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Roma de Alfonso Cuarón

Roma de Alfonso Cuarón deveria ser o tipo de filme que justifica irmos a uma sala de cinema e não escolher antes vê-lo na TV. Estreado quase em simultâneo na Netflix e em sala, vem com a invejável classificação de um dos melhores filmes do ano de 2018 - a famosa revista britânica de cinema, a Sight & Sound, votou-o mesmo como o melhor. Preferir pagar e deslocar-se para fora do conforto do lar e vê-lo em ecrã gigante (desculpem a prepotência assumida) faz a diferença entre quem gosta de Cinema e os que o vêem apenas como um momento bem passado - ou então não tiveram possibilidade, pelas mais variadas razões (não vá alguém se zangar connosco). Não deveríamos reservar este ritual apenas para os blockbusters. Roma merece tanto quanto estes.

Gravity de Alfonso Cuarón

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Este é daqueles filmes com uma “grande premissa” sobre a qual todo o enredo é erigido e todo o desenvolvimento dos personagens orbita (que inteligente escolha de palavra, hein?). Um vaivém espacial americano é destruído por detritos e uma mulher, uma investigadora sem qualquer experiência como astronauta, protagonizada por Sandra Bullock, tenta a todo o custo regressar à Terra. Simples. Direto.
O título é, basicamente, tudo o que este filme tenta (e consegue) representar. A sensação de ausência de gravidade sentida pelos astronautas é omnipresente, ou não fosse este uma película passada quase integralmente no espaço sideral, com a mãe Terra visível aos olhos e incrivelmente distante do alcance. O prodígio técnico alcançado é verdadeiramente impressionante mas totalmente integrado na narrativa. O realizador não está mais apaixonado pela técnica do que pela história, pelos sentimentos dos personagens e pelo enredo (por mais exíguo que ele seja). Este não é nem pretende ser o próximo 2001, antes é uma exibição da noção da perda de peso, de perda de centro, do isolacionismo, do silêncio, que são ao mesmo tempo amigos e inimigos dos homens e mulheres que sobem a estas alturas. É a luta desesperada de uma mulher pela sobrevivência enquanto defronta-se com todas as dificuldades internas e externas que lhe barram a o caminho para a salvação.
Bullock tem um dos melhores papéis da sua carreira, conseguindo transmitir toda a ansiedade, frustração e desespero de alguém colocado nesta situação de verdadeiro limite. O filme por vezes esforça-se demais, acontecendo todas as desgraças que podem e devem acontecer, mas esta pequena falha é totalmente esquecida quando nos confrontamos com algumas das belíssimas imagens, mesmo as de destruição maciça. Um filme muito recomendável.