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Uma BD aqui, outra BD ali, 16

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Amazing Spider-Man número 799 de Dan Slott e Stuart Immonen (Marvel)

O caminho inexorável para mais um histórico número do Homem-Aranha continua. Dan Slott, que escreve a personagem há 10 anos, está na recta final deste seu canto do cisne, Go Down Swinging. Neste (e a partir de aqui há spoilers), Peter Parker enfrenta o seu maior adversário, Norman Osborn, o Duende Verde. Esta é uma inimizade antiga, que já deu fruto a enormes tragédias, a maior das quais a morte de uma das namoradas do herói. O conflito tem sido explorado até às últimas consequências, ou assim o pensávamos.  Slott concebeu uma nova perspectiva ao aumentar o já significativo nível de ameaça que Osborn representa. O escritor fundiu-o a um outro vilão, o alienígena Carnage, um parasita de forma viscosa e tendências (ultra) psicopatas. Assim nasceu Red Goblin, cem vezes mais louco que o Duende Verde e 1000 vezes mais mortífero. Uma máquina de matar sem remorsos e perto do imbatível.

O nível de perigo foi apropriadamente aumentado para níveis ridículos. O vilão é invencível e maníaco, sabe a identidade secreta do nosso herói e a combinação destes dois factos só pode significar uma gigantesca dor de cabeça para o Homem-Aranha, que terá de fazer das tripas coração para salvar os seus e a própria pele. 

Como já o disse nesta rubrica, Slott está a recuperar de um certo e determinado arrufo que havia provocado com alguns fãs. O Homem-Aranha de Go Down Swinging é O Homem-Aranha. Colocado numa situação desesperada, Peter Parker evoca todas os seus recursos, não só como super-herói mas também como cientista e indivíduo. Ao mesmo tempo, o vilão, mais poderoso fisicamente, é uma espada de Damocles prestes a cair no mundo pessoal do herói, evocando tragédias passadas e preparando os leitores para uma possível nova. Sinceramente, não se deveria pedir muito mais de uma história do Aranhiço.

Action Comics número 1000 de vários (DC Comics)

Oitenta. É este o número de anos que acumularam-se desde que o Super-Homem viu, pela primeira vez, a luz do dia em 1938. É ele o arquétipo-base de todo um estilo literário. É ele o molde do qual nasceram todos os outros. Até o Batman. 

Ontem, a revista que o viu nascer atingiu o histórico número 1000, a primeira de toda a BD americana a chegar a esse histórico marco. Um momento tão importante teria de ser aproveitado de forma exemplar e única. Foram vários os artistas convidados para criar pequenas homenagens ao maior de todos os super-heróis. Todos trouxeram o melhor das suas habilidades para produzir pequenos elogios ao Homem de Aço. Como não poderia deixar de ser, o produto final depende da inspiração e do talento.

Tom King destaca-se. O escritor de títulos lendários como Batman, Mr. Miracle ou Vision consegue, uma vez mais, retirar da cartola um sentido e emocional elogio, desta vez ao Super-Homem. Coloca-o no futuro longínquo, nos últimos dias da Terra, para que deseje um último adeus a quem deu-lhe tudo o que ele é. King percebe, nestas simples cinco páginas tudo o que faz esta personagem: um homem, apenas um homem, com os poderes de um deus. 

Outros conseguem obras também relevantes, como a já costumeira parelha Tomasi/Gleason, que transportam o nosso herói para múltiplas evoluções de si mesmo. Ou Scott Snyder e Rafael Albuquerque, que escolhem focar-se na inimizade com Lex Luthor, o seu maior adversário. Também Paul Dini e o maravilhoso José Luis Garcia-Lopez fazem uma homenagem através de um outro dos vilões históricos do Super, ao ponto de parecer estarmos a ler uma história escrita por Alan Moore. Meltzer e Cassaday são parcimoniosos, e abordam os incríveis poderes desta personagem maior que a vida. 

Muitos outros juntaram-se à festa, mas, antes de terminar, terei de destacar a inauguração da sequência de histórias de Brian Michael Bendis, que aqui é acompanhado por Jim Lee no desenho. Bendis é quem escreverá o Homem de Aço no futuro próximo e a DC tem feito bastante questão de o publicitar aos quatro ventos. É ainda cedo para qualquer julgamento, nem que seja porque muito pouco é esclarecido. A descompressão e diálogos típicos do escritor estão lá e, claro, uma revelação bombástica (que de bombástico tem muito pouco porque já tinha sido revelada na net). Os fãs do Super-Homem querem que continue a ser o que ele foi neste últimos 80 anos. Seja bem-vindo Sr. Bendis e que nos dê o que de melhor o Homem de Aço é capaz. 

Uma BD aqui, outra BD ali, 15

Há quem diga que os floppies americanos estão a morrer (panfletos, como lhes chama um amigo; comics, como todos os conhecem). Eu cá espero que não porque adoro agarrá-los e devorá-los! É prazer que rezo para nunca acabar. Assim sendo, de vez em quando, vou escrever umas breves palavras sobre alguns que gostei de ler. Só isso. Gostado! Não são melhores nem piores que outras coisas.

Immortal Men número 1 de James Tynion IV, Jim Lee e Ryan Benjamin (DC Comics)

Depois da mini-série Dark Nights: Metal, a DC Comics decidiu apostar num conceito inovador. As duas grandes editoras dos EUA têm sofrido, de algumas décadas a esta parte, de um grave problema: raramente apostam em novas criações. Devido à política de direitos exercidos sobre conceitos que habitam os universos partilhados de super-heróis, muitos autores não têm vantagem em fornecer boas ideias, quando não são eles a lucrar com elas. Depois de exemplos como Siegel e Shuster, os criadores do Super-Homem, ou de Jack Kirby, uma das mentes que originou a BD nos EUA, é normal que os seus herdeiros artísticos refugiem o melhor da imaginação no domínio do privado. 

Esperemos que algo se tenha modificado neste contexto para que tantas novas personagens aparecessem na DC - ainda que exista algo de estranhamente familiar nelas. Já falei aqui do The Terrifics, ou aqui de Damage. Ambos são homenagens mal disfarçadas ao Quarteto Fantástico e Hulk, respectivamente, e estes Immortal Men, ainda que tangencialmente, fazem lembrar os X-Men (estes também já eram inspirados na Doom Patrol da DC, portanto "ladrão que rouba a ladrão"...). Ainda assim, o conceito por detrás deste grupo aborda ideias já antigas intrínsecas à DC, como o Immortal Man, o Vandal Savage, etc., mas com uma maior abrangência tentacular na História Secreta do Universo. Tynion cria novas ideias e novas personagens e alicerça-as numa luta que dura há milénios no interstício escondido do mundo. O resultado é divertido q.b., ainda que denso, dificultando um pouco o entretenimento. Teremos de esperar pelos números que se seguem mas, do que aqui é mostrado, e tendo em consideração o trabalho do escritor na revista Detective Comics, estou disposto a dar o benefício da dúvida.

Um dos selling points desta nova leva de revistas pós-Dark Nights:Metal era a aposta nos desenhistas. Seriam o centro das atenções. A eles seria seria dada carta de alforria para descarrilar a imaginação. Neste Immortal Men a tarefa cabe ao lendário Jim Lee. Acontece que ele desenha apenas parte do título, partilhando muitas páginas com Ryan Benjamin, que não tem o mesmo talento. Depois de tanto alarido, parece que as promessas da DC caíram em saco roto, o que, infelizmente, não fornece muita confiança no produto e no seu futuro. Provavelmente, será melhor confiar no escritor, já que estes artistas não são, de todo, Jack Kirby.

Captain America número 700 de Mark Waid e Chris Samnee (Marvel)

Infelizmente, está a chegar ao fim a terceira leva de histórias do escritor Mark Waid para o Capitão.  As duas primeiras têm já quase 20 anos e eram, na opinião deste fã, do melhor que foi produzido para o Sentinela da Liberdade. Waid tem inclinação para escrever super-heróis à moda antiga, não só porque é um uber-geek com talento, mas também porque possui um optimismo vincado e militante (leiam o seu Kingdom Come, por exemplo). Os seus homens de collants são bastiões de bondade e de verdade, constantemente na luta pelo que é Bom e Belo - percebem porque escrevi super-heróis à antiga?

Esta terceira tentativa não é diferente. 

Waid recorre a um dos mais antigos e usados clichés da BD: o distópico futuro alternativo (inaugurado no essencial X-Men: Days of Future Past dos lendários Claremont e Byrne). Sobre este faz uma pequena modificação, usada para analisar a personalidade daquela que é repetida e injustamente considerada como a personagem mais canastrona da Marvel (muito à semelhança do que acham ser o Super-Homem). A história segue à velocidade de um Tintin de Hergé, com rapidez de acção e determinação no enredo, não desviando-se do propósito que é seu desde o início: descrever quem é o Capitão América.

Auxiliado pela linha clássica e clara de Samnee, temos em mãos uma saga que poderá vir a figurar no melhor que já foi feito sobre a personagem e que ficará bem na prateleira numa edição Deluxe. Aliás, declaro minha esta previsão e este pedido: façam um filme desta história, quem sabe até um último hino de Chris Evans, se convencido a ficar ou se sobreviver à Infinity War - que estreia nos cinemas no próximo dia 25 de Abri.

BD é tempo e noite.

"Before the beginning was the night. And the night was without boundaries and the night was without end. 


In the beginning was time. The relentless beat in which things could happen, in which everything could become, dust could coalesce, matter could exist."

Capítulo quatro de Sandman Overture, escrito por Neil Gaiman.

Desenhos de Jim Lee.

Fênix, aka Marvel Girl, aka Jean Grey dos X-Men


Dr. Destino, aka Victor Von Doom 


Batman, Hera Venenosa e Mulher-Gato


Quarteto Fantástico


Mulher-Maravilha, Super-Homem e Batman


Batman


Multiverso DC - o calvário da ressurreição – primeira parte

A BD norte-americana de super-heróis é, desde quase sempre, palco de uma tendência: a do eterno ciclo da morte e ressurreição. Raras são as mortes que perduram. Raros são os conceitos que não voltam a ser revisitados, mesmo que abandonados durante décadas. Faz parte da mitologia, desde que editores e criadores chegaram à conclusão que ou as ideias novas faltavam ou que o desaparecimento de um personagem ou conceito foram produto de fraca inspiração. O recente regresso (de forma assumida) do multiverso da DC é a mais nova iteração deste fenómeno. E ainda bem, porque há muito que deveria ter acontecido. De cada vez que existia uma ameaça do retorno a internet (esse pulso dos desejos dos fãs) brilhava com as muitas trocas de bits e bites de conjeturas e anseios. Os teclados ardiam com a velocidade da escrita. Com Convergence, Multiversity e a Justice League de Geoff Johns o que era suspeita é agora parte do cânone.

Mas qual o caminho percorrido? Como é que se chegou aqui? A pedido de uma família (sim, Nuno, tu), aqui fica uma lista do que acho ser interessante ler para perceber como se regressou a este velho/novo multiverso. Sempre que puder remeto para o Trade Paperback. Não irei falar de Infinite Crisis, Final Crisis, 52, etc., mas apenas do novo universo que existe desde 2011, conhecido por Novo 52. Isto porque parece claro que o plano para esta ressurreição existe desde os primeiros momentos da nova iteração do mundo ficcionado da DC. Esta lista não pretende ser, de forma alguma, exaustiva ou definitiva. Estou aberto a colocar o que concordarmos que falte. Nem que seja porque não li tudo deste Novo 52.

A seguir apresento a primeira parte desta artigo.

(Escusado será dizer que, a partir daqui, existem muitos spoilers.)

Justice League volume 1: Origin TPB (The New 52) – Sim, começa no momento 0. Desde a primeira palavra que a intenção parece óbvia. Neste volume, por Geoff Johns e Jim Lee, dois dos diretores criativos da DC, temos a primeira batalha daquele que é o maior e mais importante ajuntamento de super-seres no universo da editora: a Justice League, Liga da Justiça para nós portugueses. Confrontam, pela primeira vez, Darkseid, o deus negro criado por Jack Kirby e, com ele, são imediatamente introduzidos os Novos Deuses que, nesta nova realidade, parecem ter um papel bastante mais importante que em anteriores. Para além disso, Darkseid visita a Terra na procura da sua filha, personagem da qual só anos mais tarde descobriremos a verdadeira identidade e importância.

Justice League: Trinity War TPB (The New 52) – Geoff Johns é perito em fazer-nos pensar numa coisa mas, na realidade, estar a contar outra. Assim foi com Trinity War. A brincadeira que faz com o conceito de trindade levava-nos a pensar, a início, nos eternos Super-Homem/Batman/Mulher-Maravilha, nas três versões da Liga da Justiça envolvidas e no grupo de três seres cósmicos que parecem estar no centro de vários mistérios – Pandora; Phantom Strange; Question. Contudo, o verdadeiro significado da palavra três está nas últimas páginas (spoiler, spoiler, spoiler): o glorioso regresso das versões maléficas da Liga da Justiça da Terra-3, o Sindicato do Crime. Pela primeira vez, neste Novo 52, é assumida existência de uma outra Terra. A primeira de muitas. Salta para…



Forever Evil e Justice League volume 5: Forever Heroes TPB (The New 52) – Este evento de 2014 introduziu um mundo onde os inimigos da Terra-3 vencem a Liga da Justiça e resta aos vilões do mundo de Novo 52 encontrarem uma forma de os derrotar. Resta a Lex Luthor, provavelmente o maior de todos, a capacidade de procurar a fraqueza que derrubará o Sindicato do Crime. São dois volumes que contam diferentes lados da mesma história. Ficamos a saber que o Sindicato fugiu da sua Terra, destruída por um ser de enorme poder. Nas últimas páginas descobrimos de quem se trata (spoiler, spoiler, spoiler): o Anti-Monitor, um dos mais tenebrosos vilões do universo DC, a causa do mais catastrófico evento da sua História, a Crise nas Terras Infinitas. Mas ele não está sozinho…

      

Multiversity, The Mastermen de Grant Morrison e Jim Lee

Podem ler neste link posts sobre os números anteriores de Multiversity.

Acho que posso afirmar, sem medo de dizer algum disparate ou parecer demasiado entusiasmado, que Multiversity vai entrar no panteão das grandes BD's. Número após número, Morrison e companhia continuam a entregar história e arte um patamar acima do habitual. A escrita de Morrison não é a sua costumeira e imperscrutável verborreia surrealista (not that there is nothing wrong with that - sim, ando a ver o Seinfeld). Contudo, também não é uma abordagem normal e redundante. É Morrison a escrever super-heróis, num estilo um pouco diferente do da saudosa JLA, mas simplesmente fabuloso. 

Estamos quase a acabar a série (faltam dois números) e a única coisa que apetece dizer é "porque é que isto não tem mais uns quantos?"; "Porque é que Morrison não explora mais mundos, mais variações do universo DC?". Poderia ser repetitivo e chato continuar a ler sobre variações dos super-heróis mais famosos do mundo mas, na realidade, é um absoluto prazer, principalmente se feito desta forma. Este número re-imagina o Super-Homem e a Liga da Justiça num universo onde os nazis venceram a 2.ª Grande Guerra, exactamente porque Kal-El foi adoptado por Hitler e não o casal Kent. Sim... leram bem... Hitler. Esta "pequena mudança" foi o suficiente para mudar o rumo da História desta Terra e, no século XXI, o mundo vive uma época de paz de prosperidade. Ou, pelo menos, uma parte do mundo. Porque nesta Terra, os EUA foram devastados e o inglês morreu como língua. Ainda assim, um grupo de super-heróis resistentes juntaram-se nas terras do Tio Sam para fazer frente à hegemonia. Isto ao mesmo tempo que o Homem de Aço vive sob o peso do passado e atrocidades nazis. 

Morrison junta dois conhecidos conceitos dos leitores de comics e consegue um todo envolvente. Agarra numa história do início deste século, onde o Super-Homem aterrava na URSS (já publicada pela Levoir), e junta-a a uma Terra conhecida dos fãs desde a década de 70, a tal onde os nazis venceram a 2.ª Guerra (originalmente sem um Homem de Aço). Desta forma, não só reinventa um conceito familiar como continua a análise que muitos escritores amam fazer, a do maior e mais conhecido dos super-heróis. De facto, face a tantas e tantas provas de que o Super-Homem é um personagem riquíssimo, é impossível alguém continuar a afirmar ser chato, desinteressante e desactualizado. Na minha opinião, ficará para a história  como um dos maiores contributos da BD estado-unidense às artes. Este Multiversity: Mastermen apenas é mais uma prova disso.

Por seu lado, Jim Lee é sempre um valor seguro, se bem que eu escolheria outra pessoa para este livro. Contudo, trata-se de um apontamento mais pessoal que relevante. Um apontamento que não diminui em nada o valor do livro.

O que vou lendo! - Superman Unchained de Scott Snyder e Jim Lee

O Super-Homem é considerado por muitos como um personagem datado e enfadonho, parte de uma visão antiquada do herói: nobre; altruísta; semi-divino. Neste início do século XXI, aparentemente, estas características tornam qualquer pessoa ou personagem desinteressante. Eu não poderia estar mais afastado da visão. Sou dos que considera o personagem um dos mais interessantes de toda a quantidade de super-heróis disponíveis. Não só porque é o original, a base arquetípica sobre a qual todo um género foi erigido, mas também porque a sua mitologia é uma das mais interessantes, inovadoras e únicas na literatura ocidental (leiam este post).

O mais reconhecível dos super-heróis existe há mais de 75 anos. Foram inúmeros os escritores e desenhadores a colocar parte da sua inspiração e talento na construção do mito. Consequentemente, é muito difícil inovar, dizer algo de novo. Scott Snyder (escritor) e Jim Lee (desenhador) conseguem com Superman Unchained o feito de contar algo raramente dito e numa história para a qual não necessitamos de um doutoramento em BD para a assimilar. Conseguem uma história profunda, relevante e divertida  sobre o Super-Homem, uma pérola que ficará nos anais do personagem e na biblioteca essencial de muitos fãs e não só. Este feito é conseguido de forma muito simples. O enredo foca-se de forma sintética no personagem principal e em poucos personagens coadjuvantes: Lois Lane; Sam Lane, pai de Lois; Batman; Mulher-Maravilha; Lex Luthor; Jimmy Olsen. Com estes, Scott Snyder tem o seu trabalho simplificado. Estão de tal forma presentes no imaginário associado ao Homem de Aço que a interacção com o mesmo flui e não requer explicações. Isso deixa espaço para que o escritor explore pormenores que o interessam mais. E são estes que transformam Superman Unchained  em algo diferente.

Scott Snyder escolhe focar dois aspectos importantes da filosofia por detrás do personagem: ser alienígena; possuir poderes quase divinos e escolher não interferir nos destinos da humanidade. Ambos estes pontos de vista já foram várias vezes abordados por diferentes autores mas Snyder consegue descobrir algo que, pelo menos nas palavras escolhidas, estava "esquecido". Ao mesmo tempo, consegue abordar questões antigas relativas ao papel do super-herói nestes universos fictícios - colocando um interessante contra-ponto em relação às palavras de Alan Moore na imortal obra Watchmen. O Super-Homem é um dos mais interessantes personagens da mitologia Americana, e é sempre relevante quando ao mesmo tempo ao autores focam o seu lado de entretenimento (as batalhas, os cenários e situações maiores que a vida) e a filosofia e meta-texto que fazem parte de si. Sem pedantismos e lições.

As obsessões de Snyder estão uma vez mais presentes neste Superman Unchained. Também as encontramos na exploração que faz de Batman, de Swamp Thing e mesmo de American Vampire. Nas histórias do escritor, o passado muitas vezes funciona como motor do enredo. Esconde sempre algo, um segredo, um mistério, algo não revelado no palco da História. Muitas vezes são sociedades secretas que sempre estiveram por detrás dos eventos mais relevantes. Outras vezes são personagens que, secretamente, desempenharam importantes papéis. Existe um Passado que assombra os personagens.

Jim Lee volta a a desenhar o Super-Homem  - já o tinha feito em Para Amanhã junto com Brian Azzarello (publicado pela Levoir em Portugal). Mas, desta vez, Snyder oferece-lhe um palco mas espectacular e menos circunspecto, abrindo-lhe toda uma panóplia de momentos de acção onde o artista se pode exceder.

Um obra importante para os que querem conhecer melhor esse maravilhoso personagem que é o Super-Homem.

Colecção DC Levoir/Público – 4.º Volume: Super-Homem


(Prometo tentar informar aos menos conhecedores de BD acerca da acessibilidade desta 
colecção, ou seja se é fácil ou não ler sem saber muito mais coisas)

Grau de acessibilidade: Fácil

Sai amanhã, Quinta-feira, dia 1 de Agosto, junto com Público e custa 8,9€

Pelo Amanhã é escrita por Brian Azzarello e desenhada por Jim Lee, dois gigantes da BD norte-americana. O primeiro por ser coautor de uma das melhores BD’s dos últimos 15 anos, 100 Bullets, publicada pela Vertigo, e o segundo por representar uma geração de ouro vinda do início da década de 90, uma geração de artistas que contribuíram para a criação de uma das atuais melhores editoras de BD, a Image, mas que também deram o pontapé de saída para um dos piores períodos criativos dos comics (mas isso é história para outra altura).

A acessibilidade desta história é total, não sendo efetivamente necessário conhecer mais do personagem do que é lugar-comum: super-herói; vindo do planeta Krypton; dotado de um moralidade e éticas irreprováveis; casado com Lois Lane.

A linguagem de Azzarello, à altura, foi considerada uma escolha arriscada para este personagem. Este escritor era melhor conhecido por contos noir, policiais negros e terra-a-terra, estando melhor talhando para os contos urbanos de Batman do que para o personagem maior que a vida que é o Super-Homem. Mas, o que a início era visto como um detrimento acabou por ser uma enorme força. Azzarello trouxe uma linguagem maior, acertada para um super-herói também ele maior, elevando-o à sua humanidade e à sua condição de quase-Messias. E esta última faceta é particularmente bem focada em Pelo Amanhã, na medida em que o escritor convida-se a um particular ponto de vista (perdoem-me o pleonasmo) pela escolha de um Padre como um dos coadjuvantes do conto. Com esta visão, Azzarello traz-nos um Super-Homem diferente, ao mesmo tempo frágil (humano) e forte (divino), conseguindo conciliar estas duas versões aparentemente dispares do personagem e que, muitas vezes, têm contribuído para variados preconceitos a si dirigidos.

Este conto terá de ser dividido, na versão portuguesa, em dois volumes, sendo que o primeiro saiu na semana anterior.

Nota final – Eu não partilho da opinião que se tem de saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.

Colecção DC Levoir/Público – 3.º Volume: Super-Homem


Grau de acessibilidade: Fácil

Sai amanhã, Quinta-feira, dia 25 de Julho, junto com Público e custa 8,9€

Pelo Amanhã é escrita por Brian Azzarello e desenhada por Jim Lee, dois gigantes da BD norte-americana. O primeiro por ser coautor de uma das melhores BD’s dos últimos 15 anos, 100 Bullets, publicada pela Vertigo, e o segundo por representar uma geração de ouro vinda do início da década de 90, uma geração de artistas que contribuíram para a criação de uma das atuais melhores editoras de BD, a Image, mas que também deram o pontapé de saída para um dos piores períodos criativos dos comics (mas isso é história para outra altura).

A acessibilidade desta história é total, não sendo efetivamente necessário conhecer mais do personagem do que é lugar-comum: super-herói; vindo do planeta Krypton; dotado de um moralidade e éticas irreprováveis; casado com Lois Lane.

A linguagem de Azzarello, à altura, foi considerada uma escolha arriscada para este personagem. Este escritor era melhor conhecido por contos noir, policiais negros e terra-a-terra, estando melhor talhando para os contos urbanos de Batman do que para o personagem maior que a vida que é o Super-Homem. Mas, o que a início era visto como um detrimento acabou por ser uma enorme força. Azzarello trouxe uma linguagem maior, acertada para um super-herói também ele maior, elevando-o à sua humanidade e à sua condição de quase-Messias. E esta última faceta é particularmente bem focada em Pelo Amanhã, na medida em que o escritor convida-se a um particular ponto de vista (perdoem-me o pleonasmo) pela escolha de um Padre como um dos coadjuvantes do conto. Com esta visão, Azzarello traz-nos um Super-Homem diferente, ao mesmo tempo frágil (humano) e forte (divino), conseguindo conciliar estas duas versões aparentemente dispares do personagem e que, muitas vezes, têm contribuído para variados preconceitos a si dirigidos.

Este conto terá de ser dividido, na versão portuguesa, em dois volumes, sendo que o segundo saíra na semana seguinte.

Nota final – Eu não partilho da opinião que se tem de saber tudo para acompanhar bem uma história. Parte da “magia” da BD americana reside na descoberta posterior, na paciente reconstrução do puzzle. Mas para aqueles que não têm tempo e paciência aqui fica este meu pequeno esforço.