Libertem o Geek! O futuro ao Mangá e à BD Franco-Belga pertence?


A semana passada foram lançados dois trailers que podem ser o prólogo de um outro futuro para filmes inspirados em BD e produzidos em Hollywood: Ghost in the Shell e Valérian (vejam os vídeos no final deste post). Ambos fazem parte desse mundo que adoro, o da Banda Desenhada, mas o primeiro provém do Mangá, BD que nasceu no Japão, e o segundo é proveniente de terras menos exóticas, as da França. Ambos são de ficção científica mas bastante diferentes. Não é de todo novidade estes dois "estilos" de BD inspirarem adaptações pela 7.ª Arte mas pode ser que iniciem uma nova vaga de filmes que bebam destas fontes. Se gerarem dinheiro o suficiente para inspirar as folhas de Excel e os balanços dos donos do dinheiro em Hollywood então, meus caros, há muito mais de onde estes vieram.

Desde o início do século XXI, sensivelmente, que a BD tem inspirado inúmeras adaptações cinematográficas. As mais conhecidas e recompensadoras financeiramente têm sido as de super-heróis, ao ponto de estes serem a maior fonte de rendimento para grande parte dos estúdios - mundialmente, o Capitão América: Guerra Civil é o filme mais rentável do ano e, entre os 10 primeiros, existem cinco de super-heróis (fonte: Box Office Mojo). De todo o lado têm surgido adaptações de material da 9.ª Arte, passando muito pelo dos EUA, mas já com alguns exemplos do Mangá e da Franco-belga. Muitos de vocês podem nem saber que estes filmes eram originalmente BD's:  Oldboy de Park Chan-wook (2003) ou La Vie D'Adèle de Abdellatif Kechiche. Outros pouco têm a ver com o original, como League of Extraordinary Gentlemen ou From Hell, ou são adaptações fanaticamente fiéis, como Sin City e 300. A realidade é que todos estes filmes, e especialmente os de super-heróis, têm mantido aceso o interesse pela BD e pelas suas obras, que são muitas e diversas. Ora, não é só nos EUA que existem, e quer a japonesa, quer a franco-bela, quer a espanhola, a italiana, a brasileira, a portuguesa, etc., têm o cofre cheio de coisas boas, prontas a serem passadas para o grande ecrã. Basta existir dinheiro a ser gerado e as portas abrir-se-ão.

Ghost in the Shell é, originalmente, um Mangá de Masamune Shirow que, por sua vez, deu origem a uma adaptação para Anime que transformou-se num clássico da animação, da ficção científica e do cinema - data de 1995. Este é considerado um dos expoentes máximos a que a animação pode chegar, acima de tudo pela qualidade da escrita e do argumento, que lidava com questões existenciais que eram apenas reservadas a estéticas consideradas "elevadas" da Arte. Por isso, Ghost in the Shell persiste nas memórias dos seus fãs como um Santo Graal da cultura pop. Claro que isso acarreta um medo: o de que adaptação para live action protagonizada por Scarlett Johansson e realizada por Rupert Sanders não faça jus a qualquer um dos originais. Pelo trailer, e falando pura e simplesmente pelo lado estético, promete. Mas todos sabemos que o que conta é uma alquimia estranha entre argumento, talento, actores e realização que conspira para a qualidade e o sucesso. 

Valérian vem com outro tipo de credenciais. O realizador Luc Besson não é estranho ao universo deste personagem da BD Franco-Belga. Jean-Claude Mézières, o desenhador por detrás da maravilha que são as pranchas desta obra, já tinha ajudado o realizador no filme O 5.º Elemento. Portanto, parece óbvio que o cineasta francês se tenha embrenhado nas aventuras do agente espaço-temporal. A  primeira aparição do personagem aconteceu na revista Pilote de 1967, começando, três anos depois, a ser editado em álbuns através da chancela da editora Dargaud. Ao longo de variadíssimas edições, Valérian e Laureline (não apenas a sua companheira mas igual de armas) viajaram por mundos espalhados pelo espaço-tempo em aventuras que são de tal forma fundadoras que, contam as teorias, terão inspirado George Lucas no seu mais que famoso Star Wars  - procurem na net e encontram estas teorias. Quem apenas folheou estas maravilhosas BD's sabe da riqueza estética do mundo de Christian e Mézières, que tem tudo para estar como um peixe nas águas da 7.ª Arte (isto se todos os filmes de ficção científica que inspiraram não tiverem estragado a surpresa). O trailer é interessante ainda que marginalmente generalista, mas estou mais do que disposto a dar todo o benefício da dúvida (apesar de estar receoso com os actores escolhidos para o papel dos dois heróis). 

Se este dois filmes fizerem sucesso e gerarem curvas ascendentes e multiplicadores aceitáveis nas células de Excel então preparem-se: o universo BD no cinema vai continuar a expandir-se. É só rezar aos deuses dos contabilistas e dos tesoureiros. 



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