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Os gostos têm tendência em unir pessoas na amizade. Eu e o Filipe Faria - escritor extraordinaire da saga Crónicas de Allaryia e tradutor incansável - temos uma devoção imortal pelos mundos da DC Comics. Ele é fã incontestável do Super-Homem e eu devoto da igreja da Diana de Themyscira. O Filipe tem uma colecção de momentos curiosos dos 80 anos de publicações desta editora. Todas as Sextas ele vai tentar colocar aqui um. Eu apenas publico e nada mais. 

Hoje viajamos até o futuro distante do século XXX da Legião dos Super-Heróis, quando os valores deste nosso ano de 2019 parecem ter desaparecido. Ou seria retro-desaparecido? Viagens no tempo dão sempre dores de cabeça.

Os gostos têm tendência em unir pessoas na amizade. Eu e o Filipe Faria - escritor extraordinaire da saga Crónicas de Allaryia e tradutor incansável - temos uma devoção imortal pelos mundos da DC Comics. Ele é fã incontestável do Super-Homem e eu devoto da igreja da Diana de Themyscira. O Filipe tem uma colecção de momentos curiosos dos 80 anos de publicações desta editora. Todas as Sextas ele vai tentar colocar aqui um. Eu apenas publico e nada mais. 

Hoje, invertemos para mostrar-vos uma inDCência que revela outros tempos.

O que vou lendo! - Colecção DC Levoir/Público – 19.º Volume: Super-Homem e a Legião dos Super-heróis e Legion of 3 Worlds

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Isto não é uma deambulação pela qualidade desta coleção da Levoir, que aqui e em outros lugares já defendi com veemência militante, mas antes uma declaração da surpresa (boa) que foi reler esta maravilhosa aventura escrita por Geoff Johns e desenhada por Gary Frank. Mesmo! Que delícia!
Tenho os livros originais que adquiri à altura, os chamados floppies mensais, mas porque tenho menos tempo para dedicar ao vício da BD do que desejaria, nunca os reli. Fi-lo agora com a coleção lançada pela Levoir neste seu 19.º volume dedicada à DC Comics e o conto de Johns e Frank só ganhou com isso.
A narrativa encontra-se estruturada de forma moderna, inspirando-se menos na serialização que tem pautado os comics quase desde sempre, mas antes no principio de finitude, ou seja, mesmo para os menos entendidos na convoluta história do Super-Homem e da Legião dos Super-Heróis, será relativamente (sublinhado) fácil entender o que se está a passar. Para isso Johns, inteligentemente, escolhe alguns temáticas sub-textuais que são facilmente apreendidas. Um dos mais interessantes aspectos disto que acabo de referir é a alusão ao significado que o figura histórica que é o Super-Homem assumiu na sociedade do século XXXI, estando associado a aspectos quase messiânicos. Por sua vez, este lado divino do mais antigo dos super-heróis é lido, na narrativa de Johns, de duas formas: por um lado, o facto de ter estado na origem de uma filosofia, propagada pela História, de fraternidade e respeito pela diferença, que não é diferente da mensagem de um MLK ou Gandhi; por outro lado, o facto de terem se passado 1000 anos e de a sua mensagem original poder ser deturpada ou mesmo subvertida. Este último aspecto é, aliás, um dos motores da narrativa.
Mas Johns não se fica por aqui. Para quem está atento aos desenvolvimentos recentes da sociedade norte-americana, encontrará ecos na história deste volume. Falo da forte polarização de uma nova/velha forma de ver a religião, a interpretação fanática (no caso da história desta BD, assumidamente deturpada) da filosofia, ou melhor, da liturgia – isto para usar termos religiosos – que terá sido passada pela figura messiânica em causa, o Super-Homem. Escolhe-se ver aquilo que se escolhe ver, usando termos mais coloquiais. Esta situação torna-se ainda mais “caricata” quando a própria figura messiânica em causa viaja 1000 anos para o futuro, e é desacreditada como charlatã e como desavisada dos preceitos que, pelos vistos, ele próprio teria criado.
Obviamente que tratando-se isto de uma aventura de super-heróis mais mainstream, muitas destas mensagens são abordadas de forma mais leve, mas Johns tem o condão de, sub-repticiamente, tornar relevantes aspectos que, à partida, seriam apenas adjacentes. Sim, porque este escritor excede-se no aspecto mais puro da BD de super-heróis, aludindo à continuidade de 50 anos da Legião, fazendo regressar velhos personagens que os fãs ansiavam ver regressar, tudo misturado com uma abordagem e prismas relevantes. Sem duvida umas das melhores escolhas que a Levoir poderia ter feito.
Inspirado por esta releitura decidi voltar a ler a história que vinha de seguida: Legion of 3 Worlds de Geoff Johns e George Pérez. Aqui a coisa já pia de forma diferente! Estamos perante aquilo que, coloquialmente e desculpem os mais sensíveis, apenas posso apelidar de puro “geekasm”. Não só é desenhado pelo ENORME George Pérez, que nesta história faz bom uso dos seus incríveis dotes de narrador e de deslumbrador, como é orgulhosamente imerso na (aqui sim, posso dizer sem pruridos) convolutíssima continuidade da Legião dos Super-Heróis e mesmo do Universo da DC Comics. Aparecem três, leram bem, três versões da Legião, aquelas que foram publicadas ao longo destes 50 anos, são referenciadas as duas grandes crises que abalaram o espaço-tempo deste universo, a Crise nas Terras Infinitas e Crise Infinita, aparecem diferentes versões do Super-Homem e a da sua versão mais nova, o Superboy, entre tantas outras maravilhosas delícias para os “verdadeiros” fãs, ou melhor, os únicos que poderão apreciar tudo isto de forma plena (infelizmente, digo eu). Não sei se poderei ir tão longe e ter esperança que esta história será publicada pela Levoir, por todas estas razões, mas posso pensar que haverão aqueles, mais fãs ou menos fãs, que não conheciam e agora fiquem curiosos de a ler. Nem que seja pelo puro sentido de entretenimento. 







Colecção DC Levoir/Público – 19.º Volume: Super-Homem e Legião de Super-Heróis

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(Prometo tentar informar aos menos conhecedores de BD acerca da acessibilidade desta coleção, ou seja se é fácil ou não ler sem saber muito mais coisas)
Grau de acessibilidade: Difícil mas...

Sai amanhã, Quinta-feira, dia 14 de Novembro, junto com Público e custa 8,9€

Quando a família do Super-Homem começou a crescer no final da década de 50, foi adicionado à mitologia do personagem um grupo de adolescentes vindos do futuro, que serviriam não só como testemunhas do legado do Homem de Aço, mas também como seus companheiros: A Legião de Super-Heróis.
Este grupo visitaria Clark Kent quando ainda era conhecido como Superboy e convidá-lo-ia para visitar o século XXX, onde era visto como uma imagem de tal forma inspiradora que havia servido de base à criação deste grupo de super-heróis, que reunia diferentes e múltiplas raças e seres de todos os cantos do universo. O Super-Homem ou Superboy, o derradeiro emigrante, aquele que havia permitido que alienígenas fossem bem vindos não só na Terra como também em todo o restante cosmos, tinha servido de inspiração para a criação da maior e mais relevante coleção de super-seres do século XXX. E eles convidaram-no para dela fazer parte.
A Legião cresceria ao longo das suas 5 décadas de vida para números que justificariam o nome, agregando inúmeras raças nas suas fileiras, destilando algumas das mais importantes mensagens da década de 60: confraternização e igualdade. Este grupo de jovens adolescentes cresceria ao longo dos anos (muito em contravapor à perenidade de alguns arquétipos como o Super-Homem, que parecem nunca envelhecer), e seriam também alvos de inúmeras iterações e interpretações, ao ponto de se tornarem relativamente ininteligíveis, mesmo quando um novo escritor ou editor da DC Comics decidia que era boa altura recomeçar tudo do 0. 
Geoff Johns, escritor conhecido por atualizar personagens através do historial dos mesmos, foi quem decidiu fazer algo quanto a isto. Agarrou na mais conhecida e amada das versões da Legião, a primeira, e reintroduziu-a à mitologia do Super-Homem com a história que é publicada neste volume da coleção da Levoir. Ajudado pelo fabuloso desenho de Gary Frank (que utiliza a semelhança de Christopher Reeve para o rosto do seu Super-Homem), conseguiu aquilo que muitos dos fãs da Legião almejavam (e tal como o grupo de super-heróis eles são imensos e muito ferranhos): o regresso da verdadeira Legião de Super-Heróis.
Nota – Não partilho da opinião que tem de se saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.