Esta quarta-feira, dia 5 de fevereiro, irá acontecer algo que não ocorria aos fãs portugueses de BD americana há alguns anos: regressam as publicações mensais de originais e em português do nosso Portugal. A Panini, com certeza movida pelo sucesso de publicações como as da Levoir e pelo maravilhoso ano que se avizinha no que respeita a filmes com personagens da Marvel, decidiu retomar uma tradição que já não víamos há demasiado tempo. Existiam as brasileiras mas (vamos ser honestos) assim é capaz de ser melhor.
Na senda do que eu tinha feito para a colecção da Levoir, achei que podia ajudar os menos conhecedores ao re-publicar posts que escrevi no ano passado exactamente sobre o conteúdo de duas das revistas que vão ser publicadas: Vingadores e X-Men. Como esta semana vai ser publicado o primeiro número da mais importante equipa de heróis da Marvel, deixo-vos com as breves palavras da altura. Para a semana volto para falar dos X-Men e depois lá tenho que postar algo de novo sobre o Homem-Aranha Superior.
Avengers vol. 5 # 1 a 3 de Jonathan Hickman (escritor) e Jerome Opeña (desenhista)
Os Vingadores são
hoje em dia um dos nomes mais reconhecíveis da biblioteca de
personagens da editora americana de BD, a Marvel,
tudo por culpa do excelente filme de Joss
Whedon. Face a este acréscimo de fama, a Casa das Ideias optou por capitalizar no evento e reiniciou a revista deste
grupo de super-heróis com uma nova equipa criativa e uma nova história. Desde
2004 que Brian Michael Bendis
escrevia a História dos Vingadores, tendo terminado a “odisseia” nos últimos
meses de 2012 e passado o testemunho a Jonathan
Hickman, autor independente que já havia se destacado na Marvel com uma saga do Quarteto Fantástico. Esta passagem
aparece no âmbito de uma reestruturação criativa chamada Marvel Now, ocorrida no seio de quase
todos os personagens da editora, em que diversos autores basicamente trocam de camisa,
ficando Bendis com os X-Men e Hickman com os Vingadores,
apenas para citar alguns.
O estilo de Hickman dificilmente
poderia ser mais diferente do de Bendis. Enquanto
este último move-se na escala urbana, da rua, em que os personagens são o zé do
dia-a-dia, os de Hickman
movimentam-se no Teatro Universal, de deuses envolvidos em narrativas de ficção
científica movidas a psicotrópicos. Bendis
caracterizava-se pelos verbosos e demorados diálogos, pela descompressão
narrativa, interessando-lhe mais a relação interpessoal dos vários personagens
e as consequências dos eventos na vida e psique dos mesmos. Hickman narra óperas cósmicas em que os
super-heróis assumem o seu papel maior que a vida, com diálogos grandiloquentes,
situações titânicas, em que nada menos que o destino da Realidade, do Tempo e da
Vida estão constantemente em jogo. Tudo são riscos à escala da Existência. Os Vingadores de Hickman são o exército de Deus.
Outras da características deste autor, que já havia demonstrado
no seu Quarteto Fantástico, é tudo ser planeado ao pormenor. Sabemos que no final teremos uma epopeia cósmica
finita a única. Por isso, preparem-se para a viagem, no sentido literal e
metafórico do termo.
Hickman teve a
inteligência (ou o mandato editorial) para começar estes quatro primeiros
números da nova série com os mesmos Vingadores
do filme: Homem de Ferro; Capitão América; Thor; Hulk; Gavião Arqueiro; Viúva
Negra. Mas depressa aumenta a escala e, de um momento para o outro e face ao
crescendo da ameaça, é convocado o restante exército. E ele
é legião. Como se, para preparar uma guerra pela Existência, fossem necessários
os melhores e mais eficazes soldados da paz. E são eles o Homem-Aranha, Wolverine, Mulher-Aranha, Capitão Universo, apenas
para citar uns (muito) poucos.
A acompanhar Hickman nos
quatro primeiros números estão os desenhos de Jerome Opeña (os números 1 a 3) e de Adam Kubert (no 4.º), veteranos da Marvel.

