A primeira vez que tive contacto com o grupo de Corin Dingley e Andy Jenks foi num CD de promoção inserido junto com o álbum “Mezzanine” dos Massive Attack. Acontece que estes últimos eram à altura donos de uma editora, a Melankolic, repercussões do seu enorme sucesso, e dela faziam parte uma profícua e eclética panóplia de artistas, dentre os quais esta dupla que se auto-intitulava “Alpha”.

Não me lembro concretamente das primeiras experiências ao ouvi-los (se enterrar-me-na-cadeira-e-afogar-me-no-som existisse como palavra faria melhor jus ao sentimento que gostaria de invocar, mas terei de me ficar por esta). Mas, até hoje e neste momento, ouvir “SometimeLater” ou “SomewhereNotHere” do álbum de estreia “ComeFromHeaven”, declamadas pelas etéreas e liquidas vozes de Martin Barnard e Wendy Stubbs, respectivamente, deixa-me feliz... Sim, feliz é a palavra mais certa! Existem outras: rejubilado; sereno; deliciado. Mas, por vezes, a simplicidade é a melhor amiga de quem procura tornar palavras as suas emoções. A beleza da música dos “Alpha”, neste álbum, deixam-me , pura e simplesmente, feliz. Eu não sei se para você, leitor, a mesma sensação quererá ser atingida, mas, já que me propus a isto, achei que vos tinha de descrever um sentimento, um êxtase, que me venha de ouvir estas músicas.
E nos 10 anos que se seguiram pouco ou nada têm me decepcionado. Houve um percalço no caminho chamado “TheImpossibleThrill” (um segundo álbum de originais que, ainda assim, navegava em águas mais voluptuosas que colegas menos dotados), mas houve tanta, mas tanta deliciosa caminhada por estradas ladeadas por sons copiosos de beleza. Mesmo os B-Sides de “ComeFromHeaven” lançados conjuntamente em “Pepper” tinham músicas como “Firefly (ReceiverMix)”, colhida de uma cadência desarmante e sonolenta, esta novamente com a voz de Martin Barnard. E “Stargazing” com “A Perfect End” ou “Elvis”. E o mais recente “The Sky is Mne” com, por exemplo, o desesperado “For the wages”.

Os Alpha ainda perderiam a sua editora de origem (falem com a Mariah Carey sobre isto!), mas continuam a demanda na sua própria, a donttouchrecordings. Nasceram do movimento TripHop iniciado na década de 90 pelos conterrâneos Massive Attack e continuam até hoje a perder-se nas suas influências de origem (bandas sonoras, Jimmy Webb ou Burt Bacharach), promovendo um som que, dizem os próprios, “não cai nas facilidades da simpática nostalgia e do retro-futurismo”.
Dêem um passeio pelo site oficial ou pela página de myspace. Comprem os álbuns. Pode ser que, como eu, encontrem um daqueles grupos de música que nos ficam (até agora) para a vida. Não há nada de complicado ou arriscado nisso, ou há?
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