
Bone de Jeff Smith publicado pela Cartoon Books
Só para que pareçamos mais profissionais, vou dar uma de crítico norte-americano. Uma crítica de frases simples e directas com algum apelo comercial, para que possam apreciar a mensagem de uma maneira divertida, vendível, descontraída (esta minha mania de escrever sempre três adjectivos já começa a irritar!).
Bone é uma espécie de Tio Patinhas de Carl Barks “meets” Senhor dos Anéis de (ainda se precisa dizer nos dias que correm?) John Ronald Reuel Tolkien (vá lá, eu tinha se ser um pouco diferente!).
Pronto, já o repeti... Sim, porque alguém já o disse, inclusive o próprio autor, Jeff Smith. E desta forma acaba o meu eu cá...acho que acho... Já passei a mensagem de uma forma concisa e directa, vendi o “produto” identificando as suas similaridades para com outros dois “produtos”, deste modo transmitindo ao leitor que não espera coisas novas e/ou diferentes que pode, à segurança (palavra chave), adquirir o “produto” e assim ter as sensações que teve na experimentação de “produtos” ditos idênticos. O meu trabalho está completo!
Mas esperem. Ainda falta um resumo da história. Que falha a minha! Numa casca de noz (como quem diz “in a nutshell”. Os americanos adoram esta expressão idiomática) “Bone” retrata a viagem de 3 irmãos, Fone Bone, Smiley Bone e Phoney Bone, depois de serem expulsos do seu vale em consequência de uma tramóia qualquer do último, acabando todos por se perder e ir parar a um segundo vale. Neste irão encontrar uma comunidade em luta contra estranhas criaturas comandadas por um ser tenebroso. Dessa comunidade fazem parte um eclético grupo de personagens, que junto com os 3 irmãos irão enfrentar as forças das trevas comandadas pelo já referido mas não nomeado quezilento, negro e tenebroso “Lord of the Locusts”.
Bone, eu cá acho que acho que é mesmo bom!
Bem, mas agora um pouco mais a sério. Bone é uma delícia, um regresso à infância ao mesmo tempo que não faz qualquer tipo de concessões intelectuais. Arrisca e desafia, contando a história de forma clara, humorística e movimentada, enquanto o enredo se desenrola ao longo das suas 1300 páginas. Não é uma leitura rápida, como também não foi rápido para Jeff Smith a árdua tarefa de colocar tudo cá fora. Jeff vem da animação e isso também se nota em Bone. O “mise-en-scéne” e a fluência dos quadradinhos, enquanto representação da acção, são extraordinários e quase cinematográficos (não fosse o pequeno problema de isto ser uma BD). E lê-se tudo com leveza.
Vá lá! Leiam! Estamos a falar de um livro que é ao mesmo tempo Tio Patinhas e Senhor dos Anéis.
Sem comentários:
Enviar um comentário