Mostrar mensagens com a etiqueta Eduardo Risso. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Eduardo Risso. Mostrar todas as mensagens

Os Malditos vol. 1: Antes do Dilúvio e Moonshine vol. 1: Sangue e Whiskey (G Floy)



A editora Image tem conseguido uma revolução silenciosa ao longo dos últimos anos. Captou alguns dos maiores nomes da BD das Terras do Tio Sam e produzido obras incontornáveis. Não só isso, mas dentro das suas fileiras consta um dos maiores cultos da cultura pop dos últimos anos: The Walking Dead. Graças à reputação criada, nomes geralmente associados à Marvel ou à DC têm gravitado para a Image.  É o caso de Jason Aaron e R. M. Guéra com Os Malditos vol. 1: Antes do Dilúvio e Brian Azzarello e Eduardo Risso em Moonshine vol. 1: Sangue e Whiskey, ambos publicados pela editora portuguesa G Floy. Estas duplas são conhecidas de outros vôos, nomeadamente da publicação, pelo selo da emblemática e lendária Vertigo, de Scalped e 100 Bullets, respectivamente. 

Batman, Uma História Verdadeira de Paul Dini e Eduardo Risso na Colecção Novelas Gráficas III da Levoir/Público

(o Acho que Acho teve a honra de ser convidado para fazer a introdução deste volume)


Batman, Uma História Verdadeira de Paul Dini e Eduardo Risso está nomeado para o Prémio Eisner como melhor história autobiográfica 2017, poderá ser adquirida a partir de 21 de Julho, em versão de capa dura, pelo PVP de 9,99€ em conjunto com o jornal Público.

Paul Dini é o criador de Harley Quinn, a carismática namorada de Joker, que esteve em grande destaque no filme Esquadrão Suicida, Batman, Uma História Verdadeira. Eduardo Risso, desenhador argentino já conhecido do público português graças aos títulos editados pela Levoir, como Parque Chas e Batman Noir, dá aqui provas de uma versatilidade inesperada, adaptando o seu traço às necessidades específicas dos diferentes momentos da história. Mestre do preto e branco, como Batman Noir demonstra à saciedade, Risso ocupa-se pela primeira vez também da cor de uma história que desenhou, com resultados deslumbrantes, mas também extraordinariamente eficazes em termos narrativos.

Esta não é uma narrativa comum. É uma novela gráfica, contada pelo próprio autor a partir de um momento crucial da sua vida. Em 1993 ele foi brutalmente espancado e deixado em estado crítico perto de sua casa em West Hollywood. Além dos danos físicos que as agressões deixaram, Paul Dini lutou com as consequências psicológicas e o desafio de continuar a escrever sobre Batman e seus vilões.

A utilização dos personagens de Batman são a chave para o sucesso desta obra. Mesmo que esta história seja sobre a ideia do Batman, isso não significa que o Cavaleiro das Trevas e dos seus inimigos não apareçam na história como personagens reais. Cada vilão de Gotham aparece como uma manifestação da personalidade e psique de Paul Dini. Pinguim representa a tentação para beber álcool. Espantalho encarna o terror que Paul encara durantes os dias. Joker é a voz de cada pensamento sombrio que representa um atraso para a sua vida e carreira. Batman representa a esperança que ele pode inspirar nas pessoas que passam pelos momentos mais desesperantes.

A sinergia entre a escrita de Paul Dini e a arte de Eduardo Risso é impressionante. Sendo o resultado uma obra que fica entre uma realidade aterradora e momentos surreais e fantásticos. É uma obra de uma sensibilidade ímpar. É uma leitura obrigatória para todos os que são fãs de Batman. Mais do que isso, é uma leitura essencial para quem precisa urgentemente voltar a inspirar-se na vida.





Rapidinhas de BD - Vertigo is Dead, Long Live Vertigo



O título não é exagero. O famoso selo da editora norte-americana de BD, a DC Comics, está moribundo. Desde o seu início, no princípio da década de 90,  que a Vertigo não tinha tão poucos livros a serem lançados. Esta foi a casa fundada pela famosa Karen Berger, a lendária editora de BD, a mulher que deu-nos o Alan Moore dos EUA, o Sandman de Neil Gaiman, o Preacher de Garth Ennis e Steve Dillon, o 100 Bullets de Brian Azzarello e Eduardo Risso. São inúmeros os legados deixados por Berger e pela casa que fundou. A História da BD dos EUA e do mundo passa pelos seus corredores e pelo seu catálogo.

Legado também é a palavra correcta para falar destes dois títulos: um é já um antigo amigo, American Vampire de Scott Snyder com Rafael Albuquerque (no seu sétimo volume); outro uma adição, mas com uma equipa já conhecida, o Moonshine de Brian Azzarello e Eduardo Risso. Ambos bebem de um mesmo lugar, da marca de inspiração Vertigo/Berge. Existe a apetência para o terror adulto, negro e deprimido e, nestes dois casos, com inclinação sobrenatural. Poderia ser o horror do serial killer, poderia ser o fantástico pós-modernista. Contudo, os autores ingressam no puro e mais primordial dos horrores, recorrendo a monstros do fabulário e imaginário europeu/ocidental. São duas obras com vampiros e lobisomens, mas arquitectadas por autores que têm algo de novo a dizer acerca destes arquétipos muito conhecidos.

American Vampire é exactamente sobre o que título sugere. Skinner e Pearl são dois vampiros dos EUA, com características bem diferentes dos originais das terras europeias. Ao longo dos seis volumes anteriores assistimos ao seu nascimento e à sua luta para sobreviver, desde o faoreste do século XIX até aos fabulosos anos 20. Os conflitos são contra a sua própria natureza, contra vampiros de outras raças e contra a Humanidade. Neste sétimo volume o confronto é de natureza bíblica. Estamos na década de 60 e um mal primordial ressurge e persegue, indiscriminadamente, a raça de sugadores de sangue. Pode parecer banal mas, uma vez mais e como sempre, é o dedo dos autores que carrega aquilo que é normal e já visto para o reino do entretenimento de qualidade. O conceito deste livro (publicado pela DC e pela Vertigo) é da autoria do conhecido escritor de terror, Stephen King, mas cabe a Snyder a tarefa de levar a bom porto o conceito. E consegue fazê-lo de forma exemplar, demonstrando que, apesar de ter sido esta uma das primeiras obras que o tornou conhecido, continua a entretê-lo e a entreter-nos.

Moonshine vem com a marca de uma das novas Vertigos, a Image, que tem recebido em sua casa autores de várias editoras, para produzir, livremente e detendo os seus direitos, obras de temática diferente. O regresso da parceria Azzarello/Risso a uma obra mais longa era esperado desde a altura do seu essencial 100 Bullets. Voltam atrás no tempo para o final da década de 20 dos EUA, na altura da depressão e da lei seca, onde criminosos e personalidades menos solarengas pareciam multiplicar-se na ficção. Em suma, o casamento perfeito com as sensibilidades de ambos os autores, noir do átomo do cabelo (cheio de brilhantina) à molécula da unha (negra e ressequida) do pé. Existem produtores de whiskey (ou bourbon) clandestinos, homens com passado, mulheres fatais, hillbilly's sanguinários, gangsters violentos... e lobisomens. Que mais pode pedir-se a Azzarello e Risso? Nada excepto: muito bem-vindos de volta. 

Plano Editorial da Levoir 2017

No passado dia 10 de Março a Levoir apresentou no Festival de BD de Coimbra parte do seu plano editorial para 2017, vimos agora acrescentar algumas novidades ao mesmo que ainda não foram comunicadas.

MULHER-MARAVILHA

Teremos o lançamento de uma colecção de 5 volumes da Mulher-Maravilha, personagem que acaba de celebrar o seu 75.º aniversário. São cinco títulos inéditos em português de Portugal, edição de capa dura com a qualidade que nos é habitual, e que estará disponível no final de Maio.

Títulos:
Mulher-Maravilha: Homens e Deuses (George Pérez)
Mulher-Maravilha: Deuses de Gotham (Phil Jimenez)
Mulher-Maravilha: A Hiketeia (Greg Rucka e J.G.Jones)
Mulher-Maravilha: Terra Um (Grant Morrison e Yanick Paquette )
Mulher-Maravilha: Um por todos (Christopher Moeller)




A Levoir já editou dois títulos desta personagem: Quem é a Mulher-Maravilha na colecção de 2013 (George Pérez, Phil Jimenez, Allan Heinberg, Terry Dodson ) e Super-Homem & Mulher Maravilha, Par Perfeito (Charles Soule, Tony S. Daniel) mais recentemente em 2016.

NOVELAS GRÁFICAS

Ainda no primeiro semestre de 2017, teremos o lançamento de uma nova colecção de Novela gráfica, sendo que podemos anunciar 3 títulos do selo Vertigo:

- RONIN de Frank Miller
- Dark night true story de Paul Dini e ilustrações de Eduardo Risso, presente também nas nossas edições no Batman Noir e no Parque Chas.
- The books of Magic de Neil Gaiman, autor da nossa colecção SANDMAN.




A BD franco-belga marcará também presença na nova série, de entre os quais destacamos:

- Os Ignorantes de Étienne Davodeau; autor com extensa obra e galardoado com vários prémios entre os quais destacamos o Prémio do melhor argumento e o Prémio do Público do Festival de BD de Angoûleme em 2012.

- Polina do jovem autor francês Bastien Vivès que se tem vindo a afirmar em  França e conta já com vários títulos editados. Polina recebeu o Prémio dos livreiros de BD em 2011 e o Grand Prix de l´ACBD (Associations des critiques et des journalistes de BD) em 2012, sendo que a obra foi adaptada ao cinema e tem estreia prevista em Portugal ainda este ano.




E como em todas as nossas colecções de Novela Gráfica, teremos um título do que de melhor se faz nos  fumetti (nome dado à Banda Desenhada em Itália) Dylan Dog, o investigador do oculto vegetariano, abstémio e com vertigens, criado por Tiziano Sclavi para a editora Bonelli. Iremos publicar Mater Morbi, escrita por Roberto Recchionni, o actual responsável pela coordenação da série Dylan Dog é uma reflexão sombria sobre a doença e das melhores histórias do detective do pesadelo das últimas décadas, muito bem ilustrada por Massimo Carnevale. Esta obra ganhou em 2016, ano do seu 30º aniversário,  o Prémio de melhor novela gráfica de terror pelos prestigiados The Ghastly Award.

O que vou lendo! Dark Night, A True Batman Story de Paul Dini e Eduardo Risso

A publicação de biografias ou autobiografias em BD é, há muito tempo, uma tradição. Obras impares como Maus e Blankets nasceram desta inclinação e transformaram de forma perene o panorama da arte. Quer se queiram, quer não, também os super-heróis fizeram o mesmo, quer na dita BD de "qualidade" quer na outra, também dita, a da "cultura popular". O que raramente acontece (a minha memória não ajuda) é a junção das duas, como é o caso deste Dark Night, A True Batman Story, escrita por Paul Dini e desenhada por Eduardo Risso.  

Desenganem-se, dos que ficam curiosos pela leitura, que irão ler uma obra de acção e luta entre o Cavaleiro das Trevas e os seus muitos e coloridos adversários. Não que não possamos ver e apreciar o dedo do brilhante Risso a desenhar Batman, Joker, Hera Venenosa, entre muitos outros dos personagens míticos da mitologia deste personagem da DC Comics. Mas este é um livro sobre Paul Dini,  escritor de BD mas também da afamada série de desenhos animados Batman, The Animated Series, considerada por muitos fãs como uma das melhores séries deste estilo a grassar as telas da TV. Esta é a história da sua vida e de como um encontro fortuito e violento, quando escrevia para a série em princípios da década de 90, marcou-o de forma indelével.

Publicado pela DC e pela chancela da Vertigo, Dark Night é uma obra onde Dini escolhe a BD e os seus personagens favoritos desta arte para, corajosamente, expor a sua vida. A imaginação que o acompanha, diz ele, desde a infância, serve de conselho e de coro para os acontecimentos trágicos (ou não) da sua vida, descortinando-os de forma cândida e aberta. A honestidade é a chancela desta BD que não desvia-se do ridículo, abrindo espaço para que nós, leitores, nos identifiquemos de forma mais ou menos forte com Dini. A DC deixa que os seus muitos protegidos personagens funcionem como catalisadores e, ao mesmo tempo, exorcistas dos demónios que assolam a vida do escritor. Acredito que apenas alguém como Dini o possa fazer, tendo em consideração que já tanto contribuiu para a editora, principalmente com a criação de um dos seus mais famosos personagens: Harley Quinn, namorada do Joker e estrela do filme Esquadrão Suicida.

O trabalho de Risso é multifacetado, escolhendo estilos diferentes quando cada situação o impõe e justificando o porquê se ser um das mais requisitados e interessantes desenhistas da BD da actualidade. A parceria que enceta com Dini, tal como acontece com Azzarello (o de 100 Bullets e agora de Moonshine, este última da Image), é simbiótica. Risso não trabalha apenas com os escritores, é um dos escritores. 

Honesta, disfuncional, corajosa. Adjetivos sempre apropriados para uma autobiografia e também para este Dark Night, A True Batman Story de Paul Dini e Eduardo Risso.

O que vou lendo! - Parque Chas de Ricardo Barreiro e Eduardo Risso

Na Folio deste ano, festival literário de Óbidos, o autor islandês Jón Kalman Stefánsson afirmou que o Realismo Mágico "está em todo o lado". Esta corrente literária está associada principalmente a autores da América do Sul como o famoso e brilhante Gabriel García Marquez, mas o islandês diz que no seu país desde há muito que ela ali existe. Por causa da sazonal falta de sol inventaram histórias e mitologias para assim subverter e entender a realidade do dia-a-dia: "Surgiram os Elfos e outros seres fantásticos. Temos poucos habitantes. No século XVIII, quase nos extinguimos. Nós contámos essas histórias para sobreviver. Agora chamam a isso realismo mágico…". Contudo, não se fica por aí: diz que a Bíblia ela própria é um exemplo de Realismo Mágico. Não parece exagerado. Se estendermos ainda mais a geografia e recuarmos mais no tempo, A Ilíada de Homero, obra fundadora do mundo ocidental, mescla o fantástico com a brutalidade da sangrenta Guerra de Tróia. Desde cedo, o Homem procura fazer sentido do lógico (ou ilógico) do Real através do Fantástico. Verdade que existe uma grande diferença entre os 100 Anos de Solidão e O Senhor dos Anéis mas, no essencial, não andarão à procura de uma mesma coisa? 

Outro dos conceitos que chamaram-me a atenção no discurso de Stefánsson foi a questão do Determinismo Geográfico. Num país onde o Sol desaparece durante largos meses, onde a dureza do clima e das temperaturas é constante, onde a escuridão não é um mero conceito literário, os islandeses inventaram Elfos. Apesar de o Parque Chas não ser uma geografia natural (o Determinismo Geográfico a isso obriga), a orografia urbana do bairro de Buenos Aires é ela própria, numa inversão cativante, propensa à invenção de histórias, de mitologias. É disso que Barreiro e Risso, ambos argentinos, aproveitam-se para construir uma Banda Desenhada que é, ao mesmo tempo, parte Realismo Mágico e parte crónica social. Os autores aproveitam para contar uma história de entretenimento e comentário político, misturando, para o efeito, o fantástico e a ficção científica com os arruamentos de um bairro labiríntico da capital Argentina. 

Risso é bastante conhecido, no que a mim diz respeito, pelo seu trabalho nas fabulosas 100 Bullets e neste Parque Chas tem um estilo mais detalhado e menos noir. Não deixa, contudo, de ser apropriado e apenas revela a versatilidade do desenhador. A história é também ela labiríntica e recorre a uma prosa por vezes floreada ao ponto da distracção. Não tira prazer à leitura mas fica a sensação de que alguma contenção não seria descabida. O que acaba por acontecer nos últimos capítulos, os da resolução do enredo, em que o escritor parece adquirir maior "confiança" no desenhador.

Parque Chas é, ele próprio, uma entidade viva, um bairro cheio de identidade que Barreiro e Risso aproveitam para construir uma Banda Desenhada que procura encontrar o Mito dentro do Real. Uma boa companhia nesta colecção de BD da editora Levoir, Novelas Gráficas.

BD é um exemplo.

"Artemis - No, Ares, violence will make man fear us, not follow us. Our current intent with this new race is to set an example... to show man and woman's true place with each other...as Gaea had meant to be."
Wonder Woman, volume 2, número 1, escrito George Pérez, Len Wein, Greg Potter.

Diana de Themyscira, aka Wonder Woman, aka Mulher-Maravilha, por vários desenhadores.

José Luis Garcia-Lopez

George Pérez


Cliff Chang


Eduardo Risso


Cliff Chang


Yannick Paquette


John Byrne


BD é Desejo ou Sonho?

“For love is no part of the dreamworld. Love belongs to Desire, and Desire is always cruel.” ― Neil Gaiman, The Sandman, Vol. 2: The Doll's House

Diferentes interpretações de Morpheus, aka Sandman, aka Dream of the Endless, criado por Neil Gaiman.

Brian Bolland


Mike Allred 

Eduardo Risso
J.H. Williams III 

BD é a guerra e a paz.

"Atena - What are you afraid of, Ares? That Olympus shall be represented  on earth by women? Or that these mortals  shall be able to resist even your base influence?" - Greg Potter e George Pérez, Wonder Woman, volume dois, número 1, Fevereiro de 1987.

Vários personagens desenhados por Eduardo Risso.

Mulher-Maravilha, aka Diana de Themyscira


Batman e Joker


Catwoman.


Super-Homem.


Sonja, a guerreira.