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O que vou lendo! - Thor, the God of Thunder - Godbomb por Jason Aaron e Esad Ribic

Leiam neste link um post sobre os primeiros capítulos desta história.

Infelizmente, a editora Panini Portugal ficou-se pela publicação dos primeiros cinco capítulos do trabalho de Aaron, escritor, e Ribic, desenhador, em Thor, o Deus do Trovão - versão Marvel. Os portugueses só poderam ver parte da impressionante saga que ambos teceram para um personagem já com 50 anos de publicações (isto se descontarmos os vários séculos de história e mitologia). Godbomb completa, de forma verdadeiramente épica, os eventos que começaram naqueles primeiros capítulos (publicados nos números 6 a 11, volume de 2013, da revista original do personagem). A batalha final de três versões do Deus do Trovão, uma do passado, outra do presente e uma do longínquo futuro, contra o "Chacinador de Deuses", desenrola-se no palco mais que apropriado para estas mitologias: o cósmico. Toda a grandiloqüência de combates maiores que a vida,  toda a fúria tonitruante, todo o poder titânico, foi concentrado pelas palavras de Aaron e pela arte de Ribic em onze capítulos que, muito sinceramente, já vigoram (no que a mim diz respeito) nos melhores contos de Thor.

Muito raramente uma voz poderia colar tão bem com as palavras e ações de um personagem. Aaron é perfeito para Thor e para o seu universo, misturando masculinidade, belicismo medieval, orgias, bebedeiras e combates, num cozinhado de puro entretenimento. Ao mesmo tempo, mistura uns pós de reflexão suave que constroem um conto que vai para além dos limites do filme-pipoca. Ribic, por seu lado, com desenho limpo e cenários mitológicos, é a escolha acertada para o escritor e personagem. 

Agora que já se prepara o terceiro filme protagonizado por Thor, inspirado na lenda Viking de Ragnarok, o crepúsculo dos deuses, tenho uma sugestão a fazer. Quando estiverem a pensar no quarto filme das aventuras do Deus do Trovão na 7.ª Arte, não vão muito mais longe que estes primeiros onze capítulos do trabalho de Jason Aaron. Tudo é perfeito para o cinema: uma história direta e pouco alicerçada na complicada continuidade do personagem; cenários maiores que a vida; combates épicos; um vilão tenebroso. Não mudem as palavras, não medem quase nada. Não vale a pena. Aaron e Ribic já fizeram o trabalho mais difícil. É só copiar e não estragar. 

Coleção Levoir/Público Marvel 2014 – 8.º Volume: Thor

(Prometo informar os menos conhecedores acerca da acessibilidade desta coleção de BD, ou seja, se é fácil ou não ler sem saber mais coisas)

Grau de acessibilidade: Fácil



Sai amanhã, Quinta-feira, dia 28 de Agosto, junto com Público e custa 8,9€

A história que o escritor J. Michael Straczynski e o desenhista Olivier Coipel fizeram para Thor, compilada neste volume, reintroduziu o Deus do Trovão após alguns anos no limbo. O personagem havia desaparecido do catálogo das publicações mensais da Marvel depois de uma história paralela ao evento Avengers Dissassembled (publicado em Portugal pela Vitamina BD). Os Vingadores tinham caído num marasmo e coube ao escritor Brian Michael Bendis a tarefa de imaginar novas vidas para os personagens. Infelizmente para os fãs de Thor, Bendis não tinha planos para o personagem. Consequentemente, Michael Avon Oeming teve a tarefa de acabar a mais recente encarnação da revista do deus do trovão mas de uma forma que, à altura, parecia definitiva. Àsemelhança do que já tinha sido anteriormente feito por Roy Thomas na década de 70, o crepúsculo dos deuses Vikings, o Ragnarok,  era visitado mas, desta feita, de uma forma mais duradoura. Thor e o Reino Eterno de Asgard tinham contado a sua última história no universo da Marvel.

M as está claro que na BD de super-heróis existem muito poucas coisas definitivas. Nem a morte. Coube a Straczynski e Coipel a tarefa de ressuscitar a mitologia dos deuses nórdicos para o século XXI, conseguindo-o com algum sucesso. Desta saga ficaria principalmente o novo desenho das roupas de Thor, que duram até hoje e que serviram de inspiração para a versão cinematográfica do personagem.  Contudo, também o escritor, neste primeiros capítulos, muito contribuiu para o sucesso da nova versão. A sua escrita escorreita e imaginativa trouxeram alguns pormenores interessantes ao personagem, principalmente o facto de Loki, meio-irmão e inimigo figadal de Thor, ter sido ressuscitado como mulher. Essa pequena curiosidade narrativa trouxe alguns pormenores curiosos à história. Contudo, a run de Straczynski e Coipel duraria pouco tempo, ficando a sensação de que ambos teriam ainda muito para dizer acerca de Thor.  De facto, o personagem tem um historial de runs imprescindíveis e duradouras para aficcionados de BD: a do escritor Dan Jurgens com John Romita JR e Andy Kubert; a de Tom de Falco com Ron Frenz; e a superlativa de Walter Simonson (de que vos falarei assim que reler os cinco livros que a coleccionam).  Ficou assim a saber a muito pouco esta de  Straczynski e Coipel. É pena, porque o personagem merece muito melhor.

Nota final – Eu não partilho da opinião que se tem de saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.

Panini Portugal – Guardiões da Galáxia, vol. 1, Vingadores do Espaço

Saiu hoje, dia 28 de Maio de 2014, mais um volume da Panini que coleciona um confortável número de capítulos da história recente de determinados personagens da editora Marvel e que irão ter importância no seu universo cinematográfico: os Guardiões da Galáxia.

Quando a editora anunciou este grupo de super-heróis como um dos seus projetos para o universo partilhado que está a construir no ecrã gigante, muitos de fora da BD perguntaram-se “quem são eles?” e os de dentro “porquê estes?”. Efetivamente, não estamos a falar de um dos mais conhecidos conceitos da Marvel, ainda que a sua história recente tenha sido, para os fãs, bastante rica. O nome Guardiões da Galáxia está longe de ser novo, tendo surgido nos fins da década de 60 na revista Marvel Super-Heroes número 18, datado de Janeiro de 1969, e criados por Arnold Drake e Gene Colan (ainda que se diga que Stan Lee teve um papel nada pequeno na sua criação – como aliás com todos os personagens da editora daquela década). Esta iteração, apesar de não ser aquela que irá surgir no cinema, é das mais conhecidas e duradouras. Um conjunto de super-heróis reúne-se, no futuro longínquo da década de XXX, para combater a invasão da raça Badoon ao nosso sistema solar. Nascem os Guardiões da Galáxia que, nas próximas três décadas e meia, aparecerão como convidados em inúmeras outras revistas (uma das mais relevantes foi a dos Vingadores) e na sua própria, publicada na primeira metade da década de 90. Depois do cancelamento desta desapareçam de forma mais ou menos definitiva.

Durante mais de 10 anos não existiu no mercado nenhuma revista com o nome do grupo mas, em 2008, Dan Abnett e Andy Lanning, que estavam encarregues das histórias do canto cósmico da Marvel, decidem reativar o conceito mas, desta feita, com personagens completamente diferentes do nosso “presente”. Nascidos na sequência de ameaças pan-universais como a Onda de Aniquilação e a Phalanx, os heróis Star-Lord, Rocket Racoon, Quasar, Adam Warlock, Gamora, Drax o Destruidor e Groot, reúnem-se sob a égide de Guardiões da Galáxia, criam a sua “casa” na cabeça de um Celestial falecido (querem saber mais? Leiam as BD’s, muito boas) e autoproclamam-se defensores da “ordem cósmica”. Isto apesar de terem como membros um guaxinim falante, uma árvore senciente que apenas diz “I Am Groot”, um ex-messias estelar como Adam Warlock, a “mulher mais perigosa da galáxia”, Gamora, etc. Ou seja, uma reunião eclética de personagens. Mas estas personalidades díspares e a sua dinâmica atraíram suficientes leitores para que esta iteração durasse ainda 25 números, até que imperativos vários ditaram o cancelamento de toda a linha cósmica que Abnett e Lanning tinham criado. A história iniciada em 2008 concluía na saga Thanos Imperative.


Se o nome Thanos vos soa familiar é porque sabem que este será o vilão do terceiro filme dos Vingadores e percebem porque a editora decidiu incluir os Guardiões no cinema. As histórias incluídas neste volume da Panini reúnem os primeiros capítulos da terceira tentativa da Marvel, datada de 2012, com argumento do prolífero Brian Michael Bendis e desenhos de Steve McNiven, com objetivo de preparar os leitores para a versão do cinema. É que a equipa é composta pelos personagens que irão aparecer no grande ecrã – mais um de bónus: o muito conhecido Homem de Ferro. Estas novas aventuras não são, na minha opinião, da mesma qualidade das publicadas por Abnett e Lanning mas, ainda assim, bastante interessantes. Leiam e depois digam qualquer coisa.

Panini Portugal - Homem-Aranha Superior # 1

Quando nos EUA, há cerca de um ano e meio, foi revelado o nome de uma nova revista mensal para o Homem-Aranha, o mistério adensou-se e preocupou os vários fãs do já cinquentenário super-herói. Acontece que os fiéis seguidores do aracnídeo têm algumas razões para se preocuparem. Ao longo dos últimas cinco décadas eles têm sido francamente postos à prova. 

O Homem-Aranha é provavelmente o mais famoso personagem da editora Marvel, e com muita razão. Peter Parker, o alter-ego do personagem, não tinha particulares vantagens em ser super-herói, o que, à altura, era uma considerável revolução no modo como se viam estes tipos de conceitos. Ser um "fazedor do bem" trazia consigo não um conjunto de benesses, mas antes dificuldades e tragédias. Peter Parker era um adolescente, órfão de pai e mãe, a viver com uma tia idosa e recorrentemente doente. Além disso, tinha problemas de dinheiro, de namoradas e era mal-tratado pelos colegas de liceu. Portanto, enfrentar o vilão du jour acabava por ser uma benesse para o seu difícil dia-a-dia.

Esta maravilhosa matriz, tão facilmente identificável pelo público alvo desta BD e, veio a revelar-se, pelo mundo inteiro em geral, acabaria por ser a maior vantagem e o maior detrimento do personagem. Mudar, nem que seja um átomo, disrruptava a essência e afastava Peter Parker daquilo que o faz tão famoso no mundo da literatura. Ainda assim, e à revelia de algum bom-senso, a editora mudou várias vezes o personagem, por vezes de tal forma que se viu obrigada a desfazer o que havia feito, tal a reacção extremada de muitos fãs. Peter Parker casou-se e, num acto de Deus (neste caso do Diabo), deixou de ser casado. A sua muito querida Tia May morre e, de repente, afinal não tinha falecido, mas antes sido afastada da vida do sobrinho pelas maquinações de um vilão. No princípio da década de 90, veio a descobrir-se que o Homem-Aranha dos últimos 15 anos era um clone. Mais tarde, após vários anos da infame Saga do Clone, a editora voltou atrás. Isto apenas para mencionar as mais polarizadoras.

Podem perceber o receio dos apreciadores do Aranhiço, quando o seu querido personagem estava no limiar de uma outra (prometia a editora) enorme mudança: a vinda do Homem-Aranha Superior. Nem a competente imaginação do escritor Dan Slott, convicto adorador do personagem e já um provado tecedor de grandes estórias para Peter Parker, sossegou os fãs. Quer antes, quer depois da revelação de quem estava por detrás da máscara.  

Os fãs do nosso Português vão poder apreciar e tirar as suas próprias conclusões  a partir da próxima quarta-feira, dia 19 de Fevereiro. Eu, que acompanho o original, já sei onde isto vai dar e, muito sinceramente, apreciei muito o percurso que Dan Slott desenhou, construindo uma run que, ao contrário do que seria de esperar,  não foi outra Saga do Clone. 

Panini Portugal - X-Men # 1

À semelhança da semana passada, reponho um post que fiz acerca das BD que, neste momento, estão a ser publicadas pela alçada da Panini, num regresso das revistas mensais da Marvel no português do nosso Portugal. Na altura, fi-lo após a leitora das publicações originais. Esta semana é a vez do X-Men. 

Recordo que a revista sai na próxima Quarta.feira, dia 12 de Fevereiro.

All New X-Men 1 a 5 Brian Michael Bendis (argumento) e Stuart Immonen (desenhos)

(SPOILER: Desde já aviso que revelo parte do enredo. Quem quiser seguir, fá-lo em detrimento do prazer da surpresa na leitura)

Completei este mês os cinco primeiros números da mais recente adição às revistas mensais do universo dos famosos mutantes da Marvel, os X-Men. Parte da iniciativaMarvel Now, em que a editora regurgita novos números 1’s dos seus mais reconhecidos personagens, numa tentativa de captar novos interessados, este All New X-Men tenta seguir esta premissa lançada pela Casa das Ideias utilizando um conceito já antigo no universo de super-heróis mas aqui abordado de forma diferente: a viagem no tempo.

O estado da nação no universo mutante Marvel é mais ou menos este. Um dos X-Menoriginais, Ciclope, esqueceu parte importante dos preceitos pacíficos de coabitação entre a sua raça e o Homo Sapiens Sapiens, preceitos esses ensinados pelo seu mentor, Professor Xavier, o fundador da equipe e escola onde se iniciou. Essa cisão concluiu-se quando, possuído por uma entidade destrutiva, assassinou o seu mestre. A inocência adolescente desapareceu numa nuvem vermelha de ódio e de sucessivas derrotas advindas do preconceito ininterrupto. 

Dois dos seus mais antigos colegas, parte dos cinco X-Men originais, formulam en passant que o antigo Ciclope teria vergonha do seu estado actual e, acto contínuo, um deles faz algo apenas possível no universo do Fantástico: viaja ao passado e traz para este presente os cinco colegas, ele próprio incluído.

Todos os leitores dos mutantes da Marvel já ouviram falar ou leram a clássica históriaDays of Future Past de Chris Claremont e John Byrne (Levoir, que tal publicar?), em que os X-Men da década de 80 são confrontados com um futuro distópico (do longínquo ano de 2013) onde são perseguidos pelos diversos governos do mundo num fiel reflexo do Holocausto. Este All New X-Men segue a mesma premissa, ao mesmo tempo que a inverte. Aqui o futuro distópico é o hoje (curiosamente também 2013) e os cinco alunos originais vêem-se confrontados com o que o futuro lhes reserva.

A força do enredo engendrado reside exactamente nesta curiosa inversão, ao enquadrar olhos de um passado jovem no contexto de uma situação calamitosa derivada de anos de ininterrupto e crescente confronto, ódio e preconceito entre duas diferentes raças de seres humanos. Não descura os obrigatórios novelos telenovelescos tão típicos dos X-Men e mantém um nível e entretenimento satisfatório, ainda que não genial. Bendis é um escritor de diálogos eloquente e Immonen um desenhista francamente dinâmico. Não será o momento mais fácil para se entrar ou re-entrar neste universo mas, muito sinceramente, também está longe de ser dos mais complexos.


Panini Portugal - Vingadores # 1

Esta quarta-feira, dia 5 de fevereiro, irá acontecer algo que não ocorria aos fãs portugueses de BD americana há alguns anos: regressam as publicações mensais de originais e em português do nosso Portugal. A Panini, com certeza movida pelo sucesso de publicações como as da Levoir e pelo maravilhoso ano que se avizinha no que respeita a filmes com personagens da Marvel, decidiu retomar  uma tradição que já não víamos há demasiado tempo. Existiam as brasileiras mas (vamos ser honestos) assim é capaz de ser melhor.

Na senda do que eu tinha feito para a colecção da Levoir, achei que podia ajudar os menos conhecedores ao re-publicar posts que escrevi no ano passado exactamente sobre o conteúdo de duas das revistas que vão ser publicadas: Vingadores e X-Men. Como esta semana vai ser publicado o primeiro número da mais importante equipa de heróis da Marvel, deixo-vos com as breves palavras da altura. Para a semana volto para falar dos X-Men e depois lá tenho que postar algo de novo sobre o Homem-Aranha Superior.

Avengers vol. 5 # 1 a 3 de Jonathan Hickman (escritor) e Jerome Opeña (desenhista)

Os Vingadores são hoje em dia um dos nomes mais reconhecíveis da biblioteca de personagens da editora americana de BD, a Marvel, tudo por culpa do excelente filme de Joss Whedon. Face a este acréscimo de fama, a Casa das Ideias optou por capitalizar no evento e reiniciou a revista deste grupo de super-heróis com uma nova equipa criativa e uma nova história. Desde 2004 que Brian Michael Bendis escrevia a História dos Vingadores, tendo terminado a “odisseia” nos últimos meses de 2012 e passado o testemunho a Jonathan Hickman, autor independente que já havia se destacado na Marvel com uma saga do Quarteto Fantástico. Esta passagem aparece no âmbito de uma reestruturação criativa chamada Marvel Now, ocorrida no seio de quase todos os personagens da editora, em que diversos autores basicamente trocam de camisa, ficando Bendis com os X-Men e Hickman com os Vingadores, apenas para citar alguns.

O estilo de Hickman dificilmente poderia ser mais diferente do de Bendis. Enquanto este último move-se na escala urbana, da rua, em que os personagens são o zé do dia-a-dia, os de Hickman movimentam-se no Teatro Universal, de deuses envolvidos em narrativas de ficção científica movidas a psicotrópicos. Bendis caracterizava-se pelos verbosos e demorados diálogos, pela descompressão narrativa, interessando-lhe mais a relação interpessoal dos vários personagens e as consequências dos eventos na vida e psique dos mesmos. Hickman narra óperas cósmicas em que os super-heróis assumem o seu papel maior que a vida, com diálogos grandiloquentes, situações titânicas, em que nada menos que o destino da Realidade, do Tempo e da Vida estão constantemente em jogo. Tudo são riscos à escala da Existência. Os Vingadores de Hickman são o exército de Deus.
Outras da características deste autor, que já havia demonstrado no seu Quarteto Fantástico, é tudo ser planeado ao pormenor. Sabemos que no final teremos uma epopeia cósmica finita a única. Por isso, preparem-se para a viagem, no sentido literal e metafórico do termo.
Hickman teve a inteligência (ou o mandato editorial) para começar estes quatro primeiros números da nova série com os mesmos Vingadores do filme: Homem de Ferro; Capitão América; Thor; Hulk; Gavião Arqueiro; Viúva Negra. Mas depressa aumenta a escala e, de um momento para o outro e face ao crescendo da ameaça, é convocado o restante exército. E ele é legião. Como se, para preparar uma guerra pela Existência, fossem necessários os melhores e mais eficazes soldados da paz. E são eles o Homem-Aranha, Wolverine, Mulher-Aranha, Capitão Universo, apenas para citar uns (muito) poucos.
A acompanhar Hickman nos quatro primeiros números estão os desenhos de Jerome Opeña (os números 1 a 3) e de Adam Kubert (no 4.º), veteranos da Marvel.



O que vou lendo! - Hawkeye volumes 1 e 2 de Matt Fraction (escritor) e David Aja (desenhista)


My life as Weapon e Little Hits colecionam os primeiros números da mais recente tentativa da Marvel em dar um título solo ao seu Robin Hood de serviço. Na esteira do filme dos Vingadores, onde o personagem teve relativa relevância, a editora decidiu dar oportunidade a um dos melhores escritores de serviço, Matt Fraction, para dar vida a um dos mais antigos personagens do seu cardápio (já vem da década de 60), o eterno vingador inconformado e rebelde conhecido em Portugal como o Gavião Arqueiro.


Os dois criadores (Fraction e Aja) já no passado haviam trabalhado num personagem estilo “da rua”, o Punho de Ferro, com resultados bastante similares em qualidade, ainda que o produto final seja dispare. 

No contexto da BD de super-heróis (por muitos apelidada de mainstream) estes dois volumes representam uma lufada de ar fresco face ao panorama disponível, ao fazer escolhas narrativas bastante estimulantes. Não só Fraction engendra enredos francamente diferentes (chega a haver um capítulo inteiro visto da perspectiva de um cão e, já agora, bastante bom), como Aja, nos desenhos, escolhe o caminho oposto das páginas vistosas, preferindo partir a ação em pequenos quadradinhos e trazendo a escala para o humano e o psicológico, possibilitando trocas de diálogos, olhares e gestos entre os diferentes personagens. Em suma, a violência típica de super-heróis é preterida face ao relacional. Nada de novo mas francamente bem conseguido. 

Um dos outros heróis deste Hawkeye é o colorista Matt Hollingsworth, que consegue um fantástico trabalho que completa uma BD francamente boa, uma BD que aproveita muitas das potencialidades da arte e procura explorar novas soluções para histórias que, de outra forma, não sairiam do lugar-comum. Esta obra consegue prevalecer em águas já trilhadas por autores como Frank Miller, mas recorrendo-se de outros instrumentos (o humor é bastante bem-vindo nesta série), que completam um todo fácil de ler e fresco. Bastante recomendável.

O que vou lendo! - Avengers de Jonathan Hickman


Os Vingadores são hoje em dia um dos nomes mais facilmente reconhecíveis da biblioteca de personagens da editora americana de BD, a Marvel, tudo por culpa do excelente filme de Joss Whedon. Face a este acréscimo de fama, a Casa das Ideias optou por capitalizar e reiniciou a revista deste grupo de super-heróis com uma nova equipa criativa e uma nova história. Desde 2004 que Brian Michael Bendis escrevia a História dos Vingadores, tendo terminado a “odisseia” nos últimos meses de 2012 e passado o testemunho a Jonathan Hickman, autor independente que já se havia destacado na Marvel com uma saga do Quarteto Fantástico. Esta passagem aparece no âmbito de uma reestruturação criativa chamada Marvel Now ocorrida no seio de quase todos os personagens da editora e em que autores basicamente trocam de camisa, ficando Bendis com os X-Men e Hickman com os Vingadores, apenas para citar alguns.

O estilo de Hickman dificilmente poderia ser mais diferente do de Bendis. Enquanto este último adere à escala urbana, da rua, em que os personagens são o zé do dia-a-dia, os de Hickman movimentam-se no Teatro Universal, de deuses envolvidos em ficção científica movida a psicotrópicos. Bendis caracterizava-se pelos verbosos e demorados diálogos, pela descompressão narrativa, interessando-lhe mais a relação interpessoal dos vários personagens e as consequências dos eventos na vida e psique dos mesmos. Hickman narra óperas cósmicas em que os super-heróis assumem o seu papel maior que a vida, com diálogos grandiloquentes, situações titânicas, em que nada menos que o destino da Realidade, do Tempo e da Vida estão constantemente em jogo. Tudo são riscos à escala da Existência. Os Vingadores de Hickman são o exército de Deus.
Outras da características deste autor e que já havia demonstrado no seu Quarteto Fantástico, é que tudo é planeado ao pormenor. Sabemos que no final teremos uma epopeia cósmica finita a única. Por isso, preparem-se para a viagem, no sentido literal e metafórico do termo.
Hickman teve a inteligência (ou o mandato editorial) para começar estes quatro primeiros números da nova série com os mesmos Vingadores do filme: Homem de Ferro; Capitão América; Thor; Hulk; Gavião Arqueiro; Viúva Negra. Mas depressa aumenta a escala e, de um momento para o outro e face ao crescendo da ameaça, é convocado o restante exército. E ele é legião. Como se preparar para uma guerra pela Existência fossem necessários os melhores e mais eficazes soldados da paz. E são eles o Homem-Aranha, Wolverine, Mulher-Aranha, Capitão Universo, apenas para citar uns (muito) poucos.
A acompanhar Hickman nos quatro primeiros números estão os desenhos de Jerome Opeña (os números 1 a 3) e de Adam Kubert (no 4.º), veteranos da Marvel.
Ainda é cedo para tecer qualquer tipo de julgamento definitivo para estes Vingadores (teremos de esperar pelo final), mas o caminho que se iniciou promete, e se a Marvel decidir deixar Hickman continuar a relatar a saga sem interrupções e com este calibre de colaboradores, teremos um dos momentos mais relevantes da já incrível história dos Vingadores.
A seguir com antecipação.


O que vou lendo! - All New X-Men


All New X-Men 1 a 5 Brian Michael Bendis (argumento) e Stuart Immonen (desenhos)

(SPOILER: Desde já aviso que revelo parte do enredo. Quem quiser seguir, fá-lo em detrimento do prazer da surpresa na leitura)


Completei este mês os cinco primeiros números da mais recente adição às revistas mensais do universo dos famosos mutantes da Marvel, os X-Men. Parte da iniciativa Marvel Now, em que a editora regurgita novos números 1’s dos seus mais reconhecidos personagens, numa tentativa de captar novos interessados, este All New X-Men tenta seguir esta premissa lançada pela Casa das Ideias utilizando um conceito já antigo no universo de super-heróis mas aqui abordado de forma diferente: a viagem no tempo.

O estado da nação no universo mutante Marvel é mais ou menos este. Um dos X-Men originais, Ciclope, esqueceu parte importante dos preceitos pacíficos de coabitação entre a sua raça e o Homo Sapiens Sapiens, preceitos esses ensinados pelo seu mentor, Professor Xavier, o fundador da equipe e escola onde se iniciou. Essa cisão concluiu-se quando, possuído por uma entidade destrutiva, assassinou o seu mestre. A inocência adolescente desapareceu numa nuvem vermelha de ódio e de sucessivas derrotas advindas do preconceito ininterrupto. 

Dois dos seus mais antigos colegas, parte dos cinco X-Men originais, formulam en passant que o antigo Ciclope teria vergonha do seu estado actual e, acto contínuo, um deles faz algo apenas possível no universo do Fantástico: viaja ao passado e traz para este presente os cinco colegas, ele próprio incluído.

Todos os leitores dos mutantes da Marvel já ouviram falar ou leram a clássica história Days of Future Past de Chris Claremont e John Byrne (Levoir, que tal publicar?), em que os X-Men da década de 80 são confrontados com um futuro distópico (do longínquo ano de 2013) onde são perseguidos pelos diversos governos do mundo num fiel reflexo do Holocausto. Este All New X-Men segue a mesma premissa, ao mesmo tempo que a inverte. Aqui o futuro distópico é o hoje (curiosamente também 2013) e os cinco alunos originais vêem-se confrontados com o que o futuro lhes reserva.

A força do enredo engendrado reside exactamente nesta curiosa inversão, ao enquadrar olhos de um passado jovem no contexto de uma situação calamitosa derivada de anos de ininterrupto e crescente confronto, ódio e preconceito entre duas diferentes raças de seres humanos. Não descura os obrigatórios novelos telenovelescos tão típicos dos X-Men e mantém um nível e entretenimento satisfatório, ainda que não genial. Bendis é um escritor de diálogos eloquente e Immonen um desenhista francamente dinâmico. Não será o momento mais fácil para se entrar ou re-entrar neste universo mas, muito sinceramente, também está longe de ser dos mais complexos.

Continuo a ler com expectativa.