Assumo-o. Sou dos que adoraram o Man of Steel e o Batman v Superman do Zack Snyder. Não acreditam? Leiam aqui, aqui e aqui. O BvS foi, se dúvidas restam quanto ao meu gosto, o meu filme favorito de 2016. Porquê este post então? Tudo tem a ver com o filme Justice League do mesmo realizador e do mítico Snyder Cut, do qual se debate a sua existência ou não, e, se existente, o nível de completo em que se encontra.
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Batman v Superman, Dawn of Justice Ultimate Cut de Zack Snyder

Quem lê regularmente este blog sabe do amor que dedico aos personagens da editora dos EUA, a DC Comics. É dela que vêm o Super-Homem, o Batman e a minha personagem favorita de BD: a Mulher-Maravilha. Quando o filme Batman v Superman (BvS) saiu nos cinemas no passado mês de Março fui dos que o defendeu com unhas e dentes e sangue e suor. Até à inconsciência da razão. Na mais profunda honestidade, não conseguia perceber os seus detractores. Assumo sempre que, no que respeita a estas coisas da Arte, tudo resume-se a gostos e, como tal, cada qual tem o seu. Assim é a democracia. Assim é a subjectividade. Vi o filme várias vezes no Cinema (algo que nunca tinha feito e, portanto, assumo algum militantismo pueril) e mal soube da meia hora adicional desta versão Ultimate Cut não pude conter o entusiasmo e a expectativa de a ver. O filme teria agora três horas e mais três horas tivesse e eu as veria com prazer inabalável.
O que escrevo a seguir sei que parecerá paradoxal mas, acreditem, não é. Ou é, porque o amor é assim. Eu considero o BvS uma obra-prima. Este Ultimate Cut consegue melhorar o que (para mim...cego) dificilmente poderia ser melhorado. Li as criticas ferozes em relação à estrutura narrativa da versão das salas. Que era negra demais. Que era confusa. Rápida. Que o confronto entre estes dois ícones maiores da BD não fazia sentido. Com certeza que, para muitos destes, dificilmente esta versão fará algo para mudar a sua opinião. Continua a ser negro, mas este não é um filme para crianças e esta versão assume-o (ainda mais) frontalmente. Não existe incremento de violência que justifique a classificação maiores de 16 ou 18 mas a complexidade do argumento e dos conceitos arquetípicos é ainda mais evidente. A morosidade do enredo é um teste à paciência de quem está habituado a outros vôos (duas horas quase sem nenhuma acção de super-heróis? a Disney passava-se).
O enredo que dizia respeito ao plano de Lex Luthor era confuso, ou melhor, rápido demais. Esta versão não só corrige isso como acrescenta camadas que o transformam em algo genial e labiríntico. Muito do que era deixado à percepção do espectador não o é e o filme ganha com isso. Outra das importantes vitorias desta versão de realizador (Snyder ganha a batalha com os produtores que o forçaram aos cortes e legitima a sua versão) é também o papel do Super-Homem/Clark Kent e das suas motivações para confrontar animosamente o Batman. Boa parte das cenas cortadas dizem respeito a este personagem e à investigação jornalística do Cavaleiro das Trevas. O filme, com elas, ganha corpo e equilibra o pendor narrativo que se inclinava para o mais famoso e lucrativo Batman.
Existe uma cena, essa necessária do ponto de vista deste universo partilhado, que trata da introdução do vilão do próximo Justice League: Steppenwolf, general dos exércitos de Darkseid. Dirão: "para quê? Parece que estão a fazer trailers para os próximos filmes". Não sei se o disseram também acerca de quem introduziu este conceito de universo partilhado no cinema, a Marvel, mas, acima de tudo, tenho a dizer: quem lê BD de super-heróis está mais que habituado a este tipo de narrativa. Não é perfeita e pode ser irritante (como eu já aqui o advoguei várias vezes) mas também pode vir de um lado de qualidade, de pathos, de querer construir uma saga mais ampla, como é claramente o caso. São novos mundos no Cinema. Aprendam com eles e, de futuro, pode ser que alguém se sinta inspirado a criar filmes mais ao gosto de outros.
Um filme que melhora a perfeição. Que mais posso pedir? Venham todos os trailers que se seguem.
O que vou ouvindo!
A música é legião. Todas as semanas, todos os dias e, quem sabe, todas as horas, são lançados inúmeros LP's, EP's, Singles. Não sou melómano mas apenas um ouvinte. Selecciono o que oiço pelo estilo, pelos nomes de artistas que já conheço, pelo que oiço na rádio, pelos algoritmos do Spotify e, mais importante, pelos gostos e sugestões dos amigos. Sei que apenas oiço uma pequena parte do que existe.
Neste Blog, sempre que compilo uma lista de álbuns, debito-a para aqui com uma ligação para o Spotify ou qualquer outro site (legal) onde podem ouvir o que ouvi. Em baixo podem encontrar a lista. Destaco a bold os álbuns que mais gostei.
Amor é amor! - Batman vs Superman: Dawn of Justice de Zack Snyder
(sem spoilers)
Amor. Não se explica, aceita-se. Talvez não pelos outros mas sim por quem está apaixonado. É diferente da paixão. Esta é fugaz, transitória. Amor é duradouro. O meu dura há quase 40 anos. O pelos super-heróis em particular e o pela BD em geral.
Amor. Não se explica, aceita-se. Talvez não pelos outros mas sim por quem está apaixonado. É diferente da paixão. Esta é fugaz, transitória. Amor é duradouro. O meu dura há quase 40 anos. O pelos super-heróis em particular e o pela BD em geral.
A combinação de um amor de infância, de uma predilecção pelos personagens da DC Comics, de um favoritismo pela Mulher-Maravilha formaram em mim uma tempestade ideal, uma expectativa ao rubro. Era impossível não estar assim. Não há pendantismo, maturidade ou refreio que sobrevivam.
Acabei de ver o aguardado Batman vs Superman: Dawn of Justice, sequela de um favorito pessoal, Man of Steel de 2013 (não me sacrifiquem mas de facto adoro este filme). A DC Comics/Warner Bros querem inaugurar o seu universo cinematográfico, equivalente ao da Marvel, com este BvS. É também a primeira vez que os três maiores arquétipos da mitologia dos super-heróis, o Super-Homem, o Batman e a Mulher-Maravilha, encontram-se no grande ecrã. A expectativa de quem fez e de quem vê era enorme. Para mim era gigantesca. E então? O veredicto? Vale a pena?
Em uma palavra: adorei.
E agora o resto. Este não é um filme perfeito, longe disso. O segundo acto parece demasiadamente ocupado, com pormenores que aparentam encavalitar-se uns sobre os outros. Existem várias histórias a serem contadas mas que, num terceiro acto, acabam por congregar-se num todo coerente. Existe um momento em particular em que, de repente, passa a fazer sentido. O caminho até ele foi tudo menos fácil e muitas foram as vezes em que receei por este filme que tanto esperava.
Os personagens. É sempre sobre eles que se aguenta o edifício da história. É particularmente surpreendente o Lex Luthor de Jessie Eisenberg, uma das vitórias do filme. Os trailers não deixavam adivinhar a complexidade psicopata e quebrada da personalidade do maior inimigo do Super-Homem.
Os personagens titulares são menos desenvolvidos mas a realidade é que não só já tivemos vários filmes do Batman como o Filho de Krypton foi interessantemente desenvolvido no Man of Steel. Neste BvS temos o prazer de assistir ao confronto ideológico entre os dois baseado numa das reacções mais humanas que pode haver: a do medo. É sobre o medo do desconhecido, o que faz homens bons fazerem actos hediondos, que erguem-se as diferenças entre estes dois maiores arquétipos da mitologia americana. É esse sentimento que impele o Batman a fazer algo que não é esperado (e para muitos, especialmente os que não conhecem tanto a BD, faz confusão eles sequer terem diferenças). No final, há algo que os une e esse é um dos grandes momentos da história do filme (já agora: Affleck vai maravilhoso).
As mulheres de BvS são um outro triunfo. Lois Lane tem muito mais a dizer do que apenas o papel de dama em apuros. Sobre ela e sobre o amor que tem pelo Super-Homem assenta boa parte do que representa o Homem de Aço para este mundo ficcional e para mim, como amante do personagem.
A Mulher-Maravilha. A ansiedade de 30 anos com que esperava por este filme muito se deve a ela - estamos a falar de um dos meus personagens favoritos de BD. Todos os momentos em que aparece são vitórias da qualidade do personagem e das escolhas que fizeram. Não é tanto a imagem inocente que aprendi a gostar com George Pérez mas uma milenar guerreira marcada por um século de confrontos num mundo humano que desconhece. O seu sorriso no meio da batalha climática é também um dos pontos altos deste filme, algo que lançou arrepios pelo corpo deste fã confesso - esse e a reunião, num único enquadramento, da Santíssima Trindade da BD (na palavra de um amigo meu: Mítico).
Este não é um filme fácil. É negro. É violento. É tudo o que a Disney/Marvel não nos têm habituado. O irónico é que esse lado mais obscuro dos super-heróis seja contado pela editora que os criou originalmente. A Warner e a DC arriscam muito porque estão a ir contra-corrente (se bem que Deadpool também o fez) e isso poderá não ser para todos os gostos. Temo que os resultados não sejam os melhores (mais ainda tendo em conta as críticas negativas que têm surgido). Por outro lado, como fã da DC Comics, toda a mitologia deste universo é-me familiar e, claro, não o é para a larga maioria das pessoas. Existem inúmeros pormenores que irão passar ao lado de muitas pessoas mas isso não faz deste um melhor ou pior filme (ainda que tenha adorado, entre outras, a sequência do futuro).
E agora o resto. Este não é um filme perfeito, longe disso. O segundo acto parece demasiadamente ocupado, com pormenores que aparentam encavalitar-se uns sobre os outros. Existem várias histórias a serem contadas mas que, num terceiro acto, acabam por congregar-se num todo coerente. Existe um momento em particular em que, de repente, passa a fazer sentido. O caminho até ele foi tudo menos fácil e muitas foram as vezes em que receei por este filme que tanto esperava.
Os personagens. É sempre sobre eles que se aguenta o edifício da história. É particularmente surpreendente o Lex Luthor de Jessie Eisenberg, uma das vitórias do filme. Os trailers não deixavam adivinhar a complexidade psicopata e quebrada da personalidade do maior inimigo do Super-Homem.
Os personagens titulares são menos desenvolvidos mas a realidade é que não só já tivemos vários filmes do Batman como o Filho de Krypton foi interessantemente desenvolvido no Man of Steel. Neste BvS temos o prazer de assistir ao confronto ideológico entre os dois baseado numa das reacções mais humanas que pode haver: a do medo. É sobre o medo do desconhecido, o que faz homens bons fazerem actos hediondos, que erguem-se as diferenças entre estes dois maiores arquétipos da mitologia americana. É esse sentimento que impele o Batman a fazer algo que não é esperado (e para muitos, especialmente os que não conhecem tanto a BD, faz confusão eles sequer terem diferenças). No final, há algo que os une e esse é um dos grandes momentos da história do filme (já agora: Affleck vai maravilhoso).
As mulheres de BvS são um outro triunfo. Lois Lane tem muito mais a dizer do que apenas o papel de dama em apuros. Sobre ela e sobre o amor que tem pelo Super-Homem assenta boa parte do que representa o Homem de Aço para este mundo ficcional e para mim, como amante do personagem.
A Mulher-Maravilha. A ansiedade de 30 anos com que esperava por este filme muito se deve a ela - estamos a falar de um dos meus personagens favoritos de BD. Todos os momentos em que aparece são vitórias da qualidade do personagem e das escolhas que fizeram. Não é tanto a imagem inocente que aprendi a gostar com George Pérez mas uma milenar guerreira marcada por um século de confrontos num mundo humano que desconhece. O seu sorriso no meio da batalha climática é também um dos pontos altos deste filme, algo que lançou arrepios pelo corpo deste fã confesso - esse e a reunião, num único enquadramento, da Santíssima Trindade da BD (na palavra de um amigo meu: Mítico).
Este não é um filme fácil. É negro. É violento. É tudo o que a Disney/Marvel não nos têm habituado. O irónico é que esse lado mais obscuro dos super-heróis seja contado pela editora que os criou originalmente. A Warner e a DC arriscam muito porque estão a ir contra-corrente (se bem que Deadpool também o fez) e isso poderá não ser para todos os gostos. Temo que os resultados não sejam os melhores (mais ainda tendo em conta as críticas negativas que têm surgido). Por outro lado, como fã da DC Comics, toda a mitologia deste universo é-me familiar e, claro, não o é para a larga maioria das pessoas. Existem inúmeros pormenores que irão passar ao lado de muitas pessoas mas isso não faz deste um melhor ou pior filme (ainda que tenha adorado, entre outras, a sequência do futuro).
Em suma, não teço confabulações sobre a subjectiva qualidade ou sobre a relevância e a posição deste filme na História do Cinema. Gostar ou não gostar deste filme tem a ver com puro prazer, que pode ser de entretenimento, intelectual ou ambos. Não é obrigatório gostar, como não o é para nada em Arte. Falo por mim e apenas por mim quando digo que amei este Batman v Superman e não serei menor ao afirmar que por vezes chorei.
Os meus encontros favoritos entre o Super-Homem e o Batman (pelo menos os que me lembro)
Um dos momentos do ano está mesmo ao virar da esquina, antecipado por mim com entusiasmo de criança: o filme Batman vs Superman: Dawn of Justice. A DC Comics e a Warner Bros. preparam-se para lançar o seu universo cinematográfico de super-heróis. Já tinham começado com o Man of Steel de 2013 mas é com este BvS que assumem a sua intenção. Como leitor destes universos há quase quatro décadas, já reuni um amplo número de historias favoritas que gostava de partilhar convosco em jeito de preparação para este Titânico filme.
Neste último post escolho os meus encontros favoritos entre os dois personagens - ou, pelo menos, os encontros de que me recordo.
Dark Knight Returns de Frank Miller
Com Frank Miller a relação de amizade de cinco décadas entre o Super-Homem e Batman mudaria drasticamente. Ainda que se passasse fora da linha de história "normal", ainda que acontecesse num futuro possível, Miller conseguiu que a sua visão transformasse o modo como os leitores viam não só a relação entre ambos como também o modo como passaríamos a interpretá-los como personagens: lados opostos de uma mesma solução. Um deles luminoso e optimista (se bem que Miller vendeu o Super-Homem como um lacaio do governo Reagan). Outro pessimista, realista e violento. Esta seria a maneira como muitos leitores (eu, inclusive) passariam a ver a "amizade" entre o Homem de Aço e o Cavaleiro das Trevas. A tal ponto que mesmo Zack Snyder, o realizador de BvS, quando anunciou este filme ao mundo, leu uma passagem desta seminal obra (esta história foi publicada em Portugal pela Levoir).
Man of Steel número 3 de John Byrne
Universo DC pós-Crise nas Terras Infinitas, a saga que, em 1985/86, a editora utilizou para reiniciar o seu universo do zero. Neste capítulo da mini-série de John Byrne dá-se o primeiro encontro com o Batman. O primeiro encontro desta nova realidade. Fortemente influenciado pelo trabalho de Frank Miller, os personagens são pólos opostos, ambos na busca de justiça mas seguindo caminhos diametralmente opostos. O respeito mutuo é grande mas não mais serão os amigos que antes eram (publicado pela Levoir).
World's Finest (1993) de Dave Gibbons e Steve Rude
Nesta mini-série é explorada ao pormenor a relação pós-Crise nas Terras Infinitas entre as mitologias dos dois personagens. Utilizando o troço retro mas dinâmico de Steve Rude, Dave Gibbons mergulha nas diferenças filosóficas e estéticas dos dois mundos, escolhendo como cenários as duas cidades que encapsulam os respectivos personagens, Gotham e Metropolis, escolhendo como opositores os maiores inimigos de ambos, Joker e Lex Luthor, e envolvendo os mais relevantes do personagens coadjuvantes. Um obra divertida já publicada pela Levoir.
Emperor Joker por vários
Os que têm estado atentos a estes posts sabem que nutro um particular carinho por esta fase do Super-Homem, trabalhada pelos autores Jeph Loeb, Joe Kelly e Ed McGuiness (entre outros). Esta saga, que cruzou os vários títulos do Homem de Aço da altura, envolvia o Joker, que recebe (de alguém misterioso) poderes quase-omnipotentes. Imediatamente, o Palhaço do Crime refaz a realidade à luz da sua psicopatia e, fazendo jus à sua fixação com o Cavaleiro das Trevas, submete-o à mais hedionda tortura. O Super-Homem, naturalmente, vence, mas não antes de obrigar o verdadeiro vilão por detrás desta história (spoilers a partir daqui) a transferir para si todas as memórias da tortura infligida. Apesar de todas as diferenças entre eles, o respeito é incontornável (sem publicação em Portugal).
JLA: World War Three de Grant Morrison e Howard Porter
A JLA de Grant Morrison e Howard Porter é das minhas BD's favoritas. WW3 é a derradeira história da run, onde a impressionante equipa de super-heróis defronta uma arma fabricada por deuses mortos desde que o universo antigo deu a lugar a este. Morrison, desde o primeiro número desta sua saga, demonstrou um particular carinho para com os dois maiores ícones da BD dos EUA e também para com a relação entre ambos. Nos últimos momentos de WW3, quando tudo parecia perdido, cabe a Clark Kent e Bruce Wayne, unidos, a tarefa de defrontarem Maggedon, a Arma Final. Infelizmente, nada desta extraordinária saga alguma vez foi publicada em Portugal, com muita pena minha.
Batman Hush de Jeph Loeb e Jim Lee
Um confronto físico entre o Batman e o Super-Homem só pode acontecer a uma escala apropriada, ou seja, titânica. Para isso são necessários desenhistas e escritores apropriados. O traço de Jim Lee, com a sua exuberância e pormenor típico dos melhores que trabalham os super-heróis, consegue trazer a tal escala maior-que-a-vida a dois personagens que são isso e muito mais. Jeph Loeb, mestre da escrita pop, empresta relevância, ao mesmo tempo que deixa a arte falar por si. No meio de uma aventura de Batman surge um Super-Homem tomado pelos vapores hipnotizantes da sensual vilã Hera Venenosa. Puro entretenimento já publicado em Portugal pela Devir.
Superman/Batman: Public Enemies de Jeph Loeb e Ed McGuiness
Sim, eu gosto mesmo do trabalho de Loeb e McGuiness no Homem de Aço. Depois de deixarem a revista homónima do filho de Krypton, decidem-se por uma colaboração na primeira revista ongoing pós-Crise nas Terras Infinitas a reunir estes dois personagens. Aproveitam e transportam alguns enredos da sua colaboração na revista Superman, nomeadamente a do Presidente dos EUA, Lex Luthor. O maior inimigo do Super-Homem é o líder da maior nação do mundo livre (ou assim os estado-unidenses gostam de se apelidar). No seu ódio cego, transforma os dois heróis em inimigos públicos. O resultado é uma história divertida e descomprometida (sem publicação em Portugal).
Generations I de John Byrne
John Byrne tem uma fixação com as versões originais das mitologias dos super-heróis. São conhecidas as revisões retro que faz nas suas histórias. Um dos seus últimos trabalhos nas duas grande editoras dos EUA foi este Generations, com três colecções. Recomendo a leitura da primeira. O conceito é interessante ainda que não inovador. Byrne pressupõe que o Super-Homem e o Batman começaram a sua carreira nos primeiros anos da sua publicação e continua a história a partir daí. Ou seja, a actividade de ambos começa pouco antes da 2.ª Guerra Mundial (ainda que também assuma a juventude do Super-Homem como Superboy). A história acompanha o envelhecimento de ambos, os casamentos, os filhos, inimigos, etc, num enredo simplista mas divertido (também nunca viu a luz da publicação em Portugal).
Dark Knight Returns de Frank Miller
Com Frank Miller a relação de amizade de cinco décadas entre o Super-Homem e Batman mudaria drasticamente. Ainda que se passasse fora da linha de história "normal", ainda que acontecesse num futuro possível, Miller conseguiu que a sua visão transformasse o modo como os leitores viam não só a relação entre ambos como também o modo como passaríamos a interpretá-los como personagens: lados opostos de uma mesma solução. Um deles luminoso e optimista (se bem que Miller vendeu o Super-Homem como um lacaio do governo Reagan). Outro pessimista, realista e violento. Esta seria a maneira como muitos leitores (eu, inclusive) passariam a ver a "amizade" entre o Homem de Aço e o Cavaleiro das Trevas. A tal ponto que mesmo Zack Snyder, o realizador de BvS, quando anunciou este filme ao mundo, leu uma passagem desta seminal obra (esta história foi publicada em Portugal pela Levoir).
Man of Steel número 3 de John Byrne
Universo DC pós-Crise nas Terras Infinitas, a saga que, em 1985/86, a editora utilizou para reiniciar o seu universo do zero. Neste capítulo da mini-série de John Byrne dá-se o primeiro encontro com o Batman. O primeiro encontro desta nova realidade. Fortemente influenciado pelo trabalho de Frank Miller, os personagens são pólos opostos, ambos na busca de justiça mas seguindo caminhos diametralmente opostos. O respeito mutuo é grande mas não mais serão os amigos que antes eram (publicado pela Levoir).
World's Finest (1993) de Dave Gibbons e Steve Rude
Nesta mini-série é explorada ao pormenor a relação pós-Crise nas Terras Infinitas entre as mitologias dos dois personagens. Utilizando o troço retro mas dinâmico de Steve Rude, Dave Gibbons mergulha nas diferenças filosóficas e estéticas dos dois mundos, escolhendo como cenários as duas cidades que encapsulam os respectivos personagens, Gotham e Metropolis, escolhendo como opositores os maiores inimigos de ambos, Joker e Lex Luthor, e envolvendo os mais relevantes do personagens coadjuvantes. Um obra divertida já publicada pela Levoir.
Emperor Joker por vários
Os que têm estado atentos a estes posts sabem que nutro um particular carinho por esta fase do Super-Homem, trabalhada pelos autores Jeph Loeb, Joe Kelly e Ed McGuiness (entre outros). Esta saga, que cruzou os vários títulos do Homem de Aço da altura, envolvia o Joker, que recebe (de alguém misterioso) poderes quase-omnipotentes. Imediatamente, o Palhaço do Crime refaz a realidade à luz da sua psicopatia e, fazendo jus à sua fixação com o Cavaleiro das Trevas, submete-o à mais hedionda tortura. O Super-Homem, naturalmente, vence, mas não antes de obrigar o verdadeiro vilão por detrás desta história (spoilers a partir daqui) a transferir para si todas as memórias da tortura infligida. Apesar de todas as diferenças entre eles, o respeito é incontornável (sem publicação em Portugal).
JLA: World War Three de Grant Morrison e Howard Porter
A JLA de Grant Morrison e Howard Porter é das minhas BD's favoritas. WW3 é a derradeira história da run, onde a impressionante equipa de super-heróis defronta uma arma fabricada por deuses mortos desde que o universo antigo deu a lugar a este. Morrison, desde o primeiro número desta sua saga, demonstrou um particular carinho para com os dois maiores ícones da BD dos EUA e também para com a relação entre ambos. Nos últimos momentos de WW3, quando tudo parecia perdido, cabe a Clark Kent e Bruce Wayne, unidos, a tarefa de defrontarem Maggedon, a Arma Final. Infelizmente, nada desta extraordinária saga alguma vez foi publicada em Portugal, com muita pena minha.
Batman Hush de Jeph Loeb e Jim Lee
Um confronto físico entre o Batman e o Super-Homem só pode acontecer a uma escala apropriada, ou seja, titânica. Para isso são necessários desenhistas e escritores apropriados. O traço de Jim Lee, com a sua exuberância e pormenor típico dos melhores que trabalham os super-heróis, consegue trazer a tal escala maior-que-a-vida a dois personagens que são isso e muito mais. Jeph Loeb, mestre da escrita pop, empresta relevância, ao mesmo tempo que deixa a arte falar por si. No meio de uma aventura de Batman surge um Super-Homem tomado pelos vapores hipnotizantes da sensual vilã Hera Venenosa. Puro entretenimento já publicado em Portugal pela Devir.
Superman/Batman: Public Enemies de Jeph Loeb e Ed McGuiness
Sim, eu gosto mesmo do trabalho de Loeb e McGuiness no Homem de Aço. Depois de deixarem a revista homónima do filho de Krypton, decidem-se por uma colaboração na primeira revista ongoing pós-Crise nas Terras Infinitas a reunir estes dois personagens. Aproveitam e transportam alguns enredos da sua colaboração na revista Superman, nomeadamente a do Presidente dos EUA, Lex Luthor. O maior inimigo do Super-Homem é o líder da maior nação do mundo livre (ou assim os estado-unidenses gostam de se apelidar). No seu ódio cego, transforma os dois heróis em inimigos públicos. O resultado é uma história divertida e descomprometida (sem publicação em Portugal).
Generations I de John Byrne
John Byrne tem uma fixação com as versões originais das mitologias dos super-heróis. São conhecidas as revisões retro que faz nas suas histórias. Um dos seus últimos trabalhos nas duas grande editoras dos EUA foi este Generations, com três colecções. Recomendo a leitura da primeira. O conceito é interessante ainda que não inovador. Byrne pressupõe que o Super-Homem e o Batman começaram a sua carreira nos primeiros anos da sua publicação e continua a história a partir daí. Ou seja, a actividade de ambos começa pouco antes da 2.ª Guerra Mundial (ainda que também assuma a juventude do Super-Homem como Superboy). A história acompanha o envelhecimento de ambos, os casamentos, os filhos, inimigos, etc, num enredo simplista mas divertido (também nunca viu a luz da publicação em Portugal).
As minhas 10 (e mais qualquer coisa) histórias favoritas da Mulher-Maravilha
Um dos momentos do ano está mesmo ao virar da esquina, antecipado por mim com entusiasmo de criança: o filme Batman vs Superman: Dawn of Justice. A DC Comics e a Warner Bros. preparam-se para lançar o seu universo cinematográfico de super-heróis. Já tinham começado com o Man of Steel de 2013 mas é com este BvS que assumem a sua intenção. Como leitor destes universos há quase quatro décadas, já reuni um amplo número de historias favoritas que gostava de partilhar convosco em jeito de preparação para este Titânico filme.
Esta semana reservo a atenção ao meu personagem favorito da DC Comics que, ainda que não esteja no título do filme, é sabido que terá particular relevância no enredo: Mulher-Maravilha, Diana, Princesa de Themyscira.
Wonder Woman: George Pérez Omnibus volume 1
Para os que lêem este blog e para os que conhecem-me pessoalmente não é novidade nenhuma. Esta é das mais importantes BD´s da minha vida, lá em cima com os primeiros números que li do Homem-Aranha, todo o Sandman de Neil Gaiman, a JLA de Morrison e Porter e o Blankets de Craig Thompson. A influência destas BD's é de importância sísmica no meu historial de leitor de BD.
Recentemente, a DC Comics coleccionou num único volume os primeiros 24 números da história que o escritor/desenhista George Pérez fez para Diana no pós-Crise nas Terras Infinitas, a história que a editora usou para recomeçar todos os seus personagens do zero. A Mulher-Maravilha foi, dos três grandes ícones da DC, aquele que sofreu as transformações mais radicais. Um personagem que, até aí, apresentava vendas e histórias anémicas estava então disponível para a profunda modificação infligida por Pérez. Qualquer descrição que eu faça só poderá retirar prazer a esta leitura que considero basilar para perceber quem é a Mulher-Maravilha. Infelizmente, não está disponível em português o que só posso classificar como crime de lesa majestade, punível com leitura compulsiva da lista telefónica.
Wonder Woman: Paradise Lost e Paradise Found de Phil Jimenez
Em termos de relevância, o artista que se segue a Pérez é o escritor/desenhista Phil Jimenez que, basicamente, emulou o trabalho (e o traço) do primeiro, de quem era particular fã. Entre estes dois existiram outros trabalhos, como o de Bill Messner-Loebs, de John Byrne e de Erik Luke (este com um ainda iniciante Yannick Paquette nos desenhos), mas que nunca conseguiram recuperar a magia de Pérez. Existiu uma fase escrita pelo primeiro e desenhada pelo brasileiro Mike Deodato que, apesar de interessante, perdeu-se um pouco na vertigem do desenho pin-up que tanto imperou na década de 90.
Em Paradise Lost compilam-se três arcos do autor dos quais destaco Gods of Gotham, onde Jimenez decide opor a mitologia de Diana com outra, uma das mais relevantes da BD norte-americana, a do Batman.
No volume intitulado Paradise Found destaca-se o envolvimento da amazona em Our World at War, onde sofre uma perda irreparável.
Estas histórias não só representam um ponto alto no historial da personagem como são particularmente relevantes no seu desenvolvimento - isto até o próximo evento cataclismo que ou desfaz as mudanças ou reinicia tudo do zero.
JLA: American Dreams de Grant Morrison e Howard Porter
Outra das minhas runs favoritas de BD de super-heróis. Esta segunda colecção da saga de Morrison e Porter na Liga da Justiça obviamente que não se foca especificamente na Mulher-Maravilha mas tem vários momentos em que a maior das heroínas se destaca: um episódio sexista mas delicioso que envolve Hitman, a extraordinária criação de Garth Ennis; a irrepreensível qualidade gramatical de Diana; a frase de Aquaman "Angels... meet Diana!". Querem saber o que significa estar perto de Diana para o comum dos mortais, para os colegas e para os deuses? Leiam isto.
Wonder Woman Hiketeia de Greg Rucka e J.G. Jones
Uma das poucas histórias finitas e em formato novela gráfica que envolvem Diana. Escrita por um confesso fã da princesa amazona, Greg Rucka, e excelentemente desenhada por J.G. Jones, apresenta não só o mediático conflito entre este personagem e o Batman, como também um enredo em volta de um antigo ritual grego chamado hiketeia, onde um suplicante pede ajuda e protecção a uma terceira pessoa. Neste caso, a terceira pessoa é a Mulher-Maravilha e aquele de quem pede-se protecção é o Batman. Este álbum foi percursor da run de Rucka no título mensal da personagem, um dos trabalhos autorais mais interessantes dedicados à princesa.
Wonder Woman By Greg Rucka TP Vol 1 (volume a sair em Julho)
Greg Rucka, um autor geralmente associado a histórias policiais e urbanas, depois de Hiketeia fica a cargo da revista mensal da Princesa Amazona, conseguindo erguer-se para o panteão de um dos melhores escritores da personagem. Mesclando na perfeição a diplomacia da paz, o espírito guerreiro e a mitologia grega associada a Diana, Rucka dá-nos uma nova interpretação que vigora dentre as melhores. Uma run esquecida e que deve ser lida e relida. O volume inclui Eyes of the Gorgon, a mais emblemática das histórias de Rucka.
JLA: League of One de Christofer Mouller
Apesar do título, não se enganem: esta é uma história da Mulher-Maravillha. Um profecia dita a morte de todos os membros da poderosa Liga da Justiça. Diana opta por tirar do palco todos os seus colegas, demonstrando que o Super-Homem, Batman, Flash ou Lanterna Verde pouco podem contra a maior das super-heroínas. O espírito de sacrifício vem ao de cima quando a Amazona decide confrontar o Mal que possui poder suficiente para eliminar a mais poderosa equipa de super-heróis do multiverso.
Wonder Woman: Spirit of Truth de Paul Dini e Alex Ross
No início do século XXI, a DC Comics publicou vários álbuns em formato gigante com escrita de Paul Dini e desenhos de Alex Ross. Percorreram os três grandes ícones da editora, nomeadamente o Super-Homem, o Batman e a Mulher-Maravilha. O volume dedicado à princesa amazona é apropriadamente chamado de Espírito da Verdade. A encarnação da personagem pós-Crise e pós-Pérez foi interpretada como um bastião da Verdade ao ponto de, na versão de John Byrne, ascender a deusa desta superior filosofia. Dini e Ross optam por forçar Diana a explorar o seu papel no mundo ficcional da DC Comics ao mesmo tempo que a confrontam com problemas do nosso mais real.
Wonder Woman de Brian Azzarello e Cliff Chang
Da mesma forma que Pérez o fez em meados dos anos 80, estes dois autores fizeram-no nesta segunda década do século XXI. Esta Mulher-Maravilha é mais visceral, bélica e violenta que a versão pacifista de Pérez mas nem por isso menos interessante. Na imaginação de inclinação noir que é a de Azzarello, Diana transformou-se numa verdadeira guerreira da paz. É também da autoria destes criadores uma das maiores “revoluções” na mitologia do personagem que, pessoalmente, acho interessante (ainda que outros fãs não partilhem da minha opinião). Com Azzarello e Chang, Diana é uma semideusa, filha de Zeus, acabando por fazer parte de uma galeria de personagens clássicos da literatura mundial. Recomendo a leitura de todo o trabalho de ambos o que, como podem calcular nestas coisas dos super-heróis, é bem mais que apenas um volume.
Justice League: Darkseid War de Geoff Johns, Jason Fabok e Francis Manapul
Quem lê este Blog sabe o quanto estou apaixonado por esta épica história da Liga da Justiça, actualmente a ser publicada na revista homónima do grupo de heróis. Os maiores adversários do mundo da DC, Darkseid e o Anti-Monitor, o maior grupo de super-heróis, a Liga da Justiça, e a Mulher-Maravilha como narrador e ponto de vista. O jogo é cósmico e a escala macro-universal. Dificilmente posso divertir-me mais (a ler, claro está). A história ainda não acabou (à data, faltam dois números) mas vale cada folhear de página.
De certeza, a vigorar nesta lista a partir de Abril: Wonder Woman Earth One de Grant Morrison e Yannick Paquette. Descubram-na depois comigo.
Wonder Woman: George Pérez Omnibus volume 1
Para os que lêem este blog e para os que conhecem-me pessoalmente não é novidade nenhuma. Esta é das mais importantes BD´s da minha vida, lá em cima com os primeiros números que li do Homem-Aranha, todo o Sandman de Neil Gaiman, a JLA de Morrison e Porter e o Blankets de Craig Thompson. A influência destas BD's é de importância sísmica no meu historial de leitor de BD.
Recentemente, a DC Comics coleccionou num único volume os primeiros 24 números da história que o escritor/desenhista George Pérez fez para Diana no pós-Crise nas Terras Infinitas, a história que a editora usou para recomeçar todos os seus personagens do zero. A Mulher-Maravilha foi, dos três grandes ícones da DC, aquele que sofreu as transformações mais radicais. Um personagem que, até aí, apresentava vendas e histórias anémicas estava então disponível para a profunda modificação infligida por Pérez. Qualquer descrição que eu faça só poderá retirar prazer a esta leitura que considero basilar para perceber quem é a Mulher-Maravilha. Infelizmente, não está disponível em português o que só posso classificar como crime de lesa majestade, punível com leitura compulsiva da lista telefónica.
Wonder Woman: Paradise Lost e Paradise Found de Phil Jimenez
Em termos de relevância, o artista que se segue a Pérez é o escritor/desenhista Phil Jimenez que, basicamente, emulou o trabalho (e o traço) do primeiro, de quem era particular fã. Entre estes dois existiram outros trabalhos, como o de Bill Messner-Loebs, de John Byrne e de Erik Luke (este com um ainda iniciante Yannick Paquette nos desenhos), mas que nunca conseguiram recuperar a magia de Pérez. Existiu uma fase escrita pelo primeiro e desenhada pelo brasileiro Mike Deodato que, apesar de interessante, perdeu-se um pouco na vertigem do desenho pin-up que tanto imperou na década de 90.
Em Paradise Lost compilam-se três arcos do autor dos quais destaco Gods of Gotham, onde Jimenez decide opor a mitologia de Diana com outra, uma das mais relevantes da BD norte-americana, a do Batman.
No volume intitulado Paradise Found destaca-se o envolvimento da amazona em Our World at War, onde sofre uma perda irreparável.
Estas histórias não só representam um ponto alto no historial da personagem como são particularmente relevantes no seu desenvolvimento - isto até o próximo evento cataclismo que ou desfaz as mudanças ou reinicia tudo do zero.
Outra das minhas runs favoritas de BD de super-heróis. Esta segunda colecção da saga de Morrison e Porter na Liga da Justiça obviamente que não se foca especificamente na Mulher-Maravilha mas tem vários momentos em que a maior das heroínas se destaca: um episódio sexista mas delicioso que envolve Hitman, a extraordinária criação de Garth Ennis; a irrepreensível qualidade gramatical de Diana; a frase de Aquaman "Angels... meet Diana!". Querem saber o que significa estar perto de Diana para o comum dos mortais, para os colegas e para os deuses? Leiam isto.
Wonder Woman Hiketeia de Greg Rucka e J.G. Jones
Uma das poucas histórias finitas e em formato novela gráfica que envolvem Diana. Escrita por um confesso fã da princesa amazona, Greg Rucka, e excelentemente desenhada por J.G. Jones, apresenta não só o mediático conflito entre este personagem e o Batman, como também um enredo em volta de um antigo ritual grego chamado hiketeia, onde um suplicante pede ajuda e protecção a uma terceira pessoa. Neste caso, a terceira pessoa é a Mulher-Maravilha e aquele de quem pede-se protecção é o Batman. Este álbum foi percursor da run de Rucka no título mensal da personagem, um dos trabalhos autorais mais interessantes dedicados à princesa.
Wonder Woman By Greg Rucka TP Vol 1 (volume a sair em Julho)
Greg Rucka, um autor geralmente associado a histórias policiais e urbanas, depois de Hiketeia fica a cargo da revista mensal da Princesa Amazona, conseguindo erguer-se para o panteão de um dos melhores escritores da personagem. Mesclando na perfeição a diplomacia da paz, o espírito guerreiro e a mitologia grega associada a Diana, Rucka dá-nos uma nova interpretação que vigora dentre as melhores. Uma run esquecida e que deve ser lida e relida. O volume inclui Eyes of the Gorgon, a mais emblemática das histórias de Rucka.
JLA: League of One de Christofer Mouller
Apesar do título, não se enganem: esta é uma história da Mulher-Maravillha. Um profecia dita a morte de todos os membros da poderosa Liga da Justiça. Diana opta por tirar do palco todos os seus colegas, demonstrando que o Super-Homem, Batman, Flash ou Lanterna Verde pouco podem contra a maior das super-heroínas. O espírito de sacrifício vem ao de cima quando a Amazona decide confrontar o Mal que possui poder suficiente para eliminar a mais poderosa equipa de super-heróis do multiverso.
Wonder Woman: Spirit of Truth de Paul Dini e Alex Ross
No início do século XXI, a DC Comics publicou vários álbuns em formato gigante com escrita de Paul Dini e desenhos de Alex Ross. Percorreram os três grandes ícones da editora, nomeadamente o Super-Homem, o Batman e a Mulher-Maravilha. O volume dedicado à princesa amazona é apropriadamente chamado de Espírito da Verdade. A encarnação da personagem pós-Crise e pós-Pérez foi interpretada como um bastião da Verdade ao ponto de, na versão de John Byrne, ascender a deusa desta superior filosofia. Dini e Ross optam por forçar Diana a explorar o seu papel no mundo ficcional da DC Comics ao mesmo tempo que a confrontam com problemas do nosso mais real.
Wonder Woman de Brian Azzarello e Cliff Chang
Da mesma forma que Pérez o fez em meados dos anos 80, estes dois autores fizeram-no nesta segunda década do século XXI. Esta Mulher-Maravilha é mais visceral, bélica e violenta que a versão pacifista de Pérez mas nem por isso menos interessante. Na imaginação de inclinação noir que é a de Azzarello, Diana transformou-se numa verdadeira guerreira da paz. É também da autoria destes criadores uma das maiores “revoluções” na mitologia do personagem que, pessoalmente, acho interessante (ainda que outros fãs não partilhem da minha opinião). Com Azzarello e Chang, Diana é uma semideusa, filha de Zeus, acabando por fazer parte de uma galeria de personagens clássicos da literatura mundial. Recomendo a leitura de todo o trabalho de ambos o que, como podem calcular nestas coisas dos super-heróis, é bem mais que apenas um volume.
Justice League: Darkseid War de Geoff Johns, Jason Fabok e Francis Manapul
Quem lê este Blog sabe o quanto estou apaixonado por esta épica história da Liga da Justiça, actualmente a ser publicada na revista homónima do grupo de heróis. Os maiores adversários do mundo da DC, Darkseid e o Anti-Monitor, o maior grupo de super-heróis, a Liga da Justiça, e a Mulher-Maravilha como narrador e ponto de vista. O jogo é cósmico e a escala macro-universal. Dificilmente posso divertir-me mais (a ler, claro está). A história ainda não acabou (à data, faltam dois números) mas vale cada folhear de página.
De certeza, a vigorar nesta lista a partir de Abril: Wonder Woman Earth One de Grant Morrison e Yannick Paquette. Descubram-na depois comigo.
As minhas 10 (e mais qualquer coisa) histórias favoritas do Batman!
Um dos momentos do ano está mesmo ao virar da esquina, antecipado por mim com entusiasmo de criança: o filme Batman vs Superman: Dawn of Justice. A DC Comics e a Warner Bros. preparam-se para lançar o seu universo cinematográfico de super-heróis. Já tinham começado com o Man of Steel de 2013 mas é com este BvS que assumem a sua intenção. Como leitor destes universos há quase quatro décadas, já reuni muitas historias favoritas que gostava de partilhar convosco em jeito de preparação para este Titânico filme.
Batman: Year One de Frank Miller e David Mazzuchelli
Em meados da década de 80, a DC Comics decidiu reiniciar todos os seus super-heróis do zero. Por causa do seu lendário trabalho na mini-série The Dark Knight Returns, coube a Frank Miller a tarefa de introduzir uma nova leitura à origem do Homem-Morcego. Essa versão é o brilhante Batman: Ano Um e a releitura é noir e sofisticada, pintando a chiaroscuro a degradada e corrupta paisagem urbana de Gotham. Isto enquanto um jovem Batman e um jovem Comissário Gordon tentam a todo o custo vencer a contagiosa criminalidade da urbe. Esta é, para muitos e para mim, a origem definitiva do Cavaleiro das Trevas. Miller e Mazzuchelli criaram uma obra-prima intocável já publicada em português pela Levoir (ainda que o Ano Zero de Snyder a Cappulo tenha também alguma a coisa a dizer)
Batman: The Long Halloween de Jeph Loeb e Tim Sale
Estes são os primeiros anos de Batman, pouco a seguir ao seu Ano Um. Quando os criminosos comuns começam a dar lugar aos carnavalescos e psicopatas super-vilões: Joker; Mulher-Gato; Pinguim; Enigma. O Cavaleiro das Trevas irá encontrar todos os seus maiores inimigos e assistir ao nascimento de outro, o Duas-Caras, enquanto enfrenta o mistério do Assassino do Calendário. Cinemático, noir e altamente divertido, a escrita de Loeb e o desenho de Sale voltariam várias vezes a continuar a sua também lendária colaboração no Batman (obra também já publicada em português pela Levoir).
Batman: Arkham Asylum de Grant Morrison e Dave McKean
A DC Comics estava ao rubro no pós-1986. Arriscava tudo, o que, na linguagem da BD da altura, queria dizer contratar autores que à partida não pareciam talhados para os super-heróis. O caminho tinha sido aberto por Alan Moore no seu Swamp Thing e principalmente pela importantíssima editora-chefe Karen Berger, a grande Mestre da revolução da BD nos EUA. Grant Morrison viria a transformar-se num dos mais aclamados autores das três décadas que se seguiriam e parte disso deve-se a este Arkham Asylum em colaboração com o ilustrador/desenhista/pintor Dave McKean. Os dois escolhem embrenhar-se nas paredes loucas do Asilo onde residem todas as mentes deturpadas dos piores vilões do Batman, que não sai ileso desta viagem. Essencial e a Levoir, graças a Deus, também já o publicou.
Batman: The Killing Joke de Alan Moore e Brian Bolland
Continuamos nesses loucos anos 80. A pedido de Brian Bolland, Alan Moore cria a mais importante e famosa história do maior inimigo do Batman, tão famoso quanto o herói. Devendo muito da sua interpretação do Joker à versão original da década de 40 e a Denny O'Neil e Neal Adams, este Palhaço do Crime é um abjecto psicopata, um filósofo que, por acaso, é o pior criminoso deste universo. Grant Morrison, muito recentemente, forneceu uma nova interpretação das últimas páginas deste seminal livro e que abre novos horizontes para a sua história (spoilers?): o Batman mata o Joker no final. Isto apenas prova a maturidade e força deste livro (publicado pela Levoir).
Batman: Knightfall por vários
Aos maravilhosos anos 80 seguiram-se uns não tão fabulosos 90. A loucura das editoras para revolucionar a vida dos seus mais emblemáticos personagens era uma doença. Uns morriam. Outros mudavam de uniforme e ficavam deprimidos. Outros, como o Batman, eram mortalmente feridos (neste caso, costas partidas) e substituídos por jovens mais violentos e adaptados. Contudo, ainda que Knightfall tenha nascido da moda e da ganância, recentemente li os três volumes americanos que coleccionam a integridade desta história e, surpreendentemente, envelheceu muito bem e o conteúdo é mais espesso e maduro que o esperado. Os desenhos não são do melhor mas a história acaba por funcionar como uma meta-reflexão do problema da BD na altura e que ela própria encarnava.
Batman: Hush de Jeph Loeb e Jim Lee
Puro entretenimento. Puro blockbuster. As estrelas da BD, Jeph Loeb, escritor, e Jim Lee, desenhador, cultivaram , durante um ano, um mistério. Em doze números, muito à semelhança do que o primeiro já havia feito com Tim Sale, Batman encontrou a créme de la créme dos seus inimigos e amigos (existe mesmo um confronto com o Super-Homem de que falarei noutro post), isto enquanto tentava descobrir o verdadeiro criminoso por detrás de um crime. Se tantas outras histórias passam-se nas sombras, Hush é espectáculo (mas sem ser circense ou carnavalesco). Esta história foi publicada pela Devir em Portugal.
Batman de Grant Morrison
Eu sei que é uma grande batota. Durante vários anos, o escritor Grant Morrison fez muito mais que escrever apenas uma única história do Cavaleiro das Trevas. Escreveu muitas mas, ao mesmo tempo, escreveu apenas uma: a do mito. Apesar de ter feito muito pelo personagem ao, por exemplo, lhe "dar" um filho na pessoa de Damien Wayne, Morrison apropriou-se do arquétipo e explorou-o de forma metatextual. O escritor, inclusive, partiu para construção da sua macro-história a partir de um interessante princípio: e se todas as histórias do Batman, contadas desde o seu nascimento em finais da década de 30, tivessem ocorrido. Todas, mesmo as mais ridículas, aquelas onde se vestia das cores garridas do arco íris ou onde existia uma Bat-Vaca (sim, estou a falar a sério). E assim foi que Batman morreu, ressuscitou no longínquo passado e construiu o seu próprio mito. Algumas desta histórias foram publicadas pela Levoir mas, infelizmente, não todas.
Batman: Hush de Jeph Loeb e Jim Lee
Puro entretenimento. Puro blockbuster. As estrelas da BD, Jeph Loeb, escritor, e Jim Lee, desenhador, cultivaram , durante um ano, um mistério. Em doze números, muito à semelhança do que o primeiro já havia feito com Tim Sale, Batman encontrou a créme de la créme dos seus inimigos e amigos (existe mesmo um confronto com o Super-Homem de que falarei noutro post), isto enquanto tentava descobrir o verdadeiro criminoso por detrás de um crime. Se tantas outras histórias passam-se nas sombras, Hush é espectáculo (mas sem ser circense ou carnavalesco). Esta história foi publicada pela Devir em Portugal.
Batman de Grant Morrison
Eu sei que é uma grande batota. Durante vários anos, o escritor Grant Morrison fez muito mais que escrever apenas uma única história do Cavaleiro das Trevas. Escreveu muitas mas, ao mesmo tempo, escreveu apenas uma: a do mito. Apesar de ter feito muito pelo personagem ao, por exemplo, lhe "dar" um filho na pessoa de Damien Wayne, Morrison apropriou-se do arquétipo e explorou-o de forma metatextual. O escritor, inclusive, partiu para construção da sua macro-história a partir de um interessante princípio: e se todas as histórias do Batman, contadas desde o seu nascimento em finais da década de 30, tivessem ocorrido. Todas, mesmo as mais ridículas, aquelas onde se vestia das cores garridas do arco íris ou onde existia uma Bat-Vaca (sim, estou a falar a sério). E assim foi que Batman morreu, ressuscitou no longínquo passado e construiu o seu próprio mito. Algumas desta histórias foram publicadas pela Levoir mas, infelizmente, não todas.
Batman: The Black Mirror de Scott Snyder, Jock e Francesco Francavilla
Scott Snyder tem se afirmado como a mais recente estrela na constelação dos grandes escritores que trabalharam com o Batman. A sua run na mais recente iteração da revista homónima do personagem, junto com o desenhista Greg Cappullo (a ser publicada pela Levoir), já figura na biblioteca das grandes histórias. Mas, a meu ver, esta primeira tentativa é ainda mais impressionante e de uma qualidade diferente mas também interessante. Enquanto a sua run com Cappulo é o blockbuster, a com Jock e Francavilla é o filme independente de pequeno orçamento, menos investido em pirotecnia e mais em drama psicológico. Os desenhos são especialmente atmosféricos e geneticamente apropriados ao ambiente do personagem. Uma das grandes vitórias da história recente de Batman.
Batman: The Dark Knight Returns de Frank Miller
Scott Snyder tem se afirmado como a mais recente estrela na constelação dos grandes escritores que trabalharam com o Batman. A sua run na mais recente iteração da revista homónima do personagem, junto com o desenhista Greg Cappullo (a ser publicada pela Levoir), já figura na biblioteca das grandes histórias. Mas, a meu ver, esta primeira tentativa é ainda mais impressionante e de uma qualidade diferente mas também interessante. Enquanto a sua run com Cappulo é o blockbuster, a com Jock e Francavilla é o filme independente de pequeno orçamento, menos investido em pirotecnia e mais em drama psicológico. Os desenhos são especialmente atmosféricos e geneticamente apropriados ao ambiente do personagem. Uma das grandes vitórias da história recente de Batman.
Batman: The Dark Knight Returns de Frank Miller
Começa com Frank Miller e acaba com Frank Miller. Esta história quase que não necessita de qualquer apresentação. Saiu no que é considerado o melhor ano da História da BD dos EUA, o de 1986, o mesmo de Watchmen e Maus. Miller viaja para o futuro, para a Gotham com um Batman envelhecido e reformado. A histórica é sísmica porque afasta-se dos cânones à altura normais do super-herói e inventa uma nova abordagem, muito na senda do que também Alan Moore já tinha feito com Miracleman e Swamp Thing. O Batman era hiper-violento e a relação com o Super-Homem era, no mínimo, tensa. Acabaria por ser dos mais importantes virares de página da BD americana, criando um sem número de histórias como as que aqui falei, mas também os infames anos 90, onde anti-herói era sinónimo de aposta comercial (publicada em Portugal pela... adivinharam... Levoir).
Batman, the Animated Series de Bruce Timm
Não, não é BD, mas o título deste post fala de histórias e não das exclusivamente publicadas pela 9.ª Arte (sim, eu sei que abro uma caixa de Pandora). Na senda do The Dark Knight Returns e do Batman de Tim Burton surge este enorme desenho animado. Sem grandes alaridos, apenas focada no essencial do personagem e com uma estética Art Déco, esta série fornece-nos um Batman complexo, capaz de agradar a miúdos e graúdos. Há muitas e muitas histórias nas quatro temporadas e, portanto, claro que volto a fazer batota, mas acho criminoso não vos alertar para ela. É só confirmarem.
Batman, the Animated Series de Bruce Timm
Não, não é BD, mas o título deste post fala de histórias e não das exclusivamente publicadas pela 9.ª Arte (sim, eu sei que abro uma caixa de Pandora). Na senda do The Dark Knight Returns e do Batman de Tim Burton surge este enorme desenho animado. Sem grandes alaridos, apenas focada no essencial do personagem e com uma estética Art Déco, esta série fornece-nos um Batman complexo, capaz de agradar a miúdos e graúdos. Há muitas e muitas histórias nas quatro temporadas e, portanto, claro que volto a fazer batota, mas acho criminoso não vos alertar para ela. É só confirmarem.
As minhas 10 (e mais qualquer coisa) histórias favoritas do Super-Homem
Um dos momentos do ano está mesmo ao virar da esquina, antecipado por mim com entusiasmo de criança: o filme Batman vs Superman: Dawn of Justice. A DC Comics e a Warner Bros. preparam-se para lançar o seu universo cinematográfico de super-heróis. Já tinham começado com o Man of Steel de 2013 mas é com este BvS que assumem a sua intenção. Como leitor destes universos há quase quatro décadas, já reuni um amplo número de historias favoritas que gostava de partilhar convosco em jeito de preparação para este Titânico filme.
Esta semana é a vez do Homem de Aço, o Super-Homem. É dos meus personagens favoritos de BD e, portanto, difícil será escolher.
Whatever happened to the Man of Tomorrow? De Alan Moore e Curt Swan
Este é o fim da história do Super-Homem. Em meados da década de 80, a editora DC Comics, decidiu reiniciar este e muitos outros dos seus personagens do zero. Mas antes de o fazer, permitiu o adeus à versão "antiga". Alan Moore, um dos maiores escritores de BD, e Curt Swan, desenhista do Homem de Aço de décadas, foram os escolhidos para esta sentida carta de despedida, em que reuniram-se todos os grandes protagonistas da mitologia, desde namoradas, inimigos, amigos, companheiros até mesmo animais de estimação. Foi a separação possível e, até hoje, continua a despoletar as boas memórias do amor que é fervorosamente dedicado por muitos autores da BD a este personagem tantas vezes considerado datado.
Man of Steel de John Byrne e toda a run do escritor/desenhista
E depois de Whatever happened to the Man of Tomorrow? só podia vir a história que reiniciou o Super-Homem do zero. John Byrne, à altura uma super-estrela da BD (se é que é possível existir tal coisa), deu-nos um outro Super-Homem, menos poderoso, ligado às suas raízes terrenas e não extraterrestres, um modelo de ética e moral a seguir mas já não tanto a imagem cristalina e pura com que muitos viam o personagem. Aqui são reintroduzidos, em versões modernas, elementos e personagens da mitologia como sejam Lois Lane, a eterna namorada, Lex Luthor, o sempre arquinimigo, e os pais terrenos, que não haviam morrido (como em anteriores versões), mas antes eram a pedra basilar onde se alicerçava o mundo de Clark Kent. A versão de John Byrne duraria, nas suas mãos, mais 2 anos (todos compilados em nove volumes de leitura recomendada) e, em outras, mais 25, tornando-se na mais reconhecida por gerações recentes (inclusive a minha). A mini-série Man of Steel existe em português pela editora Levoir.
Superman: Red Son de Mark Millar e Dave Johnson
Num mundo imaginário, a nave onde, ainda criança, o Super-Homem viaja, não cai nos EUA mas na URSS. Ao invés de se transformar num defensor do Sonho Americano, passa a ser o símbolo da Utopia Comunista. Neste conceito simples está contida a análise não tanto da forma do Super-Homem, mas antes do seu espírito, daquilo que representa não só na BD mas, acima de tudo, na cultura popular do século XX. Uma daquelas raras obras da BD americana que podem ler-se sem ter de se saber mais nada, para além do contido nas suas páginas (esta história já foi publicada pela Levoir).
Superman Secret Identity de Kurt Busiek e Stuart Immonen
Outra história imaginária (e não são todas, pensam vocês?). Num mundo igual ao nosso e sem explicação aparente, um leitor de livros de BD do Super-Homem torna-se no personagem que tanto ama. O sonho de muitos? Talvez, mas o que Busiek faz, à semelhança de Millar em Red Son, é estudar não tanto os poderes mas as consequências de se ser o Super-Homem, não preocupando-se tanto com a escala mundial mas antes com a humana, focando não só a luta por um mundo melhor mas também por uma vida melhor. Isto porque Secret Identity acaba por também ser uma bela história de amor, entre este outro Homem de Aço e a sua outra Lois Lane.
DC One Million de Grant Morrison e Val Semeiks
A editora quis comemorar o legado do Super-Homem e, para isso, escolheu o metaconceito imaginado pelo escocês louco Grant Morrison: e se a revista Action Comics, onde o Super-Homem apareceu pela primeira vez em 1938, continuasse a ser publicada até o seu número 1 milhão? Que mundo seria o do século 823, data onde a revista chegaria a esse número? Com a participação dos companheiros da Liga da Justiça, Morrison teceu uma belíssima saga que se estende pelo universo e pelo tempo, focando-se no precioso legado deixado pelo Super-Homem ao longo de mais de 800 séculos. Somos testemunha das vidas atribuladas da sua família, mas também da reverência que dedicam ao progenitor, quando é anunciado o seu regresso depois de um período de reflexão de 20 mil anos no centro do Sol. Uma história virtuosa e de imaginação delirante.
The Death of Superman por vários
Os infames anos 90 do século XX foram prolíficos em mega eventos onde a vida dos personagens de BD eram modificados de forma delirante e (vendia-se) para sempre. Claro que a DC não escaparia à moda e o seu maior e mais reconhecível dos personagens não seria excepção. Assim, durante longos meses eles matariam o único dos seus personagens que julgava-se eterno e verdadeiramente invulnerável. Numa luta digna de deuses olímpicos, o Super-Homem enfrenta Doomsday e cai. Seguem-se as elegias, o funeral, o aparecimento de substitutos e o inevitável regresso. A história envelheceu bem apesar de ser um esforço comercial e não tanto de vontade artística.
Our Worlds At War por vários e toda a run de Jeph Loeb/Ed McGuiness e Joe Kelly
Um das runs mais esquecidas do Super-Homem ocorreu no principio deste nosso século, liderada por Jeph Loeb, Joe Kelly, escritores, e Ed McGuiness, desenhista. Ela é uma das minhas favoritas. Todos os artistas envolvidos conseguiram criar histórias divertidas e capazes de agarrar o mais experimentado dos leitores. É desta cooperação que saíram emblemáticas narrativas como What's So Funny About Truth, Justice and the American Way?, Emperor Joker, Lex Luthor: Presidente dos EUA e este Our Worlds at War, onde todo o Universo DC e especialmente o Super-Homem enfrentam a ameaça conjunta de Imperiex e Brainiac.
Superman: Birthright de Mark Waid e Francis Yu
Um personagem de mais de sete décadas de existência como o Super-Homem já teve a sua origem revista um sem números de vezes. Já aqui falei da Man of Steel de Byrne e agora é a vez deste Birthright de Waid e Yu de 2003. Waid é um conhecido apaixonado pela mitologia do Homem de Aço e, neste ano, foi-lhe incumbida uma revisão dos primeiros passos do herói. Decide escolher uma mescla entre a versão pré-Byrne e Byrne, voltando a aproximar o personagem da sua herança alienígena e incutindo uma dimensão naturalista. O Super-Homem de Waid é Vegano na alimentação, a sua visão pode ver a "aura" das pessoas à sua volta. Infelizmente, esta visão depressa foi "esquecida" por uma nova origem de 2009, escrita por Geoff Johns e Gary Frank (por sua vez, também "esquecida" meros dois anos depois).
Astro City: Life in the Big City de Kurt Busiek e Brent Anderson
O quê? Mas esta não é uma história em que apareça o Super-Homem. Nem sequer é da sua editora. Pois, mas o primeiro capítulo deste volume de Astro City foca a vida de um personagem baseado no arquétipo, de nome Samaritano. Busiek revela uma preocupação: terá tempo para si o homem que é super? Ao homem a quem foram dadas capacidades fora do comum, a quem é exigido, pelo seu próprio barómetro ético, que salve o mundo, em todo o lado e a toda a hora, a esse homem não sobra tempo nenhum para si. Numa belíssima história de 22 páginas, Busiek não se limita a preocupações estéticas, mas antes basilares da natureza humana. Porque até os homens que são super têm desejos humanos.
All Star Superman de Grant Morrison e Frank Quietly
Acabo como comecei, com uma história que relata os últimos dias do Super-Homem, mas desta vez por Morrison. Lex Luthor, o maior inimigo do Homem de Aço, finalmente conseguiu: matou o Super-Homem. Não rápida mas lentamente, utilizando os seus próprios poderes contra ele. O que se segue é um lento “pôr a casa em ordem”, com o Super-Homem a distribuir as suas benesses pelo mundo, como um pai cuidador, dizendo os seus adeus, abrindo o caminho que a humanidade deve seguir com os próprios pés. Tudo isso numa roupagem nostálgica, evocado a mitologia acumulada em 70 anos e deixando-nos a derradeira história do deus com olhar de criança.
Whatever happened to the Man of Tomorrow? De Alan Moore e Curt Swan
Este é o fim da história do Super-Homem. Em meados da década de 80, a editora DC Comics, decidiu reiniciar este e muitos outros dos seus personagens do zero. Mas antes de o fazer, permitiu o adeus à versão "antiga". Alan Moore, um dos maiores escritores de BD, e Curt Swan, desenhista do Homem de Aço de décadas, foram os escolhidos para esta sentida carta de despedida, em que reuniram-se todos os grandes protagonistas da mitologia, desde namoradas, inimigos, amigos, companheiros até mesmo animais de estimação. Foi a separação possível e, até hoje, continua a despoletar as boas memórias do amor que é fervorosamente dedicado por muitos autores da BD a este personagem tantas vezes considerado datado.
Man of Steel de John Byrne e toda a run do escritor/desenhista
E depois de Whatever happened to the Man of Tomorrow? só podia vir a história que reiniciou o Super-Homem do zero. John Byrne, à altura uma super-estrela da BD (se é que é possível existir tal coisa), deu-nos um outro Super-Homem, menos poderoso, ligado às suas raízes terrenas e não extraterrestres, um modelo de ética e moral a seguir mas já não tanto a imagem cristalina e pura com que muitos viam o personagem. Aqui são reintroduzidos, em versões modernas, elementos e personagens da mitologia como sejam Lois Lane, a eterna namorada, Lex Luthor, o sempre arquinimigo, e os pais terrenos, que não haviam morrido (como em anteriores versões), mas antes eram a pedra basilar onde se alicerçava o mundo de Clark Kent. A versão de John Byrne duraria, nas suas mãos, mais 2 anos (todos compilados em nove volumes de leitura recomendada) e, em outras, mais 25, tornando-se na mais reconhecida por gerações recentes (inclusive a minha). A mini-série Man of Steel existe em português pela editora Levoir.
Superman: Red Son de Mark Millar e Dave Johnson
Num mundo imaginário, a nave onde, ainda criança, o Super-Homem viaja, não cai nos EUA mas na URSS. Ao invés de se transformar num defensor do Sonho Americano, passa a ser o símbolo da Utopia Comunista. Neste conceito simples está contida a análise não tanto da forma do Super-Homem, mas antes do seu espírito, daquilo que representa não só na BD mas, acima de tudo, na cultura popular do século XX. Uma daquelas raras obras da BD americana que podem ler-se sem ter de se saber mais nada, para além do contido nas suas páginas (esta história já foi publicada pela Levoir).
Superman Secret Identity de Kurt Busiek e Stuart Immonen
Outra história imaginária (e não são todas, pensam vocês?). Num mundo igual ao nosso e sem explicação aparente, um leitor de livros de BD do Super-Homem torna-se no personagem que tanto ama. O sonho de muitos? Talvez, mas o que Busiek faz, à semelhança de Millar em Red Son, é estudar não tanto os poderes mas as consequências de se ser o Super-Homem, não preocupando-se tanto com a escala mundial mas antes com a humana, focando não só a luta por um mundo melhor mas também por uma vida melhor. Isto porque Secret Identity acaba por também ser uma bela história de amor, entre este outro Homem de Aço e a sua outra Lois Lane.
DC One Million de Grant Morrison e Val Semeiks
A editora quis comemorar o legado do Super-Homem e, para isso, escolheu o metaconceito imaginado pelo escocês louco Grant Morrison: e se a revista Action Comics, onde o Super-Homem apareceu pela primeira vez em 1938, continuasse a ser publicada até o seu número 1 milhão? Que mundo seria o do século 823, data onde a revista chegaria a esse número? Com a participação dos companheiros da Liga da Justiça, Morrison teceu uma belíssima saga que se estende pelo universo e pelo tempo, focando-se no precioso legado deixado pelo Super-Homem ao longo de mais de 800 séculos. Somos testemunha das vidas atribuladas da sua família, mas também da reverência que dedicam ao progenitor, quando é anunciado o seu regresso depois de um período de reflexão de 20 mil anos no centro do Sol. Uma história virtuosa e de imaginação delirante.
The Death of Superman por vários
Os infames anos 90 do século XX foram prolíficos em mega eventos onde a vida dos personagens de BD eram modificados de forma delirante e (vendia-se) para sempre. Claro que a DC não escaparia à moda e o seu maior e mais reconhecível dos personagens não seria excepção. Assim, durante longos meses eles matariam o único dos seus personagens que julgava-se eterno e verdadeiramente invulnerável. Numa luta digna de deuses olímpicos, o Super-Homem enfrenta Doomsday e cai. Seguem-se as elegias, o funeral, o aparecimento de substitutos e o inevitável regresso. A história envelheceu bem apesar de ser um esforço comercial e não tanto de vontade artística.
Our Worlds At War por vários e toda a run de Jeph Loeb/Ed McGuiness e Joe Kelly
Um das runs mais esquecidas do Super-Homem ocorreu no principio deste nosso século, liderada por Jeph Loeb, Joe Kelly, escritores, e Ed McGuiness, desenhista. Ela é uma das minhas favoritas. Todos os artistas envolvidos conseguiram criar histórias divertidas e capazes de agarrar o mais experimentado dos leitores. É desta cooperação que saíram emblemáticas narrativas como What's So Funny About Truth, Justice and the American Way?, Emperor Joker, Lex Luthor: Presidente dos EUA e este Our Worlds at War, onde todo o Universo DC e especialmente o Super-Homem enfrentam a ameaça conjunta de Imperiex e Brainiac.
Superman: Birthright de Mark Waid e Francis Yu
Um personagem de mais de sete décadas de existência como o Super-Homem já teve a sua origem revista um sem números de vezes. Já aqui falei da Man of Steel de Byrne e agora é a vez deste Birthright de Waid e Yu de 2003. Waid é um conhecido apaixonado pela mitologia do Homem de Aço e, neste ano, foi-lhe incumbida uma revisão dos primeiros passos do herói. Decide escolher uma mescla entre a versão pré-Byrne e Byrne, voltando a aproximar o personagem da sua herança alienígena e incutindo uma dimensão naturalista. O Super-Homem de Waid é Vegano na alimentação, a sua visão pode ver a "aura" das pessoas à sua volta. Infelizmente, esta visão depressa foi "esquecida" por uma nova origem de 2009, escrita por Geoff Johns e Gary Frank (por sua vez, também "esquecida" meros dois anos depois).
Astro City: Life in the Big City de Kurt Busiek e Brent Anderson
O quê? Mas esta não é uma história em que apareça o Super-Homem. Nem sequer é da sua editora. Pois, mas o primeiro capítulo deste volume de Astro City foca a vida de um personagem baseado no arquétipo, de nome Samaritano. Busiek revela uma preocupação: terá tempo para si o homem que é super? Ao homem a quem foram dadas capacidades fora do comum, a quem é exigido, pelo seu próprio barómetro ético, que salve o mundo, em todo o lado e a toda a hora, a esse homem não sobra tempo nenhum para si. Numa belíssima história de 22 páginas, Busiek não se limita a preocupações estéticas, mas antes basilares da natureza humana. Porque até os homens que são super têm desejos humanos.
All Star Superman de Grant Morrison e Frank Quietly
Acabo como comecei, com uma história que relata os últimos dias do Super-Homem, mas desta vez por Morrison. Lex Luthor, o maior inimigo do Homem de Aço, finalmente conseguiu: matou o Super-Homem. Não rápida mas lentamente, utilizando os seus próprios poderes contra ele. O que se segue é um lento “pôr a casa em ordem”, com o Super-Homem a distribuir as suas benesses pelo mundo, como um pai cuidador, dizendo os seus adeus, abrindo o caminho que a humanidade deve seguir com os próprios pés. Tudo isso numa roupagem nostálgica, evocado a mitologia acumulada em 70 anos e deixando-nos a derradeira história do deus com olhar de criança.
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