístico mas que (claro) nada mais é que psicopata. Mas estes actos ocorrem no meio de uma vida professoral e académica de luta entre visões de ensino, da independência do País Basco, de desamores (da esposa e não só), de aventuras sexuais com alunas, etc.  Em suma, numa vida universitária romantizada.

Apesar das temáticas serem bastante diferentes, de uma uma ser real e outra fantasiada, pergunto-me se nesta não existirá também algo de profundamente autobiográfico, não só porque Altarriba trabalha (ou trabalhou) no meio universitário do País Basco mas também porque o protagonista faz lembrar a face do autor. Não quero dizer (longe de mim) que o escritor é um assassino em série mas as venenosas querelas entre professores parecem familiares , o assassinato sistemático uma espécie de sonho e escape.

A completar o livro temos o excelente trabalho de Keko, que consegue de forma clara e através do chiaroscuro fornecer a ambiência perfeita, escolhendo borrões e pitadas de vermelho para intensificar momentos chave da narrativa (uns óbvios, outros nem por isso). Também ele é um exímio contador de histórias, conseguindo partir a narrativa de Altarriba nos passos necessários para a tornar cativante. Com ele existem espaços para o silêncio, para as poucas palavras e para as exposições longas. Tudo em equilíbrio.

Um livro que é um prazer. O final talvez deixe um pouco a desejar, tendo em consideração o oponente edifício que construiu-se até aí, mas não o suficiente para o afastar de ser uma leitura única.