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Álbuns para Sempre, 94

Existem músicas que permanecem. São mais do que prazeres. São memórias. 

São nossas e dos outros. Como em nenhuma outra arte, a Música é comunhão. Quer por estarmos num concerto, quer porque a ouvimos no conforto de casa.

Todos os fins-de-semana vão poder ouvir um álbum que me marcou. Esta semana é dos The White Stripes e do LP Elephant. 

Cliquem na imagem para ouvi-lo no Spotify.

O que vou ouvindo!

Este post é dedicado ao Neves.


Active Child – “You are All I See”

Este LP saiu em 2011 mas, graças a um amigo, apenas o ouvi no início de 2012. Nele estão incluídas duas das minhas canções favoritas do ano… ponto final: “Hanging On” e “Diamond Heart”. Ouço-as vezes sem conta!
O projecto de Electrónica é composto apenas por Pat Grossi, que já havia lançado 2 EP’s, “Sun Rooms” e “Curtis lane”, ambos em 2010. A voz de ex-rapaz de coro está presente em quase todos os falsetes do álbum e os sons recordam-nos de clareiras pastorais ladeadas de geladas florestas nórdicas. Nos interstícios da escuridão podemos vislumbrar, pelo assustado canto do olho, uma legião de pontos vermelhos que nos fitam demoradamente. Gigantescos lobos que uivam os lamentos de trovadores devorados. Sons digitais vindos do fundo de estômagos esfomeados.



Danger Mouse & Daniele Luppi – “Rome”

Lançado em 2011, este extraordinário álbum do já de si extraordinário Danger Mouse, tem bónus impressionantes nas colaborações de Jack White (ex-White Stripes, para quem vive debaixo de uma rocha ou apenas ouve Quim Barreiros) e Norah Jones. Menos conhecido (pelo menos para mim que vivo debaixo de uma rocha) é o compositor de bandas sonoras para filmes, Daniele Luppi, que se junta a Danger Mouse nesta homenagem ao cinema italiano Western Spaghetti, cujo apogeu criativo é Sergio Leone. A atmosfera do álbum é perfeitamente evocativa dos planos demorados de filmes como “O Bom, o Mau e o Vilão” e “Era uma Vez no Oeste”, do rosto marcado pelo vento da areia do deserto, do fedor a uísque rançoso e a barba suada. Oiçam “Season’s Tree” ou “Two Against One” e não serão impossíveis estas imagens virem à tona da vossa imaginação. 





It Might Get Loud

Sou um fã de Rock ‘n’ Roll. Principalmente daquele de guitarras violentamente rasgadas, de som que se propaga nas paredes do ar, que sai do goto e das vísceras a gritar e a espernear, que te faz esquecer que estás ali, a ouvir.

It might get Loud” é um filme de 2009, corrijo, um documentário, em que Jack White, líder, vocalista e guitarrista dos White Stripes, tem a audácia de querer saber mais sobre a arte de tocar guitarra. Os dois “mestres” que ele alicia para a “partilha” são gigantes do mundo do rock ’n’ roll: The Edge dos U2 e Jimmy Page dos Led Zeppelin.

O que se segue são pouco menos que duas horas de prazer enquanto nos prostramos, em devoção, em frente ao ecrã onde são contadas histórias, História e estórias do arrebatamento que é tocar uma guitarra (ficamos com essa certeza ao vê-los).

The Edge explica-nos o seu amor por pedaleiras e efeitos de distorção e outras sonoplastias.

Jack White delicia-nos com a sua simplicidade de gosto musical, enquanto nos aproxima do cerne da música, da sua forma mais pura, da sua origem mais democrática (o apontamento que é a música favorita de Jack White é delicioso).

E Jimmy Page, pura e simplesmente, é a lenda que é, um enorme colosso das guitarras e da História da música, que nos conta as suas influências, a sua carreira, o seu percurso. O que não deixa de ser irónico, já que ele é, ele próprio, História e influência (como também o é The Edge, mas uma escala um pouco menor).

Há jam-sessions, há pequenos contos, pequenas curiosidades (ver os U2 a tocar uma música – Street Mission- quando ainda se chamavam The Hype, é um momento particularmente cândido) e, acima de tudo, a apreensão de que um guitarrista é muito mais do que um instrumentista. Como diz The Edge, e parafraseio, “esta (a guitarra) é a minha voz”.