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Os gostos têm tendência em unir pessoas na amizade. Eu e o Filipe Faria - escritor extraordinaire da saga Crónicas de Allaryia e tradutor incansável - temos uma devoção imortal pelos mundos da DC Comics. Ele é fã incontestável do Super-Homem e eu devoto da igreja da Diana de Themyscira. O Filipe tem uma colecção de momentos curiosos dos 80 anos de publicações desta editora. Todas as Sextas ele vai tentar colocar aqui um. Eu apenas publico e nada mais. 

Esta semana, regressamos à minha favorita e aos hábitos (nada subtis) do seu criador. Ao menos não escondia nem tinha vergonha.

Nestes tempos difíceis, não acho descabido recordarmos-nos de momentos felizes. Principalmente os passados com outras pessoas. Mas, no que a mim diz respeito, também não parece mal recordar os de leitura, principalmente aqueles que envolvem a BD. Esta semana, falo de um segundo grande apontamento desta minha história com a nona arte: aquele no qual apaixonei-me pela Diana, Princesa e Embaixadora de Ilha de Themyscira, a Mulher-Maravilha. Tudo começou em setembro de 1987, quando li, na revista de formatinho da Editora Abril Super-Homem n.º 39, o primeiro capítulo do trabalho de George Pérez na personagem (com a ajuda de Len Wein, Greg Potter, Jenette Khan e Karen Berger). Foi a partir daqui que ela passou a ser a minha personagem favorita da BD e da ficção.

Wonder Woman Earth One vol. 2 de Grant Morrison e Yanick Paquette

Passaram-se dois anos desde a primeira parte da prometida trilogia escrita por Grant Morrison e desenhada por Yanick Paquette protagonizada por Diana, Princesa de Themyscira, a Mulher-Maravilha. Trata-se de uma nova interpretação da conhecida personagem da DC Comics, passada numa realidade paralela à linha normal da editora, com o objectivo de ser acessível ao público em geral, sem descurar uma visão autoral para leitores tendencialmente mais sofisticados. 

Plano Editorial da Levoir 2017

No passado dia 10 de Março a Levoir apresentou no Festival de BD de Coimbra parte do seu plano editorial para 2017, vimos agora acrescentar algumas novidades ao mesmo que ainda não foram comunicadas.

MULHER-MARAVILHA

Teremos o lançamento de uma colecção de 5 volumes da Mulher-Maravilha, personagem que acaba de celebrar o seu 75.º aniversário. São cinco títulos inéditos em português de Portugal, edição de capa dura com a qualidade que nos é habitual, e que estará disponível no final de Maio.

Títulos:
Mulher-Maravilha: Homens e Deuses (George Pérez)
Mulher-Maravilha: Deuses de Gotham (Phil Jimenez)
Mulher-Maravilha: A Hiketeia (Greg Rucka e J.G.Jones)
Mulher-Maravilha: Terra Um (Grant Morrison e Yanick Paquette )
Mulher-Maravilha: Um por todos (Christopher Moeller)




A Levoir já editou dois títulos desta personagem: Quem é a Mulher-Maravilha na colecção de 2013 (George Pérez, Phil Jimenez, Allan Heinberg, Terry Dodson ) e Super-Homem & Mulher Maravilha, Par Perfeito (Charles Soule, Tony S. Daniel) mais recentemente em 2016.

NOVELAS GRÁFICAS

Ainda no primeiro semestre de 2017, teremos o lançamento de uma nova colecção de Novela gráfica, sendo que podemos anunciar 3 títulos do selo Vertigo:

- RONIN de Frank Miller
- Dark night true story de Paul Dini e ilustrações de Eduardo Risso, presente também nas nossas edições no Batman Noir e no Parque Chas.
- The books of Magic de Neil Gaiman, autor da nossa colecção SANDMAN.




A BD franco-belga marcará também presença na nova série, de entre os quais destacamos:

- Os Ignorantes de Étienne Davodeau; autor com extensa obra e galardoado com vários prémios entre os quais destacamos o Prémio do melhor argumento e o Prémio do Público do Festival de BD de Angoûleme em 2012.

- Polina do jovem autor francês Bastien Vivès que se tem vindo a afirmar em  França e conta já com vários títulos editados. Polina recebeu o Prémio dos livreiros de BD em 2011 e o Grand Prix de l´ACBD (Associations des critiques et des journalistes de BD) em 2012, sendo que a obra foi adaptada ao cinema e tem estreia prevista em Portugal ainda este ano.




E como em todas as nossas colecções de Novela Gráfica, teremos um título do que de melhor se faz nos  fumetti (nome dado à Banda Desenhada em Itália) Dylan Dog, o investigador do oculto vegetariano, abstémio e com vertigens, criado por Tiziano Sclavi para a editora Bonelli. Iremos publicar Mater Morbi, escrita por Roberto Recchionni, o actual responsável pela coordenação da série Dylan Dog é uma reflexão sombria sobre a doença e das melhores histórias do detective do pesadelo das últimas décadas, muito bem ilustrada por Massimo Carnevale. Esta obra ganhou em 2016, ano do seu 30º aniversário,  o Prémio de melhor novela gráfica de terror pelos prestigiados The Ghastly Award.

Reading Habits - Legend of Wonder Woman by Renae de Liz and Ray Dillon

It's a real shame. 

It's a shame that the excellent Legend of Wonder Woman by Renae de Liz and Ray Dillon has been canceled. I will not go into the coming and goings of the falling off between DC and the authors but I will express my disappointment. This volume, collecting all of the online issues, is not only one of the best stories starring my favorite comic book character, Diana of Themyscira, but a fine good comic at that.

Renae de Liz, the writer, chooses (or DC chose for her) to, once again, retell the origin story of Diana, transporting the mythos back to its original time period, the Second World War.  However, there are notable differences between this interpretation and previous ones, both in form and intention. 

Ranae changes the plot just enough not to feel derivative and enough to feel fresh. There are subtle modifications to the story, plot points here and there that are changed not for the sake of novelty but because the authors want to tell a good and entertaining narrative. Hippolyta, the mother of Diana and queen of the Amazons, is not exactly the same, Themyscira, her home, also - I won't number or describe all the changes because I want you to discover for yourself. 

Furthermore, the pace. The slow and steady pace with which she develops the first days in the life of Diana is both a breath of fresh air and an accomplishment. In each story beat she lingers on personality development, adds little quirks to every one, while still ringing true to the archetypes, and enjoys herself in lengthy exchanges of dialogue that are entertaining and meaningful. Besides Diana, the writer spends a lot of time developing Etta Candy's personality, making her so much more than part of the WW supporting cast.

Here, slow pace doesn't mean decompressed storytelling. Each moment is filled with meaningful world-building, rich characters and trivial situations elevated to the status of mythic, simply by the amount of care dedicated to each detail. Ranae also sculpts (pun intended) a cosmogony very different from previous Wonder Woman incarnations, makes it new and, at the same time, gives a cool nod to DC fans. It's noticeable that she is (note that I use present tense - wishful thinking) trying to make a tale for the ages. And in this hardcover she delivers on that promise.

All that is relevant to the Princess of Themyscira mythology is, in some way, touched upon in these pages. Truth, above all, is one of the most prevalent parts of her message, and it shines through in this tale. The War/Peace dichotomy, so integral to WW, comes forth and is justifiable. Ranae knows her Wonder Woman.

Legend of Wonder Woman is an exceptional accomplishment. One that should continue, due to the fact that Diana deserves it but manly because this amount of love and dedication to the Wonder Woman mythos should be appreciated and encouraged. DC, please let the authors finish their story.

O que vou lendo! Legend of Wonder Woman de Renae de Liz e Ray Dillon

É uma pena. É uma pena que a excelente série Legend of Wonder Woman de Renae de Liz e Ray Dillon tenha sido cancelada. Não vou entrar nas coscuvilhices do desaguisado entre a DC e os autores mas não posso deixar de expressar o meu descontentamento. Este volume, que colecciona todos os números online, não é apenas uma das melhores histórias feitas com o meu personagem de BD favorito, Diana de Themyscira, a Mulher-Maravilha, mas um bom livro de mérito próprio. 

Renae de Liz, escritora, escolhe (ou a DC escolheu por ela), uma vez mais, contar a história da origem de Diana, transportando o personagem de regresso ao seu período original, a Segunda Guerra Mundial. No entanto, existem diferenças notáveis ​​entre esta interpretação e anteriores, tanto na forma como na intenção. 

Ranae muda o enredo apenas o suficiente para não parecer derivado e o suficiente para ser fresco. Existem alterações subtis, pormenores de enredo que são diferentes, não apenas para que sejam novidade mas porque os autores querem contar uma narrativa interessante e divertida. Hippolyta, a mãe de Diana e rainha das Amazonas, não é exactamente a mesma, Themyscira, a terra-mãe do personagem, também não - não vou enumerar ou descrever todas as mudanças porque quero que descubram por vocês mesmos. 

O ritmo lento mas seguro com que desenvolve os primeiros dias na vida de Diana é uma lufada de ar fresco. Desenvolve personalidades, acrescenta -lhes pequenas peculiaridades, mantém-se fiel aos arquétipos e diverte-se nas longas e relevantes trocas de diálogo. Além de Diana, a escritora passa algum tempo a desenvolver Etta Candy, transformando-a em muito mais do que um personagem coadjuvante da Mulher-Maravilha.

Ritmo lento não significa, por outro lado, descompressão da história. Cada momento está repleto de world-building, de personagens ricos e de situações triviais elevadas a um status quase mítico, simplesmente pela qualidade do cuidado dedicado a cada detalhe. Ranae também esculpe (pun intended) uma cosmogonia diferente da de encarnações anteriores da Mulher-Maravilha e que é, ao mesmo tempo, original e uma piscadela de olho aos antigos fãs de DC. É notável que tente fazer um conto de Diana para a posteridade (reparem que uso ainda presente, em jeito de esperança). E nesta compilação cumpre essa promessa. 

Tudo o que é relevante para a mitologia da Princesa de Themyscira é, de alguma forma, abordado nestas páginas. A Verdade é, acima de tudo, uma das mais importantes partes da mensagem da Mulher-Maravilha e esta brilha no conto. A dicotomia Guerra / Paz, tão integral à MM, é sublinhada e justificada. De facto, Ranae conhece em profundidade ao personagem. 

Legend of Wonder Woman é uma obra excepcional. Deveria continuar, principalmente porque a Diana merece mas essencialmente porque este nível de amor e de dedicação à mitologia da Mulher-Maravilha deve ser apreciada e encorajada. DC, por favor, deixe os autores terminarem a história.

BD é um exemplo.

"Artemis - No, Ares, violence will make man fear us, not follow us. Our current intent with this new race is to set an example... to show man and woman's true place with each other...as Gaea had meant to be."
Wonder Woman, volume 2, número 1, escrito George Pérez, Len Wein, Greg Potter.

Diana de Themyscira, aka Wonder Woman, aka Mulher-Maravilha, por vários desenhadores.

José Luis Garcia-Lopez

George Pérez


Cliff Chang


Eduardo Risso


Cliff Chang


Yannick Paquette


John Byrne


BD é a guerra e a paz.

"Atena - What are you afraid of, Ares? That Olympus shall be represented  on earth by women? Or that these mortals  shall be able to resist even your base influence?" - Greg Potter e George Pérez, Wonder Woman, volume dois, número 1, Fevereiro de 1987.

Vários personagens desenhados por Eduardo Risso.

Mulher-Maravilha, aka Diana de Themyscira


Batman e Joker


Catwoman.


Super-Homem.


Sonja, a guerreira. 

BD é a filha perfeita.

“Words and pictures are yin and yang. Married, they produce a progeny more interesting than either parent.” - Dr. Seuss

Diana de Themyscira, aka Wonder Woman, aka Mulher-Maravilha

Capa de Wonder Woman, volume 2, número 1, datada de 1986, por George Pérez



Notícia C7nema - Gal Gadot será a Mulher-Maravilha em "Batman vs. Superman"

Pois é, esta é daquelas notícias que tem vários dons. O primeiro, o óbvio: finalmente vamos ver a grande Mulher-Maravilha no grande ecrã. Segundo, encontraram alguém que, segundo os responsáveis pelo casting, tem a capacidade de incorporar o físico e o filosófico de Diana de Themyscira. Terceiro, e este é meramente pessoal, finalmente vou ver a Diana no cinema. 

O site c7nema informou-nos aqui e eu reproduzo-o. Para quem estiver interessado, na mesma notícia tem ainda um perfil do personagem que fiz para este site há quase uma década e que o dono do mesmo teve a simpatia de voltar a colocar online. Os mais conhecedores de BD que me desculpem alguns dados desactualizados.

Vejam uma foto da menina, que não conhecia e que parece que fez uns filmes do Velocidade Furiosa (pelo menos uma razão para os ver). 



As histórias da Mulher-Maravilha que mais gosto - artigo Maxim

Esta semana volto a um dos meus mais queridos personagens de BD, a princesa de Themyscira, Diana, a Mulher-Maravilha.

Olhem para esta cara laroca desenhada pelo mestre José Luis Garcia-Lopez e digam lá se não é um grande personagem?

Já agora, os volumes que sugiro do George Pérez podem considerar-se como um primeiro post de uma rubrica Ler sem Medo - Mulher-Maravilha, devendo ser lidos logo a seguir à sugestão do Ler sem medo - Universo DC.

Leiam o artigo aqui.


Mulher-Maravilha: O Mito - Artigo Maxim

Esta semana, porque está tudo em férias, aproveitei e meti uma cunha no artigo da Maxim. Falei sobre um dos meus personagens favoritos de BD, a Mulher-Maravilha, Diana para os amigos.

Leiam-no aqui.



Colecção DC Levoir/Público – 6.º Volume: Mulher-Maravilha

(Prometo tentar informar aos menos conhecedores de BD acerca da acessibilidade desta coleção, ou seja se é fácil ou não ler sem saber muito mais coisas)
Grau de acessibilidade: Médio para o Fácil

Sai amanhã, Quinta-feira, dia 15 de Agosto, junto com Público e custa 8,9€


E cá está, um volume com um dos meus personagens favoritos de BD. Sim, sem dúvida entre os 3 primeiros. Um dos mais esquecidos, negligenciados e subaproveitados da galeria à disposição da DC Comics, com um legado tão volumoso quanto o do Super-Homem ou do Batman mas, infelizmente, não tão rico em histórias. Não foram muitos os autores que conseguiram minar o seu enorme potencial e, neste volume, estão representados os dois maiores expoentes: George Pérez e Phil Jimenez. 

Ambos conhecidos por serem excelentes desenhistas, que agarraram num personagem que claramente amam e o exploraram ao ponto de se tornarem referência obrigatória no historial da mais famosa de todas as super-heroínas.

Em 1986, Pérez, à semelhança de Frank Miller com o Batman e John Byrne com o Super-Homem, re-imaginou Diana de Themyscira (o verdadeiro nome deste ícone), alicerçando-a num mundo que excede o dos super-heróis e antes transporta-se para o da preservação da paz pela palavra e menos pelo punho. Diana é uma menina-deusa,  inocência no olhar, que se desloca à Terra para nos reensinar os preceitos da cultura que é seu berço (e o nosso), a grega. Essa é a Mulher-Maravilha de Pérez, seguida, emulada e homenageada por Jimenez.

Contudo, o conto principal deste volume foi feito anos depois da obra destes dois autores e é escrita por um conhecido nome do argumento de TV, Allan Heinberg, e desenhada por um dos reis da “good-girl art” ou “pin-up art”, Terry Dodson. Conta o regresso da heroína, depois de um ano de ausência, reintegrando o mito num mundo desesperadamente à sua procura. Não se trata de um dos melhores exemplos de histórias protagonizando a heroína (já perceberam para que lado eu pendo) mas é uma excelente apresentação da sua mitologia. Pode ser que, depois deste, se sintam inspirados a procurar no site da Amazon a Wonder Woman de Pérez e de Jimenez.
Nota final –Não partilho da opinião que tem de se saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.