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Ant-Man and the Wasp (Homem-Formiga e a Vespa) de Peyton Reed

Os estúdios cinematográficos da Marvel continuam a afirmar-se, ano após ano e lançamento após lançamento, como a maior força produtiva do Cinema vindo de Hollywood - o que, por definição, a transforma na maior do mundo. O que começou há 10 anos, cresceu ao ponto de transformar-se na bitola segundo a qual todos os aspirantes a Reis de Bilheteira se regem. A sua influência é gigante e omnipresente. Quem diria que um grupo muito pequeno de geeks da BD da década de 60 daria origem a este monstro financeiro que gera receitas raramente vistas? O irónico é que é a imaginação desses geeks ou daqueles que se sentiram inspirados (também) por eles que controlam a indústria cinematográfica dos EUA nesta primeira metade do século XXI. Não se esqueçam do Avatar de James Cameron, ou do Star Wars de George Lucas.

Behind Candelabra de Steven Soderbergh


Este filme veio com vários estigmas. De ter sido recusado por Hollywood por ser considerado, e parafraseio, “demasiado gay”. De, por causa disso e imagino de muitas outras coisas, o realizador Soderbergh ter feito um discurso bastante polémico e ter afirmado que este seria o seu último filme. De ser o primeiro filme “a sério” da conhecida cadeia de TV HBO, famosa por ter exibido algumas das melhores séries de sempre: The Sopranos; The Wire; apenas para citar as minhas favoritas. Mas, no final da história que, pelos vistos, acabou por ser feliz porque Soderbergh lançou o seu filme, o que interessa realmente é: trata-se de um filme bom ou capaz de entreter? Eu cá acho que sim.

Para quem não sabe do enredo desta película trata-se da biografia de um casal. Um é o conhecido e virtuoso pianista norte-americano Wladziu Valentino Liberace e o segundo é o jovem Scott Thorson. O romance entre os dois passa-se entre finais da década de 70 e início da de 80, um amor que começa enorme, como todos, e acaba em desgraça, como muitos. Seguiu-se um confronto bastante público que culminou na morte do famoso pianista, vitima do flagelo da década de 80, a SIDA. 

Soderbergh  não nos apresenta nem o seu melhor filme nem tampouco o seu pior. As suas marcas estão lá: os décors milimetricamente estudados; o mise en scéne militar; as cores quentes e, paradoxalmente, frias também; a banda sonora exemplar e minimalista; o relacionamento entre dois seres tragicamente apaixonados (lembram-se de Clooney e Lopez no excelente Out of Sight?). Está tudo lá e a transposição para “TV” não sofre nem um pouco. Mas são os maravilhosos Michael Douglas e Matt Damon as verdadeiras estrelas do cabaret (se virem o filme vão concordar com a alusão). Estes dois superlativos atores (com uma perninha hilária de Rob Lowe) conseguem carregar um filme inteiro em que o realizador, já de si, teima em estar omnipresente, mas deixa a extravagancia dos dois personagens retratados brilhar na pele luminescente de Douglas e Damon, que nos entregam os melhores desempenhos de suas vidas. É uma pena que Hollywood os tenho recusado, porque o óscar de melhor ator já estaria entregue a esta parelha (tal como, se o mundo for justo, o será a Cate Blachett pelo Blue Jasmine). 

O filme está longe de ser uma obra-prima, mas a personalidade das figuras, a intensidade do retrato dos dois atores, a realização sui generis de Soderbergh e, o mais importante, a verdade com que esta relação, homossexual, é transportada num filme mainstream, arrastam este Behind Candelabra para lá do simples biopic “da vida”. E olhem que eu não sou um grande fã de biopic.