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Álbuns para sempre, 36

Existem álbuns e músicas que permanecem. São mais que prazeres. São memórias.  São pedaços de um tempo, um momento, feliz ou triste. São resultado de existirmos e, por isso, nossos - mas também de outros. Como nenhuma outra arte, a música é comunhão. Quer por estarmos juntos num concerto, quer porque ouvimos um mesmo álbum, cada qual no conforto da sua casa.

Todos os fins-de-semana vão poder ouvir um álbum que me marcou. Esta semana cabe aos The Black Keys e ao LP Brothers.


Música mantém-te acordado

"So baby when I rolled, I rolled deep
So much so, I didn't get much sleep
Rock and roll hustle all the time
Now I know, oh baby"
I Got Mine, The Black Keys.

The Arcs - Stay In My Corner



E desta vez, The Black Keys

A minha terceira coluna Maxim é sobre os grandes The Black Keys, que actuam em Portugal no próximo dia 27. Vejam-na aqui.







Dan Auerbach

Blues são pés descalços na paisagem onde não chove há décadas e o calor diminui a vontade. 


Blues são a vontade de abandonar o corpo moribundo de fome e sede.


Blues são homens roucos e mulheres roliças. São homens com dedos de rasgar guitarras e de mulheres suadas de sexo.


Dan Auerbach, vocalista do grupo The Black Keys, neste seu primeiro álbum a solo datado de 2009 (Keep it Hid), não caminha apenas pelas planícies áridas e pelo desprender dos confortos. Embrenha-se de corpo e alma no corpo e na alma do Blues, esse legado musical incontornavelmente americano.


Existe um lado de homenagem a um estilo já centenário e que tantos génios trouxe à superfície, mas também um outro, mais exploratório, não tanto de novas roupagens mas antes de novas soluções. Não deixa de estar na linha que o seu grupo de “nascimento” tomou mas desprende-se do lado mais rock e abraça um ponto de vista assumidamente Blues.


Não é uma “tour-de-force” mas resolve bem a inclinação “cromo dos Blues” com sons típicos e apropriados.


A ouvir com um copo de Uísque numa mão e cigarros na outra.





You got the tenderness that I been searchin' for
Oh, I want some more
You got sweet lips like I did never taste before
Oh, I want some more


Everythin' you've got
Is just what I've always wanted
Right down to a T
Nothin' about you that don't please me


I'm just a kid and you're a walkin' candy store
Oh, I want some more


You got the tenderness that I been searchin' for
Oh, I want some more, yeah
You got sweet lips like I did never taste before
Oh, I want some more


Everythin' you've got
Is just what I've always wanted
Right down to a T
Nothin' about you that don't please me


I'm just a kid and you're a walkin' candy store
Oh, I want some more, yeah, yeah

Blakroc

Parece um completar do círculo que dura e perdura à várias décadas. Quem parece? Este projecto chamado Blakroc e que lançou, no ano passado, um fenomenal álbum homónimo.

Blackroc trata-se da fusão entre o grupo Blues Rock de nome The Black Keys e vários artistas da cena R&B e Hip-Hop, como sejam Ludracris, Mos Def, NOE, RZA, etc.

Tudo começa com Damon Dash, co-fundador e ex-shareholder da Roc-A-Fella records, e com o seu gosto pelo grupo The Black Keys, naturais de Ohio e herdeiros de uma nobre herança musical norte-americana, o Blues, género musical que rivaliza em criatividade com o mui amado (aqui pelos lados desta jangada de pedra) jazz. E a historia continua com convites atrás de convites, solidifica-se nesta pequena pérola (não consigo resistir) negra, que se afirma numa sonoridade pujante e pungente, arrebatadora na sua violência urbana de becos esconsos e luzes doentias. Nela podemos distinguir as formas de bares perdidos em portos nauseabundos, onde as mulheres são Carnavais e as suas curvas baratas.

É o recuperar (se alguma vez esteve perdido) de um mundo “noir” e “hardcore”, histórias da História de um país e de um povo que criou a maior parte da música e sonoridades do mundo moderno. Forte. Tonitruante. Atordoante.

Sais rasgado desta cidade. Mas de corpo lavado e alma ritmada.